Manuscritos são artigos relacionados aos mais variados temas dentro do contexto do RPG. Variam de histórias próprias, contos, compêndios, resenhas e colunas com textos autorais.
O Discord é uma plataforma voltada para o público gamer, mas vem tomando proporções na comunidade RPGistica devido à pandemia. Muitos mestres estão migrando suas mesas para a plataforma, evitando realizar presencialmente com tudo que está rolando. Aqui ensinaremos alguns passos de como deixar sua mesa no Discord mais avançada, vamos lá!
Escolhendo o servidor
Servidores no discord podem envolver qualquer tipo de comunidade: Fãs de uma celebridade, amigos, times de e-Sports, mas o intuito do nosso servidor é RPG, então precisamos definir: Vamos fazer um servidor próprio, ou nos filiar a um servidor focado em RPG?
Servidores focados em RPG são ótimos se você está em busca de jogadores para sua aventura, ou até mesmo suporte para fazê-la. Normalmente, esses servidores contém categorias para cada mesa de RPG, separando elas e atendendo a privacidade dos mestres.
Servidores próprios tem a vantagem de serem privados, contendo assim seus próprios canais para serem usados por você, seus amigos e os bots do servidor.
Escolhendo os canais para a mesa
Os canais, podem tanto ser de texto (chats) como de voz (chamadas). Cada canal pode ter seu próprio uso. Por exemplo, um canal só para rolagens de dados, outro chat só para mapas, um canal só para anotações, entre outras finalidades. Algumas funções, como colocar uma trilha sonora ou rolar dados, são necessários a inserção dos bots, que são o nosso próximo tópico.
Bots, os robôs que nos ajudam
Os bots são usados para substituir funções das mesas presenciais. Rolar dados e colocar trilhas podem agora ser realizadas com simples comandos. Um dos bots mais conhecidos para colocar músicas/trilhas sonoras é o Groovy, basta clicar no nome que você vai para o site dele e adiciona ele ao seu servidor. Os comandos são simples, como “-p trilha sonora medieval“, ou até colocar um link de algum vídeo específico.
O comando “-skip” pula para a próxima música, o “-stop” para a música que está sendo tocada e o “-leave” faz ele sair da chamada. Já para rolar dados, o mais usado é o “-rollem“. Ele tem comandos simples, basta digitar o nome do dados, “1d20” e “1d100“, por exemplo. Novamente, basta clicar no nome e entrar no site dele para adicionar ele no servidor.
Sugestão
Um servidor parceiro do Movimento RPG é a Torre do Mago, com uma staff ativa diariamente e mais de 15 bots para ajudar nas suas mesas de RPG!
Tudo pronto?
Agora está tudo pronto! Tire um tempo com seus amigos e faça sua campanha de RPG online até que retornemos a poder realizar presencialmente. Até a próxima!
A New Order editora lança sua nova revista do mês de março, a New Order Magazine – NOM#38, você confere o resumo dos temas abordados aqui!
Abaixo você encontra os conteúdos da revista e um breve resumo sobre os assuntos tratados!
Afonso Tresdê (3D)
Afonso é empresário, influencer, apresentador e RPGista, além de outras multifacetas. Nessa matéria você vai conhecer mais sobre Afonso Santos Júnior, mais conhecido como Afonso 3D.
Por exemplo, você vai ficar sabendo sobre seu projeto duplo (?) chamado Terra Leste. Primeiramente se pensa que é uma empresa de experiência medieval, com cervejas deliciosas e Canecas muito legais, como essas que você confere logo abaixo.
Porém é muito mais, ela é um cenário medieval, com reinos, povos, raças e lendas, onde é relacionado cervejas às histórias. Segundo Afonso “com uma licença poética, nós somos o Leste que Tolkien não escreveu sobre!”
Criador de conteúdo, bem como apresentador, Afonso participa no GEEKMIX, um programa da Rádio Mix, no Rio de Janeiro.
Gostou? Então confere também a loja do Afonso clicando aqui!
O Legado de Anansi
A NOM#38 traz a continuação da aventura escrita por Daniel “Jan” Firmino. O legado de Anansi trabalha a perspectiva da escravidão no Brasil Colônia. Primeiramente, a aventura aborda de forma lúdica as atrocidades do período colonial, feitas pelos senhores de engenho. Dessa forma os participantes percebem o sofrimento e a luta por liberdade dos povos africanos.
A aventura aborda a Maldição de Anansi, que recai sobre a cidade de Salvador, onde seres etéreos se manifestam como resultado do sofrimento do povo africano. Dessa forma, estas Criaturas do Mundo Espiritual interferem com o mundo material, castigando os habitantes da colônia.
Definitivamente eles não tem muito tempo para se prepararem para a jornada até Salvador.
Erston, A cidade Voadora Abandonada
Esta matéria da New Order Magazine, você encontra uma cidade/cenário/aventura(talvez?) sobre a cidade voadora abandonada de Erston. Segundo a revista Erston está em algum ponto do universo, afastada de planetas extremamente habitados e grandes centros populacionais. Sobretudo, a cidade está literalmente flutuando pelo espaço.
Acima de tudo estas informações podem ser facilmente adaptada para os mais diversos cenários conforme a vontade do Mestre. Você pode usar estas informações em qualquer sistema, futurista assim como medieval. Além disso, a matéria traz um mapa da cidade de Erston, que pode ser vastamente explorado pelo mestre e seus jogadores.
No Mundo a Vapor
Carol Bernardino fala neste capítulo sobre Steampunk, este gênero que faz tanto sucesso entre RPGistas e leitores. Primeiramente Carol descreve o que é Steampunk e dá dicas de livros que trazem a temática, como inspiração para mestres.
Nesse sentido, Carol apresenta várias dicas para mestres, bem como dicas sobre o cenário e contextualização da importância das engenhocas.
Ela traz também alguns exemplos de tramas comuns e o uso da magia como adição ao gênero. Além disso ela descreve as subdivisões do gênero, Western, Urbano e Futurista.
Ainda mais, apresenta alguns sistemas que já trabalham esse gênero, como Deadlands: Oeste Estranho, bem como várias dicas de criação de cenários que tenham esse tema.
Guerra em Shin-Edo
Agora a New Order Magazine – NOM#38 retoma o mini-cenário A Filha do Demônio para Kuro. Em síntese, esta matéria dá continuidade ao que já vinha sendo tratado em edições anteriores. Veja o quadro abaixo.
RETROSPECTIVA DO CENÁRIO NOW#9: Introdução ao cenário: A Filha do Demônio NOW #10: Aventura: A Filha do Demônio Parte 1 NOW#11: Aventura: A Filha do Demônio Parte 2 NOW#12: Regras Alternativa: Androides como opção para personagens dos jogadores
Dessa forma o cenário tem como objetivo direcionar a história e guiar o Mestre e seus jogadores a um lado político e violento do cenário.
Bem como, nesta matéria você confere também a ficha de Yo Keiko, A Filha do Demônio!
Redator Convidado
Em seguida temos a matéria do redator convidado desse mês, José Esteves. Ele nos traz uma lista com dez novos itens para Kuro!
Em outras palavras, estes itens podem ser utilizados pelo mestre como recompensa em missões, para seus jogadores.
Em suma, Redator Convidado é uma seção tem o objeto de publicar artigos recebidos pela New Order Editora, por e-mail, onde um é selecionado para ser publicado na NOM mensalmente.
Selva de Cortiço – Parte 1
Revista boa, revista bonita, revista bem feita não poderia deixar de ter uma matéria sobre…
A New Order Magazine – NOM#38 traz a você uma nova perspectiva sobre os cortiços. Selva de Cortiço leva você a miséria da base dos amontoados de aço, doenças e pobreza ao topo dos cortiços, onde os que tem mais recursos vivem.
Além disso a matéria dá explicações sobre as zonas dos cortiços, bem como você terá informações sobre quem frequente este lugares e ideias de contatos para as diferentes zonas.
Enfim chapa, esse é só o começo. Há uma parte 2 por vir, então já aproveita e assina a revista para não perder.
Em seguida, Daniel “Jan” Firmino traz um novo personagem para uso do mestre, dentro do sistema de Numenera.
Ploneus Woun é um explorador e herbalista, que destina seu tempo a explorar a exótica flora do Nono Mundo, inclusive com vários periódicos publicados.
