Hábitos de Imersão – Aprendiz de Mestre

Depois de refletirmos sobre Namorados Jogando, ficou evidente que uma mesa de RPG vai muito além das fichas, dos dados e das regras. Afinal, a experiência é construída pelas pessoas que compartilham a história, pelas relações que surgem durante a campanha e pelos momentos que permanecem vivos na memória muito tempo depois da última sessão. Entretanto, existe outro elemento capaz de fortalecer esses laços de maneira quase imperceptível: os pequenos rituais criados pelo próprio grupo.

À primeira vista, um hábito repetido pode parecer apenas um detalhe. Contudo, quando ele passa a fazer parte da identidade da campanha, transforma-se em um poderoso instrumento de imersão. Uma frase repetida antes da sessão, uma música que sempre toca nos momentos decisivos ou até um gesto simbólico realizado pelos jogadores pode despertar emoções instantaneamente. Assim, esses costumes deixam de ser simples repetições e passam a representar a própria alma da mesa.

Portanto, criar hábitos de imersão significa construir lembranças afetivas que acompanham os jogadores durante toda a campanha e continuam presentes mesmo depois que a aventura termina.

Toda campanha memorável possui algo que a diferencia das demais. Em alguns casos, esse diferencial aparece na história. Em outros, surge através dos personagens. No entanto, muitas vezes, aquilo que realmente permanece na memória são pequenos costumes compartilhados pelo grupo.

Esses hábitos funcionam como uma linguagem própria da mesa. Com o tempo, uma frase desperta risadas antes mesmo de ser concluída. Uma determinada música já anuncia que algo importante está prestes a acontecer. Um simples objeto colocado sobre a mesa muda completamente o clima da sessão. Embora pareçam pequenos detalhes, esses elementos fortalecem o sentimento de pertencimento e tornam cada encontro único.

Criar esses rituais não exige grandes investimentos nem planejamento complexo. Pelo contrário, basta observar aquilo que naturalmente aproxima o grupo e transformar esses momentos em tradições da campanha.

Comece cada sessão da mesma maneira

Iniciar todas as sessões seguindo um pequeno ritual cria uma sensação imediata de continuidade. Antes mesmo de os dados começarem a rolar, o grupo já entra no clima da aventura. Alguns mestres gostam de repetir uma frase marcante, enquanto outros preferem fazer um breve resumo dos acontecimentos anteriores sempre com o mesmo estilo de narração.

Por exemplo, imagine que toda sessão comece com a pergunta: “Onde nossos heróis deixaram suas pegadas da última vez?”. Aos poucos, essa frase deixa de ser apenas uma introdução e passa a representar oficialmente o início da aventura.

Escolha uma música que represente a campanha

A música possui enorme capacidade de despertar lembranças. Sempre que uma melodia específica acompanha momentos importantes, ela acaba se tornando parte da identidade da campanha.

Imagine que uma composição instrumental sempre toque durante o encerramento das sessões. Depois de alguns meses, bastam os primeiros acordes para que todos sintam novamente a emoção das aventuras anteriores. Dessa maneira, a trilha sonora deixa de servir apenas como fundo musical e passa a contar parte da história.

Crie frases que pertencem apenas ao grupo

Toda mesa desenvolve expressões próprias ao longo do tempo. Em vez de deixar essas frases desaparecerem, transforme-as em tradição.

Talvez um personagem sempre diga “O destino favorece quem ousa” antes de abrir uma porta desconhecida. Ou talvez o mestre finalize grandes revelações dizendo “Nem toda verdade deseja ser encontrada”. Com o passar das sessões, essas frases criam identidade e fortalecem a memória coletiva do grupo.

Use objetos simbólicos durante momentos importantes

Objetos físicos podem reforçar a imersão de maneira surpreendente. Um dado especial utilizado apenas para decisões críticas, uma pequena ampulheta para marcar situações urgentes ou até uma vela acesa durante cenas de suspense ajudam a transformar acontecimentos comuns em experiências marcantes.

Além disso, quando o grupo associa esses objetos a determinados momentos, a expectativa surge naturalmente antes mesmo de qualquer descrição.

Valorize pequenas comemorações

Toda campanha possui conquistas importantes. Derrotar um grande vilão, concluir um arco narrativo ou alcançar um objetivo coletivo merece reconhecimento.

Em vez de apenas seguir para a próxima cena, reserve alguns minutos para celebrar essas vitórias. Um brinde, uma salva de palmas ou até uma fotografia da mesa ajudam a registrar o momento e reforçam o sentimento de realização compartilhada.

Transforme erros divertidos em tradição

Nem todo ritual nasce de um planejamento cuidadoso. Muitas vezes, os momentos mais lembrados surgem de erros inesperados.

Se um jogador pronunciou o nome de um reino completamente errado e isso provocou uma sequência de piadas durante várias sessões, talvez esse erro possa se transformar em uma tradição do grupo. Dessa forma, pequenas histórias internas fortalecem o senso de pertencimento.

Crie um encerramento característico

Assim como o início merece identidade, o final da sessão também pode ganhar um ritual próprio. Alguns grupos encerram com uma pergunta sobre o momento favorito da noite. Outros compartilham expectativas para a próxima aventura.

Além de criar um fechamento emocional, esse costume ajuda cada jogador a deixar a sessão refletindo sobre a história que acabou de viver.

Incentive os jogadores a contribuir

Os melhores rituais raramente nascem apenas da iniciativa do mestre. Pelo contrário, quando todos participam da construção dessas tradições, a campanha ganha muito mais personalidade.

Talvez um jogador queira criar um diário coletivo. Outro pode sugerir uma frase para celebrar sucessos críticos. Aos poucos, cada participante deixa sua marca na identidade da mesa.

Preserve as lembranças da campanha

Guardar mapas rabiscados, cartas escritas pelos personagens, fotografias da mesa ou até anotações antigas ajuda a construir uma verdadeira memória da campanha.

Além disso, revisitar esse material meses depois desperta emoções que dificilmente voltariam apenas pela lembrança. Cada objeto preservado passa a representar uma parte da jornada compartilhada.

Permita que os rituais evoluam naturalmente

Nem todo costume precisa permanecer igual para sempre. Alguns desaparecem, enquanto outros surgem espontaneamente conforme a campanha evolui.

O importante é permitir que essas mudanças aconteçam de maneira orgânica. Afinal, a identidade da mesa também cresce junto com os jogadores, refletindo novas experiências e novas histórias.

Conclusão

Os grandes momentos de uma campanha costumam receber toda a atenção. No entanto, são os pequenos hábitos que transformam uma sequência de sessões em uma experiência verdadeiramente inesquecível. Uma frase repetida, uma música marcante, um gesto simbólico ou uma simples tradição compartilhada criam vínculos emocionais que permanecem vivos muito depois do encerramento da aventura.

Além disso, esses rituais fortalecem a identidade da mesa, aproximam os jogadores e fazem com que cada encontro tenha personalidade própria. Consequentemente, a campanha deixa de ser apenas uma história contada em grupo e passa a representar um conjunto de lembranças construídas coletivamente.

No fim das contas, personagens podem mudar, sistemas podem ser substituídos e campanhas chegam ao fim. Entretanto, os hábitos criados ao redor da mesa continuam acompanhando os jogadores por muitos anos. E talvez esse seja o maior sinal de que uma campanha realmente conseguiu deixar sua marca.

