Matéria – Esferas de Mago: A Ascensão

“Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”
Antoine Lavoisier, em “Traité Élémentaire de Chimie”

A oficina estava silenciosa, exceto pelo zumbido grave do transformador antigo e pelo cheiro de óleo queimado misturado com metal quente.

O mestre estava encostado à bancada, óculos de proteção na testa, luvas de couro marcadas por queimaduras antigas.

Ele observava o pupilo com paciência, como quem vê um motor prestes a dar partida pela primeira vez.

“Antes de tentar alterar qualquer coisa…” — disse ele, alcançando uma porca minúscula com duas pinças distintas — “você precisa aprender a olhar.”

“Não olhar com os olhos, digo. Os olhos só veem superfície. Quero que aprenda a perceber os padrões. Pois cada objeto tem um mapa interno, uma arquitetura que diz o que ele é, do que é feito, quanto sofreu e quanta vida ainda lhe resta.”

“Quando você entende isso, quando sente o metal e sabe sua composição antes mesmo de tocá-lo, você está ouvindo a linguagem da matéria. Os Filhos do Éter chamam isso de análise espontânea. Os tecnocratas chamariam de espectrometria sem aparelho.”

“Eu chamo de respeito.”

Ele largou a porca, pegou um pedaço de alumínio deformado, resultado de alguma explosão anterior, e o colocou sobre a mesa.

“Agora, quando você começa a tocar, a alterar, está apenas dando pequenos empurrões na realidade. Deixar o alumínio mais puro, tirar as impurezas do aço, remover o cheiro químico da água — nada disso é extraordinário, não do ponto de vista do Éter.”

“Você apenas acelera processos que a ciência mundana já entende. Você não está violando leis, apenas as executando mais rápido. Lembre-se disso: nossa magia não é agressão contra o mundo.”

“É cooperação. É ciência com pressa.”

Ele passou a mão sobre o alumínio amassado e, num instante, a superfície ficou lisa e uniforme, como se tivesse sido prensada em máquina industrial.

Nenhum gesto dramático, nenhuma luz azulada. Apenas um efeito discreto, simples, porém instantâneo. O pupilo arregalou os olhos.

“Isso é útil, eu sei, parece truque de feira. Mas quando você compreende que essas pequenas mudanças são só o começo, começa a entender o peso da responsabilidade.”

Ele respirou fundo e pegou um pedaço de madeira do chão, provavelmente parte de uma antiga caixa de ferramentas.

“A verdadeira arte começa quando você entende que os materiais não são competidores. Madeira, vidro, cerâmica, aço… são apenas estados diferentes da mesma conversa cósmica.”

“Com vontade suficiente, você pode reorganizar a mensagem.”

“Pode transformar madeira em aço, pode fazer areia virar vidro puro de laboratório, pode pegar plástico vagabundo e criar um composto resistente ao calor como cerâmica espacial.”

Quando ele falou isso, o pedaço de madeira começou a escurecer, endurecer, as fibras se realinhando, até o objeto ganhar um brilho leve e frio.

O pupilo tocou, sentiu o peso diferente, o som metálico quando bateu na bancada.

“Não é ilusão.” — disse o mestre, com um meio sorriso — “É engenharia avançada, só que sem o intervalo de anos entre ideia e resultado.”

“É aqui que muitos Filhos do Éter começam a se perder. Acham que o poder está em fazer truques de transmutação. Não está.”

“O verdadeiro poder é construir.”

“Agora, imagine não apenas trocar uma coisa por outra, mas redesenhar completamente o objeto. Pegar sucata e criar um motor funcional. Moldar um bloco de ferro bruto como uma espada perfeitamente balanceada. Construir armadura com materiais impossíveis, sem solda, sem emendas, sem falhas.”

“Isso não é magia no sentido romântico; é manufatura perfeita. Não é transformar. É projetar. É ciência manifestada sem ruído, sem perda de energia, sem protótipo defeituoso.”

Ele estava diferente agora, os olhos brilhando sem precisar de luz, o orgulho transbordando de forma calma e séria.

“Mas tudo isso é apenas o caminho.”

