Ausências online – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Continuando os textos sobre mestragem online, hoje falarei sobre como lidar com ausências em mesas online. Uma coisa importante a se diferenciar da mesa presencial para a mesa online, é sobre a quantidade de jogadores.

Enquanto no presencial o limite é quase inexistente, embora quanto mais grande um grupo mais difícil e complicada é a logística. No ambiente virtual, as mesas ideais são de quatro a cinco jogadores. Embora eu mesmo goste, e prefira, mestrar para seis jogadores.

Limites dos ambientes virtuais

Os ambientes virtuais possuem limitações sobre a quantidade de jogadores. Qualidade de conexão, de áudio e de navegador impossibilitam que muitas pessoas participem. Eu já cheguei a mestrar para 7 pessoas, mas a sessão ficou tumultuada e algumas pessoas não conseguiram participar minimamente. Com 6 pessoas todos conseguem participar, entretanto é comum haver sobreposições de fala e eu tive, muitas vezes, que adotar uma iniciativa de fala para que todos conseguissem falar, ouvir e serem ouvidos.

Assim, o número ideal de jogadores online é 4 ou 5 pois, todos conseguem falar e agir de maneira coerente. Aí vem o motivo de eu ter 6 jogadores nas minhas mesas, é que mesmo com uma melhor qualidade de sessão com menos jogadores do que isso, se 1 ou 2 jogadores faltarem, a sessão ainda pode ocorrer. Talvez, exceto em combate importantes.

Lidando com as ausências

Assim, vamos direto ao ponto. Uma quantidade de jogadores maior permite uma margem maior de ausências. Em minhas mesas há sessão se houver, no mínimo, 3 jogadores. Ou seja, tendo metade dos jogadores tem jogo. Se há a possibilidade de combate, que não seja um combate casual, o número ideal se torna 4. Entretanto, em combates vitais há a necessidade de se ter 5 ou 6 jogadores para que não se necessite fazer muitas alterações no combate ou este não ficar muito desbalanceado. 

Desta forma, já cancelei sessão que considerei existir poucos jogadores para o nível e dificuldade de combate esperado, mesmo tendo mais de 3 jogadores. E já rolei várias sessões com 3 ou 4 jogadores sem maiores problemas.

O problema era como realizar os combates para 4 personagens quando eram pensados, inicialmente, para 6. Uma das soluções que tentei em minhas mesas foi a de fazer regras de companheiros, me inspirando em Tormenta 20. Porém, em outros sistemas ficava difícil medir o quanto de bônus no acerto, no dano ou em resistências ficava forte ou fraco demais. Por isso abandonei a ideia e passei a adotar um equilíbrio mais fácil e prático.

Eu divido o número de adversários pelo número de personagens e, depois, retiro uma quantidade proporcional de adversários ao dos jogadores faltantes. Assim, se há 11 lobos para enfrentarem 6 personagens e dois faltaram, eu retiro 4 lobos e faço com que os personagens dos jogadores faltantes estejam em combate com esses quatro lobos.

Entretanto essa solução não é aplicável a chefões e inimigos mais poderosos. Portanto, adotei uma postura um pouco diferente. O chefão vai atacar o personagem faltante com alguma habilidade no seu primeiro turno (se possível) e “desmaiará” o personagem. Assim, acabo gastando um turno do chefão com um personagem que não morrerá na prática e permitindo aos demais estudarem o chefão e entenderem suas táticas.

Sei que, entretanto, alguns não apreciam essa maneira; com isso, sugiro que uma simples diminuição de defesa, ataque, dano ou vida seja suficiente para manter o encontro equilibrado.

Jogadores faltosos

Outra solução, mas agora para o off game: marcar as ausências dos jogadores. Cada jogador tem direito a 3 faltas justificadas e 3 injustificadas. Entretanto, 3 ausências justificadas contam como uma injustificada.

Ao se chegar ao limite de faltas, pergunto aos demais jogadores se querem manter o jogador faltante e se o desejo do grupo for mantê-lo na mesa, eu diminuo um nível ou algo equivalente para ser coerente e justo com a equipe e comigo mesmo.

E você, quais soluções tem para as ausências virtuais? Comentem aí.


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Festival das Lendas – Quimera de Aventuras

E aí pessoal, tranquilos? Nesta Quimera de Aventuras sobre as expansões de Hearthstone (jogo de cartas da Blizzard no universo de Warcraft) adentramos o ano do Lobo com a expansão Festival das Lendas.

Esta é uma expansão que saiu completamente do tema típico de Warcraft e da fantasia medieval clássica e traz, como tema, um festival de música envolvendo diversos estilos. Cada classe possui um estilo, tendo rock, folk, tecno, entre outros estilos.

Entre as mecânicas da expansão está o finale, armas que são instrumentos, lacaios solistas (que possuem efeitos somente quando não há outros lacaios em seu campo) e magias que mudam entre harmônicas e dissonantes. 

Quimera de Aventuras

O show de rock interminável

O grupo é enviado a uma vila que deveria ter entregue mantimentos a dois dias para a maior cidade da região. Quando chegam lá verificam que todos estão dormindo e os que estão acordados mal conseguem se alimentar.

Antes que façam perguntas, uma música passa a tocar pela vila, aparentemente de lugar algum, e todos que a ouvem começam a dançar por horas. Até que durmam por pura exaustão.

O grupo precisará descobrir a fonte dessa música (que será uma fada maliciosa) e convencê-la a abandonar essa ideia do show interminável antes que todos na vila morram, inclusive os aventureiros.

Música da morte

Um bardo (que secretamente é também um necromante) promete uma apresentação espetacular numa pequena vila. Entretanto, alguns de seus empregados levantam suspeitas dos aventureiros. Se nada fizerem, todos que estiverem assistindo ao show serão transformados em zumbis dançarinos.

Se quiserem impedir isso, o grupo deverá enfrentar a fúria do bardo necromante e seus serviçais.

A disputa musical

O grupo chega a uma feira onde além das tradicionais disputas de arco e flecha, quebra de braço, corrida, entre outras, há um grande festival musical onde cada banda disputa com sangue e suor os votos dos espectadores. A banda escolhida ganhará algum dinheiro, mas o principal será a visita de alguma divindade ou entidade poderosa que pode conceder certos desejos menores.

O problema é que a disputa é tão intensa que assassinatos, roubos e toda forma de eliminar concorrentes são utilizadas pelas bandas. E elas disputarão ativamente a atenção e votos do grupo e se este declarar apoio a alguma delas, será caçado pelas demais.

Outros

O grupo se depara com um artista que consegue tocar mais de uma dezena de instrumentos de uma vez só. O fato curioso faz com que as pessoas parem para assisti-lo e possam ser roubadas mais facilmente. Se confrontado dirá que não sabe de nada e, se o negócio apertar se teletransportará para fora da vista do grupo.

Se, mesmo assim, o grupo conseguir encurralá-lo, ele se mostrará um ótimo combatente, mesmo sendo um artista. A função dele aqui é ser o contato de uma guilda importante que o grupo precisa encontrar, seja para confrontá-los seja para requisitar seus serviços.


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Progresso Proibido – Gênese Zero #48

Após desvendarmos as “Fronteiras Invisíveis do seu Mundo”, explorando como a cultura e a superstição moldam paisagens e comportamentos, é natural que nossa jornada pelo worldbuilding nos leve a um território ainda mais intrigante: o da estagnação.

Assim como tabus e lendas podem demarcar zonas proibidas, o medo do passado, seja ele religioso, mágico ou traumático, tem o poder de congelar o progresso de uma sociedade, transformando o conhecimento em um artefato perigoso, um segredo a ser guardado ou uma relíquia a ser venerada. Este artigo se propõe a mergulhar nas profundezas dessas sociedades que, por razões diversas, recusam-se a avançar tecnologicamente, e como essa recusa molda seu presente e seu futuro.

A coerência na construção dessas civilizações com progresso proibido é crucial para que o mundo pareça vivo e autêntico, evitando que tais elementos pareçam forçados ou arbitrários. Vamos, portanto, explorar estratégias para surpreender e engajar o grupo, mantendo a lógica interna do mundo intacta, mesmo diante de um “progresso proibido” que desafia a razão aparente.

