Jogo de Cartas Fábula TCG – Resenha

Um jogo de cartas colecionáveis totalmente nacional, sobre a nossa fauna, flora e história! Venha conhecer o Fábula TCG, a nova fábula brasileira.

Origem editorial do jogo

Ano após ano as grandes empresas internacionais do setor de TCGs vem tratando com cada vez mais leniência e negligência o público brasileiro. Descasos com distribuidoras, que nunca entregam as coleções dentro dos prazos, preços abusivos que tornam o jogo proibitivo para a maior parcela do público (meio salário mínimo em um baralho pré-con é um absurdo), dentre outros motivos. Mas o estopim para o surgimento ocorreu no início de 2024. A “Magos da Costa”, anuncia o fim da tradução de seu TCG.

O então produtor de conteúdo Rafael Seiz, cujo canal FormatoForFun era dedicado especificamente a lore do jogo, cuja qualidade também vem rolando ladeira a baixo, decide anunciar a criação de seu próprio TCG, e começou seu caminho reunindo uma equipe de game designers, artistas e advogado para juntos colocarem o projeto em andamento. 

Visando um jogo que fosse nacional, em amplo aspecto da palavra, o Fábula é um jogo que fala sobre nós. Valorizando nossa fauna, flora e elementos da nossa história, apresentadas de uma forma ricamente criativa, e a um preço que seja acessível à comunidade nacional de jogadores de TCGs.

O mundo do Fábula TCG

Brasofuturismo

O Fábula possui uma ambientação fundamentada em referências como Solarpunk, Amazofuturismo e Cyberagreste, visando assim a fundação do Brasofuturismo, em um cenário onde a tecnologia, sociedade e meio ambiente progridem juntos de forma harmoniosa.

A origem que floresce do caos

A história do jogo se passa em um futuro distante. O desenvolvimento tecnológico foi o ápice da humanidade, mas um império em queda decidiu que não cairia sozinho, e de sua vingança veio a ruína. Um vírus letal baseado em células tronco humanas, uma arma biológica que fugiu de controle, mergulhou a sociedade em medo e desespero. Em uma guerra de vingança, eles apertaram os botões vermelhos, e a chuva de mísseis desceu dos céus sobre o povo comum, enquanto as elites se refugiavam em bunkers ou fugiam para as estrelas. A população global, que estava na casa dos bilhões, foi reduzida a alguns milhares dispersos ao redor do globo, ou reunida em pequenas comunidades.

Mas a história do jogo começa mil anos após essa tragédia, em um tempo onde o vírus-tronco afetou os animais, fazendo com que evoluíssem e ganhassem consciência, surgindo assim os Sherat’i, que desenvolveram sua própria sociedade, mais justa e equilibrada, ao estudarem as ruínas da sociedade dos que chamam de Primeiros Filhos, ou Primogênitos, e ao aprenderem com os erros que a levou a destruição.

A Nação dos Ipês

A primeira coleção apresenta os jogadores a Nação dos Ipês, localizada no território equivalente a América do Sul, em destaque o Brasil, desse mundo futurista, e as suas cinco regiões, Carnaúba, Jacarandá, Araucária, Cambará e Samaúma.

O Ipê dá o nome a nação por espalhar a beleza de suas flores por todo seu território, enquanto cada uma das regiões é nomeada com o nome de uma árvore de grande presença e importância que ali existe.

Além disso, essa coleção nos introduz também ao primeiro grupo que antagoniza a harmonia e prosperidade da nação, os Filhos de Geiger. 

Lançamento

Por uma série de motivos, desde orçamentários até por acessibilidade a comunidade, o Fábula está inicialmente sendo vendido na forma de Decks Pré-con, ou seja, baralhos pré-montados.

Durante todo o desenvolvimento do jogo, uma frase se destacou dentre os seus pilares “queremos que as pessoas joguem o jogo”.

Embora abrir pacotinhos seja muito divertido, o efeito predatório que esse tipo de viés comercial gera encarece o jogo de forma gradual e constante, principalmente no mercado secundário, e dificulta o acesso dos jogadores às cartas.

Mas não se preocupe, o jogo ainda incentiva deckbuilding. Quem comprar mais de um dos três diferentes baralhos iniciais poderá misturá-los para criar combinações únicas e poderosas.

O primeiro Catarse do projeto foi um salto de fé, dado pela equipe e apoiado pela comunidade. Eles alcançaram a sua meta base em menos de 24 horas, e foi concluíram com a arrecadação suficiente para remunerar artistas para que produzissem as artes dos 3 primeiros decks.

Sim o Fábula TCG não faz uso de Inteligência Artificial em nenhuma etapa do projeto.

O segundo financiamento, já está rolando no catarse. A coleção Desbravando o Miasma está traz à venda os 3 baralhos iniciais que foram financiados na catarse anterior, apresentando aos jogadores:

Cambará

Equivalente à região centro-oeste. A população desta região teve que lidar e combater com sinistros desde de sempre, dada a grande presença de antigas usinas nucleares na região. Trazem aqui um baralho composto de cartas com efeitos proativos e habilidades que causem dano diretamente nos alvos sem precisar entrar em combate.

Para dar um gostinho, clicando aqui, vocês podem acompanhar o Thiago do Diário Planinauta dando spoiler de uma das cartas do baralho.

Os Filhos de Geiger

Os antagonistas da primeira coleção, os Filhos de Geiger são um culto que venera a radiação como uma benção e tem como deuses os Sinistros. Estas monstruosidades, assustadoras e perigosas, se formaram da exposição de criaturas afetadas pelo Vírus-tronco a bolsões de radiação e zonas de miasma. Locais que surgiram em decorrência da radiação dos misseis, ou de usinas nucleares sem manutenção. Suas mecânicas envolvem efeitos que debilitam os Aliados dos seus oponentes e se aproveitam de ter cartas na pilha de descarte.

Araucária

A região do terceiro deck foi escolhida pela região do país que realizou mais apoios durante o primeiro financiamento.

Equivalente a região Sul, Araucária traz ao jogo as figuras dos Tropeiros e suas Caravanas, verdadeiras cidades móveis, sobre cascos e rodas. Suas mecânicas se baseiam na interdependência de efeitos, onde a união faz a força, e efeitos se potencializam ao serem combinados com outras cartas.

Para os curiosos, aqui vocês podem acompanhar a Luminovinha dando spoiler de uma das Aliadas lendárias de Araucária.

Onde encontrar

O financiamento da coleção Desbravando o Miasma está aberto no momento da publicação deste artigo no catarse, e suas metas visam alcançar os valores necessários para, além de custear a produção dos baralhos que forem comprados pelos apoiadores, realizar a remuneração dos artistas que irão ilustrar os baralhos de Samaúma, Jacarandá e Carnaúba, que irão compor a próxima coleção, Litorais Ameaçados, que encerra o arco de histórias do bloco inicial, A Nação dos Ipês e também a preparação do palco para a história que promete se intensificar ainda mais.

A meta que habilita o baralho de Carnaúba, que representa a região Nordeste, já foi alcançada, e estão encaminhando para a próxima: habilitar Jacarandá, que representa a região Sudeste.

Para conhecer mais do projeto você pode acessar o Site do Fábula TCG, onde a história do jogo está sendo postada semanalmente, o Instagram onde estão sendo publicadas as artes e novidades relacionadas ao lançamento, e o canal Fábula TCG no Youtube onde você pode aprender com mais detalhes a jogar o jogo e acompanhar Gameplays do Fabula TCG, assim como as mesas de RPG Canônicas do mundo do Fábula, que são liberadas com os financiamentos coletivos e ampliam a história do jogo.

