Namorados Jogando – Aprendiz de Mestre

Depois de explorarmos como pequenas escolhas podem transformar completamente uma sessão em Microdecisões, vale a pena ampliar nosso olhar para outro aspecto que também influencia profundamente a mesa: as relações entre as pessoas que estão jogando. Afinal, nem todas as decisões importantes acontecem dentro da ficção. Em muitos grupos, casais dividem a mesma campanha e, naturalmente, levam para a mesa uma dinâmica construída fora dela.

Entretanto, jogar com o namorado, a namorada, o marido ou a esposa não representa, por si só, uma vantagem ou um problema. Como qualquer outra relação, tudo depende da maturidade, da comunicação e da disposição para separar o jogo da vida pessoal. Além disso, quando o grupo compreende essa dinâmica, a experiência pode se tornar ainda mais rica. Por outro lado, quando alguns limites deixam de ser respeitados, conflitos externos acabam atravessando a narrativa e comprometendo a diversão de todos.

Por isso, vale a pena refletir sobre os benefícios e os desafios de viver aventuras ao lado de quem se ama.

Toda mesa de RPG conta duas histórias ao mesmo tempo. A primeira acontece dentro do mundo fictício, onde heróis enfrentam monstros, mistérios e desafios. A segunda acontece ao redor da mesa, formada pelas amizades, pelas diferenças de personalidade e pelos relacionamentos entre os participantes.

Quando namorados participam da campanha, essas duas histórias inevitavelmente se encontram. Isso não significa que haverá problemas. Pelo contrário, muitos casais fortalecem a própria relação através do RPG. Contudo, essa convivência também exige equilíbrio, respeito e consciência de que a diversão do grupo deve continuar sendo a prioridade.

O companheirismo fortalece a mesa

Jogar ao lado da pessoa amada costuma aumentar a sensação de segurança. Em muitos casos, casais incentivam um ao outro a interpretar melhor, participar mais das cenas e experimentar estilos diferentes de personagens.

Por exemplo, um jogador mais tímido pode ganhar confiança porque sabe que terá apoio durante as interpretações. Consequentemente, ambos crescem como jogadores e enriquecem a campanha.

Separar jogador e personagem evita muitos conflitos

Nem sempre personagens apaixonados representam jogadores apaixonados. Da mesma forma, personagens rivais não significam problemas no relacionamento.

Quando um casal entende essa diferença, a interpretação ganha liberdade. Um guerreiro pode discordar da maga durante uma missão sem que isso seja interpretado como uma discussão entre os jogadores. Assim, a ficção permanece dentro da ficção.

O favoritismo precisa ser evitado

Se o mestre namora um dos jogadores, toda decisão merece atenção redobrada. Mesmo quando não existe favorecimento, a impressão de privilégio pode surgir entre os demais participantes.

Por isso, dividir igualmente o tempo de cena, distribuir recompensas com equilíbrio e tratar todos com o mesmo critério fortalece a confiança da mesa e evita desconfortos desnecessários.

Nem toda decisão precisa ser compartilhada

Casais costumam conversar bastante fora da sessão. Entretanto, discutir estratégias secretas ou descobrir informações privilegiadas pode prejudicar a experiência coletiva.

Quando cada jogador preserva os segredos da campanha, o suspense permanece vivo para todos. Além disso, cada descoberta acontece no momento certo, tornando a narrativa muito mais envolvente.

Discussões da vida real não devem entrar na campanha

Todo relacionamento enfrenta divergências. Porém, a mesa não deve se transformar em espaço para continuar uma discussão iniciada em casa.

Caso isso aconteça, os demais jogadores acabam sendo envolvidos em um conflito que não lhes pertence. Portanto, sempre que necessário, vale interromper a conversa e retomá-la em outro momento, longe da campanha.

O restante do grupo também precisa de espaço

Às vezes, um casal conversa entre si durante boa parte da sessão ou toma todas as decisões em conjunto. Embora isso aconteça naturalmente, os demais jogadores podem acabar ficando em segundo plano.

Por esse motivo, convém criar oportunidades para que cada participante brilhe individualmente. O RPG funciona melhor quando todos encontram espaço para contribuir.

Romance em jogo exige consentimento

Alguns casais gostam de interpretar romances entre seus próprios personagens. Outros preferem viver histórias completamente diferentes. Além disso, alguns jogadores solteiros também desenvolvem relacionamentos fictícios durante a campanha.

Independentemente da situação, todos precisam se sentir confortáveis. O diálogo evita constrangimentos e garante que ninguém participe de cenas românticas contra a própria vontade.

Derrotas precisam ser tratadas com maturidade

Em algum momento, um personagem poderá fracassar, sofrer uma derrota importante ou até morrer durante a campanha. Quando isso acontece com o personagem do companheiro, a tendência de querer protegê-lo pode aparecer.

Entretanto, aceitar as consequências naturais da narrativa fortalece a credibilidade da história e demonstra respeito pelas regras que todos aceitaram desde o início.

O relacionamento pode enriquecer a interpretação

Casais costumam conhecer profundamente as emoções, os medos e as formas de comunicação um do outro. Essa cumplicidade pode gerar diálogos naturais, interpretações emocionantes e cenas memoráveis.

Além disso, quando ambos conseguem separar ficção e realidade, esse entrosamento beneficia toda a mesa, criando momentos que envolvem todos os participantes.

A campanha continua depois do namoro

Nem todo relacionamento dura para sempre. Infelizmente, isso também faz parte da vida. Quando um casal termina durante uma campanha, o grupo pode sentir insegurança sobre a continuidade da mesa.

Por isso, desde o início, vale construir uma convivência baseada no respeito coletivo. Dessa maneira, mesmo que a relação termine, amizades podem ser preservadas e a campanha continua seguindo seu curso com maturidade.

Conclusão

Namorar e jogar RPG podem formar uma combinação extraordinária. Compartilhar aventuras fortalece vínculos, cria lembranças inesquecíveis e oferece inúmeras oportunidades para crescer tanto como jogador quanto como parceiro. Entretanto, esse equilíbrio depende de diálogo, respeito e consciência de que a mesa pertence a todos.

No fim das contas, o relacionamento não deve ocupar o centro da campanha, mas também não precisa ser escondido. Quando o casal consegue separar sentimentos pessoais das decisões narrativas, apoiar os demais jogadores e respeitar o espaço coletivo, toda a mesa ganha. Afinal, o verdadeiro protagonista de uma campanha nunca é apenas um personagem ou um casal, mas a história construída em conjunto por todos aqueles que decidiram embarcar na mesma aventura.

PARA MAIS CONTEUDO DO MESTRE BROTHER BLUE

Trazendo melodrama para sua mesa parte 1 – Aprendiz de Mestre

Há RPGs que se dedicam ao roleplay desde seus fundamentos. O primeiro a fazer sucesso com esse foco foi Vampiro, a Máscara, e desde os anos 2000 proliferam RPGs narrativistas onde as próprias mecânicas provocam os jogadores a interpretar e decidir a trama da história, mais que resolver problemas postos pelo mestre (como, por exemplo, a prata da casa aqui do Movimento RPG, Verdades & Segredos).

Mas os combeiros, porradeiros, exploradores de masmorras e detetives do sobrenatural também gostam de um bom drama. Brigas, tensão, lágrimas. Dúvidas, conflito, amizade, rivalidade. Pode ser uma história de ação, de aventura ou de suspense – quando ela carrega nos tons emocionais, a gente às vezes a chama de melodramática.

É um apelido depreciativo, de vez em quando carinhoso, mas inexato: “melodrama” tem um significado específico, que abordaremos na próxima coluna. Hoje, vamos tratar de “melodrama” no sentido popular – histórias com emoções à flor da pele – e seu uso em mesas de RPG, mesmo quando não há mecânicas específicas para interpretação.

Melodrama e X-Men ’97

Para isso, vamos aproveitar o bonde da animação X-Men ’97, que terá uma segunda temporada em julho. X-Men ’97 saiu em 2024, e continua a história do desenho animado dos anos 90, investindo ainda mais nos conflitos pessoais, angústias íntimas e romances que marcaram a obra de Chris Claremont, roteirista dos quadrinhos dos mutantes entre 1975 e 1991.

Adolescentes dramáticos… DO ESPAÇO

Um pouco de história

Em 1963, Stan Lee e Jack Kirby apresentam pela primeira vez os X-Men, tentando repetir o modelo de família de heróis que consagrou o Quarteto Fantástico. Os quadrinhos da Marvel já se diferenciavam dos personagens da editora rival, a DC Comics.

Enquanto a Distinta Concorrência tinha tradição com histórias de heroísmo clássico, representando indivíduos idealizados, com personalidades oriundas dos machões do pulp e de deuses da mitologia greco-romana, Stan Lee e seus coautores já escreviam de forma “novelesca”: seus personagens eram falhos, tinham problemas banais e vidas pessoais tumultuadas.

Hoje, fala-se que os X-Men sempre foram uma alegoria para minorias. Este elemento, no entanto, não era tão presente no início.

Lee e Kirby tratavam de ficção científica, do medo da era nuclear, da eterna luta entre o bem e o mal – representada, de um lado, pelos X-Men, mártires da tolerância e da paz, e, de outro, pela Irmandade dos Mutantes Malignos (sim, era o nome deles), liderada por Magneto, que cria em sua própria superioridade e desejava a dominação mundial.

Em 1975, o novato Chris Claremont assume os roteiros dos X-Men. Formado em teatro e ciências sociais, Claremont definiu os X-Men conforme os conhecemos hoje.

Foi ele, por exemplo, que tornou Wolverine um solitário trágico, que estabeleceu que Magneto é sobrevivente do Holocausto, e escancarou os temas políticos na saga mutante. A série animada de 1992, que apresentou os personagens ao grande público, é inteiramente influenciada pelo autor.

Caminhos do coração

Para quem é fã de quadrinhos, os X-Men não são sinônimo apenas de crítica social, mas também de muito drama, e Claremont, mais uma vez, é o responsável. Sob sua batuta, os X-Men formaram diversos de seus casais (e triângulos amorosos…) mais famosos – são amores instáveis, não correspondidos ou terminados em tragédia. Os heróis não só têm passados tristes, mas são obrigados a enfrentá-los (já falaremos mais disso), nem que seja como fonte de traumas e insegurança.