PARA MAIS CONTEUDO DO MESTRE BROTHER BLUE

Tá na Memória – Biomas

Salve galera, Cleber aqui, trazendo um novo jogo para vocês, onde sorte e memória contam muito. Tá na Memória – Biomas é mais um jogo da Educa Meeple, que trouxe outros títulos comentados aqui, como o Passei de Ano e Ciclo dos Bichos.

Que Jogo é Esse?

Tá na Memória – Biomas é um jogo para 2 a 4 pessoas, onde os jogadores disputam pra ver quem é melhor de memória e conhecimento natural, para juntar fauna e flora que residam no mesmo ambiente na tentativa de juntar mais cartas

Tá na Memória – Biomas

Ficha Técnica

Tá na Memória – Biomas é composto por 60 cartas, sendo 30 de animais (3 de cada bioma) e 30 de plantas (também 3 de cada bioma), além do manual de regras pra aprender a jogar, e um manual do professor para poder usá-lo em sala de aula.

Básico das Regras

Manual de Regras

Nesse jogo, 12 cartas são posicionadas numa formação 4×3, com as faces dos animais e plantas viradas para cima, enquanto as faces de bioma são deixadas para baixo, ao lado, as cartas excedentes formam um monte de compras.

Cada jogador, na sua vez, escolhe 2 cartas e vê se elas são do mesmo bioma, em caso positivo, escolhe uma terceira carta e vê se faz parte do mesmo bioma, continuando até que não consiga mais cartas de tal bioma. Essas cartas são recolhidas pelo jogador e colocadas à sua frente, sendo substituídas por novas cartas do monte. O primeiro a juntar 13 cartas vence.

Como Funciona na Prática

Frente das Cartas

Ele é, em si, um jogo de memória diferenciado, pois em vez de formar duplas e depois procurar a próxima dupla, você deverá encontrar cartas do mesmo bioma, o que pode pegar experientes em jogos de memória e despreparados, de surpresa.

Ainda mais, por dar a possibilidade de pegar várias cartas em uma única jogada. Olhar as cartas com atenção pode dar indicativos de quais cartas são pareáveis.

Quem Vai Curtir

Verso das Cartas

Pais com filhos pequenos ou aqueles que gostam desse tipo de desafio, jogos de memória e afins vão curtir essa indicação.

Os professores também vão fazer bom uso desse jogo, visto que ele faz parte da linha dos que eu chamo “jogo de escola”, ele fará sucesso nas aulas de ciências e geografia por se tratar de biomas que regem determinados lugares e os animais que se adaptaram aquele lugar.

Análise Final

Tá na memória – biomas é um jogo que pode parecer bobinho mas isso é até começar a jogar ele e a diversão rolar solta. Ele tem um fator replay mediano pois, com muitas partidas seguidas pode-se começar a memorizar as combinações e que carta pertence a qual grupo.

Mas em sala de aula, seus usos podem-se estender por anos sem perder a vida útil, trazendo uma ludicidade para as aulas, que podem entreter os alunos.

E caso você precise de um vídeo para entender melhor, no Instagram da Educa Meeple você pode conferir o vídeo, é só clicar aqui!


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Autor: Cleber Santos.
Revisão: Raquel Naiane.

O Preço da Imortalidade – Gênese Zero #71

Depois de explorarmos, em Mentiras Moldando o Mundo, como narrativas falsas podem sustentar civilizações inteiras durante séculos, surge outra questão capaz de transformar completamente um cenário de fantasia: o que acontece quando ninguém mais precisa morrer? Afinal, muitas culturas organizam suas leis, religiões, economias e tradições em torno da inevitabilidade da morte. Entretanto, quando a imortalidade deixa de ser um mito e passa a fazer parte da realidade, praticamente todos os pilares da sociedade precisam ser reinventados.

À primeira vista, viver para sempre parece representar a maior conquista possível. Reis sonham com reinados eternos, magos dedicam a vida inteira à busca desse poder e alquimistas gastam gerações tentando produzir o elixir definitivo. Contudo, toda conquista cobra um preço. Uma sociedade formada por imortais enfrenta problemas inéditos, muitos deles mais perigosos do que a própria morte.

Portanto, ao incluir a imortalidade em um cenário, o worldbuilder deve pensar além do indivíduo. É preciso compreender como esse fenômeno altera governos, famílias, economias, religiões e até a maneira como as pessoas enxergam o tempo.

1. O Valor da Vida Muda Completamente

Antes de tudo, quando a morte deixa de ser inevitável, a própria ideia de vida muda.

Uma pessoa que acredita viver para sempre pode perder o senso de urgência. Projetos são adiados por décadas, amizades levam séculos para amadurecer e decisões importantes deixam de parecer imediatas.

Assim, o tempo deixa de ser um recurso escasso e passa a ser administrado de maneira completamente diferente.

2. Governantes que Nunca Deixam o Trono

Além disso, a política muda radicalmente.

Se reis, imperadores ou conselhos jamais morrem, novos líderes dificilmente assumem o poder. Como consequência, ideias antigas permanecem no comando durante séculos.

Imagine um continente governado pelo mesmo monarca há oitocentos anos. Sua experiência seria gigantesca, porém sua visão de mundo talvez permanecesse presa ao passado.

3. Uma Economia Sem Heranças

Grande parte da economia depende da sucessão entre gerações.

Entretanto, quando ninguém morre, heranças deixam de circular, propriedades permanecem nas mesmas famílias e riquezas se acumulam continuamente.

Consequentemente, jovens encontram cada vez menos espaço para construir patrimônio, enquanto antigas elites concentram recursos quase infinitos.

4. Religiões Precisam se Reinventar

Muitas religiões prometem algum tipo de recompensa após a morte.

Porém, quando a morte desaparece, essas promessas perdem parte de sua força. Alguns sacerdotes reinterpretam antigos textos sagrados, enquanto outros afirmam que a verdadeira imortalidade representa uma maldição enviada pelos deuses.

Dessa forma, novas crenças surgem justamente para explicar aquilo que as antigas não conseguem mais responder.

5. Famílias que Nunca Terminam

Em um mundo de imortais, uma única família pode reunir dezenas de gerações vivas ao mesmo tempo.

Bisavôs convivem com descendentes muito distantes, disputando espaço, autoridade e influência.

Além disso, conflitos familiares podem durar séculos, transformando pequenas desavenças em rivalidades históricas.

6. O Peso Psicológico dos Séculos

A mente nem sempre acompanha a eternidade.

Mesmo que o corpo permaneça jovem, lembranças se acumulam. Perdas, arrependimentos e traumas atravessam centenas de anos.

Por isso, alguns povos criam rituais para apagar memórias antigas, enquanto outros consideram o esquecimento um dos maiores luxos da existência.

7. A Imortalidade Como Privilégio

Nem toda sociedade oferece esse dom a todos.

Imagine um reino onde apenas nobres podem beber o Elixir da Eternidade, enquanto o restante da população continua mortal.

Consequentemente, a desigualdade deixa de envolver apenas riqueza ou poder e passa a determinar quanto tempo cada pessoa tem para viver.

8. Crimes Contra Imortais

Quando alguém não pode morrer naturalmente, novas formas de punição surgem.

Alguns reinos condenam criminosos ao isolamento eterno em prisões dimensionais. Outros removem memórias, destroem identidades ou transformam condenados em estátuas conscientes.

Assim, a justiça também precisa evoluir para lidar com uma existência infinita.

