Cairn 2ª Edição – Resenha

Cairn 2ª Edição, que será trazido ao Brasil pela Nozes Game Studio Editora através de Financiamento Coletivo, é um daqueles RPGs que entendem exatamente a atmosfera que querem transmitir.

Cairn

Desde as primeiras páginas, o livro mergulha o leitor em um mundo de florestas antigas, caminhos esquecidos, criaturas estranhas e vilarejos onde sempre parece existir alguma história ruim sendo sussurrada perto da lareira.

Não existe preocupação em construir um cenário gigantesco cheio de datas e enciclopédias internas. O foco está na sensação de descoberta, perigo e mistério.

A floresta de Cairn não é apenas um cenário para aventuras. Ela parece viva, indiferente e constantemente ameaçadora. Sendo que o jogo passa muito da sensação dos contos folclóricos antigos, onde viajar alguns quilômetros mata adentro já significa entrar em território desconhecido.

Há algo quase melancólico no jeito como o livro descreve o mundo. Mesmo os elementos fantásticos possuem um tom desgastado, silencioso e muitas vezes triste.

O mais interessante é que o sistema inteiro trabalha para reforçar essa atmosfera.

Cairn não quer transformar personagens em heróis invencíveis. Pelo contrário. O livro deixa claro que combate é perigoso, que a morte está sempre próxima e que agir sem pensar normalmente termina mal. Isso muda completamente a mentalidade da mesa.

Os jogadores passam a observar o ambiente com mais atenção, discutir estratégias e pensar como pessoas tentando sobreviver, não como aventureiros destinados a vencer qualquer batalha.

Essa filosofia lembra bastante os RPGs old school clássicos, mas Cairn consegue transmitir isso de maneira muito mais acessível e elegante do que muitos jogos do gênero.

O texto é direto, simples e raramente se perde em excesso de regras. Existe uma confiança muito grande na criatividade do grupo e na conversa entre jogadores e mestre.

Personagens simples, mas cheios de identidade

Uma das maiores surpresas do livro é perceber como Cairn consegue criar personagens memoráveis com tão poucas regras.

O processo de criação é rápido, quase imediato, mas cada detalhe gera pequenas histórias que ajudam o personagem a parecer alguém real dentro daquele mundo estranho. Dessa forma, o jogo abandona completamente a ideia de classes tradicionais.

Em vez disso, os personagens possuem antecedentes que funcionam mais como profissões, experiências de vida e arquétipos narrativos. Isso dá muito mais personalidade ao grupo.

Criação de Personagem

Um personagem não é simplesmente “um mago” ou “um guerreiro”. Ele pode ser um Ourivex alquimista obcecado por invenções perigosas, um Barbeiro-Cirurgião que substituiu partes do próprio corpo por metal ou um Cata-Fungo acostumado a sobreviver em regiões úmidas e decadentes da floresta.

O Ourivex talvez seja um dos melhores exemplos do tom do jogo.

As tabelas do antecedente incluem experimentos que deram terrivelmente errado, como transformar um animal de estimação em uma criatura invisível ou desenvolver uma obsessão química capaz de alterar completamente a vida do personagem.

Existe humor sombrio nisso tudo, mas também uma sensação constante de decadência e improviso. E as características físicas e psicológicas ajudam bastante nessa construção.

O livro faz o jogador definir roupas, fala, rosto, vícios e virtudes através de tabelas rápidas. Parece algo pequeno, mas isso cria imagens muito fortes.

Descrição

Cairn é o tipo de jogo em que um personagem pode surgir como um sujeito alto, de roupas ensanguentadas, fala trovejante e comportamento vingativo.

Em poucos minutos já existe uma figura completa na cabeça do grupo.

Os vínculos são provavelmente uma das melhores partes do livro. Em vez de simples “ganchos de aventura”, eles parecem pequenos contos de horror e fantasia sombria.

Um personagem pode carregar metade de uma chave ancestral capaz de abrir qualquer porta, ter herdado um diário que escreve sozinho durante a noite ou abrigar um espírito travesso dentro do próprio corpo.

Esses detalhes fazem o mundo parecer muito maior do que realmente está descrito nas páginas. Cairn sugere muito mais do que explica, e isso funciona incrivelmente bem.

Um sistema que transforma objetos em decisões importantes

Talvez uma das maiores qualidades de Cairn esteja em como ele faz o jogador se importar com coisas pequenas.

Cordas, tochas, óleo, espaço na mochila e até comida viram elementos importantes da experiência. Dessa forma, o sistema de inventário é simples, mas extremamente eficiente.

Os personagens possuem poucos espaços para carregar itens, e excesso de peso reduz diretamente sua resistência. Isso faz cada escolha importar.

Levar uma barraca pode significar abandonar ferramentas importantes. Carregar armaduras pesadas exige sacrifícios. Por conta disso, o jogo cria tensão através da administração de recursos sem precisar transformar isso em algo burocrático.

O mercado reforça ainda mais essa proposta

A lista de equipamentos é cheia de objetos utilitários e específicos, muitos deles claramente pensados para incentivar criatividade.

Há armadilhas, óleo incendiário, lunetas, ferramentas de ladrão, repelentes e equipamentos de expedição. Cairn entende que exploração interessante nasce da interação dos jogadores com o ambiente.

Isso também ajuda a diferenciar o jogo de muitos RPGs modernos focados em habilidades especiais e poderes constantes.

Em Cairn, um espelho pode ser mais valioso do que uma espada. Uma corda bem usada pode resolver um encontro inteiro. Muitas vezes sobreviver significa simplesmente ter levado o item certo.

Outro detalhe importante é como o livro trata o combate.

Combates também são escolhas

Cairn nunca vende a ideia de batalhas heroicas.

Lutar parece sempre uma escolha desesperada.

Os personagens são frágeis, os confrontos são rápidos e as consequências podem ser permanentes. Isso cria sessões tensas, onde negociar, fugir ou enganar inimigos quase sempre parece mais inteligente do que sacar uma arma.

Um RPG pequeno, mas cheio de personalidade

O que torna Cairn especial é que ele nunca parece genérico. Mesmo sendo um sistema enxuto, existe uma identidade muito forte em cada página.

O jogo sabe exatamente o que quer transmitir: um mundo melancólico, perigoso e misterioso, onde pessoas comuns entram em contato com forças antigas demais para serem compreendidas completamente.

A escrita contribui muito para isso

O livro evita excesso de explicações e prefere apresentar ideias evocativas. Os presságios espalhados pelo cenário são um ótimo exemplo.

Flores que causam pesadelos, estátuas chorando sangue e animais fugindo da floresta criam imagens fortes rapidamente. Poucas linhas já bastam para o leitor imaginar campanhas inteiras.

Também chama atenção como Cairn consegue ser brutal sem parecer cínico.

Existe violência, decadência e horror, mas o jogo nunca cai naquela estética exageradamente cruel que alguns RPGs dark fantasy adotam. O foco continua sendo aventura, descoberta e sobrevivência.

No fim, Cairn 2ª Edição funciona porque entende muito bem a força da simplicidade. Ele não tenta competir com sistemas gigantescos cheios de suplementos e regras detalhadas. Em vez disso, entrega uma experiência muito específica e muito bem construída.

É um RPG sobre entrar em lugares perigosos, carregar lanternas na escuridão e perceber, aos poucos, que a floresta talvez esteja observando de volta.


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Breu RPG – Resenha

BREU é um RPG brasileiro de fantasia sombria fortemente ligado à filosofia OSR, mas que evita cair na simples reprodução nostálgica dos jogos antigos. O jogo é criação da Luz Negra Editora, e já está disponível no site da editora.