“O destino final, a fronteira que nós, Filhos do Éter, perseguimos desde antes de termos esse nome, é a criação de materiais que a realidade ainda não inventou. Não apenas fazer aço melhor, vidro mais resistente, borracha inteligente. Não. Estou falando de criar matéria que não seja encontrada em nenhuma tabela periódica.”

“Imagine um metal que se regenera quando amassado. Um tecido que repele radiação. Um líquido que memoriza temperatura e reage a comandos. Não é alquimia. Não é feitiçaria. É inovação extrema. E não existe laboratório no mundo que não nos chamaria de loucos por tentar.”

O mestre abaixou a voz.

“Você não pode chegar lá sem curiosidade.”

“Sem risco. Longe do fracasso. Deixando de explodir algumas coisas no caminho. O Éter exige isso.”

“Não somos contadores de histórias sobre magia, somos arquitetos daquilo que pode existir. Quando alterar, quando refazer, quando inventar substâncias novas, lembre-se sempre: não existe matéria morta. Apenas matéria esperando uma ideia.”

A luz vacilou. O transformador chiou. E o pupilo finalmente entendeu que aquela oficina era um templo. A bancada, um altar. E tudo, absolutamente tudo, podia ser reinventado.


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

RetroPunk – 10% – movimentorpg10
Bardo’s Shop – 20% – movimentorpg20
Jambô – 10% – mrpg10
New Order – 10% – movimentoneworder
101 Games – 10% – MRPG10

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, assim como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!


Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: 
Raquel Naiane.

Mente – Esferas de Mago: A Ascensão

“Não existe muros, apenas aqueles que a mente ergue.”
Ursula K. Le Guin, Os Despossuídos

Aprendiz, agora que você já se assentou no caminho, é hora de eu lhe falar da Esfera da Mente, a disciplina que para nós, da Irmandade de Akasha, é tão natural quanto respirar.

Não porque seja fácil, mas porque compreendemos que a mente é o verdadeiro campo de batalha, e que toda guerra, toda escolha e todo destino começam primeiro dentro dela.

Lembre-se sempre: ao estudar esta arte, você não está apenas adquirindo poder.

Está sendo iniciado em um caminho que remonta aos nossos ancestrais, mestres que aprenderam a ouvir o silêncio interior antes de erguer a voz.

Vou lhe guiar etapa por etapa. Cada degrau não é um truque, mas um estágio da consciência.

O Primeiro Olhar – Escuta Interior e Exterior

O primeiro ensinamento é o da percepção. Antes de tocar a mente alheia, você deve aprender a silenciar a sua. Na tradição akashita, isso é feito pela meditação.

Quando os ruídos da sua mente se aquietam, você começa a perceber os ecos da mente dos outros.
Sente intenções ocultas, desejos abafados, medos disfarçados.

Percebe se um coração se agita, se uma palavra é sincera ou forjada. É como escutar o som da respiração de alguém em um salão silencioso: sempre esteve ali, mas você ignorava.

Esse é o início: ver além das máscaras.

O Segundo Passo – A Influência Sutil

Uma vez que você aprende a escutar, aprende também a responder.

Assim como o praticante de artes marciais redireciona a força do adversário sem violência, aqui você aprende a influenciar estados mentais.

Um espírito agitado pode ser acalmado; uma coragem vacilante pode ser fortalecida. Uma sugestão pode ser plantada como quem deposita uma semente no solo fértil.

Mas escute bem: para nós, isso não deve ser manipulação. A tentação de moldar o outro segundo sua própria vontade é grande, mas a disciplina akashita exige respeito.

A influência deve guiar, não subjugar. Se arrastar alguém como escravo, estará traindo os princípios da Irmandade.

O Terceiro Horizonte – Moldar e Curar

Quando sua compreensão se aprofunda, você percebe que a mente não é rígida: é maleável como o bambu.

Aqui você pode iluminar lembranças esquecidas, dissolver traumas que corroem, clarear pensamentos obscurecidos.

Também pode criar imagens mentais tão intensas que se confundem com realidade, ou projetar ilusões que dominam os sentidos.

Esse poder é perigoso. Para nós, serve como medicina espiritual: curar feridas da alma, reconstruir memórias destruídas pela dor.

