Leandro Abrahão – A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

Entrevista realizada com o autor Leandro Abrahão, que trouxe para a gente sua caminhada na criação de jogos Indie.

1. Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória como autor de RPG indie no Brasil.

Olá eu sou o Leandro, sou Game Design e produtor de rpg independente desde 2003. A princípio produzia meus próprios jogos e sistemas porque viva em uma cidade no interior, onde o acesso a livros, revistas e outros conteúdos especializados era de difícil acesso. Escrevia e imprimia artesanalmente e fazia a distribuição para os amigos e participantes dos eventos de RPG e Anime que eu mesmo organizava. Em 2008 me envolvi com o movimento Software Livre, conheci as possibilidades de lançar jogos na internet com licenças livres e assim comecei a produzir e distribuir meus jogos como conteúdos open source. Hoje mantenho um site: Leandro Games – Editora Independente como repositório de alguns dos meus jogos mais conhecidos.

2. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao desenvolver RPGs Indies? Como
os superou?

Acredito que o maior desafio foi obter espaço para a divulgação dos jogos. Por muito tempo a divulgação do rpg Indie se concentrou em autores dos grandes centros metropolitanos, sendo muito pouco espaço aberto para da divulgação de autores de pequenas cidades, sobretudo, das regiões norte e nordeste (meu caso) do país. Hoje esse panorama tem mudado bastante. Apesar de termos muitos autores Indies consolidados entre as grandes metrópoles, os produtores de contudo e canais de divulgação estão completamente abertos a divulgar o material de autores iniciantes de qualquer parte do país/mundo.

3. Quais foram os momentos mais marcantes ou pontos altos da sua jornada como autor de
RPG indie?
O Legado Rpg

Para mim os momentos mais marcantes como autor de RPG foram 3:
1. Receber um email de dúvidas de um grupo de jogadores completamente desconhecido de outra
parte do país.
2. A primeira resenha em blog de destaque nacional (escrita pelo Daniel Talude em 2013).

3. Ser convidado a escrever para uma editora. A Unza RPG do Thiago Edwardo Silva e um módulo de suplemento de um dos projetos da Craftando Jogos: O Legado RPG, do PH Autarquia.

4. Compartilhe conosco um ou dois sucessos que você alcançou no cenário de RPG Indie. Houve surpresas, ou foi tudo como planejado?

Meus jogos mais difundidos são o POI (Par ou Impar), o Capangas Cyberpunk e o Cangaço Trevoso. Sempre fiz meus lançamentos muito despretensiosos, de forma em que na maioria das vezes o planejamento falhou! kkkkk

5. Quais os projetos você tem desenvolvido na área dos RPG Indies? Ou tem algum projeto que você gostaria de divulgar?
Morte S/A

Atualmente estou reescrevendo a segunda edição do Morte S/A. Um jogo que lancei em 2009 e que ao reler na atualidade, achei que ele merecia uma revisão. Havia alguns aspectos no livro antigo no qual já não concordava mais, então em meio a pandemia, decidi começar a reescrevê-lo. Em 2009 eu acreditava que um bom sistema de RPG deveria de ter um número considerável de mecânicas para solucionar situações e isso acabou criando um monte de rolagens e estatísticas desnecessárias, as quais não eram o foco do jogo.

Isso me fez cansar um pouco, de forma que deixei ele de lado por um tempo. Mas o cenário nunca me cansou. Assim como a alguns dos meus amigos, que junto comigo tentaram fazer do Morte S/A, board game e cardgame também. Agora finalizei um sistema diferente, e também dei uma atualizada no cenário (tudo que eu faço está em constante processo de criação). Nesse momento o livro está em fase de diagramação, restando apenas 50 páginas para o término.

6. Como você vê a ideia da comunidade RPGísta de realizar o mês do RPG Indie?

Acho incrível. Quanto mais autores, trocas de experiências e espaços melhor. Acredito que o mês do RPG Indie não só ajuda na divulgação de autores e difunde materiais autorais (na qual muitos são gratuitos como os meus), bem como incentiva novos RPGístas a lançarem seus materiais como RPG Indie! É uma iniciativa e tanto! Parabéns!

7. Para você, qual deveria ser o principal objetivo desse evento? E o que espera dele?

Espaço para autores e iniciativas verdadeiramente Indie. Espaço para os novos ou ainda desconhecidos produtores de jogos de RPG. Divulgação de projetos e Donwload de materiais. Incentivo ao novatos!

8. O que você diria que são RPGs INDIEs e qual a importância deles?

Para mim, o RPG Indie foi o recurso fundamental para poder jogar os cenários fantásticos que imaginava, e suprir a falta de acesso a conteúdos que havia em minha região. Hoje, acho que o RPG Indie tem uma função de ir além do mercado. Apresentar novas propostas ao jogadores e dar acesso a gêneros, aventuras, temáticas, estéticas e estilos completamente descompromissados com o mercado.

9. Como você vê a relação: RPGs da industria de jogos X RPGs INDIEs no mercado brasileiro e no mundo?

Acredito muito que cada um tem o seu papel. O papel da indústria de jogos é bem claro: fazer um hit. Emplacar um jogo como um produto rentável de qualidade. Acho que o RPG Indie poder ter esse objetivo também, mas como já mencionado, ele vai além. No Indie o RPGísta (consumidor ou produtor) pode experimentar além das métricas financeiras, das mecânicas, dos recursos… são possibilidades ilimitadas. Portanto a experimentação é, para mim, o ponto forte do Indie. O Indie pode andar a favor do mercado, ir contra, ser gratuito, pago, premium, ser um rpg como serviço… o Indie escolhe estar atado ao mercado ou não.

10. Qual mensagem pessoal sua você gostaria de mandar para a comunidade RPGista brasileira?

Queridos amigos RPGístas, vocês são incríveis. Obrigado por me acolher e me fazer sentir parte disso por tantos anos! Espero poder contribuir e colaborar mais para tornar essa comunidade cada vez melhor, mais inclusiva, mais acolhedora. Somos a melhor comunidade do mundo! Vamos Jogar!!


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Leandro Abrahão – A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

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Gustavo “AutoPeel” Estrela
Isabel Comarella
Iury.KT
O Escritor Ansioso
Ur Tiga Brado’k
Mandi

Vitor Simões – A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

Entrevista realizada com o autor Vitor Simões, compartilhando conosco momentos da sua vida como criador de jogos de RPG Indie.

1. Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória como autor de RPG indie no Brasil.

Posso dizer que o começo da minha história com o RPG indie é quase que a mesmo que o começo da minha história como autor. Foi a partir do momento em que eu e meu grupo de amigos decidimos  desenvolver o nosso próprio sistema de regras que começamos a ter mais contato com esse mundo  Indie, pois passamos a olhar e a pesquisar diferentes fontes e sistemas.  Para ser sincero, nós nunca encaramos o desenvolvimento do Codex como algo “autoral”, no sentido de  escrita. Acho que por sermos todos engenheiros, nós sempre encaramos o desenvolvimento do sistema como um projeto de desenvolvimento  de produto e não como um livro que estava sendo escrito. Inclusive, foi só após 7 anos de desenvolvimento que definimos que o formato que o sistema seria  apresentado era o de um livro.

Assim soa até um pouco estranho a meus ouvidos ser chamado de  “autor” hahaha.  Agora, de forma bastante resumida, vou dar uma pequena linha do tempo que acho que ilustra bem aminha trajetória e a do Codex, pois é praticamente  impossível desvincular uma coisa da outra.

Em 2014, eu me reuni com mais 4 amigos para começar o desenvolvimento do nosso sistema de RPG  pois “quão difícil pode ser, não é mesmo?”.  No começo de 2015 já tínhamos uma versão para teste (ainda não tinha nome o sistema). Testamos e  estava horrível, não sei dizer se foi o pior sistema que já joguei, mas estava no top 5 hahaha nu. Depois disso passamos a aplicar uma metodologia de desenvolvimento de produto e recomeçamos do  0. A v0.00 do Codex saiu em meados de 2016.

Desse ponto…

…até 2020 fizemos 11 versões diferentes, algumas com mais mudanças outras com menos.
Nesse meio tempo tivemos a troca de dois integrantes da equipe, participamos de diversos eventos, conhecemos muita gente bacana dentro da comunidade do RPG e crescemos muito como pessoas e como conhecedores do hobby.

No final de 2020 lançamos a nossa campanha no catarse para o financiamento coletivo do livro, foi graças a todas as pessoas que conhecemos ao longo dos anos que conseguimos ter sucesso no financiamento para poder realizar o nosso sonho de lançar o nosso próprio sistema de RPG. Assim, 2021 era O ano dedicado a terminar tudo e entregar as recompensas.
Mas claro que as surpresas e dificuldades não acabam só porque você consegue ter sucesso em um financiamento. Agora é a hora da verdade e de formatar, diagramar e revisar e reescrever muitas coisas, assim a partir de meados de 2021 começamos a trabalhar em diferentes frentes, lidando com imprevistos desde ajustes inesperados no sistema até fornecedor que não entrega e a desistência de um dos membros da equipe. Mas isso tudo faz parte da aventura, afinal se fosse fácil não teria graça não é mesmo?

2. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao desenvolver RPGs indies? Como os superou?

Ao longo dos anos de desenvolvimento tive de superar vários obstáculos, mas como sempre trabalhei em grupo nunca senti que nenhum deles era grande de mais. A nossa equipe funciona como num grupo de personagens de RPG, cada um tem seu ponto forte e a sua função, se complementando e ajudando uns aos outros nos desafios que não conseguem superar.
Para mim o desenvolvimento de um sistema de RPG sempre foi muito mais do que desenvolver um sistema, mas também uma jornada de crescimento e aprendizado. Acredito que quando você encara um desafio dessa forma, as coisas ficam mais leves e as consequências, menos drásticas. Afinal mesmo que tudo desse errado e o sistema virasse algo que ninguém jogasse, apoiasse ou gostasse, ainda assim eu teria aprendido muito só por fazer ele e isso pra mim era o mais importante dessa empreitada.