Breu

O livro deixa isso claro desde suas primeiras páginas, quando os autores explicam que a proposta do sistema nasceu justamente da insatisfação tanto com modelos clássicos quanto com jogos modernos de fantasia heroica.

O resultado é um jogo que tenta equilibrar acessibilidade contemporânea com uma mentalidade mais brutal, aberta e imprevisível de jogar RPG. E o primeiro impacto vem do tom do material. BREU não busca a fantasia épica confortável que domina boa parte do mercado atual.

O cenário implícito do livro é hostil, decadente e desconfortável. Sendo que a própria ideia da escuridão é tratada quase como um personagem recorrente.

Isso aparece no prefácio, nas artes, nos exemplos de jogo e até nas regras, especialmente quando o livro insiste que a ausência de luz deve continuar sendo uma ameaça constante.

Ainda assim, BREU não é um jogo que tenta parecer “adulto” apenas por exagerar violência ou sofrimento. Sendo que, um dos aspectos mais interessantes do livro é justamente o cuidado social presente em sua introdução.

Há páginas inteiras dedicadas a pacto social, segurança na mesa e limites temáticos.

O jogo quer ser cruel com os personagens, mas não com os jogadores. Essa distinção aparece de forma muito madura ao longo do texto.

Um OSR que conversa com jogadores modernos

O grande diferencial de BREU em relação a muitos jogos OSR está na forma como ele tenta traduzir conceitos da velha escola para uma linguagem mais familiar a jogadores acostumados com Dungeons & Dragons 5ª edição.

O livro admite isso sem rodeios. Ele mantém atributos clássicos, d20, vantagem e desvantagem, testes de resistência e bônus de proficiência. Mas, ao mesmo tempo, simplifica drasticamente várias estruturas modernas.

Não existem perícias, talentos, subclasses ou grandes árvores de progressão.

Existem apenas quatro classes básicas: Arcanista, Combatente, Especialista e Profeta.

Isso faz com que a identidade dos personagens dependa muito mais da interpretação, do antecedente e das decisões em jogo do que de construções mecânicas complexas.

Essa é provavelmente a principal qualidade do sistema

BREU entende bem uma das ideias centrais da OSR: o personagem não é definido apenas pela ficha.

O livro fala bastante sobre agência do jogador, posicionamento ficcional e resolução criativa de problemas. Isso aparece em vários momentos das regras, principalmente quando o texto reforça que os desafios devem ser enfrentados com observação, diálogo e planejamento, não apenas através de rolagens.

A criação de personagens é um bom exemplo disso, já que os antecedentes não funcionam como listas de bônus mecânicos. Em vez disso, eles descrevem quem o personagem era antes da aventura através de uma frase simples.

O sistema incentiva algo mais narrativo e interpretativo, sem transformar cada detalhe em modificador numérico. Ou seja, em um mercado saturado de RPGs cheios de micro regras para tudo, essa simplicidade acaba sendo refrescante.

As Heranças também merecem destaque

Em vez de oferecer raças fechadas e totalmente padronizadas, BREU propõe uma construção mais livre entre jogador e mestra.

Isso permite personagens muito mais personalizados e coerentes com o cenário de campanha.

A ideia funciona bem porque o livro insiste em benefícios modestos acompanhados de complicações reais. O sistema evita transformar ancestralidades em pacotes de vantagens gratuitas.

Por outro lado, essa liberdade exige um grupo alinhado. BREU depende bastante da capacidade da mesa de negociar expectativas e interpretar regras de maneira consistente.

Jogadores acostumados com sistemas extremamente fechados podem sentir falta de definições mais objetivas.

Regras enxutas, mas com bastante personalidade

Apesar da proposta minimalista, BREU não é exatamente um jogo pequeno.

O livro básico ultrapassa 350 páginas e traz uma quantidade enorme de conteúdo complementar. Existe um contraste curioso aí. Nesse sentido, o núcleo do sistema é extremamente simples, mas o livro ao redor dele é volumoso, cheio de tabelas, ferramentas, geradores e regras opcionais.

A parte de exploração merece bastante elogio

O material dedicado a hexcrawl, dungeoncrawl, exploração por marcos, criação de masmorras e encontros reforça constantemente a ideia de que o ambiente deve ser um desafio real. Snedo que esse foco em exploração como elemento central diferencia BREU de muitos jogos modernos que acabam transformando deslocamento e sobrevivência em mera formalidade.

O combate também segue essa filosofia

Os personagens possuem poucos pontos de vida, a recuperação é lenta e a morte é uma ameaça constante.

Isso cria confrontos tensos e perigosos, mas também exige uma mudança de mentalidade. BREU claramente não quer que os jogadores resolvam tudo lutando. Portanto, o combate é apresentado como algo arriscado e frequentemente evitável.

O sistema de magia talvez seja uma das áreas mais interessantes do livro

A presença de Flexibilização Mágica, Emaranhamento Mágico e Nós Mágicos cria uma sensação de magia instável e perigosa.

A ideia de que conjurar feitiços envolve risco real ajuda bastante na atmosfera sombria do jogo. O que se torna um contraste forte em relação a muitos sistemas modernos em que magia funciona quase como uma ferramenta perfeitamente controlada.

Ainda assim, BREU às vezes sofre com excesso de explicação conceitual

Existem trechos em que o livro passa muitas páginas discutindo filosofia de jogo, teoria OSR e conceitos narrativos antes de retornar às regras práticas.

Isso pode cansar leitores que preferem uma apresentação mais direta.

Em certos momentos, parece que os autores estão tentando convencer o leitor de uma forma correta de jogar, mesmo quando dizem valorizar liberdade criativa.

Também existe uma certa irregularidade de organização. O livro tem muito conteúdo útil, mas algumas informações poderiam estar mais condensadas ou distribuídas de maneira mais intuitiva.

A leitura é agradável, mas nem sempre eficiente para consulta rápida em mesa.

Uma identidade muito própria dentro da cena brasileira

O que faz BREU realmente se destacar é sua identidade. Ele não parece uma simples adaptação brasileira de retroclones estrangeiros.

O livro possui personalidade própria, tanto na escrita quanto na estética.

A linguagem é mais próxima, informal e muitas vezes carregada de humor ácido. Isso cria uma sensação de proximidade rara em livros de RPG. Além disso, BREU entende muito bem a fantasia sombria como atmosfera e não apenas como decoração visual.

O jogo constantemente reforça vulnerabilidade, medo, decadência e risco.

O texto dos autores e do prefácio retorna várias vezes à ideia de fascínio pela escuridão. O resultado é um jogo que consegue transmitir sensação de mundo, não apenas um conjunto de mecânicas.

BREU provavelmente não será o RPG ideal para todo mundo.

Quem procura fantasia heroica poderosa, combate balanceado ou progressão cheia de habilidades talvez se frustre. O sistema exige improviso, criatividade e disposição para lidar com perigo constante.

Em compensação, jogadores interessados em exploração, sobrevivência, narrativa emergente e campanhas mais imprevisíveis provavelmente encontrarão aqui um dos trabalhos mais interessantes produzidos recentemente na cena nacional.

Mais importante do que tentar reinventar a OSR, BREU parece interessado em traduzi-la para uma nova geração de jogadores brasileiros. E nisso ele funciona muito bem.


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Guia de Campanha: Raças – Guia de Criação de Personagem

A criação de um personagem em Old Dragon 2 vai muito além de escolher os maiores bônus para seus atributos principais.

Para um jogador que busca longevidade na mesa, o processo começa no entendimento do “eu” biológico e social da raça escolhida.