Nesse sentido, Ploneus pode ser usado pelo mestre como aliado ou antagonista aos personagens.
Talentos Mágicos
Logo após Numenera, temos uma matéria sobre Starfinder, temos uma lista vasta de novos talentos mágicos para este sistema.
Nesse sentido você encontra talentos que complementam a lista que existe no livro básico de Starfinder Roleplaying Game.
O mestre tem a palavra final, sempre, na aprovação do uso em jogo. Então abuse dos novos talentos, mas sempre use o bom senso!
Bestiário: Rastejador Arenoso
Finalmente Pathfinder!
Carlos “Ximu” traz os detalhes sobre o Rastejador Arenoso, uma criatura que se adapta à região que nasce. Traz a ficha detalhada da criatura jovem, tanto quanto adulta para ser usada pelo mestre.
A matéria descreve a origem da criatura e sua visão geral, dá detalhes da fisionomia, comportamento e reprodução. Bem como formas de matar esse super-predador.
Biblioteca de contos
Em seguida, quase finalizando a revista, temos a biblioteca de contos com Balística: Fear of The Dark. Nela, Leon Laiber apresenta uma história incrível cheia de robôs, trazendo o melhor do futurismo.
Robôs, batalhas no espaço e um desfecho inesperado, são alguns dos pontos deste conto!
Dados & Pipocas
Definitivamente o foco da NOM#38 são os temas Sci-Fi e Cyberpunk. Dessa forma a Dados e Pipocas desse mês apresentamos a resenha de um Anime muito popular no Japão, o Psycho-Pass!
Com muitos elementos futuristas e da distopia tecnológica, Psycho-Pass teve sua primeira temporada lançada em Outubro de 2012 no Japão, agora, quase dez anos depois, ainda se mantem forte e popular!
Gostou?
Então garante o seu apoio à New Order Magazine lá no Catarse.
O tempo estava fechado, com prenúncios de chuva, mas nada que pudesse, de fato, atrapalhar a jornada. Gorac estava preocupado com Kagror, pois o ferimento da luta ocorrida contra os Autarcas fora grave. Havia o vigor da raça ao lado daquele grande guerreiro, mas o líder sabia que muitos valorosos Orcs tinham sucumbido diante de inimigos silenciosos. Mesma situação se aplicava às queimaduras sofridas por outros membros do grupo.
Diante da situação e pensando que até o momento tinham acumulado vitórias e espólios especiais, pensou em não agir como tolo, resguardando suas forças para as verdadeiras batalhas. Se o velho Shivar estivesse certo, haveria dificuldades à frente que demandariam força completa. Sendo assim, quando a paisagem pedregosa começou a mudar, destacou o rastreador Orog e o mateiro Xalax para irem a frente com a intenção de acharem um bom local para acamparem e reporem as forças naquele dia.
A Mata Velha não podia ser ignorada, havia criaturas de grandes proporções e magia antiga naquele local. Histórias diziam como o ambiente tinha olhos invisíveis e vontade sob aqueles que ali adentravam. Diante disso, sabiamente Gorac destacou sua arqueira de maior habilidade, Anáxalas para caçar algo que pudesse ser usado em um rito de oferenda à entidade que regesse aquele mar verde que adentrariam, foi antes específico que a caça fosse proveniente ainda daquele limite rochoso que estavam atravessando.
Kagror, Gorac, Mira e Shivar mantinham a marcha enquanto os demais seguiram as ordens dadas. Aos poucos a vegetação se espalhava para todos os lados, um caminho irregular, repleto de rochas de tamanhos variados cobertos por raízes, musgos e plantas variadas e grandiosas. Havia um poder vital retumbante naquela morada ancestral das entidades naturais. Apesar de questionador de alguns costumes de seu povo, Gorac respeitava a magia e as histórias originadas dela, portanto havia cautela em seus passos. Tal cuidado, seria recompensado pela percepção apurada de Mira, que foi a primeira a alertar sobre rastros frescos notados no caminho que faziam. Segundo ela, provavelmente um grande javali. O alerta deixou todos mais atentos aos movimentos da floresta.
Para alguns, é apenas mais uma batalha
O estado de atenção foi crucial para que repentinamente o grupo notasse o barulho de um avanço violento pela vegetação. Os galhos quebrando, os sons dos cascos brônzeos e as presas ferozes que se jogavam em uma carga mortal em direção a eles. Infelizmente para aquela besta furiosa, havia diante dela Orcs forjados em batalhas, experientes e sagazes quando o assunto era sede de sangue.
Mira foi a primeira a se movimentar com a intenção de sair da direção da investida, ao mesmo tempo em que disparou uma flecha certeira no corpo do animal. Gorac ergueu Shivar pelas roupas e o arremessou em um galho grosso, enquanto sacava com a outra mão, uma de suas machadinhas. Kagror ficou imóvel esperando o momento, também de posse de lâminas menores, neste caso, adagas.
A besta sofreu com a flechada, mas manteve a corrida em direção a Kagror, que esperou até a janela derradeira de tempo para esquivar-se e desferir um golpe que rasgou o couro rígido com facilidade. Ao continuar sua rota, Gorac teve espaço para arremessar a machadinha com violência e precisão na base do pescoço do animal, que ao ser atingido gradativamente diminuiu seu ritmo até sua queda e morte, metros à frente.
Todos riram da situação, descontraindo o momento, já que imaginaram animais mais ameaçadores do que um Casco Brônzeo, proveniente daquele ambiente opressor. Com a presa abatida, percebiam que somado à caça dos animais de carga que estavam consigo, havia muita comida e recursos, algo que poderia significar uma coisa, um descanso longo regado a muita comida.
Os batedores encontraram um espaço adequado abaixo de uma pedra inclinada, havia cobertura e espaço ideal para acampamento. Os itens saqueados dos Autarcas traziam mais luxo aquele ambiente selvagem, o que mais agradou na pilhagem foram temperos e ervas que traziam mais sabor à carne. Orog e Xalax também haviam tido sucesso em suas empreitadas, acharam raízes e plantas necessárias aos cuidados que todos requisitavam para melhorarem.
A caçadora por outro lado ficou irritada, pois teve todo cuidado de trazer uma oferenda, enquanto seus companheiros já haviam matado um animal de grande porte. Ainda assim, Anáxalas fez os ritos antigos, montando um grande patuá com ossos do javali, enfeitou-os com penas das grandes aves e o pendurou em uma árvore com a intenção de agradecer a caça enquanto prestavam respeito ao poder do ambiente que os cercavam. Todos entoaram gritos e canções de guerra seguindo os rituais das épocas tribais de outrora. Com o rito solene prestado, prepararam grandes fogueiras para aproveitar a fartura que ali havia.
Os sussurros da Mata Velha
Gorac designou as vigílias e deitou-se mais aliviado percebendo que Mira havia feito boas escolhas. O grupo que o acompanhava era forte. No próximo dia, já a tarde avançariam lentamente, o que seria suficiente para o vigor e fôlego retornar aos corpos de todos, porém a noite escondia mistérios…
O líder foi despertado com uma estranha sensação de perigo. Ao acordar não havia ninguém à sua volta, apenas a fogueira crepitante e uma figura sentada ao lado dela. O indivíduo era franzino, uma figura humana cansada e idosa, mas de barba branca bem aparada espalhada pelo rosto marcado pelo tempo, rugas se acumulavam e contavam histórias de décadas de vida. Já não havia cabelo em sua cabeça e mantos adornados protegiam seu corpo, provavelmente do frio. Apesar da idade não tinha uma aparência curvada, logo notou que a figura conseguia manter uma postura ereta e firme. O encontro sinistro fez com que Gorac pegasse sua arma, mas ao levantá-la notou que a mesma estava envelhecida, enferrujada e quebradiça. Urrou e partiu para combate, amaldiçoando aquela bruxaria e pensando em acabar com o velho com seus punhos e dentes, mas antes que desse um passo mais sentiu forças invisíveis segurando-o.