Como sofre esse menino!

Boas ações não ficam impunes: além de terem de lidar com o preconceito, é como se o poder de cada herói lhes causasse angústia contínua. Vampira não pode tocar os outros, Fera e Noturno são horrendos, e Ciclope, o líder certinho e reprimido, não consegue olhar ninguém nos olhos. Os X-Men de Claremont vivem brigando e fazendo as pazes, nem sempre a tempo de enfrentar os vilões.

Mas as revistas dos X-Men não viraram nem de longe um slice of life mutante. Nas histórias de Claremont, o grupo passou por sagas cósmicas (como a da Fênix), viagens no tempo (Dias de um futuro passado), invasões alienígenas (A Ninhada) e… acompanharam uma cantora de disco? O escopo de Claremont costuma ser o maior possível, ao mesmo tempo em que os personagens se apaixonam e as lágrimas rolam.

Lá vem o drama…

Se você quer levar o melodrama para sua mesa, há muito a se aprender com os X-Men de Claremont e das animações. Como já falei, existem sistemas de RPG que integram a interpretação às mecânicas do jogo. No entanto, para eventos cataclísmicos, eucatastróficos e galácticos, guerras onde o pau come solto e a mãe não vê, investigações apavorantes e sistemas de RPG que privilegiam ação, também é possível fomentar o drama assumindo dinâmicas de mesa.

Uma dinâmica de mesa não é como uma mecânica, que, escrita no livro base ou acordada como regra caseira, está valendo sempre que é engatilhada (por exemplo: em Tormenta20, testes sempre são feitos com um dado de vinte lados).

Uma dinâmica pode ser um hábito que a mesa adquiriu, mas é melhor que também seja um acordo. Não precisa, necessariamente, sempre ser cumprida – é mais uma forte sugestão. Sobretudo, é algo que os jogadores praticam ativamente, por vontade própria, sem efeitos “em jogo”, ao contrário de uma mecânica, que sempre vale, às vezes passivamente, às vezes arbitrada pelo mestre.

Você e seu grupo podem começar a praticar dinâmicas de várias formas. Podem combinar primeiro quais estão valendo, e até mesmo provocar uns aos outros para que as apliquem.

Podem todos pensar a respeito, conversar um pouco, reler este artigo e deixar a coisa fluir. Você pode até mesmo digerir esta leitura e aplicar da maneira que quiser, sem combinar com mais ninguém. Mas atenção: perceba se os outros também estão se divertindo com seu melodrama.

Nesta sequência, o conflito interno de Ciclope é subtexto do diálogo, mas o narrador o comunica abertamente

Alguns princípios

Antes de entrar nas dinâmicas em si, existem alguns princípios sobre os quais vale a pena refletir quando estamos saindo do óbvio na interpretação de personagens.

Clareza

Melodramas florescem na relação (e conflito!) entre personagens. Mas, num RPG, eles só são possíveis se os jogadores se comunicam entre si, enquanto jogadores, justamente para que os enganos, as segundas intenções e os sentimentos confusos façam estrago entre os protagonistas sem que os intérpretes deixem de se divertir. Muita gente joga como se interpretação fosse apenas uma relação personagem-personagem. Mas é impossível desenvolver um melodrama sem relações jogador-jogador.

Se meu personagem está tentando prejudicar o personagem de meu amigo, eu aviso meu amigo. Pode ser verbalmente, em alto e em bom som, embora grupos mais próximos às vezes se entendam pelo olhar ou tom de voz. A mensagem, no fundo, sempre é esta: “estou querendo causar uma situação interessante em cena; quer seguir com ela?”.

Abertura

Drama quer dizer “ação” – no caso, estamos falando de “ação emocional”. Numa trama redondinha, uma ação leva à outra, e um bom autor melodramático cria um enredo de emoções consecutivas. Mas uma mesa de RPG não tem roteirista. Cada um conhece seu personagem melhor do que ninguém. A sequência de ações-emoções só vai ocorrer se você permitir que o outro jogador pegue as ideias que você põe em jogo e as transforme. Como num esporte, a bola está em campo, e passa por jogadores diferentes; o objetivo não é ser “fominha”, mas contribuir para uma jogada bonita.

Trágico.

Luz, câmera, sentimentos…

Dinâmicas podem ser propostas como brincadeiras que o grupo brinca em paralelo às regras e à narrativa do jogo. É bom lembrar de boas referências de dramalhão heroico – além dos X-Men, também temos Buffy, Cavaleiros do Zodíaco, Justiça Jovem e Naruto.

Passados passageiros

A origem de um personagem é uma boa fonte de traumas, sofrimentos, ambições e esperanças desmedidas. Porém, não é necessário criar um longo background, apenas elementos que possam ser ativamente usados em jogo. Compartilhe o seu BG com o resto do grupo, para que entendam seu personagem e saibam como criar a partir dele.

Mas lembre-se que drama é ação, não arqueologia. Deixe o passado de seu personagem ser aprofundado, ou até modificado, enquanto você joga. Quando você usa o passado do seu personagem, não deve ser para ensimesmá-lo em pensamentos, mas para atirá-lo em direção aos outros.

Carlos amava Dora, que amava Lia, que amava

Uma quadrilha de relações forma uma teia de emoções orgânica, desde que mude de vez em quando. O paladino é colega de copo do clérigo, que ama a guerreira, que desconfia que sua irmã perdida seja a maga, que acredita que o paladino matou seu pai… Uma quadrilha é divertida de se pensar em grupo, mas é melhor inventá-la à medida em que os jogadores entendem a dinâmica entre os personagens.

Quadrilhas também lidam com desencontros e sentimentos (bons ou maus) não correspondidos.

A linha tênue

Sentimentos podem mudar. Um personagem que ama outro pode passar a odiá-lo. Dois amigos podem passar a desconfiar um do outro. Sentimentos que saltam entre extremos são melodramáticos. Mas não tenham vergonha de voltar ao que era antes com pouquíssimos motivos. O importante é jogar emoções em cena e ver o que elas fazem. Não é preciso reinventar os personagens.

 “Você fica bravo de graça!?”

Como Graham Walsmey sugere no clássico Play Unsafe: “tente usar uma emoção em relação a outro personagem – raiva, medo – e acredite que você vai conseguir justificar depois”. Uma emoção sem explicação traz suspense – é como um mistério que ainda será revelado. Quem sabe seja o outro jogador que achará uma explicação!

Começo, meio e fim

Uma situação intensa entre dois personagens – como uma briga ou um mal-entendido – precisa ter hora para acabar. Ela precisa ser deixada de lado, mesmo que ainda tivesse potencial, para que outros conflitos venham em seu lugar. Melodramas são movimentados!

É comum em séries de TV que um conflito emocional acabe perto do fim do episódio, antes do clímax da história, mas é mais típico de quadrinhos que ele comece em uma história e termine em outra. Os jogadores não precisam combinar o fim; é até melhor aproveitar o drama a cada minuto, sabendo que pode ser o último… mas, quando um jogador dá o sinal, o outro precisa acatar. O mesmo vale para turbulências emocionais íntimas – saiba a hora de tirar seu personagem da fossa. Outros dramas lhe esperam!

Mundo, mundo, vasto mundo

Melodramas, incluindo o dos X-Men, costumam falar de injustiças. Em novelas, a “mocinha” é injustiçada, mas, no caso de um RPG, é melhor que o injustiçado seja o grupo. Será que ele é incompreendido por ser diferente? Ou será que tem um inimigo poderoso que o prejudica impunemente? Será que algo que os personagens têm algo em comum foi destruído?

Parece algo a ser inventado pelo mestre – mas é o grupo que precisa, primeiro, dar dicas sobre qual é sua identidade coletiva, para que o mestre lance injustiças que machucam o grupo como um todo.

Tudo está bem quando acaba bem

A jornada do herói é uma teoria de escrita (e de psicoterapia) muito popular. Ela defende que heróis amadurecem e se transformam ao superar desafios. Mas isso não é melodrama!

Não tá fácil pra ninguém

Heróis melodramáticos podem mudar, até amadurecer, mas não se autorrealizam nem alcançam a plenitude emocional. Se alcançassem, ficariam chatos. Permita que os novos acontecimentos continuem afetando seu personagem. Ele tem que chegar interessante ao 20º nível!

Se há uma harmonia que raramente deve ser rompida num melodrama, é a familiar. Um grupo de personagens, uma vez que forma relações, deve sempre manter a lealdade e retornar à paz. Apesar de turbulências passageiras, o grupo deve ser um lugar feliz. Melodrama também é sobre acreditar no bem e no mal: que o mal assola, que o mal pode ser vencido, e que o bem é o lar para onde todos se dirigem.

Família em primeiro lugar

E você, como usaria essas dicas? Esperaria começar uma campanha nova, ou já traria elementos dela à sua campanha atual?

Na próxima coluna, falaremos do melodrama teatral brasileiro e de seus tipos cênicos! Senta que lá vem história…


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, assim como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!

Texto: Vinícius Staub.
Revisão: Raquel Naiane.

Sangue e RPG – Aprendiz de Mestre

Sangue e RPG têm uma forte ligação, pois este líquido vermelho que corre em nossos corpos possui uma forte, porém antiga, mitologia e muito simbolismo.

Desde a frase:

“TOMAI, TODOS, E BEBEI: ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS, PARA A REMISSÃO DOS PECADOS.”

Frase tão poderosa que está presente na Santa Comunhão, o ponto alto da missa católica.

Nossa vida é feita de micro decisões diárias, e algumas mais significativas, como se vou doar ou não sangue.

Desde Vampiro, A Máscara

Venha comigo, neófito. O mais famoso RPG de horror (pessoal) de todos os tempos, torna o sangue um elemento central desde o “Nascimento” de um vampiro (seu personagem jogador, sim), onde via de regra, após o sangue ser sugado, ele é “devolvido”. E a formação de uma relação de “vassalagem” entre vampiros se dá por um ritual de “Laço de Sangue“. Também nas novas edições do RPG de Vampiro, a Máscara, (pela editora Asmodee no Brasil),  os personagens jogadores são mais frágeis, por terem “sangue ralo“.