Se quiserem que tragamos uma parte dois, apresentando o resumo das regras do jogo, comentem, aí.


Quer conhecer um RPG trevoso, que pode ser ambientado em qualquer época, desde uma fantasia pré-histórica até uma ópera espacial? Confira aqui nossa resenha sobre Oblívio RPG.


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The Expanse – Ideias de Aventuras

The Expanse é uma série de televisão estadunidense criada por Mark Fergus e Hawk Ostby, baseada na série literária de mesmo nome de Daniel Abraham e Ty Franck. Ambos escritores que faziam uso do pseudônimo James S. A. Corey, ambientada em um cenário sci-fi (ficção científica) de colonização espacial.

Baseando-se nessa produção, The Expanse RPG foi criado por Steve Kenson e equipe através da Green Ronin Publishing em 2019. Além disso, foi traduzido pela Editora Jambô em 2021, contando com pessoas de renome como Flávia Gase e Gilvan Gouvêa.

Este artigo tem a intenção de apresentar algumas ideias de aventuras que se encaixam muito bem com The Expanse RPG. Nesse sentido, citamos as referências para que o narrador possa se aprofundar mais ainda na temática.

A Luta pela Especiaria

Em Duna, podemos ver as poderosas casas políticas do cenário lutando pelo controle das especiarias (substâncias poderosas usadas para vários fins). Essa mesma luta, que faz uma alusão ao petróleo da Terra, pode ser aplicado em The Expanse.

Uma nova fonte de energia, um cristal ou substância, pode ter sido descoberta em uma lua próxima do Sistema Solar. Nesse sentido, uma corrida para localizar e extrair essa nova fonte começa entre várias empresas corporativas.

O grupo de personagens pode se envolver, desde a exploração e abrindo caminho até esse novo recurso, enfrentando monstros e ameaças do ecossistema, até o exercício de estabelecer uma base e garantir a extração, enfrentando as ameaças de outros ambiciosos.

Entre Dois Mundos

Em John Carter, Entre Dois Mundos, vemos um protagonista sendo responsável por libertar um povo subjugado.

Em The Expanse RPG, os personagens jogadores podem se deparar com uma estação de colônia espacial que se separou há muito tempo dos costumes da área do Cinturão.

Exilados e liderados por um ditador local, a colônia sofre com trabalho escravo e manipulações políticas para sobreviver, até conseguirem enviar um sinal de socorro através da resistência local.

Cabe aos jogadores lidarem com a situação, seja em uma investida militar agressiva, uma missão discreta de libertação ou até mesmo uma campanha política para incentivar a reintegração da colônia isolada aos costumes do Cinturão.

Perdidos no Espaço

Em Passageiros, filme de 2016, os protagonistas ficam presos em uma viagem espacial que desandou completamente, sem escolha a não ser aceitar a morte ou lutarem contra as ameaças do espaço para chegarem em algum lugar.

Essa excelente ficção científica que dispensa combates, é uma linda jornada de superação social e soluções criativas para problemas técnicos que uma nave espacial poderia vir a sofrer no meio de uma longa viagem entre planetas ou sistemas inteiros.

Os personagens jogadores, que poderiam estar hibernando entre uma longa viagem, despertam em uma nave onde são os pouquíssimos sobreviventes. Eles precisam lidar, não apenas com as dificuldades para fazê-la levá-los a algum lugar ou permitir um pedido de ajuda. Mas do mesmo modo, sobreviver a loucura da solidão, da proximidade com a morte ou o esquecimento. Além das relações humanas que podem ser dramatizadas e conturbadas pelo narrador para tornar tudo mais tenso e melancólico.

Considerações e Despedidas

Existem incontáveis filmes e livros que podemos tomar como inspiração para trabalhar o elemento mais importante de toda obra sci-fi: o ser humano.

The Expanse não é sobre tecnologia e futurismo, mas acima de tudo, é sobre a humanidade e sua natureza. Essas ideias de aventuras e suas referências falam sobre isso. Podendo inspirar o narrador a ir muito além de dar experiências humanas que os jogadores jamais viveriam em suas vidas reais.

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Texto: Miguel Souza
RevisãoRaquel Naiane.

The Expanse – Resenha

The Expanse é uma série de televisão estadunidense criada por Mark Fergus e Hawk Ostby, baseada na série literária de mesmo nome de Daniel Abraham e Ty Franck. Ambos escritores que faziam uso do pseudônimo James S. A. Corey, ambientada em um cenário sci-fi (ficção científica) de colonização espacial.

Baseando-se nessa produção, The Expanse RPG foi criado por Steve Kenson e equipe através da Green Ronin Publishing em 2019 e traduzido pela Editora Jambô em 2021, contando com pessoas de renome como Flávia Gase e Gilvan Gouvêa.

Mas o que é The Expanse RPG?

Isso é mais fácil de responder do que você imagina! O próprio livro trás uma excelente introdução:

“No século 23, a humanidade deixou o berço da Terra há muito tempo para colonizar o sistema solar. Agora, Marte independente compete com a velha Terra por poder político e influência, enquanto o Cinturão de asteroides colonizados e os sistemas lunares de Júpiter e Saturno fornecem aos planetas interiores os recursos de que tão desesperadamente precisam. O povo do Cinturão e dos Planetas Exteriores — os cinturanos — trabalham e sofrem sob o governo dos Interiores e, sem o conhecimento da humanidade, a história está tomando um rumo inesperado.”

É claro que imaginar todos esses eventos e termos cosmológicos não é fácil e por isso, o livro conta com uma estética belíssima, recheado de artes dos planetas, astros, estruturas, veículos e vestimentas diversas. O que facilita muito a imaginação desse universo sci-fi com alguns elementos de fantasia e muita ação e politicagem.

Importante reforçar que se você nunca jogou RPG, esse livro leva isso em consideração e apresenta até os conceitos mais básicos desse maravilhoso jogo!

Finalmente, se você não assistiu ou leu The Expanse, fica aqui o Alerta de Spoiler!

The Expanse e sua História Futura

Teoricamente, nós já estudamos boa parte do nosso Sistema Solar e mesmo o que não lembramos, podemos consultar facilmente com uma rápida pesquisa. Contudo, The Expanse trás mais do que o cenário espacial que já conhecemos. Ele apresenta os futuros passos da humanidade e onde ela chegou, tecnológica e socialmente, no século 23.

Podemos considerar que na Terra de The Expanse RPG, todo o processo histórico de corrida espacial segue o mesmo até finalmente colocarmos os pés em Marte. A partir daí, a realidade sci-fi do jogo se distancia da realidade (ao menos temporariamente) com o início de um processo de colonização do planeta vermelho.

Marcianos

Mais tarde, expedições incluíram colonos que foram para ficar. Esses cientistas, engenheiros e trabalhadores desenvolveram tecnologias de terraformação necessárias para iniciar o longo projeto de transformar Marte no segundo lar da humanidade.

À procura de trabalho e novas oportunidades, famílias inteiras deixaram o seu planeta natal e se comprometeram com esse esforço. Na Terra, eram de lugares distintos e eram chamados de chineses, indianos ou de texanos, mas, depois da viagem, eles viviam lado a lado e se tornaram um só povo: marcianos.

Cientistas e engenheiros marcianos trouxeram sua experiência de volta à Terra. Durante os primeiros anos dos projetos, unindo-se a times de terráqueos que se voluntariaram a abdicar do “Básico”, eles trabalharam juntos para reparar os danos do ecossistema da Terra.