O velho interrompeu o rompante furioso dizendo:
“Não há forças em seu corpo para lutar contra os conhecimentos antigos. Não se preocupe, mestre de batalha, não sou seu inimigo e muito menos estou aqui para ameaçar sua jornada. Na verdade, seus passos irão atravessar os meus por um fortuito acaso semeado por mim décadas atrás. Infelizmente meu corpo carece de cuidados, já que está dormente e selado, mas minha mente e minha magia apenas cresceram com o tempo. Estou aqui para lhe passar uma mensagem, neste ambiente solene no qual os senhores dos sonhos semeiam suas vontades. Estou aqui para que você decida prosseguir algo que teve início com os pequenos Kobolds. Necessito de sua ajuda para me libertar das correntes que me prendem. Caso faça isso, terá a seu lado um Veneficus, um dominador dos Geodos Arcanos há muito dormente em uma prisão subterrânea esquecida.
Shivar foi um dos muitos que inspirei em suas noites de descanso para construírem e prosperarem, sem perceberem que estavam em minha busca, em um trabalho por minha liberdade. Porém, a iminente aproximação dos Kobolds despertou defesas antigas que não pude lidar por minha situação. Posso te oferecer a chave para ir além, pois as areias do tempo sempre correm a favor de um Veneficus. Se desejas conquistar, há chaves que posso te oferecer para derrubar a Autarquia, posso lhe oferecer um futuro glorioso. Terá o momento de escolha quando enfrentar as aranhas, tome a decisão correta.”
Com o discurso encerrado, a figura fez gestos e um clarão se espalhou a partir das chamas, o que ofuscou o Orc. Ao recobrar a consciência percebeu a sua volta todos do grupo assustados olhando para ele. Mira foi a primeira a se adiantar e perguntar o que havia ocorrido. Todos tinham despertado momentos antes com os gritos que ele emanou e ao tentarem fazer algo, descreveram que Gorac estava em um transe, com os olhos abertos, mas ao mesmo tempo brancos e distantes.
Kobolds e seus segredos
Gorac imediatamente levantou-se e foi até o velho Shivar, questionando-o sobre o sonho. O velho Kobold estava calmo e começou a contar que alguns membros de seu povo sempre sonharam com essa figura, que os instruía e guiava. Foi por ela que fizeram descobertas e se tornaram fortes, seu líder sabia o nome daquele guia poderoso e então o pequeno disse em voz alta que a figura misteriosa se chamava Harm Van Driel.
Estranhamente todos sentiram um arrepio, como se uma porta tivesse se aberto. Medo não era algo comum aos Orcs, mas naquele momento todos estavam perto de entender a sensação. Gorac, percebeu que sua jornada havia se misturado a algo muito antigo, porém lidar com essas forças era algo perigoso. Ficou em silêncio por longo tempo, contemplou aqueles que aguardavam orientações e disse calmamente:
“Descansaremos como previsto, após o meio-dia seguiremos em direção a antiga aldeia do povo de Shivar e lá limparemos a ameaça, depois decidimos o que fazer com aquilo que foi oferecido a mim. A oferta, vem de um bruxo, um pacto por poder, um pacto oferecido em meus sonhos. Eu penso, vocês podem pensar também e depois das ameaças, juntamos o que pensamos para tomar uma decisão”.
Todos ficaram confusos, mas começaram a juntar as evidências daquela noite. Uma certeza havia, a oferta trazia promessas de sangue e glória!
Continua…
Sangue e Glória – Parte 4 – Contos de Thul Zandull
Autor: Thul Zandull; Revisor: Isabel Comarella; Artista da Capa: Douglas Quadros.
Anteriormente, conversamos sobre como os humanos possuem Arete, que é a capacidade de desenvolver poderes. O Fisioplasma é gerado a partir do arete, uma substância especial que pode ser controlada e moldada em diversos poderes. Bem como também vimos que, no planeta Terram, as pessoas têm um sexto sentido – o areto – que permite sentir e perceber o uso de poderes. Agora vamos conversar mais sobre como funcionam os mecanismos de fisioplasma.
Canalizando Fisioplasma
É importante ter em mente isso: uma geração enorme de fisioplasma não indica, necessariamente, um poder efetivo. Apenas mostra que a pessoa detém um grande potencial. Contudo, grande parte do trabalho de se treinar e desenvolver poderes está na tentativa de canalizar essa energia. Do que adianta ter uma quantidade imensa de fisioplasma gerado por sua arete se essa energia se perde? Existem muitas pessoas que, mesmo possuindo uma quantidade bruta enorme de fisioplasma, sequer conseguem terminar o curso heroico, exatamente porque não descobrem como direcionar essa energia.
Isso acontece porque todos os poderes, sem exceção, funcionam somente com a canalização treinada do fisioplasma. O fisioplasma gerado por você pode ser transformado em calor e chamas; ou pode sintetizá-lo numa energia biológica de cura. Além disso pode materializá-lo num elemento cristalino, rochoso, metálico; ou pode dobrar o espaço e teleporta. Tal qual pode usá-lo para ampliar suas capacidades físicas, mentais, perceptivas; e por aí vai. Assim, não basta apenas gerar a energia, é preciso saber como transformá-la exatamente no que você necessita.
A Ciência Aretística
É aí, nesse processo de canalização do fisioplasma, que entra toda a parte da ciência aretística: quais os processos físicos, mentais, culturais e naturais que podem ser desenvolvidos para gerar uma melhor canalização do fisioplasma de modo a criar poderes específicos.
Como podem ver, há muita coisa que pode ser falada sobre o fisioplasma. Afinal o que realmente podemos observar é ele: como é seu uso, como moldá-lo, como ele é quantificado, estudado, armazenado etc.
Existem dois pontos de discussão nesse aspecto. Um deles é como armazenar e isolar o fisioplasma com aparelhagem tecnológica. Entretanto este ponto será discutido em outro momento, quando falarmos sobre super tecnologia. Porém, o segundo ponto é discutir como treinar a arete para melhor canalizar o fisioplasma. E é disso que iremos conversar.
Aretaion – Os exercícios de canalização
Arete, como explicado, vem do grego, significando “talento especial” ou mesmo “virtude”. Aion, igualmente, é grego, e é a palavra que deu origem a ‘era’ ou ‘eras’, significando um período longo de tempo. Porém, teve um sentido original de significar ‘força vital’, e, no mundo do Brasil de Heróis, os antigos gregos foram um dos primeiros povos a desenvolver exercícios para a arete humana, os exercícios da virtude da vida, ou Aretaion.
Nos próximos encontros iremos discutir sobre os detalhes do aretaion e das formas da arete.
Enquanto não chega o próximo encontro, visite nossa conversa anterior sobre Arete e Fisioplasma.
Olá senhoras e senhores leitores(as) da Liga das Trevas! Recordando o último post deObscuras Travessuras, acompanhamos o grupo de neófitos da Camarilla indo ao ponto de encontro do bando do Sabá para negociar uma troca. Um objeto desconhecido, encaixotado, pelo jovem rapaz de linhagem lupina. Ao fim da troca, surgiram notícias que abalaram a todos, pois parece que o mandante da troca não era realmente o Arcebispo do Sabá, mas alguém se passando por ele.
Obscuras Travessuras III – Uma conversa de bar
Ainda diante do mistério sobre quem mandou ou não, os neófitos dão seguimento ao plano de resgate. Na mesma noite, Gregor pensou em se adiantar para conseguir informações sobre assunto. Afinal, ele não precisava estar presente na troca. Em acordo com o Xerife, que era também seu ancião, o jovem Nosferatu seguiu os membros do Sabá até o Harley Davidson, um bar para o público que curte motocicletas, rock n’roll e cervejas. Gregor descobriu, nessa visita, que o bar era um ponto de encontro comum entre os membros do Sabá que viviam num estilo gangster.
Seguindo-os ocultado pelo seu poder do sangue que lhe permitia andar despercebido, entrou com ele no bar. Viu que os quatro cainitas foram até a mesa onde estava um homem atento ao celular. Aproveitando-se da sua Ofuscação, então, os observou por um tempo. Concluiu que o homem em questão era o Diego, aquele com quem deveriam negociar. Via mensagem de texto, comunicou-o de que estava ali, e que era membro da Camarilla. Pediu que dispensasse seus colegas para que conversassem a sós. Uma conversa amistosa com interesse comum, sem rodeios, sem brigas.