Vampiros, Festim de Sangue

Mas nem só de vampiros vive o RPG

Pense também na expressão “sangue azul“. Caso você não saiba, embora todos nós tenhamos sangue vermelho, “sangue azul” se refere a pessoas de origem “nobre“, ou seja, a suposta “elite da nobreza e realeza“.

Isto também ajuda a pensar em intrigas familiares, pois são “sangue do mesmo sangue“. Um bom exemplo são as reviravoltas de “Guerra dos Tronos”, do filme Gladiador, e até novelas da brasileiras. Olha a oportunidade para Verdades & Segredos, da Editora Movimento, na telenovela VAMP (sim, neófito, a união de vampiros e telenovelas!). 

Além das ligações diretas de vampirismo, linhagens sanguíneas…

Exemplos para suas aventuras

1. Sacrifício de Sangue

Os heróis devem localizar e interromper um sacrifício onde o sangue de um(a) inocente deve ser derramado para despertar um antigo mal. O tempo está correndo.

2. O retorno do Sangue

Um grupo de piratas amotinados fez a tolice de roubar um tesouro amaldiçoado. Eles agora vivem como desgraçados, sentem sede e fome, porém não há líquido que lhes sacie a sede, ou comida que satisfaça seus apetites, mas não morrem. Assassinaram um dos seus companheiros, sem ter acesso, assim, ao sangue do falecido, pois é necessário retornar até a última peça de ouro, e pelo menos uma gota do sangue de cada bucaneiro envolvido no saque. Contudo, há boatos que o sangue do filho do corsário morto serviria…

3. O Sangue ou a Vida – Parte I

Numa atmosfera mais contemporânea, um dilema ético toma conta do plantão de emergência. Um dos companheiros da polícia precisa receber sangue O negativo, entretanto ele não aceita a transfusão por motivos religiosos (ele é testemunha de Jeová). Deverão os colegas convencê-lo, ou mesmo forçá-lo a aceitar?

4. O Sangue ou a Vida – Parte  II 

Num grande hospital, para onde os heróis levam um dos colegas após um confronto armado, num mundo pós apocalíptico, precisa receber hemotransfusão, e a única pessoa de sangue compatível se recusa a doar, por questões religiosas (ela é testemunha de Jeová). Deveriam os heróis convencê-lo ou forçá-lo a doar?

5. O Roubo de Sangue

O banco de Sangue da cidade vem sendo roubado. Quem (ou o quê) estaria roubando sangue? E com que propósito? Enquanto se investiga, os níveis de sangue estão perigosamente baixos.

6. Combate por Sangue

Terroristas estariam preparando uma bomba para ser detonada justamente no hemocentro da cidade, no dia de campanha a doação de sangue. Os heróis precisam encontrar e desarmar a bomba.

Contra balançando, que RPGs serviriam para os exemplos de aventura e sangue acima?

No sacrifício de sangue, e no O Retorno do Sangue, podemos ter tanto RPGs clássicos de espada e feitiçaria:

Ideias para aventuras – Bárbaros da Lemúria
  1. By the Sword, da Nozes Game Studio;
  2. For the Quest, da Editora 101 games;
  3. Bárbaros da Lemúria, no Brasil pela Nozes Game Studio;
  4. Tormenta, pela Editora Jambô;
  5. D&D 5ª edição, ou qualquer das edições, pela Asmodee.

Enquanto o Sangue ou a vida, o Roubo de Sangue, e Combate por Sangue, já trazem dilemas éticos, que em princípio, não seriam bem resolvidos somente com espadas e lanças, e assim uma toada de RPGs mais modernos e investigativos, com pontas de terror, talvez? Como:

  1. In to the Madness, da Nozes Game Studio;
  2. Os Bons Costumes, da Nozes Game Studio;
  3. Vaesen, no Brasil pela Editora Retropunk;
  4. Delta Green, no Brasil pela Editora Retropunk;
  5. Night’s Black Agents, no Brasil pela Editora New Order;
  6. Lobisomem, o Apocalipse, pela Editora Asmodee;
  7. Vampiro, a Máscara, pela Editora Asmodee.
  8. Ordem Paranormal, pela Editora Jambo

De uma forma ou de outra, que a imaginação continue fluindo nas suas mesas de RPG como sangue no seu coração.

Te desejo excelentes partidas de RPG, e lembre que uma única doação de sangue pode salvar até 4 vidas.

Infelizmente, não posso realizar este ato tão nobre, pois tive hepatite. Mas espero te lembrar que talvez você até possa criar eventos de RPG para estimular doação de sangue. O grupo Jedi da Bahia já fez algo assim.

Até a próxima, Sangue Bom!

Temos outras resenhas, aqui no Movimento RPG. Quer checar aqui? E nosso podcast, já conhece? Escuta aqui!


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais:

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!

A Evolução dos RPGs Narrativistas – Aprendiz de Mestre

Durante décadas, o RPG de mesa foi associado, principalmente, à simulação. Sistemas complexos, tabelas extensas, atributos minuciosos e regras voltadas para reproduzir combate, exploração e gerenciamento de recursos dominaram boa parte da indústria desde o surgimento de Dungeons & Dragons nos anos 1970.

A proposta inicial surgiu como uma variação dos Wargames, e por conta disso, se manteve com fundações rígidas e objetivas.

Da simulação à Narrativa – O Amadurecimento de Ambas as Partes

Conforme o hobby amadureceu, muitos designers começaram a perceber que jogadores não buscavam apenas vencer combates ou acumular equipamentos.

O verdadeiro envolvimento vinha das histórias criadas na mesa, dos conflitos emocionais, dos dilemas morais e das relações entre personagens. Essa mudança gradual ajudou a transformar profundamente o design dos RPGs modernos.

Foi justamente dessa transformação que nasceram os chamados RPGs narrativistas: sistemas que priorizam construção dramática, interpretação e desenvolvimento coletivo da narrativa acima da simulação detalhada de regras.

Em vez de perguntar “o personagem consegue acertar o golpe?”, esses jogos frequentemente perguntam “o que essa escolha significa para a história?”.

Uma Semente de Ideia

Essa mudança não aconteceu de forma repentina. Nos anos 1990 e início dos anos 2000, comunidades independentes de design — especialmente ligadas ao fórum The Forge — começaram a discutir novas filosofias para jogos de interpretação.

Surgiram, então, debates sobre gamismo, simulação e narrativismo, conceitos que influenciaram diretamente uma geração inteira de autores independentes.

Embora muitas dessas teorias sejam discutidas até hoje, elas ajudaram a consolidar a ideia de que o RPG poderia ser uma ferramenta narrativa tão poderosa quanto literatura clássica, cinema ou séries televisivas.

Os Filhos de Uma Era

O impacto dessa filosofia pode ser visto em sistemas modernos extremamente influentes, como Apocalypse World, lançado em 2010, que originou o movimento “Powered by the Apocalypse” (PbtA).

Diferente dos RPGs tradicionais focados em estatísticas complexas e resolução tática, os jogos PbtA utilizam mecânicas simples voltadas para consequência narrativa e colaboração entre jogadores e mestre. Mesmo falhas fazem a história avançar.

O sucesso dessa abordagem influenciou dezenas de RPGs contemporâneos. Hoje, sistemas como Blades in the Dark, Monsterhearts e Fate Core System colocam emoções, relações e consequências dramáticas no centro da experiência. Em muitos casos, o combate sequer é o elemento principal da campanha.

Os RPGs Indies e Suas Tendências

O crescimento dos RPGs independentes nos últimos anos revela uma mudança importante no perfil do público e também na forma como os jogos de mesa são produzidos.

Durante muito tempo, grandes editoras dominaram o mercado com sistemas extensos, cenários grandiosos e regras voltadas, principalmente, para exploração, combate e progressão mecânica.

Entretanto, a popularização do financiamento coletivo permitiu que pequenos estúdios e autores independentes encontrassem espaço para experimentar propostas mais autorais, intimistas e emocionalmente focadas.

Ideias que saíram do Papel

Plataformas como Kickstarter e Catarse se tornaram fundamentais nesse processo.

Segundo dados do próprio Kickstarter, apenas em 2023 a categoria “Tabletop Games” ultrapassou US$ 220 milhões arrecadados globalmente, mantendo os RPGs entre os segmentos mais fortes da plataforma. Boa parte desse crescimento vem, justamente, de projetos independentes com propostas narrativas diferenciadas, estética marcante e foco em experiências emocionais específicas (kickstarter.com).

Esse movimento também alterou a forma como os sistemas são concebidos. Muitos RPGs indies abandonam a ideia tradicional de “simular mundos” para priorizar temas dramáticos e experiências sensoriais.

Em vez de criar regras para cada detalhe do combate, esses jogos frequentemente desenvolvem mecânicas que reforçam sentimentos, relações interpessoais e consequências narrativas.

Vileborn e Outros Irmãos

É justamente nesse contexto que sistemas como Vileborn RPG ganham destaque. O jogo utiliza elementos clássicos da dark fantasy — monstros, decadência social e horror sobrenatural — mas direciona sua narrativa para conflitos internos e amadurecimento emocional.

Seus protagonistas não são apenas aventureiros enfrentando criaturas sombrias; são jovens tentando entender quem são em um mundo que os considera  aberrações.

Essa abordagem dialoga diretamente com tendências modernas do RPG narrativista. Conceitos como coming of age (histórias de amadurecimento), horror emocional e construção coletiva passaram a ocupar espaço central em muitos sistemas contemporâneos.

O foco deixa de ser apenas “o que os personagens conseguem fazer” e passa a explorar “quem esses personagens estão se tornando ao longo da campanha”.

Além disso, muitos RPGs indies modernos demonstram forte influência de outras mídias narrativas, como séries de televisão, videogames e romances contemporâneos.

Jogos como Monsterhearts utilizam metáforas sobrenaturais para discutir adolescência, desejo e exclusão social. Já Blades in the Dark transforma criminalidade e sobrevivência urbana em narrativas cinematográficas sobre trauma, ambição e decadência moral.

