Manuscritos são artigos relacionados aos mais variados temas dentro do contexto do RPG. Variam de histórias próprias, contos, compêndios, resenhas e colunas com textos autorais.
Neste RPG frenético de guerra espacial, sci-fi horror, ou ficção científica – a seu critério -, homo sapiens podem ser criados em 5 minutos, como soldados prontos para (e ansiosos pela) batalha! Trazido ao planeta Terra pela Editora Nozes Game Studio, recruta!
Mas agora, atenção ao treinamento, soldado! Isto pode salvar a sua bunda! Vamos pelo início, com nosso passo a passo:
Passo 1
Pegue um dado de 20 faces (ou D20, para os íntimos), ou use um app de simulação de dados.
Jogue o dado 3 vezes – acelerado! E olha na tabela de talentos. Digamos que os três resultados são: 3, 7 e 9. Isto nos leva aos 3 talentos: sapador, carniceiro, e blindado.
Passo 2
Escolha equipamentos para a missão! (Achou que íamos te mandar pra guerra desarmado? Nada disso!) Atenção para o kit básico de uma missão:
Arma principal, arma secundária, armadura, 5 cartuchos de munição, 3 itens de lista de equipamentos (sugestão: capacete especial, bota de salto, jetpack), um medicamento e um comunicador local (até 500 metros).
Passo 3 – Vem comigo!
Jogue um dado de 6 faces (ou 1d6), e some 10 pontos, para definir os pontos de vida, e para cada nível que o Trooper tiver, mais um dado de 6 faces é jogado. Fui claro como cristal, soldado?
Passo 4 – Acelerado, soldado!
Defina a matriz de ataque na tabela T2 do livro de regras, recruta! No seu caso, que acabou de chegar, seria nível zero! E a classe de armadura do alvo, é número que você precisa tirar num D20: A20, B19, C17, D15, E13!
DEFINA a matriz de proteção, na tabela T3 do livro de regras, mais uma vez, como você é um novato cheirando a leite, seria nível zero! L14, B15, M16, E17, P18 – já percebeu que você precisa jogar um D20, certo?
Passo 5 – Hora de conferir armas e amadura!
Anote sua classe de armadura, e arsenal.
Black Trooper arsenal
Passo 6
Jogue um dado e escolha codinomes na tabela, ou escolha, e dê toques finais. Pronto!
Tudo certo para o seu alistamento, recruta! A grandeza e a glória te esperam, quando você quiser!
Inspirado em livros, filmes e videogames, como Alien, o Oitavo Passageiro, Tropas Estelares, Doom, Quake, Duke Nuken, Dead Space, X-COM, etc.
Taxa de alistamento? Por este RPG completo, com bestiário incluído? Em 01/03/2026, você precisará pagar no livro FÍSICO R$64,90. Já com PDF INCLUSO!
Mais uma vez, te vejo do outro lado, quando acordarmos do criosono, soldado! Como? Você é pacifista? Ninguém é perfeito, soldado, nem eu, inclusive, e também sou um pacifista convicto e contra a pena de morte. Mas se tiver de escolher entre a sua pele, e a de um Alien, prefiro salvar a sua carcaça, mil vezes, a deixar um Alien te matar. Entendido?
Agora, que Deus abençoe e ilumine você e seu pelotão, que sua escopeta sempre acerte o alvo, e que sua motoserra não seja necessária, mas lembre-se deste antigo ditado:
“É melhor escapar fedendo, do que morrer cheiroso!”
Espera, você também quer uma resenha completa? Se afirmativo, aguarde novas instruções no máximo até o próximo ciclo de translação completo.
Ah, a Editora Nozes deve lançar um suplemento com aventuras novas em breve. Atualizo esta postagem quando ocorrer. Até lá, é tudo…
Top Secret
Temos outras resenhas, aqui no MovimentoRPG. Quer checar aqui? E nosso podcast, já conhece? Escuta aqui!
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O cenário de City Of Mist, da Retropunk Editora, é um prato cheio para aventuras de diversos tipos. Por conta disso, resolvi puxar minhas referências musicais pessoais e criar uma verdadeira Mixtape Nebulosa,
Confira algumas ideias de aventura inspiradas nas letras, melodias e referências de alguns dos meus artistas favoritos, para você levar para sua jornada na Cidade.
Lado A
1. Emotion Sickness – Silverchair
Tema: colapso emocional e parasitismo psíquico. Mythos sugerido: Cassandra, Narciso ou Eco.
Uma terapeuta famosa da elite da Cidade tornou-se referência em tratamentos experimentais para traumas profundos.
Seus pacientes relatam sessões intensas nas quais revivem memórias dolorosas e saem sentindo-se leves, quase vazios.
O problema é que, dias depois, começam a perder não apenas a dor, mas também o entusiasmo pela vida. Artistas param de criar. Ativistas abandonam causas. Um empresário desiste de um projeto que beneficiaria milhares de pessoas.
A terapeuta parece absorver algo invisível. Testemunhas dizem que seus olhos brilham durante as sessões mais difíceis. Um antigo paciente afirma ter visto, por um instante, várias versões dela sobrepostas, como ecos emocionais.
O Mythos pode ser Cassandra, condenada a sentir tragédias antes que aconteçam, drenando emoções para sobreviver. Pode ser Narciso, alimentando-se da intensidade alheia para sustentar a própria identidade. Ou Eco, repetindo dores até que elas se tornem suas.
Mistério central
Ela está salvando pessoas da dor ou roubando aquilo que as torna humanas?
Complicações
Um dos personagens já fez terapia com ela.
Um contato importante perdeu completamente a motivação.
A terapeuta acredita sinceramente que está curando o mundo.
2. Stargazer – Rainbow
Tema: obsessão e transcendência. Mythos sugerido: Ícaro, Prometeu ou a Torre de Babel.
Um magnata excêntrico iniciou a construção de um arranha-céu que promete revolucionar a arquitetura da Cidade.
O prédio cresce rápido demais. Operários desaparecem. Engenheiros afirmam que certos cálculos simplesmente não fazem sentido físico, mas a estrutura continua se expandindo.
Moradores próximos relatam ouvir um canto vindo do topo da construção durante a madrugada. Alguns dizem que as estrelas parecem mais próximas quando observadas dali.
O empresário pode estar encarnando Ícaro, determinado a ultrapassar os limites humanos. Talvez seja Prometeu, tentando roubar um segredo cósmico. Ou a própria Torre de Babel, manifestação de uma ambição coletiva que desafia o céu.
Mistério central
O prédio é apenas concreto ou já se tornou um portal simbólico para algo maior?
Complicações
Um personagem recebe uma oferta para proteger a obra.
Um sobrevivente de uma queda fala sobre luzes que piscavam em resposta aos seus pensamentos.
A estrutura parece alterar o humor das pessoas ao redor.
3. Crossroads – Bone Thugs-n-Harmony
Tema: luto e barganhas espirituais. Mythos sugerido: Caronte, Hécate ou o Diabo do blues.
Um cruzamento específico tornou-se ponto de peregrinação para pessoas enlutadas. Dizem que, à meia-noite, é possível conversar com quem já morreu. Alguns saem consolados. Outros nunca mais são vistos.
Câmeras de segurança falham sempre no mesmo horário. Um motoboy relata ver uma figura encapuzada parada sob o semáforo piscante.
O Mythos pode ser Caronte, conduzindo almas entre mundos. Pode ser Hécate, guardiã das encruzilhadas. Ou o arquétipo do músico que vendeu a alma no cruzamento em troca de talento e fama.
Mistério central
Os mortos estão realmente falando ou alguém está manipulando o desespero dos vivos?
Complicações
Um personagem perdeu alguém recentemente.
Um aliado fez um pacto e agora age de forma estranha.
As mensagens dos mortos começam a revelar segredos perigosos.
Lado B
4. Da Lama ao Caos – Nação Zumbi
Tema: resistência e transformação social. Mythos sugerido: Exu, um espírito da tempestade ou uma entidade do caos criativo.
Um bairro historicamente negligenciado floresce culturalmente. Arte urbana, música e projetos comunitários revitalizam a região.
Ao mesmo tempo, uma construtora tenta expulsar moradores com métodos agressivos.
Após cada investida da empresa, acontecimentos estranhos sabotam suas operações. Máquinas quebram sem explicação. Documentos desaparecem. Seguranças afirmam ouvir tambores sob o solo.
A líder comunitária pode manifestar um Mythos ligado ao caos criador, uma força que transforma lama em potência e destruição em renovação.
Mistério central
Essa energia protege o bairro ou está preparando algo muito maior e imprevisível?
Complicações
Um personagem possui vínculos com a construtora.
A polícia começa a investigar os eventos.
A força mítica começa a afetar pessoas inocentes.