1. O Trauma da Catástrofe Tecnológica

Uma sociedade antiga alcançou grandeza tecnológica, mas uma catástrofe, que suas próprias invenções geraram, acabou destruindo-a. Talvez uma inteligência artificial se rebelou, ou uma arma de energia saiu de controle e reduziu cidades a cinzas. Desde então, o trauma se enraizou na cultura e faz todos enxergarem qualquer avanço como um presságio de destruição.

Poucos artefatos da era dourada sobreviveram; o povo os preserva em santuários e os trata como relíquias perigosas. Até a ideia de “progresso” agora causa horror. Dessa forma, a história se transformou em uma advertência: a ambição humana conduziu à ruína, e a sociedade aceitou a estagnação como a única forma de sobrevivência.

2. A Magia como Substituta e Barreira

Em mundos dominados pela magia, a sociedade tende a sufocar ou condenar o avanço tecnológico. Afinal, por que alguém criaria mecanismos complexos se um feitiço simples resolve a tarefa com mais rapidez e eficácia? Nessas culturas, armas e armaduras encantadas substituem a metalurgia, enquanto poções e rituais de cura suplantam a medicina.

Com o tempo, o povo relega o conhecimento tecnológico a um campo obscuro e o lembra apenas como uma curiosidade. A magia supre todas as necessidades, tornando invenções e estudos científicos redundantes. A sociedade vê a inovação tecnológica como uma fraqueza ou até como um desafio herético à ordem arcana, o que reforça a supremacia da magia sobre qualquer forma alternativa de progresso.

3. O Dogma Religioso Anti-Progresso

Uma religião dominante declara que o avanço tecnológico constitui blasfêmia, pois enxerga tal progresso como uma usurpação do poder divino ou uma ameaça à ordem natural. Textos sagrados anunciam a queda de civilizações que ousaram ultrapassar os limites que os deuses impuseram. Nesses contextos, as autoridades suprimem a inovação e perseguem os inventores como hereges. A fé serve de bússola, e a tradição dita a lei; a sociedade venera o antigo e teme o novo.

Dessa forma, a população permanece em estagnação deliberada, privilegiando a obediência cega em detrimento da curiosidade ou da busca por soluções originais.

4. O Conhecimento Escondido: A Elite Guardiã 

Em algumas sociedades, uma elite governante ou sacerdotal monopoliza o conhecimento tecnológico ou mágico avançado. Essa elite teme que a disseminação desse conhecimento ameace seu poder ou que a população comum não esteja preparada para lidar com suas implicações. Bibliotecas secretas e arquivos proibidos guardam os segredos do passado, e o acesso a eles restringe-se a poucos escolhidos.

A elite mantém a massa na ignorância e pune severamente qualquer tentativa de adquirir esse conhecimento proibido. Assim, o progresso torna-se uma ferramenta de controle, e a estagnação da maioria garante a estabilidade do poder.

5. A Corrupção do Conhecimento: Verdades Distorcidas

Os poucos que tentam resgatar o conhecimento original enfrentam a acusação de loucura ou heresia, pois suas descobertas contradizem as “verdades” estabelecidas. O conhecimento do passado não se perde, mas elites e tradições o corrompem e distorcem ao longo do tempo. As pessoas transformam lendas sobre máquinas voadoras em mitos sobre bestas aladas e interpretam a ciência da medicina como feitiçaria. Camadas de superstição e mal-entendidos obscurecem a verdade, e a população perde a capacidade de discernir o real do imaginário.

Poucos estudiosos tentam resgatar o conhecimento original, mas a sociedade os vê como loucos ou hereges, já que suas descobertas contradizem as “verdades” estabelecidas. Assim, os governantes usam a ignorância como forma de controle e aplicam a distorção da história como ferramenta para manter o status quo.

6. A Veneração do Antigo: O Culto à Tradição

Uma sociedade estagna quando venera em excesso o passado e a tradição. Seus membros consideram tudo o que é antigo perfeito e imutável, e tratam qualquer inovação como degradação ou afronta aos ancestrais. As comunidades seguem rituais e costumes à risca e vivem exatamente como há séculos. Elas preservam a tecnologia e o conhecimento do passado, mas não os compreendem nem os aplicam de novas maneiras.

Dessa forma, a sociedade enxerga o progresso como ameaça à identidade cultural e usa a estagnação como garantia de continuidade. As pessoas transformam sua cultura em um museu vivo, onde constantemente reencenam o passado e repetem o futuro como cópia do que já existiu.

7. O Medo do Desconhecido: A Aversão à Mudança 

Em alguns casos, um medo intrínseco do desconhecido e da mudança impulsiona a estagnação. A sociedade se torna tão confortável em sua rotina que enxerga qualquer alteração como uma ameaça à sua segurança e estabilidade. As pessoas rejeitam novas ideias e marginalizam os inovadores. A aversão ao risco supera o desejo de progresso, e a comunidade se fecha em si mesma, evitando qualquer contato com o mundo exterior que possa trazer novas influências.

Desse modo, o medo prende a sociedade ao passado, e a estagnação cria a ilusão de segurança.

8. A Escassez de Recursos: O Limite Físico

A escassez de recursos essenciais para o desenvolvimento tecnológico pode forçar uma sociedade à estagnação. A falta de minerais, energia ou mão de obra qualificada impede qualquer avanço significativo. Nesses casos, as comunidades vivem apenas com o que possuem e direcionam a inovação para otimizar o uso dos recursos existentes, em vez de buscar novas tecnologias. A sobrevivência ocupa o lugar de prioridade, e o progresso se torna um luxo inalcançável.

Assim, o ambiente limita a sociedade, e a estagnação surge como consequência inevitável da realidade física.

9. A Intervenção Externa: O Bloqueio do Progresso

Em determinados cenários, uma intervenção externa provoca a estagnação de uma sociedade. Uma civilização mais avançada frequentemente impõe restrições ao desenvolvimento tecnológico para manter o controle, evitar uma ameaça potencial ou preservar uma cultura que considera “primitiva”. Consequentemente, essas potências impedem ativamente o progresso e reprimem sistematicamente qualquer tentativa de inovação.

Dessa maneira, forças externas transformam a sociedade em uma colônia ou experimento, impondo-lhe a estagnação. Elas negam a liberdade de escolha e determinam um futuro que está além do alcance da sociedade intervencionada. Civilizações superiores aplicam restrições com o objetivo de manter a ordem, evitar riscos ou conservar tradições alheias.

Consequentemente, essas potências bloqueiam o progresso e sufocam qualquer inovação antes que ela possa florescer. Por fim, transformam a sociedade em objeto de controle, anulam sua autonomia e traçam seu destino conforme seus próprios interesses externos.

10. O Ciclo de Renascimento e Queda: A Natureza do Progresso

Em mundos mais complexos, é integrada pela estagnação uma dinâmica cíclica de ascensão e queda das civilizações. Além disso, o progresso costuma ser percebido pelas pessoas como uma etapa transitória, a qual é seguida por um período de declínio e esquecimento, antes que um novo renascimento seja vivenciado.

O conhecimento, por sua vez, é perdido e redescoberto pelas comunidades em ciclos sucessivos, sem que um estado de progresso contínuo seja efetivamente alcançado. Por conseguinte, a história é conduzida em espiral, sendo a estagnação considerada uma fase inevitável dentro desse processo. Dessa forma, o próprio universo é refletido pela sociedade, e o progresso acaba sendo interpretado apenas como uma ilusão passageira.

Conclusão

Criar sociedades estagnadas tecnologicamente é uma ferramenta poderosa para adicionar profundidade e complexidade ao seu mundo de RPG. Não se trata apenas de limitar o acesso a certas tecnologias, mas de explorar as razões profundas por trás dessa estagnação: o medo do passado, a influência da religião, a manipulação do conhecimento, ou a simples aversão à mudança. Ao invés de simplesmente dizer que uma sociedade não tem tecnologia avançada, mostre por que ela não a tem, quais são as crenças e os eventos históricos que a levaram a esse ponto. Ao fazer isso, você transforma a estagnação em um elemento narrativo rico, que molda o comportamento social, as crenças e os conflitos, tornando seu mundo mais crível e envolvente. Lembre-se, o “progresso proibido” não é uma falha de design, mas uma oportunidade para explorar as nuances da condição humana e as complexidades da civilização em seu cenário de fantasia.

