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Aprendiz de Mestre

Aprendiz de Mestre – SandBox 

Olá, mestres do meu Brasil e do mundo!

Venho trazer para vocês dessa vez um pequeno guia sobre como mestrar aventuras mundo aberto ou, como dizem, um sandbox. Guiar um jogo num mundo sem uma barreira invisível é muito divertido, mas, ao mesmo tempo, desafiador. É lidar o tempo todo com o imprevisível. 

É importante tomar muito cuidado para as coisas não saírem do controle e de repente qualquer objetivo principal seja soterrado por missões secundárias. Com isso trago 7 pontos centrais para você manter um bom controle e ao mesmo tempo liberdade dos personagens e do mundo

Crie um Mundo Vivo, Não um Roteiro Fechado

No sandbox, o foco não é contar uma história já pronta, mas criar um cenário rico onde histórias podem ser criadas e aproveitadas. Ou seja, é importante que você tenha em mente uma ou mais linha narrativa que vai desenhando esse mundo, mas que vai ocorrer com ou sem a presença dos personagens e que suas intromissões nessa história permite mudanças significativas e assim a história é construída em conjunto.

Ofereça Ganchos, Não Trilhos

Você não precisa ficar empurrando os jogadores de missão em missão  — basta deixar ganchos, oportunidades etc. visíveis e deixar que escolham. Um comerciante desaparecido, uma cidade próxima com boatos de uma maldição, um mapa incompleto que um acadêmico precisa de ajuda para completar. Tudo pode ser um convite à aventura. Esse tipo de situações permitem também os personagens decidir que tipo de grupo eles são. Vão aceitar o pedido de ajudar de um nobre corrupto para cobrar dívidas? Ou somente os pedidos justos, mas não tão lucrativos serão aceitos?

Para fazer isso possível e dar oportunidades de aventura, você pode usar de rumores escutados pelas cidades, bilhetes, murais de missões, NPCs falantes ou mesmo eventos estranhos aleatórios entre um momento e outro para espalhar as possibilidades.

Mantenha uma Tabela de Reações do Mundo

Cada ação dos personagens deve ter consequências. Se eles roubarem um artefato religioso e divino, a igreja vai fazer algo sobre isso. Se ajudam uma vila, ganham aliados valiosos. Isso cria uma rede de causas e efeitos que faz o mundo parecer vivo e, acima de tudo, mostra que as suas escolhas são importantes e realmente mudam o mundo ao redor deles.

É importante manter registrado de alguma forma essas coisas que irão ocorrendo com o passar do tempo e as decisões dos personagem. Por isso, mantenha  alguma espécie de “diário do mundo”, anotando mudanças causadas pelos jogadores e atualize as reações das facções e locais em relação a eles.

Muito chato um dos personagens se tornar o mago mais poderoso da universidade de magos e os guardas ainda te tratarem como um morador de rua (sim, Skyrim, estou falando com você).

Prepare Lugares, Não Só Histórias

Ao invés de só planejar eventos específicos, foque em preparar alguns locais interessantes: cidades, ruínas, fortalezas, bosques, etc. Cada cantinho deve ter seus segredos, habitantes, perigos e recompensas.

Em jogos como esses é importante o uso de mapas para destacar os pontos de interesse e ajudar na visualização das coisas. Você pode usar mapas prontos, se estiver em um cenário pronto, mas pode também criar o seu com qualquer um dos aplicativos e sites hoje no mercado. O mais legal será com o passar da campanha esse mapa começar a ser marcado também pelas coisas que os jogadores fazem nele. Destroem uma cidade? Constroem uma? A floresta pegou fogo? Tudo isso pode ser adicionado ao mapa.

Além disso, uma bom uso de uma tabela de encontros personalizada para cada localidade trás um ar de imprevisibilidade interessante. Lembre-se que nem todo encontro preciso ser um conflito. Podem achar itens, passagens secretas, pessoas interessantes, eventos curiosos, etc.

Dê aos Jogadores Ferramentas para Decidir

Para que o sandbox funcione, os jogadores precisam de informação. Eles precisam saber o que há no mundo, ouvir rumores, ter mapas incompletos ou contatos que falem sobre lugares e perigos. Se tudo estiver um pouco parado, comece perguntando “o que vocês querem fazer?” e dê informações suficientes para que possam tomar decisões significativas em direção a esse objetivo!

Nada é mais frustrante no jogo aberto do que não sabe ter informações e ficar paralisado por nem saber por onde começar a procurar a próxima aventura.

Gerencie o Caos com o Conhecimento

Como já dei a dica na última vez quando falei sobre RPG e política, é importante você ter lados bem definidos. Facções, organizações, interesses, interessados, pessoas importantes, pessoas que querem se tornar importantes. Tudo isso ajuda os personagem e jogadores a acharem algo nesse mundo que os interesse e, consequentemente, se queiram explorar mais a fundo.

Deixe tudo isso muito bem anotado em referências rápidas. É muito fácil que você como mestre acabe esquecendo de nomes de pessoas, lugares e instituições junto de suas motivações e ideias. Mesmo que você mesmo tenha inventado todas eles é possível esquecer.

Não Tenha Medo de Improvisar, Mas Improvise com Lógica

Nem tudo precisa estar preparado. Você pode criar coisas na hora — mas sempre com base no que já existe no mundo. Improvisar com coerência é o que mantém o jogo crível. Eu sei que é um concelho difícil de seguir, mas fácil de falar. Eu mesmo no meio de improvisações já errei a mão, mas não tem problema! Errar faz parte do processo e o que pode parecer um erro agora, pode deixar tudo mais interessantes no futuro.

“E se tudo der errado?” Não tem problema em voltar um pouquinho as coisas e redefinir uma coisa ou outra. Os mundos do quadrinhos, dos filmes e dos livros vivem fazendo retcons, então não vai ser o seu pequeno retcon que irá destruir um jogo divertido.

 

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