Mas, apesar de medicações terem a intenção de ajudá-los a se ajustar, marcianos lutavam não apenas com a gravidade terrestre, mas também com a crescente brecha cultural entre Marte e Terra. As histórias que eles contavam sobre retornar ao lar apenas se somaram às frustrações que os marcianos sentiram com a Terra e as Nações Unidas. Isso porquê, eles extraiam recursos deles logo quando eles estavam começando a fazer progresso no projeto marciano de terraformação.

O Motor Epstein

Por décadas, as Nações Unidas permitiram aos marcianos recusar atribuições na Terra, se eles assim desejassem. Enquanto seus números estivessem sempre crescendo, substituições poderiam ser encontradas em Marte ou treinadas na Terra.

Assim que Marte se aproximava da possibilidade de autossuficiência, as Nações Unidas até toleraram a ampla distribuição de manifestos separatistas como “A Voz Livre do Povo”.

O que as Nações Unidas não toleraram, entretanto, foi quando Marte tentou construir dezoito naves cargueiras. Já que a construção dessas naves iria diminuir sua dependência das naves das Nações Unidas, que carregavam suprimentos vitais da Terra para Marte.

Com sorte, antes que a guerra pudesse começar, a jornada da humanidade tomou o seu próximo passo à frente. Um passo que começou nos estaleiros marcianos, bem no coração da crise.

Solomon Epstein

Há anos, o cientista marciano Solomon Epstein pesquisava para melhorar a eficiência do motor de naves. Ele descobriu que ele havia sucedido, para além dos seus sonhos mais loucos.

Seu veículo acelerou a uma velocidade maior do que qualquer tecnologia humana que veio antes, velocidades que apenas poderiam ser medidas como frações da velocidade da luz.

Tragicamente, a aceleração incontrolável da nave colocou Epstein sob tamanha pressão que ele não conseguiu levantar sua mão para desligar os motores. Telescópios na Terra e em Marte assistiram a nave de Epstein seguir em direção aos limites do Sistema Solar e além.

Apesar de Epstein e seu novo protótipo terem desaparecido para sempre, ele havia deixado planos para o que se tornaria conhecido como o Motor Epstein em seu computador. Sabendo que não conseguiria manter esses segredos por muito tempo, Marte escolheu entregar os planos às Nações Unidas em troca de sua independência.

Marte formou seu próprio governo, a República Parlamentar Marciana, e algumas de suas primeiras naves equipadas com o Motor Epstein foram aquelas pertencentes à nova Marinha da República Parlamentar Marciana.

O Cinturão e os Planetas Exteriores

O Motor Epstein não colocou apenas Marte e Terra no mesmo nível político e militar, mas também resolveu as pressões de angariar recurso ao abrir novas fronteiras no Sistema Solar.

Patrulhas e expedições científicas aventuraram-se para a maioria dos corpos no sistema, os anúncios de primeiros passos dados em mais um mundo logo se tornaram uma notícia rotineira. Mas a principal fronteira para a primeira onda de expansão foi o Cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, onde cada vez mais materiais raros podiam ser encontrados em abundância.

O resto da história passa a envolver incontáveis nomes de políticos, corporações, investidores e negociantes em todos os níveis. Formando incontáveis cidades-colônias por todo o Sistema Solar, até a chegada da Protomolécula.

A Protomolécula

Uma equipe de pesquisa científica marciana em missão de rotina para explorar as luas de Saturno fez um pouso em Febe. Retirando amostras do núcleo para ver se poderiam extrair gelo dessa lua, assim como foi dos anéis do planeta, os cientistas encontraram anomalias de silicato.

Para investigar o mistério, a República Parlamentar Marciana contratou a corporação Protogen, que passou a operar as instalações de pesquisa na lua.

O plano da Protogen de investigar o poder da protomolécula foi rápido e implacável. Primeiro, eles prenderam seus colegas cientistas marcianos em um laboratório em Febe e os expuseram à protomolécula.

Quando isso falhou em prover informações suficientes, dada a falta de material genético para a protomolécula transformar, a Protogen destruiu a estação para esconder seus rastros, culpando a Aliança pelo estrago.

A Protomólecula à solta

Então, eles incriminaram Marte por um ataque a uma nave da Terra, para incitar tensão entre os dois planetas e distraí-los, até que foi tarde demais. Montando um laboratório secreto na estação de Eros, no Cinturão, eles soltaram a protomolécula na população a bordo.

Finalmente livres para prosseguir com seus planos, a máquina molecular alienígena transformou de forma dolorosa e horrível um milhão e meio de pessoas dentro da estação.

Após diversos conflitos, a Terra estava sob sério risco de existência sendo alvo de um asteroide, até que foi poupada por duas pessoas. Uma jovem moça desaparecida que havia sido uma das primeiras vítimas da protomolécula, a “semente de cristal” de seu crescimento em Eros, e o detetive cinturano contratado para encontrá-la.

Apesar de ambos terem sido absorvidos pela protomolécula, juntos eles conseguiram ter influência suficiente sobre ela para guiar o asteroide para uma queda de emergência em outro mundo no sistema: o inabitável planeta Vênus.

Nuvens pesadas surgiram sobre o lugar do impacto e a protomolécula continuou o seu misterioso trabalho em uma escala planetária. Dessa forma, ela ergueu Torres cristalinas misteriosas e criando luzes oscilantes e fantasmagóricas visíveis por sondas. Todos agora sabiam que a humanidade não estava sozinha na Expansão.

O Sistema AGE

Não, não estamos falando de outro sistema espacial, mas sim do sistema de regras de The Expanse RPG é conhecido como Adventure Game Engine (ou AGE) System. Ele foi criado por Chris Pramas para o Dragon Age RPG, também traduzido pela Jambô Editora.

Resumindo bastante, o Sistema AGE consiste nas rolagens de 3d6 (3 dados de 6 lados), somando ou subtraindo o resultado com modificadores (bônus, penalidades, elementos no cenário, itens, habilidades) e comparando o resultado com o NA (Número-Alvo). Se o resultado final da rolagem for igual ou maior do que o NA, o teste é bem-sucedido. Caso contrário, é uma falha.

Além disso, 1 dos seus 3d6 deve se diferenciar dos demais, por ser denominado Dado de Drama, responsável por determinar o nível do sucesso e permitir o feito de façanhas além do costumeiro.

Além disso, os d6 também são usados para determinar outras rolagens como dano causado por armas.

Os Encontros

The Expanse divide suas cenas em 4 categorias de encontros:

Encontros de Ação

Costumam ser combates ou perigos semelhantes. Assim como na maioria dos RPGs, cada personagem faz seus testes de iniciativa e age de acordo com suas habilidades, usando suas ações para atacar, fugir, se defender, etc. Na maioria dos encontros de ação, os NA dos testes costumam ser determinados pelos adversários em testes opostos ou testes para acertar o alvo.

Para isso, o Sistema AGE conta com 3 tipos de ações:

  • Ações Maiores: Uma ação maior requer um esforço concentrado, geralmente afetando alguma coisa ou outra pessoa e exigindo um teste de habilidade. Dar um soco em um oponente, tentar abrir uma trava no meio de um tiroteio e prestar primeiros socorros a um aliado ferido são exemplos de ações maiores.
  • Ações Menores: Uma ação menor não é tão complicada quanto uma ação maior, mas ainda representa um esforço deliberado por parte do personagem e geralmente funciona automaticamente, sem nenhum teste envolvi</span&gt;do. Coisas como correr para uma nova posição, pegar um item de um recipiente ou recarregar uma arma são exemplos de ações menores.
  • Ações Livres: Uma ação livre leva um tempo insignificante e não conta para seu limite normal de ações. As regras informam quando algo é uma ação livre. O mestre pode limitar o número de ações livres que você pode realizar, se não for realista realizá-las todas na sua vez. Você pode falar como uma ação livre, por exemplo, mas como uma rodada dura apenas 15 segundos, o que pode ser dito nesse tempo é limitado.