Quando nos afastamos das opções mais comuns, como humanos ou elfos, abrimos a porta para interpretações que desafiam a nossa lógica quotidiana, algo que pode ser feito de diversas maneiras usando o Guia de Campanha: Raças.

O segredo para não cair no estereótipo é encontrar a humanidade nas motivações mais profundas de cada ser.

Abaixo, exploro como abordar estas cinco raças distintas disponíveis no Guia de Campanha, focando na sua essência e em como transformá-las em protagonistas memoráveis.

Cambion

O Cambion ocupa um espaço desconfortável no mundo.

Ele é o resultado de linhagens tocadas por influências planares inferiores, o que gera uma existência marcada pelo isolamento.

Ao jogar com um Cambion, o mais importante é decidir como o teu personagem reage ao olhar de julgamento da sociedade.

Ele pode ser alguém que abraça a sua natureza intimidante para garantir que ninguém se aproxime o suficiente para o ferir, ou um indivíduo que tenta desesperadamente provar a sua virtude através de atos de sacrifício extremo.

Uma excelente ideia de personagem é o “Erudito do Oculto”, alguém que estuda a própria genealogia não para obter poder, mas para encontrar uma forma de purificar a sua linhagem ou, pelo menos, compreendê-la.

Este tipo de personagem evita o combate direto, preferindo usar o seu carisma inato e a sua presença inquietante para manipular o ambiente a seu favor antes que a primeira espada seja desembainhada.

Fungo Pigmeu

Interpretar um Fungo Pigmeu exige um desprendimento quase total dos conceitos de individualidade.

Estas criaturas são extensões de uma consciência maior e, quando se tornam aventureiros, vivem uma dualidade estranha: a solidão do indivíduo versus a memória do coletivo.

Para jogar com esta raça de forma precisa, evita motivações baseadas em ganância material.

Um Fungo Pigmeu não quer ouro; ele quer experiências que possa “levar de volta” para o seu micélio através de esporos ou memórias.

Um conceito interessante é o “Jardineiro do Decaimento”, um personagem que vê o mundo como uma grande compostagem.

Ele pode ser extremamente pragmático, sugerindo que os inimigos derrotados sejam usados para nutrir a terra, não por maldade, mas por uma lógica biológica irrepreensível.

Na mesa, a sua fala deve ser económica e focada no presente, tratando o grupo de aventureiros como o seu novo “corpo” social que precisa de ser preservado a todo o custo.

Howkar

Os Howkar trazem para o jogo uma perspectiva aérea que altera completamente a noção de exploração. Como seres aviários, eles possuem uma visão de mundo literal e figurativamente superior.

Um Howkar raramente compreende as fronteiras terrestres ou o apego que as outras raças têm por muralhas e castelos.

Ao criar um Howkar, foca na sua natureza de predador e na sua agilidade.

Uma ideia de personagem é o “Sentinela das Nuvens”, um guerreiro que se sente fisicamente doente quando passa muito tempo dentro de masmorras ou espaços fechados.

Ele valoriza a liberdade acima de tudo e pode ver o resto do grupo como criaturinhas lentas que precisam de proteção aérea.

O conflito interpretativo aqui reside na paciência: para um Howkar, a solução para a maioria dos problemas é contorná-los por cima, o que pode gerar atritos interessantes com companheiros que dependem de chaves e portas.

Muskin

Se o Howkar domina os céus, o Muskin é o senhor dos alicerces.

Estes homens-rato são os sobreviventes derradeiros, capazes de encontrar recursos onde outros veriam apenas lixo. Jogar com um Muskin é abraçar a subtileza e o pragmatismo.

Eles buscam segurança e estabilidade para o seu clã.

Um personagem Muskin memorável pode ser o “Cartógrafo dos Esgotos”, alguém que conhece todos os segredos das cidades humanas e utiliza essa informação como moeda de troca.

Em vez de um ladino comum, ele pode ser um especialista em logística, garantindo que o grupo tenha sempre uma rota de fuga.

A sua interpretação deve refletir uma constante vigilância.

um Muskin está sempre à procura da saída mais próxima e raramente confia em estranhos à primeira vista, tornando a conquista da sua lealdade um arco narrativo muito recompensador para o grupo.

Thoul

O Thoul é, sem dúvida, um dos desafios mais interessantes para um jogador experiente.

Sendo uma abominação mágica que combina características de Trolls, Ghouls e Hobgoblins, a sua existência é um paradoxo constante.

Ele possui a regeneração de um, o toque paralisante de outro e a mente tática do terceiro. Para jogar com um Thoul de forma autêntica, é necessário explorar essa fragmentação mental.

Uma proposta de personagem é o “Soldado em Busca de Ordem”, um indivíduo que se agarra à disciplina militar do Hobgoblin para suprimir os instintos predatórios do Ghoul e a fúria do Troll.

Ele é um guerreiro estoico que teme perder o controlo, vendo cada batalha como um teste à sua vontade.

Este Thoul pode carregar consigo um código de honra rígido, quase como uma âncora que o impede de se tornar apenas mais um monstro errante, criando uma tensão constante entre o que ele é e o que ele deseja ser.

Conte para nós suas raças preferidas do Guia de Raças e como aplicá-las em mesa!


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Everyday Heroes – Aventuras inspiradas em Chuck Norris

O mundo do entretenimento se despediu recentemente de um ícone inquebrável.

Chuck Norris não foi apenas um ator; ele foi a personificação da resiliência e da força de vontade no cinema, e tornou-se uma figura amada e respeitada no universo da cultura pop.

No sistema Everyday Heroes, que esta sendo trazido ao Brasil pela Editora New Order, celebra justamente os heróis do cotidiano que superam limites impossíveis.

Não existe forma melhor de honrar seu legado do que levar sua energia indomável para a mesa de jogo.

Abaixo, apresento cinco conceitos de aventuras pensados para serem vividos com a intensidade de um chute giratório, focando naquilo que Chuck sempre representou: justiça, honra e a capacidade de enfrentar o perigo sozinho, se necessário.

O Resgate Impossível nas Selvas do Vietnã

Esta aventura é inspirada na trilogia Braddock.

Os personagens assumem o papel de veteranos que se recusam a acreditar que seus amigos foram deixados para trás. Então, o foco aqui, é o reconhecimento tático e a sobrevivência em ambiente hostil.

Em termos de regras, os jogadores devem focar em suas perícias de furtividade e sobrevivência na selva. Por conta disso, diferente de uma missão militar comum, aqui a munição é escassa e o terreno é um inimigo tão perigoso quanto os soldados adversários.

Se você for o narrador, deve enfatizar o uso de armadilhas naturais e emboscadas, sendo o momento perfeito para você usar as regras de cobertura e vantagem tática do livro básico.

A vitória não vem apenas pelo poder de fogo, mas pela paciência e pelo conhecimento do terreno, honrando o espírito de um homem que nunca desistiu de seus companheiros de armas.

A Invasão Silenciosa no Coração da América

Inspirada no clássico Invasão EUA, esta trama coloca os heróis em uma situação de urgência nacional.

Um grupo terrorista altamente treinado começa a espalhar o caos em bairros residenciais. Nesse sentido, o papel dos jogadores é atuar como a última linha de defesa quando as autoridades oficiais estão sobrecarregadas ou incapacitadas.

Nesta aventura, as perseguições de veículos ganham destaque. Portanto, como mestre, você pode criar cenas emocionantes em áreas urbanas, onde o controle de danos é tão importante quanto derrotar os vilões.