5. A Queda – Inspirada em Gloria Groove
Tema: fama, ruína e renascimento. Mythos sugerido: Lúcifer, Fênix ou Narciso.
Uma estrela pop sofre um escândalo devastador. Patrocinadores rompem contratos. Fãs se afastam. Após semanas desaparecida, ela retorna com uma nova estética e uma presença quase sobrenatural.
Seu show mais recente provocou reações intensas. Pessoas relatam sensação de purificação e libertação. Outras afirmam ter revelado segredos íntimos durante o espetáculo sem perceber.
O Mythos pode ser Lúcifer, símbolo da queda luminosa. Pode ser a Fênix, renascendo das cinzas. Ou Narciso, reconstruindo a própria imagem à custa da devoção alheia.
Mistério central
Ela está se reinventando ou drenando algo do público para reconstruir sua identidade?
Complicações
Um personagem é fã ou trabalha com mídia.
Um jornalista investiga inconsistências na narrativa da queda.
Os shows coincidem com surtos emocionais coletivos.
6. Homem na Estrada – Racionais MC’s
Tema: redenção e ciclo de violência. Mythos sugerido: Sísifo, Caim ou um justiceiro arquetípico.
Um ex-detento tenta reconstruir a vida como motorista de aplicativo. Ele evita conflitos e ajuda passageiros vulneráveis.
Ainda assim, incidentes violentos acontecem em seu caminho. Criminosos são hospitalizados. Assaltantes são capturados após cruzarem com ele.
Sempre parece legítima defesa. Sempre parece inevitável.
Seu Mythos pode ser Sísifo, condenado a repetir um ciclo de esforço e queda. Pode ser Caim, marcado por um passado que nunca o abandona. Ou a personificação de um justiceiro que acredita equilibrar o mundo com as próprias mãos.
Mistério central
Ele está lutando contra sua natureza mítica ou aceitando um destino que o afasta da redenção?
Complicações
Um personagem já foi salvo por ele.
Um detetive começa a conectar os incidentes.
A violência começa a escalar além do controle.
Conectando a Mixtape
Todas as sementes podem ser unidas por um elemento comum. Uma rádio pirata que toca exatamente essas músicas antes de cada evento sobrenatural. Uma gravadora comandada por avatares poderosos. Um toca-fitas antigo que desperta Mythos adormecidos.
Dessa maneira, você pode fazer uma campanha inteira dentro desse conceito musical.
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SIGMATA: Esse Sinal Mata Fascistas está disponível por meio da editora Huginn & Muninn, após uma bem-sucedida campanha no Catarse trazendo este título de destaque internacional para o Brasil.
SIGMATA
Para quem gosta de jogos que misturam ação, narrativa potente e temáticas profundas, este RPG merece sua atenção.
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O cenário de SIGMATA se passa em uma História alternativa distópica dos anos 1980, em que um governo autoritário (o chamado “Regime”) controla completamente os Estados Unidos, usando propaganda, força policial militarizada e políticas repressivas para esmagar dissidência e oponentes.
Receptores
Os jogadores vestem a pele de Receptores, guerreiros transformados em ciborgues que só alcançam seus poderes completos quando estão na presença do misterioso “Sinal” . Esse é um sinal de rádio que energiza habilidades sobre-humanas e se torna o vetor simbólico e literal de resistência contra a opressão.
A ambientação evoca ecos de tensões políticas contemporâneas tanto nos EUA quanto no Brasil, mas o faz como pano de fundo para explorar conflitos éticos, alianças frágeis e resistência em um mundo polarizado.
Quad-core Processor
O jogo roda sobre um sistema único apelidado de Quad-Core Processor, que combina elementos de jogos narrativos e mecânicas de resolução de ação. Cada personagem tem quatro “processadores” básicos (Agressão, Astúcia, Bravura e Julgamento) que determinam como ele atua em cenas estruturadas de combate, evasão e intriga.
Os jogadores sempre rolam um conjunto de dados e interpretam os resultados com liberdade narrativa, com pouca ênfase em regras de simulação detalhada e mais foco em como as ações moldam a história. Esse sistema é simples, fluido, e coloca a narrativa nas mãos dos jogadores e do mestre, tornando cada cena uma dança entre risco mecânico e escolha dramática.
Evolução
O que torna SIGMATA especialmente empolgante é a forma como os personagens evoluem e ganham vantagens. Além de seus perfis de RECEPTOR, os jogadores podem incorporar cibernéticos (modificações mecânicas e implantes internos chamados Lâminas) que aumentam habilidades e funções de combate.
Quando o Sinal está ativo, eles acessam as chamadas Sub-Rotinas. Esses seriam os poderes excepcionais como teletransporte via redes, rajadas de energia e outras habilidades que evocam super-capacidades tecnológicas. Longe de ser apenas “superpoderes”, essas Sub-Rotinas e Lâminas estão profundamente ligadas ao tema do jogo. Eles ressaltam a tensão entre poder e vulnerabilidade, e a necessidade de coordenar o Sinal, a resistência e o momento certo de agir em um mundo hostil.
Em resumo
STIGMATA: Esse Sinal Mata Fascistas é uma experiência narrativa ousada e original que combina temática política complexa, sistema de jogo dinâmico e construção de personagem criativa. Ele entrega um RPG densamente atmosférico, repleto de escolhas difíceis, momentos cinematográficos e grande espaço para uma narrativa coletiva rica.
Se você curte jogos que desafiam tanto a imaginação quanto o engajamento narrativo, vale muito a pena conferir. Visite a página da Huginn & Muninnclicando aqui para garantir seu exemplar e repetir o sinal em sua mesa de jogo!
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Tranquilos, pessoal? Hoje traremos as principais organizações/guildas profissionais de Recchá. A quase totalidades das organizações são focadas em suas atividades profissionais, garantindo que seus profissionais tenham acesso aos melhores equipamentos e estudos. Fornecendo, de certa forma, um padrão no exercício profissional, evitando-se falhas e, também, mantendo seus profissionais sob controle.
Além disso, todas as organizações possuem uma agenda pública e outra secreta. E possuem o costume de adotar um ou mais deuses como seus patronos/padroeiros.
Bibliotecários
Os cronistas são obcecados por preservar o conhecimento. Especialmente se tal conhecimento se referir a sua espécie e se tratar de artefatos. Essa obsessão existe por necessidade da espécie, visto que eles compartilham, de certa forma, o acesso a uma memória coletiva a qual possui uma forte ruptura no período anterior do Século das Catástrofes e à criação da Grande Barreira entre o mundo mortal e o divino.
Bibliotecária cronista
Para suprirem essa necessidade interna e, também, conseguirem recuperar os artefatos que podem desvendar a história da espécie, os cronistas criaram grandes bibliotecas, especialmente da capital Thrýlos. Como os cronistas não são muito numerosos, boa parte se torna bibliotecário, cuidando e protegendo o conhecimento. Já alguns, mais destemidos, preferem sair em aventuras e são estes, geralmente, que contratam ou instigam aventureiros de outras espécies para explorarem alguma das muitas ruínas cronistas espalhadas pelo continente.
Alguns cronistas apreciam trabalhar em bibliotecas de outras espécies. Porém, isso é uma grande exceção.
Agenda pública: obtenção e preservação do conhecimento cronista.
Agenda secreta: descobrir o que aconteceu antes e durante a Grande Ruptura, provando que não foram eles os culpados.
Caçadores de Dragões
A serviço do Império Recchá, esta guilda surgiu como um pelotão de elite especializado em combater os dragões amarelos durante a Guerra Amarela. Com o fim da guerra a mais de um milênio, esta ordem/guilda foi se adaptando conforme a necessidade, porém (quase) sempre permaneceram próximos ao imperador ou aos governantes da capital Recchá (em períodos de república ou guerras civis).
Atualmente servem como uma polícia secreta de elite que caça divergentes e rebeldes. Pertencer aos Caçadores de Dragões é sinônimo de ser temido por onde quer que passe. Porém poucos são os membros conhecidos e poucas pessoas podem ser consideradas aptas a complexa e dificílima forma de entrar na guilda.
Agenda pública: garantir a ordem e a segurança do Imperador e outras autoridades.
Agenda (não tão) secreta: eliminação de rebeldes e inimigos do Império.
Irmandade do Horizonte Dourado
Tendo menos de duzentos, esta guilda foi paulatinamente sendo criada em virtude do aumento das linhas férreas do Império. Ao contrário do que se pode pensar, não há só maquinistas, mecânicos e outros tipos de funcionários para lidarem com os trens a vapor.
As atividades férreas são muito lucrativas e sempre foram alvo de muitos ataques. Assim, foi criada uma força armada para proteger os comboios, seja de mercadorias ou passageiros. E o que começou com aventureiros e mercenários sendo contratados, atualmente é um braço autônomo do Exército Imperial, logisticamente respondendo à Irmandade do Horizonte Dourado, mas economicamente sendo sustentado pela seção militar do Império.