Agora, respondendo a pergunta de forma mais objetiva, eu sempre tive dois grandes desafios. O primeiro era manter toda a equipe motivada, mesmo quando as coisas estavam dando erradas ou estava todo mundo exausto e o segundo era garantir que as coisas estavam acontecendo e sendo feitas com a velocidade e qualidade desejada. Essa segunda parte é especialmente verdade quando tratamos de fornecedores e pessoas externas ao grupo.

3. Quais foram os momentos mais marcantes ou pontos altos da sua jornada como autor de RPG indie

Tiveram alguns, diria que o mais marcante de todos, sem sombra de dúvidas, foi o sucesso no financiamento do Codex.

Todo acolhimento pela comunidade foi algo que me surpreendeu e me impactou bastante (de forma positiva, é claro hehehe).

Outro momento bastante marcante foi a nossa primeira participação em um evento de RPG em São Paulo. Foi em um evento de halloween no CCJ (Centro Cultural da Juventude) organizado pelo pessoal do Covil do RPG. Foi a primeira vez que testamos o nosso sistema com pessoas do público Sinto que esse foi o nosso primeiro passo dentro da verdadeira comunidade do RPG. A partir daí começamos a participar de eventos a cada 3~4 meses, depois a cada 1 mês e no final estávamos participando de eventos quase que quinzenalmente. Foi um período bastante intenso mas muito gratificante.

4. Compartilhe conosco um ou dois sucessos que você alcançou no cenário de RPG Indie. Houve surpresas, ou foi tudo como planejado?

Bom, posso dizer que o maior sucesso foi o do financiamento do Codex. Em termos da parte prática/funcional do financiamento, tudo ocorreu como previsto antes e durante o financiamento. Conseguimos bater as metas e todas as compras estavam dentro do que tínhamos projetado, assim não tivemos surpresas com o orçamento nem nada parecido.
A única surpresa, foi a quantidade de trabalho que ainda tínhamos pendente. Acreditávamos que o sistema estava praticamente 100% finalizado, mas no momento da revisão percebemos que tínhamos muita coisa para escrever e reescrever, no final acabamos fazendo até uma nova versão do sistema, incluindo algumas regras novas e uma serie de novos conteúdos para afinar o balanceamento do jogo.
Infelizmente isso significou em um atraso imprevisto na data de entrega das recompensas para os apoiadores…

5. Quais os projetos você tem desenvolvido na área dos RPG Indies? Ou tem algum projeto que você gostaria de divulgar?

Bom, acho que já falei bastante do Codex até agora. Então só vou dizer que o nome completo do sistema é: Codex of Reality. Temos página no facebook, instagram, discord e whatsapp se alguém quiser conversar sobre desenvolvimento de RPG ou saber mais sobre o sistema é só mandar mensagem em alguma dessas plataformas acesse nosso Corerpg | Instagram, Facebook, Twitch | Linktree.

6. Como você vê a ideia da comunidade RPGísta de realizar o mês do RPG Indie?

Olha, eu super apoio qualquer tipo de movimento da comunidade do RPG para criação de qualquer tipo de evento que ajude a disseminar o hobby e alimente a interação entre aqueles que já fazem parte dele.

Acredito que o nosso hobby é aquilo que fazemos dele então quanto mais pudermos fazer a favor da comunidade, melhor 😀

7. Para você, qual deveria ser o principal objetivo desse evento? E o que espera dele?

Vejo o mês do RPG Indie como uma janela de oportunidade para pessoas que estão desenvolvendo seus projetos mostrar para o publico o que estão fazendo além de ter contato com pessoas que já estão mais consolidadas nesse meio. Dessa forma espero encontrar não só coisas sobre projetos e pessoas que estão sempre aparecendo por aí, mas também ver novos autores e desenvolvedores.

8. O que você diria que são RPGs INDIEs e qual a importância deles?

Para mim, RPG Indie é todo RPG que não é regido/controlado por nenhuma editora grande. Em outras palavras, um RPG desenvolvido por alguém que é livre para criar e desenvolver o que bem entende sem sofrer influências ou interferências de uma empresa ou entidade que tenha como o objetivo principal o lucro.

Esse tipo de liberdade da a oportunidade para o surgimento de coisas que antes seriam inimagináveis, pois o autor pode criar e experimentar sem ter o peso da necessidade de criar algo que seja sucesso comercial.

9. Como você vê a relação: RPGs da industria de jogos X RPGs INDIEs no mercado brasileiro e o mundo?

O mercado de RPG no Brasil ainda está crescendo e ainda tem muito a crescer.

O brasileiro é um povo que culturalmente é muito aberto a coisas novas e a experimentar o desconhecido, então eu vejo muito espaço para pequenos autores e novos sistemas no Brasil.

Afinal não é incomum ir em um evento e ter 15 sistemas diferentes sendo jogados em 15 mesas.

Não sou profundo conhecedor do mercado internacional de RPG, mas estou morando em Toronto já faz 10 meses e posso dizer que aqui não existe o conceito de “eventos de RPG”. O que acontece é de pessoas se reunirem para jogar em locais públicos e abrirem vagas na mesa para pessoas externas, mas estranham quando eu descrevo ou conto o conceito dos eventos que temos em São Paulo, por exemplo.

Por causa desse tipo de coisa que eu acredito que o Brasil possui um ambiente muito mais fértil para o crescimento de novos RPGs, indies ou não.

10. Qual mensagem pessoal sua você gostaria de mandar para a comunidade RPGista brasileira?

Não tenho nenhuma grande mensagem ou frase de efeito, apenas desejar que todos continuem jogando e se divertindo. Afinal o RPG é isso, algo para a gente usar para se divertir, e não tem nada de errado com isso!


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Além disso, o MRPG tem uma revista! Conheça e apoie pelo link: Revista Aetherica.


Vitor Simões – A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG é um evento idealizado e organizado por:

Douglas Quadros
Gustavo “AutoPeel” Estrela
Isabel Comarella
Iury.KT
O Escritor Ansioso
Ur Tiga Brado’k
Mandi

Jorge Valpaços – A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

Entrevista com o autor Jorge Valpaços, contando para a gente suas experiências com RPG Indie.

1. Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória como autor de RPG Indie no Brasil.
Lampião Game Studio

Opa! Eu sempre curti muito os jogos independentes nacionais. Me aproximei da cena ao jogar os jogos do Marco Bym, Carlos Klimick, Eliane Bettochi desde os anos 90. Mas recentemente, Tiago Junges,Encho Chagas, Eduardo Caetanoe outros foram fontes de inspiração. Eu tocava projetos de educação lúdica em contextos socioeducativos e sempre levava jogos brasileiros para as oficinas. Daí não tardou para esbarrar com Jefferson Neves e Rafão Araújo, conhecer seus projetos e ser convidado a participar do Lampião Game Studio. Estou nessa desde os anos 2014, mais ou menos, e tenho uma boa gama de jogos lançados desde então. Eu comecei a me relacionar com design de jogos pelo viés acadêmico, e só depois comecei a colocar a mão na massa e criar meus desvios.

Acho que minha assinatura tem a ver com as vivências, com o que sinto, com o que desejo partilhar. E em cada projeto deixo um tanto demim aberto pra jogo.

E acho que assinar “no jogo, a gente se encontra” é o que realiza a minha potência de viver. Só consigo me encontrar na contingência que é existir enquanto estou em jogo, e jogado, no mundo.

2. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao desenvolver RPGs indies? Como os superou?

Cada projeto tem suas demandas específicas. Muito do que faço fica anos na gaveta, precisando do tempo certo pra acontecer. Acho que os principais desafios vêm da materialidade. Eu, como qualquer criador cultural independente, não temos segurança financeira, e trabalhamos em tempo disponível. Escrever tendo de lidar com preocupações como tiroteio no complexo do alemão, tratar da saúde mental e tantas questões que me atravessam são mais complexas que buscar uma solução mecânica. Mas, quanto às restrições do processo criativo, penso que o sangramento voluntário e o design material sejam os meus principais desafios. Eu “me coloco em jogo”, num processo de entrega em cada projeto.
Então há aspectos de gozo e sofrimento em cada jogo que “nasce”. Já em relação ao design material, eu abandono convenções de jogos (como um manual é escrito, como o jogo é jogado) e parto da dinâmica “acontecendo na mesa” para pensar na criação do jogo. Se eu pensasse de outra forma, Ceifadores, com a ficha-biombo e a mecânica de pegar o dado, não aconteceriam, por exemplo. Mas isso gera algo muito complicado, que é buscar repertórios de outras práticas lúdicas para solucionar questões abertas durante a criação dos jogos. É algo um tanto difícil, mas muito recompensador. Só não concordo muito com a necessidade de superar desafios. Digo porque desisti, abandonei muitos projetos, muitos jogos. Saber que não vai dar é tão ou mais significativo que fazer. Você compreende seus limites, o que deve investir em melhorar, o que te faz mal.

É importante ter isso em mente, e deixarde lado um tanto aquela coisa de sempre vencer, superar, avançar.

3. Quais foram os momentos mais marcantes ou pontos altos da sua jornada como autor de RPG indie?
Ceifadores
Lições

Ganhar os Goblins de Ouro de 2022 e 2023 com Ceifadores e Lições seria a resposta fácil. Mas quando levo um jogo meu a uma periferia, ele é jogado por uma menina que diz que foi muito divertido e é seu primeiro jogo narrativo, ali está meu ponto alto. E é por isso que hoje me dedico a jogos ensaios, impressos artesanalmente e em zines baratinhas e me volto a comunicar mais na ponta que no centro.