Mas lembre-se: mexer em lembranças é mexer na identidade. Use essa arte como cirurgião, não como carrasco.

O Quarto Caminho – Comunhão das Consciências

Quando sua disciplina atinge esse estágio, a mente deixa de ser um território isolado. Você já não apenas percebe ou remodela: agora pode caminhar pelos corredores da psique alheia.

É possível unir consciências em comunhão, criar uma rede de pensamentos entre irmãos de batalha, ou até fundir-se temporariamente com outro ser para compreender suas dores e sua visão.

Nesta etapa, você pode ajudar alguém a fortalecer virtudes ou enfraquecer vícios que o corroem.

É também onde a empatia floresce inevitavelmente: ao sentir o que outro sente, você aprende que até o inimigo é fruto de cicatrizes.

Nosso dever, como akashitas, é usar essa comunhão para despertar compreensão, nunca para impor dominação.

O Quinto Portão – O Campo Universal da Mente

No ápice, você finalmente entende o que os antigos mestres sempre ensinaram: a mente não está confinada no corpo. Ela é parte de um campo vasto, coletivo, que une todos os seres vivos.

Aqui você pode criar consciências inteiras, gerar formas de pensamento tão complexas que parecem vivas, ou, se escolher o caminho destrutivo, dissolver por completo uma mente até o vazio.

Pode unir vozes em uma única consciência coletiva, viajar pelos sonhos da humanidade, despertar ecos esquecidos do inconsciente universal.

É nesse estágio que você toca o que nós chamamos de Akasha: a memória primordial que envolve o mundo, onde todos os pensamentos, lembranças e experiências estão entrelaçados.

Ao entrar nesse fluxo, você não apenas molda a mente: você se torna parte dela.

O Aviso do Mestre

Jamais se esqueça, aprendiz: a mente é templo sagrado. Uma ferida no corpo pode cicatrizar, mas uma ferida na mente pode nunca se fechar.

Nós não ensinamos esta disciplina para criar tiranos, mas para libertar. Nosso caminho é a iluminação, não a escravidão.

Respeite antes de tocar. Escute antes de agir. Cada avanço nessa senda deve aproximar você da superação de suas próprias ilusões, não do controle dos outros.

Essa é a essência da Esfera da Mente sob os olhos da Irmandade de Akasha: disciplina, compaixão e consciência.


Caso compre nas lojas de algum de nossos parceiros aproveite nossos códigos promocionais

RetroPunk – 10% – movimentorpg10
Bardo’s Shop – 20% – movimentorpg20
Jambô – 10% – mrpg10
New Order – 10% – movimentoneworder
101 Games – 10% – MRPG10

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.

Dessa forma, conheça nosso serviço, o Lendas de Cerração, e escolha qual é o melhor benefício para você. Inclusive sendo um Patrono do Movimento RPG com benefícios exclusivos, assim como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG!

Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica, através deste link! Ela também traz contos e novidades para você!


Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: 
Raquel Naiane.

Vida – Esferas de Mago: A Ascensão

 

“Ver o mundo em uma folha é a primeira lição. A segunda é entender que você também é a folha.”

— William BlakeProvérbios do Inferno

Por Vortigern, o Enraizado, Bani Verbena — A Vida não se curva a quem a trata como ferramenta. Ela é uma conversa — um diálogo entre o que é e o que pode ser.

Você quer aprender? Então esqueça a ilusão de controle. Você será um ouvinte antes de ser um artesão. Um servo antes de ser um deus.

O Primeiro Sussurro: Escutar o Pulso

Tudo começa com ouvir o que não é dito. Coloque sua mão no tronco dessa árvore. Sinta? Não apenas a casca áspera… mas o lento fluxo de seiva, as raízes que sussurram segredos ao solo, até as formigas que carregam migalhas de vida em suas mandíbulas.

Uma vez, nas planícies da Mongólia, encontrei um guerreiro morrendo de uma ferida invisível. Seus companheiros viam apenas suor e febre.

Eu via o câncer — um verme escuro devorando seu fígado. Perceber a Vida é enxergar a verdade por trás da carne. É humilhar-se diante da complexidade de um único fio de cabelo.