Qualquer um que trabalhe nesta guilda tem sua vida investigada por meios comuns e mágicos para averiguar que não haja ligações com qualquer grupo rebelde. Os quais pararam com os ataques aos trens por causa da impopularidade que isso causava em meio à população civil. Entretanto, ainda há monstros errantes que podem destruir linhas ou até trens e, por isso, mercenários ainda são contratados para serviços específicos longe dos trens.
Porém, com tamanha influência comercial, os trabalhos da Irmandade se expandiram e alguns de seus membros realizam trabalhos de espionagem, segurança e até assassinatos.
Agenda pública: garantir o transporte de pessoas e mercadorias no Império e seus aliados.
Agenda secreta: obtenção e controle de informações e rede de espionagem.
Guilda Mercantil do Império
Esta guilda certamente se encontra entre as maiores do Império. Isso se não for a maior! Com milhares de afiliados, a Guilda Mercantil do Império gerencia toda e qualquer negociação realizada nos domínios do Império e seus aliados. Logicamente, recebendo parte da venda através de pequenas taxas, geralmente de 1% sobre o valor da venda.
Com um tamanho tão gigantesco, inclusive com dezenas de outras guildas menores lhe sendo subordinadas, o único ponto em comum dentro da guilda é a vontade de melhorias para a realização de bons negócios para seus membros. Entretanto, é na forma que isso será feito que se encontram as inúmeras divergências. O que possibilita a existência de dezenas de partidos, chapas e ideologias, cada uma com sua agenda e interesses próprios.
Agenda pública: manter, controlar e melhorar as relações comercias que envolvam o Império.
Agenda secreta: muitas.
Tecnicistas de Adron
Os tecnicistas são a guilda controladora da cidade ambulante de Adron. A maioria deles são os próprios fundadores, já que a cidade existe a pouco mais de 100 anos, outros são descendentes dos fundadores. Raríssimos são os casos de algum novato participando do Conselho dos Tecnicistas.
Entretanto, para evitar confusões e descontentamentos, foi criada a guilda dos Tecnicistas de Adron, a qual é destinada a todos os trabalhadores, comerciantes e moradores da cidade. A guilda serve, essencialmente, para votações controladas pelos dirigentes (fundadores ou herdeiros) da cidade.
Agenda pública: administração da cidade.
Agenda secreta: controle e apaziguamento dos moradores e trabalhadores da cidade.
A Imperial Guilda de Exploradores
Esta é a maior guilda de aventureiros existente no continente com, provavelmente, mais de doze mil exploradores cadastrados. A Imperial Guilda de Exploradores tem autorização do Império para agir em nome desse.
Possui ligação direta com o Império, inclusive fazendo parte , na prática, da administração imperial. Excetuando-se isso, a guilda funciona como várias outras que existem pelo continente: há um cadastro de interessados e suas áreas de especialidade, experiência e interesse. Depois disso, quando algum trabalho aparece os aventureiros e ou grupos são contatados para ver se aceitam o trabalho.
Geralmente trabalhos na capital e de pouca complexidade são designadas para aventureiros iniciantes. Passando para atividades dentro do Império e depois em outras nações. Os pagamentos são muito bons e os acordos sobre a posse de tesouros depende do tipo de serviço e da confiança da guilda.
Agenda pública: centralização e facilitação de trabalhos e exploradores.
Agenda secreta: rede de espionagem e tráfico (vários tipos).
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Se deseja saber mais sobre Recchá, acompanhe as lives aqui.
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Olá, bípedes RPGistas! Hoje trago para vocês a campanha de Chamado de Cthulhu 7e chamada Máscaras de Nyarlatothep. Mais especificamente do box de conteúdo vendido pela nossa parceira New Order.
Sobre o Box
O box contém bastante coisa. São dois livros (que dividem o conteúdo do jogo em dois), vários “documentos” que são materiais de auxilio para você mostrar aos seu jogadores. Esses são os famosos props (contém as pistas e mapas que são achados durante o jogo) e um escudo do mestre contendo informações úteis para a campanha.
Primeiras Impressões
Essa é provavelmente uma das campanhas (se não for a mais) famosas de CoC e existia um certo burburinho da comunidade sobre como seria feita a adaptação desse clássico para o sistema da 7e e posso dizer com certa tranquilidade que atende e passou das expectativas dos fãs mais fervorosos. Como todo trabalho da New Order em parceria com a Chaosium, os livros e materiais são lindos e muito bem feitos. Poucas vezes vi um material de RPG tão completo e tão bem feito fazendo valer um preço que é um pouco acima do que geralmente é praticado nos outros manuais.
Mas, além da parte estética e da qualidade do material, a campanha é MUITO bem organizada dentro do livro e torna o trabalho do mestre mais fácil na hora de encontrar as informações que precisa, bem como para entender o arco geral da história. Coisas como o diagrama de pistas e as referências de NPC são um toque excelente nesse caminho.
Contudo, não só do contexto de regras e informações os manuais se sustentam. A história é bem desenvolvida e, acima de tudo, temos uma ambientação fantástica. Claro, o guardião pode procurar na internet como era o Peru ou Londres no começo do séculos passado. Porém o cuidado de o próprio livro das diversas informações das ambientação é de um cuidado que nem sempre vemos em materiais de RPG.
Para fechar com chave de ouro, o jogo já vem todo com as regras opcionais caso você deseje mestrar ele junto das regras adicionais de Cthulhu Pulp (veja minha última publicação sobre esse manual para ter mais informações).
NPCs, mortes e o sistema
Se você pretende se dedicar a mestrar ou jogar essa longa campanha tenha isso em mente: ela é longa, complexa e mortal. Existe uma quantidade avassaladora de NPCs, locais, pistas etc. Então deixe claro aos jogadores que essa campanha exigirá bastante atenção e anotações por parte deles. Claro, não há nada de errado em você ajudar o grupo lembrando alguma informação, mas não crie um hábito! O espírito do jogo é que os investigadores irão investigar os mistérios…
Além de investigação, o jogo apresenta desafios que serão mortais em diversos casos. A campanha é infame pela sua alta taxa de mortalidade e isso não é à toa. O jogo ficou mais acessível, nesse sentido, em comparação com sua versão clássica, mas mesmo assim é provável que um grupo iniciante chegue ao final com 2 ou 3 investigadores que ficaram pelo caminho. Mas não desanime isso faz parte.
Uma dica pessoal se você for rodar o jogo para iniciantes no sistema; utilize algumas regras de pulp como vida e pontos de perícia, mas mantenha as fichas das criaturas e desafios na versão básica. Isso vai aumentar em muito a chance de sobrevivência do seu grupo e eu te garanto que ainda vai ser bem desafiador.
O sistema também pode apresentar um problema para um campanha tão longa, uma vez que o sistema de progressão não é tão amigável a investigadores que ficam por muito tempo na luta contra o mythos. Por isso, talvez seja interessante pensar em algo para ir “melhorando” os investigadores no decorrer da campanha (como apresentam algumas regras pulp), se o seu grupo for muito preocupado em carregar os investigadores iniciais até o fim.
Conclusão
Como eu já destaquei, o livro, história e ambientação realmente brilham nesse material, contudo algumas coisas ainda poderiam ser um pouco melhores. Por exemplo, alguns dos locais recebem mais detalhes e atenção na hora de montar a ambientação (Nova Iorque e Londres são cheios de detalhes) e outros trazem menos conteúdo. Então se o guardião for se guiar apenas pelo que está no manual talvez pene um pouco para ambientar um lugar outro e de extrair o melhor daquele lugar.
Uma última recomendação, se essa for sua primeira experiência como guardião, essa sem sombra de dúvida vai ser uma experiência deveras exigente de você. Como dito, existem muitos NPCS e muitos detalhes da história que você precisa dominar. Eu comecei dizendo que muito seria exigido dos jogadores, mas saiba que mais ainda será exigido do guardião. Por isso não recomendo para guardiões de primeira viagem. Mesmo para os veteranos saiba que você está entrando num caminho que exigirá muita dedicação e preparação. Naturalmente, não é uma proibição para novos guardiões. É possível ser sua primeira experiência com o sistema ou mesmo mestrando como um todo e você tirar de letra. Todavia, caso esse seja seu desejo, é importante entrar ciente nessa empreitada e por isso recomendo talvez mestrar algumas histórias mais curtas antes de entrar de cabeça nessa aqui.
Por fim, a recomendação final é que você se divirta! A história é épica e tenho certeza que seu grupo vai se divertir e aproveitar esse jogo.
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No mundo de Nnume, o Monge da Singularidade representa um abordagem monástica de conexão com as forças fundamentais que se complementam à Ordem, Caos e Neutralidade. Se você quer conhecer mais sobre este universo, não deixe de ler a resenha de Psicomaquia no blog do Movimento RPGclicando aqui e de apoiar o financiamento coletivo de Psicomaquia clicando aqui.