Diego assim o fez. Dispensou seus colegas e aguardou que Gregor se fizesse presente. Tão logo Gregor se aproximou, percebeu certa tensão por parte de Diego. Gregor, iniciando a conversa, foi direto e incisivo: “Sabemos que vocês e nós estamos sendo enganados por alguém que se fez passar por seu líder para obter algo. Fomos envolvidos nisso a partir do sequestro do rapaz, o que diz respeito a interesses nossos. Fato é, vocês estão ferrados. Nós vamos devolver o rapaz e tudo vai ficar bem. Para vocês, me parece que mexeram em algo que era dos seus superiores.”
Diego respondeu: “Tô ligado. Mas os teus colegas vão nos entregar, nós vamos guardar de volta no lugar e fingir que isso nunca aconteceu. Simples assim.”
Gregor arguta e sensatamente questionou: “Alguém que desconhecemos se movimentou para fazer toda essa trama e intriga. Você acha que essa troca vai acontecer numa boa? Pacote vai, Felipe vem, final feliz? Vejam bem, alguém que tem a coragem de mexer com duas seitas de vampiros e uma tribo de lobisomem criando animosidade entre eles. Você realmente acha que vale a pena arriscar tudo isso e deixar a troca acontecer numa boa?”
A lógica de Gregor foi fatal. Diego nem sabia que haviam lobisomens no meio da jogada. Nas cartas de instrução que recebera achava que “cãozinho” era só uma maneira de menosprezar o menino. Imaginava que ele devia ser de alguma importância, mas não um lobisomem. Nunca vira um, mas sabia que não devia se meter com eles. Isso sim era uma lógica simples de entender e aceitar. Sobre o pacote, não sabia do que se tratava, mas na instrução que recebera, dizia que era necessário ter objeto em bom estado e segurança, pois pertencia ao cardeal que viria para promover o levante. Ele agiu gananciosamente a fim de contar com o prestígio desse homem
Mais algum tempo de conversas e esclarecimentos, até que Gregor decidiu ser mais incisivo, e blefar. “Posso capturar você agora. Assim como cheguei despercebido, tem pessoas escondidas armadas, aguardando um sinal.”
Pela mudança de fisionomia de Diego, Gregor percebeu que o blefe o tinha atingido. Prosseguiu: “Precisamos saber como isso aconteceu, e você foi o mais próximo do mandante. Você é nossa pista. Se tentar fugir, vamos te caçar. No entanto, a tua colaboração pode ser muito valiosa nesse jogo. Quanto mais você colaborar, mais chances têm de sair vivo dessa jogada. Se entregue a mim. Vamos um esconderijo, você fala o que sabe, dá as informações que tem. Se tudo der certo, pode ter um álibi e viver suas noites entre nós, ou pelo menos livre de nós. Mas, se você ficar, garanto que não terá tempo hábil organizar aliados e reaver o pacote. Vai precisar enfrentar a fúria dos seus superiores e ser a vergonha do bando.”
Gregor estendeu a mão e concluiu: “Não é fácil, mas é pegar ou largar”. Diego, em poucos segundos de raciocínio se viu encurralado por todos os lados. Sua vontade imediata era criar uma confusão e fugir dali. Era assim que vivia, como um líder de rebeldes, ele se defendia fazendo confusões, entrando em brigas. Mas ter um homem sozinho diante de si, falando com firmeza e mostrando claramente o que estaria por vir, fez com que o orgulhoso cainita da Espada de Caim se sentisse acuado, fraco.
Em meio as rápidas confusões de pensamento, líder sabia que seu bando estava próximo, responderiam imediatamente o seu chamado. Seria só mais uma briga de bar. Mas não sabia quantos estavam com Gregor, e imaginou que eram muitos. Tamanha segurança e frieza pra essa conversa não devia ser à toa. Talvez, pensou Diego, ele estivesse diante de um dos poderosos da Camarilla, ou, talvez já estivesse enredado em algum poder de sangue que manipula a mente. Deu o braço a torcer.
Enfim, Diego levantou-se e disse: “Eu vou. Deixe meu bando ir pra casa. Eu os abandonarei à própria sorte”.
Enfim, Gregor, que estava sozinho, conseguiu o que veio buscar. Combinou com o Pedro, o Xerife, um lugar pra prender Diego e interrogá-lo. Nas noites que se seguiram, Pedro, Lillian e Gregor perceberam ele tinha informações preciosas, mas não era tão tolo. Ele era resistente e tinha um senso de fidelidade para com seu bando. Mesmo tendo pensado em os abandonar, tentou manter viva a promessa Camarilla. Pois, viu na venda de informações uma possibilidade de garantir-lhes viver a não-vida em outro lugar, longe do peso que viveriam quando tudo isso viesse à tona.
Algumas noites depois, soube que Breno, um membro da Camarilla, se dedicou à missão de reunir seu bando, explicar a situação e mandar-lhes ir embora para o quanto longe pudessem, e que não seriam caçados pela Camarilla até que dessem motivos novamente. Diego ainda não tem certeza se é verdade, mas preso, era tudo o que ele podia acreditar.
Quanto à sua não-vida, bom, ele foi submetido viciar-se no sangue de Pedro para ficar mais “interrogável”. Por vezes se via pensando em reconstruir sua não-vida como um membro da Camarilla. Sentia um fascínio e um temor por Pedro e isso o deixava confuso. Ainda permanece preso, ainda permanece confuso. Às vezes é usado para reconhecer alguma informação, às vezes é deixado para ficar em solidão por longas noites.
Por fim, Gregor, com essa sacada rápida e tendo conquistado esse trunfo mesmo no meio do caos, passou a gozar de certo prestígio. Ele é um membro muito novo, mas conquistou um status rapidamente com um feito notável. Nem sempre obter um sucesso assim rápido é interessante, pois desperta inveja, e entre os vampiros, e isso é um veneno cruel. Porém, até o momento, as coisas estão seguindo bem, ao menos em aparência.
Continua…
Essa parte da crônica não estava prevista para acontecer, foi improvisada. Ainda assim se tornou muito interessante. Ela não ocorreu exatamente como as coisas estão escritas, precisei ajustar os fatos importantes à uma narrativa com contexto.
Espero que estejam curtindo a trama e o desenvolvimento da Crônica. É um tanto difícil transformar partidas de jogo em crônicas, mas espero que a leitura seja satisfatória.
Talvez alguns termos específicos do sistema do Word of Darkness possa parecer confuso para quem não tem contato com esse RPG. Por isso, acompanhe todos os posts da Liga das Trevas e fique por dentro de tudo. Aprenda o sistema, a rica história do cenário, as características que estão por trás da nossa crônica e das partidas que estamos jogando.
Portanto, com este livro, você tem o acesso a várias informações de novos meta-tipos, novas observações sobre os clássicos que constam no livro base, novas qualidades, novidades sobre contatos e muito mais sobre as profundezas do sexto mundo.
Acelerando traz conselhos mais aprofundados sobre como desenvolver seus personagens, dessa forma você poderá ser o melhor que o seu runner pode ser.
Existem regras para meta-tipos diferentes, regras expandidas para contatos e estilos de vida, métodos alternativos de criação de personagem etc.
Este é um suplemento essencial para jogadores e mestres que amam este RPG e querem aproveitar ao máximo o livro base. Esse suplemento não é necessário para se jogar, mas com ele sua campanha (ou seu corre), e seu runner vão chegar nas alturas!
Em outras palavras é um conjunto de ferramentas que expandem o universo do Sexto Mundo.
Quer saber mais?
Confere aí!
Quem É Você e Como Chegou Aqui
Primeiramente você terá, em Quem É Você e Como Chegou Aqui, algumas das diversas formas que pessoas acabam chegando nas incursões das sombras e como isso as torna diferentes.
Como runner, você vai conhecer todo o tipo de verme, pilantra e fura-olho em sua carreira. Todos os encontros que já teve com esse tipo de gente, moldam você e o fortalecem, dessa forma o quanto antes souber como eles trabalham, melhor.
Além disso, aqui você encontrará informações que vão te ajudar a entender melhor onde você esteve e para onde seu runner vai.
Ética, Códigos e Outras Piadas
Ética e códigosde conduta são coisas raras no sexto mundo. Eu disse raras, não inexistentes.
Alguns runners pensam que seu trabalho nas sombras não é só sobre extravasar a raiva e ainda ganhar dinheiro com isso. Alguns acham que sua vida tem um propósito. Além disso tomam para si regras de conduta e de ética, que separam o certo do errado, algumas vezes, na lâmina de uma espada.
