Fuga de Lenórienn Parte 02 – A Quinta Estação

Fuga de Lenórienn Parte 02 é a segunda parte do segundo capítulo do romance “fan made” A Quinta Estação, escrita por Oghan e publicado no site do Movimento RPG. Para acompanhar a série completa, entre neste link. Caso você goste desta história compre as obras do autor clicando aqui clicando aqui! Caso você não tenha lido a primeira parte do conto, clique aqui!

Sinopse

O Exército do Reinado triunfou! Liderados por Sir Orion Drake, a coalisão de soldados, heróis e mercenários venceu onde era impossível vencer. Mas, nem só a Tormenta é uma ameaça para este mundo: A Aliança Negra, o Império de Tapista e muitos outros problemas precisam de heróis para enfrentá-los.

Nesta época de transformações, surge a Confraria dos Redentores, uma companhia mercenária especializada em proteger os mais fracos e impedir que o mal se espalhe (mais ou menos…).

Nesta nova parte da história, acompanhamos a luta de uma família élfica fugindo da ameaça da Aliança Negra.

Sobre o autor

Oghan é escritor de afrofuturismo e primeiro autor de steampunk do Brasil. Com seu romance O Baronato de Shoah, foi vencedor do Wattys 2018, e é autor de Os Oradores dos Sonhos, além de publicado na Revista Nigeriana Omenana Magazine e na MV Media nos Estados Unidos. Também tem seu nome gravado no legado de Arton através de um conto em Crônicas de Tormenta volume 2, e seu sonho é escrever o primeiro romance focado na Grande Savana.


Fuga de Lenórienn Parte 02

“A sentença é…” — Marlevaur jamais encerrou a frase, uma explosão eclodiu entre as árvores, jogando o elfo para o chão. No mesmo instante Taelandrane ergueu um escudo de proteção ao redor deles para protegê-los dos destroços que voavam por todo o lado.

“Juntem-se!” — ele ordenou aos guardas, que obedeceram sem questionar.

“Se isso for um de seus truques…” — Qyne começou a falar, mas Taelandrane o silenciou com o olhar.

“Você acha mesmo que eu atacaria meu povo, Qyne?” — Mantendo o campo de força, Taelandrane viu outras explosões emergindo na cidade junto a gritos de socorro e o alarme da milícia.

Desfazendo o campo, Taelandrane se aproximou da ponte de cordas. A cidade abaixo era coberta pelo alaranjado das chamas, gritos de guerra davam espaço ao choro de dor enquanto as máquinas goblinóides brotavam do chão ou explodiam as árvores com seus canhões.

Os olhos de Tae se arregalaram ao ver a máquina de guerra que liderava o ataque, era uma monstruosidade coberta de placas rebitadas, esporões e um grande tubo frontal que apontava em sua direção. Seu olhar se deparou com aquelas trevas e o coração disparou o alerta.

“Corram!” — Tae sabia que não ia ter tempo de recuar, então ele se jogou da ponte e invocou um feitiço de levitação.

O canhão disparou contra o prédio do tribunal explodindo-o com um único tiro. As risadas dos goblinóides ecoaram na mente de Tae, que continuava levitando em direção à sua casa. Um segundo disparo o desequilibrou e mais risos subiram onde estava.

Ele podia descer e atacá-los com magia, talvez até vencesse, mas havia uma criança o aguardando e ele deveria escolher por quem lutar naquele instante decisivo.

O terceiro disparo o desequilibrou ao ponto de cair dentro de uma taverna. Tae se ergueu ouvindo o barulho de espadas, dois goblins atacavam um soldado que protegia duas crianças de colo. A raiva tomou conta dele, fazendo-o atacar as criaturas pelas costas.

“Obrigado” — antes que ele pudesse alertar, o soldado pegou as crianças e correu para fora, Tae tentou acompanha-lo, mas novas flechas o fizeram recuar para dentro da taverna. Ele voltou para os fundos, onde encontrou uma janelinha de dispensa, saiu por ela e invocou o feitiço de flutuação mais uma vez.