9. O Mundo Para de Inovar

Paradoxalmente, viver para sempre pode desacelerar o progresso.

Pessoas extremamente antigas tendem a preservar métodos conhecidos, enquanto novas ideias encontram resistência.

Além disso, inventores jovens dificilmente conseguem espaço quando especialistas acumulam séculos de experiência.

Como resultado, a própria civilização pode entrar em estagnação.

10. Quando a Morte Volta a Ser Desejada

Por fim, chega um momento em que alguns personagens deixam de buscar a vida eterna e passam a desejar justamente o contrário.

Depois de milênios, muitos sentem que já viveram tudo o que era possível.

Nesse contexto, a verdadeira aventura pode consistir em encontrar uma forma de morrer novamente. Assim, a mortalidade deixa de representar uma tragédia e passa a simbolizar liberdade.

Conclusão

A imortalidade parece, à primeira vista, uma recompensa perfeita. Entretanto, quando analisamos suas consequências sociais, percebemos que ela transforma todos os aspectos de uma civilização. Política, economia, religião, família, cultura e justiça passam a funcionar segundo regras completamente diferentes.

Para o worldbuilder, explorar esse tema significa ir além do clichê do mago eterno ou do vampiro milenar. Significa perguntar como uma sociedade inteira se adapta quando o ciclo natural da vida deixa de existir.

No fim, talvez o maior preço da imortalidade não seja viver para sempre, mas perceber que o mundo continua mudando enquanto você carrega o peso de todos os séculos que já passaram. Afinal, a morte limita a existência, mas também dá significado ao tempo. Sem ela, a eternidade pode deixar de ser um sonho e se tornar a mais silenciosa das prisões.

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Nimona – Quimera de Aventuras

Nimona é um filme de fantasia e aventura lançado em 2023 baseado na webcomic de mesmo nome de ND Stevenson. O filme acompanha o cavaleiro Ballister Braveheart, um cavaleiro que foi acusado de um crime que não cometeu, e Nimona. Uma metamorfa que tenta ajudá-lo por acreditar que é um vilão do reino em que vivem.

Nimona

Sobre o Filme

Nimona originalmente era uma webcomic, que foi compilado em uma edição física. O filme segue boa parte da lore da HQ, mas com mudanças significativas. São pequenas histórias curtinhas com Nimona e Balister interagindo entre eles e com os demais personagens.

Nossa Visão sobre o Filme (pode conter spoiler!)

Nimona é um filme muito simpático. Antes de tudo, vale dizer que a animação é um espetáculo a parte, muito fluída, expressiva, dá para notar que os animadores se divertiram muito fazendo as diversas possibilidades que Nimona traz para a mesa com a sua habilidade de se transformar.

Apesar das diferenças de motivação dos personagens do filme comparado com a HQ (que é mais simples), o filme ainda se sustenta como uma versão mais complexa dos quadrinhos.

Além disso, o roteiro deixa os personagens bem mais profundos (pelo menos até onde li da HQ) e a atmosfera do ambiente e da mitologia muito mais complexa, vale totalmente dar uma chance para ir atrás.

Quimera de Aventuras

Nessa seção, vamos dar ideias para mesas usando o filme como referência!

Cenários e Sistemas

Qualquer cenário ou sistema de fantasia medieval ou até mesmo futurismo/cyberpunk pode encaixar para uma mesa inspirada em Nimona. Qualquer coisa que te dê base para ter um reino com um certo nível de tecnologia.

Você pode se inspirar em Nimona para fazer uma pequena aventura em que o grupo de personagens conhece a Nimona (ou a criatura inspirada) e quer ajudar eles por qualquer motivo. Apesar de seu comportamento caótico, ela tem motivos obscuros e cabe aos personagens entenderem o porque.

Dependendo de como os jogadores reagirem, Nimona pode agir de forma agressiva ou tentar fugir, mas ela não quer ser tratada como um monstro, mas apesar ter alguém para passar perto e entenda ela como alguém.

Simples, direto, uma aventurinha bem simples, quase um “filler” para sua mesa.


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Texto: Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.

Mentiras Moldando o Mundo – Gênese Zero #70

Depois de explorarmos, em Ódio e Raiva no seu Mundo, como emoções intensas podem atravessar gerações e moldar culturas inteiras, surge uma pergunta igualmente inquietante: o que acontece quando uma sociedade inteira constrói sua identidade sobre uma mentira? Afinal, o ódio muitas vezes nasce de narrativas cuidadosamente preservadas. Portanto, antes mesmo de existirem guerras, rivalidades ou preconceitos, alguém precisou contar uma história e convencer outras pessoas de que ela era verdadeira.

Todo cenário de fantasia possui uma história oficial. Reis a ensinam nas escolas, sacerdotes a repetem nos templos e cronistas a registram em enormes bibliotecas. Contudo, isso não significa que ela seja verdadeira. Em muitos mundos, a primeira grande mentira sobrevive por séculos porque ninguém ousa questioná-la ou porque todos dependem dela para manter a ordem.

Criar uma mentira fundadora representa uma das ferramentas mais poderosas do worldbuilding. Além de enriquecer o passado do cenário, esse recurso influencia política, religião, cultura, economia e até a forma como os personagens compreendem a própria identidade. Quando a verdade finalmente aparece, o mundo inteiro precisa decidir entre aceitá-la ou preservar a ilusão.

1. A Primeira Mentira Como Alicerce da Civilização

Antes de tudo, pense na primeira grande mentira como a fundação invisível do seu mundo.

Talvez um império nunca tenha sido criado por heróis, mas por conquistadores cruéis. Talvez os deuses jamais tenham escolhido aquele povo, embora todos acreditem nisso. Ainda assim, a narrativa oficial continua sustentando governos e tradições.

Assim, uma mentira deixa de ser apenas um fato distorcido e passa a funcionar como a base da própria civilização.

2. Mitos Fundadores Criados Pelo Poder

Toda sociedade gosta de explicar sua origem.

Entretanto, governantes frequentemente adaptam essas histórias para fortalecer sua autoridade. Um rei pode afirmar que descende de uma divindade, enquanto uma cidade proclama ter sido erguida sobre solo sagrado, mesmo sem qualquer evidência.

Consequentemente, o mito fundador deixa de explicar o passado e passa a justificar o presente.

3. A História Escrita Pelos Vencedores

Além disso, conflitos costumam produzir versões convenientes dos acontecimentos.

Os vencedores registram batalhas, homenageiam seus heróis e silenciam derrotas ou atrocidades. Com o passar do tempo, livros escolares repetem essa versão até que ela pareça incontestável.

Dessa forma, gerações inteiras crescem acreditando em um passado cuidadosamente editado.

4. Bibliotecas que Escondem a Verdade

Nem todo conhecimento desaparece.

Em alguns cenários, bibliotecas secretas preservam documentos proibidos, mapas antigos e relatos que contradizem a história oficial. Monges, escribas ou sociedades clandestinas dedicam suas vidas à proteção desses registros.

Assim, o conflito entre mentira e verdade continua vivo, mesmo que poucos saibam disso.

5. Conspirações que Nunca Terminam

Algumas conspirações realmente existem.

Imagine um conselho formado por famílias antigas que manipula cronistas há séculos. Sempre que alguém descobre parte da verdade, novos documentos surgem para desacreditá-lo.

Além disso, testemunhas desaparecem, monumentos mudam e registros são substituídos, tornando cada investigação ainda mais difícil.