O Toque do Jardineiro: Moldar o que já Vive

Agora, você aprende a tocar a sinfonia. Não crie novas notas — ajuste as que já existem.

Um galho quebrado pode se regenerar sob seus dedos, se você acelerar o crescimento das células. Uma flor murcha revive se você lembrar suas pétalas do perfume do sol.

Mas cuidado: curar um mal pode semear outro.

Certa vez, salvei uma criança de uma febre, apenas para descobrir que seu corpo, sem a doença, nunca aprendeu a lutar. Ela morreu anos depois, engolida por um resfriado banal. A Vida exige equilíbrio. Você pode…

Fortificar um coração fraco, mas não sem custar fôlego aos pulmões.

Fazer uma videira crescer em minutos, mas sua fruta terá o gosto amargo do desespero.

Adormecer uma fera com um toque, mas seus sonhos serão pesadelos que a deixarão mais feroz.

Você é um ajustador, não um criador. E isso é suficiente — até que a ambição acorde.

A Dança da Carne e Osso: Refazer o que a Natureza Teceu

Chegará o dia em que você verá um corpo não como sagrado, mas como argila. Um osso quebrado vira uma asa. Um olho cego pode ser refeito para enxergar além do espectro da luz.

Conheci um homem que transformou sua pele em casca de carvalho para escapar de um incêndio. Sobreviveu… mas nunca mais sentiu o calor de um abraço.

Aqui, você descobre que a Vida é um livro que pode ser reescrito. Crie membranas entre os dedos para nadar como um peixe.

Faça um coração bater no ritmo das marés. Ou — como fez uma feiticeira em Cuzco — misture humano e jaguar até que a linha entre predador e presa se apague.

Mas lembre-se: toda modificação deixa cicatrizes na alma. A carne pode curar, mas a mente raramente esquece o que foi violado.

O Canto das Florestas e Epidemias: Governar o Enxame

Quando seu conhecimento amadurecer, você não olhará para um ser, mas para ecossistemas inteiros. Uma praga pode ser domada como um cão de guarda.

Uma floresta morta revive com um suspiro, suas árvores desabrochando como punhos que se abrem após séculos.

Em Bombaim, testemunhei um mago que transformou um rio poluído em sangue vivo — peixes nasceram sem guelras, engolindo o veneno e purificando as águas.

Funcionou… até que os peixes começaram a caminhar para a cidade em busca de mais toxinas.

Neste estágio, você:

Converte epidemias em bênçãos, transformando vírus em curas.

Faz cadáveres se levantarem, se agir antes que o último sopro se dissipe.

Altera o instinto de espécies, fazendo lobos pastarem como ovelhas.

Mas a Vida resiste a mestres. Ela se rebela, se reinventa. Um grão modificado pode virar uma erva que devora cidades.

O Último Segredo: Escrever o Livro em Branco

No ápice, você não mais segue as regras — dita novas. Crie seres de musgo e melancolia.

Faça um homem viver milênios, suas células se regenerando como hidras. Ou, como o louco Amadeus de Varsóvia, plante um jardim onde as flores têm vozes e contam segredos enterrados.

Mas há um preço: tudo que você criar carregará um fragmento seu.

Uma vez, dei vida a um pássaro feito de luz e sombra. Ele cantou tão belamente que as pessoas esqueceram de comer. Quando ele morreu, levei décadas para voltar a sentir alegria.

Aqui, você entende que a imortalidade é uma mentira. Tudo que nasce morre. Até os deuses. Especialmente os deuses.

O Conselho Final: A Semente e a Serpente

Aprenda isto, aprendiz: manipular a Vida é cortar o próprio coração para alimentar outro. Cada cura deixa uma cicatriz em você. Cada milagre planta uma semente de decadência.

Comece com uma folha caída. Reviva-a, mas pergunte-se: ela queria voltar? Toque um animal apenas para entender seu medo, não para mudá-lo.

E quando a tentação de brincar de deus chegar — e ela virá —, lembre-se do meu jardim.

O mestre sopra sobre a semente em sua mão. Ela germina, cresce, floresce e murcha em segundos, deixando cair uma nova semente no solo.