Entretanto, a dor no braço e na coxa o impediram. Ele sentiu a energia mágica escorrer por seu corpo, um sinal que a desperdiçara quebrando o encantamento no meio. Irritado com a falta de disciplina ele procurou uma escada para prosseguir sua jornada.

Um grupo de goblinóides apareceu alguns metros adiante, um puxão o trouxe para dentro de uma das casas ao mesmo tempo em que a mão forte tapou sua boca.

“Quieto!” — apesar da tensão, era uma voz élfica — “Eles estão nos atacando como toupeiras.”

Tae balançou a cabeça em aprovação e foi solto vagarosamente. Virou-se para seu captor, uma elfa alta e forte portando um grande arco de prata.

“Preciso ir para casa, minha filha está me esperando” — ele queria ter mantido a severidade, mas a voz saiu chorosa. Quanto mais tempo perdia na jornada, menores as chances de Ezra ser salva.

“Eu vou com você, preciso me reunir com os demais.” — Shantalaria ajeitou a longa cabeleira loira e o arco, estava com poucas flechas, mas um tecido mágico a cobria.

“Você é uma arqueira arcana…” — Tae confirmou.

“Sim, me perdi do meu batalhão, você é Taelandrane, certo?” — ela não parecia irritada. A calma dos arqueiros arcanos, a elite dos soldados do reino, era lendária. Misturando arquearia com magia, eles representavam o mais puro ideal da cultura élfica.

“Sou.” — Tae respondeu timidamente. — “Como você sabe?”

“Sua fama o precede.” — Ela sorriu e o conduziu para outra ponte de cordas, queimada em um dos lados, mas íntegra o suficiente para sua passagem.

O chão abaixo deles se abriu, outra das máquinas brotou das entranhas da terra. Tae e Shantalaria pensaram em atacar, mas isso só irritaria os inimigos e os atrasaria. Mantiveram a cabeça fria, o sangue gelado e o percurso.

Os monstros saíam de dentro das máquinas atingindo os elfos despreparados com precisão cirúrgica. Apesar do receio do ataque, boa parte dos militares continuava subjugando a Aliança Negra e interpretando o rapto da princesa Tânia como um deslize que eles iriam reparar em breve.

E apesar das indagações do povo, Khilanas, o regente, se mantinha afastado das questões políticas e entregara o controle do reino nas mãos do Conselho. Tae, como membro deste conselho, continuava alertando, mas ninguém lhe dera ouvidos.

Agora, ouviam os gritos de morte e desespero.

“Onde está a deusa?” — Shantalaria murmurou em tom de exigência — “Onde está nossa mãe?”

“Quem se importa?” — Taelandrane correu pela ponte de cordas até a árvore ao lado, no caminho disparou dois dardos de energia mágica contra um hobgoblin que vinha de cipó.

Então Taelandrane e Shantalaria viram Thwor Ironfist.

Ele já ouvira falar da criatura, do general dos bugbears que derrotara os líderes tribais e incitara seu povo a ataques organizados. A criatura que transformava Leen, o deus da morte, em Ragnar, o deus dos bugbears – apagando sua faceta necessária e inteligível.

Orcs, goblins, ogros e até monstros maiores o seguiam. As profecias diziam que ele nascera durante um eclipse, o que fez Taelandrane lembrar: Ezra havia nascido no mesmo dia – uma infeliz coincidência.

O general caminhou em meio a seu exército sob uma chuva de flechas e magias, mas Tae percebia que ele, assim como a Aliança Negra, já tinha vencido, e a culpa era toda dos elfos. A informação o acertou com tamanha força que ele segurou no braço de Shantalaria e ordenou.

“Prepare-se!” — abraçando-a e ignorando seus empurrões, ele se jogou da ponte em direção aos goblinóides. Pouco antes de sua magia ser ativada ele cruzou olhares com Thwor, o grande bugbear estava sorrindo, e uma pitada de curiosidade tomava suas feições.

Os corpos de Shantalaria e Tae brilharam, eles desapareceram envolvidos pela magia improvisada de teletransporte e bateram contra o solo de uma casa.

“Ezra!” — Taelandrane se levantou em busca da filha e ignorando Shantalaria, correu pela casa até se deparar com a filha escondida embaixo da cama. — “Vem aqui.”