A Sociedade Cada vez mais Isolada, Busca Conexões

Outro fator importante é a busca por experiências mais colaborativas. Diferente de modelos tradicionais onde o mestre concentra grande parte da narrativa, muitos RPGs narrativistas distribuem poder criativo entre todos os participantes.

Jogadores ajudam a definir relações, facções, memórias e até detalhes do cenário, tornando cada campanha única e pessoal.

Essa tendência também acompanha mudanças culturais mais amplas. O público moderno frequentemente procura histórias que abordem identidade, vulnerabilidade emocional, pertencimento e conflitos sociais.

Consequentemente, os RPGs independentes passaram a explorar temas antes pouco comuns no hobby, incluindo saúde mental, trauma, exclusão, amadurecimento e relações interpessoais complexas.

Um Prato Cheio para Todos os Gostos

Hoje, o RPG narrativista não substitui os sistemas tradicionais — ele coexistе com eles. Enquanto alguns jogadores ainda preferem campanhas altamente táticas e simulacionistas, outros buscam experiências mais emocionais, rápidas e colaborativas.

Essa diversidade talvez represente a maior evolução do RPG moderno: a compreensão de que não existe apenas uma forma correta de contar histórias em uma mesa de jogo.


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais:

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!


Texto: Leon Santos.
Revisão: 
Raquel Naiane.

Microdecisões – Aprendiz de Mestre

Depois de explorarmos como Quando o Silêncio é Melhor, fica ainda mais fácil perceber que grandes campanhas não nascem apenas de eventos épicos, reviravoltas gigantescas ou cenas cinematográficas. Na verdade, muitas vezes, a diferença entre uma sessão comum e uma sessão memorável aparece em detalhes quase invisíveis. Pequenas pausas, mudanças sutis de tom, escolhas simples sobre quem fala primeiro ou até alguns segundos de demora antes de responder podem alterar completamente a energia da mesa.

Além disso, mestres experientes raramente controlam uma sessão apenas com grandes decisões narrativas. Eles moldam a experiência através de microdecisões constantes, quase intuitivas, que afetam ritmo, tensão, envolvimento e até o conforto emocional dos jogadores. E justamente por serem pequenas, essas escolhas costumam passar despercebidas, embora seu impacto seja enorme quando somadas.

Muita gente acredita que mestrar depende apenas de criatividade, improviso ou domínio das regras. Entretanto, conforme a experiência aumenta, fica claro que a condução emocional da mesa importa tanto quanto a história em si. A maneira como o mestre distribui atenção, responde a ideias ou administra o tempo entre cenas influencia diretamente o engajamento dos jogadores.

Nesse sentido, microdecisões funcionam como pequenas engrenagens invisíveis. Individualmente, elas parecem simples. Porém, juntas, constroem o ritmo da campanha, definem o clima emocional e ajudam a transformar sessões comuns em experiências marcantes.

Escolher quem fala primeiro muda o peso da cena

A ordem de fala altera completamente a percepção emocional de um momento. Quando o mestre escolhe começar por um jogador mais impulsivo durante uma discussão tensa, a cena tende a ganhar energia rapidamente. Por outro lado, iniciar por alguém mais reflexivo pode desacelerar o ritmo e aumentar a tensão silenciosa.

Além disso, variar conscientemente essa ordem impede que apenas os jogadores mais extrovertidos dominem a narrativa. Assim, todos passam a sentir que possuem espaço real dentro da mesa.

O tempo da resposta cria tensão ou conforto

A rapidez com que o mestre responde também comunica intenção. Uma resposta imediata transmite segurança e continuidade, enquanto alguns segundos de silêncio antes da reação podem gerar ansiedade e expectativa.

Por exemplo, quando um jogador pergunta se reconhece um símbolo estranho e o mestre demora propositalmente antes de responder “sim”, toda a mesa imediatamente entende que aquela informação possui importância.

Pequenos focos narrativos mudam o protagonismo

O simples ato de descrever mais detalhes sobre um personagem já altera a percepção do grupo sobre sua importância. Quando o mestre destaca a expressão cansada de um clérigo após uma batalha ou descreve o nervosismo de um ladrão durante uma conversa, ele direciona atenção emocional para aquela figura.

Dessa maneira, pequenas escolhas narrativas ajudam a equilibrar protagonismo sem precisar interromper o fluxo da sessão.

Interromper menos fortalece a criatividade

Muitos mestres corrigem ou respondem rápido demais. No entanto, permitir que os jogadores terminem raciocínios, conversem entre si ou desenvolvam ideias absurdas frequentemente gera momentos muito mais interessantes.

Além disso, quando a mesa percebe que possui espaço para experimentar, a criatividade cresce naturalmente. O grupo deixa de buscar “a resposta certa” e começa a criar soluções próprias.

A intensidade da voz altera o clima instantaneamente

Falar mais baixo durante cenas importantes costuma prender mais atenção do que aumentar o volume. Quando o mestre reduz a velocidade da fala ou diminui o tom de voz durante uma revelação, os jogadores automaticamente se aproximam emocionalmente da cena.

Esse tipo de microdecisão cria intimidade e tensão sem precisar de grandes descrições.

Mudar o foco rapidamente mantém o ritmo vivo

Sessões longas podem perder energia quando o mestre permanece tempo demais em uma única situação. Por isso, alternar pequenas cenas entre personagens ajuda a manter todos atentos.

Enquanto um guerreiro interroga um prisioneiro, por exemplo, o mestre pode cortar rapidamente para o mago analisando um artefato estranho. Esse movimento cria dinamismo e evita sensação de espera.

Validar ideias pequenas incentiva participação

Nem toda contribuição dos jogadores precisa mudar a campanha inteira para ter valor. Quando o mestre reage positivamente a detalhes simples, como um costume inventado por um personagem ou uma pequena descrição improvisada, ele incentiva participação criativa constante.

Com o tempo, a mesa inteira passa a colaborar mais naturalmente com a construção do mundo.

O momento de encerrar uma cena importa muito

Algumas cenas perdem força porque continuam além do necessário. Saber encerrar no momento certo mantém impacto emocional e evita desgaste. Depois de uma despedida marcante entre personagens, por exemplo, prolongar diálogos pode diminuir o peso da emoção.

Por outro lado, um corte bem feito deixa a cena ecoando na cabeça dos jogadores.

A distribuição de atenção define o engajamento

Mesmo sem perceber, muitos mestres oferecem mais atenção para determinados jogadores. Entretanto, pequenas decisões conscientes podem equilibrar isso. Fazer perguntas diretas para jogadores mais quietos ou criar oportunidades específicas para determinados personagens aumenta inclusão e participação.

Assim, a mesa inteira se sente parte ativa da narrativa.

Reagir às emoções dos jogadores transforma a sessão

Microdecisões emocionais talvez sejam as mais importantes. Quando o mestre percebe empolgação, medo ou tristeza genuína nos jogadores e ajusta o ritmo para explorar aquilo, a sessão ganha força imediata.

Se uma revelação provoca silêncio verdadeiro na mesa, por exemplo, acelerar para a próxima cena pode desperdiçar impacto. Nesse caso, deixar o momento respirar cria uma experiência muito mais memorável.

Conclusão

Mestrar bem não significa apenas controlar grandes histórias. Na prática, os melhores mestres moldam a experiência através de pequenas escolhas constantes, quase invisíveis. Cada pausa, mudança de tom, corte de cena ou distribuição de atenção influencia diretamente a forma como os jogadores vivem a campanha.

Além disso, microdecisões acumulam impacto ao longo do tempo. Um único detalhe pode parecer pequeno, mas dezenas deles transformam completamente o clima da mesa. E justamente por isso, aprender a perceber esses movimentos sutis faz tanta diferença na evolução de qualquer mestre.

No fim das contas, campanhas memoráveis raramente dependem apenas de dragões gigantes, guerras épicas ou plot twists absurdos. Muitas vezes, elas nascem de um silêncio bem colocado, de uma pausa no momento certo ou de uma simples escolha sobre quem fala primeiro.

PARA MAIS CONTEUDO DO MESTRE BROTHER BLUE


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, assim como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!

Trinkets: Darkest Dungeon adaptado para Oblívio RPG

Os Badulaques, ou em inglês “Trinkets”, são uma recompensa comum do jogo Darkest Dungeon, e hoje vamos trazer alguns deles adaptados para Oblívio RPG, da New Order Editora.

“Badulaques e bijuterias, pagos com sangue!”

~ Narradador do Darkest Dungeon

No começo do ano tivemos uma série de Artigos adaptando Darkest Dungeon para a sua mesa de Oblívio RPG, começamos com uma resenha do sistema, em seguida trouxemos fichas prontas de um grupo de heróis. E por fim, uma aventura adaptando a Enseada, onde os seus jogadores enfrentam a temida Sereia. Mas hoje vamos falar de recompensas para as Personas dos seus jogadores.

Os Badulaques

Eles são uma recompensa comum do jogo, possuindo diversos tipos diferentes de raridades e efeitos.

Você pode encontrá-los ao derrotar inimigos, completando missões e explorando masmorras.

E quanto maior seu grau de raridade, mais difícil é de encontrá-los, algumas, entretanto, são únicas dentro do jogo, podendo ser adquiridas somente ao derrotar um inimigo específico.

Para usá-las em Oblívio primeiro temos que entender um pouco mais sobre o funcionamento das regras de equipamentos do jogo.

Categorias

Todo tipo de equipamento é classificado em uma de duas categorias distintas:

  • Consumíveis: possui um número limitado de usos, como bombas e alimentos, e que só podem ser usados algumas vezes.
  • Duráveis: podem ser usados inúmeras vezes sem limitação, como armas e proteções, mas que podem acumular Estresse.

O Inventário

Representa o máximo de itens que cada Persona pode carregar, ou seja, cada item ocupa uma determinada quantidade de espaços no inventário, que varia de cada caso. O limite desses Espaços de Inventário de cada Persona é determinado pelo seguinte calculo: 5 + a sua Carne ou Força (à sua escolha).