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KPop Demon Hunters – Quimera de Aventuras

Neste Quimera de Aventuras, vamos falar sobre o KPop Demon Hunters, um filme de fantásia produzido pela Sony e lançado pela Netflix. Dirigido por Maggie Kang e Chris Appelhans e que contém com um grande elenco de vozes de séries sul-coreanas.

Elas vão mostrar como é feito.

Sobre o Filme

Há muito tempo, demônios caçavam os humanos. Mas em certo momento, um trio de mulheres se tornaram caçadoras de demônios e selaram os demônios em uma barreira mágica chamada Honmoon. Pelas gerações, um novo trio surge para manter o Honmoon selando os demônios longos, até chegar ao Honmoon Dourado, que baniria para sempre os demônios.

O grupo contemporâneo, as Huntr/x, composta por Rumi, Mira e Zoey, se preparam para a sua última apresentação antes de finalizaram o Honmoon Dourado, até que uma boy band conhecida com os Saja Boys aparece e roubam os fãs das Huntr/x.

Vão ser falsos assim na casa do chapéu.

Nossa Visão sobre o Filme (contém spoilers!)

KPop Demon Hunters ou Guerreiras do KPop aqui no Brasil é um filme que, a principio, não me deixou animado para ver. Um dos motivos era o tema, não sou exatamente o maior fã de K-Pop do mundo e acreditava que seria mais lotado de referências do que é, e o outro é acreditar que era um filme “rip off” da banda KD/A, porque muitas coisas que eu via no filme me lembravam a banda da Riot Games.

Como foi bom descobrir que eu estava completamente enganado. Guerreiras do KPop é um filme divertido, leve, que não faz questão de se levar a sério e por isso bate mais forte quando ele fala sobre temas reais, como aceitação, expectativas que os outros colocam em você e que você põe em si mesmo.

Apesar das músicas serem legais, e o carisma dos personagens, o que mais me deixou animado foi a história que faz os personagens serem complexos, apesar de ainda ter um inimigo claro. O erro que muitas produções cometem é criar um antagonista moralmente ambíguo, é acabar deixando os protagonistas desinteressantes. Mas em Guerreiras do KPop não há uma dúvida de que o inimigo é, sim, maligno. Porém nem sempre as coisas são tão simples assim.

Sequências já estão confirmadas, e eu fico muito interessado em descobrir o que mais vão explorar desse universo.

O filme dá a liberdade de ter grupos de caçadoras de demônios em qualquer época!

Quimera de Aventuras

Nessa seção, vamos dar ideias para mesas usando o filme como referência!

Cenários e Sistemas

A nossa colaboradora Senhora Magia fez um ótimo trabalho em uma matéria de como jogar KPop Demon Hunters no jogo Encantos, que você pode conferir aqui. Em outros jogos e cenários, qualquer cenário urbano pode servir para rodar uma mesa inspirada em KPop Demon Hunters. Mudando os demônios para Vampiros, talvez seja possível até rodar ela em uma mesa de Vampiro A Máscara ou Mundo das Trevas.

Para algo mais “super herói”, Mutantes & Malfeitores, 3DeT e outros sistemas mais exagerados talvez sirvam bem, em cenários de fantasia pode ser um grupo de aventureiros com o mesmo objetivo.

É muito difícil não imaginar as Destiny’s Child como caçadoras de demônios.

Ganchos de Aventura

A maioria dos ganchos de aventura baseados em Guerreiros do KPop envolve questões pessoais das artistas, seja autoimagem, bulimia, problemas internos como inveja, ciúmes, etc… A conexão do grupo e confiança entre as meninas é o mais importante, já que é a principal mensagem do filme.

Porém, o filme pode se passar em diversos períodos históricos diferentes, e diferentes estilos de música diferentes! Alguns exemplos abaixo:


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Texto: Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.

Quando o Vilão Vira Aliado – Aprendiz de Mestre

No universo do RPG, somos constantemente desafiados a criar narrativas que cativem e surpreendam. Recentemente, refletimos sobre a importância de aprender com as sessões que não fluem tão bem, transformando falhas em oportunidades de crescimento. Essa capacidade de adaptação e aprendizado é crucial não apenas para o mestre, mas também para o próprio tecido da história que se desenrola à mesa. Afinal, assim como uma sessão pode tomar rumos inesperados, os personagens e suas lealdades também podem se transformar de maneiras que desafiam as expectativas iniciais. É nesse ponto que a arte de narrar mudanças de lado com coerência se torna uma ferramenta poderosa, permitindo que traições, redenções ou alianças inesperadas surjam de forma orgânica, sem parecerem forçadas. Como mestres, somos os arquitetos dessas reviravoltas, e a habilidade de orquestrá-las com maestria pode elevar uma campanha de boa a inesquecível. Este artigo explora as nuances de quando o vilão vira aliado, oferecendo dicas para surpreender e engajar o grupo sem perder a lógica do mundo, seja por cansaço, ritmo arrastado ou conflitos em jogo.

A Semente da Dúvida: O Início da Transformação

Para que uma mudança de lado pareça crível, o mestre precisa plantá-la com antecedência e cuidado.

Afinal, um vilão não se transforma em aliado da noite para o dia sem um motivo sólido. É necessário inserir a semente da dúvida de forma sutil, por meio de pequenos gestos, informações conflitantes ou dilemas morais que desafiem as convicções do personagem. Por exemplo, um necromante inicialmente apresentado como uma ameaça implacável pode hesitar ao sacrificar inocentes durante seus rituais. Já um tirano, tido como cruel e impenetrável, pode ser flagrado em um momento de fragilidade, revelando uma motivação mais profunda e complexa do que a simples busca por poder.

Além disso, essa construção gradual oferece aos jogadores a chance de notar nuances e especular sobre possíveis reviravoltas. O próprio personagem, aos poucos, passa a se confrontar com as contradições internas, o que torna a virada mais natural e impactante. Portanto, quando o momento da mudança finalmente chegar, ele parecerá coerente com a jornada trilhada até ali, e não apenas uma surpresa conveniente para a trama.

Motivações Complexas: Além do Bem e do Mal

Vilões unidimensionais costumam ser fáceis de odiar, mas quase impossíveis de redimir. Para torná-los mais interessantes, ofereça motivações que vão além da simples sede por poder ou desejo de destruição. Em vez disso, talvez ele lute por uma causa que, embora nobre em essência, se perca em métodos questionáveis. Alternativamente, ele pode ter sido manipulado por uma força maior, o que transforma sua “vilania” em mera fachada para algo mais profundo.

Por exemplo, considere um antagonista que busca poder apenas para proteger aqueles que ama, mesmo que, para isso, precise oprimir outros. Ao revelar essa motivação, você inevitavelmente transforma a percepção que os jogadores têm sobre ele. Isso não só aprofunda o personagem, mas também convida o grupo a refletir sobre moralidade, justiça e consequências. Portanto, ao criar um vilão com camadas, você abre espaço para possíveis redenções, alianças inesperadas e conflitos emocionais genuínos na sua campanha.

O Ponto de Ruptura: O Gatilho da Mudança

Todo arco de personagem exige um ponto de ruptura  um momento decisivo que impulsiona a mudança. Para um vilão que muda de lado, esse ponto pode surgir por meio de uma traição interna, como ser abandonado por seus aliados, ou ainda pelo colapso de um plano que o obriga a reavaliar suas crenças. Além disso, um ato inesperado de compaixão vindo dos heróis pode funcionar como catalisador.

Por exemplo, imagine um assassino de aluguel que recebe a missão de eliminar uma criança inocente. Ao se recusar, ele não apenas desobedece, mas também se torna o novo alvo da própria guilda. Esse tipo de virada não apenas marca o início de uma transformação, como também precisa carregar um peso emocional significativo. Portanto, certifique-se de que esse momento seja forte o bastante para redefinir a trajetória do personagem e gerar impacto tanto na narrativa quanto nos demais jogadores.

Consequências e Sacrifícios: O Preço da Redenção

A mudança de lado nunca vem sem consequências. O personagem precisa enfrentar as repercussões de suas escolhas anteriores ou da nova aliança que assume. Por isso, é essencial que ele pague um preço, seja por meio da perda de poder, da perseguição por antigos aliados, ou até mesmo por meio de sacrifícios pessoais difíceis.