Você pode usar as mecânicas de movimento e combate em veículos para simular a adrenalina dos filmes de ação dos anos oitenta. Principalmente porque o objetivo final é localizar o quartel-general móvel dos invasores e desmantelar a operação antes que o pânico se torne irreversível.

É uma ode ao herói que protege seu lar contra todas as probabilidades.

O Lobo Solitário da Fronteira Texana

Baseada na estética de McQuade, o Lobo Solitário, esta aventura foca no gênero policial de fronteira.

Os jogadores interpretam agentes da lei que operam em zonas cinzentas, onde a justiça é decidida pela rapidez do saque e pela precisão do golpe. Neste cenário, o vilão é um barão do crime que se esconde em uma fortaleza no deserto, protegido por um exército de capangas.

O diferencial aqui é o combate corpo a corpo. Você deve incentivar os jogadores a utilizarem manobras de agarre, arremessos e ataques desarmados. Então, no Everyday Heroes, você pode traduzir isso através das ações táticas que permitem desarmar ou derrubar o oponente.

O clímax deve ser um duelo de artes marciais sob o sol escaldante, onde a resistência física dos personagens será testada ao máximo.

É a essência do Texas Ranger levada ao extremo do heroísmo moderno.

Conspiração e Justiça em Chicago

Inspirada em Código de Silêncio, esta proposta mergulha os heróis em uma rede de corrupção policial e guerra de gangues urbanas.

Caso você seja jogador, serão os únicos policiais honestos em um departamento que virou as costas para a verdade. Ou seja, a aventura exige muito mais do que apenas gatilhos rápidos; ela demanda investigação e o uso inteligente de contatos nas ruas.

A mecânica de interação social é fundamental aqui. Vocês, como heróis, precisam convencer testemunhas amedrontadas e desmascarar traidores dentro da própria força. Nessa ideia, o uso de equipamentos especiais, como dispositivos de escuta ou drones de vigilância, pode ajudar a equilibrar a luta contra um inimigo que tem o sistema a seu favor.

O confronto final acontece nos armazéns sombrios das docas, onde a integridade moral dos heróis brilhará mais que suas armas.

A Missão Final da Força Delta

Para encerrar com chave de ouro, uma aventura de alta voltagem baseada em Comando Delta.

Um avião comercial é sequestrado por uma organização extremista e levado para um território hostil.

Como jogadores, vocês são membros de uma unidade de elite enviada para resolver a crise sem causar baixas entre os civis. Dessa forma, esta aventura explora as regras de gerenciamento de crises e proteção de reféns.

Cada rodada de combate deve ser calculada, pois uma bala perdida pode ser fatal para um inocente. Então, o mestre deve focar na coordenação da equipe: enquanto um herói cuida da demolição de pontos de entrada, outro garante a segurança do perímetro.

É uma missão sobre sacrifício, precisão e o uso coordenado de talentos únicos para salvar vidas.

O Legado de um Mestre

Narrar uma aventura inspirada em Chuck Norris no Everyday Heroes é celebrar o mito da invencibilidade humana. Já que ele ensinou a todos nós que, com treinamento e foco, nenhum muro é alto demais para ser derrubado por um chute bem dado.

Ao aplicar essas ideias em sua mesa, lembre-se de que o mais importante não são os números na ficha, mas a atitude do herói diante do impossível.

Descanse em paz, mestre. Nas nossas mesas de jogo, você continuará sendo aquele que nunca perdeu uma batalha, transformando cada sessão em um épico de coragem e determinação.

Que os dados rolem sempre a favor daqueles que lutam pela justiça.


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Velks RPG – Guia de Criação de Personagem

Vamos jogar Velks?

O primeiro passo para aproveitar ao máximo este jogo incrível é criar o personagem com o qual você irá explorar o cenário.

Por isso, aproveitamos para gerar um passo a passo detalhando os elementos que tornam estes personagens vivos, aproveitando para oferecer a você um personagem prontinho para o jogo!

Criação de Personagem

A criação começa com uma ideia clara: nosso personagem é Kael, conhecido como “Cinza”, um jovem que cresceu nas ruas de uma grande cidade após perder os pais ainda criança.

Sua única referência de família era seu irmão mais velho, que acabou sendo assassinado em circunstâncias misteriosas.

Esse evento moldou completamente sua personalidade.

Kael se tornou alguém fechado, sarcástico e extremamente cauteloso. Ele evita vínculos, mas quando confia em alguém, sua lealdade é absoluta.

Ele não acredita em justiça divina nem em destino, acredita apenas na própria capacidade de sobreviver.

Raça e Estrutura: Humano

Os humanos são definidos por sua adaptabilidade, o que mecanicamente se traduz em vantagens em perícias ao invés de bônus diretos em atributos.

Traço Racial: Adaptabilidade.

  • Recebe bônus extras em perícias no nível 1.
  • Recebe bônus adicional em um grupo de perícias à escolha.

Para Kael, escolhemos o grupo de Subterfúgio, pois reflete sua vida nas ruas e suas habilidades de sobrevivência.

Narrativamente, isso representa alguém que aprendeu tudo na prática: observando, errando e se adaptando.

Profissão: Ladino

Agora escolhemos uma profissão oficial: Ladino.

O Ladino é especialista em furtividade, infiltração e combate oportunista. Ele não depende de força bruta, mas de posicionamento, precisão e timing.

Função: combatente ágil e especialista em subterfúgio.
Foco: Destreza, Combate e Presença.

Proficiências

  • Armas de uma mão e armas de disparo;
  • Escudo leve;
  • Sem acesso a armaduras pesadas.

Vida

  • Inicial: 25 + END;
  • Por nível: 1d10 + END.

Mana

Não possui.

Distribuição de habilidades por nível

  • Combate: 2.
  • Gerais: 2.
  • Percepção: 2.
  • Sociais: 2.
  • Conhecimento: 1.
  • Subterfúgio: 4.
  • 1 ponto livre.

Habilidades de profissão

Ataque pelas costas: causa dano extra igual ao nível contra inimigos desprevenidos ou flanqueados.

Detectar armadilhas e passagens secretas automaticamente.

Motivação e Segredo

Kael tem um objetivo claro: descobrir quem matou seu irmão. Ele também busca poder. Não por ambição, mas por medo de voltar a ser impotente.

Seu segredo é que, em algum momento, ele matou alguém. Não foi um assassinato planejado, mas um ato de sobrevivência.

Ainda assim, isso o assombra.

Rolagem de Atributos

Seguindo o sistema, rolamos 2d10 duas vezes e escolhemos o melhor resultado, repetindo sete vezes.

Resultados:

  1. (7 e 13) → 13
  2. (9 e 15) → 15
  3. (6 e 12) → 12
  4. (10 e 18) → 18
  5. (8 e 11) → 11
  6. (14 e 16) → 16
  7. (5 e 9) → 9

Valores finais: 18, 16, 15, 13, 12, 11, 9

Distribuição dos Atributos

Pensando na função do Ladino, escolhemos a seguinte distribuição, colocando os bônus de atributos entre parênteses:

  • FIGHT (Combate): 16 (+3);
  • DEX (Destreza): 18 (+4);
  • STR (Força): 9 (-1);
  • END (Resistência): 13 (+1);
  • INT (Inteligência): 12 (+1);
  • PRES (Presença): 15 (+2);
  • SPR (Espírito): 11 (0).

Essa distribuição favorece mobilidade, precisão e interação social.