Agora, se dá pra listar outro ponto alto, outro aspecto que realmente se destaca em minha jornada, é poder dividir convites de jogar histórias tão únicas, como as de Amores da Vila do Caju, Asas da Vizinhança, Cruzos e Herdeiros dos Antigos. Apenas saber que estes desvios interessam a outrem já me faz viver

4. Compartilhe conosco um ou dois sucessos que você alcançou no cenário de RPG indie. Houve surpresas, ou foi tudo como planejado?

Lições RPG é um jogo com quase 8 anos de desenvolvimento. Lançá-lo após um fracasso na primeira campanha de financiamento coletivo já foi um sucesso incrível. Me dediquei muito a ele, mas jamais pensei que ganharia 2 prêmios (design de regras e livro básico no Goblin de Ouro de 2023). Tudo foi planejado para ser meu jogo definitivo no sistema L’Aventure, mas foi una grande surpresa ter tido este reconhecimento, dada a qualidade das obras de quem concorria comigo.

5. Quais os projetos você tem desenvolvido na área dos RPG Indies? Ou tem algum projeto que você gostaria de divulgar?
Gavaret

Sigo na deriva e no desvio lúdico. Agora meu enfoque é em lidar com o repertório do jogar que nós temos ao criar jogos. Então esperem ver jogos meus que lidam com adedanha/stop, amarelinha, batalha naval e tantos outros jogos que a gente já conhece para estar no centro do desenvolvimento da prática lúdica. E meu primeiro projeto neste (des)caminho é Gavaret, fantasia e aventura em suas mãos. É um jogo narrativo competitivo (isso mesmo, teremos vitória em rpg) jogado com pega-varetas. O seu lançamento será no início de agosto em catarse.me/gavaret

6. Como você vê a ideia da comunidade RPGísta de realizar o mês do RPG Indie?

Gosto muito da proposta. Me inspiro e admiro muito as pessoas autoras que estão na cena e me
orgulho de dividir o presente com eles.

7. Para você, qual deveria ser o principal objetivo desse evento? E o que espera dele?

Eu espero que haja mais visibilidade destas pessoas fantásticas que inventam mentiras incompletas jogáveis, verdadeiras como a vida, e as partilham. Penso que o principal objetivo do evento possa ser repensar o jogo e o jogar. E nisso, já lançamos os dados.

8. O que você diria que são RPGs INDIEs e qual a importância deles?

Eu não sei o que são rpgs indies, rs. Dá pra pensar em produção independente, mas não tenho segurança em determinar que um tipo de jogo é indie e outro não. Acho que o independente por aqui s relaciona com o jogar e criar e não exatamente com o jogo. Pensando sobre este jogar e criar independente, penso que ele pode saltar por caminhos mais brincantes e esquivos que a estrada de tijolos amarelos. Mais, ainda em amarelo, somos, em submarinos, ou não.

9. Como você vê a relação: RPGs da industria de jogos X RPGs INDIEs no mercado brasileiro e no mundo?

Sem óculos, vejo meio embaçado. Com óculos, talvez seja mais embaçado.

Não observo uma necessária oposição, mas assimetria e exploração. Criadores independentes fazem parte de um mundo atravessado por monopólios, concentrações hegemônicas e contradições. Grande parte (e eu me insiro) são precarizados numa indústria que se orgulha em falar de lucro e receita enquanto coleciona escândalos trabalhistas e práticas de apoio a supremacistas, por exemplo. Ali, debaixo da ponte, com a tenda aberta, há quem mostra sua arte, ao lado do shopping center. Acontece que a fome bate, a conta vem e você vende sua força de trabalho pra reproduzir sua existência. E este é o jogo mais difícil de jogar.

10. Qual mensagem pessoal sua você gostaria de mandar para a comunidade RPGista brasileira?

Permita colocar-se em jogo. Venha comigo pra se perder um tanto. A gente inventa uma história sobre como foi depois. Basta escolher um lanche de histórias e comer com gosto em Lampião Game Studio


E se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo  PadrimPicPayPIX, e no Catarse!

Assim, seja um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG.

Além disso, o MRPG tem uma revista! Conheça e apoie pelo link: Revista Aetherica.


Jorge Valpaços – A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG é um evento idealizado e organizado por:

Douglas Quadros
Gustavo “AutoPeel” Estrela
Isabel Comarella
Iury.KT
O Escritor Ansioso
Ur Tiga Brado’k
VellSant

José Noce – A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

Entrevista realizada com o autor José Noce, que nós contou um pouco da sua historia com o universo Indie.

1. Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória como autor de RPG Indie no Brasil.
Studio
Macunaíma Games

Meu nome é José Noce, sou de Belo Horizonte – MG e também sou a mente insana por trás do Studio Macunaíma Games. Tenho alguns jogos de RPG e tabuleiro publicados no blog do meu studio, além de
dois livros publicados pelo Catarse. O primeiro é um livro com dicas para narradores de RPG, chamado
Vamos Pôr Ordem Nesta Bodega! E o segundo é um RPG infanto-juvenil chamado Pequenos Aventureiros, que serve como porta de entrada para o nosso hobby.

Pequenos Aventureiros

Eu sempre curti fazer jogos né. Quando criança, me amarrava numa seção dedicada a todo tipo de jogos analógicos que havia na Super Interessante. Eu vivia tentando fazer hacks daqueles jogos, ou até criar jogos originais usando eles como referência. Então, quando eu descobri o RPG na minha adolescência, foi paixão à primeira vista! Mais a vez, lá estava eu na piração de fazer joguinhos hehehe. Mas como eu ainda não tinha assim tantas referências e noções de game design, ainda não era capaz de criar algo funcional. Com o tempo, fui jogando, mestrando e estudando muitos jogos. Ae sim eu comecei a ter uma base. Além disso, também passei a estudar alguma coisinha de game design. No começo preferia desenvolver jogos de tabuleiro, por serem mecanicamente mais simples que jogos de RPG. Mas logo descobri que a produção é aonde o bicho pega kkkkkkkk. Trabalho e custos demais fazendo caixas, tabuleiros, cartas, dados, marcadores, etc. Então resolvi focar no RPG, que apesar da complexidade de criar regras que emulassem toda uma “realidade fictícia”, a execução desses jogos era quase semprepublicar um livro.

2. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao desenvolver RPGs indies? Como os superou?

Lá no começo da minha jornada RPGística, além de ser muito cru como descrevi anteriormente, era muito mais difícil publicar as coisas. A internet ainda engatinhava, e não haviam ferramentas de venda como financiamentos coletivos. E ainda por cima era super difícil conseguir fornecedores gráficos com familiaridade na produção de acessórios para jogos. Tanto que houve uma época em que eu me resignei que só iria conseguir desenvolver e publicar jogos depois da minha aposentadoria kkkkkkkkk. Mas felizmente muita coisa mudou de lá pra cá. Hoje em dia é muito mais fácil publicar jogos, tanto que muitas vezes nem é preciso recorrer a uma editora pra isso. Tem muita gente que se refere aos anos 90 como a Era de Ouro do RPG no Brasil. SABE NADA INOCENTE KKKKKKK! A Era de Ouro é agora, sem sombra de dúvidas!

3. Quais foram os momentos mais marcantes ou pontos altos da sua jornada como autor do RPG indie?
Jogatina

Foi ver toda a minha jornada e todo o meu aprendizado começando a gerar frutos. Vendo que as pessoas começavam a prestar atenção nos meus jogos pra muito além do meu “quintal”, dos rolês que eu já era acostumado a frequentar. Que muitos clubes de jogos, streamers, divulgadores RPGísticos, começavam a me convidar pra falar dos meus trabalhos ou até demonstrar eles na prática fazendo alguns gameplays. Sou muito grato por tudo isso. Só que o mais bacana foi perceber que além dessa visibilidade, eu estava deixando uma marca positiva na vida dessas e muitas outras pessoas. E isso é bem recente, de quando lancei o financiamento coletivo do Pequenos Aventureiros.

4. Compartilhe conosco um ou dois sucessos que você alcançou no cenário de RPG indie. Houve surpresas, ou foi tudo como planejado?

O sucesso veio aos poucos, mas se eu falar que foi planejado eu tô mentindo kkkkkkkkk. Fui aprendendo com o erros, quebrando a cara mesmo. Até que uma hora eu comecei a acertar, apesar de ainda cometer muitos erros que eu gostaria de evitar rsrsrs. Um dos momentos mais memoráveis e bem sucedidos pra mim foi numa live do canal Flecha Mágica no YouTube. O Pequenos Aventureiros estava em campanha de financiamento coletivo, e começamos a live já batendo uma meta e terminamos ela batendo outra. Achei aquilo incrível Mas o sucesso de outros autores à minha volta é tão importante quanto os meus.

Somos todos parte de um ecossistema, então o sucesso dos meus pares pra mim é um sinal de que a cena está estruturada e saudável.

Pois sem isso, por mais que eu seja bem sucedido, não há estrutura pra ninguém. É como se, na falta de um porto seguro, todo mundo estivesse se afogando em alto mar. Com a diferença apenas que aqueles que têm algum reconhecimento ou relevância – o que não é o meu caso – são erguidos pra tomar um fôlego e depois são soltos na água pra se afogar igualzinho ao resto.

5. Quais os projetos você tem desenvolvido na área dos RPG Indies? Ou tem algum projeto que você gostaria de divulgar?
Vamos por Ordem nessa Bodega

Bom, pra começar, tem meu livro “Vamos Pôr Ordem Nesta Bodega!” Ao invés de partir da premissa “O que o mestre pode fazer pelos jogadores?”, presente na esmagadora maioria de materiais a esse respeito, ele parte de uma outra premissa que parece contrária, mas que na verdade completa a primeira: “O que o mestre tem direito de exigir dos jogadores?” É portanto um livro que busca valorizar o trabalho dos mestres, que muitas vezes torram seus neurônios por grupos que não estão nem “ae” pro seu esforço. Este livro foi publicado em 2017 pelo Catarse. Tem também meu RPG infanto-juvenil Pequenos Aventureiros. Ele tem um sistema de associação de cores e símbolos com as características dos personagens, de modo que até crianças ainda não alfabetizadas consigam jogar sem dificuldades. E o outro diferencial é um sistema gerador de aventuras “calibrado” para crianças recém alfabetizadas ou outros narradores iniciantes.