Nos blocos poliédricos silenciosos de Edrath, alguns poucos monges descobriram que a própria cidade funciona como um receptáculo espiritual, um eco dos experimentos dos Cenoides e do isolamento da Singularidade Urta. Inspirados pelas lendas dos Edros, esses monges acreditam que apenas o domínio da alma e a aceitação do vazio absoluto podem preparar os mortais para resistirem aos horrores espirituais de Nyxora.
Vivendo lado a lado com os Esquecidos e estudando as geometrias impossíveis da cidade, eles desenvolveram o Caminho da Singularidade, uma disciplina marcial que busca transformar a alma no poder absoluto energizado por Urta. Ao concentrar sua centelha no ponto de silêncio absoluto da Urta (o que consome parte de sua força vital corporal), o Monge da Singularidade aprendeu a infligir o Dano Singular contra entidades que normalmente são invulneráveis (desde os pesadelos que espreitam em Nyxora até os próprios Etéreos que disputam Nnume).
Pré-requisitos
Classe base: Monge (qualquer linhagem ou espécie pode adotar o caminho).
Recomendação narrativa: O personagem deve ter treinado em Edrath, recebido sonhos ligados aos Edros ou ter sobrevivido a um encontro com horrores de Nyxora. (não é um pré-requisito mecânico, mas serve como critério de roleplay).
Habilidades especiais do Monge da Singularidade
Nível
Habilidades especiais
3
Lâmina da Singularidade, Vazio Mental
6
Respiração de Urta
9
Golpe Aniquilador
10
Alma Poliédrica
Nível 3 – Lâmina da Singularidade
Ao escolher este Caminho, você pode canalizar sua energia espiritual em ataques desarmados. Quando atingir uma criatura com um ataque desarmado, pode gastar 1 ponto de vida para causar Dano Singular em vez do dano normal.
Nível 3 – Vazio Mental
Sua alma treinada repele o horror. Você tem vantagem em testes de resistência contra efeitos de medo, encantamento e loucura vindos de horrores espirituais, entidades de Nyxora ou Etéreos.
Nível 6 – Respiração de Urta
Você aprende a absorver a essência do nada. Como ação bônus, você pode gastar 2 pontos de vida para envolver-se em um campo de silêncio absoluto por 1 minuto. Enquanto estiver nesse estado, você é imune a detecção por magias de adivinhação, e testes de Sabedoria (Percepção) baseados em audição têm desvantagem contra você. Além disso, ataques contra você feitos por criaturas do Plano Invisível têm desvantagem.
Nível 9 – Golpe Aniquilador
Ao atingir uma criatura com um ataque desarmado, você pode gastar 3 pontos de vida para tentar desfazer parte de sua essência. O alvo deve fazer uma salvaguarda de Constituição (CD = 8 + seu bônus de proficiência + seu modificador de Sabedoria). Em uma falha, além do dano Singular, o alvo esquece temporariamente uma habilidade (como uma magia preparada, uma característica de classe ou a capacidade de usar uma reação) até o final do seu próximo turno.
Nível 10 – Alma Poliédrica
Sua alma reflete os segredos de Edrath. Você passa a ser considerado como se existisse parcialmente no Plano Invisível, obtendo resistência a dano psíquico e a danos caótico, ordeiro e neutro. Além disso, sempre que sofrer um ataque de uma criatura de Nyxora, você pode usar sua reação e gastar 1 ponto de vida para forçar o inimigo a fazer uma salvaguarda de Sabedoria (CD como acima). Em caso de falha, a criatura fica Atordoada até o fim do próximo turno dela.
DANO SINGULAR: ANIQUILAÇÃO
O silêncio que devora. O vazio que consome. A Singularidade dissolve tudo em nada, apagando não apenas a matéria, mas também a essência e a memória, fundindo em um ponto que apesar de único, contém tudo.
O dano singular representa o poder absoluto da Urta, o isolamento que nega a existência e rompe qualquer vínculo com o Multiverso. Ele está associado à força da Singularidade e à condição Singular (cujo único ser teorizado a alcançar esta condição é a própria Singularidade Infante).
O alvo do dano Singular faz uma salvaguarda de Constituição ou Sabedoria (CD = 8 + bônus de proficiência de quem causou o dano). Em uma falha, o alvo esquece temporariamente um recurso que possua (habilidade de classe, magia preparada, uso de item mágico etc.) e não pode utilizá-lo até o final do próximo turno.
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Saudações a você, rpgista que está lendo este texto feito com muito carinho! É com o coração transbordando de entusiasmo e aquela pitada de melancolia necessária que mergulhamos hoje nas profundezas do Mundo Esquecido. Como filósofo e eterno apaixonado pelas narrativas que desafiam a nossa percepção da realidade, sempre defendi que o RPG é a ferramenta suprema de empatia e exercício social. E se existe uma obra que encapsula essa visão no cenário brasileiro contemporâneo, essa obra é As Chaves da Torre, especialmente agora com o lançamento do seu suplemento vital: o Dossiê das Singularidades.
Este livro não chega apenas como um complemento; ele é um atestado de autoridade. Arthur de Andrade e Ramon Moure nos presenteiam com uma expansão que é, ao mesmo tempo, um atlas do impossível e um livro de monstros carregado de crítica social. No Dossiê das Singularidades, a proposta de realismo mágico sobre esquecimento e abandono ganha camadas de complexidade que nos forçam a olhar para as margens da Metrópole e reconhecer que a Torre, essa entidade misteriosa, não é apenas um elemento estético, mas uma força de censura existencial.
Para quem acompanhou o livro básico, sabe que a premissa é visceral: você joga com uma pessoa que foi apagada das memórias do mundo. O Dossiê amplia esse escopo ao adotar uma estética de arquivos burocráticos secretos da chamada Repartição, uma agência que investiga o esquecimento com um determinismo preciso e, por vezes, assustador. Ao abrir estas páginas, não encontramos apenas regras, mas fragmentos de vidas interrompidas, Lacunas que se movem e memórias que se recusam a morrer, tudo costurado por uma equipe de autores de peso como Jorge Valpaços, Caio Romero, Vitor Bornéo, Marco Poli Araújo e Sílvio Alencar.
O Dossiê das Singularidades
O conceito central de As Chaves da Torre gira em torno do Oblívio, a força que penetra em objetos, seres e até ideias, deletando sua existência da memória coletiva. O Dossiê das Singularidades organiza essa entropia em registros catalogados, onde o fantástico se mistura ao cotidiano de forma perturbadora. A Repartição, essa organização onipresente mas invisível para os mundanos, atua como a narradora técnica deste suplemento, oferecendo relatórios sobre as Singularidades — locais ou eventos que desafiam as leis da física e da sanidade.
Esta escolha narrativa é brilhante porque reforça a sensação de que os Protagonistas estão lidando com algo muito maior do que eles. Enquanto no livro básico ouvíamos as vozes dos habitantes, como a rebelde Alfa, o místico Grimalkin ou a mimada Princesa Neon, o Dossiê nos apresenta a frieza dos catalogadores. Essa dualidade entre a experiência vivida e o registro burocrático cria uma tensão narrativa perfeita para mestres que desejam explorar temas de vigilância, controle e a luta pelo direito de ser lembrado.
Anatomia de uma Singularidade e o Realismo Mágico
Cada arquivo dentro do Dossiê é construído sob uma lógica que os autores chamam de Anatomia Singular. Isso facilita imensamente a vida do narrador, transformando o livro em uma ferramenta prática de jogo. Cada entrada contém uma descrição expositiva, palavras-chave para evocar o clima, personagens notáveis, tabelas de aleatoriedade e, o mais importante, os adversários com suas fichas e rumores.
O realismo mágico aqui não é apenas um rótulo; é a lente pela qual vemos a desigualdade social. Lugares esquecidos pelo progresso, como prédios ocupados, fliperamas decadentes ou ferros-velhos infinitos, tornam-se o palco de uma fantasia sombria. Ao jogar As Chaves da Torre, percebemos que as pessoas invisíveis da nossa sociedade — os desabrigados, os trabalhadores explorados, os marginalizados — são os verdadeiros pilares deste cenário. É um convite à militância através do lúdico, onde combater um Pesadelo é também combater a indiferença que permite que essas pessoas sejam esquecidas no Lado de Lá.
Algumas Singularidades do Dossiê
A Lacuna Móvel Éxodo: O Luxo do Desapego
A Singularidade 14-B apresenta a aeronave Éxodo, um dirigível de alumínio polido que flutua acima da Metrópole e atravessa o Abismo sem restrições. Éxodo é a representação da elite dentro do Mundo Esquecido. Enquanto a maioria dos personagens luta para encontrar um teto em Lacunas precárias, a tripulação e os passageiros de Éxodo vivem em um luxo ofensivo, ostentando um padrão estético e filosófico que os coloca acima de tudo e todos.