Você pode dizer que essas regras, esses ideais, são ultrapassados, que limitam o seu sucesso, igualmente patéticos e dignos de pena, ou até talvez nobres. Mas eventualmente, de uma forma ou de outra, um desses códigos vai afetar sua vida, então o melhor é ao menos ficar por dentro.
Além disso, ao fim deste capítulo, você terá mais informações sobre o Sexto Mundo, como ele vive, do que se alimenta?
O Tempero da Vida dos Incursores
Este capitulo traz a você os diversos tipos de trabalhos que podem ser aceitos para seu runner comprar o “pão de cada dia”.
Aqui você encontrará exemplos de trabalhos incomuns, fugindo do padrão de invadir um lugar e sair com alguma coisa.
Este capítulo é mais voltado ao narrador, não traz aventuras prontas, contudo traz várias ideias diferentes e incrementos para os corres.
Por fim o capitulo propõe mudar um pouco o foco das coisas, ao invés dos runners pedirem favores aos contatos, por que não o inverso? E se seus contatos pedirem algo?
Inicialmente pode ser uma missão secundária, porém, com o tempo, acaba sendo mais importante que o próprio corre inicial.
A Raiz da Flor da Pele
Você pode encontrar aqui informações sobre as culturas e contraculturas dos diversos meta-tipos do mundo. Com informações detalhadas dos principais meta-tipos e ainda sobre os outros apresentados neste livro.
Fique esperto, chapa, conforme já dizia Sun Tzu conheça teu inimigo, e em Shadowrun todos podem ser teus inimigos. Saiba suas fraquezas, especialmente para antecipar algumas tendências que você vai encontrar.
Kits de Construção
Primeiramente os Kits de Construção fornecem abordagens diferentes para construção de personagens.
Ele apresenta uma forma de criação de personagens que substitui a de prioridades únicas, como descrito no livro básico e que você podever aqui.
Isto é feito através de 10 pontos, onde você distribui esses pontos da forma que achar melhor. Até repetindo a mesma prioridade.
Além disso o livro oferece bônus de acordo com seus módulos de vida, seus antecedentes por assim dizer. Por exemplo sua nacionalidade, sua origem, adolescência, formação escolar, sua vida atual, toda essa construção te traz benefícios.
Bagunça da Meta-humanidade
Principalmente este capítulo traz dados, nada de questões filosóficas e sociais, ele trata da grande variedade de meta-humanos que você pode encontrar nas ruas.
Além disso, ele oferece o que precisa caso você seja um desses desafortunados. Aqui você encontrará uma descrição física, mental, dados sobre a cultura e últimas informações de cada meta-tipo básico e suas variantes.
O livro apresenta também informações sobre os novos meta-tipos, com: dados sobre a população mundial estimada; principais centros populacionais; status internacionais, além de outras informações relevantes.
Outro incremento fundamental são as listas de novas qualidades metagênicas positivas e negativas.
Por fim esse é, com certeza, um capítulo para dar aquela apimentada em seu personagem seja jogador ou NPC.
Noite Adentro
Noite adentro dá um vislumbre sobre as criaturas que assolam os becos escuros, adentrando nas sombrias informações das criaturas da noite.
Basicamente o capítulo traz informações sobre carniçais, vampiros e outros Infectados que podem ser encontrados ou interpretados pelos jogadores.
Mantendo o padrão do livro, ele trás novas informações, perspectivas e possibilidades para jogadores e narradores.
O Mais Você o Possível
É sobre deixar seu runner o mais único possível, aqui você encontra uma lista com novas qualidades.
Estas qualidades são diferentes das metagênicas, que só são disponíveis para alguns meta-tipos.
Juntamente com estas qualidades há uma sequência de 8 personagens prontos para você já sair soltando chumbo.
Quem Você Conhece
Quem Você Conhece detalha as pessoas que fazem as sombras funcionarem, seus contatos e aliados, que ajudam você a conseguir o que você quer, de uma forma ou de outra.
Mas claro, com um preço.
Esta parte do livro traz ideias de como utilizar os contatos, bem como o que eles podem exigir em troca dos serviços prestados.
Há toda uma “economia” única quando se trata de contatos, e sempre, literalmente sempre, será mais caro para você pagar a dívida.
Além disso há mais de 10 páginas com vários exemplos de contatos para você abusar da boa vontade.
Chefes e Traidores
Logo após tratarmos dos contatos, vem os contratantes. Chefes e Traidores fala sobre os Srs. Johnsons que tornam os corres possíveis e quem sabe rentáveis.
Além de muito perigosos, se você tiver sorte, se não tiver será fatal.
Há dicas sobre os Srs. Johnsons e atravessadores, informações de como lidar com eles e suas incursões.
Conta também sobre os diferentes Johnsons das diferentes corporações, sindicatos e extremistas.
Um Pico Todo Seu
Não há lugar como o lar, é o que dizem.
Um Pico Todo Seu trata exatamente disso, aquele pedacinho de chão, paredes e teto que você pode chamar de seu. Bom, até que alguém venha te enxotar por não pagar o aluguel.
Ele traz várias opções de personalização do seu cafofo, para diminuir as chances de você levar um tiro de algum carinha vingativo.
Mas cada almoçada fofinha de coelhinho que seu troll esmaga crânios quiser para seu palácio custa caro, então cuidado para não torrar todo seu crédito.
Alguém pode vir cobrar a dívida…
Empacotando o seu Kit
Eu sei, montar um personagem de Shadowrun demora um pouco, ainda mais a parte dos equipamentos e gastar seus recursos iniciais.
Mas Acelerando trouxe um grande upgrade nessa parte, aqui você encontra kits prontos.
Estes kits compõem, em categorias, tudo que seu runner vai precisar para sobreviver, consta o valor, a raridade e o que vem em cada kit.
Isso reduz o tempo de criação de personagens drasticamente.
Há uma série de equipamentos em pacotes temáticos bem interessantes, facilitando escolhas que vão deixar você cuidar da parte mais importante, tornar o seu runner o melhor de todos.
Além disso, tanto jogadores quando narradores vão encontrar nas últimas páginas um compilado de coisas básicas como produtos e serviços de uso comum, que acabam surgindo nas aventuras.
Gostou do Acelerando? Confere abaixo onde você consegue o pdf!
O Autarca Kent Chambers sentia o peso de sua idade nessa longa viagem até a comunidade de Harlam. Contudo seu amigo Lester Chapman também apresentava sinais de cansaço. Se não fosse a presença do cavalariço Pete, provavelmente os dois senhores teriam sucumbido devido aos pesados trabalhos para obtenção de água e manutenção do acampamento.
Chambers prosseguia com grande habilidade na confecção do mapa da região, pontuando os melhores trajetos. Todavia o trabalho consumia tempo e os perigos das montanhas eram sempre variado. Animais com características rochosas, bestas mágicas que por vezes quase cruzaram seu caminho com a dos cartógrafos.
Chapman se perdia em lembranças dos tempos gloriosos nos quais serviu na Ordem dos Zelotes. Por muitas vezes liderando hostes em nome da Fé Diáfana. Porém os tempos de expansão e vitórias pareciam cada vez mais distantes.
Havia muitos inimigos e pouca resiliência para estes tempos sombrios. Ele também se entristecia ao ver como seu amigo Chambers tentava em vão disfarçar a angústia da separação de Jasmine e Willian daquele grupo. Os dois eram promissores, mas Jasmine demonstrava algo especial, a obstinação e a têmpera dos grandes Exarcas de outrora.
Ambos os mestres da fé conseguiam apaziguar os desafios com o uso de pequenos milagres. Mas toda emanação por menor que fosse da presença de sua Divindade causava muita fadiga nos velhos senhores. A luta, uma emboscada goblin, que ocorrera há mais de dois dias ainda causava dores a ambos. Porém quanto maior a emanação mais havia choque de retorno ao corpo. Quando eram jovens, conseguiam manifestar poderes incríveis e se recuperavam rapidamente das dificuldades. No entanto o uso destes poderes ao longo de décadas fragilizou a saúde de maneira irreversível.