Resistências

As resistências são derivadas diretamente dos atributos, deixando este resultado:

  • Resistência Física (END): 1 (nível) + 1 (END) = 2;
  • Resistência de Reação (DEX): 1 (nível) + 4 (DEX) = 5;
  • Resistência de Aura (INT): 1 (nível) + 1 (INT) = 2;
  • Resistência de Vontade (PRES): 1 (nível) + 2 (PRES) = 3;
  • Resistência da Alma (SPR): 1 (nível) + 0 (SPR) = 1.

Kael é difícil de atingir e reage rapidamente, mas não é o mais resistente fisicamente.

Aplicação da Adaptabilidade Humana

Escolhemos Subterfúgio como grupo favorecido, então Kael recebe vantagem extra nesse conjunto de habilidades.

Além disso, ele ganha pontos adicionais em perícias no nível 1, representando aprendizado prático.

Distribuição de Habilidades

Com base na profissão e na raça, as perícias ficaram com a seguinte configuração:

Combate

Adagas: +2 (ranks) + 3 (FIG) = 5

Subterfúgio (favorecido pela raça) (bonus +1)

Furtividade: +2 (ranks) + 1 (raça) + 4 (DEX) = 7

Arrombamento: +2 (ranks) +1 (raça) + 4 (DEX) = 7

Percepção

Atenção: +1 (rank) +1 (INT) = 2

Investigação: +1 (rank) + 1 (INT) = 2

Sociais

Performance: +1 (rank) +2 (PRES) = 3

Intimidação: +1 (rank) + 2 (PRES) = 3

Gerais

Atletismo: +1 (rank) + -1/+4/+1 (FOR/DEX/END) = 0/5/2

Sobrevivência: +1 (rank) + (STAT) = Variável

Conhecimento

Conhecimento do Submundo: +1 (rank) +1 (INT) = 2

Finalização do Personagem

Nome: Kael “Cinza”.
Raça: Humano.
Profissão: Ladino.

Kael é o reflexo perfeito da proposta do sistema: um personagem onde mecânica e narrativa caminham juntas.

Sua alta Destreza e suas habilidades em Subterfúgio fazem dele um infiltrador natural.

Sua Presença permite manipular e intimidar quando necessário. E sua história dá peso a cada escolha.

Ele não é um herói clássico de fantasia medieval, é um sobrevivente.

Alguém que vive nas sombras, que observa antes de agir e que ataca quando o inimigo está vulnerável.

A adaptabilidade humana se manifesta nele como experiência de vida. O Ladino se manifesta como consequência dessa vida.

E é exatamente isso que faz o personagem funcionar: cada número na ficha conta a mesma história que o background.


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Everyday Heroes – Resenha

Everyday Heroes, o novo jogo que será trazido ao Brasil pela Editora New Order, já começa com uma proposta que soa familiar, mas ao mesmo tempo empolgante.

A ideia de transformar pessoas comuns em protagonistas de histórias explosivas lembra imediatamente os grandes filmes de ação dos anos 80, onde o herói não precisava ser sobrenatural, apenas determinado.

Logo nas primeiras páginas, o livro convida o leitor a olhar pela janela e imaginar: “e se a minha vida fosse um filme?”.

Essa é a essência do jogo. Não se trata de mundos fantásticos distantes, mas do aqui e agora, elevado ao máximo da intensidade narrativa.

Essa escolha torna tudo mais próximo. Afinal, é muito mais fácil se enxergar em uma perseguição de carro ou em uma investigação tensa do que em um reino medieval cheio de dragões.

Perigo em Zona de Combate

O sistema do jogo segue uma lógica bastante direta, o que ajuda bastante na imersão. Quem já teve contato com RPGs baseados no d20 vai se sentir em casa rapidamente.

A dinâmica básica segue a linha da quinta edição do jogo mais famoso do mundo, não sendo segredo para jogadores mais experientes.

O combate, claro, tem um papel importante. E aqui ele aparece com aquele tempero clássico dos filmes de ação: tiros, explosões e decisões rápidas. É fácil imaginar cenas que poderiam sair direto de Duro de Matar ou Máquina Mortífera.

Mesmo assim, o texto faz questão de lembrar que o jogo não é só sobre lutar. A história continua sendo o centro de tudo.

Segurando por um Herói

Criar personagens em Everyday Heroes é uma experiência bem aberta. Não existe um único caminho certo, e isso é um ponto forte.

Você pode chegar com uma ideia pronta, talvez inspirado em algum personagem clássico, ou simplesmente ir escolhendo opções até algo interessante surgir. O livro apoia as duas abordagens sem forçar nenhuma delas.

Os arquétipos ajudam bastante nesse processo. Eles funcionam como guias rápidos para o tipo de herói que você quer construir: o forte, o ágil, o resistente… tudo muito alinhado com figuras clássicas do cinema.

E então entram os detalhes: antecedentes, profissões, habilidades. Aos poucos, aquele conceito inicial começa a ganhar forma. Não é só um “atirador” ou “detetive”, é alguém com história.

Nascido para Ser Selvagem

A ambientação é outro ponto interessante. O jogo se passa no mundo moderno, mas não se limita a ele.

Dá para jogar campanhas mais realistas, focadas em crime ou investigação. Mas também é possível puxar para algo mais exagerado, com conspirações, tecnologia avançada ou situações quase impossíveis, como nos filmes de ação mais ousados da época.

Essa flexibilidade é importante. Ela permite que cada grupo encontre o seu próprio tom, seja mais pé no chão ou mais cinematográfico.

O livro também abre espaço para diferentes tipos de personagens, sem impor limites rígidos. Isso amplia bastante as possibilidades dentro da mesa.

Isso tudo sem contar diversos suplementos oficiais de grandes franquias cinematográficas, como Kong, Highlander, O Corvo, entre outros, o que pode tornar sua experiência ainda mais rica e interessante.

Você Pode Ser o Melhor

Outro aspecto interessante é como o jogo se posiciona em relação ao passado. Ele claramente bebe da fonte de sistemas anteriores, mas não fica preso a eles.

A base é conhecida, mas adaptada. O mundo mudou, e o jogo acompanha isso, seja na presença de tecnologia, seja na forma como as histórias são pensadas.

Também há uma preocupação em tornar tudo mais acessível. Não é preciso dominar todas as regras para começar. O importante é entrar no clima e jogar.

Isso ajuda bastante quem está começando, mas não afasta quem já tem experiência.

De Volta à Ação

No fim das contas, Everyday Heroes é um convite.

Um convite para transformar o cotidiano em algo maior. Para enxergar potencial de aventura onde normalmente só existe rotina.

Ele não tenta reinventar tudo, mas sabe exatamente o que quer ser. Um RPG com cara de filme de ação, onde cada jogador pode viver seu próprio momento de herói.

E talvez seja justamente isso que o torna tão fácil de abraçar.


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Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: Raquel Naiane.

Centavos Macabros RPG – Resenha

Centavos Macabros, da Editora New Order, é um RPG que sabe exatamente qual história quer contar.

Inspirado nos famosos “penny dreadfuls”, folhetins baratos do século XIX que eram extremamente populares e normalmente contavam com histórias arrepiantes, o jogo mergulha no terror urbano vitoriano com uma proposta clara: transformar o clima dos folhetins sensacionalistas em experiência de mesa.

Não é apenas uma referência estética jogada no texto. O livro apresenta o contexto histórico dessas publicações populares, explica suas características e constrói o sistema inteiro ao redor dessa identidade.

As influências são assumidas sem timidez. Obras como Carmilla, Wagner the Wehr-Wolf, A Máquina do Tempo e as histórias de Sweeney Todd ajudam a moldar o tom da ambientação.

