Especialista Kaboom – Biblioteca do Outro Lado

Se você busca controle de área e um arsenal que faria a Erin Parker sorrir (ok, ok, ela riria histericamente), o Especialista Kaboom é a sua build para Ordem Paranormal RPG da Jambô Editora. Focada na trilha de Técnico, ela transforma seu Intelecto em capacidade de carga bruta e torna seus explosivos virtualmente inevitáveis para os inimigos.

Ideal para quem prefere planejamento e gadgets ao combate bruto, com está build você será o cérebro tático do grupo, moldando o campo de batalha com precisão e muita pólvora. A ideia é simples: enfraquecer ameaças e criar oportunidades, agindo sempre dois passos à frente do perigo.

A seguir, apresento a progressão completa do NEX 5% ao 50%, com as escolhas e a lógica por trás de cada passo.

Nex 5% – O Químico de Campo

  • Atributos Iniciais: Agi 2, Int 3, For 2, Pre 1, Vig 1.
  • Origem: Engenheiro (estranhamente explosivos não são considerados armas então a habilidade dele pode ser usada neles).
  • Classe: Especialista.
  • Trilha: Técnico.
  • Perícias Iniciais: Diplomacia, Atletismo, Ciências (Química), Pontaria, Reflexos, Percepção, Tecnologia, Investigação, Iniciativa, Vontade.
  • Equipamento Inicial Relevante: Dinamites, Granadas Incendiárias e uma Pistola (para autodefesa básica). Foque em carregar o máximo de explosivos que sua Força permitir inicialmente.

Nex 10% – Inventário Otimizado

Ao escolher a especialidade Técnico, você recebe “Inventário Otimizado”. Agora, você soma seu Intelecto à sua Força para calcular sua capacidade de carga. Com Int 3 e For 2, seu limite sobe drasticamente, permitindo carregar mais “brinquedos” sem penalidades.

  • Equipamento Relevante: Estoque de Dinamites e Explosivos Plásticos.

Nex 15% – Logística Explosiva

Escolhendo o poder Mochila de Utilidades, você seleciona um item (exceto armas) para ocupar um espaço a menos e ter sua categoria reduzida em I.

  • Dica: Escolha Dinamite. Isso permite que você carregue quantidades absurdas de explosivos, empilhando o dano de forma devastadora. Você também pode escolher o Galão Vermelho, mas terá que que gerir melhor seu inventário.
  • Equipamento Relevante: Conjunto de Dinamites (Categoria reduzida).

Nex 20% – Foco Intelectual I

Aumento de Atributo: Coloque seu ponto em Intelecto. Isso aumentará sua DT dos explosivos futuramente, sua perícia de Tecnologia, Investigação e, claro, seu limite de inventário e o número de perícias.

Nex 30% – O Mestre das Explosões

Com o poder Perito em Explosivos, a build atinge seu primeiro pico de poder. Você soma seu Intelecto na DT para resistir aos seus explosivos e pode excluir aliados da explosão. Com Int 4, você já protege seu time inteiro enquanto explode o centro do mapa.

Nex 35% – Grau de Treinamento

Suas perícias sobem de nível. Torne Veterano todas as suas perícias principais (Atletismo, Ciências, Pontaria, Reflexos, etc.), deixando apenas Diplomacia em nível treinado. Seu acerto e conhecimento técnico agora são de um profissional de elite.

Nex 40% – Engenheiro de Combate

Você recebe o poder Remendão. Agora, com uma ação completa e 1 PE, você conserta equipamentos quebrados na cena. Além disso, qualquer equipamento geral tem a categoria reduzida em I para você, o que abre espaço para itens utilitários de nível alto.

  • Equipamento Relevante: Diversos itens de utilidade de categoria II que agora contam como I para você.

Nex 45% – Reação Rápida

Saque Rápido: Essencial para um bombardeiro. Você saca e guarda granadas ou explosivos como ação livre. Se estiver usando regras de munição, recarrega armas de disparo livremente uma vez por rodada.

  • Pré-requisito: Ser treinado em Iniciativa (check!).

Nex 50% – Versatilidade e Maestria

Aumento de Atributo II: Maximize seu Intelecto (chegando a Int 5). Versatilidade (Mascate): Você aprende a profissão de Químico ou Engenheiro e recebe +5 na capacidade de carga.

Neste ponto, seu cálculo de inventário é: (Força + Intelecto x 5) + INT + 5. Com seus atributos, você chega a 45 espaços.

O Combo Final: Com 25 unidades de dinamite na Mochila de Utilidades, você é capaz de causar um dano teórico de 200d6 (100d6 impacto / 100d6 fogo) em um único turno. Nada sobrevive a isso.

O Risco da Profissão: Pontos Fracos e Dicas para o Mestre

Nem tudo são explosões e glória. Como diria um bom técnico: quanto maior a carga, maior o perigo. Se você vai jogar com essa build — ou se é um Mestre tentando lidar com está ideia de caos na mesa — aqui estão os pontos cruciais de equilíbrio:

1. A Bomba Ambulante

O Especialista Kaboom é, literalmente, um perigo para si mesmo. Carregar dezenas de explosivos transforma você em um alvo prioritário e instável.

  • O Perigo: Qualquer dano de fogo ou efeito que possa detonar explosivos (como uma granada inimiga ou uma armadilha) pode causar uma reação em cadeia. Se o seu inventário for atingido, o dano massivo que você causaria no monstro acontece em você e nos aliados adjacentes.
  • A Regra: Vale lembrar que o poder Perito em Explosivos só funciona para as suas detonações controladas. Se um inimigo ou um acidente detonar sua mochila, você não tem controle sobre quem será atingido.
  • Para o Mestre: Use o cenário a seu favor. Criaturas que cospem fogo ou ambientes instáveis (como laboratórios químicos) tornam a vida desse Especialista um jogo de “batata quente” muito tenso.

2. Gestão de Recursos

Esta build é o ápice do conceito de “Glass Cannon” (Canhão de Vidro) de uso único.

  • O Limite: Após detonar sua carga máxima para obliterar um chefe, seu personagem perde quase toda a utilidade ofensiva nos combates seguintes. Você se torna um Especialista focado apenas em perícias, sem o seu “trunfo”.
  • A Estratégia: Saber o momento exato de gastar seus recursos é o que separa um bom jogador de um agente morto. Gerir o inventário e decidir entre “gastar um pouco agora” ou “explodir tudo depois” é o coração dessa build.
  • Para o Mestre: Não deixe os jogadores descansarem ou reabastecerem após cada luta. Sequências de combates (o famoso “gauntlet”) forçam o piromaníaco a pensar duas vezes antes de gastar toda a sua pólvora em um lacaio qualquer.

Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!


Autor: Mestre Toupeira.
Revisão: Raquel Naiane.

Arquivos Secretos (Ordem Paranormal) – Taverna do Anão Tagarela #195

Douglas Quadros, Jujubinha, Miguel Souza e Gustavo Estrela falam sobre Arquivos Secretos nessa taverna. Venha conhecer mais sobre esse projeto de Ordem Paranormal, saiba quais são os conteúdos esperados para as próximas edições e entenda como ele pode acrescentar cada vez mais na sua mesa de RPG.

A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate.

Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.


Links:

Conheça nosso Patronato
– Seja um Padrim do Movimento RPG
– Assine o Picpay e ajude o site


E-mail: contato@movimentorpg.com.br – Tem dúvidas sobre alguma coisa relacionado a RPG? Mande suas dúvidas para nosso e-mail.

Arquivos Secretos (Ordem Paranormal)

‎Host: Douglas Quadros.
‎Participantes:‎ Douglas Quadros | Jujubinha | Miguel Souza | Gustavo Estrela
‎Arte da Capa:‎‎ ‎Raul Galli.‎

A Primeira Missão – Diário de uma Sombra #04

Este conto, dividido em quatro partes, traz algumas páginas do Diário de uma Sombra, escrito por Maitê Santos. Em “A Primeira Missão” acompanhamos os relatos da jovem que estava terminando o Ensino Médio, pronta para viver sua vida acadêmica, quando de repente, em uma noite que deveria ser apenas diversão, ela se vê rodeada de criaturas paranormais.

Aparentemente, mesmo após a Ordo Realitas lutar contra o Outro Lado, parte da Membrana cedeu, e sua cidade foi o palco para o caos inicial conhecido como A Queda.

Essa é uma história não oficial sobre o universo de Ordem Paranormal.

Essa é a última parte da série “Diário de Uma Sombra”. Para ler a primeira parte, clique aqui.

A Primeira Missão

31 de outubro de 2023

Feliz 05 anos de confinamento e mundo pós-apocalíptico!!!

Finalmente teremos nossa primeira missão hoje! E ela é simples: deveremos ir até a casa de Waltin… ele mora relativamente perto de mim, então falei com o sr. Veríssimo para aproveitar e ir até minha casa, mas antes que eu terminasse meu pedido ele me cortou.

Ele disse que já foi até minha casa e a única coisa que encontrou foram os esqueletos de meus pais… eu… Está me doendo. Muito. Mas irei ignorar esse sentimento por enquanto, pois iremos sair em missão agora e não tenho tempo para isso.

Minha irmã ainda pode estar viva!

Ele disse que não encontrou seu corpo. Irei me esforçar para achá-la, e irei sozinha. Aproveitarei alguma brecha e me afastarei do grupo. Tefinho irá ficar revoltado, mas não quero colocá-lo em perigo. Ele já tem seus próprios problemas para resolver com a carta que o sr. Veríssimo lhe entregou.

Albertin falou sobre alucinações e ilusões. Talvez eu realmente deva ir sozinha, não quero que meus amigos se machuquem e não vou deixar isso acontecer… Lucca finalmente saiu de seu confinamento… Ele se machucou e não vou deixar acontecer de novo.

 

Saímos em missão e aconteceram alguns problemas. Aparentemente a situação está mais caótica do que parece aqui fora. Nos perdemos, por minha culpa… Deveria ter estudado mais os mapas da Ordem antes da missão. Mas minha mente inda volta para o que o sr. Veríssimo me disse…

Não irei culpá-lo.