6. Religiões Baseadas em Erros Deliberados

A fé também pode nascer de uma mentira.

Talvez uma antiga profecia tenha sido inventada para unir reinos em guerra. Talvez um milagre nunca tenha acontecido. Ainda assim, milhões de pessoas organizam suas vidas ao redor dessas crenças.

Nesse contexto, descobrir a verdade não significa apenas revisar a história, mas também abalar a espiritualidade de uma civilização inteira.

7. Objetos que Contam Outra História

Às vezes, os próprios artefatos desmentem a versão oficial.

Uma espada atribuída ao fundador do reino pode ter sido forjada séculos depois. Uma coroa considerada sagrada talvez pertença a um povo conquistado. Uma estátua pode esconder inscrições apagadas de propósito.

Portanto, objetos comuns podem funcionar como testemunhas silenciosas do passado.

8. A Verdade Como Ameaça Política

Nem todos desejam descobrir a verdade.

Quando uma mentira sustenta a estabilidade do mundo, revelar os fatos pode provocar guerras civis, crises religiosas e colapsos econômicos. Por isso, muitos líderes preferem preservar a ilusão.

Assim, personagens precisam decidir se vale a pena destruir uma mentira que mantém milhões de pessoas unidas.

9. Personagens Presos Entre Duas Versões

Grandes histórias surgem quando ninguém possui todas as respostas.

Um arqueólogo encontra provas de que o herói nacional nunca existiu. Uma sacerdotisa percebe inconsistências em textos sagrados. Um aventureiro descobre que sua família protege uma mentira há gerações.

Consequentemente, esses personagens enfrentam dilemas morais muito mais interessantes do que simples batalhas contra monstros.

10. Quando a Verdade se Torna um Novo Mito

Por fim, nem toda revelação resolve os problemas.

Mesmo depois que a verdade aparece, diferentes grupos passam a interpretá-la de maneiras distintas. Alguns aceitam as novas evidências, outros negam tudo e muitos criam versões intermediárias.

Assim, uma mentira pode morrer apenas para dar origem a outra narrativa igualmente poderosa.

Conclusão

Todo mundo de fantasia possui uma história. Entretanto, poucos cenários questionam se essa história realmente aconteceu da forma como foi contada. Ao construir mentiras fundadoras, versões oficiais manipuladas e verdades esquecidas, o worldbuilder adiciona profundidade ao passado e cria conflitos que atravessam séculos.

Além disso, esse recurso aproxima o cenário da experiência humana. Civilizações reais também preservam mitos, reinterpretam acontecimentos e disputam narrativas. Por isso, um mundo fictício se torna muito mais convincente quando seus habitantes acreditam em versões diferentes do mesmo passado.

No fim, talvez a pergunta mais importante não seja qual é a verdade, mas quem se beneficia quando todos acreditam na mesma mentira. Afinal, toda civilização constrói monumentos para celebrar seus heróis. Porém, somente algumas têm coragem de procurar aquilo que foi enterrado sob suas próprias fundações.

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Fabula TCG – As Memórias de um Mundo Morto

O Fábula TCG é um jogo de cartas colecionável nacional de desenvolvimento e publicação independente (indie). Um jogo dinâmico e divertido que visa ser financeiramente acessível ao público nacional.

Sua ambientação aborda elementos da nossa cultura, história e fauna. Apresenta um universo narrativo com referências nos gêneros literários Solarpunk, Amazofuturismo, e Cyberagreste, pavimentando as bases apara o Brasofuturismo.

A primeira coleção do jogo: “A Nação dos Ipês”, apresenta as regiões e antagonistas da nação que da nome a coleção. Sendo dividida em dois lançamentos:

Desbravando o Miasma” trouxe Cambará, Araucária, e os Filho de Geiger e no momento que publicamos este artigo já está sendo entregue aos apoiadores.

O próximo lançamento, “Litorais Ameaçados”, apresentará as regiões de Carnaúba, Jacarandá e Samaúma. E trará os baralhos focados nas mecânicas de Influência e em Modificações.

Você pode conhecer mais sobre o panorama geral do jogo acessando a nossa resenha, e mais sobre o primeiro lançamento acessando o nosso artigo de apresentação dos seus baralhos.

Memórias do Mundo Morto, a primeira expansão do jogo, vem para resolver isso. Trazendo 10 cartas inéditas, graças a pareceria com a Viper Acessórios, e está disponível para poder ser adquirida no Late Pladge, juntamente com reimpressão dos 3 baralhos de “Desbravando o Miasma”.

O que a expansão traz de novo?

A história de “Desbravando o Miasma” já está disponível no site do Fábula TCG. E as cartas de Memórias do Mundo Morto (MMM) ilustram os momentos da história que se passam no núcleo narrativo dos personagens de Santa Cova. O lugar de onde Mayara veio, ou melhor, de onde ela fugiu. De tal forma, trazendo momentos importantes para os quais faltou espaço na coleção regular.

Além de aprofundar as cores secundárias dos baralhos do primeiro lançamento, o amarelo de Cambará e o verde de Araucária, a expansão também introduz a cor azul no jogo, com mecânicas focadas na Influência e em manipulação de informação do topo do baralho, já agindo como uma ponte mecânica para os baralhos do próximo lançamento, pretendido para o segundo semestre desse ano.

Para o Amarelo

Montadores da Linha é uma carta que representa a dura realidade dos trabalhadores da Luminosil, uma das empresas responsáveis por manter a iluminação em Santa Cova. Apresentando um Aliado que troca sua Vida por Recursos.

A Prótese Hidráulica apresenta a precariedade da qualidade de vida em Santa cova, e como o seu trabalho muitas vezes tira muito mais de você do que “apenas” o seu tempo. Ela reforça a relação da cor amarela com as cartas de Modificação, e introduz uma nova mecânica: Gambiarra.

Para o Verde

Queda Altruísta ilustra um dos principais momentos de tensão da história, quando Mayara arrisca sua própria vida para salvar uma de suas colegas de trabalho da morte certa.

A carta Clinica Duvidosa reforça a precariedade da saúde em Santa Cova, ilustrando ainda as consequências da subida aos geradores.

Esta modificação fica temporariamente em campo, salvando seus Aliados que morreriam antes de ser enviada ao Descarte.

Introduzindo o Azul

Durante a montagem, do seu baralho, você somente pode usar neles cartas que estejam dentro do espectro de cores das suas bases. Dessa forma, para que as novas cartas azuis possam ser usadas vieram os Portões do Domo. Representando as entradas fortificadas de uma área proibida, o medo que ela emite torna mais difícil tomá-la por Influência.

Julinha, a carta Lendária da expansão é uma personagem carismática e com um importante vinculo com outros da trama, sua habilidade torna-a uma poderosa Aliada em estratégias de Influência.

Herança dos Desafortunados mostra um momento de tensão e conflito interno. Aqueles poucos que sobem à superfície são confrontados com a visagem das pilhas de ossos ressecados daqueles que ficaram para trás quando as portas dos abrigos subterrâneos foram fechados durante a grande chuva de morte do passado distante.

Cada um deve escolher entre Contemplar o passado ou Temê-lo, e portanto lidar com as consequências de suas escolhas.

Dentre as cartas da expansão ela foi uma das que gerou maior volume de devolutivas no grupo de playtesters e reajustes em seu texto.