Veja! Toda criação é um eco. Toda vida é um empréstimo. E o preço… ah, o preço sempre será pago em sangue, suor ou lágrimas. Suas ou de outro. Escolha com sabedoria.


Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo PIX ou através do Catarse.

Dessa forma, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos! Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica através deste link!


Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: 
Raquel Naiane.

Forças – Esferas de Mago: A Ascensão

“Você acha que a gravidade é uma lei? É um convite. E eu aceitei.”

— Robert AngierO Grande Truque (2006)

Ah, a Esfera das Forças… É como aprender a sussurrar aos elementos antes de gritar com os céus. Sente-se, acenda sua vareta de incenso e ouça. Isso não é só sobre jogar raios ou apagar fogos.

É sobre entender a dança invisível que mantém o mundo girando — e então pisar no ritmo.

Vou lhe contar um segredo: toda magia começa com ver o que os outros ignoram.

As Forças não são exceção. Você quer controlar o fogo?
Primeiro, precisa enxergar o calor que emana dele, sentir a energia se contorcendo como um animal adormecido.

Quer dominar o vento?
Escute o canto das correntes de ar antes de tentar montar nelas. É assim que começa.

Primeiro Degrau: Os Olhos que Enxergam o Invisível

Imagine que você está em uma sala escura. Um leigo vê apenas escuridão.

Você, com o primeiro toque das Forças, enxergará o calor dos corpos, a energia estática nos fios da parede, até o fraco brilho da radiação cósmica no ar.

Não é magia ativa — é como afinar seus sentidos para a sinfonia das energias.

Uma vez, em Cairo, usei isso para encontrar um vampiro escondido.

Ele achou que a escuridão o protegeria, mas seu corpo frio era uma mancha de ausência no meu campo de visão energético. Não precisei de feitiços complexos. Só… prestei atenção.

Isso é o primeiro passo, a Percepção. Você não mexe, só observa. Mas sem isso, você é um pintor tentando criar uma obra-prima no escuro.

Segundo Degrau: A Mão que Molda a Chama

Agora, vamos sujar as mãos. No próximo estágio, você começa a interagir.

Não crie nada ainda — trabalhe com o que já existe.

A vela na sua frente tem uma chama fraca? Aumente-a até virar uma tocha. Ou diminua até ser só uma brasa.

O vento está soprando para o leste? Curve-o levemente para norte, como quem ajusta as velas de um barco.

Lembra-se daquela vez em que você tropeçou no templo de Tlaloc?

Se estivesse nesse nível, poderia ter desviado a energia cinética da sua queda — transformado o tombo em um passo suave.

É útil, mas limitado. Você precisa de matéria-prima. Sem fogo, sem vento, sem luz… bem, você fica de mãos vazias.

Uma dica: magos preguiçosos morrem cedo.

Se você só sabe manipular o que está ali, precisa ser criativo.

Uma lanterna quebrada ainda tem bateria? Extraia a eletricidade e faça um choque.

O som do seu suspiro? Amplifique-o até virar um rugido.

A Força é uma parceira exigente — ela quer que você pense.

Terceiro Degrau: O Artífice das Tempestades

Aqui, você para de ser um “ajustador” e vira um “criador”. Não precisa mais da vela. Crie fogo do nada, mesmo no meio do oceano.

Faça o ar vibrar com trovões em um dia claro. Ou — meu favorito — conjure uma esfera de plasma que brilha como um sol em miniatura na sua mão.

Sim, é tão perigoso quanto parece. Uma vez, um colega imprudente tentou controlar um raio sem calcular a trajetória. Resultado? O santuário inteiro virou cinzas.

Mas nas mãos certas… Ah, nas mãos certas! Já vi uma maga derrubar um helicóptero com um único estalo de eletricidade direcionada.

Este é o nível onde você para de brincar e começa a lutar. Escudos de força pura, feixes de energia que furam aço, até manipulação sutil da gravidade — tudo isso está ao seu alcance.

Mas cuidado: quanto mais você cria, mais o Paradoxo cochicha no seu ouvido.
A realidade não gosta de quebra-cadeias.