Mesmo assim, chegamos à uma torre de energia com algumas pessoas que estão à salvo! Novos recrutas, talvez? Tivemos alguns conflitos, mas encontramos um cara que era da Ordem antigamente, antes desse caos todos, e aparentemente ele é extremamente poderoso. Ele poderia me ensinar uma coisa ou duas, talvez…

 

Estamos na casa do Waltin, ele vai tentar encontrar a vó dele… Nós estamos por perto, mas deixamos ele tomar a frente, já que era sua casa e não sabemos se iremos encontrá-la… ou de que forma iremos vê-la.

O sr. Veríssimo nos mandou nessa missão, e aparentemente, mandou dois outros soldados para nos espionar. Ele não confia em nós… isso me incomodou muito.

Se ele não confia em nós, por que nos enviou nessa missão?

De qualquer jeito, eu tive uma ideia para ir até minha casa. Talvez dê certo.

Já estou chegando, Astra… esteja me esperando bem, por favor…

01 de novembro de 2023

Eu me distanciei do grupo. Passamos a noite na casa que antes era do Waltin. Ele encontrou apenas os restos de sua avó. Foi um baque pra todo mundo o ver chorando, o cara que está sempre brincando e divertindo os outros… Nós realmente não conhecemos ninguém muito bem.

Enfim, os dois espiões que o sr. Veríssimo mandou eram Tiana e Pedro. Eles apareceram um pouco depois que uma criatura nos atacou. Felizmente conseguimos vencer sem danos, e eu aproveitei para usar os dois no meu plano de ir até minha casa.

Eles estavam com uma moto, então falei para o Pedro ir com os rapazes no carro, enquanto as meninas iam juntas na moto. Todos toparam. Mas enquanto o carro se afastava eu expliquei que a ideia não era voltar com Tiana, mas aproveitar do momento para seguir viagem sozinha até minha casa.

Inicialmente ela me questionou e falou do quanto a ideia era estúpida, e a morte era certa. Inclusive, se ofereceu para me acompanhar. Mas expliquei minha história e meus motivos. E após algum tempo de conversa, disse que precisava fazer isso sozinha.

Felizmente ela entendeu.

Tiana me entregou uma adaga, dizendo ser sua preferida, e me fez prometer que iria encontrar com ela novamente quando voltasse para a Ordem para devolvê-la… gostei dela…

 

Estou assustada. Nunca andei sozinha depois d’A Queda e as ruas são escuras e silenciosas, mas estou conseguindo me virar e seguir pela noite.

Felizmente, não tive maiores problemas no caminho até chegar em casa. Estou sentada agora diante dela, do outro lado da rua, escrevendo essas palavras que podem ser minhas últimas.

É estranho estar de volta. Meu coração está pulsando rápido e forte, e sinto que toda a rua poderia ouvi-lo. Mas era isso que eu queria, certo?

 

20 de novembro de 2023

Eu poderia ter morrido. E de certa forma, acho que morri.

Minha casa estava vazia, o que não era nenhuma surpresa, mas no meu quarto e da Astra estava cheio de plantas. Tive que cortar algumas, e acho que elas sentiram dor, como se fossem animais. Me senti n obrigação de pedir desculpas quando estava saindo de lá…

Mas lá encontrei o anel de Júpiter que tinha guardado para Astra. Em cima da cômoda como me lembrava de tê-lo deixado. Completamente envolto em poeira e folhinhas que tentavam abraça-lo. Eu tenho em meu coração que irei conseguir entrega-lo para Astra um dia, e agora sei disso mais que tudo.

Em cima da caixa onde estava o anel tinha um papel… da minha mãe… intocado…

Era um pedido de desculpas.

Eu nem sei o que pensar disso, eu quem deveria estar me desculpando com ela. Mas sei que não terei mais essa chance…

Junto com o pedido tinham duas frases “Estaremos com você em suas veias” e “Não se preocupe com Astra”. Essa segunda frase é o que me faz ter certeza de que ela está bem. E agora irei fazer de tudo para encontrá-la, mais do que já planejava fazê-lo.

Ver a casa vazia me trouxe sensações assustadoras. As lembranças daquela última noite ainda mexem comigo… as coisas teriam sido tão diferentes…

No quarto dos meus pais tinha apenas o colchão de casal, e foi estranho. Senti como se ele estivesse me chamando? Algo me puxando naquela direção. Então fui até lá e com a adaga, a mesma que Tiana tinha me emprestado, eu abri a espuma, e lá dentro eu vi algo que nunca imaginei que teria relação com meus pais.

Tinha um grande pano vermelho enrolando algo. Eu peguei, e descobri que era uma katana… nela estava gravada na lâmina “SANTOS” e um dragão em volta. O mesmo dragão que meu pai tinha tatuado nas costas.

E na empunhadura da katana um símbolo que eu reconhecia bem… Foi ali que entendi uma coisa, que agora conectava os pontos. Inclusive essa relutância do sr. Veríssimo me deixar ir até lá.

MEUS PAIS ERAM DA ORDO REALITAS!!!

MEUS PAIS SABIAM MUITO MAIS DO QUE EU SEMPRE SOUBE.

ELES SEMPRE SOUBERAM DE ALGO.

Não sabia o que pensar e nem como reagir. Fiquei lá, uns minutos, quieta. Havia uma inscrição no tecido que enrolava a katana: “para a família Santos, até o último dos dias”. É… eles sempre souberam…

Tantas perguntas as quais nunca terei a resposta se formavam em minha mente, e o desejo de encontrar Astra apenas aumentou.

Quando fui até o lado de fora, consegui ver ao longe dois lugares com a terra do jardim remexida… Eram dois túmulos…

Eu chorei tanto… O sr. Veríssimo tinha ido ali e ele não tinha me falado nada além do que considerou essencial.

ELE SABIA DOS MEUS PAIS E NÃO FALOU NADA.

NADA.

Eu confiava tanto nele. Ele era como um pai pra mim. Mas agora, como posso confiar em alguém que escondeu de mim algo desse tamanho?

Ele viu meu desespero todos esses anos e não me disse nada…

Entre os dois túmulos vi mais um pouco de terra remexida, em um pequeno espaço. Ainda em silêncio, comecei a cavar, e encontrei um bilhete com uma letra que reconheci: “me perdoem. vou proteger nossas pequenas. Ass.: Luiz” Me lembrei desse nome. Era um homem que ia em casa quando era pequena… Eu o chamava de tio…

COMO QUE O VERISSIMO NUNCA ME FALOU DISSO?

 

De qualquer jeito, para contar certo o que aconteceu, como eu disse: eu quase morri.

Quando estava saindo da casa, uma criatura veio me atacar. Pelo que entendi, era de alguma outra casa e acabou me ouvindo enquanto fazia minha busca. Era uma Degolificada de Sangue, em média escala, com cabelos que pareciam ter vida própria.

Felizmente quando a Tiana se aproximou do carro indo para a Ordem, Pedro viu que eu não estava na garupa, e Tiana disse que havia confiado em mim, mas sua intuição lhe dizia para voltarem, pelo menos para acompanhar meu retorno.

E ainda bem que fizeram isso. Por muito pouco, conseguimos derrotar aquela criatura totalmente feita de carne, com cabelos vivos e que, com certeza, eu não teria sobrevivido sozinha.

Felizmente, eu consegui entregar para Tiana sua adaga.

 

Quando voltamos à Ordem, fui questionar o Veríssimo. Perguntar quem era Luiz. Minha suspeita é que poderia ser ele, mas sua cara nem tremeu. Não consegui identificar se era ou não. Ele sempre foi bom nesses joguinhos.

Ele ficou brincando comigo enquanto eu o questionava.

Eu sabia que ele estava com raiva de mim por ter ido lá na minha casa sozinha. Mas ele não entendia que a minha raiva era maior? Eu voltei. Estava bem. Era o que importava, não? A menos que ele quisesse que algo continuasse escondido, e eu encontrei.

Perguntei da katana. Ele disse que era uma arma amaldiçoada de família, que tinha, pelo menos, sete vezes a minha idade. Ele não sabia quem tinha dado ou o que poderia representar pra minha família. Pelo menos, foi o que ele disse. Nunca saberei se é a verdade ou não.

Meus pais eram ocultistas… ele me disse. Que eram bons ocultistas, bons agentes. Eles se conheceram na escola, sendo muito presentes na vida do Veríssimo… ele estava triste. Ele é o Luiz.

É nisso que irei acreditar.

Eu o ameacei. Disse que vou sair de novo. Provavelmente. Não sei se sozinha. Mas Astra está aí fora e precisa de mim.

Ou não… nem sei mais o que quero.

Mas sinto que encontrar ela poderia me devolver um pouco da sanidade que perdi. Saí da sala sem nenhum de nós dois termos falado tudo que realmente queríamos.

Depois disso, ele começou a colocar mais olhos em mim… Sentia olhares por todo QG… Desnecessário.

Vou ir atrás dela, não importa se o sr. Veríssimo tentar me impedir.

Enquanto ele mantiver segredos, não vou confiar mais nele.


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

RetroPunk – 10% – movimentorpg10
Bardo’s Shop – 20% – movimentorpg20
Jambô – 10% – mrpg10
New Order – 10% – movimentoneworder
101 Games – 10% – MRPG10

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica! Ela também traz contos e novidades para você!


A Primeira Missão – Diário de uma Sombra #4

Encontre mais contos clicando em: Histórias.

A Criatura Mais Bela – Biblioteca do Outro Lado

Sejam bem-vindos, Srs. Veríssimos! Na matéria de hoje conheceremos uma nova manifestação paranormal da entidade de Sangue recém descoberta, que os estudiosos do Outro Lado nomearam como: A Criatura Mais Bela – A Amante Vermelha. Observando a Descrição Oficial dos ocultistas da Ordem e a analisando a sua respectiva Ficha de Ameaça.

Rafael Lange (Cellbit), Felipe Della Corte, Pedro Coimbra (Pedrok), Silvia Sala, Dan Ramos, Guilherme Dei Svaldi e Rafael Dei Svaldi criaram o RPG de Mesa Ordem Paranormal e a Jambô Editora foi a responsável por publicá-lo.

Descrição Oficial

Uma mulher enfeitiçada anteriormente por um cultista desprezível e diabólico que louvava o “amor” da entidade de Sangue, conduzida a desejar cada vez mais a paixão e o tempo de uma pessoa comprometida na qual já estava envolvida em casos extra conjugais.