Ele foi bem sucedido em dois financiamentos no Catarse, a campanha original e o late pledge, este último que eu tive que fazer atendendo aos pedidos da galera hehehe. E eu ainda tenho outros 2 RPGs publicados no meu segundo blog, o Macunaíma Lado B, pra conteúdos adultos. Um deles é o Meus Colegas da Quinta Série, um jogo sobre rir de você e ao mesmo tempo com você. Você joga com um alter-ego seu, só que construído através da zoera dos outros jogadores, passando por todo tipo de situações ridículas kkkkkkkkk. Um jogo que eu costumo indicar pra maiores de 30 rs, ou pessoas que saibam rir de si mesmas rsrs. O outro jogo é o Rock no Cu & Gritaria, um RPG Cringepunk sobre sexo, drogas, rock n’ roll e vergonha alheia, aonde todo mundo parece com o Supla e a Ana Maria Braga kkkkkk. Esse por enquanto só tem alguns rascunhos publicados.

6. Como você vê a ideia da comunidade RPGísta de realizar o mês do RPG Indie?

Acho incrível! Quanto mais datas a gente tiver pra celebrar o RPG Independente, melhor!

7. Para você, qual deveria ser o principal objetivo desse evento? E o que espera dele?

A divulgação de RPGs Independentes, especialmente feitos por autores iniciantes. Além, é claro, de convidar o público em geral para conhecer jogos fora da caixa, da mesmice do mainstream .

8. O que você diria que são RPGs INDIEs e qual a importância deles?

Jogos indie, ao contrário do que se pensa, não têm a ver com conceitos inovadores, mas sim com forma de produção e distribuição, geralmente no formato de auto-publicação. Porém, o autor independente tem mais liberdade criativa, não tendo que se prender às formas mercadológicas do mainstream, e por isso que geralmente jogos indie são beeem fora da caixa. A importância do RPG Independente tem a ver com 2 fatos. O primeiro, como já foi dito antes, é convidar o publico RPGista a sair da caixa, embarcar em novas experiências. E o segundo é mostrar pra jovens autores que é possível sim publicar o seu RPG, mantendo assim a chama do RPG acesa também nas novas gerações.

9. Como você vê a relação: RPGs da industria de jogos X RPGs INDIEs no mercado brasileiro e  no mundo?

Eu creio que exista uma simbiose entre os mercados mainstream e indie. Por um lado, de tempos em tempos o mainstream precisa se reinventar, já que suas fórmulas mercadológicas ao extremo começam  a ficar batidas. E nessa hora eles recorrem quase sempre aos autores indie pra se repaginarem. Por outro lado, o indie é muito pequeno e nichado pra conseguir visibilidade por si mesmo. Então ele se aproveita da visibilidade do mainstream pra se fazer visto, especialmente atendendo nichos menores que o mainstream não consegue atender por conta de suas especificidades.

10. Qual mensagem pessoal sua você gostaria de mandar para a comunidade RPGista brasileira?

Saiam do “arroz com feijão” do D&D, Vampiro e companhia e venham jogar com a gente! Venham
conhecer jogos com poucas páginas, mas com muita inovação conceitual- e claro, muita diversão!


E se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo  PadrimPicPayPIX, e no Catarse!

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Além disso, o MRPG tem uma revista! Conheça e apoie pelo link: Revista Aetherica.


José Noce – A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG é um evento idealizado e organizado por:

Douglas Quadros
Gustavo “AutoPeel” Estrela
Isabel Comarella
Iury.KT
O Escritor Ansioso
Ur Tiga Brado’k
VellSant

O Que é RPG Indie? – A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

Apesar de sua aparente simplicidade, um RPG Indie é um RPG independente. Ele é desenvolvido e lançado sem o apoio de editoras, frequentemente envolvendo pequenos estúdios. Quando mencionamos a ausência de uma editora, queremos dizer que os autores têm total liberdade criativa e são os proprietários dos direitos autorais de suas obras. Eles não estão restritos aos métodos de trabalho ou às ideologias das grandes editoras, o que lhes confere pleno controle sobre o conteúdo de suas criações.

Características do RPG Indie

Em geral, embora não seja uma regra rígida, o RPG Indie tende a ser mais compacto, com menos páginas em comparação às obras já consagradas, e possuem menos suplementos. No entanto, mesmo com essa característica, eles oferecem aventuras ricas, concentrando-se na facilitação da narrativa ou adotando formatos distintos do convencional. Podemos afirmar que esses jogos se especializam em criar uma experiência única a cada sessão de jogo.

Além disso, os jogos independentes desempenham um papel fundamental no mercado, pois são uma resposta dos jogadores às empresas ou editoras que tomam decisões ou direcionamentos em jogos aclamados que desagradam aos fãs. Isso resulta na criação de novos jogos de nicho, substituindo os mais famosos, e contribui para o crescimento e a diversificação do mercado de jogos.

Por que o RPG Indie merece reconhecimento?

O Movimento RPG, está dando inicio a sua 1ª Semana do RPG Indie. E dedicar um dia para o RPG Indie é importante por várias razões.

Primeiramente, os jogos independentes oferecem uma perspectiva única e uma abordagem criativa que muitas vezes não são encontradas nos jogos mainstream, e clássicos. Eles proporcionam experiências de jogo diferentes, explorando narrativas originais, mecânicas inovadoras e formatos não convencionais. Ao se dedicar para explorar esses jogos, os jogadores têm a oportunidade de vivenciar aventuras únicas e descobrir novas formas de jogar.

Além disso, apoiar os RPGs Indie é uma forma de valorizar a independência criativa e a diversidade no mundo dos jogos. Ao dedicar um período específico para esses jogos, estamos reconhecendo e promovendo a importância da liberdade artística, da autonomia dos desenvolvedores e da pluralidade de ideias. Isso incentiva o crescimento e a inovação no cenário dos jogos, proporcionando mais opções e alternativas aos jogadores.

A 1ª Semana do RPG Indie no Movimento RPG

Por fim, dedicar um dia ao RPG Indie também é uma maneira de mostrar apoio e reconhecimento aos desenvolvedores independentes e aos pequenos estúdios. Eles muitas vezes enfrentam desafios significativos para criar e lançar seus jogos sem o respaldo das grandes editoras. Ao dedicar tempo e recursos para jogar e promover esses jogos, estamos contribuindo para sua visibilidade e sucesso, incentivando o florescimento de uma comunidade de criadores independentes.

Em resumo, dedicar essa semana para o RPG Indie é importante para nós porque permite explorar novas experiências de jogo, apoiar a independência criativa e diversidade, e promover a visibilidade e o sucesso dos desenvolvedores independentes.

É uma forma de celebrar a criatividade e o espírito inovador que impulsiona a indústria do RPG.

Portanto nessa semana, traremos vários conteúdos que enaltecem o RPG Indie Nacional! Fique por dentro das nossa mídias, e acompanhe aqui pelo site também!


E se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo  PadrimPicPayPIX, e no Catarse!

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Cobertura da RPGCON 2023

A RPGCON 2023 veio com muitas novidades e fica difícil falar sobre tudo que rolou! Mas vamos tentar!

Lojas Parceiras

Ao todo a RPGCON 2023 fechou parceria com 27 lojas para trazer movimento comercial ao evento. Parceiros que além de incentivar o RPG nacional, vieram com novidades e propostas exclusivas para o evento. Além disso, dentro do evento teve um Sebo, que você pode vender seus livros, quadrinhos e boardgames usados e comprar a preços super justos os usados em exposição. Você pode conferir todas as lojas acessando: RPGCON – 2023

Mesas de Jogo

Em um evento de RPG não poderia faltar mesas para jogar! E não estamos falando de poucas mesas não! O evento disponibilizou cerca de 50 mesas para se jogar, reunindo pouco mais de 150 jogadores nos dois dias de evento! Ainda tendo três mesas abertas com exclusividade pela Editora New Order para os apoiadores do Catarse. Você pode conferir todas as mesas acessando: Mesas – RPGCON

Falando em Catarse…

Almanaque RPGCON 2023

Com financiamento aberto em Janeiro, a proposta do Almanaque é conter tudo o que rolou no evento. Dessa forma se tornando um registro organizado do evento. E também auxiliando no orçamento, porque mesmo sendo totalmente online gera custos. Porem isso foi completamente resolvido, afinal o projeto foi finalizado com sucesso. Tendo sido apoiado por 71 pessoas que receberão um Almanaque com 150 paginas e dependendo do apoia ainda será impresso! Você pode conferir todo o projeto acessando: RPGCON 2023 

Palestras

Ao todo foram 24 palestras. Contendo muita diversidade de temas e palestrantes, com certeza a RPGCON é um espaço aberto para quem quiser participar e as Boas-Vindas está acima de tudo! Contudo, se você não pode participar da RPGCON 2023, trazendo o assunto que gostaria de discutir ou apresentar, já se prepara para ano que vem e não deixe de participar! Você pode conferir todo o material acessando: Palestras2023 – RPGCON 

Jogos Indie

A categoria Indie dava espaço para a apresentação de novos materiais produzidos especialmente por criadores independentes. Particularmente ficamos muito curiosos com o que seria trazido. E não saímos decepcionados do evento. Afinal 7 jogos incríveis foram trazidos, esbanjando criatividade, personalidade e ideais novas! Você pode conferir todo o material acessando: Indie – RPGCON 