Encontros de Exploração

Os encontros de exploração não colocam necessariamente a vida dos personagens em perigo e, uma vez que acontecem principalmente no tempo da narrativa, não exigem tantas regras detalhadas quanto o combate. Na maior parte das vezes, os encontros de exploração podem ser resolvidos por meio da interpretação, da descrição da situação ou usando testes avançados (testes mais complexos do que só jogar contra um NA).

Nesses encontros, é possível realizar façanhas e lidar com perigos do cenário. Como em cenas de filmes onde a protagonista sobrevive a um desmoronamento enquanto descobre um artefato perdido.

Encontros Sociais

Encontros sociais envolvem interações entre pessoas e frequentemente se combinam com encontros de exploração ou ação. Bem como se encaixam entre eles. Uma investigação pode exigir entrevistas, e o combate pode parar ou começar quando uma única palavra crítica é proferida.

O mestre pode conduzir encontros sociais como um exercício de interpretação pura, sem regras. Ele desempenha o papel de quaisquer PNJs (Personagens Não Jogadores), enquanto você fala como seu personagem ou diz ao mestre o tipo de coisas que gostaria que seu herói dissesse.

Contudo, existem regras para estes encontros que não pretendem atrapalhar a interpretação. Essas regras, na verdade, oferecem inspiração para cenas sociais, alinhar o diálogo improvisado com os objetivos da história e otimizar as interações que poderiam ser estranhas ou maçantes de outra forma.

Interlúdio

Os encontros são em grande parte conduzidos pelo mestre, que apresenta aos jogadores uma situação e, em seguida, julga as ações dos personagens. Já os interlúdios são em grande parte conduzidos pelos jogadores.

Esses são segmentos de tempo ocioso entre os encontros na narrativa do jogo. Momentos de descanso, recuperação de energias, papo sem compromisso, diversão etc.

Considerações e Despedidas

The Expanse RPG é um jogo excelente e muito completo que pega você pela mão, mesmo que nunca tenha jogado RPG ou consumido sci-fi. Ele apresenta com calma e muita estética visual as regras e o universo que você irá experimentar.

Se você está buscando uma experiência completa de ficção científica, ação e conflitos políticos, The Expanse RPG é o seu jogo!


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Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo PIX ou através do Catarse!

Assim, seja um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos como participar de mesas especiais em One Shots, de grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG.

Além disso, o MRPG tem uma revista! Conheça e apoie pelo link: Revista Aetherica.

Texto: Miguel Souza
Revisão: Raquel Naiane.

The Expanse – Guia de Criação de Personagem

The Expanse é uma série de televisão estadunidense criada por Mark Fergus e Hawk Ostby, baseada na série literária de mesmo nome de Daniel Abraham e Ty Franck. Ambos escritores que faziam uso do pseudônimo James S. A. Corey, ambientada em um cenário sci-fi (ficção científica) de colonização espacial.

Baseando-se nessa produção, The Expanse RPG foi criado por Steve Kenson e equipe através da Green Ronin Publishing em 2019 e traduzido pela Editora Jambô em 2021, contando com pessoas de renome como Flávia Gase e Gilvan Gouvêa.

Este artigo tem a intenção de apresentar a Criação de Personagem de The Expanse RPG (com uma personagem de exemplo). Se você não conhece o jogo, dê uma olhada na Resenha antes de ler este artigo.

Passo 1: Conceito

Defina o tipo de personagem que está interessado em interpretar. Converse com o mestre e os outros jogadores em seu grupo sobre o conceito de seu personagem e como ele se encaixará no tipo de jogo que o mestre pretende conduzir e nos tipos de personagens que os outros jogadores desejam criar.

Tea Soora Garner

A personagem que pretendo criar, terá o conceito da cientista mecânica estressada, capaz de revolucionar a pesquisa de motores Epstein.

Passo 2: Habilidades

Os personagens de AGE System são definidos por 9 habilidades. Elas são pontuadas em uma escala numérica de –2 (muito ruim) a 4 (excelente). Um valor 1 é considerado a média para Personagens Jogadores e outras pessoas extraordinárias. 0 é a média para indivíduos comuns, o tipo de pessoa que evita aventuras.

As habilidades são:

  • Combate: capacidade e proeza do seu personagem no combate corpo a corpo, variando de uma briga a empunhar armas.
  • Constituição: saúde geral do seu personagem, sua fortitude e resistência a danos, doenças e fadiga.
  • Força: força muscular pura e a habilidade de aplicá-la, desde levantar coisas pesadas até feitos de atletismo.
  • Comunicação: abrange as capacidades sociais, fazer amigos e influenciar pessoas de forma geral.
  • Destreza: cobre a ligeireza, agilidade e tempo de reação, afetando a rapidez e a graciosidade com que você se move.
  • Inteligência: mede o raciocínio, a memória, a resolução de problemas e o conhecimento geral de um personagem.
  • Percepção: habilidade de captar e perceber coisas usando os sentidos do personagem.
  • Pontaria: mede a mira, sua capacidade de acertar alvos com armas à distância ou de arremesso.
  • Vontade: mede o autocontrole, a autodisciplina, a resiliência mental e a confiança.

Você pode determinar os 9 valores para colocar 1 em cada habilidade de forma aleatória (role 3d6 e some os números para obter um resultado de 3 a 18, repita até ter 9 resultados e compare-os com uma tabela para obter os 9 valores) ou comprando os 9 valores de uma tabela para evitar um personagem com números muito aleatórios.

Tea Soora Garner

Usando a tabela de compras e me baseando no conceito da personagem, Tea terá as seguintes habilidades:

  • Combate: 0
  • Constituição: 0
  • Força: 1
  • Comunicação: 0
  • Destreza: 2
  • Inteligência: 3
  • Percepção: 2
  • Pontaria: 2
  • Vontade: 2

Passo 3: Origem

À medida que a humanidade se espalhou por todo o Sistema, seu lugar de origem tem um efeito cada vez maior sobre quem você é. Existem pessoas para quem a Terra é apenas uma história distante sobre a qual ouviram falar ou viram nas telas, que nunca tiveram a experiência de estar ao ar livre sem um traje de vácuo.

A origem irá conceder algumas características pessoais resultantes da gravidade e ambiente de onde veio, além de seu idioma nativo.

Tea Soora Garner

Considerando seu conceito, Tea será Marciana, crescida sob os estudos acadêmicas do motor Epstein. Sua gravidade nativa é baixa, a gravidade de Marte em vez da Terra. Os marcianos se sentem mais confortáveis com a microgravidade do que os terráqueos e mais capazes de tolerar 1 g total do que os cinturanos, operando no meio-termo.

Passo 4: Antecedente

Os personagens não surgem do nada, totalmente formados. Suas histórias começam em algum lugar, e eles tiveram uma vida e experiências antes do início da história contada na mesa de jogo. Esse é o antecedente do personagem. Antecedentes são intencionalmente amplos. Eles dão espaço para decidir exatamente o que um determinado antecedente significa no contexto da história do seu personagem.