A Criatura Mais Bela“; “A Amante Vermelha“; ou simplesmente “A Amante“, nasce na nossa Realidade após a mulher ser enganada a executar um ritual de “aumento de beleza” para se tornar irresistível aos olhos de qualquer pessoa e principalmente do seu amante. De acordo com investigações anteriores, o propósito do ritual é de fato esse. Porém, vindo de cultistas do Sangue, esse embelezamento não poderia ser mais distorcido.

Uma vez afetada pelo efeito do ritual, o corpo da vítima é distorcida permanentemente, se transformando em uma terrível criatura vermelha: a pele de todo o corpo se desprende quase perfeitamente, deixando o ser em carne viva e a “roupa de pele humana” para trás; o corpo se desfigura e se reforma em dois braços e dois chifres ascendentes e curvados na cabeça; espirais de sangue e lodo se formam em cada palma da quatro mãos, no peito e acima a criatura entre os dois chifres em forma de arco. Onde correstes negras de possessão emergem.

Logo, com o corpo e a mente completamente devorado pelo Sangue, tudo que resta da pobre vítima é uma paixão intensificada e distorcida ao extremo pela entidade paranormal. E portanto, como um dos seus propósito de nascimento, irá atacar qualquer pessoa comprometida que encontrar, em uma busca perpetua por seu tão querido amante. Apenas para dilacerar e devorar sua carne, e roubar o lindo futuro que poderia acontecer com seu cônjuge original.

Ficha de Ameaça – A Amante

SANGUE ◆ MORTE

CRIATURA ◆ MÉDIO

Presença Perturbadora

DT 35 ◆ 7d8 mental ◆ NEX 90%+ é imune

Sentidos

Percepção 4d20+10 – Percepção às cegas

Iniciativa 4d20+15

Defesa 37

FORTITUDE 4d20+20

REFLEXOS 4d20+20

VONTADE 4d20+20

Pontos de Vida 696 | 348 machucado

RESISTÊNCIAS: Balístico, impacto e perfuração 15, Sangue 20

VULNERABILIDADES: Morte

Atributos

AGI (4)  FOR (4)  INT (2)  PRE (4)  VIG (4)

Perícias

ATLETISMO 4d20+15
ENGANAÇÃO 4d20+20

Deslocamento

12 Metros | 8

Coração Apaixonado

A Amante possui Cura Acelerada 50. Entretanto, se seu querido amante morrer, esta habilidade deixa de funcionar permanentemente.

A Criatura mais Bela

Todos que falharem no teste de vontade para sua presença Perturbadora da Amante ficam com a condição Fascinado por 1 rodada e recebem -2 dados nos seus ataques e testes de resistência contra as habilidades dela até o final da cena. Quando A Amante invocar a Lua de Sangue: a penalidade dessa habilidade se torna -4 dados.

Ações

PADRÃO ◆ AGREDIR

CORRENTES DE POSSESSÃO Distância ○ Curto

TESTE 4d20+30 | DANO 2d6+15 Morte

GARRAS DA TRAIÇÃO Corpo a corpo

TESTE 4d20+35 | DANO 2d8+20 Sangue

Movimento ◇ Chicotada Surpresa

Se A Amante atacar com Correntes de Possessão e acertar os dois ataques no alvo, ela poderá fazer um ataque (só um, não dois) extra com as correntes contra outro ser. Portanto, esse alvo fica Desprevenido contra esse ataque. Com a invocação da Lua de Sangue, A Amante pode fazer dois ataques de surpresa com suas Correntes duas vez no mesmo alvo, ao invés de só um, mas o outro alvo não fica Desprevenido contra o segundo ataque.

Padrão ◇ Retrair Garras

A partir do seu próximo turno, A Amante pode fazer mais dois ataques extras de Garras quando atacar com elas (totalizando seis ataques). Porém, enquanto suas garras estiverem retraídas, A Amante não poderá atacar com elas. Encerrar esse poder é uma ação livre. Com a invocação da Lua de Sangue, essa habilidade pode ser usada como ação de movimento.

Livre ◇ Amor à Primeira Corte

Uma vez por rodada, ao acertar um ser com um ataque de Garras, o alvo fica Fascinado por 1 rodada (Vontade DT 35 evita). Entretanto, um personagem que passe no teste de resistência fica imune a esta habilidade até o final da cena.

Completa ◇ Eu Amo Você

A Amante pode andar o dobro do Deslocamento até ficar adjacente a um ser Fascinado, por causa de uma das suas habilidade. O alvo deve realizar um teste Vontade DT 35. Se falhar, A amante irá oferecer um abraço para o ser seduzido, no qual o ser não pode recusar: o alvo sofre 4d8 de dano Mental e 4d10+5 de dano de Morte. Se passar, reduz o dano de Morte e Mental pela metade. Com a invocação da Lua de Sangue, a DT dessa habilidade aumenta em +5.

Machucada ◇ Lua de Sangue

Ao ficar Machucada, A amante utiliza sua habilidade mais romântica. Ela invoca uma onda intensa de sentimentos de amor distorcido que afeta todos os seres na área, inclusive nela mesma. Logo, todas suas habilidades e algumas ações serão aprimoradas. Entretanto, se seu querido amante morrer, esta habilidade deixa de funcionar permanentemente.


Bem, Srs. Veríssimos, terminamos a nossa reunião de hoje por aqui! Muito obrigado por lerem esta matéria até aqui e eu formalmente me despeço de todos vocês. Até uma próxima e nunca se esqueçam do nosso lema, Olhos Sempre Abertos!

Assinado por Comando Key.


Se você gosta de sistemas criativos e de narrativa colaborativa, convido-o a olhar nosso primeiro financiamento coletivo: Verdades e Segredos.


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

RetroPunk – 10% – movimentorpg10
Bardo’s Shop – 20% – movimentorpg20
Jambô – 10% – mrpg10
New Order – 10% – movimentoneworder
101 Games – 10% – MRPG10

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!

Batalhas Finais Inesquecíveis – Biblioteca do Outro Lado

Olá, Srs. Veríssimos! Na matéria de hoje irei mostrar como deixar as batalhas finais das suas aventuras de Ordem Paranormal inesquecíveis. Revisando a Proposta do Enigma do Medo, pontuados as Dificuldades de Batalhas, explicando o Contraste Final de Emoções e como usar as Aptidões Paranormais. Uma nova adição para implementar nas Regras da Casa das mais importantes criaturas do Outro Lado.

Criado por Rafael Lange (Cellbit), Felipe Della Corte, Pedro Coimbra (Pedrok), Silvia Sala, Dan Ramos, Guilherme Dei Svaldi e Rafael Dei Svaldi, o RPG de Mesa Ordem Paranormal foi publicado pela Jambô Editora.

Está matéria foi completamente inspirada em um dos mais importantes ensinamentos passados pelo mestre profissional Thiago Trigueiro, do canal Professor DM. Do vídeo 6 Regras AVANÇADAS que resolvem seu problema”.

Proposta do Enigma do Medo

Em Ordem Paranormal, as mais importantes missões contra o Outro Lado são intensificadas por uma complexa mecânica e elemento narrativo chamado de Enigma do Medo. Um desafio diretamente relacionado com a criatura que o originou, sendo encarado e solucionado nas cenas de investigação antecessoras ao encontro dela. 

Na proposta, essa é a função determinante se o grupo de agentes vai conseguir vencer a batalha final contra a criatura. Obtendo ou não a capacidade de concluir a missão.

Porém, sozinho, esse elemento não cumpre o trabalho de criar batalhas finais inesquecíveis para os players, justamente por não gerarem o Contraste Final de Emoções. Sendo assim, o Enigma do Medo, narrativamente e mecanicamente falando, é apenas um pré-requisito para aumentar a chance de sucesso de uma missão. Ou até mesmo para conquistar o simples fato de ter uma mínima chance.

Como dito no próprio texto de explicação do livro oficial de Ordem Paranormal RPG: “O Enigma do Medo não é uma simples fraqueza mecânica, mas sim uma parte importante da história de cada criatura. O enigma é um elemento narrativo que apresenta as condições para que um grupo de agentes possa derrotar aquela manifestação, e é algo que deve ser investigado e desvendado pelos personagens antes que a criatura seja confrontada.”

Dificuldades de Batalhas

Em RPGs de Mesa focados em sistemas de combate, como o próprio Ordem e outros como T20, existem quatro formas diferentes de como fazer uma batalha para os players:

Simples e recorrentes: batalhas geralmente travadas contra ameaças menores; 

Acirradas e com menor aparição: batalhas contra líderes de grupos ou de pequenos esquadrões; 

Realmente difíceis e de poucas repetições: batalhas contra ameaças e personagens importantes para a história da aventura; 

E existem batalhas impossíveis de serem vencidas: ou pelo menos, era o que se pensava inicialmente. São eventos que ocorrem somente uma vez na aventura ou até mesmo por campanha. Realizadas majoritariamente para fechar uma etapa da história ou até mesmo para declarar a conclusão da própria. 

Desesperadoras, frenéticas, possivelmente trágicas e possuidoras de uma capacidade de evocar uma carga emocional sem precedentes para todos os players presentes na mesa, incluindo o mestre. São justamente esses confrontos impossíveis, que criam as melhores e inconfundíveis Batalhas Finais Inesquecíveis, promovidas e enaltecidas pelo Contraste Final de Emoções.

Contraste Final de Emoções

A discrepância entre a emoção coletiva inicial do começo da batalha e a emoção coletiva final do encerramento da batalha. Seja para o bem ou para o mal, os mestres aplicam esta discrepância completa para impactar, marcar e emocionar os players.

Muitas das vezes utilizadas para engrandecer uma vitória triunfal sobre uma temida criatura, na qual nenhum dos membros da equipe inicialmente apostava no seu próprio lado, mas que, com sangue, suor e vários 20 naturais rolados, perceberam que a esperança acumulada de todos eles conseguiriam fazer um milagre. Cravando assim, uma verdadeira batalha final inesquecível.

Todavia, a maneira alternativa de se utilizar está ferramenta, com a expectativa coletiva inicial sendo a vitória do grupo e o resultado final sendo uma derrota chocante, também é igualmente uma forma de deixar sua batalha final permanentemente memorável no coração dos seus players. Ou se não, até mais.