Podcasts

No entanto, se a correria do fim de semana foi tamanha que você achou que não poderia acompanhar o evento. Vai ficar muito contente em saber que tem 8 podcasts feitos com exclusividade para a RPGCON 2023. Você pode conferir todo o material acessando: Podcast – RPGCON

Streaming

Além disso para quem curte acompanhar lives de jogos, teve também o pessoal stremando no evento! Você pode conferir todo o material acessando: Streaming – RPGCON

Távola Redonda

Assim como as palestras levantam boas discussões, uma boa mesa redonda também! Contando com 6 reuniões de RPGistas que conversaram sobre temas variados, o evento deixou claro que o elevou bastante não apenas a quantidade de conteúdo como também a qualidade! Você pode conferir todo o material acessando: RPGistas da Távola Redonda – RPGCON

 Artistas

Juntamente com o RPG anda a Arte, nesse sentido não poderíamos deixar de prestigiar os artistas que expuseram seus materiais no mural da RPGCON 2023. Lembrando que uma dessa artes será a capa do Almanaque dessa edição, a votaão ainda vai ocorrer e também vamos. Você pode conferir todo o material acessando: Artistas – RPGCON 

NewOrderCon

Especialmente na RPGCON 2023 a Editora New Order participou com a primeira edição da NEWORDERCON. Acima de tudo trazendo conteúdos excelentes para o evento, contando ainda com mesas de jogos exclusivas, e também oferecendo descontos para participantes e mestres! Você pode conferir todo o material acessando: New Order Con – 2023

A cada edição da RPGCON percebemos como está se tornando maior e melhor. A RPG Brasil todo ano aprimora o evento, seja com novas ideias, mais parceiros e maior organização, parabéns a todos que dedicaram tempo e empenho para que o evento ocorresse! A RPGCON é um projeto de sucesso que tem muito para crescer ainda! Já aguardando a edição 2024! Para conhecer mais das edições passadas acesse: RPGCON – Movimento RPG.

 

PERIFACON 2023

A Perifacon 2023, o evento da comunidade para a comunidade apresenta o slogan:

O RETORNO DA PRIMEIRA CONVENÇÃO NERD DAS FAVELAS

Garante que voltou para democratizar o acesso à cultura nerd, geek e pop. E acima de tudo fazer da exclusão mais motivação para seguir em frente e criar oportunidades para a quebrada. O evento já ocorreu em 2019  e em 2022, mas agora em 2023 com mais visibilidade tem tudo para sem um encontro incrível.

Afinal a Democracia toma conta do evento desde o inicio, todos os interessados no evento podem sugerir programação. Além de poder se increver no Beco dos Artistas, Concurso de Cosplay, no Palco, para o Game Perifa, e para ser uma Loja ou Editora parceira.

O evento vai ocorrer no dia 30 de Julho no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes em São Paulo  – SP.


Leia mais horror no clube de leitura Quimera de Aventuras

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PERIFACON 2023

O que Sabemos da CCXP 2023?

Na última quinta-feira dia 6 de Abril, foi liberada a venda do primeiro lote dos ingressos para o maior evento Geek da América Latina, a CCXP 2023! E o que sabemos da CCXP 2023 até o momento?

No segundo semestre de 2023, a CCXP celebrará sua décima edição. Esse evento de cultura pop segue o modelo da San Diego Comic-Con e abrange os principais setores do entretenimento. Sobretudo incluindo filmes, séries, videogames e histórias em quadrinhos e muito mais.

O que Sabemos da CCXP 2023?

Bruce Dickinson! E não precisa de mais nada!

No entanto a programação do Palco Thunder, o principal do evento, há dois nomes já confirmados. Tyler Hoechlin, o ator que interpreta o Superman na série “Superman & Lois”, subirá ao palco nos dias 2 e 3 de dezembro, e também participará de sessões de fotos com os fãs. Já Bruce Dickinson, o vocalista do Iron Maiden, estará presente em um painel no dia 30 de novembro, onde falará sobre sua carreira, seu processo criativo e sua relação próxima com a cultura pop. No Artists’ Valley by BIS, há também nomes em ascensão confirmados, como Joshua Cassara, Eduardo Risso e, em colaboração com a Skript Editoria, o artista senegalês Juni Ba.

Até o momento esses são os nomes confirmados para esse ano. Mas sabemos que terão muitas outras celebridades e atrações, só precisamos de paciência para saber tudo que terá por lá esse ano!

E nós do Movimento RPG estaremos cobrindo tudo o que pudermos!!


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O que Sabemos da CCXP 2023?

O Culta à Tiamat: Parte 4 – Continente de Deva

Algumas incógnitas parecem que apenas esperam alguém começar a quebrar a cabeça para se resolverem por si próprias. Ou quase isso. Estou falando das feras de cor branca e negra, tão ferozes quanto as outras, mas menos ardilosas que o azul, mais sádicas que o vermelho, mas igualmente perigosas.

As máscaras guardadas pelos dragões branco e negro, respectivamente, não estavam exatamente sob o conhecimento de quem se aliou a guilda renegados para ajudar. Mais uma vez, Asmael interveio, mas com o objetivo simples de resgatar um antigo contratante que há muito havia se perdido nas histórias.

Suas suspeitas sobre as máscaras o levavam a crer que aquela fera em específica, não guardava um dos artefatos, apenas estava ali para ganhar conhecimento sobre o que e como o grupo de mercenários estava lidando. Posso dizer que, aquele, cuja descendência celestial já foi um problema, apenas deu um disparo e perfurou uma bolsa repleta de ouro e riquezas. Claro, no sentido poético, da coisa.


O desejo congelado de um velho…

Lince, Escanor, Stella, Ysgramor, Ali Baba e Rylai. Estes foram os corajosos que aceitaram ajudar Asmael em troca de algumas moedas, boas moedas. Enquanto esses heróis passavam seu dia como todos os outros que não estavam em uma aventura extremamente perigosa, o grupo de aventureiros percebeu que uma sensação percorreu a espinha de cada um. Alguns já a conheciam, anteriormente era algo ruim, quase como um mau presságio, mas, embora ainda fosse chamada assim, ela trazia certo conforto. Este foi Asmael.

Um anjo que há muito havia se perdido na própria identidade, demorou anos e até séculos para poder retomar aquilo que era ele, uma criatura de leveza e afins.  Entretanto, o motivo pelo qual estava ali, não era algo que deveria ser festejado, não ainda. Asmael estava querendo mercenários corajosos o suficiente para que pudessem ir até o covil de uma criatura nefasta. 

Há muito tempo atrás, uma pessoa que ele conhecia, de nome Nico, havia desaparecido. Este homem possui uma taverna, o Pônei Manco, predecessor ao Pônei Saltitante, que era visitado não por apenas aldeões, mas também viajantes do mundo além de contratados da renegados. 

O apego de Asmael a este ser não é descrito em palavras ou pergaminhos, é desconhecido pelo simples motivo do celestial ser desconhecido e misterioso. Mas, deduz-se que é forte o suficiente para gerar interesse em um contrato. Bom! Em seu manto branco como as nuvens do céu e leve como a pena de uma águia, Asmael surge no centro do salão principal quase como uma pessoa normal, atravessando a porta a base de madeira e ferro, ele vem com algo que é certo. O contrato mais gélido que poderiam encontrar, pois levaria o grupo para o teto de gelo, batalhar.

Bom dia, aventureiros. – ele dizia enquanto observava cada um dos que estavam presentes ali. – Tenho algo que talvez seja de seu interesse. – completou puxando de seu bolso um pergaminho.

Anuncio aqui, minha necessidade de contrato, levarei-os diretamente para o covil de uma fera e lá deverão batalhar até um homem resgatar. – embora a necessidade tivesse feito ele falar de forma muito mais simples, esse era o conteúdo do contrato. 

O grupo não pensou nem uma vez direito. Imediatamente aceitou aquela chance de se aventurar por lugares impensáveis e abraçaram a ideia, pois no sangue de pessoas como aquelas, apenas o desejo e sonho importam. Mas naquele momento, o desejo era distrair a mente, longe dos problemas para com os dragões de Tiamat.

Sem fazer esperar muito, cada um dos aventureiros ficou lado a lado para dar início ao ritual de teletransporte que Asmael faz toda vez, colocando o grupo na boca do perigo. 

Era uma caverna fria, feita de gelo puro. Se fossem tentar dizer onde fica, chutaria que nas terras geladas dos orcs. Cada um deles se preparou da forma que melhor podiam! Uns com escudos de fogo e gelo, outros com escudos comuns, mesmo, a maioria com magias, mas todos com bravura. Caminharam alguns instantes em direção à porta central que possuía um grande monstro entalhado, um tipo de monstro que todos ali conheciam.

Parece que até quando tentam evitar, encontram um dragão para batalhar. Acredito que cada um deles suspirou tão profundo, que sentiram o ar frio percorrer seus corpos quentes. Mas ainda assim continuaram diante das circunstâncias, não podiam se atrapalhar ou retornar, tinham um nome individual e coletivo a zelar.

Assim que atravessaram as portas de gelo, que inclusive traziam lembranças de uma vida antiga para Rylai, eles se viram deslumbrados com tantas colunas e adornos feitos inteiramente por gelo. Quase como um paraíso para a maga. 

Cada um caminhou em direção ao centro, não queriam ficar tão perto uns dos outros para evitar serem surpresos, mas também não se distanciaram tanto, pelo mesmo motivo. Vasculharam cada pedaço do local, um grande salão com escadas e até portas menores, como se um dia alguém tivesse morado ali… alguém além de uma fera. 

Aproximando-se de cada coluna, observaram que no interior, e talvez esse fosse o maior perigo, havia não apenas gelo. Nesse momento a pupila de alguns dilatou tão severamente pelo espanto que apenas retomaram consciência sob o som da voz de Escanor. 