Os antecedentes têm o objetivo de oferecer inspiração quanto à história, início da vida e personalidade, além de oferecerem diversos benefícios:

  • +1 em um valor de habilidade.
  • A escolha de um foco de habilidade (um foco de habilidade é uma especialização dentro de uma habilidade que, quando usada, faz com que a habilidade seja considerada 2 pontos acima como bônus).
  • A escolha de um talento.
  • Uma rolagem em uma tabela de benefícios para o antecedente, concedendo um benefício adicional.
Tea Soora Garner

Rolando na tabela de Classe Social, Tea é de Classe Alta e seu antecedente, também determinado por uma rolagem, foi Corporativa. Com isso, ela recebe:

  • +1 em Comunicação (aumentando de 0 para 1).
  • Foco em Inteligência (Negócios).
  • Talento Contatos.
  • +1 em Inteligência (aumentando de 3 para 4).

Passo 5: Profissão

A profissão do seu personagem descreve o que ele faz, sua vocação, treinamento e, frequentemente, como ele ganha a vida.

A profissão oferece os seguintes benefícios:

  • Escolha de um foco de habilidade.
  • Escolha de um talento.
Tea Soora Garner

Sendo de Classe Alta, Tea passa a exercer a profissão escolhida de Especialista, sendo sua área a de Engenharia de Motores. Com isso ela recebe:

  • Foco em Inteligência (Engenharia de Motores).
  • Talento Sabe-Tudo.

Passo 6: Motivação

A motivação do seu personagem descreve o que o leva a agir, a dizer “sim” a uma oportunidade. Assim como um motor Epstein em uma nave, a motivação é o que faz seu personagem seguir em frente. A motivação dá a você dicas de ações como jogador e fornece ao mestre “ganchos” para encorajar seu personagem a agir.

A motivação do seu personagem oferece os seguintes benefícios:

  • Uma das seguintes melhorias: Destino (aumento de +5), Filiação (nível 1), Renda (aumento de +2), Relação (nível 1) ou Reputação (um honorífico).
  • Uma qualidade e uma falha. Isso ajuda a guiar a interpretação e as escolhas de seu personagem.
  • A escolha de um talento específico. Eles são fornecidos na descrição da motivação.
Tea Soora Garner

Ela tem a motivação de levar o ser humano ainda mais longe. Tea acredita que Marte é apenas o começo e mais planetas devem ser colonizados para que seu planeta não tenha o mesmo destino da Terra superpopulosa e poluída. Por isso, sua motivação será Realizadora. Essa motivação concede:

  • Reputação (um honorífico de Doutora).
  • A qualidade Ambição (saber o que quer e ir atrás disso).
  • A falha Obsessão (ficar muito focado em seus objetivos e incapaz de ver qualquer coisa ou qualquer um).
  • O Talento Especialização em Inteligência (Engenharia Espacial).

Passo 7: Renda e Equipamentos

Para preparar seu personagem para a aventura, determine a Renda com base na profissão com modificadores de antecedente, talentos e motivação. Além disso, receba alguns equipamentos básicos e use a renda para adquirir mais itens.

Tea Soora Garner

Segundo a tabela de sua Classe Social, seu valor de Renda é 6, sendo considerada Abastada e recebendo +6 em testes de Renda para adquirir itens que desejar se for sair em uma missão.

Passo 8: Habilidades Secundárias e Destino

Calcule a Defesa, Deslocamento e Resistência do seu personagem, com base nos valores de habilidade e modificadores da profissão e talentos, e o Destino, com base nas melhorias adicionadas pela motivação.

Tea Soora Garner

Suas habilidades secundárias, após os cálculos, ficariam:

  • Defesa 12.
  • Deslocamento 12.
  • Resistência 0.
  • Destino 15.

Passo 9: Objetivos e Ligações

A motivação de um personagem é o que o leva em frente. Os objetivos do personagem são o que ele está buscando. Ele também tem ligações com outras pessoas. Considere os objetivos de seu personagem e quais ligações ele pode ter com outros personagens do grupo.

Tea Soora Garner

Seguindo as orientações do livro, Tea teria:

  • Objetivo de Curto Prazo: Ter acesso a novas fontes de energia.
  • Objetivo de Longo Prazo: Desenvolver um motor mais eficiente do que o motor Epstein.
  • Ligações: Tea ainda não possui outros personagens jogadores para ela interagir, mas seguindo o livro, ela deveria determinar uma ligação em comum com cada personagem jogador (um gosto, um evento, uma opinião etc.).

Passo 10: Nome e Descrição

Por último, qual é o nome do seu personagem e como ele é?

Tea Soora Garner

O nome eu acabei determinando antes e sua aparência seria semelhante a da Tea Gardner, personagem de Yu-Gi-Oh!

Considerações e Despedidas

Eu gosto muito da criação de personagem de The Expanse RPG, pois vários elementos estão diretamente ligados com o cenário político, social e financeiro do universo. Não se trata apenas de determinar no que ele é bom ou não, mas onde ele se encontra nessa complexa sociedade sci-fi e claro, para onde ele vai, seja com seus objetivos ou fracassos.


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Além disso, o MRPG tem uma revista! Conheça e apoie pelo link: Revista Aetherica.

Texto: Miguel Souza
RevisãoRaquel Naiane.

Ecos da Fantasia parte 1 – Resenha

Ecos da Fantasia – nossa resenha sobre um livro-jogo, nacional, com 10 aventuras, cada uma de um autor diferente, com 50 passagens cada uma. Deixe a Fantasia Ecoar!

Livro-jogo – Ecos da Fantasia – Ficha Técnica

  • 256 páginas, com dez histórias interativas – uma delas, em inglês
  • Autores: Athos Beuren, Newton Nitro, Edilaine Vieira Lopes, Pedro Panhoca da Silva, Jeferson Schaefer, Vitor Coelho, Caroline Paseto Sulzbacher, Eduardo Beuren, André Wagner da Silva e o autor mirim Matteo Garcia Baum
  • Ilustrações de Gabriel Fonseca e design gráfico de Daielyn Cris Bertelli
  • Autografados por Athos Beuren
  • Editora Independente
  • publicação de 2024

Ecos da Fantasia em números

Projeto de sucesso no catarse, com arrecadação de 11.285 reais, (112% da meta) e 115 apoiadores, em 16/10/2024

Em Ecos da Fantasia…

…Você precisa de dados de 6 faces, (ou você pode usar um aplicativo de simulação de dados), papel e lápis.

Claramente inspirados na série de livros jogos Fighting Fantasy. Mas com algumas modificações nas regras.

São no total 500 passagens, é como se você tivesse vários livros jogos num só. E mesmo com regras valendo para todas as aventuras turas, cada uma delas tem uma ambientação e “sabor ” bem diferentes.

Assim, falemos sobre a primeira aventura…

Xadrez com a morte no lado escuro da lua…

de Athos Beuren, foge do lugar-comum de livros-jogos, com uma ambientação de ficção científica e terror, no lugar da clássica fantasia medieval. Achei um grau de dificuldade um pouco alto demais, mas não frustrante.

Por outro lado, isto fez um contraste gostoso com a aventura seguinte…

Zigurate da Chama Viva, onde…

Precisamos invadir uma pirâmide inca (ou azteca?) para salvar crianças capturadas da nossa aldeia. Somos uma guerreira, com um histórico que é utilizado em pelo menos um desafio da Estória. Há muito eu queria jogar algo do Newton Nitro, e esta aventura supriu essa vontade. 

Pontos fortes de Ecos da Fantasia 

  1. Você tem uma experiência de jogo e literatura de uma vez só.
  2. As aventuras curtas, com 50 passagens, permitem uma experiência completa num tempo curto, com início, meio e fim.
  3. Ideal para iniciar no universo de RPGs e livro jogos, especialmente jovens leitores.
  4. Achei excelente para levar em viagens.

Entretanto, temos pontos fracos de Ecos da Fantasia?