Esta singularidade é controlada pelos Antevasins, seres que transitam entre os mundos e dominam a infraestrutura de transporte através do Grupo Reis Ruas. O combustível dessa maravilha técnica envolve a magia do Oblívio, sugerindo que o conforto dos poucos depende do esquecimento de muitos. Personagens como Irineu Reis Ruas e o crupiê Bernardo representam o perigo corporativo, onde você pode apostar sua própria memória em uma mesa de cassino voadora.
O Banco de Representações: A Mercantilização do Ser
Na Singularidade 21.500-7, encontramos o Banco de Representações e a organização “Compro Ouro”. Em um mundo sem moeda corrente, os Artefatos e Representações extraídos do Abismo tornam-se o lastro econômico. Este capítulo é uma crítica mordaz ao sistema financeiro. O Pesadelo Cauíra Unha de Fome atua como um agiota de almas, alimentando-se da dívida impagável dos Esquecidos.
O banco funciona de forma simples: o personagem deposita suas memórias e recebe chaves que funcionam como moeda. No entanto, as taxas são abusivas e a expropriação é violenta. É aqui que brilha a figura de Barbosa da Grécia, um Avatar da Meritocracia. Ele convence as pessoas de que o sucesso depende apenas do esforço individual, levando-as a aceitar missões suicidas no Abismo enquanto o sistema lucra com seu suor e sangue. É impossível não traçar paralelos com a uberização do trabalho e a pressão constante por produtividade no nosso mundo real.
O Horror da História: Provérbios 20:30 e a Revolução de 1924
Sempre defendi que o RPG deve ser um espaço de memória. O Dossiê das Singularidades leva isso a sério ao integrar a história do Brasil em seu tecido fantástico. A Singularidade Série Nº20:30, Provérbios 20:30, foca na Penitenciária de São Judas, um local que preserva os horrores da escravidão e da tortura estatal. O Batalhão de São Judas, liderado pelo Major Lúcio Matos, é um grupo de extermínio que atua na fronteira entre o real e o esquecido, capturando pessoas e quebrando suas almas em ritos de punição desumana.
Esta seção do livro é pesada, densa e necessária. Ela discute como a violência contra corpos negros e pardos é repetida ciclicamente, tanto nas favelas do Lado de Lá quanto nas prisões mágicas do Lado de Cá. É um soco no estômago que demonstra a maturidade do sistema Mosaico em lidar com temas adultos sem cair no sensacionalismo gratuito, usando a alegoria para provocar reflexão social.
Já a Singularidade LP-5.7.1924, o Nexo da Revolução Esquecida, nos transporta para uma São Paulo alternativa em meio aos bombardeios da Revolta Paulista de 1924. Este nexo é uma armadilha temporal onde o conflito entre revolucionários e legalistas nunca acaba. Aqui, a história verdadeira é obstruída pela narrativa dos vencedores — a Torre — e os personagens se veem presos em um campo de batalha onde generais fantasmas, como o General Isidoro Dias Lopes, comandam tropas de Esquecidos em uma guerra sem propósito. O Pesadelo Cardoso “Dedo-duro” simboliza a traição inerente aos conflitos armados, vendendo informações para ambos os lados e garantindo que o ciclo de sacrifício continue.
Mecânicas Expandidas e o Sistema Mosaico
O Dossiê não é apenas um livro de ambientação; ele expande as mecânicas psicodélicas de As Chaves da Torre. O Sistema Mosaico, baseado no uso de cartas, é refinado aqui através de novas tabelas de efeitos e adversários que interagem com os atributos dos jogadores de formas inovadoras. A Corrupção, que no livro básico é dividida em Sombra, Integridade e Psicodelia, ganha novos contornos com as singularidades.
Sombra: O acúmulo de traumas e a influência da Torre. No Dossiê, o adversário Sávio Lúgubre utiliza o valor de Sombra do personagem para determinar a dificuldade de seus ataques mentais na Singularidade Solar Neon.
Integridade: A conexão com a própria humanidade. Singularidades como o Claustro Manicomial drenam a Integridade dos jogadores, transformando-os em Abismais “Ocos” se eles não conseguirem resistir aos tratamentos brutais.
Psicodelia: A percepção alterada e a magia essencial. A Singularidade SNK-97, o Fliperama do Macete, utiliza a psicodelia dos jogos eletrônicos para criar vícios e ilusões que prendem os Protagonistas em memórias de 16 bits.
O uso dos Dados Coloridos continua sendo o pilar central da resolução de conflitos, mas agora os adversários possuem “Reações” e “Características” que mudam conforme os dados rolados. Isso adiciona uma camada tática profunda às sessões, onde saber quando gastar um ponto de Vitalidade ou sucumbir à Corrupção para garantir um sucesso de Tempo pode ser a diferença entre a vida e o esquecimento total.
A Repartição
Um dos maiores méritos do Dossiê das Singularidades é o meta-jogo criado através da Repartição. O livro sugere que os jogadores podem ser, inclusive, agentes dessa organização, ou estarem sendo caçados por ela. Esta estrutura permite que o narrador conduza o jogo através de Estudo de Padrões Reconhecíveis. Por exemplo, o estudo Nº22 aborda as “Fake News Encarnadas”, Avatares surgidos da desinformação massificada que geram convulsão social tanto Aqui quanto Lá.
Esta singularidade é uma demonstração clara de como As Chaves da Torre dialoga com o presente. Ao materializar mentiras em seres de carne e osso, o jogo discute a pós-verdade e a manipulação ideológica. Como filósofo, vejo nisso uma oportunidade única de discutir ética e verdade com o grupo de jogo. Não é apenas sobre rolar dados; é sobre discernir a realidade em um mundo inundado por sombras.
O Legado da Natureza: Do Prisco aos Rafeiros
O Dossiê também aprofunda a cosmologia naturalista. No livro básico, conhecemos o Prisco (animais tradicionais) e o Selvagem (animais vingativos). O suplemento introduz os Rafeiros, animais que não seguem tradições ancestrais e preferem o mutualismo com o ambiente urbano. Esta facção representa uma juventude que rompe com o passado para criar novas formas de existência na Metrópole.
O Tribunal das Leis da Natureza (Singularidade RT-17) é o fórum onde essas disputas são julgadas. Figuras como o Mafagafo, Guru da Linguagem, guardam segredos que podem alterar o equilíbrio entre os mundos. O Zelador dos Encantos, um Prisco executor, garante que as punições sejam cumpridas através de labirintos mágicos que prendem os infratores no Abismo. Esta política interespécie é fascinante e oferece uma alternativa para grupos que desejam focar em intriga e diplomacia mística.
Singularidades de Destaque: Atmosfera e Horror
Além dos temas sociais, o Dossiê entrega cenários de puro maravilhamento e terror. A Singularidade JA-UO, Neve de Verão, apresenta um iceberg flutuante em pleno litoral brasileiro, cercado por um cemitério subaquático de aeronaves e embarcações. É um cenário de distorção climática guardado por feras como o Akhlut, a baleia-lobo, que protege segredos ancestrais encerrados no gelo.
No Scriptorium (Singularidade Série N), somos levados a uma cripta claustrofóbica onde sonâmbulos escrevem linhas ditadas por uma inteligência profana em papel rubro. O ambiente, vigiado pelo Guardião Sombrio, é um tributo à literatura de horror de autores como Neil Gaiman e Stephen King, onde a escrita compulsiva é uma maldição que corrói as memórias do escritor.
Já a Mansão da Eternidade (Singularidade HGW-MC2) explora a atemporalidade. É uma casa que existe simultaneamente em várias épocas, atraindo pessoas que carregam sentimentos de culpa ou perda. Dentro de seus cômodos, o tempo não passa fisicamente, permitindo que personagens de 1914 convivam com outros de 2023. É o cenário ideal para uma campanha longa focada em drama familiar e paradoxos temporais.
Crítica, Empatia e o Futuro do RPG
Rpgista, se você chegou até aqui, percebeu que As Chaves da Torre e o Dossiê das Singularidades não são obras comuns. Elas exigem maturidade. Como discutido na Taverna do Anão Tagarela e nos artigos do Movimento RPG, o nosso hobby está evoluindo para abraçar temas que antes eram tabus. A inclusão de técnicas de segurança e avisos de conteúdo sensível demonstra que os autores respeitam os jogadores e entendem o peso dos temas que estão trabalhando.
A militância no RPG não é sobre panfletagem política barata, mas sobre usar a narrativa para dar voz aos silenciados. Quando o Dossiê descreve o sofrimento na Penitenciária de São Judas ou o abandono no Claustro Manicomial, ele está nos pedindo para não sermos como os Zumbis do Lado de Lá. Ele nos pede para despertarmos o nosso Discernimento.