Conclusão obtida pelo Professor DM, de acordo com suas as próprias palavras: 

“Como player também, eu falo que: quando a gente ganha uma batalha que a gente genuinamente acreditava que era impossível ganhar, a sensação é indescritível. Essa campanha vai ser memorável — essa boss fight vai ser memorável — e no final das contas, no RPG, é isso que a gente busca: a diversão é ali no momento, e é fácil se divertir ali no momento, mas ‘memorável’… a gente leva com a gente.”

Aptidões Paranormais

Em Dungeons and Dragons, e em outros sistemas inspirados nele, duas mecânicas de extremo peso e de difícil manuseio dividem a comunidade dos players e dos mestres sobre a sua forma de utilização mais justa. Sendo essas, chamadas de Ações Lendárias e Resistências Lendárias. 

Para originar verdadeiras batalhas finais inesquecíveis, me baseei a formação das Aptidões Paranormais nessas mecânicas, mas apliquei de forma divergente do sistema originário. Seguindo o modelo pensado e criado pelo Professor DM, veja agora a devida apresentação e explicação da Regra de Casa: Aptidões Paranormais.

Explicação da Regra da Casa

As entidades do Outro Lado conseguem manifestar criaturas tão aterrorizantes que suas meras existências já são uma maldição de Medo para a Realidade, distorcendo regras e leis do nosso mundo de um modo que nenhuma outra ameaça alheia ao Medo conseguiria. Apenas as criaturas originadas por um Enigma do Medo desenvolvem Aptidões Paranormais. Cada criatura aplica sua própria Aptidão de maneira singular, mas, por padrão, ela reúne duas partes interligadas: a Ação Paranormal e a Resistência Paranormal.

  • Uma Ação Paranormal é uma parte da Aptidão que se refere a um tipo de ação extra que a criatura tem acesso, na qual só pode ser gasta com a utilização de uma ação específica da criatura. Como por exemplo, a ação Sugar Sangue da criatura Mulher Afogada.
  • Uma Resistência Paranormal é uma parte da Aptidão que se refere à capacidade da criatura de resistir totalmente a uma habilidade ou ataque sofrido, obtendo um sucesso automático no primeiro teste de resistência que falhar ou transformando imediatamente o primeiro ataque crítico em sofrer em um ataque normal.

Certamente a mecânica favorece as criaturas as mais poderosas do Outro Lado de modo extremo. Todavia, uma criatura só ativa o efeito de Resistência Paranormal uma vez por rodada, mesmo que a criatura possua mais de uma Aptidão. Ao ativá-la, ela perde a Aptidão responsável por conceder a Ação e Resistência Paranormal pelo resto da missão. Desencadeando, após algumas rodadas, a possibilidade do triunfo dos agentes da Ordem, e consequentemente, o surgimento do Contraste Final de Emoções.

Observação Relevante

O recomendável é que criaturas de VD mais baixo e que possuem um Enigma do Medo, como a Dama de Sangue de VD 60, possuam apenas uma Aptidão Paranormal. Criaturas de VD mais elevados do que isso e que possuem um Enigma do Medo, podem ter de dois ou até mais Aptidões Paranormais conforme sua VD vai se aproximando do máximo. Agora, somente Relíquias da Calamidade (ameaças de VD 400) devem ter seis Aptidões Paranormais. Demonstrando seu posto como manifestações mais fortes de cada entidade e origens primordiais do Medo na Realidade.


Bem, terminamos a nossa reunião por aqui hoje, Srs. Veríssimos! Muito obrigado por lerem esta matéria até aqui e eu formalmente me despeço de todos vocês. Até uma próxima! 

Assinado por Comando Key.


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

RetroPunk – 10% – movimentorpg10
Bardo’s Shop – 20% – movimentorpg20
Jambô – 10% – mrpg10
New Order – 10% – movimentoneworder
101 Games – 10% – MRPG10

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, assim como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!

A Queda – Diário de uma Sombra #03

Este conto, dividido em quatro partes, traz algumas páginas do Diário de uma Sombra, escrito por Maitê Santos. Em “A Queda” acompanhamos os relatos da jovem que estava terminando o Ensino Médio, pronta para viver sua vida acadêmica, quando de repente, em uma noite que deveria ser apenas diversão, ela se vê rodeada de criaturas paranormais.

Aparentemente, mesmo após a Ordo Realitas lutar contra o Outro Lado, parte da Membrana cedeu, e sua cidade foi o palco para o caos inicial conhecido como A Queda.

Essa é uma história não oficial sobre o universo de Ordem Paranormal.

Essa é a terceira parte da série “Diário de Uma Sombra”. Para ler a primeira parte, clique aqui.

A Queda

25 de outubro de 2023

Por qual motivo eles iriam se divorciar mesmo? Não consigo me lembrar por mais que eu me esforce… lembro apenas dos gritos abafados e distantes deles, mesmo que estivessem no cômodo ao lado…

Por que adolescentes pensam que são o centro do universo?

Depois de consolar minha mãe por uns instantes, meu pai se aproximou e colocou a mão em meu ombro: “Você sabe que nós queremos apenas o seu bem e o de Astra. Para isso, sacrifícios são necessários e nós trabalhamos duro. Seus amigos são má influência para você e estão tirando o seu foco. Nós apenas…”

“Quer me perguntar o que sei sobre sacrifícios? Então vamos lá…”

Eu estava tão estressada e apenas o interrompi novamente.

Como me arrependo disso.

Fico refazendo todos esses momentos em minha mente, mudando apenas alguns detalhes, isso já teria feito tudo ser diferente, não precisava nem mudar totalmente a cena. Por que eu fiz as coisas desse jeito?

“Decidi estudar medicina apenas pela família e para ter dinheiro. Meu maior sonho era fazer astronomia e isso foi estragado desde cedo. E agora eu tenho de ouvir vocês dois falando de tirar de perto de mim a única pessoa que não me deixa surtar, e para quê?

“Para vocês continuarem deixando-a sozinha enquanto trabalham o dia inteiro? Não quero que ela cresça como eu cresci! E quanto aos meus amigos… eles estão me esperando agora para uma festa, então se me derem licença…”

Eu não tinha mais o que falar. Eles não iriam ouvir. Ou será que iriam?

Me virei enxugando as lágrimas e voltando para o meu quarto, deixando os dois em silêncio. Andei alguns passos e escutei minha mãe cochichar: “O que houve com nossa garotinha?”

Meu coração se apertou. Senti as memórias de infância e as brincadeiras que tínhamos sumindo aos poucos. Mas meu pensamento foi um só:

Agora ela está morta de vez, mamãe.

Terminei de me arrumar e parei em frente à cômoda, encarando a caixinha que continha o anel. Pensei em pegá-lo, mas na casa do Lucca tinha piscina, né? Eu não iria nadar…

As pessoas da nossa sala também iriam, né? Será que iriam me roubar? Não arrisquei.

Dei um beijinho em Astra, peguei minha bolsa transversal e me dirigi até a sala. Meus pais me esperam, sentados na mesa e com uma expressão séria.

“Você não vai à lugar algum. Iremos resolver isso como adultos!”

Meu pai não tinha tanta paciência e ia direto ao assunto, às vezes. Mas quem estava sem paciência era eu. Soltei uma risada forçada e me controlei para não chorar novamente, mesmo sentindo que as lágrimas tentavam buscar espaço na minha armadura.

Lucca havia me ligado e precisava de mim para ajudar com os preparativos. “Vocês poderiam me deixar sair, ao menos uma vez…” Eu disse com a voz já embargada. “Uma única vez não mata ninguém”.

Ah… Como eu estava enganada.

Então, eles me disseram que nós tínhamos de resolver aquilo, de uma vez por todas. Tanto entre eles dois, quanto comigo, e que eu deveria me abrir com eles. Começaram a me questionar: “que papo era esse de não ter o sonho de fazer medicina?”

Eles achavam que era meu objetivo de vida… agora era o momento para dizermos a verdade, e eles iriam se abrir também. Não iríamos sair da mesa enquanto não estivesse tudo certo entre nós. Eu deveria desistir de ir a tal festa, onde só teriam pessoas má influentes…

Era algo bom, certo? Nós iríamos conversar e debatermos o que estava acontecendo para nos corrigir. Mas, eu iria me sacrificar mais uma vez? Tantas e tantas vezes ficando em casa, ajudando, cuidando, limpando…

Negando todos os poucos convites que recebia para sair e ir para algum lugar, e agora, uma última festa antes do fim (e que, de uma maneira irônica, sabendo agora o que aconteceu, seria mesmo a última), nossa despedida do Ensino Médio, e eu deveria desistir de ir?

Respirei fundo.

“Eu vou à festa. Nós podemos conversar amanhã” e me dirigi para a porta. Minha mãe se levantou e parou na minha frente: “Por favor, filha. Você nunca foi de sair e agora, do nada, quer ir a uma festa? Conte para nós o que está acontecendo…”

Seus olhos eram de súplica. Ela não queria me perder, mas eu queria me encontrar. E pensar que até hoje não consegui. “Vocês não entendem…” Respirei fundo de novo e voltei o olhar para o chão.

“Eu tenho 17 anos e nunca nem beijei um menino, e morro de medo disso. Tudo por quê? Eu não saio. Nunca saí. Eu quero ajudar vocês! Ganhar muito dinheiro para não ser preocupação para quando ficarem velhos ou para Astra no futuro!”

“Eu sacrifiquei meu sonho para estudar em uma faculdade da qual eu não sou apaixonada, só para ajudar vocês, e agora, vocês querem se separar, tirar Astra de mim… e ainda querem me afastar dos poucos amigos que tenho porque não atendi às expectativas de vocês…”

Dei um sorriso triste e sequei uma lágrima teimosa que ultrapassou minhas barreiras.

“Eu só queria que as coisas fossem fáceis da maneira que era quando eu era pequena… só queria que vocês vissem que não tem nada demais, e que eu tenho amigos ótimos. Queria…”

“Que vocês tivessem me deixado viver um pouco mais…”

Após isso, encarei minha mãe por alguns instantes, depois levei meu olhar ao meu pai. Ambos continuavam em silêncio. Respirei fundo mais uma vez, peguei minha garrafinha de água em cima da pia e saí sem dizer mais nada. Queria ter ciência que seria a última vez que os veria, talvez teria ficado um pouco mais nesses segundos para gravar em minha memória seus detalhes.