Por exemplo, um ex-líder de culto que decide trair sua seita pode ser forçado a viver nas sombras, fugindo constantemente daqueles que um dia o veneraram. Além disso, ele talvez precise abandonar tudo o que conhecia, incluindo entes queridos ou crenças profundas. Esses custos reforçam a seriedade da mudança e, consequentemente, validam sua trajetória. Assim, os jogadores percebem que a redenção tem um peso real, o que torna a transição muito mais significativa e impactante dentro da história.

A Prova de Fogo: Conquistando a Confiança

Mesmo após a mudança de lado, o grupo não oferece confiança imediata. O ex-vilão precisa conquistá-la por meio de atitudes concretas e significativas. Para isso, ele pode revelar informações cruciais, arriscar-se ao lado dos heróis durante um confronto intenso ou até mesmo se sacrificar por eles em um momento decisivo.

Por exemplo, um antigo espião que agora apoia o grupo talvez precise usar suas habilidades para desvendar uma conspiração que ameaça a todos. Nesse processo, ele coloca a própria vida em risco, não por obrigação, mas por escolha. Essa fase de provação, portanto, se torna essencial para que os jogadores aceitem a nova aliança de forma natural. Além disso, reforça o impacto emocional e narrativo da transformação do personagem, aprofundando os laços de confiança de maneira orgânica.

A Reação do Grupo: Gerenciando Expectativas

A maneira como os jogadores reagem à mudança de lado é tão relevante quanto a transformação do personagem. Naturalmente, você deve se preparar para ceticismo, desconfiança e até hostilidade por parte do grupo.

Portanto, ofereça espaço para que os jogadores expressem suas preocupações e inseguranças. Deixe que o personagem conquiste sua aceitação gradualmente, por meio de ações e interações significativas. Forçar uma integração instantânea, por outro lado, enfraquece a narrativa. A confiança, nesse contexto, precisa ser merecida.

Por exemplo, se um paladino faz parte do grupo, talvez ele enfrente sérias dificuldades para aceitar um ex-demônio como aliado. Essa tensão deve ser usada a favor da história, criando cenas cheias de dilemas morais, crescimento emocional e aprofundamento dos laços, ou rupturas inesperadas. Com isso, o drama ganha força e a história, mais densidade.

O Passado Assombra: Lidando com as Sombras

O passado de um vilão redimido nunca desaparece por completo. Mesmo após sua mudança, ele continua sendo assombrado por erros cometidos, pelas vítimas que causou dor ou por antigos inimigos que agora buscam vingança. Em vez de ignorar essa bagagem, aproveite-a para enriquecer a história.

Assim, essas sombras podem gerar ganchos valiosos para novas aventuras, além de aprofundar o desenvolvimento do personagem. Imagine um ex-general responsável por campanhas devastadoras em tempos de guerra. Certamente, ele acabará enfrentando sobreviventes que ainda carregam cicatrizes, físicas ou emocionais, de suas ações.

Dessa forma, cada reencontro com o passado se transforma em uma oportunidade narrativa. O personagem pode se redimir um pouco mais, enfrentar dilemas morais inesperados ou até ver seus atos antigos inspirando novas ameaças. O passado, afinal, não precisa ser apenas um fardo: pode se tornar o motor que impulsiona a nova jornada do personagem, e do grupo.

Novas Habilidades, Novos Desafios: Integrando o Personagem

Com a mudança de lado, o personagem não chega de mãos vazias. Ele traz consigo habilidades e conhecimentos únicos, que podem enriquecer significativamente as capacidades do grupo. No entanto, essas vantagens quase sempre vêm acompanhadas de novos desafios, e isso é justamente o que torna a narrativa mais interessante.

Por exemplo, um mago negro que agora luta ao lado dos heróis talvez domine magias poderosas e rituais esquecidos. Contudo, ele também pode enfrentar tentações constantes de usar esses antigos poderes de maneira questionável. E, além disso, o grupo pode não se sentir totalmente confortável com o tipo de magia que ele carrega.

Portanto, a integração desse novo aliado exige mais do que aceitar suas habilidades. É necessário estabelecer limites, explorar conflitos éticos e permitir que os outros jogadores reajam de forma orgânica. Assim, o equilíbrio do grupo se constrói com base no diálogo e na confiança gradual, o que fortalece tanto a mecânica de jogo quanto a profundidade narrativa.

A Coerência do Mundo: Sem Quebrar a Lógica

Interna Todas as mudanças de lado devem ser coerentes com a lógica interna do mundo. Se o mundo é rigidamente dividido entre bem e mal, uma redenção pode ser mais difícil de justificar. Se o mundo é mais cinzento, as transições podem ser mais fluidas. A história do mundo e as crenças de seus habitantes devem ser consideradas ao planejar essas reviravoltas. Uma sociedade teocrática que condena a magia negra pode ter dificuldade em aceitar um ex-praticante, mesmo que ele tenha mudado de lado.

O Legado da Mudança: Impacto a Longo Prazo

A mudança de lado de um personagem deve ter um impacto duradouro na narrativa e no mundo. Isso pode levar a novas alianças, a novas ameaças, ou a uma redefinição do que significa ser herói ou vilão. O legado dessa transformação pode ser explorado em futuras campanhas, mostrando como as ações de um único personagem podem reverberar por todo o cenário. A redenção de um vilão pode inspirar outros a questionar suas próprias lealdades, ou pode criar um novo inimigo ainda mais perigoso.

Conclusão

Narrar mudanças de lado com coerência é uma das ferramentas mais potentes à disposição de um mestre de RPG. Não se trata apenas de surpreender os jogadores, mas de enriquecer a narrativa, aprofundar os personagens e desafiar as percepções de bem e mal. Ao semear a dúvida, construir motivações complexas, criar pontos de ruptura impactantes e explorar as consequências e sacrifícios, é possível tecer reviravoltas que não apenas engajam, mas também ressoam com a lógica interna do mundo e com a jornada emocional dos personagens. Lembre-se, o objetivo não é forçar uma virada, mas permitir que ela floresça organicamente, transformando o vilão de ontem no aliado inesperado de amanhã, e vice-versa. A arte reside em fazer com que cada passo dessa jornada seja tão crível quanto emocionante, deixando uma marca indelével na memória de todos à mesa.

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Ascensão do Lich Rei – Quimera de Aventuras

E aí pessoal, tranquilos? Seguindo com mais uma Quimera de Aventuras sobre as expansões de Hearthstone (jogo de cartas da Blizzard no universo de Warcraft). Hoje falaremos da terceira expansão do ano da Hidra, a qual trouxe uma das mais aguardas classes do Warcraft: o Cavaleiro da Morte.

A Ascensão do Lich Rei traz o Cavaleiro da Morte para Hearthstone, bem como um novo tipo de lacaio, o Morto-Vivo e lacaios de tipo duplo. Isso aumentou muito a forma de se jogar Hearthstone e, ao contrário do que houve quando lançaram o Caçador de Demônios, o Cavaleiro da Morte veio adequadamente balanceado ao jogo. Precisando apenas de alguns poucos buffs.

Entretanto, estamos falando de RPG e vou trazer algumas sementes de aventura além da óbvia e clara proposta de uma horda de mortos-vivos avançando contra vilas e cidades. Vamos às ideias:

Quimera de Aventuras

Foice Devoradora de Almas

Essa arma lendária aprisiona todas as criaturas que foram mortas por ela. Suas almas servindo de “combustível” para seu poder. Entretanto, os personagens não estão em busca de tal arma pelo poder dela, mas sim para resgatar uma alma dentre as muitas que fazem parte dela.

Para isso a terão que roubar de seu portador, um celestial morto-vivo, e depois descobrir e realizar o ritual para desvincular a alma certa da arma.

Procissão das aranhas

Esta aqui é uma variação da clássica horda de mortos-vivos marchando dos ermos rumo à civilização e destruindo tudo por onde passa. Aqui são aranhas, de todos os tipos, desde pequenas e quase inofensivas até criaturas sencientes ou planares. Todas rumando a um local sagrado (pode ser que dedicado a Lolth) que está localizado bem abaixo de uma grande capital.