Abraçando-a, voltou para a sala invocando a magia de teleporte mais uma vez. Abriu a boca para chamar Shantalaria, mas o murro o desnorteou e ele foi ao chão.

“Filha…” — balbuciou encarado botas negras e pesadas. Ezra estava à sua frente, assustada com a criatura de orelhas pontudas e pele esverdeada que atacara o pai pelas costas.

Tae buscou Shantalaria, viu a elfa ainda no chão e a imensa poça de sangue embaixo dela. A confusão óbvia em seu rosto o desnorteou, servindo de pista para o inimigo falar.

“Acho que ‘cê’ deixou ela doidona” — o hobgoblin acariciou o rosto de Ezra. — “Quando eu entrei, ela ainda tava levantando…”

A imagem foi reconstruída na mente aguçada de Tae: ele empurrava Shantalaria da ponte, a magia e o giro da queda deviam ter deixado a arqueira desnorteada, quando acordou ela ainda foi empurrada mais uma vez por Tae, que deveria ter ficado para protegê-la. Suas atitudes impensadas e egoístas tinham permitido que o covarde hobgoblin a matasse indefesa.

“É isso aí, chefia, ‘cê’ acabou com ela!” — O hobgoblin ergueu a espada para atacar Ezra também.

Tae estava se recuperando da pancada da nuca e as palavras mágicas se embaralhavam em sua mente. Ele tentou agarrar o pé do monstro, mas estava fraco.

Uma onda de energia flamejante explodiu de Ezra, envolveu o hobgoblin e o queimou de baixo para cima, fazendo-o recuar dentro da casa e bater contra as cortinas de tecido fino. O fogo se espalhou, Tae se protegeu, mas logo percebeu que as chamas não o queimavam.

Reunindo toda força de vontade que lhe restava o elfo pegou um pote de vidro na estante ao seu lado com uma das mãos, e com a outra trouxe a filha para perto de si.

“Está na hora de irmos!” — Abriu o pote com a boca e jogou seu conteúdo no chão até formar um círculo. A terra era fina e amarelada, com o cheiro ocre por ser misturada a ervas e ingredientes mágicos.

O ar rodopiou, ondas de energia formaram-se ao redor de pai e filha, e eclodindo da magia surgiu um pontal translúcido por onde Tae levou Ezra.

O mago preparara o plano de fuga há meses, quando fora suspenso de suas atividades. Por mais que doesse abandonar seu reino, ele tinha uma filha para cuidar e jamais deixaria que ela caísse nas mãos da Aliança Negra. Se este plano desse errado, ele também estava com o veneno preparado como último recurso.

Assim que passou pelo portal Taelandrane sentiu uma fisgada do lado direito do corpo. Fraquejando mais uma vez ele viu a sombra do hobgoblin passando atrás dele e da filha, esticando a mão e puxando Ezra de volta.

“Ninguém sai!” — O hobgoblin berrou.

Em um gesto impensado Tae jogou a filha para frente e se engalfinhou com o hobgoblin, os gritos élficos retornaram ao ambiente e ele tombou quase sem vida no chão.

Pensando na filha sozinha do outro lado, ele virou o corpo bem a tempo de escapar do abraço incandescente do hobgoblin, que ainda queimavam em alguns pontos, mas se recuperava do ataque repentino.

“Eu vou ter meu colar de orelhas pontudas!” — O monstro ameaçou, atrás dele o portal se fechava, e Ezra se tornava um borrão.

Tae deu dois passos para trás e tropeçou no corpo de Shantalaria, caindo por cima dela e se tornando uma presa fácil para o inimigo, que veio em linha reta atacá-lo. Tateando ao redor ele sentiu dois objetos frios próximos ao seu corpo.

O primeiro era o arco de prata.

O segundo era o sabre de Shantalaria.

Furioso, Taelandrane ergueu o arco com toda a força que pode, batendo-o contra o queixo do hobgoblin. Sem esperar a recuperação da criatura, ele cravou o sabre em seu olho e correu para o portal.