Entretanto, um detalhe, existe uma divisão na forma como o inventário de cada Persona é ocupado que influencia diretamente em quanto de espaço é ocupado. Essa organização divide seus itens em:

  • Equipamentos Guardados: ficam dentro de suas bolsas/mochilas e ocupam Espaço de Inventário.
  • Equipamentos Carregados: são vestidos/empunhados nas Regiões do Corpo da persona, e portanto não ocupam Espaço de Inventário. Mas é importante lembrar que cada Persona pode Carregar somente um equipamento em cada uma das suas regiões de corpo, mediante Coesão Narrativa.

Estresse em itens

Pela regra geral, todo Equipamento Durável possui um valor de estresse, e sempre que você sofrer dano em uma parte de seu corpo, você pode optar por distribuir aquele estresse entre a parte do corpo arriscada e o equipamento carregado nela, o que pode fazer com que o equipamento eventualmente seja destruído.

Regras dos Badulaques

Apesar de serem um novo tipo de equipamento, todos os Badulaques são Equipamentos Duráveis, portanto, sujeitos a todas as regras dessa categoria de itens, além disso, todo badulaque fornece um ou mais efeitos passivos.

Tais efeitos somente funcionam enquanto a Persona estiver usando o badulaque como um Equipamento Carregado, e ela vai receber, obrigatoriamente todos os efeitos do item durante todo o tempo em que o estiver vestindo/empunhando, sejam eles benéficos ou não.

Badulaques são itens forjados com conhecimentos proibidos ou que se perderam através das eras, portanto, são itens que as Personas dos seus jogadores não conseguem fabricar. A única forma de obter um Badulaque é se aventurando.

Recompensando seus jogadores com Badulaques

Os badulaques existem em diversas raridades, algumas delas com mecânicas específicas para serem obtidas, mas neste artigo abordarei apenas as raridades mais simples: Genérico, Comum, Incomum, Raro, Muito Raro. E adaptei 6 Badulaques de cada uma delas para o sistema de Oblívio RPG.

Sempre que for recompensar seus jogadores com um Badulaque, role um dado na tabela a seguir para determinar se eles encontram um ou não, e qual foi a sua raridade. E, em seguida, role na tabela daquela raridade para ver qual foi o item encontrado.

Caso esteja recompensando a vitória contra um chefão, recomendo que role uma vez na tabela Sorteio de Raridade, e em adição, role uma vez na tabela de Badulaques Muito Raros, garantindo assim que o grupo receba, pelo menos, uma recompensa por ter sobrevivido ao enfrentar uma criatura tão poderosa.

Sorteio de Raridade

1d20

Resultado

1-5

Nenhum Badulaque encontrado

6-10

Badulaque Genérico

11-14

Badulaque Comum

15-17

Badulaque Incomum

18-19

Badulaque Raro

20

Badulaque Muito raro

Badulaques Genéricos

1d6

Badulaque Encontrado

1

Amuleto da Praga

2

Amuleto Sangrento

3

Amuleto do Movimento

4

Pedra da Saúde

5

Pedra Protetora

6

Pedra da Precisão
Amuleto da Praga

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Você ganha +4 em todos os testes para evitar ou se recuperar da Mazela Náusea e -1 de Proteção.

Amuleto Sangrento

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Você ganha +4 em todos os testes para evitar ou se recuperar da Mazela Ferida e -2 de Velocidade.

Amuleto do Movimento

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Você ganha +4 em todos os testes para evitar ser movido de sua casa contra sua vontade e -2 de Velocidade.

Pedra da Saúde

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Você soma o seu nível no seu Limite de Estresse e recebe -1 de Prontidão.

Pedra Protetora

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2 / Bônus de Proteção: +1.

Você recebe -1 de Velocidade.

Pedra da Precisão

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Você recebe +2 em todos os testes da ação “Atacar”, e -1 de Prontidão.

Badulaques Comuns

1d6

Badulaque Encontrado

1

Anel do Arqueiro

2

Pedra do Dano

3

Braçadeira do Guerreiro

4

Guia de Sobrevivência

5

Amuleto Imprudente

6

Manto Cauteloso
Anel do Arqueiro

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Você recebe +3 em todos os testes da ação “Atacar” que realizar com armas “Arremessável” e com armas “de projétil” e -1 de Velocidade.

Pedra do Dano

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Você soma o seu nível no dano causado pela sua arma e recebe -2 de Proteção.

Braçadeira do Guerreiro

Espaços de Inventário: 2 / Limite de Estresse: 4.

Você recebe +2 em todos os testes da ação “Atacar” que realizar com armas de Alcance 2 ou menos.

Guia de Sobrevivência

Espaços de Inventário: 2 / Limite de Estresse: 3.

Você recebe +2 em testes de Mundo e Engenhosidade e -1 de Prontidão.

Amuleto Imprudente

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Você recebe +5 em todos os testes da ação “Atacar” mas recebe -2 no seu Limite de Estresse.

Manto Cauteloso

Espaços de Inventário: 2 / Limite de Estresse: 3.

Você soma seu nível nos seus testes de Mundo e Rastro, mas recebe -5 de Velocidade na primeira Rodada do combate.

Badulaques Incomuns

1d6

Badulaque Encontrado

1

Amuleto do Cirurgião

2

Botas Pesadas

3

Livro da Fúria

4

Anel da Sede de Sangue

5

Cristal Calmante

6

Pedra do Vidente
Amuleto do Cirurgião

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 1.

Quando usar uma habilidade de cura, cada alvo recupera uma quantidade de PE adicional, igual à metade do seu atributo Mente ou Determinação à sua escolha.

Botas Pesadas

Espaços de Inventário: 2 / Limite de Estresse: 4 / Bônus de Proteção: +4.

Você ganha +4 em todos os testes para evitar ser movido de sua casa contra sua vontade, -2 de Velocidade e -1 em prontidão.

Livro da Fúria

Espaços de Inventário: 2 / Limite de Estresse: 1.

Você recebe -1 em testes para resistir e para se livrar das mazelas Ferida e Náusea. Se seu Estresse estiver acima da metade do seu Limite de Estresse você ganha um bônus nos seus testes da ação “Atacar” e nas rolagens de dano igual seu valor de Fôlego.

Anel da Sede de Sangue

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Ao invés do normal você soma tanto seu valor de Carne quanto de Determinação ao seu Limite de Estresse, mas esta com a mazela Fome.

Cristal Calmante

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 1.

Você recebe -1 de Prontidão. Quando um inimigo lhe causar Estresse com a ação “Atacar” ou com uma habilidade, reduza o valor total do estresse em 3 antes de distribuí-lo.

Pedra do Vidente

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 3.

Você recebe +3 nos seus testes e Mundo e Rastro, e -1 em Velocidade.

 

Badulaques Raros

1d6

Badulaque Encontrado

1

Manto Lunar

2

Coroa Solar

3

Anel do Atirador

4

Luvas do Brigão

5

Selo do Jejum

6

Amuleto da Recuperação
Manto Lunar

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 1.

Enquanto a Luz estiver com duração de 3 turnos restantes ou menor você recebe +3 de Proteção e +1 em todos os testes para resistir as habilidades de inimigos. Sempre que sofrer Estresse você sofre +1 ponto.

Coroa Solar

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Enquanto a duração da Luz for de 4 turnos ou mais você sofre -2 pontos de Estresse.

Anel do Atirador

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 2.

Você recebe -2 de Velocidade. Enquanto estiver na última casa você recebe +3 em testes da ação atacar e sua arma causa +1 dado de dano.

Luvas do Brigão

Espaços de Inventário: 2 / Limite de Estresse: 4 / Bônus de Proteção: +1.

Sua arma causa +1 dado de dano enquanto você estiver na primeira casa. Você tem -1 de Velocidade.

Selo do Jejum

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 1.

Você não precisa consumir alimentos, mas não causa dano. Você recebe +5 de Proteção.

Amuleto da Recuperação

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 1.

Sempre que você recuperar Pontos de Estresse você recupera +8 PE adicionais.

Badulaques Muito Raros

1d6

Badulaque Encontrado

1

Anel de Foco

2

Alho Fortificante

3

Selo do Martir

4

Anel da Robustez

5

Livro da Sanidade

6

Bracelete Lendário
Anel de Foco

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 1.

Você recebe -1 em Prontidão e -1 em Proteção, a sua primeira ação “Atacar” contra cada inimigo custa -1 PA, e sempre que atacar um inimigo pela primeira vez você pode fazer a ação “Analisar” de graça como parte do ataque.

Alho Fortificante

Espaços de Inventário: 2 / Limite de Estresse: 1.

Você ganha um bônus de +3 em testes para resistir ou se livrar de Mazelas.

Selo do Mártir

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 1.

Você aumenta o seu Limite de Estresse em +10. Enquanto faltar 10 PE ou menos para que você alcançar o valor máximo do seu Limite de Estresse você ganha um bônus de +5 em todos os testes e suas armas causam +2 dados de dano adicionais.

Anel da Robustez

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 3.

Você recebe +5 de proteção e aumenta em +10 o seu Limite de Estresse, mas causa apenas a metade do dano e sempre que ganhar Estresse ganha +2 pontos adicionais.

Livro da Sanidade

Espaços de Inventário: 3 / Limite de Estresse: 1

Você sofre -4 pontos de Estresse.

Bracelete Lendário

Espaços de Inventário: 1 / Limite de Estresse: 1.

Quando seu estresse atingir um valor igual maior que a metade do seu Limite de estresse, e toda vez que você receber estresse e estiver com um valor maior do que a metade do seu Limite de Estresse jogue 1d4. Quando você tirar um resultado 4 pela primeira vez, até o fim da cena você recebe um bônus de +2 em todos os testes, toda suas ações custam -1 PA, e suas armas causam +1 dado de dano.

Novas Habilidades Gerais

Com tantos itens novos, pode ser que os jogadores fiquem com a dúvida cruel de quais deles usar em suas Personas. Para tornar isso mais interessante, vamos adicionar a seguir algumas novas opções que expandem a lista de Habilidades Gerais e que interagem com os Badulaques.

Inventário organizado

Você soma metade do seu valor de Mente no seu espaço de inventário. Além disso, você pode escolher até duas partes do seu corpo para poderem comportar um Equipamento Carregado adicional, mantendo a Coerência Narrativa (não dá para calçar dois pares de botas ao mesmo tempo por exemplo).