Conclusão: Por que o Dossiê das Singularidades é Essencial?
Em suma, o Dossiê das Singularidades é uma obra-prima de co-autoria e design de jogo. Ele pega um sistema que já era inovador e o expande de forma orgânica, fornecendo substância para anos de campanha. Arthur de Andrade e sua equipe de parceiros incríveis conseguiram criar um universo que é ao mesmo tempo exótico e familiar, doloroso e belo.
Para quem joga em grupo, as Singularidades oferecem desafios táticos e narrativos que testam a coesão do bando. Para quem prefere o Jogo Solo ou a Mesa Aberta, as tabelas de aleatoriedade e os oráculos baseados em tarô garantem que a Torre sempre tenha uma surpresa guardada na manga.
O maior mérito desta obra, contudo, é a sua capacidade de gerar reflexão. No Mundo Esquecido, o maior inimigo não é o monstro embaixo da cama, mas a indiferença que nos faz aceitar que pessoas e histórias sejam apagadas. O Dossiê nos dá as ferramentas para lutar contra esse apagamento. Ele nos dá as chaves para abrir as portas da percepção e reconhecer a humanidade naqueles que a Torre quer que ignoremos.
Se você busca um RPG profundo, denso, pesado e, acima de tudo, humano, As Chaves da Torre e seu Dossiê das Singularidades são paradas obrigatórias na sua jornada lúdica. Lembre-se: no final das contas, as lembranças são o que nos definem. E o maior ato de rebeldia que um Esquecido pode praticar é recusar-se a esquecer quem ele realmente é.
Fica aqui o meu convite: pegue seus dados coloridos, embaralhe seu baralho de Chaves e venha investigar as Singularidades da Metrópole. Mas cuidado com a névoa, pessoinha linda. No Mundo Esquecido, nem tudo que se perdeu quer ser encontrado, e nem todo caminho leva de volta para casa.
Bom jogo a todos, e que a sua Integridade permaneça intacta diante do olhar da Torre! Se você gostou desta análise e quer apoiar o cenário nacional, não deixe de conhecer o trabalho da Editora Caleidoscópio. A gente se vê em alguma Lacuna no subúrbio ou, quem sabe, nas plataformas de observação de Éxodo. Até a próxima!
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Pesquisas ao Vento é uma aventura pensada para o jogo Brazil: Vapor & Magia, a qual já possui resenha no site e possível de ver clicando aqui. Nesta aventura, um roubo repentino duma pesquisa e uma tentativa de assassinato em sequência leva os personagens a irem atrás de seus algozes, seja quem for.
Esta Ideia para Aventura contará com todas as partes já elaboradas no livro base, com alguns comentários e explicações extras. Contudo, ressalta-se a primazia pelo improviso e a soltura da criatividade, então existirão lacunas a serem preenchidas.
Etapa 0 – Prelúdio
Antes de começar o episódio em si, se esclarece a premissa: a pesquisa de um dos personagens foi roubada por alguém desconhecido e ela precisa ser resgatada. Portanto, um ou mais personagens podem estar envolvidos nela, sendo sobre um grupo de pesquisadores, ou apenas amigos ajudando. Ainda assim, não é necessário que tenha um Inventor no grupo. Considerando os aspectos religiosos, mágicos e tecnológicos do cenário em questão, existem diversas possibilidades para um pesquisador: Babalorixá, Benzedor, Mecanicista, Pajé.
Nisso vem outro fator importante: a pesquisa não deve ser bélica. Isto pode ser decidido pelo(a) próprio(a) jogador(a), sobre qual o cunho da pesquisa. A intenção é que seja algo menos óbvio, como um remédio, uma magia não agressiva, um rito específico; isso para dar uma sensação diferente sobre a Guerra Fria entre Brazil e Inglaterra, dando o tom de que qualquer área está em perigo nesse conflito.
Palavras-Chave
Ademais, é recomendado que o grupo jogando escolha as palavras, mas aqui está algumas possibilidades: Arara, Rapariga, Fumegante, Anil, Lobisomem, Javali, Teatro, Ambulante, Milico, Longuinho, Corno, Espetacular, Brilhoso, Xangô, Cronista, Cupuaçu, Traidores, Choque.
Etapa 1 – Mundo Comum
O episódio começa com os personagens vivendo seu cotidiano numa cidade do interior do Amazonas. Elas podem ser naturais dali ou estarem ali por necessidades da pesquisa (indicando que seja algo relacionado ao natural). Deixe que jogadores descrevam o dia, como o próprio livro sugere.
Continuando, na parte da noite ocorre o “Chamado”, a casa da pessoa(s) pesquisadora(s) é incendiada enquanto dormem e a pesquisa é roubada, algo que é percebido apenas após as chamas se apagarem. Não é obrigatório, mas caso queira considerar como um Perigo, seria um incêndio com DANO 1d3+3 e DESVANTAGEM na visão.
Quando perceberem a falta da pesquisa, devem ir em direção a sua reaquisição, sendo essa a Missão Principal. Nisso, começa as Missões Secundárias: 1 – Viajar em busca dos ladrões; 2 – Descobrir o mandante do assalto; e a 3 dependerá do percurso da narrativa.
Etapa 2 – Desenvolvimento
Na etapa 2 é onde fica o desenvolvimento das missões secundárias, tendo comentários sobre seu conteúdo e caminhos a serem seguidos. No final, uma fala sobre possíveis Perigos.
1 – Viajar em busca dos ladrões
Os personagens chegarão, uma hora ou outra, no rastro dos ladrões. Eles estão indo em direção a Manaus e nisso existem duas possibilidades. Primeira: caso os testes tenham sucesso ou maior, eles podem encontrá-los a caminho da cidade e após um Perigo (que pode ser natural), pegar um deles para tirar informações. Segunda: tendo muitos “foi quase” e “algo deu errado” eles encontrarão os ladrões apenas já em Manaus. Caso o persigam, eles tentarão despistar as personagens na construção do que virá a ser o grande Teatro Amazonas (nisso, um Perigo).
Além disso, em ambos os casos, conseguirão alguém para a quem tirar suas dúvidas e descobrir mais sobre, porém isto é parte da próxima missão.
Durante esta viagem, os personagens se deparam com uma figura bem trajada, com um chapéu tampando parte dos olhos e um aroma de whisky inconfundível. Esta figura estará os questionando sobre ocorridos recentes e suspeitos, no qual ela tem muito interesse. Trata de agente da Ordem do Cruzeiro do Sul, divisão Acrux, investigando o caso. Se jogadores colaborarem, a pessoa pode fornecer um transporte mais rápido para eles; isso inclui uma tecnologia experimental com um motor a vapor, dum veículo terrestre sobre duas rodas e ultra veloz.
Querendo nomes para personagens coadjuvantes e sem ideia? Tente este site! (Talvez não funcione bem para os outros povos presentes no cenário)
2 – Descobrir o mandante do assalto
Nesta segunda missão também há diferentes caminhos a depender da anterior. Caso personagens consigam interceptar os assaltantes no meio do caminho, é possível que retornem a sua cidade de moradia e investigar por lá, podendo achar telegramas enviados (uma cópia costuma ficar guardada por 24h, como terão acesso a isso é problema dos jogadores).
Tendo pego um deles apenas em Manaus, jogadores terão DESVANTAGEM por ter que lidar diretamente com forças maiores. Esta desvantagem pode sumir se aceitarem ajuda da Ordem do Cruzeiro do Sul, através da pessoa já mencionada.
Em ambos, interrogar os assaltantes é parte do processo e tendo um “foi quase” ou maior nos testes é possível descobrir que são milicos traidores da pátria, que trabalhavam para um coronel que pretendia vender a pesquisa para uma espiã industrial inglesa. Os processos anteriores de investigação seria para fundamentar a acusação.
3 – Enfrentar o Coronel ou Recuperar a Pesquisa no Rio de Janeiro
As divergências causadas anteriormente nas missões impactam o final e seu clímax, os modifica; ou seja, abre espaço para se ter duas opções de missão.
Seguindo a linha onde os jogadores conseguiram interceptar antes dos assaltantes chegarem em Manaus, eles terão que ir até a cidade enfrentar o coronel que arquitetou o plano e pretendia trair a pátria.
Na linha onde conseguiram apenas em Manaus, pode se enfrentar o coronel (verbalmente). Contudo, a pesquisa já está a caminho do Rio de Janeiro para ser vendido para a espiã inglesa, no Mercado Municipal do Rio de Janeiro. Mercado particularmente bem movimentado, onde se pode encontrar itens do dia a dia, mas também venda ilegal de espécimes raras do Brazil, e por isso local para venda ilegal de pesquisa.