  1. Se você quer uma experiência mais longa ou profunda, não é aqui. Não que seja ruim, mas a “censura 12 anos” limita um pouco a s opções narrativas.
  2. Rejogabilidade boa, mas limitada, claro.
  3. A primeira aventura, Xadrez com a morte no lado escuro da lua, tem uma ou duas passagens que pediram demais da minha suspensão de descrença. Mas minha filha de 14 anos adorou.
  4. Há uma pequena falha nas regras. Para definirmos sua confiança, gastamos 1 crédito, num momento do texto, mas no resumo, gastamos 2 créditos. Qual está correto? Oras, o livro é meu, eu escolhi o que achei melhor – Buahahahaha! Parte da aventura!

Minha impressão pessoal…

É que este é um livro-jogo de um autor brasileiro experiente, que teve a (feliz) idéia de convidar outros autores para uma coletânea de fantasia. No fim das contas, são 10 autores!

Gosta de livros-jogos? Quer introduzir uma criança ou adolescente no hobby, afastando das telas? Está aqui uma boa oportunidade. E ainda fomenta os escritores nacionais.

Em breve, jogarei as outras aventuras que me aguardam, e farei a parte 2 da resenha.

C‌urtiu? Quer adquirir o livro jogo? Então clica em Ecos da Fantasia 

Até breve, que os Ecos da Fantasia também ecoem na sua alma, exploradores! 

Temos outras resenhas, aqui no movimentoRPG. Quer checar aqui? E nosso podcast, já conhece? Escuta aqui!


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Venha pilotar o seu próprio Robô: Lancer RPG

Seja um Lancer e traga o progresso

Acho que posso falar com uma certa propriedade que dificilmente alguém em nosso hobby simplesmente vive sem ter tido contato com ao menos algum tipo de conteúdo sobre o gênero mecha, aquele mesmo sobre robôs gigantes lutando com monstros ou outros robôs gigantes, e gostando ou não do gênero, é impossível negar que jogar com um desses em nossas mesas de RPG seria no mínimo, divertido de mais!! Mas e se eu dissesse a vocês que existe um sistema para jogar esses tipos de histórias, e ele se chama Lancer RPG?

 

 

Vivendo na Ficção Cientifica utópica

 

O ano é 5016, 11 mil anos após a Queda, uma série de eventos catastróficos que levariam a humanidade a viajar pelas estrelas atrás de uma nova casa, enquanto os humanos deixados à sorte criariam A União, uma organização internacional responsável pela unificação de Cradle (Antiga Terra), e também a tentativa de reestabelecer contato com as naves colônias enviadas antes da Queda, sob o comando dos posteriormente batizado Primeiro Comitê. O estabelecimento de contato com as naves levaria à descoberta que as mesmas  haviam se estabelecido em planetas e construindo sociedades soberanas em sistemas diversos da galáxia.

Embora a União tivesse sido fundada sob a missão de prezar pela preservação da humanidade, em sua segunda encarnação, O Segundo Comitê como ficaria chamado, entraria em práticas expansionistas militaristas na esperança de controlar esses novos sistemas independentes, o que seria mal-visto dentro de sua própria esfera de influência, levando a uma guerra civil nos sistemas controlados da União, se encerrando com a rendição do mesmo e a formação do Terceiro Comitê

Lancer possuí uma variedade bastante única de robôs gigantes

É nesse momento que a história do RPG se passa, os jogadores são Lancers, indivíduos extremamente capazes vindo dos planetas membros da União sob a missão de trazer outros planetas para a organização através de missões diplomáticas e pacíficas, em missões envoltas de intrigas políticas, reviravoltas e claro, Robôs Gigantes!!

 

Lutando por um futuro melhor

Em questões mecânicas, Lancer se divide em duas partes: Seu modo narrativo e o modo tático. No modo narrativo, os jogadores controlam os pilotos nos interlúdios entre encontros, resolvendo todos os conflitos em simples testes usando 1d20 contra uma dificuldade 10, permitindo mestres focar fortemente na narrativa nesse modo, tudo isso para criar o contexto para a estrela do show: O modo tático, nele, controlamos nossos mechas em um sistemas que traz muitas inspirações de Dungeons & Dragons 4ª Edição e alguns Wargames, aonde posicionamento e sinergia de habilidades é primordial para enfrentar as missões de Lancer que diferentemente dos RPGs comuns, se apoia em uma estrutura de missões com objetivos claros que variam de controlar pontos específicos do mapa, conseguir ir para áreas especificas ou proteger algum NPC ou item até um local especifico do mapa, criando assim uma grande variação de missões para os jogadores.

 

Que tal um robô cowboy pra os fãs de Westerns?

 

Quando o futuro chega?

 O Financiamento Coletivo da versão brasileira de Lancer no Catarse começa já no dia 11 de Fevereiro, mais como conhecido como hoje mesmo!, então já apertem seus cintos, liguem suas armas, seus jetpacks e se preparam para levar a humanidade à sua utópia, vocês estão preparados?

Trafalgar – Biblioteca Arkanita

Esta semana, a iniciativa da Biblioteca Arkanita apresenta o cenário Trafalgar, criado por Hadrian Marius. Este cenário inovador propõe uma visão combinada entre fantasia e ficção científica, no termo science fantasy, ou fantasia científica.

Conteúdo do netbook

  • Uma Galáxia em Movimento, introduzindo o cenário da campanha como sendo a galáxia chamada Trafalgar, e narrando parte de sua história desde a dominação de uma civilização chamada Neherenia, passando pela libertação das civilizações evoluídas dos Elfos, Anões e Basteth, a guerra contra os Orcos, a invocação dos demônios-sombra Bergahazza, a chegada dos Humanos e o contato com os Tricera e os povos bárbaros goblinóides.
  • Criação de Personagem, com as instruções de criação de personagem no cenário de Trafalgar utilizando o Sistema Daemon.
  • Perícias e Aprimoramentos, introduzindo novas perícias relacionadas a um cenário futurista espacial, assim como a lista de todas as perícias e aprimoramentos recomendados para jogar em Trafalgar.
  • Kits de Personagem, apresentando os kits Curandeiro, Guerreiro, Caçador de Recompensas, Cavaleiro, Ladrão, Explorador, Pirata/Corsário Espacial, Psiônico, Mecânico e Mercador.
  • Raças de Trafalgar, com as regras para se jogar com as raças dos Elfos, Anões, Humanos, Goblins, Basteth e Tricera.
  • Psi, reapresentando as regras para Poderes Psiônicos para o Sistema Daemon, explicando com mais foco no cenário de Trafalgar.
  • Pontos Heroicos, descrevendo o uso de Pontos Heroicos em aventuras em Trafalgar.
  • Equipamentos, listando de forma sucinta as armas brancas, armas de energia, armas de arremesso, trajes dérmicos, cibernéticos e veículos em Trafalgar.
  • Viagem Espacial, apresentando para o Sistema Daemon regras mais aprofundadas sobre viagens interplanetárias e combate entre veículos espaciais.
  • As Doze Nações, introduzindo os reinos humanos espalhados pela galáxia de Trafalgar, bem como outros mundos como Rhotundaa, Thantallas e Vosthok. Esta seção também apresenta a Igreja Antioquena, a Ordem dos Cavaleiros da Cruz, os Adeptos de Esiris, a Guarda Espacial e a Companhia das Índias Orientais.
  • Bestiário, com uma pequena lista de ameaças mais comuns em aventuras em Trafalgar: Bergahazzas, Hobgoblins, Orcos, Trolls, Lobos Dentes de Sabre, Crocodilos de Maanayn, Vermes de Areia, Cockatrices, Falcões Galaad e Criaturas de Vácuo (Mantas Espaciais, Jovhianllualas, Octopuplutans e Predadracos).