Sonhos perdidos na montanha
Em suma Pete sentia-se honrado com o trabalho e sempre se colocava à prova para doar-se totalmente aos esforços em nome da Fé. Mas seu amigo fazia falta, seja nas conversas noturnas e longas vigílias, seja na divisão de alguns trabalhos braçais. No entanto apesar da separação necessária, percebia que tiveram muita sorte até aquele momento. Os pequenos desafios vencidos com astúcia e a chegada a Harlam seriam recompensados. Com boa comida e tratamento digno aos representantes do Grande Senhor que Tudo Vê.
O senhor Chambers havia dito que chegava a hora do descanso. Afinal faltava apenas um dia, sendo que o pior trecho pertencente àquelas malditas trilhas nas montanhas em breve seriam deixadas para trás. Encontraram no caminho que faziam uma área em que a rocha formava uma espécie de concha, na qual a temperatura era amena. Portanto poderiam armar acampamento para concretizar e organizar as anotações feitas até aquele momento. Pete organizou tudo, prendeu os animais de carga e começou a preparar a refeição. Que por sinal seria farta, pois havia abatido um velho alce perdido naquele labirinto natural e rochoso. Os alforjes cheios e a tranquilidade reinavam entre aquele trio, pelo menos momentaneamente. O cheiro de boa comida já se espalhava e os velhos Autarcas já guardavam seus livros e anotações quando ouviram silvos bem conhecidos.
Quatro flechas atingiram Pete. Três em seu peito e uma que atravessou em cheio seu pescoço. Nem houve tempo para o sofrimento. O longo manto da Morte enrolou-se sobre ele de maneira que talvez em outra vida, ainda estivesse confuso com o que ocorrera naquele momento.
Nunca foram apenas velhos
Imediatamente os dois Autarcas abandonaram dúvidas e se colocaram em pé percebendo que o destino inevitável enfim alcançara ambos. Viram surgir por entre as pedras um pouco mais a frente, dois Orcs de pele verde em tom bem escuro tal qual os musgos daquelas pedras. Sendo um mais alto, protegido por uma armadura feita por camadas de pele costuradas e reforçadas por tiras de couro e rebites de metal, empunhando um machado grande erguido por ambas as mãos e o outro de peito nu, mas com um elmo chifrudo em sua cabeça, item típico de líderes de guerra. Em suas mãos uma espada grande de alta qualidade, forjada em material que quase reluzia com a luz que ainda havia. Os dois estavam em uma carga violenta com alvo bem definido.
Chapman foi o primeiro a pronunciar suas palavras de poder, pedindo a intercessão do Diáfano naquela luta. Sentiu que os músculos retesaram enquanto em suas mãos um chicote flamejante surgiu. Sendo assim Chambers pediu uma dádiva pela vida de ambos, fechando seus corpos, encarcerando seus espíritos mesmo que qualquer ameaça rasgasse suas peles.
Os Orcs não se intimidaram e continuaram sua carga, resultando em golpes precisos nos corpos dos dois Autarcas. Porém Chapam recebeu o golpe do líder, um amplo rasgo em diagonal que quebrou o osso de seu ombro e continuou abrindo caminho até resvalar por seu tórax. Mesmo rechaçado, não houve dor e a magia de seu amigo começa a fazer seu efeito, amenizando a violência da agressão e restaurando o vigor. No entanto Chambers já não teve a mesma sorte, pois para evitar um golpe direto do machado em seu crânio, colocou o braço a frente, que foi imediatamente decepado pela violência de seu algoz. A magia ao fazer efeito amenizava dores e fechava ferimentos. Porém membros perdidos não poderiam ser restaurados, mas diante da situação desesperadora, não havia mais o que fazer.
Chapman avançou fazendo o chicote estender-se de tal maneira que a língua flamejante lambeu os corpos de ambos os Orcs. O grandalhão urrou de dor quando uma das caudas flamejantes cauterizou seu olho esquerdo. O líder protegeu-se como pôde, mas seu peito e braços foram marcados em chamas.
Chambers mantendo a concentração tocou no local onde fora golpeado e começou a orar. O local da ferida se abriu e se espalhou pelo braço, ao mesmo tempo em que ele percebia a troca de suas poucas energias vitais pela condução do poder entre os planos divino e terrestre para golpear seu agressor. Dessa forma uma rajada de luz prateada surgiu quando ele apontou para o Orc portador do machado. O impacto foi direto, queimando e rasgando a carne da criatura, que mesmo empurrada e jogada ao chão ainda se mantinha viva.
Na Fé a amizade começou na Fé ela findou
Antes que os Autarcas pudessem continuar com a retaliação, perceberam mais zunidos. Quatro flechas certeiras no corpo de Chapman. Contudo este hesitou, percebendo que nenhuma dádiva suportaria resistir a tantos ferimentos. O velho Zelote cambaleou, mas não perdeu o foco de sua magia e gritou fazendo com que as caudas flamejantes saíssem de suas mãos e rastejassem em busca dos atacantes. E assim o fez, percebendo que as caudas serpentearam até encontrar e causar dor e agonia aos arqueiros ocultos entre as rochas. Seu prazer foi momentâneo. Pois aquele esforço fez a magia curativa perder força. Antes que pudesse pensar em fazer algo para se manter na luta, teve tempo de ver o líder em um estado de fúria preparando o golpe que iria em direção a seu pescoço. Sendo decapitando imediatamente.
Chambers ajoelhou ao ver que seu inimigo estava caído e não morto. Porém se concentrou nas preces curativas para tentar ganhar fôlego para uma última magia. Porém ao perceber o sacrifício de seu amigo, perdeu levemente a concentração. Havia dor e desespero em seus pensamentos. Olhou diretamente os olhos do líder Orc quando este se virou para o novo alvo. O sangue que esguichava do ferimento mortal de seu velho parceiro de Fé, transformava aquela criatura em algo bestial oriundo das profundezas dos pesadelos. No entanto o Orc urrou e levantou a espada para o alto desferindo um golpe retilíneo na cabeça do velho senhor. A lâmina fendeu a cabeça e parou na metade do tronco, tamanha era a força produzida pela fúria.
O combate havia terminado.
Bons ventos para os Orcs
Gorac correu até Kagror, que aos poucos se levantava. A ferida era feia, deixaria uma grande cicatriz, mas felizmente não era mortal. Já seu olho, estava perdido para sempre. Kagror riu alto e agradeceu aos ancestrais, pois ainda sobrara um olho para permitir novos dias de luta. Mira saiu de uma saliência na rocha cambaleando pela dor. Gritou que a última magia os feriu demais, mas nada que não pudessem se recuperar.
O líder estava cansado e estava surpreso com aqueles velhos malditos que quase acabaram com seus planos. Ordenou que os demais vasculhassem tudo. Recolhessem os recursos preciosos que ali estavam e que juntassem os corpos dos três. Diante da falta de medo demonstrada na luta, Gorac preferia que o fogo consumisse os corpos de oponentes dignos. Mira organizou tudo enquanto Xalax já aplicava emplastros e unguentos nas feridas causadas pelos Autarcas derrotados. Seus remédios amenizaram muito as dores.
Shivar, o Kobold, ao analisar os papéis logo percebeu a riqueza que tinham ali. Se apressou em mostrar os mapas a seu líder que ficou muito satisfeito com o achado. Agora tinham um caminho curto para o ataque futuro a Basil, trilhas detalhadas que fariam o assalto a cidade ser menos complexo do que imaginava.
Gorac começava a acreditar que finalmente, aquele trabalho marcaria seu nome entre os grandes guerreiros e líderes de seu povo.
Continua…
Sangue e Glória – Parte 3 – Contos de Thul Zandull
Autor: Thul Zandull; Revisor: Isabel Comarella; Artista da Capa: Douglas Quadros.
“O que é a realidade para você? E se todos os seus sonhos ou fantasias fizessem parte de uma única e verdadeira realidade? O Codex of Reality pode gerar isso para você” CoRe (Codex of reality) traz isso, uma junção de várias realidades em um sistema adaptável ao seu estilo de jogo. Principalmente por ter regras simples, e desde que sejam bem usadas podem gerar vários estilos de cenários: futurista, medieval, terror a até mesmo infantil. Assim, seu personagem pode usar um sabre de luz e lutar ao lado de um arqueiro Vicken.
Portanto no CoRe usamos um sistema simples de rolagem de dados. Dessa forma você pode melhorar a contagem e a probabilidade de resultados positivos para seu personagem. Acima de tudo e de forma justa e por vezes, graças à sorte das rolagens, quase tudo é possível de se realizar.