Cargueiro

Você soma metade do seu valor de Força ou Carne, à sua escolha, no seu espaço de inventário. Além disso, você pode usar até 3 Equipamentos Carregados no seu Torso, mantendo a Coerência Narrativa.

Ferramenta Certa

Cada um dos seus braços podem ter +1 Equipamento Carregado adicional, mantendo a Coerência Narrativa. Além disso, sempre que seu grupo inicia uma cena de Combate, se vocês não foram pegos de surpresa, você pode trocar qualquer quantidade de Equipamentos Carregados que estejam no seu braço por outro na sua mochila, que também possa ser colocado no seu Braço.

Por hoje é só pessoal

Mais uma vez meus agradecimentos ao pessoa da Wiki do Darkest dungeon cujas informações me ajudaram bastante na produção do artigo.

Espero que vocês se divirtam, e aproveitem essas novas recompensas, que os jogadores se divirtam enfeitando suas Personas com novos e poderosos itens, e que os Narradores possam por ameaças mais pesadas nas mesas.

Nos vemos no próximo Buraco, sejam a Luz que afasta a Escuridão.


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais:

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!


Oblívio RPG + Darkest Dugeon: Trinkets

Texto e Capa: Maykon Martins.
Revisão: Raquel Naiane.

Quando o Silêncio é Melhor – Aprendiz de Mestre

Depois de entendermos como Transformar Falhas em momentos significativos, damos mais um passo importante na evolução como mestre. Afinal, não basta saber narrar bem o que acontece; também é essencial saber quando não narrar. Em muitos casos, o impacto de uma cena não vem das palavras ditas, mas justamente do que é deixado em silêncio. Além disso, pausas, olhares e descrições mínimas podem carregar uma força emocional que longos discursos nunca alcançam.

Por outro lado, existe um momento em que o silêncio ganha um peso ainda maior: quando uma campanha precisa terminar antes do planejado. Seja por falta de tempo, mudanças na vida dos jogadores ou desgaste natural da mesa, encerrar uma história de forma abrupta pode gerar sensação de abandono. Portanto, saber usar o silêncio tanto dentro da narrativa quanto no fechamento dela se torna uma habilidade poderosa.

Muitos mestres acreditam que precisam preencher todos os espaços com descrição, diálogo e explicação. No entanto, o silêncio também comunica. Quando bem utilizado, ele cria tensão, provoca curiosidade e amplia o envolvimento emocional dos jogadores. Da mesma forma, ao encerrar uma campanha inesperadamente, o silêncio pode ser usado para dar dignidade à história, evitando explicações apressadas e finais artificiais.

Assim, dominar o silêncio significa dominar o ritmo, a emoção e o encerramento da narrativa.

Use pausas para criar expectativa

Durante uma cena importante, parar por alguns segundos antes de revelar o resultado pode aumentar a tensão de forma imediata e muito eficaz. Quando um jogador realiza uma ação decisiva, como um ataque final ou uma tentativa arriscada de negociação, uma pausa breve, acompanhada de um olhar atento, faz com que todos na mesa se inclinem para frente, esperando o desfecho.

Além disso, essa pequena interrupção quebra o ritmo automático da conversa e transforma um simples anúncio de resultado em um momento carregado de expectativa. Com o tempo, os jogadores passam a reconhecer esse padrão e associam suas pausas a momentos importantes, o que fortalece ainda mais o impacto emocional da cena.

Deixe que os jogadores preencham o vazio

Nem tudo precisa ser explicado com riqueza de detalhes. Quando você descreve apenas o essencial, os jogadores naturalmente completam o restante com a própria imaginação, e isso gera um envolvimento muito mais profundo. Ao dizer que uma porta antiga se abre lentamente e que um cheiro estranho escapa de dentro, você não precisa mostrar o que há além, a mente dos jogadores já começa a trabalhar.

Além disso, quando cada jogador imagina a cena de forma ligeiramente diferente, o medo, o mistério ou a curiosidade se tornam mais pessoais. Esse tipo de construção compartilhada cria uma experiência muito mais rica do que uma descrição totalmente fechada.

Use o olhar e a linguagem corporal

Mesmo sem dizer nada, você comunica muita coisa durante a sessão. Um olhar mais fixo, uma mudança sutil na expressão facial ou até um silêncio repentino após uma ação dos jogadores podem sugerir que algo importante aconteceu ou está prestes a acontecer. Esse tipo de comunicação não verbal adiciona uma camada extra de tensão.

Por exemplo, quando um jogador toma uma decisão aparentemente simples e você apenas mantém o olhar por alguns segundos antes de responder, a mesa inteira começa a questionar o peso daquela escolha. Assim, você cria expectativa sem precisar aumentar a complexidade da narrativa.

Corte descrições no momento certo

Saber quando parar de descrever é tão importante quanto saber descrever. Em vez de detalhar todos os elementos de uma cena, escolha apenas alguns pontos fortes e deixe o restante implícito. Um corredor escuro, um som distante e uma sombra que se move rapidamente já criam uma atmosfera suficiente.

Além disso, descrições longas podem diminuir o ritmo e diluir a tensão. Quando você corta no momento certo, a imaginação dos jogadores entra em ação e amplia o impacto da cena. Isso torna a experiência mais dinâmica e evita sobrecarga de informação.

Permita que o silêncio carregue emoção

Após uma cena intensa, é comum sentir vontade de continuar narrando ou de explicar as consequências imediatamente. No entanto, dar espaço para o silêncio pode ser muito mais poderoso. Depois de uma derrota marcante ou de uma revelação importante, alguns segundos sem fala permitem que os jogadores processem o que aconteceu.

Esse momento cria uma pausa emocional que reforça o peso da cena. Além disso, ele demonstra respeito pelo envolvimento dos jogadores, permitindo que cada um reaja à sua maneira antes que a narrativa avance.

Use o silêncio como ferramenta de mistério

O mistério cresce quando você não entrega todas as respostas. Um NPC que interrompe uma frase no meio, um som que aparece e desaparece sem explicação ou uma figura vista apenas de relance criam dúvidas que permanecem na mente dos jogadores.

Esses elementos, quando usados com intenção, fazem com que o grupo comece a investigar por conta própria. Assim, o silêncio não representa ausência de conteúdo, mas sim um espaço ativo onde a curiosidade se desenvolve.

Evite preencher tudo com respostas

Responder todas as perguntas imediatamente pode parecer eficiente, mas reduz o envolvimento dos jogadores. Quando você permite que algumas dúvidas permaneçam, o grupo passa a discutir, levantar hipóteses e explorar mais o cenário.

Além disso, esse espaço para incerteza mantém o interesse vivo entre sessões. Os jogadores continuam pensando na campanha mesmo fora da mesa, o que fortalece o vínculo com a história.

Ao encerrar cedo, escolha um foco emocional

Quando a campanha precisa terminar antes do planejado, tentar resolver todas as tramas costuma gerar um final apressado e superficial. Em vez disso, escolha um elemento central, como uma relação importante ou um conflito principal, e dê atenção especial a ele.

Por exemplo, um último encontro entre personagens que compartilharam uma jornada pode ser muito mais marcante do que tentar explicar todos os acontecimentos pendentes. Assim, você garante um fechamento emocional consistente.

Use elipses narrativas com intenção

Nem tudo precisa ser mostrado até o último detalhe. Ao sugerir o que acontece depois, você permite que os jogadores imaginem o futuro dos personagens. Um salto no tempo, uma carta final ou uma cena breve indicando o destino de cada um já criam um senso de continuidade.

Essa técnica evita finais abruptos e, ao mesmo tempo, mantém a narrativa aberta o suficiente para que ela continue existindo na imaginação do grupo.

Transforme o encerramento em um momento coletivo

Encerrar uma campanha não precisa ser uma decisão unilateral. Ao convidar os jogadores a descreverem o destino de seus personagens, você transforma o final em uma construção compartilhada. Cada jogador pode mostrar onde seu personagem chegou e o que mudou ao longo da jornada.

Além disso, esse momento fortalece o vínculo entre os participantes e cria uma sensação de encerramento mais completa e satisfatória.

Deixe um eco, não um ponto final

Um bom final não precisa responder tudo. Na verdade, deixar um pequeno mistério ou uma possibilidade em aberto pode tornar a história ainda mais memorável. Um símbolo reaparecendo, uma promessa não cumprida ou uma última cena sugestiva criam um eco que permanece.

Dessa forma, a campanha não termina de forma rígida, mas continua viva na memória dos jogadores, reforçando o impacto emocional da experiência.

Conclusão

Saber usar o silêncio é uma das habilidades mais sofisticadas de um mestre. Enquanto palavras constroem o mundo, pausas e ausências dão profundidade a ele. Além disso, ao lidar com o encerramento inesperado de uma campanha, o silêncio se torna aliado na construção de finais dignos, sensíveis e memoráveis.

No fim das contas, nem tudo precisa ser dito para ser sentido. E, quando o mestre entende isso, cada pausa, cada olhar e cada palavra não dita passam a carregar um peso narrativo imenso. Assim, a mesa deixa de depender apenas daquilo que é falado e passa a viver também daquilo que é percebido.

PARA MAIS CONTEUDO DO MESTRE BROTHER BLUE


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais:

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!

Gladiadores e RPG – Aprendiz de Mestre

Somos todos gladiadores na nossa luta diária. Talvez desde que nascemos, pois todos querem ouvir o choro após o nascimento. Se a criança não chora, tem algo errado. Na maioria das vezes, muito errado.

Mas chame seu grupo, pegue seu gládio (espada típica destes combates, daí o nome gladiadores), escudo, e armadura. Você está escutando isso? O clamor da plateia? Estão nos aguardando. Venha comigo.

Aviso: este tema pode conter gatilhos. Considero que se você está lendo isso, você é um gladiador da vida urbana e/ou suburbana, como eu. Espero que possamos quebrar nossos grilhões. Acredite que você pode virar o jogo, transforme falhas em acertos.

Gladiadores e RPG

Mas quem eram os gladiadores? Em sua maioria escravizados, mas também prisioneiros de guerra, nobres que caíram em desgraça/dívidas, ou pessoas pobres, que tentavam escapar da miséria. Ainda hoje, RPGs abordam este assunto? Certamente.