Cuidado!!! – apenas isso, nada mais. Nada mais, porque ele teve que desviar de uma lança de gelo que vinha do alto da construção, enquanto uma fera que estava tão bem escondida, surge surpreendendo cada um dos membros que não fosse o leonino.

Naquele momento tudo ficou claro. As colunas não eram grandes o suficiente para sustentar o teto, seu interior não tinha apenas gelo, ali era o covil de uma fera e cada coluna um meio de manter cada corpo bem conservado. Estavam no covil do Horror de Gelo, um dragão.

No centro de uma parede que ficava de fronte para a saída, no outro extremo da sala, havia um mecanismo. Em cada canto, direita e esquerda, escadas subiam para outras portas, e bem naquele meio, desceu a fera monstruosa lambendo seus lábios e dentes. Foi dado o início do combate.

A luta foi tão feroz, flechas encantadas cortaram o ar com tanta emoção enquanto encantamentos de cura pareciam tomar posse de cada aventureiro ali sob o comando das estrelas de Stella. Disparos energéticos assumiram coletividade com forças psíquicas de aberrações enquanto o bruxo de Dao tentava aniquilar o mal que ameaçava o grupo. 

Embora Ysgramor, Escanor e Luke estivessem dando o seu máximo com suas armas tão bem polidas e com seus poderes, sejam cósmicos para o andarilho do horizonte, divino para o guerreiro dos deuses, ou puramente treino para o combatente; Rylai estava quase que se perdendo, mas graças à sua própria vontade ela foi corajosa e deixou o seu passado de lado por uns momentos. 

Entre baforadas e rajadas, garras e flechadas, gritos e rugidos, os membros daquela equipe viram a possibilidade de vitória se concretizando quando no último ataque, talvez em conjunto ou solo, a fera já cansada deitou-se no centro. Embora escondendo, Rylai ainda afetada pelas suas lembranças se aproximou e deixou que os seus companheiros percebessem que o dragão trazia coisas à tona que aquela menina não queria lembrar ou só não esperava recordar.

Fizeram cerimônias. Tanto as estrelas, quanto os gênios abençoaram aquele momento, seja com preces ou com um último minuto de conversa. Pois não havia mais volta, aquela fera, pôde finalmente descansar. 

Em sequência, encontraram aquele que se chama Nico, mas também encontraram algo que realmente não estavam esperando de forma alguma. A máscara branca. Asmael não compreendeu a magnitude do que estava ali até ver o que era aquele objeto, e, nesse momento, ele disse que até mesmo em disparos às cegas, coisas podem ser atingidas. A equipe retornou para a guilda de aventureiros, com um sorriso, um pouco de tristeza, mas também alívio. Pois o dragão branco fora derrotado e o artefato encontrado.

Um segredo, um mistério… uma incógnita.

Como eu posso dizer isso sem soar um tanto quanto estranho? Acho que não tem como… talvez se eu for direto ao ponto, vocês entendam mais rápido e eu possa voltar aos meus trabalhos. 

Bom, sobre uma das últimas máscaras de Tiamat, eu acho que vou ser bem claro. 

Quase que paralelamente a estadia do grupo que enfrentou o horror da neve, no salão da guilda renegados, estava um segundo grupo. Quill, Kyle, Luna e Arlong se dispunham a aproveitar algumas horas do seu dia monótono, no salão principal. Dentre as pouquíssimas informações adquiridas, mesmo com relatório, a disposição do grupo que fora contratado por ninguém menos que o goblin Keep era esta. 

Digamos que ao adentrar pelas portas amadeiradas da guilda de mercenários, o pequeno goblin já anunciava suas pretensões com simples frases do tipo: “Bando de merdinhas, eu tenho uma aventura para vocês. Se é que são capazes de sequer ter coragem para tal.” – inicialmente, alguns ignoraram, outros nem ouviram, mas o fato principal é que em algum momento alguém respondeu.

– Pois diga, então, o que você tanto tem para nós, que não seríamos capazes de fazer? – era a voz marcante de um pequeno tabaxi encapuzado com o véu da noite e olhos cintilantes. Quill ficara intrigado com tamanha prepotência por parte de seu novo contratante, então decidiu instigar o ego do humanoide enquanto Kyle acompanhava o assunto com seus olhos e ouvidos, há uma certa distância de todos. 

– Pois bem, me chamo Keep Kornoff. Um grande facilitador, digamos assim. Tenho para vocês uma aventura inédita, para que possam encontrar algo que me foi roubado. – Embora muito inusitado, ele esbanjava, certeza do que falava, nem mesmo Arlong, que acabara de virar uma caneca de cerveja, havia questionado a veracidade de um goblin ter sido roubado. Eu diria que inédito, não estereotiparam a criatura, que, de conhecer, acabaram.

Aquela conversa foi ganhando a atenção de cada mercenário, e, pouco a pouco, um quarteto já estava formado. Eu diria que cada um fantástico, ali. No final do repasse de informações, aquele grupo deveria ir em direção ao pântano que fica na região de Pelor, local onde vivem os humanos em demasia.

A viagem fora longa, tinham apenas um objeto que apontava sempre para o local a que tinham que ir. Como uma espécie de radar. Assim que adentraram no perímetro do pântano terrível, começaram sua busca… pouco a pouco foram encontrando uma extensa trilha de corpos e destruição. Os olhos dos aventureiros podiam ver que muitas pessoas haviam tentado ir ali recentemente, já seus narizes sentiram o forte odor local, além da presença de carne em putrefação.

Era ruim ficar ali, mas pior ainda era a sensação de estar sempre sendo observado, o que deixava cada um um tanto quanto perplexo, principalmente Luna, que apesar de ser uma druida, não havia estado naquela região, não naquele nicho específico. Os passos de cada um estavam ficando mais lentos, a respiração era mais difícil, como se o cheiro e a sensação de algo corroendo de dentro pra fora estivesse permeando os corpos armadurados.

Vejam bem, algo começou a dar errado a partir daqui. Pois os relatórios não descrevem nada além de uma grande clareira no meio do pântano e uma montanha de ossos junto de restos mortais de algumas criaturas. Segundo cada frase pincelada sobre o pergaminho, os aventureiros começaram a sentir seus corpos fumegantes enquanto seus olhos lacrimejavam, mas nenhum líquido havia saído das orbes.

“Foi quando meus olhos secos e minha pele ainda mais ressecada sentiram aquela sombra cobrir a pouco luz que transpassava as árvores e os ventos mover até mesmo as mais firmes, nos fazendo voar por pelo menos uns bons metros até o centro da clareira.  Eu pude ouvir o som da voz de Quill xingando a criatura, Luna e Kyle por outro lado resistiram completamente em silêncio, quase que de forma metódica.” 

Arlong, sob o ataque da fúria do pântano.

“Meu coração acelerou tão rápido que quase esqueci da leveza que um bladesinger deveria sentir, mesmo nesses momentos tão tensos. Tentei agarrar-me no primeiro galho que vi, mas parece que a fúria daquele monstro era tão grande, que suas asas arrancaram até mesmo os troncos mais resistentes do chão.  Se não fossem meus estudos, não poderia atestar outra coisa. Era um dragão negro adulto.”

Kyle, o mago das lâminas sob o ataque da fúria do pântano.

“Se pudesse voar para longe e me resguardar até ter um plano, teria feito isso. Naquele momento, mesmo sem ver, eu ainda senti muito mais forte, o poder daquele monstro.”

Luna, guardiã das matas.

“Mas que porra foi essa? Eu só lembrei de ter saído voando enquanto tentava me segurar na primeira moita que eu alcancei, merda.”

Quill, o atirador de elite.

Esse foi o depoimento de cada um, quando retornaram para a guilda. Mas o que mais me intrigou, é que depois de um imenso combate, que eu acredito que eles tenham tido, cada um deles estava impecável, e com um artefato tão poderoso que a própria Meira ordenou que Gordon selasse junto dos demais, impedindo que Keep Korloff pegasse para si. A máscara negra.


Este texto foi escrito pela Guilda Renegados um servidor do Discord onde você pode se tornar membro e ter um universo de diversão a seu dispor! Para entrar no servidor é só clicar Aqui!

Palestras – Cobertura Diversão Offline 2022

Nos dias 18 e 19 de Junho ocorreu o Diversão Offline edição 2022 (DOFF 2022), entre muitos expositores, incluindo as Editoras parceiras do Movimento  RPG, que disponibilizaram uma verdadeira variedade de jogos de tabuleiro para serem experimentados, também houve muitas palestras que com certeza agradaram todo o público que estava no evento, pois ofertaram muitos temas. Foram tantas atividades no evento que dividimos a cobertura em duas partes, aqui contendo as palestras que acompanhamos no DOFF 2022 e a inauguração da área de protótipos, que você pode conferir em Liga Brasileira das Mulheres Tabuleiristas na DOFF 2022 – Movimento RPG.

Novos Talentos em Jogo: Como Projetos de Impacto social vem Transformando a Economia no Setor de jogos

A abertura deste debate, ocorrido no dia 18 de junho, sábado, coube a Bárbara Côrtes, liderança da Liga Brasileira das Mulheres Tabuleiristas. Em sua fala, foi possível perceber uma série de provocações ao público, relacionadas aos jogos como “…as faíscas de uma nova linguagem…”, contexto esse que permitiu uma explanação sobre os conceitos que podem ser estruturados a partir de uma dada narrativa, ou ainda como determinadas temáticas podem ser usadas de maneira construtiva e estratégica para apontar práticas e hábitos, narrativas e sistemas de pensamento, relações e afetos, fazendo assim com que jogar não seja apenas um ato ingênuo ou lúdico. Com o encerramento da abertura, passou-se a composição da mesa sob mediação de Luiza Pirajá do grupo “Joga na Mesa”, com participação de Patrícia Nate do grupo “Lady Lúdica”, professora Silvanir Souza, autora de “Aedes do Egito” e Rennan Gonçalves da editora New Player Studios.