Seu apavoro de deixar a filha sozinha no ponto de chegada era tamanho que ele nem se deu ao trabalho de soltar as armas, passando com ambas pelo portal e caindo no silencioso chão de terra mais uma vez.

O portal se fechou bem a tempo de Taelandrane sentir a imensa onda de energia que denunciava a chegada de um deus à Arton. Em seu íntimo ele sabia que era a força de Glórienn, a deusa dos elfos, vindo para enfrentar Thwor Ironfist pessoalmente.

Mas isso não era mais sua responsabilidade, ele pensou, então soltou as duas armas para abraçar melhor a filha. Nada do reino era sua responsabilidade mais. Seu novo lar era ali, perto da cadeia de montanhas, do riacho e da Grande Savana, onde sua única responsabilidade seria cuidar de Ezra e de sua magia.

Então Taelandrane ouviu um choro de bebê. Ele podia ter ignorado, colocado Ezra nos braços e se dirigido para a savana, onde encontraria o local perfeito para erguer sua torre com as magias que trouxera de seu reino. Mas a ética e a moral do mago élfico eram rígidas demais para isso.

Ele ainda pegou Ezra nos braços, mas ao invés de se afastar do choro, ele foi em sua direção até encontrar o cesto na beira do rio e a criança de pele negra dentro dele. Fitando o céu, sem acreditar no que via, ele riu.

Mais tarde ele não saberia explicar se aquele era um riso de alegria ou desespero. Só o que sabia era que ajeitou Ezra no braço direito e pegou o cesto com o esquerdo, sentindo a onda de magia emanando do novo bebê, ele continuou rindo.

Dessa vez, embrenhando-se na Grande Savana e buscando o local onde poderia erguer a sua torre e viver nela com suas duas crianças.


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Fuga de Lenórienn Parte 02

Texto: Oghan N’Thanda.
Revisão: Raquel Naiane.
Arte da Capa: Theo S. Martins.


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Fuga de Lenórienn Parte 01 – A Quinta Estação

Fuga de Lenorienn Parte 01 é a primeira parte do segundo capítulo do romance “fan made” A Quinta Estação, por Oghan e publicado no site do Movimento RPG. Para acompanhar a série completa, entre neste link. Caso você goste desta história compre as obras do autor clicando aqui clicando aqui! Caso você não tenha lido a primeira parte do conto, clique aqui!

Sinopse

O Exército do Reinado triunfou! Liderados por Sir Orion Drake, a coalisão de soldados, heróis e mercenários venceu onde era impossível vencer. Mas, nem só a Tormenta é uma ameaça para este mundo: A Aliança Negra, o Império de Tapista e muitos outros problemas precisam de heróis para enfrentá-los.

Nesta época de transformações, surge a Confraria dos Redentores, uma companhia mercenária especializada em proteger os mais fracos e impedir que o mal se espalhe.

Nesta nova parte da história, acompanhamos a luta de uma família élfica fugindo da ameaça da Aliança Negra.

Sobre o autor

Oghan é escritor de afrofuturismo e primeiro autor de steapunk do Brasil com seu romance O Baronato de Shoah, foi vencedor do Wattys 2018, e é autor de Os Oradores dos Sonhos, além de publicado na Revista Nigeriana Omenana Magazine e na MV Media nos Estados Unidos; também tem seu nome gravado no legado de Arton através de um conto em Crônicas de Tormenta volume 2 e seu sonho é escrever o primeiro romance focado na Grande Savana.


Fuga de Lenórienn Parte 01

Em outro lugar.

Em outro tempo.

— E, por último, eu acuso Tealandrane de causar pânico desnecessário em nossa comunidade — a voz de Marlevaur ecoou pelo salão da justiça, onde o julgamento era feito.

O elfo que conduzia o julgamento de um de seus melhores amigos vestia uma túnica negra com detalhes em dourado e vermelho que pouco combinava com a típica delicadeza de seu povo. A severidade no olhar beirava a fúria e conforme ele denunciava os crimes de Tealandrane, ficava mais óbvio que não havia crime, mas medo do acusado.