Quarto Degrau: O Maestro do Caos

Chegando neste nível, você deixa de ser um “artesão” e vira um “arquiteto”. Não se trata mais de uma única força, mas de sistemas inteiros.

Imagine orquestrar uma tempestade: vento, chuva, raios, pressão atmosférica — tudo coreografado por seus gestos.

Ou dobrar o espaço para teleportar um objeto, não pela Via das Dimensões, mas esticando a energia cinética até ela “pular”.

Já ouviu falar da Torre de Tesla em Budapeste? Um mestre de Forças a manteve pairando por três dias, usando campos eletromagnéticos entrelaçados. Claro, ele pagou com anos de sua vida pelo Paradoxo… mas foi lindo enquanto durou.

Aqui, você brinca com coisas que a maioria chama de “leis da física”.

Crie um campo de força permanente em sua casa, transforme um deserto em um vale fértil manipulando correntes de ar e calor, ou — se for louco o suficiente — acelere partículas até simular um pequeno Big Bang.

Mas lembre-se: quanto maior o feito, maior o preço.
O Universo cobra juros altíssimos.

Quinto Degrau: O Tecelão do Cosmos

O ápice… A maestria absoluta das Forças. Aqui, você não é mais um mero mortal. Você se torna um “deus menor”, capaz de reescrever as regras fundamentais.

Extinguir estrelas? Sim. Criar um buraco negro no seu quintal? Por que não? Transformar toda a energia de uma cidade em pura luz, deixando só sombras para trás? Já foi feito.

Conheci um mago que, num momento de desespero, congelou a energia cinética de uma explosão nuclear. Tudo parou — o fogo, a radiação, até o som.

Parecia que o tempo havia parado. Mas quando ele liberou… bem, digamos que o Paradoxo o engoliu como um lobo faminto.

Neste nível, você não manipula forças. Você as redefine. Pode tornar a gravidade irrelevante em um planeta, fazer a luz viajar mais devagar que um caracol, ou até se fundir com o próprio vácuo quântico.

Mas isso não é poder — é uma tentação. Poucos resistem sem perder o que os fazia humanos.

A Dança das Chamas

Você quer mesmo seguir esse caminho? Então ouça isto: “as Forças são um espelho“.

Elas revelam quem você é. Um pirômano irresponsável se tornará um incêndio ambulante. Um estudioso paciente talvez domine até a fusão fria.

Comece pequeno. Aprenda a sentir o calor da sua própria respiração antes de tentar domar um vulcão.

E nunca, nunca subestime o Paradoxo. Ele não é um inimigo — é um lembrete. Toda vez que você distorce as regras, a realidade distorce você de volta.

Agora, apague a fogueira. Use seu conhecimento para absorver o calor das chamas e deixe só brasas. Assim… Viu? Não precisa ser espetacular. Só… eficiente.

Isso é Forças, aprendiz. Caos com precisão. Arte com consequências. E se você respeitá-la… bem, o mundo pode virar seu brinquedo. Ou seu caixão. A escolha é sempre sua.


Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo PicPay, PIX ou também no Catarse.

Assim, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos! Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica através deste link!


Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: Raquel Naiane.

Entropia – Esferas de Mago: A Ascensão

“Voce tem que considerar a possibilidade de que o caos tem uma ordem.”

— Ian Malcom (Jeff Goldblum), Jurassic Park

 

Seguindo nossa linha de estudos, é importante entender como o mundo funciona. Ou como nada faz sentido. Nesse aspecto, lidamos com uma das esferas mais interessantes que estão disponíveis no escopo de um mago.

Correspondência é apenas o primeiro passo de todo o conhecimento que você pode alcançar com seu despertar, e é importante conhecer cada uma das esferas para entender como você consegue se conectar a elas.

Essa esfera em particular também é responsável pela fúria crescente de diversos agentes tecnocráticos, o que também a torna muito divertida. É claro que estamos falando da Entropia.

Entropia

A Entropia é uma das esferas mais complexas de se trabalhar, pois não há um verdadeiro delimitador para seu potencial. Alguns acreditam que a esfera molda a sorte e o azar, enquanto outros acreditam que ela é capaz de mudar o destino.