Caos Arcano

Dois magos estudiosos resolveram colocar em prática seus estudos acadêmicos antagônicos. Entretanto, o confronto saiu do controle e efeitos mágicos poderosos e caóticos se espalharam pela cidade, trazendo caos e destruição.

Além de terem que salvar inocentes, os aventureiros terão que capturar os magos, que fugiram logo depois que as coisas saíram de controle.

O Cientista Morto-vivo

O cientista e pesquisador Thadios, mais conhecido como Professor Putricida, começou a vender poções poderosas. Um rival, suspeitando da repentina sorte do Professor, pede ao grupo que o investigue. Isso necessita que o grupo entre em seu laboratório, o que os fará confrontar um enorme e poderoso golem de carne e ferro.

Se vencerem o golem, podem descobrir muitos corpos num dos aposentos e que esses corpos fazem parte da receita das poções…

Senhor do Tempo

Quando o grupo adentra uma cidade, percebe que tudo e todos sumiram. Exceto um poderoso dragão que dorme no centro da mesma. O dragão deve ser muito mais poderoso que o grupo e deve ser convencido a interromper seu poder de suspensão temporal e trazer as pessoas de volta para a cidade. Entretanto, ele alega que alguém da cidade roubou um tesouro muito importante emocionalmente para ele e que toda a cidade protegeu o suposto ladrão.


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Missão para Brazil’s Struggle, o RPG – Tudo menos D&D #17

A partir desse mês, essa coluna irá propor aventuras para meu RPG autoral, o Brazil’s Struggle, disponível num preço camarada aqui. No caso específico do Brazil’s Struggle, as aventuras são chamadas de “missões”, dada a natureza do tema do jogo. Deve-se notar que o jogo se passa num Brasil distópico (dá o “z” ao invés do “s”) e, ainda que inspiradas por momentos reais, nomes de pessoas, locais e situações parecidas são mera coincidência.

MISSÃO: CERIMÔNIA DE POSSE

Contexto

O governador Teodoro Sucupira Jr. foi reeleito pela terceira vez. Órgãos de transparência da comunidade internacional apontam fraudes que vão de votos de eleitores já falecidos a ameaças e compra de votos. Nada disso estraga a festa da posse que está planejada para a próxima segunda-feira. Os telejornais e portais de notícias mostram fotos alegres do governador com sua esposa, 45 anos mais nova, a supermodelo ucraniana Ekaterina Gurchkin, e seu vice-governador, o senil Coronel Andrada Fontes.

A célula está reunida no seu típico esconderijo (os jogadores podem escolher um local simples, como a casa herdade de algum parente ou prédio abandonado) enquanto recebem ordens da Mesa Central (caso sejam a Mesa Central, a Missão foi escolhida, pois o governador é uma presença política e econômica a qual age ativamente contra o Movimento Revolucionário).

Tal mensagem da Mesa Central pode ser uma mensagem criptografada através da DeepWeb, uma carta de mala postal ou uma gravação em tecnologia retro, a exemplo de fita cassete. O conteúdo esclarece que é necessária a eliminação do governador para afetar o status quo nesse estado do Brazil.

Os revolucionários tem cinco dias até a posse, sabendo que a mesma se dará no Palácio Itatinga, sede do governo estadual. Assim os revolucionários entram na etapa de Pré-Missão, na qual suas atitudes podem englobar:

  • Descobrir a planta do palácio;
  • Conhecer o sistema de CFTV (Circuito Fechado de Televisão, o clássico monitoramento por câmeras, recebido por uma empresa terceirizada em outro prédio, ou ainda numa sala segura local);
  • Planejar formas variadas de eliminar o alvo (envenenamento, tiro, garrote…);
  • Disfarces para se infiltrar na festa da posse;
  • Contatar aliados fora do Movimento Revolucionário;
  • Rotas possíveis de fuga.

Personagens do Narrador

Note que o mestre terá oportunidade de usar personagens do convívio dos personagens jogadores, de rivais de outras células até ajudantes que concordam com a luta revolucionária, mas não querem integrar o Movimento. A seguir vou explicitar alguns personagens para que você narrador possa usar, caso os jogadores não tenham criado indivíduos que sejam relevantes para essa missão:

  • Dona Cleide, uma senhora preta, de cabelos grisalhos, entrando na terceira idade, é uma copeira de longa data do palácio do governo. Querida por todos os funcionários, realiza seus serviços com alegria, cantarolando músicas gospel. Entretanto, ela esconde uma forte amargura e desprezo pelas autoridades por ter tido um filho que foi preso como traficante só por morar em área de comunidade. Ela pode ser um contato para permitir a entrada de revolucionários pela cozinha, bem como explicar sobre as principais entradas e corredores do palácio;
  • Paulo Ventura, homem de meia idade calvo e pardo, na casa dos 40 anos, é o típico pai de família brasileiro, que luta para levar o pão de cada dia. Há alguns anos conseguiu um posto de trabalho estável, com carteira assinada na empresa de segurança que dá apoio à polícia estadual, a qual é responsável pela guarda do palácio do governo. Porém, recentemente, Ventura está taciturno e reativo, pois sua avó faleceu num hospital gerenciado pelo governo de Sucupira Jr. Ventura culpa o governador diretamente pelo ocorrido, e é capaz de fazer vista grossa para conseguir qualquer tipo de vingança;
  • Borges, um jovem de cabelos sebosos e roupa social amarrotada, é um ávido simpatizante da causa revolucionária. Através das redes sociais conheceu as ações do Movimento Revolucionário, e, apesar da pesada propaganda do Leviatã, entendeu os motivos da revolta. Através da área de Tecnologia da Informação do palácio do governo pode ajudar os personagens jogadores acerca da agenda interna do evento de posse.

Hora da Ação

Com os preparativos que foram possíveis fazer nos dias anteriores cabe aos revolucionários colocar os planos em ação na Missão em Si, na qual recomendo:

  • Coloque dificuldades pontuais e imprevistos, a exemplo do governador não estar sozinho no banheiro VIP;
  • Incentive formas criativas de colocar os planos na prática, personagens não jogadores também cometem erros, deixam de conferir credenciais, etc.;
  • Nao deixe o clima do local fácil, enfatize segurança armada, câmeras e outras complicações;
  • O mundo continua girando, mesmo quando os personagens jogadores não estão olhando. Assim personagens se movem entre salas, deixando-as vazias ou de repente juntando algumas pessoas em banheiros ou corredores;
  • Se houverem personagens esperando problemas, faça surgir problemas – não custa muito deixar rolar uns disparos.

Pós Missão

Agora, de volta à casa segura, a célula pode respirar fundo e o narrador pode desenvolver a partir das consequências do que deu certo e o que deu errado na Missão em Si, agora na etapa de Pós Missão:

  • Pessoas se feriram? (Além do Sucupira Jr., é claro) Narre os feridos tendo sido levados a hospitais, com ferimentos graves ou até óbitos;
  • De que forma políticos alinhados com o Leviatã capitalizaram o atentado ao governador reeleito?
  • Personagens jogadores se machucaram? Precisam de ajuda médica?
  • A Mesa Central entra em contato para receber um relatório detalhado?
  • Os personagens jogadores foram comprometidos? Seguranças podem fazer retratos falados ou fornecer dvd’s de gravação dos revolucionários nos corredores do palácio?
  • Distribua Pontos de Revolução de acordo com as ações que os personagens jogadores tomaram no decorrer da Missão em Si.

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Fronteiras Invisíveis do seu Mundo – Gênese Zero #47

Após aprofundarmos nossa compreensão sobre a complexidade das “Religiões sem Deuses”, explorando como sistemas de crença podem moldar sociedades sem a necessidade de divindades antropomórficas, é imperativo que voltemos nosso olhar para outro pilar fundamental do worldbuilding: as fronteiras invisíveis que definem o espaço e o comportamento em um mundo. Assim como a fé pode guiar ou restringir, a cultura e a superstição erguem barreiras tão impenetráveis quanto montanhas ou oceanos, delineando zonas proibidas, malditas ou sagradas onde ninguém ousa pisar.