E há registro de gladiadores femininos? Ou gladiadoras? Sim! Pelos registros históricos, até o ano de 1200, eram permitidas lutas femininas, embora fossem muito mais raras que as masculinas, e claro, não contra homens, como algumas partidas de tênis deste século.

Gladiadores e a cultura pop

Aelius Maximus, o Gladiador

Ah, correto. Tudo a ver.

Filmes: Spartacus, Gladiador, Gladiador 2.

Videogames: The gladiator — Road of the sword (arcade), Shadow of Rome (PS2, stealth), Age of gladiators II, Gladiator manager (pra celular, tenho, e muito bom).

Livros: Guia Gladiadores, A Era dos Gladiadores, Gladiador, Filho de Spartacus e assim por diante.

Gladiadores dos Dias Atuais

Agora, vou cutucar a onça com vara curta…

Eu, já de longa data, associo esportes competitivos de luta, com lutas de gladiadores. Vamos pensar um pouco. Revisemos nossa estratégia, se pretendemos sair vivos desta arena…

  1. Luta de boxe: grandes boxeadores morreram por apresentar micro hemorragias cranianas, pelos golpes na cabeça. Com AVC, doença de Parkinson, e outras doenças neurodegenerativas.
  2. Futebol Americano: embora indústria de milhões, há documentários sobre os traumas em alta velocidade, com alterações também levando a degeneração precoce do sistema nervoso central.
  3. Lutas de MMA: Apesar de eu ter visto até uma action figure do Anderson Silva, e ter me sentido orgulhoso, é fácil ver atletas que interrompem cedo a carreira por traumas físicos.

Porém, este site é sobre RPGs, então…

Exemplos de RPG sobre Gladiadores

Aqui mesmo no movimento RPG, olha o primeiro:

  1. Jogos de Arena e Gladiadores – Área de Tormenta;
  2. Spetacula – A Solo Tatical Gladiator RPG;
  3. Guia de RPG — Spartacus e Gladiadores adaptação de Spartacus para D20;
  4. E claro, GURPS – Império Romano;
  5. Há uma personagem gladiadora no For the Quest, da Editora 101 games também.

Gladiadores e nosso jogo de RPG

Hum, os nossos rivais estão vindo. Parece que somos a “zebra” nas apostas da arena de hoje.

  1. Vocês observam uma aposta curiosa, numa mesa. Dois comerciantes estão se desafiando numa disputa entre seus guarda-costas, no anfiteatro da cidade. Vocês vão apostar num dos times, ou talvez se tornarem uma terceira opção, apostando em si mesmos? 
  2. Os heróis foram sedados, e acordam numa praça, acorrentados, onde estão sendo leiloados como gladiadores. Lutadores de aluguel? 
  3. Os aventureiros são abordados por um comerciante numa estrada, que pergunta se poderiam ajudar como guarda-costas de seus animais exóticos de lutas de exibição? Leões, rinocerontes, elefantes, e alguns lobos. Animais treinados para combate, parecem bem tratados e alimentados. Mas como estes animais prisioneiros se sentem?
  4. Um par de pilotos de bigas está preocupado com a segurança de seus cavalos de corrida, ele teme que alguém possa envenena-los. Ele contrata os heróis por uma noite de vigilância. Os animais acordam bem, a patrulha noturna é sem incidentes. Mas os próprios contratantes acordam com uma terrível diarreia, e estão incapazes de participar da competição de hoje. Será que um ou 2 heróis poderiam substituí-los na grande corrida de hoje?

Tipos de Gladiadores

Olá, Superinteressante & Wikipedia:

  1. Trácios: eram os únicos a lutar com a sica, uma espada curva.
  2. Secutor: treinado para encarar o retiarius (um “tanque de guerra” bem protegido). Tinha um grande escudo retangular e capacete mais liso (para não prender na rede do retiarius) e com pequenos buracos, para evitar as pontas do tridente.
  3. Dimachaeri: há poucos registros sobre este tipo de gladiador – os historiadores não sabem ao certo nem quem ele enfrentava nas arenas. Mas, pelo fato de usar só duas espadas, devia ser bem treinado.
  4. Retiarius: era o tipo mais ágil e veloz, mas também o mais indefeso, pois tinha pouca proteção – nem sequer usava capacete. Encarava gladiadores “pesados”, como o secutor, usando só uma rede e um tridente.

E ainda tem mais Gladiadores

Murmillo
  1. MURMILLO: Tinha o apelido de “homem-peixe” por usar um capacete com o desenho de um peixe na lateral. As armas e proteções eram similares às do secutor, podendo variar o escudo. As lutas entre trácios, murmillos e retiarius eram consideradas os verdadeiros clássicos das arenas.
  2. HOPLOMACHUS: Homenageava os guerreiros das falanges gregas, por isso portava uma lança, que podia ser usada junto com uma adaga ou com uma espada. Tinha boas proteções para o corpo, como o secutor, mas precisava se virar apenas com um pequeno escudo circular.
  3. ANDABATI: A cavalo, os andabatis se enfrentavam com um capacete com o visor tampado. É isso mesmo, um combate às cegas, sem escudo e portando apenas uma espada!
  4. EQUITES: Gladiadores montados bem mais sérios que os andabati, combatiam entre si com uma lança e um escudo circular médio. Em alguns duelos, trocavam a lança por uma espada. Os equites podiam lutar em pares ou grupos.
  5. GLADIADORAS: Pode acreditar, no Império Romano rolava também combates entre mulheres. Mas eram bem raras.
  6. Haviam juízes, a coisa não era tão vale tudo, como o cinema nos faz acreditar.

Leia mais clicando aqui!

Na grande luta da arena da vida

Não escolhemos onde e quando nascemos, nem de quem somos filhos. Uma vez que estamos nesta vida, até a morte, só nos resta lutar com as armas que conseguirmos, por quanto tempo aguentarmos, até nosso último suspiro.

Veja, lá vem nossos rivais. Segure seu gládio com firmeza.

Hoje pode ser nosso último dia. Mas talvez não.

Vamos descobrir, meu amigo (ou amiga, alea jacta est…).

Ave Cesar, os que vão morrer te saúdam! 

A arena hoje pode até provar do nosso sangue, mas espero que não seja ainda nossa última luta!

Até a próxima batalha! Levante seu escudo!

Temos outras resenhas, aqui no Movimento RPG. Quer checar aqui? E nosso podcast, já conhece? Escuta aqui!


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais:

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!

Para Além do Combate: Perigos Naturais parte 01 – Aprendiz de Mestre

O grupo deseja explorar histórias mais diversificadas, mas não consegue sair do modo combate? O clímax que todos estavam esperando era uma fuga alucinante, onde uma criatura terrível não poderia alcançar os personagens dos jogadores, sob pena de devorá-los de imediato, mas o grupo acabou interrompendo a fuga e caiu na pancadaria contra o monstro?

A campanha era para ser de investigação, medo e mistério, mas os jogadores acharam uma boa ideia explodir tudo e distribuir tiros para todo lado? Ou, ainda, o vilão era para ser aterrorizante, mas o grupo apenas ficou pensando num jeito de deitar ele na porrada?

Pois é… Acontece que há muuuitas outras formas de gerar conflitos e construir o clímax durante uma aventura de RPG sem precisar recorrer aos combates. Sim, é possível!

Mas não basta apenas o Narrador estar empenhado em criar a atmosfera para isso – e ter sucesso na empreitada, claro, – os Jogadores também devem estar dispostos.

Perigos Naturais

Ao longo de uma aventura ou campanha, os Jogadores ouviram boatos de um templo escondido num local de difícil acesso. Pode ser no fundo do mar, cercado por rochedos e corais. Numa caverna localizada no pico de uma cordilheira, no coração de uma mata fechada ou cercado pelas águas paradas de um pântano. Pode ainda, ser aquele hospital abandonado no centro de uma cidade contemporânea.

Seja qual for o cenário, os Jogadores escutaram boatos suficientes para saberem que encontrar e acessar o tal templo será um belo desafio!

Pois bem, os Jogadores se planejam, considerando as informações que coletaram:
  • Cordas e ganchos para escalada? Ok!
  • Ração de viagem para 1 semana? Opa.
  • Cobertas e roupas de frio? Ok!
  • Lamparinas, tochas e pederneiras? Sempre!
  • Um mapa – se tiverem a sorte de conseguir um, claro? Aqui!
  • Na falta do mapa, um guia? Contratado!
  • Uma embarcação para levá-los até as proximidades do mar? Feito!

Sem Grandes Surpresas

Então, a viagem começa, os dias passam, as rações de viagem são subtraídas, as roupas de frio são usadas e… nada acontece.

O Narrador até rola uns dados, mas… Nada acontece…

Bem, uma chuva aqui, um desvio ali, o grupo até avista uns bandidos no caminho, mas conseguem despistar.

Mais alguns dias e… Pronto, estão de frente ao templo arruinado!

Primeira coisa a dizer aos Narradores: elabore desafios! Seu papel é gerar problemas para os Jogadores resolverem! Se a proposta é tensionar os Jogadores durante a viagem para além dos combates, dando possibilidade para personagens não combatentes brilharem, então vamos pensar como podemos fazer isso.

Seja fazendo uma lista de possíveis eventos para sortear numa tabela ou determinando quais eventos ocorrerão, prepare os desafios conforme o cenário proposto.

E quando falamos de perigos naturais, não estamos falando sobre colocar animais selvagens para os Jogadores evitarem ou enfrentarem (o objetivo aqui é criar dificuldades que não se use o combate, lembra?).

Como uma boa história, é possível começar com situações que obriguem o grupo a fazer escolhas difíceis ou serem criativos para não perderem recursos preciosos.

Clima Hostil

Tempestades fortíssimas, chuvas intensas, nevascas, ressacas em alto mar, calor intenso.

Problemas relacionados ao clima podem gerar problemas graves para o grupo descansar, causando desgaste e cansaço, o que leva a penalidades em testes.

É possível também que metade dos mantimentos do grupo estraguem caso os Jogadores não façam nada para protegê-los – cada ideia e ação bem-sucedida nesse sentido reduz a quantidade estragada ou reduz a chance de estragar.