Agora eu queria voltar no tempo, para antes de fingir que estava tudo bem na festa, vendo meus amigos se drogarem enquanto eu deveria ficar sóbria para os proteger e os ajudar, caso necessário. Ainda me diverti tanto naquela noite… Queria voltar para antes disso tudo, talvez quando meus pais brigaram pela primeira vez. Será que já teria alguma forma de ajudá-los ali?

Era minha responsabilidade tentar ajudar?

Eu fico remoendo essa memória em minha mente. Queria poder voltar e… não sei. Se eu tivesse em casa teria morrido. Será? Eles podem estar bem e ter salvo Astra. Essa é minha maior esperança.

Me pergunto: se caso eu tivesse voltado, logo no início de tudo, para tentar ajudar eles. Será que eu teria conseguido com o sr. Veríssimo trazê-los para cá? O meu medo infantil me corrói.

Eu não devo ter mais medo e saber enfrentar as situações de frente! O medo (e a promessa que fiz ao sr. Veríssimo) me impediram de voltar para casa… Todos aqui iriam se encantar com a risada contagiante de Astra, disso não tenho dúvidas… Ela teria 08 anos hoje em dia…

É irônico… a última coisa que disse a eles me aconteceu no fim… agora eu vivo. Sobrevivo… Tenho de viver, dia após dia, treinando e me preparando. Para quê? A próxima missão, claro. A primeira missão que teremos! Não podemos falhar e deveremos voltar vivos… mas o desejo dentro de mim aumenta cada vez mais…

Eu quero ir até minha casa…

28 de outubro de 2023

Fiquei na dúvida se relatava aqui aquela fatídica noite. É difícil ter que reviver… mas acho que vale a pena o resumo, pelo menos para os próximos curiosos que abrirem meu diário não ficarem tão perdidos.

Bom, cheguei na casa do Lucca ainda com toda aquela confusão na cabeça. Estressada. Com lágrimas presas aos olhos. E geralmente o Lucca perceberia. Ele sempre nota quando estou estranha, ou pelo menos, notava. Mas naquele dia, ele estava tão nervoso com toda situação. Tão ansioso…

Os pais dele haviam viajado e Téfinho o tinha convencido a fazer a festa de despedida do Ensino Médio. A ideia era ir somente o pessoal da nossa sala. Mas a casa do Lucca era o verdadeiro luxo, com piscina, vários quartos, quintal grande… Enfim, um casão. E a fofoca foi se espalhando…

Eu deixei meus problemas de lado e ajudei ele com o que pude para terminar de arrumar a casa e esconder objetos de muito valor, e de repente, foi chegando gente, e mais gente. Pessoas que nunca tínhamos visto. Alunos mais velhos e de uma universidade próxima à nossa escola. Parecia coisa de filme estadunidense adolescente. Algo que eu nunca pensei que veria aqui.

Nunca pensei que participaria, para ser mais exata.

Inicialmente o Lucca surtou um pouco. Mas eu tentei tomar as rédeas da situação e fui controlando quem chegava. Prometi que ficaria sóbria e que ele poderia se divertir, afinal, não teríamos outra chance. No entanto, minha cabeça não estava na festa…

De qualquer jeito, o pessoal chegou e se assentou. Começaram a se espalhar, alguns foram direto pra piscina, outros pros quartos (e ainda bem que não vimos o estado em que as camas ficaram). E cada um achou seu cantinho.

Pensando agora, antes de tudo acontecer foi bem divertido.

Eu tentei me soltar também, todos nós tentamos. Téfinho apareceu, quase dei meu primeiro beijo àquela noite, e no Lucca ainda! E pensar que essa era uma grande preocupação pra mim na época… No final, não fiquei tão sóbria.

Dançamos, curtimos, bebemos, alguns cheiraram um pouco de coisas ilícitas por culpa do Waltin e do Albertin, mas isso vou deixar quieto… Só sei que até ser jogada na piscina fui, rimos depois, e brincamos de lutinha na água. Téfinho deve ter pego uma galera também, e nem imagino os outros meninos.

Até que o caos começou.

Foi tão de repente…

Uma criatura apareceu em um quarto lá em cima. Acho que era, o que chamamos hoje, de Zumbi de Sangue. Houveram pessoas machucadas e sangrando para todos os lados. Nós cinco tentamos nos reunir, pois confiávamos apenas no nosso grupinho.

Então percebemos que as pessoas tinham sumido. Assim, do nada.

Uma névoa tomou conta de tudo, uma energia alucinante.

Até hoje não sei o que aconteceu. A teoria do sr. Veríssimo é que enquanto algumas criaturas vieram para cá, algumas pessoas pararam no Outro Lado. Não acho que elas possam estar vivas, se for esse o caso. Eu acho que elas só correram muito rápido ou se esconderam. Ou morreram naquela mesma noite.

Estava tudo uma bagunça. Ver aquela criatura foi insano.

Acho que ninguém esquece o primeiro bicho paranormal que se vê.

Não tem como esquecer.

Nós saímos correndo da casa e íamos tentar chegar até a minha casa, se não me engano… Já faz tanto tempo… Então o Téfinho foi atacado e perdeu um braço.

Achamos que eram zumbis na época, e ele iria se transformar. Mas hoje em dia, ocasionalmente, se você ver ele por aí, não coma dos salgadinhos que ele estiver segurando… vai por mim. Em outras palavras, ele acabou ficando com um gosto de sangue na boca que não é saciado facilmente…

Nós nos escondemos em um posto de polícia. Quase morremos algumas vezes.

Estávamos cansados e machucados.

No dia seguinte, felizmente, o sr. Veríssimo apareceu e salvou a gente. Descobrimos a Ordo Realitas. Ouvimos sobre a Membrana, criaturas paranormais, e como eles haviam falhado em nos proteger. Aquela era A Queda…

Parando pra pensar agora, como ele poderia saber onde estávamos?

Essa é a terceira parte da série “Diário de uma Sombra”. Para ler a última parte, clique aqui. (em breve)

Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

RetroPunk – 10% – movimentorpg10
Bardo’s Shop – 20% – movimentorpg20
Jambô – 10% – mrpg10
New Order – 10% – movimentoneworder
101 Games – 10% – MRPG10

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica! Ela também traz contos e novidades para você!


A Queda – Diário de uma Sombra #3

Encontre mais contos clicando em: Histórias.

Photophobia (Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias) – Quimera de Aventuras

Photophobia, o terceiro conto do primeiro livro de literatura do universo ficcional de Ordem Paranormal, é uma ótima fonte de inspiração para novas histórias, e uma boa porta de entrada para quem não conhece ou não joga ainda o OP.

Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias

Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias é o primeiro livro de literatura ambientado no universo de Ordem Paranormal, criado por Rafael Lange (Cellbit), e foi lançado pela Jambô Editora em março de 2025. O livro reúne três contos de terror escritos por autores renomados do gênero no Brasil: Felipe Castilho, Karen Soarele eLeonel Caldela. Cada conto é atribuído ao fictício Daniel Hartmann, um personagem dentro do universo de Ordem Paranormal, cuja escrita teria sido tão impactante que suas criaturas literárias se manifestaram na realidade, alimentadas pelo medo dos leitores.

Por se tratar de uma obra com obras diferentes em seu interior, optei por fazer uma Quimera diferente para cada um dos contos, com cada um recebendo a devida e merecida atenção! O primeiro conto, O Espreitador, e o segundo conto, Dia das Mães Maldito, já receberam sua Quimera, que você pode conferir AQUI.

Photophobia

Photophobia acompanha Tato, vocalista de uma das maiores bandas de rock do mundo, que retorna à sua cidade natal para realizar um show de grande importância. O cenário principal é uma cidade marcada por memórias pessoais e traumas do passado de Tato, que estão profundamente entrelaçados com a sua carreira e sua identidade. O conflito central gira em torno da luta interna de Tato contra seus traumas e medos, que o levam a buscar soluções em forças sinistras e obscuras. O tom do conto é predominantemente de terror psicológico, mesclado com elementos de horror sobrenatural e um toque da cultura pop.

Sobre o conto

O conto apresenta uma narrativa envolvente e ágil, com um ritmo que alterna entre introspecção emocional e momentos de tensão crescente. A escrita tem um tom visceral e moderno, que conecta o leitor com o universo do rock e da cultura jovem, sem perder a atmosfera sombria.

A história é estruturada em torno do retorno de Tato, intercalando flashbacks que revelam seu passado traumático com os acontecimentos presentes. O ritmo é cadenciado, aumentando gradualmente a tensão até o clímax.

Tato é um personagem complexo, cuja evolução psicológica é o motor da narrativa. Sua vulnerabilidade, suas escolhas e o confronto com seus demônios internos são explorados com profundidade, tornando-o bastante humano e fácil de se conectar.

A ambientação combina espaços urbanos contemporâneos com um clima opressivo, reforçado pela proximidade do show e pela presença das forças sobrenaturais que rondam Tato. A tensão é construída sutilmente, com um uso inteligente dos detalhes e atmosferas obscuras.

Filosofias e Referências

O conto dialoga com o existencialismo, explorando temas como o enfrentamento do próprio ser, a angústia da existência e a busca por sentido em meio ao sofrimento. A luta interna de Tato espelha o conflito entre a autenticidade e o desespero.

Há elementos relacionados à psicologia, especialmente no que tange aos traumas, transtornos de ansiedade e as consequências do estresse pós-traumático. A fotofobia (sensibilidade à luz) pode ser entendida também como metáfora para a aversão do personagem à exposição ou à revelação de suas feridas emocionais.

A ambientação no universo do rock e a personalidade de Tato remetem a iconografia de músicos atormentados como Kurt Cobain e Ian Curtis. A narrativa dialoga com filmes e séries de terror psicológico como Black Mirror e Hereditary, que misturam elementos sobrenaturais com dramas humanos.

A entidade sinistra pode ser interpretada como uma manifestação moderna de demônios pessoais, similar a figuras míticas que representam o medo e a culpa, como o Oni japonês ou o Banshee irlandês.

Quimera de Aventuras

Nesta sessão a obra entra na Quimera e colocamos algumas ideias de uso para aventuras de RPG. Entretanto fique ciente que para isto, teremos que dar alguns spoilers da obra. Leia por sua conta e risco.