Este artigo se propõe a desvendar a arte de criar essas regiões evitadas por razões culturais e mitológicas, e como sua existência afeta não apenas o mapa físico, mas também a psique coletiva e o comportamento social dos habitantes. A coerência na construção dessas “zonas de exclusão” é crucial para que o mundo pareça vivo e autêntico, evitando que tais elementos pareçam forçados ou arbitrários. Vamos, portanto, explorar estratégias para surpreender e engajar o grupo, mantendo a lógica interna do mundo intacta, mesmo diante de tabus e tradições que desafiam a razão aparente.

1. O Tabu da Origem: Lugares Onde a Criação se Corrompeu

Imagine um local onde, segundo a mitologia, a própria criação do mundo foi marcada por um erro primordial, um ato de traição cósmica ou uma maldição ancestral que nunca se apagou por completo. Apesar de fisicamente acessível, esse lugar carrega um estigma tão profundo que as pessoas evitam até mencionar seu nome. Afinal, muitos acreditam que a corrupção original ainda habita suas entranhas.

Por exemplo, considere uma floresta antiga onde os primeiros deuses, segundo as lendas, travaram uma batalha tão violenta que rachou o próprio tecido do cosmos. Desde então, a terra nesse local pulsa com discórdia. Árvores crescem tortas como se tivessem testemunhado horrores indescritíveis, e o ar vibra com tensão.

A entrada nesse território permanece estritamente proibida. Aqueles que ousam cruzar seus limites desafiam não apenas o medo popular, mas um tabu que molda gerações. Os habitantes locais enxergam esses transgressores como portadores de desgraça. Além disso, os anciãos perpetuam o temor ao recontar a história, sempre com novos detalhes sombrios, garantindo que o medo nunca se apague completamente.

2. A Terra Amaldiçoada: Onde a Tragédia Deixou sua Marca

Alguns lugares guardam cicatrizes de pragas, guerras ou rituais que terminaram em desastre. Esses eventos marcaram a história e o solo, visto como amaldiçoado. Muitos acreditam que apenas estar ali atrai infortúnios.

Por exemplo, uma cidade dizimada por uma doença misteriosa permanece em ruínas silenciosas, lembrando a fragilidade da vida. Lendas afirmam que os ventos entre as construções quebradas carregam sussurros de vozes antigas.

Poucos ousam atravessar seus limites, relatando visões perturbadoras e sombras sem origem. Esses testemunhos reforçam a crença de que o lugar é assombrado, perpetuando a memória do horror.

3. O Santuário Profano: Onde o Sagrado Foi Violado

Ao contrário dos locais amaldiçoados por tragédias, alguns lugares nasceram sagrados, mas foram corrompidos por atos de maldade. Templos que irradiavam devoção passaram a exalar temor após sua profanação. Por exemplo, imagine um santuário dedicado a uma divindade benevolente, depois tomado por um ritual sombrio que maculou seu altar.

Desde o ocorrido, os sacerdotes o abandonaram. Suas colunas foram cobertas por vegetação, e os viajantes evitam a área, não por medo de maldição, mas por respeito à sua queda. O templo virou símbolo de luto espiritual. Sua história é contada em cânticos murmurados nas vilas vizinhas.

Assim, o medo não vem do sobrenatural, mas do arrependimento. Ele lembra que até o sagrado pode ser destruído, e que algumas cicatrizes, mesmo invisíveis, permanecem.

4. A Zona de Quarentena Cultural: Onde o Diferente é Perigoso

Algumas fronteiras não surgem por forças sobrenaturais, mas sim por divisões culturais profundas. Certas regiões tornam-se interditadas não por maldições, mas por tabus e preconceitos. Por exemplo, um deserto onde nômades praticam sacrifícios pode causar repulsa em vizinhos agrícolas, cuja fé condena o sangue derramado. Assim, forma-se uma barreira invisível, mas intransponível.

A ausência de diálogo aprofunda esse abismo. O desconhecimento gera distorções, e o medo transforma rituais simbólicos em ameaças. Autoridades religiosas ou políticas reforçam a separação, tornando o contato moralmente errado.

Essas barreiras moldam o mundo de forma sutil e poderosa. Elas impedem trocas, alianças e perpetuam rivalidades. Em campanhas de RPG, explorar tais divisões oferece dilemas éticos, revelações e chances de reconciliação, ou de conflito.

5. O Labirinto da Loucura: Onde a Realidade se Distorce

Em mundos de fantasia, a realidade nem sempre permanece estável. Alguns lugares são evitados não pelo perigo físico, mas porque ameaçam a sanidade de quem os atravessa. Nessas regiões, as leis naturais se distorcem e o pensamento racional começa a ruir.

Uma floresta ancestral, por exemplo, pode conter árvores que sussurram segredos esquecidos, capazes de invadir a mente dos mais resistentes. As sombras ganham vida, e o tempo flui de forma incerta, um passo pode durar uma hora ou um ano.

Aqueles que retornam raramente o fazem ilesos. Muitos voltam mudos, perturbados ou incapazes de distinguir sonho de realidade. Suas memórias, fragmentadas, viram lendas sussurradas, sempre acompanhadas de alertas.

Esses locais desafiadores oferecem aos mestres e escritores uma ferramenta poderosa. Servem como testes extremos para os corpos e mentes dos personagens, além de levantarem questões sobre a realidade e seus limites, temas ideais para o centro de uma saga ou campanha.

6. O Limiar dos Espíritos: Onde os Mortos Residem

Em muitas culturas, certos lugares marcam o limite entre o mundo dos vivos e dos mortos. Cemitérios antigos, campos de batalha esquecidos e cavernas sagradas costumam ser vistos como domínios espirituais. Por isso, sua entrada costuma ser proibida, para evitar a ira dos antepassados ou a perturbação dos mortos.

Por exemplo, um pântano coberto por névoas eternas pode ser evitado por viajantes, pois, segundo as lendas, os espíritos dos guerreiros caídos ainda vagam por ali. Cruzar a área sem reverência é visto como um convite à morte.

Além disso, ritos de proteção e oferendas reforçam o tabu. Essas práticas expressam um respeito profundo por tradições antigas. Assim, a reverência aos mortos molda a relação com o espaço, mantendo regiões sagradas preservadas.

Esses lugares evitam o esquecimento e alimentam o imaginário com histórias e mistérios que servem como base para grandes narrativas.

7. A Terra Proibida: Onde o Poder é Demais

Alguns lugares não inspiram medo, mas sim respeito profundo pelo poder que guardam. O perigo, nesses casos, não surge de ameaças imediatas, mas da ambição de quem ousa se aproximar. Por isso, muitas culturas impõem restrições severas a regiões onde o poder supera a compreensão humana.

Uma montanha, por exemplo, pode abrigar um dragão ancestral adormecido. A criatura não representa uma ameaça direta, mas todos evitam o local para não acordá-la. Da mesma forma, uma ruína selada por magia pode conter um artefato de poder descomunal. Guardiões mantêm o local inacessível para impedir que forças adormecidas sejam libertadas.

Existem também vales onde a magia flui de modo caótico. Nesses lugares, a realidade se comporta de forma instável. Portais surgem sem aviso, criaturas aparecem do nada e feitiços reagem de modo imprevisível. Por isso, a entrada é proibida, não por superstição, mas por precaução.

Um exemplo clássico é uma torre cercada de lendas sobre magos que desapareceram ao manipular forças proibidas. Embora o tempo tenha passado, os selos mágicos continuam reforçados. Assim, o respeito ao poder molda o mundo, as tradições e as defesas coletivas.

8. O Refúgio dos Proscritos: Onde a Sociedade Não Alcança

Paradoxalmente, certas regiões tornam-se tabu não por forças místicas, mas por abrigarem os rejeitados da sociedade. Essas zonas de exclusão surgem como resultado direto da marginalização. Uma floresta onde bandidos e exilados se escondem transforma-se em um labirinto de emboscadas e regras próprias. Quem entra deve lidar com códigos impostos pelos habitantes, não pelas leis civis.

De forma semelhante, uma ilha dominada por piratas pode prosperar longe da autoridade, criando seu próprio sistema de lealdade e comércio. Para os povos do continente, ela representa caos e desordem. A simples menção do nome causa temor, não por maldição, mas porque ali o controle desaparece.