Barreiras naturais

Rios, escarpas, fendas rochosas, árvores tombadas, deslizamentos de terra, avalanches, penhascos.

As barreiras naturais são particularmente úteis quando há chances reais do grupo se perder – e estar perdido significa, antes de qualquer coisa, menos comida garantida até o destino.

Por exemplo, quando surge um rio no caminho, que o grupo não sabia que existia, eles são forçados a ponderar: atravessar nadando corre-se o risco de prejudicar os alimentos, equipamentos (arcos, por exemplo), e com os personagens molhados, eles podem ficar doentes. O grupo pode pensar em cortar árvores, elaborar pontes de cordas, enfim.

Se o problema for penhascos ou escarpas, escaladas serão necessárias – e o risco básico aqui é a queda e, portanto, se ferirem. Some esse conflito com o clima hostil, e você tem um baita problema para resolver: o rio gerará uma tromba d’água, gerando risco real de afogamento aos personagens; a escalada fica ainda mais difícil e um acidente mais letal; evitar rochedos em alto mar se torna um desafio único, pois se chocar com aquelas pedras é um naufrágio garantido…

Se houver um relógio então? Algo do tipo: o grupo sabe que há outros exploradores a caminho do templo, ou que o templo se manterá aberto até o fim do solstício de verão, ou durante as noites de lua cheia… Enfim, a urgência tornará tudo mais dramático.

Narre o tempo passando, o sol viajando no firmamento e começando a se pôr, e eles lá, tentando circundar uma ilha ou vencer um simples rio – contornar o obstáculo é sempre uma opção, mas o desvio pode custar tempo, recursos e levar o grupo para áreas totalmente desconhecidas…

Terreno Difícil

Regiões íngremes, mata fechada, áreas alagadiças. Essas dificuldades são similares ao tópico acima, com a diferença de que aqui, a região toda (ou a maior parte) é dominada por terreno de difícil avanço.

Através da narrativa e descrição, os Jogadores terão o avanço possivelmente atrasado, consumindo recursos, gerando desgastes físicos e riscos de possíveis acidentes – quedas, perdas de itens, chance de ficarem perdidos.

Dependendo de como os Jogadores reagirem, tensionando a marcha ou buscando atalhos, as chances de perder ou danificar equipamentos, eventuais danos  a encontros de barreiras naturais pode ser inevitável.

Animais Selvagens

Alcateias de lobos, bandos de pássaros, aves de rapina, exames de insetos ou répteis perigosos são alguns exemplos. Aqui, a intenção não é gerar combates, mas refletir possíveis problemas que esses animais podem gerar.

Um bando de macacos ou de lobos esfomeados podem roubar as rações de viagem do grupo enquanto eles estiverem dormindo; uma serpente pode picar um dos personagens dos jogadores, o envenenando; um enxame de insetos pode avançar numa porção de comida ou atacar um ou mais integrantes do grupo, ocasionando doenças ou ferimentos.

Os conflitos gerados pelos perigos naturais podem ser apresentados aos jogadores até mesmo quando eles conseguem ter sucesso na missão principal e precisam retornar para um local seguro – isso os forçará à escolhas difíceis, como deixar parte dos tesouros e itens adquiridos; ou encontrar um local minimamente seguro enquanto um ou dois integrantes avançam em maior velocidade para buscar ajuda para socorrer um aliado envenenado ou doente…

No fim, o cenário e a natureza podem ser implacáveis, obstáculos fatais e mais cruéis do que os monstros e suas armadilhas que dominavam aquele templo arruinado…


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!


Autor: Vinícius Lara.
Revisão: Raquel Naiane.

Transforme Falhas – Aprendiz de Mestre

Depois de entendermos como reconstruir uma campanha Após o Desastre, surge um passo igualmente importante dentro da prática de mestrar: aprender a lidar com as falhas que acontecem durante o jogo. Afinal, mesmo quando a mesa está alinhada e o ritmo funciona bem, erros críticos, decisões ruins e derrotas inesperadas ainda fazem parte da experiência. No entanto, a forma como esses momentos são narrados define se eles vão gerar frustração ou se vão se transformar em cenas memoráveis.

Portanto, para transformar falhas, o mestre precisa saber utilizá-las como ferramenta narrativa. Em vez de ridicularizar personagens ou expor jogadores, é possível transformar esses momentos em oportunidades de drama, crescimento e aprofundamento da história. Assim, cada erro deixa de ser um tropeço e passa a ser um ponto de virada.

Em muitos sistemas de RPG, falhar é inevitável. Dados são rolados, decisões são tomadas sob pressão e nem sempre o resultado favorece os personagens. Ainda assim, o problema não está na falha em si, mas na forma como ela é apresentada. Quando uma falha vira piada constante ou humilhação, o envolvimento do jogador diminui. Por outro lado, quando ela é tratada com peso narrativo, a história ganha profundidade.

Nesse sentido, o objetivo não é proteger os personagens do erro, mas sim garantir que cada falha contribua para a narrativa de maneira significativa e respeitosa.

Descreva a falha como consequência, não como incompetência

Quando um personagem falha, a narrativa ganha muito mais força quando você enfatiza o contexto em vez de diminuir diretamente a capacidade dele. Em vez de dizer que o guerreiro “errou feio”, faz muito mais sentido mostrar que o adversário antecipou o movimento com precisão ou que o terreno, naquele momento, dificultou a ação de forma decisiva.

Dessa forma, o personagem continua sendo visto como competente, mesmo diante de um resultado negativo e, ao mesmo tempo, a história se aprofunda e mantém sua coerência.

Use o ambiente para justificar o resultado

O cenário pode, de maneira direta, enriquecer a falha e dar mais sentido ao que acontece em cena. Um arqueiro que erra o disparo, por exemplo, pode ser afetado por vento forte, iluminação precária ou até pelo movimento inesperado do alvo naquele instante. Dessa maneira, a falha se conecta ao mundo e deixa de parecer um erro isolado ou desconectado da narrativa.

Além disso, o ambiente passa a atuar ativamente na cena, contribuindo para o desenvolvimento da história e reforçando a sensação de um mundo vivo.

Transforme falhas em novas oportunidades

Uma falha não precisa encerrar uma ação; pelo contrário, ela pode abrir caminhos inesperados e interessantes. Quando o personagem tenta arrombar uma porta e falha, por exemplo, ele pode chamar a atenção de guardas próximos, o que imediatamente cria uma nova cena carregada de tensão.

Nesse contexto, o erro deixa de interromper o andamento e passa a impulsionar a história, permitindo que a narrativa siga em movimento em vez de travar.

Valorize o risco assumido pelo jogador

Quando um jogador toma uma decisão ousada, a falha não deve, em nenhum momento, apagar essa coragem. Pelo contrário, a narrativa se fortalece quando destaca a tentativa, mostrando com clareza que o personagem arriscou algo realmente importante naquele instante.

Dessa forma, o foco permanece na intenção por trás da ação e não apenas no resultado final, o que mantém o peso dramático e valoriza a escolha feita.

Evite humor que diminui o personagem

Embora o humor tenha seu espaço dentro da mesa, ele precisa ser usado com cuidado. Transformar toda falha em piada pode, com o tempo, quebrar o tom da campanha e afastar o jogador da experiência.

Por isso, o equilíbrio entre leveza e respeito deve ser mantido, garantindo que o humor complemente a narrativa em vez de enfraquecê-la.

Mostre consequências, não punições

Existe uma diferença clara entre consequência e punição. Enquanto a consequência surge naturalmente da narrativa, a punição costuma parecer arbitrária e desconectada. Se um personagem falha ao negociar, por exemplo, o preço pode aumentar ou a confiança pode diminuir.

Dessa maneira, o mundo reage de forma coerente e orgânica, sem transmitir a sensação de que o mestre está castigando o jogador.

Permita recuperação dentro da própria cena

Nem toda falha precisa ser definitiva. Em muitos casos, o personagem pode tentar se recuperar rapidamente dentro da própria situação. Um mago que perde o controle de um feitiço, por exemplo, pode redirecionar parte da energia, evitando um desastre maior.

Assim, a cena se mantém dinâmica, enquanto a frustração não se prolonga de forma desnecessária.

Conecte falhas ao desenvolvimento do personagem

Falhas podem, e devem, marcar o crescimento do personagem ao longo da campanha. Um erro cometido no início pode influenciar decisões futuras, criando um arco de aprendizado consistente e interessante.

Com isso, o erro deixa de ser isolado e passa a carregar significado contínuo dentro da narrativa.

Use falhas para revelar informações

Uma tentativa malsucedida não precisa resultar apenas em fracasso. Muitas vezes, ela pode revelar algo novo e relevante. Um teste social falho, por exemplo, pode expor uma mentira, um segredo ou até uma intenção oculta de um NPC.

Assim, mesmo sem sucesso direto, o jogador ainda recebe informação útil, o que mantém o engajamento ativo.

Dê peso emocional às derrotas importantes

Quando uma falha acontece em um momento crucial, ela precisa carregar impacto real e imediato. Uma derrota em combate, por exemplo, pode deixar marcas físicas e emocionais, além de transformar a maneira como o personagem passa a enxergar o mundo ao seu redor.

Nesse contexto, o drama ganha força, sustenta a narrativa e, ao mesmo tempo, constrói momentos verdadeiramente memoráveis dentro da campanha.

Conclusão

Falhas não encerram a narrativa; pelo contrário, elas sustentam uma parte essencial dela. Quando o mestre decide narrá-las com respeito, criatividade e intenção, ele transforma cada erro em uma oportunidade concreta de aprofundar a história e fortalecer a conexão com os personagens. Além disso, os jogadores passam a enxergar o risco como algo interessante e estimulante, em vez de tratá-lo como algo que precisa ser evitado a qualquer custo.

No fim das contas, campanhas memoráveis não surgem apenas de sucessos, mas também dos erros que moldam o caminho. E, quando o grupo trata essas falhas com o devido cuidado, elas deixam de gerar frustração e passam a marcar a mesa como alguns dos momentos mais intensos, envolventes e significativos da experiência.

PARA MAIS CONTEUDO DO MESTRE BROTHER BLUE


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais:

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!

Sair da versão mobile