Você pode baixar este netbook aqui mesmo na Biblioteca Arkanita. Clique aqui para iniciar o download do netbook. E continue acompanhando as postagens semanais da Biblioteca Arkanita para outros grandes netbooks como Trafalgar!

Você pode também nos ajudar a movimentar o RPG fazendo parte do nosso Patronato. Mas se não puder, tudo bem! Venha fazer parte da nossa comunidade, começando pelo YouTube por exemplo.

Space Dragon – Guia de Criação de Mundos

Uma das coisas mais legais de campanhas de ficção científica vintage é a possibilidade de explorar planetas estranhos com lógica duvidosa. Uma das coisas mais legais dos RPGs oldschool são as tabelas de coisas aleatórias. Space Dragon conseguiu unir essas duas coisas de um jeito bem legal. Vamos falar um pouco sobre isso.

Flutuando em uma lata de estanho

As regras para criação de planetas começam na página 193. São várias tabelas que podem dar uma grande variedade de resultados. Vamos passar por cada uma delas enquanto criamos um planeta de exemplo.

T11-5: Superfícies

A primeira tabela descreve aspectos bem gerais, incluindo descrições da fauna, flora e temperatura padrão, porém, fauna e flora também podem ser jogadas separadamente depois. Vamos usar as duas: a desta tabela será uma visão geral do planeta, enquanto a próxima será a região específica onde a tripulação irá pousar.

Rolamos 4 no nosso d10. Isso nos dá um planeta com superfície vulcânica, com répteis habitando o lugar, líquens como opção de alimentação padrão para estas criaturas e temperatura altíssima.

Outro método para criar mundos alienígenas legais é tentar descrever qualquer ilustração do Roger Dean.

T11-6: Atmosfera

A atmosfera pode ser ou não respirável e gerar efeitos colaterais prejudiciais para uma população despreparada, principalmente se eles foram obrigados a fazer um pouso forçado. É importante lembrar que, mesmo se rolarmos aqui uma atmosfera imprópria,  precisamos encontrar uma justificativa para a presença das criaturas que já estão no nosso planeta, como bolsões de ar respirável, cavernas habitáveis ou algo assim.

Com resultado 1 em 1d10, tivemos a sorte (ou melhor: os jogadores tiveram) de ter uma atmosfera padrão, com ar respirável. Também não precisamos nos desdobrar para conseguir explicar resultados muito bizarros ou discrepantes, que sempre pode ser complicado se estivermos fazendo isso no meio da sessão.

T11-7: Fauna

A tabela T11-5 nos deu uma visão geral do nosso planeta, mas aqui vamos conseguir algo mais específico para a região onde a nave dos jogadores pousou. Isso pode ajudar a trazer diversidade para o planeta, principalmente se você caprichar na descrição.

Dessa vez, os dados nos trolam, e com resultado 1 em 1d6, temos um maravilhoso grupo de mamíferos terrestres! Em um planeta vulcânico extremamente quente! Bom… no nosso planeta, camelos e jerboas são exemplos de mamíferos que conseguem tolerar boas quantidades de calor. Então, teremos aqui um grupo de ratinhos parecidos com jerboas que são implacavelmente caçados pelos lagartos grandões que dominam o lugar.

T11-8: Flora

A flora padrão do planeta são líquens, mas, como definido anteriormente, vamos usar essa tabela para tentar conseguir alguma diversidade para nosso planeta, com biomas diferenciados para a região onde o grupo de personagens se encontra. Novamente, capriche na descrição.

E, claro, os dados nos trolam novamente com um 6. Flora predominante inexistente. Já definimos que os lagartões caçam os ratinhos, mas os ratinhos comem o quê? Vamos usar nossa criatividade e poder de mestre para botar mais um passo nessa cadeia alimentar: Há vários insetos que se alimentam dos líquens que crescem na superfície rochosa do nosso planeta vulcânico. Esses insetos vão servir de alimento para nossos ratinhos e ajudar a dar uma diversidade para esse ecossistema bizarro.

Até agora, nosso planeta é praticamente um cenário de tokusatsu.

T11-9: Sociedade

A cereja do bolo: aqui definimos os habitantes inteligentes que nossos aventureiros espaciais vão encontrar. A tabela não nos dá raças ou espécies humanoides, apenas a forma básica de organização social. Podemos escolher uma raça alienígena que combina com as características do planeta que criamos até agora.

Naturalmente, homens-lagarto combinam bem com o cenário. Então, os repto-sapiens da página 220 serão nossa raça básica. Claro que poderíamos usar qualquer outra ou até inventar uma. Com 1 em 1d8, descobrimos que eles se organizam em uma monarquia. Teremos um grande rei-lagarto no centro da sociedade. Essa é a parte mais legal de inventar, e possivelmente é onde os PJs mais vão gastar seu tempo.

Nosso planeta terá uma monarquia religiosa, onde um sacerdote serve de porta voz para um lagarto gigante que serve como rei. O lagarto gigante possui mente e vontade próprias, mas se comunica apenas com o sacerdote.

Os outros homens e mulheres-lagarto trabalham cultivando líquen e criando répteis e outros animais que servem como a base do sustento da sociedade. Eles conseguem minerar e forjar metal, mas a base de sua tecnologia é a rocha vulcânica, que aprenderam a moldar em grandes estruturas.

Nome e Descrição

O livro sugere um nome pseudocientífico baseado na nossa rolagem: HL-41161. Por outro lado, os homens-lagarto que habitam o lugar certamente possuem língua própria e nomes mais naturais para as coisas que estão ao seu redor. Esse ponto se resume a aparar as arestas usando seu poder de mestre e preencher os detalhes que faltam. Você também pode usar o que foi sorteado até aqui para criar uma tabela de encontros aleatórios. Algumas sugestões que estão no livro básico: aranha gigante, crocossauro (com alguma mudança de descrição para adaptar ao ambiente rochoso), dragão venusiano, formigácida, gigantossauro, homem-lagarto (para grupos de bandidos errantes), lagarto do deserto e monstro de lava.

Vocês finalmente chegam ao planeta HL-41161, também conhecido como Planeta Arktar por seus habitantes. Segundo o computador de bordo, o rei Arktar é um lagarto-gigante centenário que só se comunica com seu sacerdote, Okdar. Mesmo assim, a população confia nos religiosos e segue sua vida em paz. O ambiente vulcânico é hostil, por isso a maioria dos repto-sapiens vive em cavernas, onde constroem incríveis cidades usando rocha vulcânica, que aprenderam a trabalhar enquanto ainda está quente, criando uma arquitetura única. Eles sobem à superfície apenas para trabalhar em suas fazendas durante a noite, quando o clima é mais ameno. Eles criam grandes lagartos para tração animal, bem como mamíferos menores e insetos para servir de comida. 

Fun fact: eu uso o rolador de dados do Google enquanto escrevo esses tutoriais.
Fiz a mesma coisa no Guia de Criação de Personagens.

Por fim

Criar mundos únicos para Space Dragon parece desafiador a princípio, mas é mais simples e divertido do que parece. Algumas referências científicas sem dúvida podem ajudar, mas não precisa ser uma grande preocupação, já que a maior referência são aqueles ficções científicas meio galhofentas dos anos 50 e 60. Se você leu até aqui e ainda não sabe do que estamos falando, veja a página oficial ou nossa resenha.

Bom jogo a todos!