Assistente de Pesquisa Vil é um pequeno vislumbre das atrocidades cometidas em Santa Cova. Seu efeito que manipula o topo do baralho através da nova habilidade, Bisbilhotar, representa a busca de conhecimento, sem se importar com as consequências, nem com quem você vai ferir e matar no processo. No sentido contrário, a manobra Selecionar Conhecimentos, usa essa mesma habilidade, e nos mostra um grupo de pessoa que colocam sua própria vida em risco para busca os conhecimentos ocultados da população.

Uma novidade Vermelha

Apesar de ser a cor principal de Cambará, o vermelho também recebeu uma nova carta.

Combate Dramático é a nossa primeira Manobra Lendária, criada para suprir uma das devolutivas mais vocalizadas nos testes realizados durante a Ligafest de 2025: uma remoção massiva para limpar o campo de jogo

Caso queira saber mais sobre o Fábula TCG e sobre as cartas dessa expansão vocês podem acessar o site clicando aqui.

Venham participar dessa comunidade fabulosa.


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Fabula TCG – As Memórias de um Mundo Morto

Texto e Capa: Maykon Martins.
Revisão: Raquel Naiane.

Namorados Jogando – Aprendiz de Mestre

Depois de explorarmos como pequenas escolhas podem transformar completamente uma sessão em Microdecisões, vale a pena ampliar nosso olhar para outro aspecto que também influencia profundamente a mesa: as relações entre as pessoas que estão jogando. Afinal, nem todas as decisões importantes acontecem dentro da ficção. Em muitos grupos, casais dividem a mesma campanha e, naturalmente, levam para a mesa uma dinâmica construída fora dela.

Entretanto, jogar com o namorado, a namorada, o marido ou a esposa não representa, por si só, uma vantagem ou um problema. Como qualquer outra relação, tudo depende da maturidade, da comunicação e da disposição para separar o jogo da vida pessoal. Além disso, quando o grupo compreende essa dinâmica, a experiência pode se tornar ainda mais rica. Por outro lado, quando alguns limites deixam de ser respeitados, conflitos externos acabam atravessando a narrativa e comprometendo a diversão de todos.

Por isso, vale a pena refletir sobre os benefícios e os desafios de viver aventuras ao lado de quem se ama.

Toda mesa de RPG conta duas histórias ao mesmo tempo. A primeira acontece dentro do mundo fictício, onde heróis enfrentam monstros, mistérios e desafios. A segunda acontece ao redor da mesa, formada pelas amizades, pelas diferenças de personalidade e pelos relacionamentos entre os participantes.

Quando namorados participam da campanha, essas duas histórias inevitavelmente se encontram. Isso não significa que haverá problemas. Pelo contrário, muitos casais fortalecem a própria relação através do RPG. Contudo, essa convivência também exige equilíbrio, respeito e consciência de que a diversão do grupo deve continuar sendo a prioridade.

O companheirismo fortalece a mesa

Jogar ao lado da pessoa amada costuma aumentar a sensação de segurança. Em muitos casos, casais incentivam um ao outro a interpretar melhor, participar mais das cenas e experimentar estilos diferentes de personagens.

Por exemplo, um jogador mais tímido pode ganhar confiança porque sabe que terá apoio durante as interpretações. Consequentemente, ambos crescem como jogadores e enriquecem a campanha.

Separar jogador e personagem evita muitos conflitos

Nem sempre personagens apaixonados representam jogadores apaixonados. Da mesma forma, personagens rivais não significam problemas no relacionamento.

Quando um casal entende essa diferença, a interpretação ganha liberdade. Um guerreiro pode discordar da maga durante uma missão sem que isso seja interpretado como uma discussão entre os jogadores. Assim, a ficção permanece dentro da ficção.

O favoritismo precisa ser evitado

Se o mestre namora um dos jogadores, toda decisão merece atenção redobrada. Mesmo quando não existe favorecimento, a impressão de privilégio pode surgir entre os demais participantes.

Por isso, dividir igualmente o tempo de cena, distribuir recompensas com equilíbrio e tratar todos com o mesmo critério fortalece a confiança da mesa e evita desconfortos desnecessários.

Nem toda decisão precisa ser compartilhada

Casais costumam conversar bastante fora da sessão. Entretanto, discutir estratégias secretas ou descobrir informações privilegiadas pode prejudicar a experiência coletiva.

Quando cada jogador preserva os segredos da campanha, o suspense permanece vivo para todos. Além disso, cada descoberta acontece no momento certo, tornando a narrativa muito mais envolvente.

Discussões da vida real não devem entrar na campanha

Todo relacionamento enfrenta divergências. Porém, a mesa não deve se transformar em espaço para continuar uma discussão iniciada em casa.

Caso isso aconteça, os demais jogadores acabam sendo envolvidos em um conflito que não lhes pertence. Portanto, sempre que necessário, vale interromper a conversa e retomá-la em outro momento, longe da campanha.

O restante do grupo também precisa de espaço

Às vezes, um casal conversa entre si durante boa parte da sessão ou toma todas as decisões em conjunto. Embora isso aconteça naturalmente, os demais jogadores podem acabar ficando em segundo plano.

Por esse motivo, convém criar oportunidades para que cada participante brilhe individualmente. O RPG funciona melhor quando todos encontram espaço para contribuir.

Romance em jogo exige consentimento

Alguns casais gostam de interpretar romances entre seus próprios personagens. Outros preferem viver histórias completamente diferentes. Além disso, alguns jogadores solteiros também desenvolvem relacionamentos fictícios durante a campanha.

Independentemente da situação, todos precisam se sentir confortáveis. O diálogo evita constrangimentos e garante que ninguém participe de cenas românticas contra a própria vontade.

Derrotas precisam ser tratadas com maturidade

Em algum momento, um personagem poderá fracassar, sofrer uma derrota importante ou até morrer durante a campanha. Quando isso acontece com o personagem do companheiro, a tendência de querer protegê-lo pode aparecer.

Entretanto, aceitar as consequências naturais da narrativa fortalece a credibilidade da história e demonstra respeito pelas regras que todos aceitaram desde o início.

O relacionamento pode enriquecer a interpretação

Casais costumam conhecer profundamente as emoções, os medos e as formas de comunicação um do outro. Essa cumplicidade pode gerar diálogos naturais, interpretações emocionantes e cenas memoráveis.

Além disso, quando ambos conseguem separar ficção e realidade, esse entrosamento beneficia toda a mesa, criando momentos que envolvem todos os participantes.

A campanha continua depois do namoro

Nem todo relacionamento dura para sempre. Infelizmente, isso também faz parte da vida. Quando um casal termina durante uma campanha, o grupo pode sentir insegurança sobre a continuidade da mesa.

Por isso, desde o início, vale construir uma convivência baseada no respeito coletivo. Dessa maneira, mesmo que a relação termine, amizades podem ser preservadas e a campanha continua seguindo seu curso com maturidade.

Conclusão

Namorar e jogar RPG podem formar uma combinação extraordinária. Compartilhar aventuras fortalece vínculos, cria lembranças inesquecíveis e oferece inúmeras oportunidades para crescer tanto como jogador quanto como parceiro. Entretanto, esse equilíbrio depende de diálogo, respeito e consciência de que a mesa pertence a todos.

No fim das contas, o relacionamento não deve ocupar o centro da campanha, mas também não precisa ser escondido. Quando o casal consegue separar sentimentos pessoais das decisões narrativas, apoiar os demais jogadores e respeitar o espaço coletivo, toda a mesa ganha. Afinal, o verdadeiro protagonista de uma campanha nunca é apenas um personagem ou um casal, mas a história construída em conjunto por todos aqueles que decidiram embarcar na mesma aventura.