O debate articulou-se sobre a linguagem como ferramenta de mudança da realidade, ato de construção e significação da realidade, com amplo questionamento sobre quais alternativas são necessárias para que mulheres, pessoas pretas e grupos de minorias possam ser contemplados por game designers para que seus produtos de fato incluam e provoquem identificação nos variados e múltiplos consumidores. Pequenos projetos levam a construção de novos significados por meio de escolha de linguagens, desta maneira ficou claro entre os participantes a ênfase necessária em produtos feitos por mulheres e público LGBTQIA+ tendo em vista a construção e articulação de novas comunidades e grupos de jogadores, fato que realçaria o protagonismo, tão necessário ao cenário atual de jogos modernos de tabuleiro. Durante o debate houve abordagem da dificuldade e dos desafios de inclusão destes grupos em comunidades de jogo, uma reflexão necessária sobre estigma social e estrutura inclusiva, fato que em si abriu uma ponte para a construção e estratégias para uso de jogos na educação, espaço ideal para iniciar transformações sociais. Citaram Black Stories e a curiosidade científica, com utilização da gamificação para o aprendizado, ou ainda mecânicas balanceadas, focando a não eliminação precoce, mas sim a experiência de aprendizado compartilhado somados à preocupação artística, estética e localização na adaptação de jogos para sala de aula. Finalmente, houve espaço para diálogos sobre os Afrogames, tendo em vista a necessidade de valorização de culturas marginalizadas e negras com ênfase à Afrocentricidade.

Trans-Inspiração: A Representatividade Trans no RPG

Participantes: A mediação aconteceu por meio de Alice Monstrinho que conversou com xs participantes Naomi Maratea (Contos Lúdicos), Nina Sartes (RPGay – SeJoga) e Yui Taguchi (Game Designer Dumativa). Xs palestrantes abordaram diversos temas pertinentes a realidade da comunidade LGBTQI+, principalmente referentes às pessoas transgênero, bem como fizeram apontamentos críticos a algumas obras e até mesmo jogos que são conhecidos e comuns nas mesas de board game e RPG. 

 A realidade 

Durante a palestra, um dos pontos mais profundos a serem debatidos foi o seguinte; imaginemos um cenário onde os maiores autores, os mais queridos dentre eles, as nossas referências, fossem de fato excludentes com você. Imagine mais do que isso, que os jogos que você gosta de jogar, que o board game ou o seu RPG favorito, em um momento de diversão e descontração, fosse excludente com alguma condição ou escolha da tua vida. Do mesmo modo deveríamos compreender as dores que são causadas à população trans quando um RPG se refere a transsexualidade como um “defeito” dentro do jogo, ou quando um board game diz que “um homem não poderia usar saia”. Esses são hobbies que teriam por objetivo trazer leveza, humor e diversão e de certa forma trazem, mas a quem?

Devemos discutir o contrário da exclusão, como foi colocado pelxs palestrantes. Dessa forma, a inclusão é o termo correto a ser discutido e executado. Inclusão dentro do RPG e dos Board Games é tornar um jogo normalmente acessível a todos, sem ofensas as pessoas cis (que se identificam com o gênero biológico), trans (que se identificam com o gênero oposto de seu nascimento), não-binário (que não se limitam as categorias masculino ou feminino), encontrando uma forma de englobar a todxs, abraçar e divertir a todas as pessoas, independentemente de sua orientação e identidade. Portanto, a inclusão é chamar pra jogar, narrar, fazer parte, não acreditando na política de que um ou dois são o necessário, mas chamar as pessoas que você conhece e que são trans para fazerem parte da comunidade.

O RPG foi abordado como um processo prazeroso, pois a ferramenta de interpretação e experimento de papéis diferentes, proporciona, segundo xs palestrantes, a possibilidade de vivenciar outros infinitos papéis para além de suas próprias vidas, e isso, como é sabido, proporciona auto compreensão, descobertas novas e logicamente a diversão.

Ravenloft: Terror no RPG Desde a Origem – Rogério Saladino

E domingo foi dia de palestra com o ilustre Rogério Saladino, uma figura emblemática do nosso RPG nacional e eu não pudemos perder.

Nesta fase do evento, nosso palestrante trouxe um pouco de sua experiência e amor a cerca de uma das mais bem sucedidas aventuras para Dungeons and Dragons: Ravenloft e com foco no Game Design da coisa toda, Saladino elucidou o tamanho da revolução que essa aventura trouxe ao mercado do RPG em geral e não somente para D&D, na época, em sua primeira edição.

Lançada em 1983 e criada por Tracy e Lauren Hickman, Ravenloft quebrou vários paradigmas do que seria uma aventura para RPG. No início, eram algo que se resumiam em exploração de masmorra, alguns itens mágicos e monstros novos e até aquele momento, estavam todos muito bem com isso, porém, com o advento dessa aventura, surge um Game Design diferente para o que é hoje Dungeons and Dragons. 

Além de ser a primeira história a sair do modelo capa e espada heroico de D&D e sendo inspirada livremente em Drácula e seu horror gótico, Ravenloft traz em cena um vilão, Strahd, que não é somente algo a ser derrotado, mas um personagem que possui motivações e que permanece envolto a uma história que contextualiza o ambiente de maneira mais realista, dadas as devidas licenças poéticas. Ravenloft, pensada para funcionar como um filme de terror, coloca heróis em posições de fragilidade e inaugura elementos não vistos em outra aventura de tamanho sucesso comercial, até o momento.

Sobre a revolução no mercado? Ah sim, Ravenloft mostrou a quem gosta de RPG que era possível inovar, sair da caixinha do sucesso pré-estabelecida e com isso muita coisa foi criada, inclusive fora da TSR – editora responsável por Dungeons and Dragons na época – onde editoras puderam lançar cenários variados, até mesmo em concorrência a própria editora TSR.

Como mais uma prova da força dessa aventura, Ravenloft ainda inspira toda a criação de um cenário homônimo e sobrevive ao longo das edições de Dungeons and Dragons com pouquíssimas alterações em seu cerne, com um detalhe, Ravenloft não existiu apenas na quarta edição de D&D.

Atualmente Ravenloft existe como cenário para quinta edição no livro “Van Richten´s Guide to Ravenloft”, ainda sem tradução para o Brasil e no livro “A maldição de Strahd”, traduzido pela Galápagos e você pode adquirir isso tudo clicando aqui.

Maternidade e os Jogos 

Participantes: A mediação aconteceu por meio de Rayssa Galvão, falando com as participantes Mônica de Faria (jogos e imaginários), Aline Kroetz (joga família), Fernanda Sereno (Organizadora do Diversão Offline) e Ly Pucca (Idealizadora do Projeto Lúdico Jovens e Crianças Offline). As participantes relataram como é o exercício de maternar e ainda serem jogadoras, tanto de board games como de RPG. O tema é completamente pertinente não somente ao público feminino, como foi muito frequentemente e acertadamente apontado, é relevante para os homens e todo público adulto.

A realidade das mães 

O hobby, seja board game ou RPG tem como grande objetivo a jogatina e, por consequência, a experiência divertida de socialmente estar com seus amigos ou até mesmo de conhecer pessoas novas enquanto joga. Essas eram experiências comuns das mulheres antes de se tornarem mães e, faço já o primeiro adendo, mães não deixam de ser mulheres, adultas, que também tem não só a necessidade como o direito de lazer e da cultura, entretanto a experiência de ser mãe e de precisar estar disponível – bem como os pais deveriam fazê-lo – para as crianças é sentido como grande impedimento para a diversão de alguns grupos. Isto porque a sociedade é, ainda, adultocêntrica, pouco preocupada em compreender o universo infantil e suas particularidades. Por isso mães são postas na posição de únicas cuidadoras dessas crianças, quase perdendo o direito de poder jogar.

Como de costume, paulatinamente as mães retomarão seus hobbies na medida em que as crianças forem cada vez menos dependentes dos cuidados maternos, e isso significa que aos poucos retornarão para os jogos, primeiro, jogos mais rápidos no lugar de aventuras extensas, posteriormente, a preocupação é a diversão e não apenas seguir um montante de regras, muitas vezes inacessíveis a realidade dos pais. Para que retornem ao seu lazer, os adultos que participam dos jogos devem ser compreensivos com as crianças também, é comum que o comportamento das crianças seja dinâmico, curioso e por vezes inquieto, sendo esse comportamento saudável e esperado deveria ser melhor tolerado. Afinal, por razões como as expostas, os homens que dominam o cenário do board game e do RPG tornam esse hobby menos convidativo para mulheres, principalmente se forem mães.

 Mudanças necessárias

Para além das questões da exclusão do gênero debatidas, foi abordado que o hobby é pouco convidativo para crianças, uma vez que em sua maioria exigem níveis de alfabetização, dessa forma tornar os jogos ainda mais acessíveis é uma tarefa árdua não só dos autores e das editoras, bem como dos jogadores. Acolher mulheres, sejam elas mães ou não, para a diversão oferecida pelo jogo, deixando de lado o máximo que for possível da falácia de que existe apenas uma maneira rígida de se jogar. O que implica em uma necessária expansão de visão para os homens, jovens ou não, pais ou não que são jogadores de RPG e Board Game, para o acolhimento de todos os públicos. Somente assim, com todo esse amadurecimento que o cenário precisa ter, os jogos serão interessantes para uma família como um todo.

Por fim e não menos importante, convidar uma mãe para jogar é sempre uma forma muito acolhedora, ainda mais quando o tempo dessa mulher é respeitado e sempre lembrados de uma frase recorrente no universo do RPG; a famosa regra de ouro “diversão é a regra mais importante”.