Crimes brutais, figuras moralmente ambíguas, reviravoltas dramáticas e uma atmosfera constantemente enevoada fazem parte da espinha dorsal do jogo.

A proposta não é contar histórias épicas sobre heróis maiores que a vida, mas explorar personagens falhos tentando sobreviver em uma cidade que parece sempre à beira do colapso.

Um sistema sem dados que aposta na narrativa

Um dos pontos mais interessantes de Centavos Macabros é sua decisão de abandonar completamente qualquer tipo de rolagem.

O jogo utiliza a chamada Narrative Focus Engine, um sistema que dispensa dados, cartas ou qualquer gerador de aleatoriedade. Em vez disso, toda a resolução gira em torno de recursos narrativos chamados Centavos.

Os Centavos representam a capacidade de influência do personagem dentro da história. Eles são distribuídos em Aspectos, que funcionam como áreas de competência e identidade.

Os Aspectos são Fortitude, Celeridade, Intelecto, Influência e Artifício, cada um com elementos relevantes para a estrutura do personagem dentro de seu universo narrativo.

Criando um protagonista

A construção de personagens é intuitiva e ampla, mas você sempre pode recorrer aos Arquétipos Macabros, divididos entre Humanos e Aberrantes, para ter uma linha inicial para seguir.

Os Humanos representam figuras típicas da Londres decadente, enquanto os Aberrantes possuem um Aspecto Monstruoso que os conecta diretamente ao sobrenatural.

Essa escolha reforça uma das ideias centrais do jogo: o horror não está apenas fora dos personagens, mas também dentro deles.

Isso porque, o sobrenatural é parte orgânica do cenário e das figuras que o habitam. Dessa forma, não se trata de investigadores puros enfrentando criaturas externas, mas de indivíduos que carregam marcas e ambiguidades próprias.

O sistema trabalha com Limiares para definir a dificuldade das ações e estabelece escalas de tempo que ajudam a organizar as cenas.

Antagonistas também possuem Centavos, o que garante que confrontos tenham peso estratégico mesmo sem rolagens. Por conta disso, a tensão surge da gestão de recursos e das decisões tomadas, não do acaso. Para grupos que gostam de controle narrativo e consequências claras, essa abordagem pode ser bastante atraente.

O livro ainda apresenta regras para Antologias, que funcionam como histórias fechadas ou experiências mais curtas. Nelas, a criação de personagens é mais restrita e a recuperação de recursos acontece de maneira diferente, garantindo ritmo mais acelerado.

Essa flexibilidade mostra que o jogo foi pensado tanto para campanhas mais longas quanto para sessões únicas intensas.

Londres Macabra como palco e personagem

A ambientação é outro grande trunfo do material.

A história se passa em uma Londres descrita como suja, enevoada e dominada por interesses ocultos.

A lei existe, mas nem sempre significa justiça. E o poder se move nas sombras, mediado por pactos, corrupção e instituições com agendas próprias.

O livro apresenta facções como Eklesia, o Sindicato da Meia-Noite e o Império, além de constabulários e outras organizações que moldam o cotidiano da cidade.

Essas entidades não estão ali apenas para compor cenário. Elas participam ativamente dos conflitos e podem ser a origem do chamado Sinistro, o elemento central de antagonismo de um Romance.

A escolha de termos literários não é mero capricho.

Em Centavos Macabros não existem campanhas, mas Romances. As sessões são organizadas em Capítulos e o mestre recebe o título de Novelista.

Essa nomenclatura reforça o compromisso com a estrutura folhetinesca e ajuda a alinhar expectativas na mesa.

O jogo quer histórias com começo, meio e fim bem definidos, cheias de tensão crescente e revelações impactantes.

O Sinistro pode assumir diversas formas, desde uma entidade sobrenatural até uma conspiração humana.

O importante é que ele represente uma força que pressiona os personagens e movimenta a narrativa.

O livro também apresenta exemplos de horrores e antagonistas, como Praga Umbral, Nuncamais, Homem Verde, Sabujo Infernal e Carniceiro Negro, oferecendo referências claras do tipo de ameaça que combina com o tom proposto.

Um centavo final

Centavos Macabros é um RPG bastante específico em sua proposta.

Ele não tenta ser universal nem acomodar todos os estilos de jogo.

Sua força está justamente nessa clareza. É um sistema pensado para contar histórias densas, investigativas e carregadas de atmosfera gótica.

A ausência de dados pode causar estranhamento inicial, mas o sistema compensa com foco narrativo e gerenciamento de recursos bem estruturado.

A ambientação, por sua vez, oferece material suficiente para criar intrigas, conspirações e tragédias pessoais em uma cidade que parece viva e implacável.

Para quem aprecia terror vitoriano, dilemas morais e uma abordagem literária na mesa de RPG, Centavos Macabros apresenta uma proposta coesa e cheia de personalidade.

Não é um jogo sobre acumular poder ou derrotar monstros em combates espetaculares. É sobre escolhas difíceis, consequências inevitáveis e o peso das sombras que se acumulam entre um capítulo e outro.

Só pra avisar que ainda está em late pledge.


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Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: 
Raquel Naiane.

Primórdio – Esferas de Mago: a Ascenção

Aprenda isto, jovem buscador: toda magia nasce de uma fonte anterior às formas, anterior aos nomes e até mesmo anterior às ideias que usamos para explicar o mundo.

Nós, Despertos, chamamos essa força de Primórdio.

Entre nós do Coro Celestial, compreendemos o Primórdio como um reflexo do próprio sopro da criação, pois ela é a energia que o Uno derramou no cosmos para que todas as coisas pudessem existir.

Alguns a percebem como fogo sagrado, outros como o rugido da tempestade ou o brilho das estrelas. O que importa é: todos estão corretos, já que a energia primordial assume muitas faces.

Escute com atenção, pois aquilo que vou lhe ensinar não é apenas conhecimento.

É uma forma de perceber o mundo.

Sentir o sopro da criação

Antes de tocar o poder primordial, é preciso aprender a reconhecê-lo.

Feche os olhos quando estiver em um lugar antigo.

Uma igreja esquecida, o topo de uma colina varrida pelo vento, uma casa onde muitas vidas já passaram.

Se você ouvir com o espírito atento, perceberá que alguns lugares parecem vibrar de maneira diferente.

Essa vibração é a presença da energia primordial.

Ela também deixa marcas.

Quando um milagre ocorre, quando um ritual é realizado ou quando algo sobrenatural atravessa o véu do mundo, essa energia se agita.

Um olhar treinado percebe essas perturbações como quem observa ondulações na superfície de um lago.

O primeiro passo não é controlar o poder. É reconhecer que ele já está presente em toda parte.

Convocar a centelha

Quando sua percepção se torna clara, você descobre que essa energia não é apenas algo que existe no mundo.

Ela responde ao chamado da vontade desperta.

No início, as manifestações são pequenas.

Uma chama que surge sem combustível, uma luz que brilha entre suas mãos, um calor que percorre o ar ao seu redor.

Não pense nisso como fogo comum.

Não é eletricidade nem calor natural. É a própria energia da criação, revelando-se por um instante.

Entre nós do Coro Celestial, muitos veem essa centelha como um reflexo da chama divina.

Outros a sentem como um cântico silencioso que vibra no coração do mundo.

Seja qual for a forma que ela assume para você, lembre-se: essa centelha é a matéria-prima da magia.

Alimentar o sobrenatural

Com o tempo, você perceberá algo importante: muitas coisas além de você também dependem dessa energia.

Encantamentos, bênçãos, maldições e manifestações sobrenaturais não existem no vazio.

Todos eles são sustentados pelo fluxo do Primórdio.