PARA MAIS CONTEUDO DO MESTRE BROTHER BLUE

Ciclo dos Bichos

Salve pessoal, Cleber Santos aqui, hoje trazendo um jogo de percepção e agilidade, onde conhecer a cadeia alimentar rende pontos e vitórias. Ciclo dos Bichos é o novo jogo educativo que falaremos aqui, do mesmo pessoal que criou o, já falado aqui, Passei de Ano, o Educa Meeple. Então, vamos falar desse cara que chegou fazendo bagunça nas minhas mesas e reuniões de família.

Ciclo dos Bichos – Caixa

Que Jogo é Esse?

Ciclo dos Bichos é um jogo para 2 a 4 pessoas, em que os jogadores competem para ver quem consegue formar a maior cadeia alimentar possível, e se sagrar o verdadeiro observador da vida selvagem.

Ficha Técnica

Ciclo dos Bichos é composto por 85 cartas de fauna e flora com consumidores primários, secundários, terciários, decompositores e produtores. Além do manual de regras pra aprender a jogar, e um manual do professor para poder usá-lo em sala de aula.

Básico das Regras

Neste jogo, as cartas são posicionadas sobre a mesa viradas pra cima de forma aleatória. Em seguida, cada jogador pega uma carta para ser a sua carta inicial e começa a caçada.

Os jogadores, ao mesmo tempo, devem juntar as cartas que predam a carta que possuem para, em seguida, buscar a próxima, e assim sucessivamente até que não seja mais possível colocar cartas na sequência.

Pelo modo básico, ganha quem conseguir o maior número de cartas ao final do jogo.

Como Funciona na Prática

Nesse novo jogo de escola, os jogadores devem estar atentos às cartas em suas mãos para que consigam as cartas numa sequência.

Toda carta tem seu predador revelado na sua parte inferior, o que ajuda na busca por novas cartas.

Outro fator interessante no jogo são as formas de final, onde uma pontuação extra começa a fazer parte da equação: no modo básico quem tem mais cartas ganha.

No segundo modo, além de ter mais cartas, se você tiver pelo menos 1 cópia de cada carta, receberá 3 pontos adicionais. E no terceiro modo, o que conta são os números impressos nas cartas e a soma deles vai definir quem é o vencedor.

Quem Vai Curtir

Aqueles que preferem jogos frenéticos e velozes com alto grau de percepção e agilidade como os clássicos Dobble e Tinco serão muito bem vindos a esse party game envolvente e divertido.

Partindo da ideia de ser um jogo educativo (ou como eu digo, jogo de escola) ele é bom para as aulas de ciências devido ao conceito de cadeia alimentar e como elas se apresentam na natureza, sendo um recurso lúdico muito bom pra sala de aula.

Análise Final

Ciclo dos Bichos tem aquela pegada de jogo subestimável, pela temática ou pela arte, mas quando se pega pra jogar ele é muito acima das expectativas.

Sua dinamicidade e rejogabilidade tornam esse um jogo muito bom. Podendo ser jogado por crianças, jovens, adultos e idosos, sem disparidade entre os jogadores além de suas próprias habilidades.

E como pode, com o auxílio do manual do professor, ser jogado dentro de sala de aula, ajuda no conhecimento e interação entre os alunos.

E caso você precise de um vídeo para entender melhor, no Instagram da Educa Meeple você pode conferir o vídeo, é só clicar aqui!


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Autor: Cléber Santos.
Revisão: 
Raquel Naiane.

Trazendo melodrama para sua mesa parte 1 – Aprendiz de Mestre

Há RPGs que se dedicam ao roleplay desde seus fundamentos. O primeiro a fazer sucesso com esse foco foi Vampiro, a Máscara, e desde os anos 2000 proliferam RPGs narrativistas onde as próprias mecânicas provocam os jogadores a interpretar e decidir a trama da história, mais que resolver problemas postos pelo mestre (como, por exemplo, a prata da casa aqui do Movimento RPG, Verdades & Segredos).

Mas os combeiros, porradeiros, exploradores de masmorras e detetives do sobrenatural também gostam de um bom drama. Brigas, tensão, lágrimas. Dúvidas, conflito, amizade, rivalidade. Pode ser uma história de ação, de aventura ou de suspense – quando ela carrega nos tons emocionais, a gente às vezes a chama de melodramática.

É um apelido depreciativo, de vez em quando carinhoso, mas inexato: “melodrama” tem um significado específico, que abordaremos na próxima coluna. Hoje, vamos tratar de “melodrama” no sentido popular – histórias com emoções à flor da pele – e seu uso em mesas de RPG, mesmo quando não há mecânicas específicas para interpretação.

Melodrama e X-Men ’97

Para isso, vamos aproveitar o bonde da animação X-Men ’97, que terá uma segunda temporada em julho. X-Men ’97 saiu em 2024, e continua a história do desenho animado dos anos 90, investindo ainda mais nos conflitos pessoais, angústias íntimas e romances que marcaram a obra de Chris Claremont, roteirista dos quadrinhos dos mutantes entre 1975 e 1991.

Adolescentes dramáticos… DO ESPAÇO

Um pouco de história

Em 1963, Stan Lee e Jack Kirby apresentam pela primeira vez os X-Men, tentando repetir o modelo de família de heróis que consagrou o Quarteto Fantástico. Os quadrinhos da Marvel já se diferenciavam dos personagens da editora rival, a DC Comics.

Enquanto a Distinta Concorrência tinha tradição com histórias de heroísmo clássico, representando indivíduos idealizados, com personalidades oriundas dos machões do pulp e de deuses da mitologia greco-romana, Stan Lee e seus coautores já escreviam de forma “novelesca”: seus personagens eram falhos, tinham problemas banais e vidas pessoais tumultuadas.

Hoje, fala-se que os X-Men sempre foram uma alegoria para minorias. Este elemento, no entanto, não era tão presente no início.

Lee e Kirby tratavam de ficção científica, do medo da era nuclear, da eterna luta entre o bem e o mal – representada, de um lado, pelos X-Men, mártires da tolerância e da paz, e, de outro, pela Irmandade dos Mutantes Malignos (sim, era o nome deles), liderada por Magneto, que cria em sua própria superioridade e desejava a dominação mundial.

Em 1975, o novato Chris Claremont assume os roteiros dos X-Men. Formado em teatro e ciências sociais, Claremont definiu os X-Men conforme os conhecemos hoje.

Foi ele, por exemplo, que tornou Wolverine um solitário trágico, que estabeleceu que Magneto é sobrevivente do Holocausto, e escancarou os temas políticos na saga mutante. A série animada de 1992, que apresentou os personagens ao grande público, é inteiramente influenciada pelo autor.

Caminhos do coração

Para quem é fã de quadrinhos, os X-Men não são sinônimo apenas de crítica social, mas também de muito drama, e Claremont, mais uma vez, é o responsável. Sob sua batuta, os X-Men formaram diversos de seus casais (e triângulos amorosos…) mais famosos – são amores instáveis, não correspondidos ou terminados em tragédia. Os heróis não só têm passados tristes, mas são obrigados a enfrentá-los (já falaremos mais disso), nem que seja como fonte de traumas e insegurança.

Como sofre esse menino!

