OSR – Parte 5: Subgêneros da Fantasia

Fantasia é, provavelmente, o gênero favorito de 9 a cada 10 jogadores de RPGs OSR. Ainda assim, mesmo o termo “fantasia” sendo, por si só, um subgênero da chamada ficção especulativa, que engloba também ficção científica, terror, super-heróis e um monte de outras coisas.

Além disso, a própria fantasia pode ser subdividida em uma cacetada de outros subgêneros ainda mais específicos, como grimdark, espada & feitiçaria e até isekai, hoje vamos nos concentrar em dois “basicões”: Alta Fantasia e Baixa Fantasia.

Exemplo típico de Isekai.

Alta Fantasia

Este é o subgênero mais familiar para a maioria dos jogadores de RPG, muito por conta da influência de O Senhor dos Anéis na gênese do D&D. A alta fantasia caracteriza-se por um grupo de protagonistas que realiza feitos extraordinários no decorrer de uma longa jornada. Mundos fictícios povoados por raças fantásticas, conjuradores e artefatos mágicos também fazem parte da fundação do gênero.

Uma confusão comum é achar que a alta fantasia está diretamente ligada ao poder bélico dos protagonistas. Isso não é nem de longe verdade. Basta ver como os protagonistas de Senhor dos Anéis começam com um poder relativamente modesto e são obrigados a lidar com situações extremamente perigosas. Aliás, vale lembrar também que Gandalf era um Mago de nível 5.

“Aliás, tô pensando em pegar uma mulsticlasse no nível 6. Guerreiro seria uma boa, será?”

Exemplos de obras literárias de alta fantasia são o já citado Senhor dos Anéis, a série The Dying Earth, de Jack Vance, a série Terramar da Ursula Le Guin (tô devendo a leitura desse, aliás), Crônicas de Gelo e Fogo do George R.R. Martin (especialmente os últimos livros) e os livros do personagem Elric de Melniboné. Eu vejo muita gente nas internets da vida associando o termo “alta fantasia” com aquela coisa mais exagerada de jogos como Warcraft, que os personagens vestem ombreiras do tamanho de um micro-ondas e fazem magia até pra esquentar café. Bom, isso também é considerado alta fantasia. Mas vale lembrar que o gênero é muito mais do que isso.

Então, se você tem um mundo ficcional, raças diversas, magia e bestas fantásticas, você está jogando um jogo de alta fantasia.

Baixa Fantasia

Em contraste à alta fantasia, a baixa fantasia foca no aspecto mundano dos personagens e do mundo. Muitas vezes se passa em uma versão ligeiramente mais fantástica do nosso próprio mundo. A magia é tímida, e alguns sequer acreditam que ela existe. Outros mundos e raças fantásticas podem até ser sussurrados pelos cantos, mas a maioria da população está alheia a eles.

Há quem encare a ficção histórica como uma espécie de subcategoria da baixa fantasia. Quem já deu uma olhada no suplemento Senhores da Guerra do Old Dragon 2 sabe do que estou falando. O mundo é muito mais “pé-no-chão” e a magia, se existe, pode ser explicada como simples coincidência. Mesmo assim, por virtude da fé, as pessoas acreditam com devoção nos seus líderes religiosos.

“Rapaz, o druida ancestral nos prometeu que encontraríamos nosso destino nessa floresta escura…”

Como exemplos de obras de baixa fantasia e ficção histórica podemos apontar As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, praticamente qualquer coisa do Bernard Cornwell, Crônicas de Gelo e Fogo do George R.R. Martin (no caso, os primeiros livros), Deuses Americanos do Neil Gaiman, entre outros. Há quem inclua Harry Potter nessa categoria, mas eu discordo um pouco. Apesar da sociedade secreta dos bruxos estar inserida na sociedade mundana, o foco da história muda para um mundo completamente mágico muito rápido.

Em resumo, se você tem um mundo próximo do mundo real, personagens humanos e a magia pode ser explicada por simples coincidências ou fé, você está em um cenário de baixa fantasia.

Por Fim

Humanos gostam de categorizar as coisas. É assim com qualquer coisa, desde música até períodos históricos. Com a ficção não poderia ser diferente. Porém, lembre-se que um gênero literário nunca encerra-se em si mesmo. Caso contrário, não conseguiríamos produzir obras originais. Bons autores e mestres de RPG estão sempre tentando empurrar as fronteiras de determinado gênero um pouquinho mais para longe. É assim que conseguimos ser criativos, afinal!

Se você se interessou por esse estilo de jogo, o livro básico de Old Dragon 2 pode ser adquirido clicando aqui. E não se esqueça de ver nosso artigo sobre classes sociais fantásticas.

Bom jogo a todos!

Harpeon – Biblioteca Arkanita

Esta semana, a iniciativa da Biblioteca Arkanita apresenta o subcenário Harpeon, de um autor que infelizmente não se identificou ao disponibilizar sua obra. Este subcenário é sugerido pelo autor para ser utilizado não como um cenário completo de origem dos personagens, mas sim um plano extra para onde os personagens podem cair por uma magia defeituosa de invocação, ou mesmo por uma indesejada sobreposição extraplanar de partes de Harpeon sobre o cenário dos personagens.

No entanto, este netbook funciona como material multissistema, uma vez que o foco é no subcenário em si e menções sobre regras são quase inexistentes – inclusive, elas possuem uma abordagem única do autor sobre o Sistema Daemon.

Conteúdo do netbook

  • Capítulo 1: introdução, introduzindo o subcenário de forma resumida e apresentando ideias de como gerar a interação de Harpeon com o cenário atual da mesa. Além disso, certos trechos explicam detalhes relevantes que tornam Harpeon diferente:
    • Magia em Harpeon: a conexão entre arcanos e sacerdotes o uso da Magia, a divisão da Magia em seis elementos, e a característica “Fúria” intrínseca a todos os usuários de Magia em Harpeon.
    • Os Cristais de Mana: a descrição destes minérios místicos e como influenciam na realização de feitiços.
    • As Zonas de Turbulência, regiões totalmente tomadas pelo elemento Trevas.
  • Capítulo 2: Divindades, descrevendo a tríade divina que influencia diretamente sobre a Magia e a própria existência de Harpeon, além de explicar sobre seus servos e devotos: Cefien (o deus da luz), Diana (a deusa das runas e das amazonas) e Abbadon (o deus da magia negra).
  • Capítulo 3: Reinos, ocupando uma grande parte do netbook ao descrever em profundidade os três grandes reinos de Harpeon, identificando seu soberano ou soberana, a mentalidade de seus cidadãos, leis, exército, política, clima, população, principais cidades e locais de destaque, guildas e organizações, principais divindades de devoção, ameaças geralmente encontradas, perfil dos aventureiros nativos, vantagens regionais e rumores no reino.
    • Aurora, o reino da Luz
    • Heodas, o reino das Amazonas
    • Landied, o reino dos Necromances
  • Um mapa superficial de Harpeon para referência de qualquer mestre que decida usar este subcenário.

Este netbook pode ser encontrado aqui mesmo na Biblioteca Arkanita. Clique aqui para iniciar o download.

Continue acompanhando as postagens semanais da Biblioteca Arkanita para outros grandes netbooks como Harpeon!

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