Logo, mesmo sendo um sistema adaptável traz um cenário próprio, que se chama “Windar” com sua história e criação única, com junção de partes de vários planos, desde guerras, acordos ou simplesmente por estarem na hora certa no lugar errado.
Todavia o formato de criação de personagem é simplificado por pontos, assim também ocorre até mesmo com a raça a ser escolhida, que tem um custo determinado e equilibrado.
Vamos analisar essas raças, por exemplo:
Guax
Eles são como guaxinins bípedes, possuindo a máscara e o rabo anelado característico desses animais. Suas mãos são super ágeis e com uma forte sensibilidade, permitindo que eles identifiquem coisas apenas ao toque.
Devido ainda ao ambiente que cresceram, suas mãos possuem uma certa ressonância mágica que os permite evitar ativar armadilhas mágicas.
Kappa
Os Kappas são seres altos de aparência anfíbia, se assemelhando a rãs gigantescas. Naturalmente, possuem papos, sendo capazes de coaxar e seus dedos são finos, interligados por uma membrana que os auxilia a nadar.
Sua língua é extremamente comprida e elástica, medindo cerca de 2 metros em um Kappa adulto.
Além disso sua dentição é apenas na parte superior da boca, e seus dentes servem mais para prender as presas do que para mastigar.
Essas são características gerais, de raças jogáveis em qualquer cenário, também é possível ambientar o cenário de acordo com as raças. De qualquer forma teremos um jogo fluido e bem dinâmico como resultado.
Em síntese, CoRe é um sistema que te permite realizar ações definidas por sua pontuação que dependem do Estresse e Sobre Estresse, ou seja se você pode pagar o custo da ação você pode realizar o teste, caso contrário, se seus pontos de Sobre Estresse chegarem a 0…
Bom meu amigo, será necessário que você realize um teste de morte.
Por Fim
Por último e para melhor entendimento, todas as suas ações em combate dependem do quanto se tem de Estresse e após isso do quanto se tem em Sobre Estresse, desde a ativação de habilidades, magias ou até mesmo acionar armas ou atirar com um arco.
“Então vamos lá?
Seja com a Millenium Falcon ou de lambreta.
Com nossos blasters ou espadas mágicas.
Não me importo de onde você vem ou para onde vai…
O que importa é a aventura e o Agora, e tudo isso Codex pode te oferecer”
Uma seita pouco conhecida e comentada. A maioria dos livros não fala quase nada sobre essa seita que domina Oriente Médio, norte da África e parte da Europa. O V20, com quase 700 páginas de material, sequer cita o nome Ashirra. Hoje vamos falar um pouco dos vampiros que professam a fé no Islã.
Fiéis?
Muitos acabam tratando a Ashirra, quando muito, como uma espécie de “Camarilla do Oriente Médio”. Existe um pouco de verdade nessa afirmação. Ambas as seitas buscam mesclar-se ao rebanho e seguem majoritariamente a trilha da Humanidade.
A Ashirra começou como uma seita exclusivamente para os vampiros muçulmanos, mas hoje aceita membros de qualquer religião. É importante salientar que “religião” tem uma conotação um tanto diferente em vários países do Oriente Médio e norte da África. Há lugares onde cidadãos estão submetidos a leis diferentes de acordo com sua religião, e a religião não necessariamente tem a ver com fé. Não vou me atrever a entrar em detalhes aqui sobre esses tópicos, pois são um tanto mais complexos do que um texto sobre uma seita fictícia de um cenário de RPG comporta, mas deixo de recomendação o excelente podcast Projeto Humanos.
O fato é que existem vampiros de várias crenças fazendo parte da Ashirra, mas o Islã ainda é a pedra fundamental da seita. Assim como a Camarilla segue as seis tradições vampíricas e o Sabá segue o Código de Milão, a Ashirra tem como regulamento os Cinco Pilares do Islã.
“As-salamu alaykum, otário.”
Os Cinco Pilares
Fé: Um membro deve aceitar que só existe um Deus e que Maomé é seu profeta. Claro que, como dito anteriormente, a Ashirra aceita membros de várias religiões diferentes, mas ainda assim é difícil ascender socialmente na seita sem ser muçulmano.
Oração: Orar cinco vezes por dia voltado para Meca. Existem membros que se esforçam para acordar ao longo da manhã e rezar em seus refúgios. Outros simplesmente adaptam os horários para sua vida noturna.
Jejum: Observar as obrigações do Ramadã. Este é um dos preceitos mais complicados para os membros. Alguns interpretam que não devem se alimentar além do necessário para evitar o frenesi, enquanto outros passam o Ramadã alimentando-se exclusivamente de animais (exceto porcos e cães).
Caridade: Doar dinheiro aos necessitados. Esse preceito pode se estender a outros tipos de acolhimento de membros mais necessitados (provê-los com sangue, ajudar a conseguir refúgios seguros, etc).
Peregrinação: Fazer a peregrinação a Meca uma vez na vida, se tiver condições físicas. Como vampiros são imortais, alguns podem estipular um limite de tempo para isso (peregrinar uma vez a cada 100 anos, por exemplo).
Histórico
A Ashirra precede a Camarilla em mais de 800 anos! Foi formada por um Lasombra chamado Suleiman ibn Abdullah que se converteu ao Islã depois de conhecer o Profeta em pessoa. Suleiman é o Mulá da Ashirra até hoje.
Também foi ele quem fundou a Sharia El-Sama, trilha que adapta a fé islâmica para a condição vampírica. É mais restritiva para membros do que o caminho da Humanidade, em certa medida, mas tem um potencial imenso para roleplay.
O poder e a influência da Ashirra cresceram juntamente com a expansão dos Califados, chegando a lugares como Paquistão, Índia, Indonésia e até a Península Ibérica (Aliás, vale a curiosidade: por causa da ocupação muçulmana, português e árabe compartilham várias semelhanças).
Assim, não é difícil imaginar conflitos entre Ashirra e Camarilla, Ashirra e Sabá ou mesmo Ashirra e Kuei-jin do Brasil até a Indonésia. Estamos muito acostumados às disputas de território baseadas apenas em dois grandes sectos (Sabá e Camarilla ou Anarch e Camarilla), mas colocar mais lados nesse conflito pode ser muito emocionante para sua crônica.
Ou Ashirra e outros Ashirra também. Malditos Ashirra, estragaram o Islã.
O Casamento Escarlate
Recentemente, uma grande aliança entre Camarilla e Ashirra foi selada formalmente através de um evento conhecido como Casamento Escarlate, onde Victoria Ash, uma Toreador de 8ª geração, uniu-se a Tegyrius, um Banu Haqim de 5ª geração, através de um laço de sangue.
O evento durou várias noites e foi testemunhado por vários membros, tanto da Ashirra quanto da Camarilla. Relatos falam de banhos de sangue e sacrifícios em forma de presentes (achou que só o Sabá curtia esse tipo de coisa, é?).
Este evento é interessante porque mostra como os membros conduzem seus negócios. Por mais pragmático que um ser de 400 anos possa ser, uma grande aliança como essa ainda é cheia de pompa e circunstância e envolta em simbolismo.
Tem pulserinha? Perfeito, pode entrar.
Existem muitas maneiras de inserir essa seita nas suas crônicas de vampiro, não só como “exóticos vampiros do Oriente Médio”, ou como uma “Camarilla de Hijab”, mas com personalidade, originalidade e respeito. E não se esqueça de conferir os outros posts da Liga das Trevas.
Aquele dia começou com uma pesada chuva, os Orcs já estavam nas redondezas da comunidade de Harlam há três dias. Tinham organizado todo plano de ir até o antigo assentamento Kobold graças ao sábio Shivar que passou orientações de como chegar lá. Os mercenários já tinham deslocado seus saques, levando-os até seu barco. Porém os homens do contratante deveriam chegar logo, pois sua empreitada dependia disso, permitindo que eles se deslocassem. Sendo assim Mira, seu braço direito, também orientou Gorac que a busca fosse revelada aos responsáveis dos Virag.
Pois depois de tantos esforços tudo que eles não gostariam, seria levar uma saraivada de flechas pelas costas. Assim o líder do grupo aguardava, organizando o percurso que fariam e também preparando um novo contrato no qual abririam essa rota. Portanto limpariam os perigos no percurso enquanto retirariam sua pequena parcela, digna dos desafios que derrubassem.