Quando aprendemos a conduzir essa energia, podemos fortalecer certas manifestações ou enfraquecer outras.

Um milagre pode durar mais tempo quando é alimentado por essa força.

Uma criação sobrenatural pode perder estabilidade quando essa energia se dissipa.

Também existem seres que dependem profundamente desse poder.

Alguns são nascidos de símbolos, sonhos ou medos antigos.

Outros são reflexos de ideias tão fortes que ganharam forma própria.

Esses seres respiram a energia primordial como nós respiramos o ar.

Dar forma ao poder

Agora escute bem, pois aqui começa uma das revelações mais estranhas para um aprendiz.

A energia primordial não precisa permanecer invisível.

Quando o entendimento se aprofunda, essa força pode assumir forma.

Aquilo que era apenas poder bruto pode se tornar algo tangível, ainda que por pouco tempo.

Uma arma feita de pura energia pode surgir em suas mãos.

Uma criatura nascida de mito pode atravessar o limiar entre imaginação e realidade.

Um símbolo pode tornar-se presença concreta no mundo.

Mas não se engane: essas coisas raramente permanecem por muito tempo.

Elas são como faíscas de um grande fogo: intensas, reais, porém passageiras.

Esse é o momento em que muitos aprendizes percebem algo perturbador: a fronteira entre sonho e realidade é mais fina do que imaginávamos.

Compreender a fonte

Quando finalmente compreendemos o Primórdio em toda sua profundidade, percebemos algo que muda para sempre nossa visão da magia.

Toda manifestação sobrenatural, seja um espírito, um milagre, um símbolo que ganhou vida ou uma chama que surge do nada, depende dessa energia.

O Primórdio é o rio invisível que alimenta todos os milagres.

Entre os mestres do Coro Celestial, alguns dizem que essa força é o eco do primeiro ato da criação.

Outros afirmam que ela é o sopro contínuo do divino sustentando o cosmos.

Talvez ambas as coisas sejam verdadeiras.

O que importa para você, aprendiz, é compreender isto: quando manipula o Primórdio, você não está apenas lidando com energia.

Está tocando a própria chama que mantém o universo em movimento.

E quem aprende a ouvir essa chama descobre que o mundo inteiro, tempestades, estrelas, sonhos e milagres.


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Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: Raquel Naiane.
Capa: Raul Galli.

City of Mist – Ideias de Aventuras

O cenário de City Of Mist, da Retropunk Editora, é um prato cheio para aventuras de diversos tipos. Por conta disso, resolvi puxar minhas referências musicais pessoais e criar uma verdadeira Mixtape Nebulosa,

Confira algumas ideias de aventura inspiradas nas letras, melodias e referências de alguns dos meus artistas favoritos, para você levar para sua jornada na Cidade.

Lado A

1. Emotion Sickness – Silverchair

Tema: colapso emocional e parasitismo psíquico.
Mythos sugerido: Cassandra, Narciso ou Eco.

Uma terapeuta famosa da elite da Cidade tornou-se referência em tratamentos experimentais para traumas profundos.

Seus pacientes relatam sessões intensas nas quais revivem memórias dolorosas e saem sentindo-se leves, quase vazios.

O problema é que, dias depois, começam a perder não apenas a dor, mas também o entusiasmo pela vida. Artistas param de criar. Ativistas abandonam causas. Um empresário desiste de um projeto que beneficiaria milhares de pessoas.

A terapeuta parece absorver algo invisível. Testemunhas dizem que seus olhos brilham durante as sessões mais difíceis. Um antigo paciente afirma ter visto, por um instante, várias versões dela sobrepostas, como ecos emocionais.

O Mythos pode ser Cassandra, condenada a sentir tragédias antes que aconteçam, drenando emoções para sobreviver. Pode ser Narciso, alimentando-se da intensidade alheia para sustentar a própria identidade. Ou Eco, repetindo dores até que elas se tornem suas.

Mistério central
Ela está salvando pessoas da dor ou roubando aquilo que as torna humanas?

Complicações
Um dos personagens já fez terapia com ela.
Um contato importante perdeu completamente a motivação.
A terapeuta acredita sinceramente que está curando o mundo.

2. Stargazer – Rainbow

Tema: obsessão e transcendência.
Mythos sugerido: Ícaro, Prometeu ou a Torre de Babel.

Um magnata excêntrico iniciou a construção de um arranha-céu que promete revolucionar a arquitetura da Cidade.

O prédio cresce rápido demais. Operários desaparecem. Engenheiros afirmam que certos cálculos simplesmente não fazem sentido físico, mas a estrutura continua se expandindo.

Moradores próximos relatam ouvir um canto vindo do topo da construção durante a madrugada. Alguns dizem que as estrelas parecem mais próximas quando observadas dali.

O empresário pode estar encarnando Ícaro, determinado a ultrapassar os limites humanos. Talvez seja Prometeu, tentando roubar um segredo cósmico. Ou a própria Torre de Babel, manifestação de uma ambição coletiva que desafia o céu.

Mistério central
O prédio é apenas concreto ou já se tornou um portal simbólico para algo maior?

Complicações
Um personagem recebe uma oferta para proteger a obra.
Um sobrevivente de uma queda fala sobre luzes que piscavam em resposta aos seus pensamentos.
A estrutura parece alterar o humor das pessoas ao redor.

3. Crossroads – Bone Thugs-n-Harmony

Tema: luto e barganhas espirituais.
Mythos sugerido: Caronte, Hécate ou o Diabo do blues.

Um cruzamento específico tornou-se ponto de peregrinação para pessoas enlutadas. Dizem que, à meia-noite, é possível conversar com quem já morreu. Alguns saem consolados. Outros nunca mais são vistos.

Câmeras de segurança falham sempre no mesmo horário. Um motoboy relata ver uma figura encapuzada parada sob o semáforo piscante.

O Mythos pode ser Caronte, conduzindo almas entre mundos. Pode ser Hécate, guardiã das encruzilhadas. Ou o arquétipo do músico que vendeu a alma no cruzamento em troca de talento e fama.

Mistério central
Os mortos estão realmente falando ou alguém está manipulando o desespero dos vivos?

Complicações
Um personagem perdeu alguém recentemente.
Um aliado fez um pacto e agora age de forma estranha.
As mensagens dos mortos começam a revelar segredos perigosos.

Lado B

4. Da Lama ao Caos – Nação Zumbi

Tema: resistência e transformação social.
Mythos sugerido: Exu, um espírito da tempestade ou uma entidade do caos criativo.

Um bairro historicamente negligenciado floresce culturalmente. Arte urbana, música e projetos comunitários revitalizam a região.

Ao mesmo tempo, uma construtora tenta expulsar moradores com métodos agressivos.

Após cada investida da empresa, acontecimentos estranhos sabotam suas operações. Máquinas quebram sem explicação. Documentos desaparecem. Seguranças afirmam ouvir tambores sob o solo.

A líder comunitária pode manifestar um Mythos ligado ao caos criador, uma força que transforma lama em potência e destruição em renovação.

Mistério central
Essa energia protege o bairro ou está preparando algo muito maior e imprevisível?

Complicações
Um personagem possui vínculos com a construtora.
A polícia começa a investigar os eventos.
A força mítica começa a afetar pessoas inocentes.

5. A Queda – Inspirada em Gloria Groove

Tema: fama, ruína e renascimento.
Mythos sugerido: Lúcifer, Fênix ou Narciso.

Uma estrela pop sofre um escândalo devastador. Patrocinadores rompem contratos. Fãs se afastam. Após semanas desaparecida, ela retorna com uma nova estética e uma presença quase sobrenatural.