Space Dragon – Guia de Criação de Personagem

Então você quer construir um personagem de Space Dragon, certo? Se aventurar pelo espaço em naves esquisitas, atirar em alienígenas verdes de capacete redondo com armas laser que fazem “tzíun” e descobrir ruínas marcianas habitadas por dinossauros espaciais? Chegou o seu momento!

Atributos

A primeira coisa a fazer é rolar seus atributos. Space Dragon lembra bastante o D&D clássico, mas os atributos são ligeiramente diferentes. Eles são Força (For), Destreza (Des), Constituição (Con), Intelecto (Int), Ciência (Cie) e Comunicação (Com). Os atributos são rolados com 3d6 e distribuídos como quiser. Para uma experiência mais oldschool, você pode rolar os atributos na ordem, o que é sempre divertido.

Gortak é o nome do nosso personagem. Como gostamos de viver perigosamente vamos rolar na ordem e ver o que o destino nos sugere: 7, 12, 13, 15, 9 e 11. Isso nos dá For 7, Des 12, Con 13, Int 15, Cie 9 e Com 11. Inteligente, porém pouco versado nos conhecimentos da ciência.

Se você nunca fez um personagem oldschool usando esse método, experimente.
O resultado pode te surpreender.

Espécie e Classe

São três espécies para escolher: Humano, Mutante e Andróide. Humanos são… bem, os humanos de sempre. Andróides recebem boas resistências, mas não podem recuperar pontos de vista. Mutantes oferecem mutações variadas, que podem ser sorteadas em uma tabela. Perfeito para nosso exemplo oldschoo!

Gortak será um mutante. Isso nos dá duas mutações, uma boa e uma ruim, que sortearemos com 2d10. 7 e 2. Teremos Sentido Ampliado e Cognição Retardada. Sentido ampliado precisa ser sorteado em uma segunda tabela com 1d6. 3. Gortak terá um olfato superior ao comum.

As classes emulam o espírito do D&D clássico. Temos Cientista (mais ou menos como um clérigo, que pode inclusive esconjurar mortos-vivos desativar robôs), Cosmonauta (o guerreiro de Space Dragon), Gatuno (ladino) e Mentálico (como um mago, mas com poderes mentais).

Nosso 15 em Intelecto favorece a escolha de um Mentálico. Então, nesse caso, vamos com o óbvio. Temos 1d4 PVs e não podemos usar armaduras, mas nosso Intelecto 15 nos dá +2% de Alcance Mental, o que é ótimo.

Uma vez escolhida a classe, o próximo passo é anotar todos os valores secundários, como CP (Coeficiente de Proteção), JP (Jogada de Proteção), PV (Pontos de Vida), Movimento, Carga e quaisquer outras opções da classe escolhida. 

Mentálicos não podem usar armaduras, então nosso CP vai ficar em 11 mesmo. Por outro lado, começamos com dois Poderes Mentais de primeira grandeza. Disparo Mental e Provocar Sono parecem úteis.

“Melhor fazer o fortão ali dormir logo, pq minha CP 11 não vai aguentar esse tranco não.”

Equipamento

A parte de equipamento é simples. Cada classe nos dá uma quantidade de Créditos para gastar. Depois disso, basta usar as tabelas. Equipamentos são muito importantes em sistemas Oldschool, mas fique atento à quantidade de carga que seu personagem pode carregar.

Nossos míseros 2d4 nos rendem 40.000 Créditos. A Arma de Raios, única arma que podemos usar, nos custa mais da metade do dinheiro inicial. Mesmo assim é bom ter uma para não ficar parado quando não pudermos usar nossos poderes mentais (e para aproveitar o modificador de +1 da nossa Destreza). Porém, como não precisamos de armaduras, podemos investir um pouco em outros ítens que podem ser úteis: pegamos um bastão extensível, baterias, cantil, cobertor de sobrevivência, isqueiro, alguns bastões de luz descartáveis e um sinalizador. Com isso nos sobram 2.900 créditos para começar a aventura pelo espaço.

Detalhes e Background

Em termos de regras, nosso personagem está pronto, mas todos sabemos que personagens de RPG não são apenas regras, certo? Certo?! Então, se você não fez isso até agora, é hora de pensar nos detalhes que farão seu personagem único.

Gortak é um homem-cão. Ele, junto com algumas dezenas de outros mutantes, foram despejados em uma lua desabitada após uma série de experimentos falhos. Contrariando as expectativas, ele e os outros conseguiram sobreviver, tomando para si o nome de Cães de Calisto. Ele agora se aventura pelo espaço em busca de uma maneira de fazer seu povo melhorar de vida.

Ou clique aqui para baixar a ficha de Gortak em PDF.

Por Fim

Space Dragon é um jogo divertido, cheio de referências inesperadas e surpreendentes, e criar personagens para este sistema segue a mesma lógica. É mais importante gastar seu tempo procurando fazer um personagem único e inesperado do que tentar catar bônus em combinações poderosas ou justificar cada passo da vida de seu aventureiro (a menos que essas coisas também sirvam para contribuir com o clima e a diversão, é claro). Se você leu até aqui e ainda não sabe do que estamos falando, veja a página oficial ou nossa resenha.

Bom jogo a todos!

Duna finalmente ganhará um novo RPG em 2019

Apesar de não estar muito na moda hoje em dia, Duna é frequentemente mencionado como o romance de ficção científica mais vendido de todos os tempos.

Com uma nova tentativa de emplacar a franquia no cinema em 2020, com o filme de Denis Villeneuve, também foi anunciado o licenciamento do Duneverso pela Gale Force Nine, para criar jogos em diferentes mídias, incluindo um novo RPG de mesa com lançamento esperado para 2019.

Vai ser a primeira vez em quase duas décadas em que Duna ganha uma um lançamento oficial do tipo.

Um licenciamento cheio de complicações

O primeiro RPG baseado no universo foi anunciado ainda em 1996, quando a Last Unicorn Games comprou os direitos de uso da franquia.

Foram quatro anos de muitas complicações ligadas ao licenciamento da marca até que, após a empresa ser comprada pela Wizards Of The Coast, dona de títulos como Magic: The Gathering e Dungeons & Dragons, o livro básico Dune: Chronicles of the Imperium finalmente foi finalizado.

O módulo teve uma tiragem de apenas 3 mil cópias, uma edição limitada vendida principalmente em convenções de jogos como a Gen Con 33. As negociações de renovação de licenciamento foram infrutíferas, levando o jogo no sistema D20 a ser eventualmente descontinuado.

Um clássico da ficção científica

O primeiro livro do universo, Duna, foi lançado em 1965, vencendo o Hugo Award e o Nebula Award de melhor romance no ano seguinte. Frank Herbert, criador do universo, escreveu ainda mais cinco romances dentro da ambientação ao longo de vinte anos. E, após sua morte, mais treze foram escritos por seu filho Brian Herbert, em parceria com Kevin J. Anderson, além de vários contos e livros complementares.

A série se tornou uma grande marca, com lançamentos para várias mídias diferentes, inclusive uma incursão mal-sucedida nas telonas em 1984 dirigida por David Lynch.

A história completa já publicada cobre mais de 15 mil anos de disputas políticas e mudanças  sociais e tecnológicas.

O primeiro livro se passa 24.600 anos no futuro, muito depois da Terra já ter sido deixada de ser habitada, em um sistema de feudalismo interplanetário em que cada família tem controle sobre planetas.

Narra a história do jovem Paul Atreides, herdeiro da Casa Atreides, administradores do planeta desértico Arrakis, ou Duna. E é a única fonte conhecida da especiaria Melange, a substância mais valiosa do universo, e os conflitos políticos entre sua família e a Casa Imperial Corrino e a Casa Harkonnen.


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