Taelandrane, ou simplesmente Tae, não conseguia culpar os irmãos. Lenórienn, seu reino, era atacado constantemente pela Aliança Negra, a coalizão de goblins, orcs, bugbears, hobgoblins e liderada por Thwor Ironfist, que segundo a lenda era o emissário de Ragnar, o deus da morte.

Isolados das nações por um arrogante tratado de paz, Lenórienn só descobriu que o continente havia caído nas mãos das criaturas quando já era tarde demais. Os elfos resistiam, desacreditando nas habilidades de seus inimigos e fazendo pouco caso das histórias. Batedores tinham sido enviados aos reinos humanos, mas nenhum retornara; os sacerdotes tinham invocado entidades para dar-lhes pistas do que fazer, mas as forças ancestrais não respondiam suas perguntas. Até mesmo grandes figuras tinham intervido na situação, como o sacerdote Razlen Greenleaf, mas nada convenceria os elfos que eles corriam um risco.
Até que o golpe final foi dado, a princesa Tanya foi sequestrada por Thwor Ironfist de dentro do palácio do regente Khilanas e ofertada à Aliança Negra. Isto havia derrubado o moral dos elfos e só os mais velhos continuavam com sua insistência em se manterem isolados.

Todos, exceto Taelandrane, que enviara cartas a seus amigos de outros reinos e pedira sua ajuda para sair da cidade. Sem respostas, organizara uma pequena rebelião dentro do palácio, que ficou conhecida como Inconfidência Élfica, mas não teve sucesso por que uma parte de seu grupo o entregou às autoridades por medo ou receio de desagradar a deusa.

— Thwor Ironfist vai atacar de novo e nós estamos despreparados… — Taelandrane fez um gesto abarcando o salão inteiro, assustando os guardas ao ponto de eles sacarem as espadas — Não digam que não estão com medos, nós podemos sentir nas ruas, nas árvores e até no ar o quanto esta nação treme perante o novo inimigo.

— Você blasfema contra nosso estilo de vida, Taelandrane, precisa colocar a cabeça no lugar — Qyne, um dos elfos do conselho, retrucou em voz baixa — Nossa cultura é muito mais forte do que sua fé abalada pode entender.

— Enquanto discutíamos sobre as árvores que plantaríamos nas fronteiras a Aliança Negra sequestrava a princesa — Taelandrane fechou os punhos de raiva e a magia escapou por seus olhos em uma onda vermelha e azul incandescente. O mago era conhecido por seu aspecto selvagem e impulsio, boa parte dos presentes sabia que ele estava ali por uma questão de boa vontade e poderia vencer os guardas sem esforço algum. Isto e sua postura resoluta em fazer valer sua opinião eram o pouco que lhe garantiam a confiança e respeito de seus pares.

— Chega! — Marlevaur ergueu a voz, irritado — Nós ouvimos seus planos e buscamos pistas na floresta, só encontramos alguns humanos e suas histórias absurdas de máquinas de guerra capazes de explodir castelos.

Um riso geral escapou dos elfos, mas havia um leve toque de apreensão nele.

— Só a ideia de que um bando de goblinóides seria capaz de nos derrotar já deveria ser considerada crime obsceno. — Qyne, o sacerdote-mestre, emendou — Você profana o nome da deusa com sua desconfiança, Taelandrane.

— Onde ela está, senão envolta com seus súditos apreciando a si mesa, ao invés de protegendo os batedores que estão sumindo na floresta? — Taelandrane dispersou a magia ao seu redor e percebeu que havia ido longe demais.

— Este julgamento acabou — Qyne se levantou do trono de juiz — Ezrataelandrane, o júri declara a ação procedente e considera o réu culpado de menosprezar a cultura élfica milenar e ignorar a honra de seus antepassados, humilhando e ridicularizando nossa fé e nação.

— O que? — Tae quase engasgou.

— Sendo assim, considerado por unanimidade um instrumento voluntário do inimigo estrangeiro. — Qyne bateu o martelo — Caso encerrado.

Fuga de Lenorienn Parte 01

Autor: Oghan N’Thanda.
Revisor: Isabel Comarella.
Adaptação do Post: Douglas Quadros.
Ilustrador da Capa: Theo S. Martins.

 

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