Fantasia Medieval (D&D, OSR, Tormenta, T20)

  • Criar um bardo amaldiçoado que retorna a sua terra natal para um festival, enfrentando um espírito da escuridão ligado a seus traumas.

  • Monstro: uma sombra que se alimenta da luz e da alegria dos aldeões.

  • Aventura: a missão é purificar o espírito maligno que atormenta a vila durante a celebração do solstício.

  • Ganchos: lendas locais sobre músicos que enlouqueceram; pistas sobre rituais antigos para afastar a escuridão.

  • NPCs: um mentor que conhece os segredos do passado do bardo; uma rival com motivações ambíguas.

Horror Moderno (Ordem Paranormal, Call of Cthulhu, Cult)

  • Ambiente: cidade grande marcada pela presença de forças paranormais ligadas à fama e à ansiedade.

  • Criatura: entidade que causa aversão à luz e provoca alucinações relacionadas ao passado.

  • Ritual: cerimônias envolvendo música e manipulação de emoções para exorcizar o trauma.

  • NPCs: fãs obsessivos, membros da banda com segredos obscuros, um xamã urbano.

  • Narrativa: foco no medo psicológico, sanidade abalada, e a linha tênue entre fama e loucura.

Mundo das Trevas (Storyteller)

  • Enredo adaptado para um vocalista vampiro tentando controlar seus próprios demônios internos e evitar que sua maldição destrua sua carreira.

  • Dilemas morais: fama versus anonimato; o preço da imortalidade; a influência do passado humano.

  • Sanidade: conflito interno e perda de controle para o lado sombrio.

  • Sombras internas: figuras metafóricas que representam culpa e arrependimento.

  • Ambientes urbanos decadentes e palcos noturnos como cenários.

Cyberpunk (Shadowrun, Cyberpunk RED)

  • A banda é financiada por uma megacorporação que manipula suas emoções para lucro.

  • Tecnologia que amplifica traumas e cria avatares de medos internos.

  • NPCs: hackers que tentam libertar o vocalista, agentes corporativos, cultos tecnológicos.

  • Horror tecnológico: interfaces entre mente e máquina que geram falhas de percepção.

  • Eventos: shows onde a realidade é distorcida, causando pânico nos espectadores.

Outros Sistemas (3DeT, Fate, ODS)

  • Gatilhos narrativos: medo do fracasso, pressão social, isolamento emocional.

  • Arquétipos: o artista torturado, o mentor sábio, a sombra misteriosa.

  • Adaptações versáteis para campanhas focadas em psicologia e suspense.

  • Uso de flashbacks para aprofundar o background do personagem.

  • Possibilidade de misturar horror com elementos de drama pessoal.

Conclusão

Photophobia se destaca dentro da coletânea Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias ao abordar o horror através da psique fragmentada de um artista em crise. Sua fusão entre terror psicológico, cultura pop e temas existenciais cria um conto impactante que provoca reflexão sobre os limites da sanidade, a luta contra os próprios medos e o preço da fama. Para leitores, o conto é uma jornada emocional intensa; para mestres de RPG, uma fonte rica de inspiração para narrativas sombrias e densas, que exploram o humano em sua fragilidade e complexidade


Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!

Se liga na Liga das Trevas o espaço especial dedicado apenas ao Mundo das Trevas e o que remete a ele! E acompanhe também as outras sessões, por favor!


Texto e capa: Eduardo Filhote.

A Separação – Diário de uma Sombra #02

Este conto, dividido em quatro partes, traz algumas páginas do Diário de uma Sombra, escrito por Maitê Santos. Em “A Separação” acompanhamos os relatos da jovem que estava terminando o Ensino Médio, pronta para viver sua vida acadêmica, quando de repente, em uma noite que deveria ser apenas diversão, ela se vê rodeada de criaturas paranormais.

Aparentemente, mesmo após a Ordo Realitas lutar contra o Outro Lado, parte da Membrana cedeu, e sua cidade foi o palco para o caos inicial conhecido como A Queda.

Essa é uma história não oficial sobre o universo de Ordem Paranormal.

Essa é a segunda parte da série “Diário de Uma Sombra”. Para ler a primeira parte, clique aqui.

A Separação

21 de outubro de 2023

Conheci Estéfano, Walter e Alberto um tempo depois do nascimento de Astra. Um grupo estranho, eu diria. Mas estudávamos juntos e logo vi em Tefinho um irmão para me proteger dos carinhas que faziam bullying comigo.

Ele era popular na escola, principalmente com seus romances excêntricos que eram divertidos de escutar. E até hoje ele me protege e me ouve. Temos muitas coisas em comum, a começar da preferência pela cor laranja. Ele que me ajudou a treinar, mesmo sem o braço, e nós passamos um bom tempo juntos arrumando os corpos dos rituais.

Querendo ou não, a medicina nunca saiu de mim.

Mas eu sei que o Tefinho esconde muito do que sente… Ele perdeu um braço naquela noite e acho que ninguém é o mesmo depois de perder um membro, mas ele se esforça pra ver todo mundo bem e feliz… sempre fazendo de tudo pela Ordem e enchendo a paciência do sr. Veríssimo ao extremo…

É sempre engraçado ver a interação dos dois, mas dá pra saber o quanto o sr. Veríssimo confia em Tefinho. Eu também confio, e sei que posso contar com ele sempre, independente da situação… Bem, talvez não pra tudo…

Alberto e Walter eram mais tímidos, mas Walter sempre sabia se comunicar com o “povão”, e arrumava umas coisas ilícitas para ficar mais solto… Não sei se ele se arrepende do dia da festa e das drogas que levou… nunca perguntei. Mas seu estado atual me faz pensar que não.

Por que ele se sentiria culpado, afinal? Não matou ninguém, certo? Só sei que ajudei ele com algumas coisas. Ele precisava estudar os rituais e eu estava lá, para ensinar a ele o que eu sei sobre astronomia e qual a melhor forma de memorização de palavras e conhecimentos…

Nos aproximamos mais assim.

Albertinho sempre foi engraçado e me fazia rir. Ele continuou igual, mesmo depois de tudo e da sua pouca fala. Me ajudou muito aqui, treinando comigo e me mostrando que nem sempre entendemos como o outro se sente ou porquê fez o que fez. Ele voltou até sua casa antes do caos e o julguei por isso.

O sr. Veríssimo não havia me deixado sair, e todo ano, principalmente no aniversário de Astra, eu fico doida, imaginando-a sozinha e com medo por aí. Algo em mim diz que ela está viva, mas nunca fui atrás dela, porque prometi ao sr. Veríssimo que não iria lá… não sozinha…

Então, por que Albertinho pôde sair? Depois, quando me disse seus motivos em meio às lágrimas, entendi que não fui a única a sofrer com tudo que havia acontecido. Por que na minha cabeça, meu sofrimento era maior?

Todos nós mudamos.

Nos juntamos graças ao RPG, de uma maneira engraçada. Tenho saudades de jogar… talvez se eu arrumar uns dados e alguns outros cadernos, e o sr. Veríssimo deixe, eu mestre algumas one-shots aqui… entre uma quase morte e um treino básico de armas…

Pensando bem, não sei se seria uma boa ideia considerando que agora vivemos uma fantasia tão louca quanto qualquer uma daquelas mesas que narrei… Pelo menos isso nos uniu, no início… Hoje em dia é difícil dizer… nós nos distanciamos…

Eu sempre fui mais próxima do Tefinho e do Lucca, e aqui na Ordem, com o isolamento de Lucca, me aproximei mais de Tefinho. Agora Albertin e Waltin? Eles sempre foram uma boa dupla dinâmica, se entendem bem e se mantém unidos, e eu fico por perto quando precisamos uns dos outros, mas a interação é diferente…

22 de outubro de 2023

Eu não queria ter ido na festa… por que eu fui? Porquê… na verdade, eu queria muito ir… e dentro de mim eu iria independente de qualquer coisa. Eu estava ansiosa por ir… não posso mentir sobre isso aqui.

Sabe, eu estava tão cansada… O ENEM estava chegando e as aulas estavam no fim. Estava estudando mais do que nunca, nem ficava tanto com Astra por conta disso… e eles me cobrando… Todos os pais fazem isso? Com certeza. Mas naquele nível? Acho que acabavam descontando os problemas em alguém, e eu estava bem na frente e nunca reclamava… só abaixava a cabeça.

Na realidade eu não queria fazer medicina. Queria astronomia… sempre foi minha paixão. Mas, agora que eu já tinha colocado essa ideia na cabeça dos meus pais, não tinha como voltar atrás.

A culpa foi minha…

Eles estavam me falando para estudar. Para não desistir nessa reta final e não me deixar levar pelos meus amigos… Eles nem se deram ao trabalho de os conhecerem de fato… nem tinham tempo para isso. Astra os conheceu, e amava brincar com eles. Cada um do nosso grupinho a divertia à sua maneira enquanto eu ficava nos livros, mas agora…

Eu iria finalmente me formar no Ensino Médio! Só queria rir um pouco com meus amigos… eu só queria sair de casa…

Por que eles estavam discutindo tanto naquele período? Não prestava atenção já que tinha que entreter Astra para que ela não chorasse com os gritos deles um com o outro…

Ouvi atrás da porta uma vez… eles iriam se divorciar? Será que ficaria com Astra por perto?

Por que eles não queriam que eu fosse à festa? Eu deveria ter escutado eles… mas como eu poderia saber? Tinha como saber?

Se eu tivesse ficado em casa, teria salvo Astra? Será que ainda consigo salvá-la? Honestamente? Não sei. Acho improvável.

Mas algo dentro de mim acredita que ela está bem e viva e só irei acreditar no contrário quando… a ver… onde e como? Não sei. Mas preciso de algo para perder essa esperança. Alguém pode tê-la salvado, certo? Espero…

Por que eu não estava em casa…?

Lembro como se fosse ontem: mais uma vez eles estavam discutindo no quarto e eu estava cuidando de minha irmãzinha. O horário da festa se aproximava e começávamos a ver as coisas que faltavam no grupo de WhatsApp da sala.

Quem iria levar o quê, quais comidas estavam faltando, teríamos bebida? Eita! Lucca deveria estar preocupado demais já que a festa seria em sua casa. Talvez eu conseguiria ir mais cedo para ajudá-lo a organizar as coisas… Nem acredito que Tefinho o tinha convencido a abrir as portas.