A verdade é que todos estão certos e errados acerca do conceito da entropia, que lida com todas as questões da aleatoriedade, ordem e caos.

Os padrões não são levados em consideração na estrutura dos eventos, e essa desconexão leva o mestre da entropia a lidar com as ações conforme sua vontade, unicamente.

O acaso é a melhor maneira de descrever a utilização da esfera.

Ela se baseia na coincidência, permitindo ao mago sentir e explorar o fluxo de probabilidades, reconhecendo a forma como é possível distorcer a aleatoriedade e garantir um resultado melhor para sua necessidade.

Esta é, sem sombra de dúvidas, uma das esferas mais fáceis de trabalhar na questão de magias vulgares e coincidentes.

Isso porque, a coincidência é a base do estudo do mago, e é relativamente simples garantir um resultado que pareça comum ou sem nenhuma alteração brusca por parte do Desperto.

O caminho entrópico, entretanto, pode ser muito complexo para o estudo dos magos. Normalmente, um iniciado que deseja seguir com os estudos sobre a entropia acaba escolhendo uma vertente: a ordem ou o caos.

Aqueles que se focam na ordem conseguem compreender os padrões e a estrutura dos eventos, e entendem como modificá-la para melhor servir a suas necessidades. Já os estudiosos do caos são uma força primordial, entendendo a dissolução desses mesmos padrões como um objetivo a alcançar.

Usando a Entropia

Por sua natureza caótica e aleatória, muitos magos tem dificuldade em compreender a extensão das possibilidades que essa esfera é capaz de oferecer.

E por causa disso, é importante identificar alguns elementos em comum entre diferentes mestres da entropia, possibilitando que um novo desperto como você seja capaz de começar sua jornada.

Os primeiros passos para um mago dedicado à arte da Entropia são a identificação dos padrões e correntes do destino.

Um estudante aplicado consegue entender como a probabilidade funciona, e também detectar quando ela foi alterada de alguma maneira.

A entropia também permite prever ações diretamente ligadas a sorte, possibilitando que ele entenda as probabilidades mais favoráveis para uma ação que deseja executar.

Quando une esse tipo de compreensão com outras esferas, um mago é capaz de identificar fraquezas e potências em diferentes padrões, percebendo quando um local, pessoa ou objeto é mais voltado para a sorte ou para o azar.

Depois dessa primeira compreensão entrópica, o mago começa a manipular os fios da trama, inicialmente através das linhas da probabilidade.

Embora esse estágio ainda seja inicial, e lide com questões mais simples, ele pode ser muito poderoso.

Padrões Previsíveis

Os padrões previsíveis são aqueles que um mago mais forte é capaz de manusear primeiro, detectando sinais mais estáticos e trabalhando com forças do destino para acelerar ou diminuir a decadência de algo.

A vida, entretanto, é um conceito complexo demais, e precisa de uma compreensão muito maior do que é a magia e do que seu mago é capaz de fazer.

Exclusivamente mestres da magia trabalham com esses padrões vitais, e ainda assim demandam a compreensão de outras esferas, como a de Vida.

Um mestre que alcança a compreensão do que é a entropia e de como ela funciona pode trabalhar com conceitos que demandam mais entendimento, em alguns casos até mesmo conceitos universais.

Por exemplo, apenas um mestre entrópico é capaz de trabalhar com o caos dentro do campo das ideias, criando, apagando e modificando linhas de pensamento e o próprio raciocínio.

Agora, é hora de aproveitar a entropia para fazer uma rápida escapada e garantir nossa sobrevivência até o próximo encontro!


Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo PicPay, PIX ou também no Catarse.

Assim, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos! Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica através deste link!


Autor: Álvaro Ramos.
Revisão: Raquel Naiane.

Quintessência e Nodo – Conceitos de Mago: A Ascensão

Olá meu senhor, acredito que você esteja atrasado, sem falar que semana passada o senhor não apareceu. 

Como ousa falar assim comigo criança? UM FEITICEIRO NUNCA CHEGA ATRASADO, ELE CHEGA EXATAMENTE NA HORA QUE TEM QUE ESTAR.

Mas vamos continuar os ensinamentos, se me interromper novamente, você terá uma morte dolorosa! 