Enquanto os batedores eram aguradados, mantinham olhares constantes avisando sobre os movimentos. Mensageiros dos outros mercenários também chegaram avisando que os demais Orcs tiveram pleno sucesso nos outros ataques.
Reforço a vista
Ao fim do terceiro dia, uma pequena embarcação se aproximou da comunidade costeira. Todavia era perceptível que sofrera com o mau tempo. Seu capitão, um Virag de pele negra e com adornos típicos de sua cultura, de nome Kembab se aproximou. Explicando aos guerreiros que das cinco embarcações, a única a chegar fora aquela. Uma tempestade terrível se abateu sobre eles e demoraria quase um mês para receberem reforços, fato que estenderia o contrato de todos e também os valores pagos.
Foram dois dias tensos em que os líderes Orcs foram até Harlam debater os detalhes do novo contrato. Nesta reunião Gorac dividiu as informações, fato que animou todos os presentes. Afinal era nítido que o compartilhamento do fato realçava o apreço e respeito que os demais tinham por ele. No entanto o problema residia nos valores que seriam pagos pelo contratante e as funções exercidas durante o período longo. Todos concordaram que fortificar pontos estratégicos para manutenção da posição e ampliação do número de batedores seria fundamental. Deveria haver troca constante de informações. Pois o número de invasores era pequeno para cobrir uma grande área durante tanto tempo.
Assim, o trabalho de abertura de rota para a mina não contaria com a força total esperada por Gorac. Teria a sua disposição apenas quatro dos seus, além de seu braço direito Mira. Dessa forma os demais manteriam funções de ocupação, vigília e comunicação.
As forças Humanas também seriam divididas, porém a pequena embarcação que sobreviveu não contava com mais que 40 almas, responsáveis por guardar Harlam. Conforme ficou acordado, as riquezas encontradas seriam divididas igualmente. Cabendo para aqueles que abrissem a trilha uma parcela maior.
Traçando estratégias
Com os detalhes acertados e todos satisfeitos, puseram-se a trabalhar. Mira então foi escolhida para selecionar os quatro que acompanhariam a empreitada. Contudo seria um percurso duro, pois o local que explorariam ficava na Mata Velha.
Para alcançá-la teriam que pegar trilhas nas montanhas Dol-Agurad. Estas se estendiam até o mar, cortando a área verde que circundava as aldeias costeiras, daquela porção mais antiga de vegetação milenar. Shivar iria acompanhá-los e disse que havia um clã confiável de goblins na região, o clã Três Cortes. Eles poderiam ser bons guias para a jornada, porém Gorac achou melhor, devido a situação, que tentassem evitar mais olhos sobre eles até que houvesse mais reforços em Harlam. Principalmente com o atual número de invasores, caso houvesse retaliação vinda de Basil, seria complicado manter as posições obtidas.
A Mata Velha era um local que preocupava muito. Mira sabia das histórias daquele local, havia magia antiga lá e as criaturas eram muito maiores e mais fortes, teria que agir com cuidado em sua escolha.
Após muito refletir, Mira escolheu o rastreador Orog, o brutamontes de mente lenta Kagror. O mateiro Xalax e a caçadora e exímia arqueira Anáxalas. A experiência do grupo estava garantida, pois todos os escolhidos já haviam participado de uma dúzia de campanhas sob a liderança de Gorac. Além disso, apenas o Kobold Shivar iria com eles, os demais sobreviventes manteriam o acampamento Orc perto do barco ali em Harlam. Aquela era a única garantia de fuga com alguns espólios caso tudo desse errado.
Em rumo à busca de grandes tesouros
Assim, deixando o comando do restante de sua companhia e a pequena Harlam para Kembab, partiram para abrir uma rota até as riquezas descobertas pelo povo Kobold. Se tudo desse certo seriam três dias até lá e mais três para retornar.
A marcha deveria ser constante e aquele grupo tentaria ao máximo manter-se oculto. Apenas levavam consigo provisões suficientes para evitar perder tempo na busca por comida. De forma alguma poderiam se dar ao luxo de extravagâncias. Mas com sorte e habilidade talvez pudessem ter refeições melhores se houvessem animais que cruzassem seu caminho. Consequentemente Orog e Anáxalas traçaram o melhor caminho e escolhiam com cuidado as rotas traçadas à medida que a paisagem se revelava.
Adentrando Mata velha
O primeiro trecho até as montanhas estava tranquilo, encontram cabanas de caça e de lenhadores, porém sem habitantes. Sempre havia o temor que alguém houvesse escapado aos olhos dos atacantes e que pudesse estar nesse momento viajando para avisar Basil sobre o ocorrido.
Porém os locais encontrados não tinham marcas de utilização constante, o que seria positivo, já que poderiam usar um destes para prepararem acampamento. Por sorte foi exatamente o que ocorreu, já ao anoitecer encontraram mais uma choupana simples de caçadores, suficiente para dar-lhes um abrigo. Conforme o bom presságio, Anáxalas também conseguiu abater um porco do mato de bom tamanho, algo que enriqueceu a alimentação. Prepararam o fogo e logo estavam assando a carne e pensando nos desafios que viriam. Gorac mantinha preocupação com a luz durante a noite, porém para outros que vivessem por perto aquilo significaria apenas que caçadores da vila estavam em ação.
Não houve nenhum evento estranho durante a noite. O mateiro Xalax aproveitou a tranquilidade para buscar ervas. E iniciou o preparo de unguentos e algo que pudesse ser útil contra os inimigos que em breve seria enfrentado. Ele sabia da letalidade dos venenos de aranhas gigantes, mas com as plantas certas o veneno poderia ser apenas um incômodo para os corpos mais resistentes dos Orcs. Por isso seus esforços foram necessários e o líder daquele grupo achou por bem esperar até que o mateiro terminasse seu trabalho.
Com tudo organizado puseram-se em marcha novamente. E tal qual a paisagem serena da floresta que cercava Harlam transformava-se em terreno pedregoso com carência de vegetação, a subida pelas trilhas serpenteantes de Dol-Agurad começava. As subidas e descidas seriam mantidas por algumas horas e à medida que avançavam sempre estavam atentos a sinais de perigo, porém tudo estava estranhamente calmo.
Não estamos sozinhos
Orog chegou a comunicar sinais de criaturas das montanhas quando se aproximaram de fontes de água e também em restos de presas abatidas e fezes de animais, mas nada que indicasse proximidade de ameaças. Afinal era um rastreador bem treinado e sempre seguindo um pouco a frente, escalando pontos fáceis para ampliar sua visão. Então foi o primeiro a notar algo na paisagem pedregosa. No ponto mais alto que estavam da trilha perceberam que havia outro caminho. Mais abaixo e neste caminho um espaço côncavo formado pela erosão natural no qual o acampamento foi preparado. Havia montarias com alforjes carregados, dois homens de mais idade e um jovem que cuidava da fogueira e preparava o alimento.
Estavam a uma distância razoável e havia muitos pontos para uma descida segura e capaz de permitir um ataque surpresa. Inicialmente Mira disse que atacar velhos não seria honrado, porém foi rebatida por Anáxalas que explicou que preparados daquela maneira, perceberiam os problemas em Harlam. Eles poderiam retornar buscando ajuda, portanto todo sucesso da empreitada dependeria da aniquilação de olhos curiosos. Sejam eles quais fossem. Ainda assim Kagror e Xalax permaneceram em silêncio. Gorac ponderou sobre tudo, analisou com cuidado os sinais que traziam e logo expressou sua decisão explicando que definitivamente aquelas pessoas não eram figuras indefesas e frágeis.
Haviam escolhido um caminho perigoso e traziam nas roupas e demais itens adornos que significavam apenas uma coisa, membros da Autarquia. Gorac quase sentia o cheiro de magia, fato que levou a ordem de ataque.
Sem questionar, todos os integrantes do grupo começaram a fazer o percurso de descida, de maneira cuidadosa para obter o efeito máximo de surpresa.
Gorac não arriscaria sua Glória para servidores daquela fé maldita!
Continua…
Sangue e Glória – Parte 2 – Contos de Thul Zandull
Autor: Thul Zandull; Revisor: Isabel Comarella; Artista da Capa: Douglas Quadros.