Diferente do Teatro Amazonas, uma grande obra e patrimônio de nosso país que existe até os dias atuais, o Mercado Municipal mencionado foi criado no século retrasado e fechado no passado. Como não considero que alguém o conheça, segue um link para tal.
Perigos
Os Perigos são parte essencial de episódios, a princípio ressalto que a rolagem para tal não se modifica, todavia há alguns inimigos próprios do episódio.
Assaltantes
NP: Bucha de Canhão
Encontros: 1d3+2
Dano 2 (revólver)
PV: 12
Descritores: Humanoide. Tamanho Médio
Tiro de Aviso (Especial) – Quando uma personagem tira “algo deu errado” num teste de ataque, recebe o dano aumentado em +1.
Boatos: Dizem ser antigos cabos expulsos do exército por “mal comportamento”.
Capitão
NP: General
Encontro: 1
Dano 3 (revólver)
PV: 30
Descritores: Humanoide.
Tamanho Médio
Atributos: Int (DV)
Chamar Reforços (Especial) – A partir de um tiro de sinalizador, ele chama 1d3 Assaltantes para lhe ajudar, uma vez por combate.
Boatos: Tem alguns conhecimentos mágicos em seu arsenal.
Coronel
NP: Chefão
Encontro: 1
Dano 6 (fuzil)
PV: 68 (talvez sua idade)
Descritores: Humanoide. Tamanho Médio
Explosivos (Especial) – Por algum motivo este louco guarda granadas em sua escrivaninha. Nunca se sabe. Eles causam DANO 1d6+3 numa área de 2d6+2 metros.
Boatos: Parece ter orgulho de ter uma linhagem inglesa.
Guarda Costas de Ferro
NP: Chefão
Encontro: 1
Dano 5 (martelo dínamo)
PV: 79
Descritores: Artificial.
Tamanho Grande Atributos: For (DV)
Martelo Dínamo (Especial) – ativando com uma corda, o martelo passa a gerar energia elétrica em suas extremidades, aumentando o dano do martelo em +1 por 2d6 turnos. Ao final desses turnos, ele dá um golpe no chão com um pulso elétrico que imobiliza por um turno personagens ao redor até 6m, além de causar DANO 4.
Imunidade: Não recebe dano de fontes elétricas ou fogo.
Boatos: Dizem que esta criação é mais uma pesquisa roubada pelos ingleses.
Etapa 3 – Clímax
Após o final da Missão Secundária 3, há a opção de rolar o perigo ou lutar imediatamente contra um dos Chefões introduzidos no tópico anterior. Personagens enfrentarão diretamente o Coronel, para impedir que ele fuja. Ou, no caso de irem para o Rio e se entrarem em combate contra a espiã, ela fugirá e deixará vocês lutando contra um Guarda Costas de Ferro (veja a parte de Perigos).
No fim, considerando que se vença os combates, a pesquisa é recuperada, a Missão Principal cumprida e pode se ter a rolagem de ganchos e prêmios. Um prêmio possível é o brasão da Ordem, se aceitaram a ajuda da pessoa membro.
Quanto aos ganchos, este episódio pode ser o início de uma temporada ainda relacionada à pesquisa. Depois de recuperá-la, vocês entregarão para a Academia de Ciência e Tecnologia braziliense ou manterão o orgulho e patentear sozinhos? Conseguirão defender ela por contra própria? Aceitarão ajuda da Ordem?
Muitos caminhos podem se seguir, boa sorte com eles.
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Assassin’s Creed já é uma franquia consolidada a um ponto que talvez não seja mais preciso apresentações. Com uma franquia de quase 20 anos, o primeiro jogo lançado em 2007 nos apresentou um mundo intricado de tramas envolvendo a guerra basicamente eterna entre os Templários e a Ordem dos Assassinos.
Somos colocados na pele de inúmeros descendentes de assassinos que através de uma tecnologia inovadora, conseguem acessar e experienciar as memórias de seus antepassados, na esperança de descobrir segredos para a vitória nesta guerra que ainda ocorre no presente.
Nos últimos anos, esse vasto universo ganhou um rpg de mesa na forma de Assassin’s Creed RPG, com um sistema dinâmico para contar suas histórias nesse rico universo, que foi trazido no Brasil pela grande Capycat Games e hoje trago a vocês 6 ideias de períodos históricos e aventuras que o Mestre pode usar em suas mesas!!!
Aventura 1: Sob o império cruel
No meio do Reino da Polônia em 1031, Besprim, o filho mais velho de Boeslau, O Bravo, é um Templário de baixa patente que comanda o reino com crueldade e mão de ferro. Isso enquanto organiza buscas metódicas na área por um antigo artefato: A Caixa de Pandora.
Um antigo artefato cobiçado pela alta cúpula da ordem. Mas com a falta de “finesse” do regente, rapidamente seus esforços se tornam públicos a Ordem dos Assassinos, que envia um grupo na esperança de impedir que o artefato caia em mãos erradas.
Aventura 2: A Jornada por Z
Brasil, no meio da Guerra do Paraguaí, um dos oficiais brasileiros se revela um Templário, e o braço sul-americano da Irmandade, interceptando um de seus contatos. Assim, descobre que ele está com o mapa de uma antiga cidade feita de ouro localizada no meio da Floresta Amazônica, com o informante apenas se referindo à localidade como “Z”…
Aventura 3: A Jornada do Oeste
No meio da Dinastia Ming, a Irmandade descobre que um Templário infiltrado como um estrangeiro na corte está tentando conseguir ativar um antigo e poderoso artefato bem no centro da Cidade Proibida.
Aventura 4: O Infinito de Ganesha
Na Índia, no século VI, à beira da queda do Império Gupta, inúmeros soldados hunos são enviados para proteger uma região completamente remota, que, segundo espiões da Irmandade, pode estar relacionada com uma possível localização de um Artefato do Éden.
Aventura 5: No meio do Inferno
O ano é 1918, a 1ª Guerra caminha para o seu final, e toda a brutalidade da mesma atinge seu ápice. E no meio das Terras de Ninguém, um grupo de soldados estadunidenses se vê tendo que completar a missão de um Assassino morto. A missão dele era entregar documentos que poderiam acabar com a guerra, mas com um pequeno empecilho. Eles devem atravessar as trincheiras, os tanques alemães, e chegar até Berlim, o coração do Império Alemão!!
Aventura 6: O Vale da Morte
Quatro irmãos assassinos se veem tendo que fugir da Espanha em razão da Inquisição em 1491. Entretanto, antes, eles devem descobrir, a mando da Ordem, o que parece ser uma antiga conspiração envolvendo a Igreja Católica. Essa investigação parece levar até a crucificação de Jesus Cristo, que parece de alguma forma, ligada aos Artefatos do Éden…
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O sistema Daggerheart chega ao Brasil em breve, mas a equipe do Movimento RPG já teve a oportunidade de conferir essa novidade do mundo dos dados.
Criado pela Darrington Press (editora do Critical Role) e traduzido pela Jambô, o Daggerheart admite que bebe da influência de vários jogos, mas tenta apresentar noções inovadoras, como os dados de dualidade e um baralho de cartas para complementar as partidas.
Segundo a própria Darrington Press, a proposta do jogo é combinar “profundidade tática com liberdade narrativa”, em um RPG de fantasia heróica. O foco está na história contada em grupo, mas o combate também tem um papel importante.
E é isso que vamos conferir nos próximos parágrafos, na nossa resenha de Daggerheart:
Um sistema de RPG nascido no Critical Role
Daggerheart foi publicado pela Darrington Press, a editora oficial do Critical Role (famoso streaming de RPG dos Estados Unidos).
O jogo tem Spenser Starke como diretor de game design, e o mestre das três primeiras campanhas de Critical Role, Matthew Mercer, também faz parte da equipe.
Eles também trabalharam em suplementos para D&D, como o cenário de campanha Tal’dorei Renascido e a campanha oficial Call of the Netherdeep, ambos em Exandria (o mundo de Critical Role).
O que tem no kit Daggerheart pela Jambô?
A Jambô se apresenta como a casa da Darrington Press no Brasil, e se dedicou em trazer Daggerheart para o país com toda a pompa e circunstância que os fãs estão esperando.
O livro básico está chegando em capa dura e repleto de ilustrações que já chamam a atenção na versão digital. Ainda não tivemos a oportunidade de ver a exemplar físico para opinar sobre qualidade de impressão e revisão final, mas a Jambô não costuma decepcionar.
Pré-venda Daggerheart – Reprodução Jambô
Além do livro, o Daggerheart também vem com um baralho de 279 cartas ilustradas, tudo dentro de uma caixa muito bonita, com material rígido e tampa com ímã.
É claro, tudo isso acaba elevando um pouco o preço do produto. O investimento tende a ficar acima do necessário para um RPG tradicional, que se resume a um livro.