Na última conversa, tivemos um vislumbre superficial do que são os magos verdadeiros, mas hoje iremos falar sobre o combustível da vontade, a quintessência.

QUINTESSÊNCIA

A quintessência para leigos, é o nosso pontos de sangue, para os lobisomens, é sua gnose, mas a quintessência não flui dentro do sangue do mago, e sim por por toda a sua existência e eles podem absorver de lugares (para alguns) sagrados, ditos como Nodo!

Nodo

Nodo é uma “fonte” que transborda este combustível e hoje em dia ele é raro de se encontrar, quando público, pode ser alvo de ataques de diversas criaturas das trevas. 

O nodo pode ser um lago em um lugar remoto, um laboratório (igual a esse dos nossos tecnomantes), um parque abandonado, ou seja… Um nodo pode ser em qualquer lugar. 

Capturando

Existem magos poderosos que conseguem capturar a quintessência de lugares ermos, sem a necessidade de um nodo,  mas é claro que, isso irá gerar um tremendo paradoxo. 

A quintessência também pode auxiliar na facilidade da realização da mágica, além de ser o combustível, com um pouco a mais, você pode deixar o seu feitiço mais fácil de ser lançado. 

Você conseguiu entender bem o que é um nodo e a quintessência? 

Na próxima aula vamos falar sobre avatar e se tivermos tempo, falaremos sobre paradoxo.


Henrique Ferraz
Lorde e Regente da Capela do Vale das Trevas.

Para mais textos de mundo das trevas clique aqui!

Conceitos de Mago: A Ascensão

Você está atrasado criança, como quer ascender ao círculo de regência se não consegue ser pontual ? Sim! Um minuto é um atraso imperdoável.

Mas vamos lá, vamos começar as suas lições de 7° círculo. Você já aprendeu sobre a nossa sociedade cainita, sobre esses repugnantes, mas úteis Garous, hoje iremos falar sobre os Magos, não estou me referindo a bruxos e nem a feiticeiros, e sim aos magos verdadeiros, aqueles que fazem a magiKa.

Os Magos

Pra começar a falar sobre os magos, você tem que entender que eles são mortais, “simples” humanos, um tiro na cabeça os mata! Mas não se engane, de simples eles não possuem nada, pois eles conseguem moldar a realidade a sua vontade, claro que, com um preço.

De onde esse “poder” para manipular a realidade?

Bom criança, você já deve ter ouvido falar de avatar aqui, dentro desta capela. Avatar … Digamos que é um parte da sua alma que é imbuída de energia primordial e consciência, a partir deste ponto, você é capaz de armazenar quintessência e ativar suas esferas.

O que são esferas?

As esferas tem o mesmo princípio que as nossas disciplinas, só que, sem o limitador que possuímos, o seu limite é o tamanho da sua vontade em mudar a realidade e de sua criatividade, e são 9 as esferas:

  • Vida
  • Forças
  • Espírito
  • Primórdio
  • Tempo
  • Entropia
  • Matéria
  • Correspondência
  • Mente

A quintessência é o equivalente aos nossos pontos de sangue, mas sem a necessidade de retirar de um corpo, alguns magos conseguem retirar esse combustível do ambiente a sua volta, mas é raro e perigoso!

Está tomando nota de tudo? Não vou repetir novamente!

Se existe uma divisão entre eles?

Eles possuem duas grandes organizações (mas uma delas, nega ser um mago), a Ordem da Razão e o Conselho de Tradições, mas possuem uma rivalidade fora do comum, sendo até maior que os conflitos entre o Sabá e a Camarilla, e existe também aqueles que são caçados por ambos os grupos, os Nefandi e os Desauridos.

Creio que o nosso tempo de estudo esteja acabando, mas teremos um outro encontro em breve, hoje foi apenas uma pincelada sobre os conceitos básicos.

Mas, no futuro iremos nos aprofundar em cada detalhe sobre esses seres magníficos, por hoje, é apenas isso!

Vá para a biblioteca e comece seus estudos, até logo criança.


Henrique Ferraz
Lorde e Regente da Capela do Vale das Trevas.

Sair da versão mobile