Boas ações não ficam impunes: além de terem de lidar com o preconceito, é como se o poder de cada herói lhes causasse angústia contínua. Vampira não pode tocar os outros, Fera e Noturno são horrendos, e Ciclope, o líder certinho e reprimido, não consegue olhar ninguém nos olhos. Os X-Men de Claremont vivem brigando e fazendo as pazes, nem sempre a tempo de enfrentar os vilões.

Mas as revistas dos X-Men não viraram nem de longe um slice of life mutante. Nas histórias de Claremont, o grupo passou por sagas cósmicas (como a da Fênix), viagens no tempo (Dias de um futuro passado), invasões alienígenas (A Ninhada) e… acompanharam uma cantora de disco? O escopo de Claremont costuma ser o maior possível, ao mesmo tempo em que os personagens se apaixonam e as lágrimas rolam.

Lá vem o drama…

Se você quer levar o melodrama para sua mesa, há muito a se aprender com os X-Men de Claremont e das animações. Como já falei, existem sistemas de RPG que integram a interpretação às mecânicas do jogo. No entanto, para eventos cataclísmicos, eucatastróficos e galácticos, guerras onde o pau come solto e a mãe não vê, investigações apavorantes e sistemas de RPG que privilegiam ação, também é possível fomentar o drama assumindo dinâmicas de mesa.

Uma dinâmica de mesa não é como uma mecânica, que, escrita no livro base ou acordada como regra caseira, está valendo sempre que é engatilhada (por exemplo: em Tormenta20, testes sempre são feitos com um dado de vinte lados).

Uma dinâmica pode ser um hábito que a mesa adquiriu, mas é melhor que também seja um acordo. Não precisa, necessariamente, sempre ser cumprida – é mais uma forte sugestão. Sobretudo, é algo que os jogadores praticam ativamente, por vontade própria, sem efeitos “em jogo”, ao contrário de uma mecânica, que sempre vale, às vezes passivamente, às vezes arbitrada pelo mestre.

Você e seu grupo podem começar a praticar dinâmicas de várias formas. Podem combinar primeiro quais estão valendo, e até mesmo provocar uns aos outros para que as apliquem.

Podem todos pensar a respeito, conversar um pouco, reler este artigo e deixar a coisa fluir. Você pode até mesmo digerir esta leitura e aplicar da maneira que quiser, sem combinar com mais ninguém. Mas atenção: perceba se os outros também estão se divertindo com seu melodrama.

Nesta sequência, o conflito interno de Ciclope é subtexto do diálogo, mas o narrador o comunica abertamente

Alguns princípios

Antes de entrar nas dinâmicas em si, existem alguns princípios sobre os quais vale a pena refletir quando estamos saindo do óbvio na interpretação de personagens.

Clareza

Melodramas florescem na relação (e conflito!) entre personagens. Mas, num RPG, eles só são possíveis se os jogadores se comunicam entre si, enquanto jogadores, justamente para que os enganos, as segundas intenções e os sentimentos confusos façam estrago entre os protagonistas sem que os intérpretes deixem de se divertir. Muita gente joga como se interpretação fosse apenas uma relação personagem-personagem. Mas é impossível desenvolver um melodrama sem relações jogador-jogador.

Se meu personagem está tentando prejudicar o personagem de meu amigo, eu aviso meu amigo. Pode ser verbalmente, em alto e em bom som, embora grupos mais próximos às vezes se entendam pelo olhar ou tom de voz. A mensagem, no fundo, sempre é esta: “estou querendo causar uma situação interessante em cena; quer seguir com ela?”.

Abertura

Drama quer dizer “ação” – no caso, estamos falando de “ação emocional”. Numa trama redondinha, uma ação leva à outra, e um bom autor melodramático cria um enredo de emoções consecutivas. Mas uma mesa de RPG não tem roteirista. Cada um conhece seu personagem melhor do que ninguém. A sequência de ações-emoções só vai ocorrer se você permitir que o outro jogador pegue as ideias que você põe em jogo e as transforme. Como num esporte, a bola está em campo, e passa por jogadores diferentes; o objetivo não é ser “fominha”, mas contribuir para uma jogada bonita.

Trágico.

Luz, câmera, sentimentos…

Dinâmicas podem ser propostas como brincadeiras que o grupo brinca em paralelo às regras e à narrativa do jogo. É bom lembrar de boas referências de dramalhão heroico – além dos X-Men, também temos Buffy, Cavaleiros do Zodíaco, Justiça Jovem e Naruto.

Passados passageiros

A origem de um personagem é uma boa fonte de traumas, sofrimentos, ambições e esperanças desmedidas. Porém, não é necessário criar um longo background, apenas elementos que possam ser ativamente usados em jogo. Compartilhe o seu BG com o resto do grupo, para que entendam seu personagem e saibam como criar a partir dele.

Mas lembre-se que drama é ação, não arqueologia. Deixe o passado de seu personagem ser aprofundado, ou até modificado, enquanto você joga. Quando você usa o passado do seu personagem, não deve ser para ensimesmá-lo em pensamentos, mas para atirá-lo em direção aos outros.

Carlos amava Dora, que amava Lia, que amava

Uma quadrilha de relações forma uma teia de emoções orgânica, desde que mude de vez em quando. O paladino é colega de copo do clérigo, que ama a guerreira, que desconfia que sua irmã perdida seja a maga, que acredita que o paladino matou seu pai… Uma quadrilha é divertida de se pensar em grupo, mas é melhor inventá-la à medida em que os jogadores entendem a dinâmica entre os personagens.

Quadrilhas também lidam com desencontros e sentimentos (bons ou maus) não correspondidos.

A linha tênue

Sentimentos podem mudar. Um personagem que ama outro pode passar a odiá-lo. Dois amigos podem passar a desconfiar um do outro. Sentimentos que saltam entre extremos são melodramáticos. Mas não tenham vergonha de voltar ao que era antes com pouquíssimos motivos. O importante é jogar emoções em cena e ver o que elas fazem. Não é preciso reinventar os personagens.

 “Você fica bravo de graça!?”

Como Graham Walsmey sugere no clássico Play Unsafe: “tente usar uma emoção em relação a outro personagem – raiva, medo – e acredite que você vai conseguir justificar depois”. Uma emoção sem explicação traz suspense – é como um mistério que ainda será revelado. Quem sabe seja o outro jogador que achará uma explicação!

Começo, meio e fim

Uma situação intensa entre dois personagens – como uma briga ou um mal-entendido – precisa ter hora para acabar. Ela precisa ser deixada de lado, mesmo que ainda tivesse potencial, para que outros conflitos venham em seu lugar. Melodramas são movimentados!

É comum em séries de TV que um conflito emocional acabe perto do fim do episódio, antes do clímax da história, mas é mais típico de quadrinhos que ele comece em uma história e termine em outra. Os jogadores não precisam combinar o fim; é até melhor aproveitar o drama a cada minuto, sabendo que pode ser o último… mas, quando um jogador dá o sinal, o outro precisa acatar. O mesmo vale para turbulências emocionais íntimas – saiba a hora de tirar seu personagem da fossa. Outros dramas lhe esperam!

Mundo, mundo, vasto mundo

Melodramas, incluindo o dos X-Men, costumam falar de injustiças. Em novelas, a “mocinha” é injustiçada, mas, no caso de um RPG, é melhor que o injustiçado seja o grupo. Será que ele é incompreendido por ser diferente? Ou será que tem um inimigo poderoso que o prejudica impunemente? Será que algo que os personagens têm algo em comum foi destruído?