Classes e ancestralidades: os povos de Daggerheart
Como de costume em um RPG de fantasia, todo jogador de Daggerheart tem à sua disposição uma lista de opções para montar seu personagem.
As classes seguem paradigmas tradicionais de fantasia medieval, com algumas variações mecânicas interessantes.
Ao tratar de raças/espécies, Daggerheart opta pelo termo “ancestralidades” — o funcionamento é o mesmo, mas a escolha de palavra é bem-vinda, oferecendo uma sensação de respeito à diversidade que é presente ao longo de todo o livro.
Há opções tradicionais, como humanos, elfos e anões, assim como possibilidades menos ortodoxas, como humanoides robóticos (clanks) e criaturas-fungos (fungrils). No total, são 18 ancestralidades, com habilidades e estilos de jogo distintos.
A variedade é divertida, criativa e cheia de possibilidades interessantes. E o respeito à diversidade merece destaque.
Um destaque de Daggerheart é a variedade de ancestralidade; o Ribbet, na foto, é um exemplo. Arte: Bear Frymire | Reprodução Daggerheart
Experiências: backstory integrada às mecânicas do jogo
Para personalizar a criação de personagens, o sistema propõe o conceito de experiências. São habilidades ou conhecimentos específicos que refletem a ancestralidade escolhida, a comunidade em que a pessoa cresceu e a vida que ela levou.
Não há uma lista de experiências disponíveis no livro. Pelo contrário: cada jogador deve criar suas próprias. Assim, elas são exclusivas e representam a individualidade de cada personagem.
E o destaque vai para o fato de que elas são integradas às mecânicas do jogo. Ou seja: a backstory de seu personagem não é só uma ferramenta de roleplay, mas também tem relevância na hora de rolar os dados.
As mecânicas de Daggerheart
Antes de levar seu novo personagem para aventura nos mundos de Daggerheart, você precisa saber como exatamente fazer isso. Então, nos próximos tópicos, vamos discutir as principais mecânicas do jogo.
Esperança, medo e os dados de dualidade
Em vez de sistemas d20 ou d6, Daggerheart apresenta o conceito de dados de dualidade.
Para a maioria dos testes, o jogador vai rolar 2d12 de cores diferentes — um representando Esperança e o outro Medo. Para definir se passou no teste ou não, usa-se o resultado maior, somado aos modificadores adequados.
Caso o dado de Esperança seja o maior, o jogador ganha um ponto de Esperança, que pode usar para usar ou turbinar habilidades específicas. Já se o de Medo for maior, o resultado pode ter uma consequência negativa. Além disso, o mestre ganha um ponto de Medo que pode usar para ativar suas criaturas ou criar desafios.
Se os dois dados forem números iguais, o resultado é considerado um acerto crítico.
Em Daggerheart, as armaduras não são usadas para evitar golpes, e sim para reduzir o impacto quando o personagem é atingido. Isso significa que, a cada ataque sofrido, o jogador deve avaliar se o dano causado ultrapassa seus valores de “limiar de dano” fornecidos pela armadura. Isso vai determinar quantos pontos de vida (entre 1 e 3) ele vai sofrer naquele ataque específico.
Esse sistema oferece um balanceamento diferenciado para os combates, mas a complexidade parece um tanto desnecessária e acaba deixando os turnos mais demorados. Afinal, a cada ataque sofrido, o jogador precisa fazer cálculos e tomar decisões.
Além de pontos de vida, os personagens de Daggerheart também têm pontos de fadiga, que representam cansaço e estresse. Ao alcançar o limite desses pontos, um personagem fica vulnerável, mas pode experimentar algumas habilidades especiais.
Essa ideia não é uma exclusividade de Daggerheart, mas é muito bem-vinda.
Holofotes e turnos sem ordem de iniciativa
Daggerheart não tem turnos ou ordem de iniciativa em seus combates.
Isso favorece uma narrativa mais solta e lutas baseadas no que faz sentido para o momento e para os personagens dentro daquela história específica. Por outro lado, diminui a previsibilidade e pode causar uma disparidade na mesa, com vantagens para jogadores mais extrovertidos.
Por isso, é uma opção interessante, mas que não vai funcionar para todas as mesas. Mestre e jogadores precisam avaliar se faz sentido para o jogo que eles pretendem jogar.
Daggerheart não tem turnos ou ordem de iniciativa em seus combates – Reprodução site Daggerheart
Cartas numa mão, dados na outra
Um desafio em muitos jogos de RPG é o fato de que cada personagem — principalmente em níveis mais altos — tem uma imensidão de habilidades anotadas em sua ficha. E nem sempre ele lembra o que cada uma delas faz.
Daggerheart resolve isso com um baralho de cartas que explicam em detalhes o que seu personagem é capaz de fazer.
É uma excelente escolha para facilitar o jogo, mas adiciona um pequeno degrau de complexidade prática. Porque agora, além de livro, ficha e dados, seus jogadores precisam também pensar nas cartas.
Isso aumenta o custo do jogo e requer um cuidado extra. Plastificar as cartas, por exemplo, pode ser uma boa ideia para evitar desgaste.
Morte e suas escolhas difíceis
Morte de personagens é comum em RPGs, mas Daggerheart propõe algo um pouco diferente. Ao marcar o seu último ponto de vida, o jogador precisa escolher entre:
Evitar a morte: Cai inconsciente e pode receber uma cicatriz, um medo ou uma memória dolorosa.
Arriscar tudo: Rola os dados de dualidade. Se Esperança for maior, recupera parte dos pontos de vida e fadiga. Se Medo for maior, morre imediatamente. Se for um acerto crítico, recupera 100% dos pontos de vida e fadiga.
Sacrifício glorioso: Faz uma ação com sucesso crítico automático e morre na sequência, em um momento épico.
Adversários e ambientes: quem você vai enfrentar em Daggerheart?
O livro básico de Daggerheart disponibiliza várias fichas de adversários para povoar o seu mundo e desafiar os seus jogadores. Além disso, ele tem opções para personalizar essas fichas.
Na prática, isso significa que o mestre não precisa comprar um livro de monstros. Tudo já está disponível no livro básico.
Um adversário poderoso em Daggerheart – Reprodução site Daggerheart
Além disso, Daggerheart também usa fichas para ambientes. Essa é uma forma criativa de ajudar o mestre a aumentar o dinamismo dos combates e até acrescentar riscos e oportunidades em momentos de exploração ou interpretação.
Essas fichas sugerem inimigos que podem ser encontrados no local, impulsos que ele pode causar nos personagens, assim como possíveis desafios.
Cenários de campanha: os mundos de Daggerheart
Ao fim do livro básico, Daggerheart oferece ainda uma lista de seis cenários de campanha, para alimentar a imaginação do mestre e já começar a abrir o caminho para a criação da sua aventura.
Essa seção entra em detalhes sobre como cada um desses mundos funciona e como o mestre pode utilizá-lo. Além disso,os cenários têm abordagens e níveis de complexidade distintos, para se adequar a diferentes tipos de grupos.
O cenário O Surto Selvagem, por exemplo, é focado em aventuras épicas e heroicas, com um toque de estranheza e sobrevivência na natureza. Já Festim das Bestas tem um tom mais bem-humorado e leve, trabalhando temas como amizade e superação de medos.
Para completar, os cenários também servem como base para mestres que quiserem criar o seu próprio mundo, colhendo inspirações do que for mais interessante para as vontades do seu grupo.
Conclusão: vale a pena jogar Daggerheart?
Depois de ler esse livro, fica evidente que Daggerheart é um trabalho de amor. Há um cuidado imenso dedicado a cada página, desde as ilustrações até as mecânicas.
Para começar, oferecer seis cenários e várias fichas de adversários já no livro básico é uma estratégia positiva, que permite que a mesa não dependa de livros complementares.
Além disso, o foco em respeito à diversidade precisa ser reconhecido. É um livro acolhedor, respeitoso e que dá um quentinho no coração.
As mecânicas são interessantes, com novidades instigantes. Ainda assim, não é um jogo para todo mundo.
É um RPG mais focado na narrativa e um tanto dependente da boa vontade dos jogadores (o que pode ser desafiador em algumas mesas). Além de ter opções que podem deixar a partida mais lenta e menos dinâmica.
Vale mencionar que as ilustrações são lindas, as cartas são incríveis, a caixa parece ser muito bem feita, mas Daggerheart não é um RPG barato. E isso precisa ser levado em conta.
Enfim, o veredito final é que Daggerheart é um jogo divertido, criativo, gostoso e cheio de potencial. Você só precisa avaliar com a sua mesa se é o jogo certo para vocês! Para fazer isso, vale a pena assistir a alguns vídeos e ver mesas de actual play. Essa é a melhor forma de conferir se é isso que você está procurando.
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