Além disso, túneis subterrâneos sob grandes cidades abrigam guildas de ladrões, mercadores de informação e facções secretas. Quem se aventura por esses caminhos corre o risco de não retornar. O medo do desconhecido, aliado à ausência de controle institucional, reforça o isolamento desses refúgios.

Assim, o tabu surge da ameaça concreta de violência e anarquia. Ao evitar tais lugares, a sociedade tenta se afastar não de monstros, mas da face sombria de si mesma.

9. O Vazio Esquecido: Onde a Memória se Perdeu

Certas regiões causam inquietação, não por maldições ou lendas ativas, mas porque foram excluídas da memória coletiva. Ninguém fala delas. Ninguém as nomeia. O esquecimento age como uma muralha mais sólida que pedra ou ferro. Imagine uma cidade que desapareceu dos mapas, livros e conversas. Quando alguém tenta mencioná-la, recebe apenas olhares vazios, como se as palavras não tivessem sentido.

Além disso, vales inteiros onde civilizações sumiram sem deixar ruínas compreensíveis alimentam esse silêncio. Viajantes que os exploram retornam confusos, incapazes de descrever o que viram ou sentindo que algo além da compreensão humana foi testemunhado. A ausência de marcos históricos e o silêncio ancestral sugerem que algo terrível ocorreu, algo esquecido para proteger a sanidade coletiva.

Por outro lado, algumas ruínas permanecem visíveis, marcadas por horrores tão profundos que a verdade foi suprimida. Autoridades as cercam com proibições, rotulando-as como perigosas, sem maiores explicações. Ao investigar, descobre-se que a barreira real não são patrulhas ou cercas, mas a sensação opressiva de ausência, de uma história apagada intencionalmente.

Assim, o esquecimento se torna a última forma de proteção. Não há monstros ou maldições. O perigo habita o vazio, pois ele desafia a memória, a razão e a própria resistência. Como sussurram alguns, certas verdades foram enterradas, não por medo, mas por escolha.

10. O Ponto de Convergência: Onde Mundos se Encontram

Em muitos mundos, certos pontos tornam-se frágeis, permitindo que planos distintos se toquem. Nesses locais, a barreira entre dimensões se afina, criando portais naturais entre o plano material e outras esferas. Por isso, são evitados, seja por medo, seja por respeito ao desconhecido.

Em uma planície isolada, ergue-se um antigo círculo de pedras. Em noites específicas, essas pedras brilham com luz própria e emitem um canto ancestral. Nesses momentos, um portal para o Reino das Fadas se abre por instantes. Apesar de relatos sobre maravilhas e bênçãos, o medo predomina. Acredita-se que cruzar o limiar significa não retornar, ou voltar mudado demais.

Camponeses locais deixam oferendas discretas e evitam o lugar ao anoitecer. Superstições falam de crianças levadas, viajantes desaparecidos e sonhos inquietantes que assolam quem acampa por perto. O folclore, assim, funciona como proteção coletiva.

Dessa forma, essas fronteiras se mantêm resguardadas, não por muralhas, mas por histórias passadas ao pé do fogo, advertências que preservam, ao longo das gerações, o temor e o fascínio por aquilo que existe além do véu da realidade.

Conclusão

As fronteiras invisíveis do seu mundo são tão importantes quanto as montanhas e rios que você desenha no mapa. Elas são as cicatrizes da história, os ecos da crença e os reflexos do medo e do respeito. Ao criar essas zonas proibidas, malditas ou sagradas, você não apenas adiciona profundidade e mistério ao seu cenário, mas também influencia diretamente o comportamento dos personagens e a dinâmica social.

A coerência é a chave: cada tabu, cada superstição, cada lenda deve ter raízes profundas na cultura e na história do seu mundo. Ao invés de simplesmente dizer que um lugar é perigoso, mostre por que ele é temido, quais histórias o cercam e como essas histórias moldam a percepção e as ações dos habitantes. Assim, suas fronteiras invisíveis se tornarão elementos narrativos poderosos, transformando o mapa em um tabuleiro de lendas e o comportamento social em um reflexo das crenças mais profundas de seu povo.

PARA MAIS CONTEUDO DO MESTRE BROTHER BLUE


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Photophobia (Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias) – Quimera de Aventuras

Photophobia, o terceiro conto do primeiro livro de literatura do universo ficcional de Ordem Paranormal, é uma ótima fonte de inspiração para novas histórias, e uma boa porta de entrada para quem não conhece ou não joga ainda o OP.

Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias

Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias é o primeiro livro de literatura ambientado no universo de Ordem Paranormal, criado por Rafael Lange (Cellbit), e foi lançado pela Jambô Editora em março de 2025. O livro reúne três contos de terror escritos por autores renomados do gênero no Brasil: Felipe Castilho, Karen Soarele eLeonel Caldela. Cada conto é atribuído ao fictício Daniel Hartmann, um personagem dentro do universo de Ordem Paranormal, cuja escrita teria sido tão impactante que suas criaturas literárias se manifestaram na realidade, alimentadas pelo medo dos leitores.

Por se tratar de uma obra com obras diferentes em seu interior, optei por fazer uma Quimera diferente para cada um dos contos, com cada um recebendo a devida e merecida atenção! O primeiro conto, O Espreitador, e o segundo conto, Dia das Mães Maldito, já receberam sua Quimera, que você pode conferir AQUI.

Photophobia

Photophobia acompanha Tato, vocalista de uma das maiores bandas de rock do mundo, que retorna à sua cidade natal para realizar um show de grande importância. O cenário principal é uma cidade marcada por memórias pessoais e traumas do passado de Tato, que estão profundamente entrelaçados com a sua carreira e sua identidade. O conflito central gira em torno da luta interna de Tato contra seus traumas e medos, que o levam a buscar soluções em forças sinistras e obscuras. O tom do conto é predominantemente de terror psicológico, mesclado com elementos de horror sobrenatural e um toque da cultura pop.

Sobre o conto

O conto apresenta uma narrativa envolvente e ágil, com um ritmo que alterna entre introspecção emocional e momentos de tensão crescente. A escrita tem um tom visceral e moderno, que conecta o leitor com o universo do rock e da cultura jovem, sem perder a atmosfera sombria.

A história é estruturada em torno do retorno de Tato, intercalando flashbacks que revelam seu passado traumático com os acontecimentos presentes. O ritmo é cadenciado, aumentando gradualmente a tensão até o clímax.

Tato é um personagem complexo, cuja evolução psicológica é o motor da narrativa. Sua vulnerabilidade, suas escolhas e o confronto com seus demônios internos são explorados com profundidade, tornando-o bastante humano e fácil de se conectar.

A ambientação combina espaços urbanos contemporâneos com um clima opressivo, reforçado pela proximidade do show e pela presença das forças sobrenaturais que rondam Tato. A tensão é construída sutilmente, com um uso inteligente dos detalhes e atmosferas obscuras.

Filosofias e Referências

O conto dialoga com o existencialismo, explorando temas como o enfrentamento do próprio ser, a angústia da existência e a busca por sentido em meio ao sofrimento. A luta interna de Tato espelha o conflito entre a autenticidade e o desespero.

Há elementos relacionados à psicologia, especialmente no que tange aos traumas, transtornos de ansiedade e as consequências do estresse pós-traumático. A fotofobia (sensibilidade à luz) pode ser entendida também como metáfora para a aversão do personagem à exposição ou à revelação de suas feridas emocionais.

A ambientação no universo do rock e a personalidade de Tato remetem a iconografia de músicos atormentados como Kurt Cobain e Ian Curtis. A narrativa dialoga com filmes e séries de terror psicológico como Black Mirror e Hereditary, que misturam elementos sobrenaturais com dramas humanos.

A entidade sinistra pode ser interpretada como uma manifestação moderna de demônios pessoais, similar a figuras míticas que representam o medo e a culpa, como o Oni japonês ou o Banshee irlandês.

Quimera de Aventuras

Nesta sessão a obra entra na Quimera e colocamos algumas ideias de uso para aventuras de RPG. Entretanto fique ciente que para isto, teremos que dar alguns spoilers da obra. Leia por sua conta e risco.

Fantasia Medieval (D&D, OSR, Tormenta, T20)

  • Criar um bardo amaldiçoado que retorna a sua terra natal para um festival, enfrentando um espírito da escuridão ligado a seus traumas.