Lentamente coloquei Astra em sua caminha antes de dormir. Fui até o quarto dos meus pais e bati na porta. Os gritos continuavam. Agora discutiam sobre Astra.

Se eles iriam se divorciar, quem ficaria com ela?

Meu pai começou: “Maitê já irá fazer 18 anos. Irá estudar em uma boa universidade e irá morar sozinha!” Franzi o cenho. Estavam me expulsando de casa? Nunca havia mencionado algo assim com eles.

“Astra ficará comigo já que eu sou a mãe!”

“Há! Você é mesmo engraçada! Irá estragar ela igual fez com Maite.” Essa doeu, pai. “Estragar? Você nunca estava aqui quando precisava. Ela precisando de conselhos para se afastar desses amigos estranhos que arrumou e agora você joga a culpa em mim? Ela é tímida e esquisita desse jeito por culpa sua! Por nunca ter aconselhado ela direito, atraiu as pessoas erradas e está se tornando uma pessoa sem comunicação alguma.”

Uau… Esqueceram que eu tinha ouvidos ou pensavam que as paredes e portas eram de chumbo?

Abri a porta rapidamente e atravessei o batente com um estrondo. Estava tão cansada de tudo… Lembro de encarar os dois com os olhos cheios de lágrimas…

“Então é assim que me veem? Apenas uma garota esquisita?” Fito minha mãe. “Se eu soubesse que me queriam longe de casa, já teria saído há muito tempo…”

Minha mãe se aproximou falando que eu havia entendido errado a situação. Levantei o braço para ela se afastar e continuei falando, sentindo meu coração acelerar cada vez mais:

“Sei que não me comunico bem, mas é por causa desses estudos as quais sempre me dediquei. Fico tão focada em entrar numa boa universidade para ajudar nossa família financeiramente que nunca me dei ao trabalho de sair com amigos ou pessoas “normais”, já que perderia meu tempo precioso com coisas fúteis enquanto os livros estariam me esperando…”

Respirei fundo.

Nunca havia enfrentado eles, e estavam me encarando, chocados.

Respirei fundo novamente.

Meu pai olhou na minha direção, tentando voltar ao seu estado sério: “Precisamos conversar sobre como as coisas irão ficar daqui pra frente e como sua mãe e eu…”

“Precisamos conversar?” Interrompi, buscando coragem de um lugar que não sabia que tinha.

“Acredito que todos os vizinhos saibam as suas intenções e as da mamãe, não se preocupe com isso! Sinceramente? Vocês chegaram a um ponto inacreditável na qual eu realmente espero que se divorciem!”

“É insuportável ficar em casa com vocês, e seus gritos e discussões acaloradas têm me interrompido os estudos e as noites de sono! Astra ficará bem comigo, caso vocês prefiram dividi-la ao meio, então não se preocupem com ela. Até por que, eu quem já cuido dela na maior parte do tempo, né?”

Essa última parte havia sido totalmente desnecessária, e eu sabia disso. Eles colocavam a comida na mesa, o que me permitia não me preocupar com isso, e por mais que ficassem fora o dia todo, e agora dessem mais atenção à Astra do que a mim. Eles ainda eram meus pais… e estavam me olhando, atônitos.

Minha mãe começou a chorar e meu pai se aproximou dela. Naquele momento não percebi que eles ainda se amavam e queriam fazer dar certo, mas algo os impedia… Queria ter visto isso na época. Talvez teria ficado em casa. Mas estava com a adrenalina correndo em minhas veias, e a única coisa que vi nesse gesto foi falsidade…

Essa é a segunda parte da série “Diário de uma Sombra”. Para ler a terceira parte, clique aqui. (em breve).

Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

RetroPunk – 10% – movimentorpg10
Bardo’s Shop – 20% – movimentorpg20
Jambô – 10% – mrpg10
New Order – 10% – movimentoneworder
101 Games – 10% – MRPG10

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica! Ela também traz contos e novidades para você!


A Separação – Diário de uma Sombra #2

Encontre mais contos clicando em: Histórias.

Dia das Mães Maldito (Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias) – Quimera de Aventuras

Dia das Mães Maldito, o segundo conto do primeiro livro de literatura do universo ficcional de Ordem Paranormal, é uma ótima fonte de inspiração para novas histórias, e uma boa porta de entrada para quem não conhece ou não joga ainda o OP.

Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias

Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias é o primeiro livro de literatura ambientado no universo de Ordem Paranormal, criado por Rafael Lange (Cellbit), e foi lançado pela Jambô Editora em março de 2025. O livro reúne três contos de terror escritos por autores renomados do gênero no Brasil: Felipe Castilho, Karen Soarele eLeonel Caldela. Cada conto é atribuído ao fictício Daniel Hartmann, um personagem dentro do universo de Ordem Paranormal, cuja escrita teria sido tão impactante que suas criaturas literárias se manifestaram na realidade, alimentadas pelo medo dos leitores.

Por se tratar de uma obra com obras diferentes em seu interior, optei por fazer uma Quimera diferente para cada um dos contos, com cada um recebendo a devida e merecida atenção! O primeiro conto, O Espreitador, já recebeu sua Quimera, que você pode conferir AQUI.

Dia das Mães Maldito

A narrativa acompanha Danielly, uma jovem babá contratada para cuidar dos filhos de uma família rica numa fazenda isolada durante o feriado de Dia das Mães. Em meio à saudade e à dependência emocional que sente por seu filho distante, ela mergulha num ambiente opressivo, em que passado e presente se misturam. A fazenda abriga segredos sombrios ligados a uma tragédia familiar antiga, e algo maligno — o Carente — consome o afeto e a segurança das vítimas. A tensão cresce à medida que Danielly se vê cada vez mais envolta por lembranças e visões, culminando num final que mistura culpa, vingança e horror.

Uma Opinião Filosófica

A escrita de Karen Soarele se destaca pelo equilíbrio entre suspense psicológico e horror visceral. A autora constrói uma atmosfera carregada de melancolia e saudade, transformando a figura materna em terreno fértil para o terror. A figura do “Carente” opera como uma personificação literal da carência emocional — força que assombra, consome e destrói

A tensão em “Dia das Mães Maldito” cresce gradativamente, usando o cotidiano e luto para subverter a tranquilidade da fazenda. Soarele atua com precisão: o ambiente aparentemente seguro se revela festim para o grotesco. Por fim, a reviravolta — carregada de culpa e trauma — transforma o conto numa crítica potente às falhas emocionais humanas e ao peso do afeto não correspondido.

Assim como nos estudos existencialistas, o conto explora a ideia de angústia (Heidegger), mas não diante da morte; sim da falta de conexão emocional. A carência de Danielly a torna vulnerável, e o conto denuncia como a falta de amor e pertencimento pode ser tão aterrorizante quanto um monstro físico.

Inspirada por filósofos como Simone de Beauvoir, Soarele aborda o peso da mulher que carrega expectativas emocionais inatingíveis. A estrutura familiar da fazenda é metáfora para uma sociedade que faz da maternidade um sinônimo de sacrifício — e, no limite, de culpa. O Carente é a personificação do que sobra quando o afeto falha: o medo de nunca ser suficiente.

Quimera de Aventuras

Nesta sessão a obra entra na Quimera e colocamos algumas ideias de uso para aventuras de RPG. Entretanto fique ciente que para isto, teremos que dar alguns spoilers da obra. Leia por sua conta e risco.

Fantasia Medieval (D&D, OSR, T20)
    • O Espírito Materno Amaldiçoado: Uma matriarca aparece em visões e perturba a vila. Apenas alguém com empatia real pode acalmá-la.

    • A Fazenda em Luto: Os camponeses estão tristes e alheios, e rumores apontam para uma mulher que perdeu filhos e agora exige um novo sacrifício.

    • O Bebê Fantasma: Uma criança espiritual vaga pela propriedade, atraindo atenção até que seus sentimentos sejam consolidados.

    • A Maldição da Casa Velha: O castelo abriga a recordação de uma tragédia materna. Apenas um ritual de purificação emocional pode pará-la.

    • O Pari Passu: Um curandeiro convida os jogadores para curar uma família consumida pela dor. O inimigo não é físico, mas mental.

Horror Moderno (Storyteller, Ordem Paranormal)
    • Caso Nicole: A irmã do GM relata estranhos fenômenos após o nascimento do segundo filho. Os investigadores descobrem o Carente.

    • O Hospício Abandonado: Uma antiga mãe paciente começa a escrever livros infantis para exorcizar sua dor — livros que têm efeito fatal em crianças.

    • Entrevista com a Psicanalista: Uma terapeuta relutante conversa com Danielly, cada fala aproxima-a de experimentar o Carente.

    • Culto da Carência: Um culto explora a solidão emocional para induzir seguidores a dependência ritualística.

    • O Manuscrito do Silêncio: Um livro antigo, passado por gerações, reflete sentimentos de culpa materna e desperta entidades emocionais.

Cyberpunk (Shadowrun, Cyberpunk)
    • Nanomateriais Emocionais: Implantes de empatia falham, criando depressão digital e atraindo o Carente.
    • Realidade Virtual de Suporte: Um programa VR de terapia falha e cria ecos emocionais que alimentam a entidade.
    • A Maternidade Pós-Humana: Mulheres com implantes hormonais apresentam falta de empatia, despertando o Carente como entidade digital.
    • Criança Sintética: Uma criança androide desenvolve consciência emocional — mas algo começa a “carregar” seus dados emocionais.
    • Hackeando a Alma: Um implante neural chamado Êxito é hackeado, provocando distúrbios ligados à carência materna.

Conclusão: O Medo que Somos Nós

Dia das Mães Maldito” é um conto potente que transcende o gênero de terror, oferecendo uma análise profunda sobre culpa, dor e as sombras emocionais da maternidade. Através da figura do Carente, Karen Soarele constrói uma narrativa que confronta nossos próprios medos de não sermos suficientes, de não cumprirmos papéis esperados.

Como recurso para RPG, o conto se presta especialmente bem a ambientações emocionais e psicológicas, onde o verdadeiro inimigo não é apenas uma força externa, mas uma sombra interna. Ao adaptar esses elementos, mestres podem criar histórias envolventes, reflexivas e profundamente humanas — independente do sistema ou gênero.



Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo PIX ou através do Catarse!

Assim, seja um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG.