Seu show mais recente provocou reações intensas. Pessoas relatam sensação de purificação e libertação. Outras afirmam ter revelado segredos íntimos durante o espetáculo sem perceber.

O Mythos pode ser Lúcifer, símbolo da queda luminosa. Pode ser a Fênix, renascendo das cinzas. Ou Narciso, reconstruindo a própria imagem à custa da devoção alheia.

Mistério central
Ela está se reinventando ou drenando algo do público para reconstruir sua identidade?

Complicações
Um personagem é fã ou trabalha com mídia.
Um jornalista investiga inconsistências na narrativa da queda.
Os shows coincidem com surtos emocionais coletivos.

6. Homem na Estrada – Racionais MC’s

Tema: redenção e ciclo de violência.
Mythos sugerido: Sísifo, Caim ou um justiceiro arquetípico.

Um ex-detento tenta reconstruir a vida como motorista de aplicativo. Ele evita conflitos e ajuda passageiros vulneráveis.

Ainda assim, incidentes violentos acontecem em seu caminho. Criminosos são hospitalizados. Assaltantes são capturados após cruzarem com ele.

Sempre parece legítima defesa. Sempre parece inevitável.

Seu Mythos pode ser Sísifo, condenado a repetir um ciclo de esforço e queda. Pode ser Caim, marcado por um passado que nunca o abandona. Ou a personificação de um justiceiro que acredita equilibrar o mundo com as próprias mãos.

Mistério central
Ele está lutando contra sua natureza mítica ou aceitando um destino que o afasta da redenção?

Complicações
Um personagem já foi salvo por ele.
Um detetive começa a conectar os incidentes.
A violência começa a escalar além do controle.

Conectando a Mixtape

Todas as sementes podem ser unidas por um elemento comum. Uma rádio pirata que toca exatamente essas músicas antes de cada evento sobrenatural. Uma gravadora comandada por avatares poderosos. Um toca-fitas antigo que desperta Mythos adormecidos.

Dessa maneira, você pode fazer uma campanha inteira dentro desse conceito musical.


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Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: 
Raquel Naiane.

Criando Ameaças Memoráveis – Caçador: A Revanche 5ª Edição

Em Caçador: A Revanche 5ª Edição, da Galápagos Jogos, os antagonistas são mais do que monstros a serem derrotados. Eles são a engrenagem central do horror contemporâneo: forças ocultas que manipulam, caçam, corrompem e observam os personagens muito antes de serem enfrentadas diretamente.

Um bom antagonista nesse jogo deve gerar tensão constante, provocar dilemas morais e obrigar os Caçadores a tomarem decisões difíceis, muitas vezes sem saber se estão realmente do lado certo.

Criar antagonistas eficazes passa por três etapas principais: conceito narrativo, função dramática e construção mecânica dentro das regras da 5ª edição.


1. Definindo o Conceito: O Que Está Sendo Caçado?

Antes de pensar em atributos e poderes, o Narrador deve responder a perguntas essenciais:

  • O antagonista é realmente sobrenatural ou apenas parece ser?

  • Ele age sozinho, faz parte de uma conspiração ou lidera um culto?

  • O que ele quer e por quê?

  • Quem já foi afetado por suas ações?

Em Caçador, muitas vezes a ameaça não se revela de imediato.

Um espírito vingativo pode se manifestar apenas por coincidências sinistras; um vampiro pode usar intermediários; uma corporação pode estar encobrindo fenômenos inexplicáveis.

Antagonistas eficazes costumam deixar rastros: desaparecimentos, gravações corrompidas, relatos contraditórios, cenas de crime impossíveis.

Esses sinais constroem suspense e permitem investigações longas antes do confronto final.

Outro ponto importante é a ambiguidade moral

A 5ª edição enfatiza que nem todo inimigo é puramente maligno.

Um demônio pode estar preso por um pacto antigo; um lobisomem pode proteger um território sagrado; um espírito pode agir por vingança legítima.

Forçar os Caçadores a decidir se devem destruir, negociar ou conter a criatura reforça o tom trágico e paranoico do jogo.


2. Função Dramática: Como o Antagonista Pressiona o Grupo

Cada antagonista deve cumprir um papel claro dentro da história. No caso, alguns funcionam como predadores ocultos, atacando lentamente e fazendo o grupo correr contra o tempo.

Outros são manipuladores, usando autoridades, mídia ou cultos para se proteger. Há também os ícones do horror, figuras poderosas cuja simples presença muda a dinâmica da cidade inteira.

Em campanhas mais longas, é útil pensar em camadas: um monstro imediato pode ser apenas a ponta do iceberg, ligado a algo maior: uma célula de vampiros, uma entidade antiga despertando ou uma organização humana que explora o sobrenatural.

Isso permite escalar a ameaça e criar antagonistas recorrentes, algo muito valorizado no sistema.

O Narrador também pode usar antagonistas para testar as Convicções e Transtornos dos personagens.

Colocar inocentes em risco, exigir sacrifícios ou revelar que a criatura tem vínculos humanos força escolhas difíceis, que alimentam o drama pessoal — um dos pilares da 5ª edição.


3. Construção Mecânica: Estatísticas Enxutas e Ameaças Claras

Diferente de edições antigas, a 5ª edição prefere antagonistas com fichas mais diretas, focadas em nível de ameaça, poderes marcantes e táticas. Em vez de detalhar cada habilidade, o Narrador define:

  • Reservas principais de dados para ataques, defesas e ações especiais.

  • Traços únicos, como regeneração, controle mental ou movimentação impossível.

  • Limitações ou fraquezas que possam ser descobertas na investigação.

Isso mantém o ritmo rápido e evita que o foco saia da narrativa.

Um espírito pode ter poucos ataques, mas ser quase impossível de ferir sem um ritual; um vampiro pode dominar socialmente, mas ser vulnerável à exposição pública; um culto humano pode ser numeroso, porém frágil individualmente.


Recursos Diferenciados do Sistema

Caçador: A Revanche 5ª Edição oferece ferramentas próprias para enriquecer o uso dos antagonistas.

Desespero e Pressão Narrativa: O jogo incentiva situações em que os Caçadores estão sempre um passo atrás. Relógios narrativos, consequências progressivas e ameaças fora de cena mantêm o antagonista ativo mesmo quando não aparece.

Perigos Ambientais: Em vez de apenas rolar ataques, antagonistas podem controlar o cenário: incêndios provocados por entidades, quedas de energia, multidões manipuladas, edifícios amaldiçoados. Isso transforma confrontos em sequências tensas e cinematográficas.

Condições e Complicações: Terror, ferimentos persistentes, paranoia e falhas críticas reforçam que lutar contra o sobrenatural tem custo alto. Bons antagonistas exploram essas fragilidades, fugindo quando feridos e retornando mais tarde.

Ameaças Humanas: Um diferencial importante é que humanos continuam sendo antagonistas viáveis — policiais corruptos, executivos, fanáticos religiosos ou hackers — muitas vezes tão perigosos quanto monstros, especialmente quando protegem algo que não compreendem.


Conclusão

Em Caçador: A Revanche 5ª Edição, antagonistas não são apenas obstáculos mecânicos, mas motores de horror, tensão e escolhas morais.

Criá-los envolve pensar em motivações, impacto na comunidade, conexões ocultas e como o sistema pode amplificar seu perigo sem sobrecarregar as regras.

Quando bem construídos, eles transformam cada investigação em uma corrida contra o desconhecido — e cada vitória em algo amargo, incompleto ou temporário.


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Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: 
Raquel Naiane.

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