  • Monstro: uma sombra que se alimenta da luz e da alegria dos aldeões.

  • Aventura: a missão é purificar o espírito maligno que atormenta a vila durante a celebração do solstício.

  • Ganchos: lendas locais sobre músicos que enlouqueceram; pistas sobre rituais antigos para afastar a escuridão.

  • NPCs: um mentor que conhece os segredos do passado do bardo; uma rival com motivações ambíguas.

Horror Moderno (Ordem Paranormal, Call of Cthulhu, Cult)

  • Ambiente: cidade grande marcada pela presença de forças paranormais ligadas à fama e à ansiedade.

  • Criatura: entidade que causa aversão à luz e provoca alucinações relacionadas ao passado.

  • Ritual: cerimônias envolvendo música e manipulação de emoções para exorcizar o trauma.

  • NPCs: fãs obsessivos, membros da banda com segredos obscuros, um xamã urbano.

  • Narrativa: foco no medo psicológico, sanidade abalada, e a linha tênue entre fama e loucura.

Mundo das Trevas (Storyteller)

  • Enredo adaptado para um vocalista vampiro tentando controlar seus próprios demônios internos e evitar que sua maldição destrua sua carreira.

  • Dilemas morais: fama versus anonimato; o preço da imortalidade; a influência do passado humano.

  • Sanidade: conflito interno e perda de controle para o lado sombrio.

  • Sombras internas: figuras metafóricas que representam culpa e arrependimento.

  • Ambientes urbanos decadentes e palcos noturnos como cenários.

Cyberpunk (Shadowrun, Cyberpunk RED)

  • A banda é financiada por uma megacorporação que manipula suas emoções para lucro.

  • Tecnologia que amplifica traumas e cria avatares de medos internos.

  • NPCs: hackers que tentam libertar o vocalista, agentes corporativos, cultos tecnológicos.

  • Horror tecnológico: interfaces entre mente e máquina que geram falhas de percepção.

  • Eventos: shows onde a realidade é distorcida, causando pânico nos espectadores.

Outros Sistemas (3DeT, Fate, ODS)

  • Gatilhos narrativos: medo do fracasso, pressão social, isolamento emocional.

  • Arquétipos: o artista torturado, o mentor sábio, a sombra misteriosa.

  • Adaptações versáteis para campanhas focadas em psicologia e suspense.

  • Uso de flashbacks para aprofundar o background do personagem.

  • Possibilidade de misturar horror com elementos de drama pessoal.

Conclusão

Photophobia se destaca dentro da coletânea Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias ao abordar o horror através da psique fragmentada de um artista em crise. Sua fusão entre terror psicológico, cultura pop e temas existenciais cria um conto impactante que provoca reflexão sobre os limites da sanidade, a luta contra os próprios medos e o preço da fama. Para leitores, o conto é uma jornada emocional intensa; para mestres de RPG, uma fonte rica de inspiração para narrativas sombrias e densas, que exploram o humano em sua fragilidade e complexidade


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Texto e capa: Eduardo Filhote.

Mestrando online – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Não são todas pessoas que gostam ou preferem mestrar online. Entretanto, para a maioria que faz uso deste meio, é o único jeito de se jogar RPG. Eu mesmo só pude voltar a jogar e mestrar RPG por causa da possibilidade de se fazer isso online. Antes disso fiquei de 2008 a 2017 sem contato direto com o RPG.

Este texto iniciará uma série de textos sobre o assunto e servirá para introduzir o tema. Então não espere muito aprofundamento, mas se sentir falta de algo deixe um comentário que eu responderei e, se for o caso, tratarei num texto futuro.

Conhecendo alguns programas

Para se jogar é necessário ter acesso a alguns programas para isso. Basicamente possuindo um programa que permita a conversa por áudio já é possível se jogar RPG online. Desta forma, programas como meet, zoom e até o skype são possíveis. Entretanto, na minha opinião, nenhum deles supera o discord.

Além de permitir reuniões sem tempo limite e ser voltado para comunidade de jogos, é possível configurar bot para receber os jogadores, tocar músicas, rolar dados, entre outras funções. Com isso, é possível jogar qualquer RPG se utilizando o teatro da mente e, quando necessário, pode-se puxar uma imagem de referência e colar no chat de texto do discord.

Porém, muitos sistemas de RPGs fazem uso e se baseiam em tabuleiros para suas regras e ações. Para isso, e também para se guardar as fichas dos personagens de um modo adequado, podemos utilizar os programas chamados VTTs, ou  Virtual Tabletop.

Como exemplos temo Roll20, Fantasy Grounds e Foundry. Alguns desses programas possuem acesso gratuito que será suficiente para você usar várias ferramentas para suas mesas, como mapas, imagens e principalmente, as fichas. Embora tais plataformas permitam usar áudio e vídeo em seus próprios programas, nem sempre eles são bons e confiáveis o suficiente. Preferindo-se utilizá-los em conjunto com o discord ou programa similar.

Facilidades pra se mestrar online

A facilidade mais perceptível que mestrar online tem é o fato de você poder mestrar para pessoas de qualquer lugar do mundo. Havendo conexão, pode-se ultrapassar qualquer barreira geográfica para se jogar RPG. A pessoa pode jogar em qualquer lugar. Já tive jogadores participando de seus trabalhos ou durante o trajeto para casa. Excetuando-se breves interrupções, pode-se jogar enquanto houver conexão.

Depois vem as facilidades ligadas aos programas, como organizar e reunir todas as fichas, anotações e imagens num só lugar. Geralmente com boa quantidade de armazenamento de dados. Há também, dependendo do programa, efeitos visuais e sonoros que é possível colocar em sua mesa para aumentar a imersão. Não é necessário somente a capacidade dos jogadores em imaginar a cena, você mesmo pode aprofundar a imersão com vários elementos disponíveis.

Creio que a facilidade que mais me manteve mestrando online foi a facilidade de se conseguir jogadores. Pois, sem barreiras geográficas, pode-se conseguir jogadores com simples postagens em redes sociais. Eu possuí uma mesa que durante as primeiras sessões sempre tinha um jogador novo e outro saindo. Foi até difícil manter a lógica e enredo da campanha (estavam atrás de um assassino). Porém, como era fácil recuperar jogadores, conseguimos manter a mesa até chegar ao nível 16, concluindo toda a campanha.

Dificuldades do online

A primeira dificuldade e a que mais incomoda é a conexão. Ou a falta dela. Esse problema é tão costumeiro que você pode observar em algumas mesas do Movimento as falhas de comunicação gerada por conexões intermitentes.

Câmeras travando, áudio cortando ou ficando com voz robótica e esse tipo de coisa é muito comum. Isso, porquê, a maioria das pessoas não consegue ter computadores e conexões boas e estáveis. Inclusive tenho jogadores que, se chover, é quase certo que não conseguirá jogar.

Outro fator complicante é o delay nas conversas. A pessoa não consegue ouvir direito e fica esperando a outra terminar, mesmo que isso já tenha ocorrido. Ou então, o mestre faz uma pergunta e um jogador interrompe o outro para responder. Ou também não conseguirem entender direito o que o mestre ou outra pessoas esteja falando, gerando algumas situações cômicas e outras “trágicas”.

Só neste tópico daria para escrever várias linhas listando todos os problemas que já tive por causa do áudio. Porém a falta de vermos os demais participantes agrava eventuais ruídos de comunicação.

Outra questão importante, embora não seja bem um problema, é a necessidade de se preparar mais para sessões online do que para sessões presenciais. Enquanto você consegue mestrar sem música ou efeitos sonoros quando é presencial, isso é quase obrigatório para sessões virtuais. Exemplos de imagens também são quase obrigatórias.

Para finalizar a listagem de problemas, a facilidade da saída de jogadores. Pois como é fácil entrar, também é fácil sair. E demora um tempo até que se consiga fechar um grupo de jogadores coeso e na mesma sintonia (e mesmo assim, alguns jogadores podem se sentirem deslocados).

Porém, em resumo, jogar online tem mais vantagens do que desvantagens e permite que pessoas sem acesso a grupos presenciais (como eu) possam jogar e, no nosso caso, mestrar. Facilitando muito a vida de pais e profissionais com pouco tempo livre para o RPG.


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