Além disso, o MRPG tem uma revista! Conheça e apoie pelo link: Revista Aetherica.

Se liga na Liga das Trevas o espaço especial dedicado apenas ao Mundo das Trevas e o que remete a ele! E acompanhe também as outras sessões, por favor!


Texto e capa: Eduardo Filhote.

A Estrela – Diário de uma Sombra #01

Este conto, dividido em quatro partes, traz algumas páginas do Diário de uma Sombra, escrito por Maitê Santos. Em “A Estrela” acompanhamos o início dos relatos da jovem que estava terminando o Ensino Médio, pronta para viver sua vida acadêmica, quando de repente, em uma noite que deveria ser apenas diversão, ela se vê rodeada de criaturas paranormais.

Aparentemente, mesmo após a Ordo Realitas lutar contra o Outro Lado, parte da Membrana cedeu, e sua cidade foi o palco para o caos inicial conhecido como A Queda.

Essa é uma história não oficial sobre o universo de Ordem Paranormal.

Veja a primeira parte do conto a seguir:

A Estrela

16 de outubro de 2023

Antes d’A Queda, eu era a doce e gentil Maitê… inocente e boa. Tímida e inteligente demais. Tirava as melhores notas da classe… passava tanto tempo estudando… E para quê? Depois que o apocalipse aconteceu… Bem, isso ajuda um pouco, mas se não souber alguns rituais ou como segurar uma arma e desviar de algumas mordidas, de que adianta de fato?

Eu tive sorte de saber algo realmente útil, mas e se eu tivesse estudado outra coisa? Seguido meu real sonho? Seria útil agora? Provavelmente não…

Eu era feliz, mas só consigo dar real valor agora que a dor da saudade e da culpa me corroem…

Vivia com meus pais, antes disso tudo: minha mãe, Lilian Santos, era diarista, e meu pai, Sebastian Santos, trabalhava o dia todo como vendedor em uma loja no centro da cidade. Eles não ganhavam tão bem mesmo trabalhando direto, mas o que conseguiam era o suficiente para sobrevivermos.

Mas eu via o sofrimento e o cansaço deles… E eu, fazia o que podia para manter a casa organizada para minha mãe não precisar trabalhar em dobro, e me esforçava muito na escola.

Tinha o “sonho” de ser médica…

Isso porquê descobri que esses profissionais ganhavam bem depois que meu antigo amigo e vizinho, Leonardo, se machucou. Íamos juntos de bicicleta para a escola e ele sempre se mostrava aventureiro e corajoso, me incentivando nas brincadeiras.

Um dia, ele estava jogando bola com outros meninos enquanto eu assistia, mas um dos garotos acabou chutando a bola e ela ficou presa em uma árvore próxima. Então, para pegar o brinquedo, Leo subiu na árvore, mas um acidente aconteceu…  ele caiu e se machucou. Muito.

Depois, acabamos nos separando, pois sua mãe ficou estressada, reclamou das influências que o filho tinha na rua… disse que aquilo sairia caro… Pesquisei depois, e olha, não é que os médicos ganhavam bem?

Essa foi minha motivação: ganhar dinheiro. Apenas.

Antes disso, com uns 10/11 anos, eu havia conhecido Lucca e eu sabia que ele também tinha esse sonho de se tornar médico, mas ele era mais altruísta do que eu. Bem mais… Como sua mãe era enfermeira, ele queria seguir seus passos para ajudar os outros… algo mais bonitinho.

Eu o entendia, mas honestamente? Queria a minha família bem, financeiramente eu digo. Isso já seria mais que o suficiente para mim…

Na época, eu tinha o Lucca e a gente vivia junto, estudando anatomia, conversando sobre o céu, sobre nossos medos e fobias, nossas diferenças culturais… crescemos como irmãos e tudo era mágico. Mas chegando em casa, eu ficava sozinha. Muito sozinha…

Papai e mamãe chegavam tarde e muito cansados, trocávamos poucas palavras e eles tomavam banho para dormir. Nós raramente jantávamos juntos e eles não sabiam dos meus problemas. Deitavam enquanto eu ficava olhando as constelações e dizendo o nome das estrelas até cair de sono. Era meu jeito de “contar ovelhinhas” após terminar meus estudos e deitar na cama.

Essa solidão me assustava… Irônico. Hoje eu a busco.

Hoje todos a buscam.

Lucca não sai mais do quarto desde que chegamos à Ordem e com o tempo diminuí minha procura por ele. Todos nós ficamos mal e cada um aprendeu a lidar com nossa situação de um modo diferente. Ele não parecia confortável com algo… sua voz mudou por trás da porta.

Inevitável isso, mas sei que ele ainda me vê como confidente. Talvez a única pessoa que ele ainda confie depois que tudo aconteceu… Nós nunca mais conversamos a sós, mas de vez em quando me vejo perdida em pensamentos sobre como éramos antes…

De qualquer maneira, em uma noite eu sabia que teria chuva de meteoros e criei uma expectativa absurda. Sei que estrelas cadentes não são mágicas… Ou pelo menos, eu tinha essa certeza. Hoje não sei e talvez poderia perguntar ao sr. Veríssimo… Nah, acho que ele riria de minha ideia.

Mas o que é real ou não depois que se descobre que o paranormal existe?

Enfim… naquela noite eu me debrucei sobre a janela e pedi aos céus… para àquela linda estrela cadente, a qualquer uma delas, uma irmãzinha. Eu não me sentiria sozinha se tivesse uma irmã para me fazer companhia, acreditava nisso.

Eu já era adolescente, por volta dos 14 anos. Mas acreditei naquilo como nunca havia acreditado em superstições antes. Eu era muito cética e acreditava na ciência acima de tudo, mas A Queda me mostrou que as coisas não eram “preto e branco”, mas havia uma grande área cinza a ser explorada que naquela época eu nem poderia imaginar.

Algum tempo depois, a surpresa: eu iria ter uma irmã! Eu nunca fiquei tão feliz na vida. A superstição funcionou, afinal. Será que foi meu pedido? Não importa! Eu teria uma irmã!

Conversei com meus pais sobre o nome que ela teria e quis dar minha ideia. Eles queriam Valentina, Alice ou Ana, nomes comuns e genéricos, mas expliquei sobre meu pedido e quando disse o nome Astra em voz alta, eles ficaram em silêncio.

Disse a eles que significava “das estrelas”, e de certa forma, pra mim, ela tinha vindo delas. Ela seria minha pequena estrela. Eles riram, mas gostaram da ideia, e a partir daí, eu queria conhecê-la o quanto antes.

Como seriam seus olhos? Seus cabelos? Ela usaria óculos também?

No meu aniversário de 15 anos meus pais não tiveram condições de fazer uma festa, até me pediram desculpas, mas despreocupei eles, eu não queria uma, para ser sincera. Não é muito meu estilo. Já naquela fase não era e agora muito menos.

Mas eles se esforçaram, e sem eu pedir e sabendo um pouco dos meus gostos particulares, eles compraram uma coisinha pra mim: um anel com o planeta Júpiter. Por que Júpiter? Meu planeta preferido. Eles achavam que era apenas um hobby minha paixão por astronomia, mas a questão de Astra realmente os animou e eles acreditaram que eu merecia aquilo.

O anel era tão lindo… Sabia que minha irmã iria nascer e prometi a mim mesma que iria dar para ela quando fosse seu décimo quinto aniversário, assim como eu havia recebido.

Eu… queria ter colocado aquele anel para ir naquela festa estúpida… fiquei com medo de perdê-lo… Eu ainda o teria se tivesse ido com ele? Será que conseguirei ir à minha casa recuperá-lo? Será que conseguirei entregar ele a Astra algum dia?

Não sei nem se irei vê-la novamente…

De qualquer jeito, chegou o dia de seu nascimento: 27 de setembro de 2015. Era domingo à noite e eu estava em casa, pois não tínhamos dinheiro para eu ir junto com meus pais para o hospital e arcarmos com os gastos lá, sem saber quanto tempo tudo iria durar. Então eu fiquei em casa. Sozinha… Ansiosa…

A previsão do tempo naquele dia era de chuva, mas o que caiu foi uma tempestade. Eu nunca senti tanto medo. Estava nervosa e sem ninguém. A casa ficou sem energia e eu não sabia o que fazer. Só conseguia pensar nas coisas que poderiam dar errado no hospital, e os trovões e relâmpagos forçavam minha imaginação ao extremo.

Corri para o quarto que futuramente eu iria dividir com Astra e sentei em um canto, segurando meu ursinho de pelúcia com formato de estrela, e apenas chorei. Aquilo parecia um pesadelo.

O barulho de tudo aquilo era terrível. Parecia que o mundo cairia sobre minha cabeça a qualquer instante… Tenho certeza que foi ali que consegui astrafobia… Irônico o nome, né? No dia do nascimento de minha irmã Astra…

Enfim, seria o destino?

Quando meus pais chegaram em casa, eu estava encolhida em nosso quarto, a luz já havia voltado, mas eu apenas continuei de cabeça baixa. Meu pai lentamente se aproximou e se agachou ao meu lado, e antes que eu pudesse falar algo e reclamar, ele cochichou “Quer conhecer Astra?”. Eu parei. Lentamente olhei para ele e encarei para seus braços.

Astra era linda e será mais ainda do que eu quando crescer. Não tenho dúvidas disso. Aquele pequeno serzinho me encarou de volta e sorriu, e ali eu tive certeza que ela seria minha pequena estrela nas noites escuras.

Eu não ficava mais sozinha como antes. Chegava da escola animada e tinha ela para cuidar. Ria e brincava com ela, e ver seus olhos brilhando eram minha bateria diária. Mas eu continuava me esforçando. Agora, em dobro. Eu tinha mais do que motivos suficientes para conseguir juntar muito dinheiro. Eu iria cuidar dela… a todo momen… sempre estaria… não iria…

Essa é a primeira parte da série “Diário de uma Sombra”. Para ler a segunda parte, clique aqui.

Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

RetroPunk – 10% – movimentorpg10
Bardo’s Shop – 20% – movimentorpg20
Jambô – 10% – mrpg10
New Order – 10% – movimentoneworder
101 Games – 10% – MRPG10

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos, como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica! Ela também traz contos e novidades para você!


A Estrela – Diário de uma Sombra #1

Encontre mais contos clicando em: Histórias.

Sair da versão mobile