Parece algo a ser inventado pelo mestre – mas é o grupo que precisa, primeiro, dar dicas sobre qual é sua identidade coletiva, para que o mestre lance injustiças que machucam o grupo como um todo.

Tudo está bem quando acaba bem

A jornada do herói é uma teoria de escrita (e de psicoterapia) muito popular. Ela defende que heróis amadurecem e se transformam ao superar desafios. Mas isso não é melodrama!

Não tá fácil pra ninguém

Heróis melodramáticos podem mudar, até amadurecer, mas não se autorrealizam nem alcançam a plenitude emocional. Se alcançassem, ficariam chatos. Permita que os novos acontecimentos continuem afetando seu personagem. Ele tem que chegar interessante ao 20º nível!

Se há uma harmonia que raramente deve ser rompida num melodrama, é a familiar. Um grupo de personagens, uma vez que forma relações, deve sempre manter a lealdade e retornar à paz. Apesar de turbulências passageiras, o grupo deve ser um lugar feliz. Melodrama também é sobre acreditar no bem e no mal: que o mal assola, que o mal pode ser vencido, e que o bem é o lar para onde todos se dirigem.

Família em primeiro lugar

E você, como usaria essas dicas? Esperaria começar uma campanha nova, ou já traria elementos dela à sua campanha atual?

Na próxima coluna, falaremos do melodrama teatral brasileiro e de seus tipos cênicos! Senta que lá vem história…


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Texto: Vinícius Staub.
Revisão: Raquel Naiane.

Sangue e RPG – Aprendiz de Mestre

Sangue e RPG têm uma forte ligação, pois este líquido vermelho que corre em nossos corpos possui uma forte, porém antiga, mitologia e muito simbolismo.

Desde a frase:

“TOMAI, TODOS, E BEBEI: ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS, PARA A REMISSÃO DOS PECADOS.”

Frase tão poderosa que está presente na Santa Comunhão, o ponto alto da missa católica.

Nossa vida é feita de micro decisões diárias, e algumas mais significativas, como se vou doar ou não sangue.

Desde Vampiro, A Máscara

Venha comigo, neófito. O mais famoso RPG de horror (pessoal) de todos os tempos, torna o sangue um elemento central desde o “Nascimento” de um vampiro (seu personagem jogador, sim), onde via de regra, após o sangue ser sugado, ele é “devolvido”. E a formação de uma relação de “vassalagem” entre vampiros se dá por um ritual de “Laço de Sangue“. Também nas novas edições do RPG de Vampiro, a Máscara, (pela editora Asmodee no Brasil),  os personagens jogadores são mais frágeis, por terem “sangue ralo“.

Vampiros, Festim de Sangue

Mas nem só de vampiros vive o RPG

Pense também na expressão “sangue azul“. Caso você não saiba, embora todos nós tenhamos sangue vermelho, “sangue azul” se refere a pessoas de origem “nobre“, ou seja, a suposta “elite da nobreza e realeza“.

Isto também ajuda a pensar em intrigas familiares, pois são “sangue do mesmo sangue“. Um bom exemplo são as reviravoltas de “Guerra dos Tronos”, do filme Gladiador, e até novelas da brasileiras. Olha a oportunidade para Verdades & Segredos, da Editora Movimento, na telenovela VAMP (sim, neófito, a união de vampiros e telenovelas!). 

Além das ligações diretas de vampirismo, linhagens sanguíneas…

Exemplos para suas aventuras

1. Sacrifício de Sangue

Os heróis devem localizar e interromper um sacrifício onde o sangue de um(a) inocente deve ser derramado para despertar um antigo mal. O tempo está correndo.

2. O retorno do Sangue

Um grupo de piratas amotinados fez a tolice de roubar um tesouro amaldiçoado. Eles agora vivem como desgraçados, sentem sede e fome, porém não há líquido que lhes sacie a sede, ou comida que satisfaça seus apetites, mas não morrem. Assassinaram um dos seus companheiros, sem ter acesso, assim, ao sangue do falecido, pois é necessário retornar até a última peça de ouro, e pelo menos uma gota do sangue de cada bucaneiro envolvido no saque. Contudo, há boatos que o sangue do filho do corsário morto serviria…

3. O Sangue ou a Vida – Parte I

Numa atmosfera mais contemporânea, um dilema ético toma conta do plantão de emergência. Um dos companheiros da polícia precisa receber sangue O negativo, entretanto ele não aceita a transfusão por motivos religiosos (ele é testemunha de Jeová). Deverão os colegas convencê-lo, ou mesmo forçá-lo a aceitar?

4. O Sangue ou a Vida – Parte  II 

Num grande hospital, para onde os heróis levam um dos colegas após um confronto armado, num mundo pós apocalíptico, precisa receber hemotransfusão, e a única pessoa de sangue compatível se recusa a doar, por questões religiosas (ela é testemunha de Jeová). Deveriam os heróis convencê-lo ou forçá-lo a doar?

5. O Roubo de Sangue

O banco de Sangue da cidade vem sendo roubado. Quem (ou o quê) estaria roubando sangue? E com que propósito? Enquanto se investiga, os níveis de sangue estão perigosamente baixos.

6. Combate por Sangue

Terroristas estariam preparando uma bomba para ser detonada justamente no hemocentro da cidade, no dia de campanha a doação de sangue. Os heróis precisam encontrar e desarmar a bomba.

Contra balançando, que RPGs serviriam para os exemplos de aventura e sangue acima?

No sacrifício de sangue, e no O Retorno do Sangue, podemos ter tanto RPGs clássicos de espada e feitiçaria:

Ideias para aventuras – Bárbaros da Lemúria
  1. By the Sword, da Nozes Game Studio;
  2. For the Quest, da Editora 101 games;
  3. Bárbaros da Lemúria, no Brasil pela Nozes Game Studio;
  4. Tormenta, pela Editora Jambô;
  5. D&D 5ª edição, ou qualquer das edições, pela Asmodee.

Enquanto o Sangue ou a vida, o Roubo de Sangue, e Combate por Sangue, já trazem dilemas éticos, que em princípio, não seriam bem resolvidos somente com espadas e lanças, e assim uma toada de RPGs mais modernos e investigativos, com pontas de terror, talvez? Como:

  1. In to the Madness, da Nozes Game Studio;
  2. Os Bons Costumes, da Nozes Game Studio;
  3. Vaesen, no Brasil pela Editora Retropunk;
  4. Delta Green, no Brasil pela Editora Retropunk;
  5. Night’s Black Agents, no Brasil pela Editora New Order;
  6. Lobisomem, o Apocalipse, pela Editora Asmodee;
  7. Vampiro, a Máscara, pela Editora Asmodee.
  8. Ordem Paranormal, pela Editora Jambo

De uma forma ou de outra, que a imaginação continue fluindo nas suas mesas de RPG como sangue no seu coração.

Te desejo excelentes partidas de RPG, e lembre que uma única doação de sangue pode salvar até 4 vidas.

Infelizmente, não posso realizar este ato tão nobre, pois tive hepatite. Mas espero te lembrar que talvez você até possa criar eventos de RPG para estimular doação de sangue. O grupo Jedi da Bahia já fez algo assim.

Até a próxima, Sangue Bom!

Temos outras resenhas, aqui no Movimento RPG. Quer checar aqui? E nosso podcast, já conhece? Escuta aqui!


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