Parentalidade e Jogos de Tabuleiro: Jogatinas de Pais para Filhos

Participantes: A palestra foi mediada por Leandro Nunes e os participantes são Éderson Ayres e Aline Kroetz (Canal Joga família), Isabel Butcher (Curió Jogos) e Paulo Henrique e Karine Rocha (Covil dos Jogos). Os assuntos abordados remetem ao fato de serem pais e introduzirem os jogos aos seus filhos, praticando o hobby do board game em família. 

 Família e as estratégias para crianças 

Passar a paixão do jogo para o filho, paixão de se divertir e descobrir jogando. Essa foi uma reflexão feita por cada um dos participantes, em diferentes momentos e cada qual a sua forma. Quando esses pais vão relatar suas experiências, eles parecem pouco preocupados com a manutenção do jogo como ele é criado para ser, ou seja, demonstram o interesse em jogar e se divertir e não apenas em seguir o manual de regras. Os pais relatam a experiência de expor os jogos desde que seus filhos eram crianças pequenas (parece redundante, mas se referem a crianças de 1 ano de idade, especificamente), onde apenas brincar com as peças era o verdadeiro interesse e pouco interagiam com as outras possibilidades dos jogos. Crianças são, como já tratado em outras palestras, curiosas e agitadas, e essa é a sua condição. Por isso, os pais, compreendendo a natureza de seus filhos, compreendem que jogar com outras regras e adaptá-las de acordo com o interesse de seus filhos é como incentivá-los e introduzi-los ao hobby e a essa paixão aos poucos e de acordo com o ritmo e processo de desenvolvimento de cada um.

As crianças irão brincar, manipular cada jogo e isso constrói uma memória afetiva que não é somente importante para criar interesse no jogo, mas é a memória de uma família como um todo. Com o tempo, as crianças vão criar seus próprios interesses e diferenças dentro dos jogos e irão procurar por suas preferências. Os jogos devem ser ofertados às crianças na medida do amadurecimento de cada um, dentro de seu próprio limite para que se possa criar o genuíno interesse.

 Crianças e os Jogos

Tudo é interessante e novo para o universo de uma criança que está se descobrindo em um ambiente, por isso, construir um ambiente lúdico e convidativo para a sua realidade é frutífero. Um ambiente que a criança possa mexer, mover, organizar, desorganizar, criar, construir, é relevante para que ela se sinta incluída naquela brincadeira (e não é isso que nós adultos também fazemos, brincar?).

Para apresentar o hobby para uma criança ou adolescente não é diferente de apresentar para um adulto que ainda está fora deste meio, é preciso pegá-lo pelos seus interesses. Há aqueles que preferem um cenário competitivo, outros, um jogo cooperativo. Crianças e adolescentes querem se sentir em um ambiente seguro, dentro de seu próprio núcleo familiar. Por isso, respeitar as diferenças e interesses que cada um de seus filhos podem ter, é incluí-los, de acordo com sua própria realidade.

Empreendimentos com Jogos: Importância e Responsabilidade

Participantes: A palestra foi mediada por Lucas Ribeiro, com participação de Eric Bispo e Karina LaFarina (São Jogue), Rafael Sales (Encounter Board Games), Rodrigo e Diego Cuesta (Hands Board Games). Os palestrantes discutiram sobre as formas de empreendimento e o mercado de Board Games no Brasil, como uma oportunidade e forma de agregar ainda mais jogadores novos ao amado hobby.

Jogos, Bar e Comida

Com uma fórmula perfeita entre diversão, bebidas e comida boa, os palestrantes apresentam seus bares, cada qual com suas características únicas, e ainda com a proposta de tornar um ambiente convidativo para que grupos possam jogar board game enquanto se divertem socializando. Todos apresentam logísticas singulares, quase como se os jogos fossem um evento por si só.

Grandes bares, temáticos e com estratégia detalhadas de monitoria, jogos para cada tipo de público, os palestrantes apresentam as visões de empresários para abrir mais possibilidades de board game, mesmo durante o período pandêmico – quando foi necessário fazer aluguel de board games por conta do distanciamento social. Os bares apresentam uma identidade convidativa, desejando proporcionar mais do que apenas um ambiente detalhado, mas sim experiências únicas para cada grupo de jogadores, sejam expedientes ou novatos no hobby.

 Diferencial

Primeiramente, os bares apresentam as temáticas de board game, o que por si só já é um grande diferencial. Posteriormente, alguns mostram um espaço extenso e totalmente diversificado, bem como salas temáticas de Harry Potter, Stranger Things e Star Wars. Dentro desse espaço, sua turma teria uma experiência globalizada, integral do hobby e da cultura nerd/geek. Tudo é pensado para tornar essa experiência agradável, iluminação, sonorização, cenários, atendimento, monitoria, acessibilidade e comida de boa qualidade.

Não poderiam faltar a diversidade de jogos, com bibliotecas com 200 a mais de 1000 jogos dentro de uma possibilidade de escolha. Existe uma preferência por introduzir novatos com jogos mais rápidos, de fácil entendimento e explicação mais fluida.

Por fim, os palestrantes expõem que esse serviço é como uma vitrine para as editoras, os materiais e os board games como um todo, o que significa que introduzir as pessoas nestes cenários apenas enriquece esse campo que cresce muito e crescerá ainda mais com o passar do tempo.

Jogar para Transformar: Como os Jogos Ensinam, Incluem e Desenvolvem a Sociedade (BG)

Esta palestra ocorrida no dia 18 de junho; sábado, contou com a participação de Arnaldo V. Carvalho, terapeuta e educador UFRJ, Fabio Medeiros, psicólogo e educador UFSC, Bianca Costalonga pedagoga, brinquedista e Kátia Regina Nogueira fonoaudióloga e psicopedagoga. A estrutura desta apresentação foi organizada de maneira que cada profissional tivesse espaço para expor suas considerações a respeito do tema, demonstrando assim que o ato de jogar pode assumir variados significados na transformação da sociedade. Bianca Costalonga abordou o brincar e jogar, são elementos necessários para desenvolvimento cognitivo. Citou como jogos de tabuleiro auxiliam no desenvolvimento de coordenação motora, aumento de repertório e ampliação de competências socioemocionais. Sua análise cuidadosa, permite aos pedagogos extrair pistas para fazer inserções, orientações ou intervenções para potencializar resultados do processo de ensino e aprendizagem. Kátia Regina Nogueira enfocou o jogo como ferramenta social para fortalecer relações interpessoais e superar desafios cognitivos e sociais. Para o indivíduo mudar há necessidade de mudar o contexto. O trabalho com crianças autistas e sua evolução com os jogos com adaptação das regras e a maneira como as estratégias lúdicas abrem portas para aprendizados e desenvolvimento de competências e habilidades foi explorado com variados exemplos de sua carreira profissional exitosa, na qual a educação sempre esteve direcionada para autonomia em detrimento às deficiências com as quais teve contato. Fabio Medeiros explorou o jogar com o outro, como ato de cooperação, linha de pensamento de Vygotsky, no qual o desenvolvimento do ser humano usa uma perspectiva sociocultural. Citou o RPG e o ambiente simulado narrativo como ferramentas educativas poderosas que permitem o despertar da sensibilidade do olhar para o outro, nas relações empáticas. Comentou ainda o desafio extremo por si nesta troca que ocorre entre o ensinar e aprender. Arnaldo V. Carvalho acrescentou às discussões, reflexões sobre a observação e desenvolvimento da paciência, maneiras de estabelecer vínculos de sociabilidade. Enfatizou o ato de jogar como uma experiência de simulação da realidade que permite o aprendizado em ambiente seguro, seguido da possibilidade de combater ou minimizar problemas atrelados ao comportamento inibitório.

Jogo de Branco: A Falta de Diversidade mos Jogos de Tabuleiro

A realização deste debate, ocorrido no dia 19 de junho; domingo; teve mediação de Jorge Valpaços da Lampião Game Studio/RPGay, com participação de Isabel Barbosa do grupo São Jogue, Sanderson Virgolino da Casa do Goblin, Thiago Rosa da editora Jambô e Luciano JJ do grupo Jogos e Quilombagens/Jornal Empoderado. A estrutura deste debate respeitou a fala inicial do mediador, com efetivação de três rodadas de perguntas centradas  na  falta de representatividade, game designers e produtores de conteúdo que abordam a cultura preta e também periférica. Durante o diálogo firmado pelos participantes ficou evidente a falta de diversidade e pluralidade, carência do locus enunciativo com emudecimento de grupos pretos e minorias. Debateu-se o ativismo negro e a importância dos afrogames como elementos de construção de vínculos e representatividade, atitude necessária para romper a bolha de jogos eurocêntricos. Enfatizou-se ainda como a construção de um currículo oculto nas escolas enfatiza valores culturais estabelecidos de brancos, enaltecendo-os, fato que deve ser combatido, já que se atrela ao preconceito estrutural. Todos os participantes citaram a importância do lugar de fala, com letramento racial e construção de uma identidade que combata a invenção da superioridade e autoridade da “branquitude”. Citaram ainda a dificuldade de abordar o preconceito estrutural em jogos de tabuleiro, assim como a luta contra o racismo recreativo. Enfocaram que produção de jogos de tabuleiro moderno devem quebrar estereótipos étnicos e culturais. Há necessidade de narrativas que trazem ressignificação para indivíduos pretos, realçando a voz de movimento sociais, começando por eventos como diversão offline, que podem e devem conectar pessoas, dar oportunidade e visibilidade às camadas mais oprimidas da sociedade.


Ufa!

E não assistimos todas as palestras, afinal também aproveitamos um pouco do evento. Já adianto que estamos ansioso pelo ano que vem!

Galeria de Fotos


Palestras – Cobertura Diversão Offline 2022

Autores: Jefferson de Campos, José Lima Junior, Kastas
Organização e Revisão: Isabel Comarella
Montagem da Capa: Douglas Quadros
Fotografia: Bianca Bezerra

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