Photophobia (Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias) – Quimera de Aventuras

Photophobia, o terceiro conto do primeiro livro de literatura do universo ficcional de Ordem Paranormal, é uma ótima fonte de inspiração para novas histórias, e uma boa porta de entrada para quem não conhece ou não joga ainda o OP.

Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias

Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias é o primeiro livro de literatura ambientado no universo de Ordem Paranormal, criado por Rafael Lange (Cellbit), e foi lançado pela Jambô Editora em março de 2025. O livro reúne três contos de terror escritos por autores renomados do gênero no Brasil: Felipe Castilho, Karen Soarele eLeonel Caldela. Cada conto é atribuído ao fictício Daniel Hartmann, um personagem dentro do universo de Ordem Paranormal, cuja escrita teria sido tão impactante que suas criaturas literárias se manifestaram na realidade, alimentadas pelo medo dos leitores.

Por se tratar de uma obra com obras diferentes em seu interior, optei por fazer uma Quimera diferente para cada um dos contos, com cada um recebendo a devida e merecida atenção! O primeiro conto, O Espreitador, e o segundo conto, Dia das Mães Maldito, já receberam sua Quimera, que você pode conferir AQUI.

Photophobia

Photophobia acompanha Tato, vocalista de uma das maiores bandas de rock do mundo, que retorna à sua cidade natal para realizar um show de grande importância. O cenário principal é uma cidade marcada por memórias pessoais e traumas do passado de Tato, que estão profundamente entrelaçados com a sua carreira e sua identidade. O conflito central gira em torno da luta interna de Tato contra seus traumas e medos, que o levam a buscar soluções em forças sinistras e obscuras. O tom do conto é predominantemente de terror psicológico, mesclado com elementos de horror sobrenatural e um toque da cultura pop.

Sobre o conto

O conto apresenta uma narrativa envolvente e ágil, com um ritmo que alterna entre introspecção emocional e momentos de tensão crescente. A escrita tem um tom visceral e moderno, que conecta o leitor com o universo do rock e da cultura jovem, sem perder a atmosfera sombria.

A história é estruturada em torno do retorno de Tato, intercalando flashbacks que revelam seu passado traumático com os acontecimentos presentes. O ritmo é cadenciado, aumentando gradualmente a tensão até o clímax.

Tato é um personagem complexo, cuja evolução psicológica é o motor da narrativa. Sua vulnerabilidade, suas escolhas e o confronto com seus demônios internos são explorados com profundidade, tornando-o bastante humano e fácil de se conectar.

A ambientação combina espaços urbanos contemporâneos com um clima opressivo, reforçado pela proximidade do show e pela presença das forças sobrenaturais que rondam Tato. A tensão é construída sutilmente, com um uso inteligente dos detalhes e atmosferas obscuras.

Filosofias e Referências

O conto dialoga com o existencialismo, explorando temas como o enfrentamento do próprio ser, a angústia da existência e a busca por sentido em meio ao sofrimento. A luta interna de Tato espelha o conflito entre a autenticidade e o desespero.

Há elementos relacionados à psicologia, especialmente no que tange aos traumas, transtornos de ansiedade e as consequências do estresse pós-traumático. A fotofobia (sensibilidade à luz) pode ser entendida também como metáfora para a aversão do personagem à exposição ou à revelação de suas feridas emocionais.

A ambientação no universo do rock e a personalidade de Tato remetem a iconografia de músicos atormentados como Kurt Cobain e Ian Curtis. A narrativa dialoga com filmes e séries de terror psicológico como Black Mirror e Hereditary, que misturam elementos sobrenaturais com dramas humanos.

A entidade sinistra pode ser interpretada como uma manifestação moderna de demônios pessoais, similar a figuras míticas que representam o medo e a culpa, como o Oni japonês ou o Banshee irlandês.

Quimera de Aventuras

Nesta sessão a obra entra na Quimera e colocamos algumas ideias de uso para aventuras de RPG. Entretanto fique ciente que para isto, teremos que dar alguns spoilers da obra. Leia por sua conta e risco.

Fantasia Medieval (D&D, OSR, Tormenta, T20)

  • Criar um bardo amaldiçoado que retorna a sua terra natal para um festival, enfrentando um espírito da escuridão ligado a seus traumas.

  • Monstro: uma sombra que se alimenta da luz e da alegria dos aldeões.

  • Aventura: a missão é purificar o espírito maligno que atormenta a vila durante a celebração do solstício.

  • Ganchos: lendas locais sobre músicos que enlouqueceram; pistas sobre rituais antigos para afastar a escuridão.

  • NPCs: um mentor que conhece os segredos do passado do bardo; uma rival com motivações ambíguas.

Horror Moderno (Ordem Paranormal, Call of Cthulhu, Cult)

  • Ambiente: cidade grande marcada pela presença de forças paranormais ligadas à fama e à ansiedade.

  • Criatura: entidade que causa aversão à luz e provoca alucinações relacionadas ao passado.

  • Ritual: cerimônias envolvendo música e manipulação de emoções para exorcizar o trauma.

  • NPCs: fãs obsessivos, membros da banda com segredos obscuros, um xamã urbano.

  • Narrativa: foco no medo psicológico, sanidade abalada, e a linha tênue entre fama e loucura.

Mundo das Trevas (Storyteller)

  • Enredo adaptado para um vocalista vampiro tentando controlar seus próprios demônios internos e evitar que sua maldição destrua sua carreira.

  • Dilemas morais: fama versus anonimato; o preço da imortalidade; a influência do passado humano.

  • Sanidade: conflito interno e perda de controle para o lado sombrio.

  • Sombras internas: figuras metafóricas que representam culpa e arrependimento.

  • Ambientes urbanos decadentes e palcos noturnos como cenários.

Cyberpunk (Shadowrun, Cyberpunk RED)

  • A banda é financiada por uma megacorporação que manipula suas emoções para lucro.

  • Tecnologia que amplifica traumas e cria avatares de medos internos.

  • NPCs: hackers que tentam libertar o vocalista, agentes corporativos, cultos tecnológicos.

  • Horror tecnológico: interfaces entre mente e máquina que geram falhas de percepção.

  • Eventos: shows onde a realidade é distorcida, causando pânico nos espectadores.

Outros Sistemas (3DeT, Fate, ODS)

  • Gatilhos narrativos: medo do fracasso, pressão social, isolamento emocional.

  • Arquétipos: o artista torturado, o mentor sábio, a sombra misteriosa.

  • Adaptações versáteis para campanhas focadas em psicologia e suspense.

  • Uso de flashbacks para aprofundar o background do personagem.

  • Possibilidade de misturar horror com elementos de drama pessoal.

Conclusão

Photophobia se destaca dentro da coletânea Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias ao abordar o horror através da psique fragmentada de um artista em crise. Sua fusão entre terror psicológico, cultura pop e temas existenciais cria um conto impactante que provoca reflexão sobre os limites da sanidade, a luta contra os próprios medos e o preço da fama. Para leitores, o conto é uma jornada emocional intensa; para mestres de RPG, uma fonte rica de inspiração para narrativas sombrias e densas, que exploram o humano em sua fragilidade e complexidade


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Texto e capa: Eduardo Filhote.

Brancalônia RPG – Ideias de Aventuras

Brancalônia é um cenário de RPG italiano publicado pela Editora RetroPunk, que usa o sistema de Dungeons and Dragons 5ª Edição.

O RPG Bracalônia é um banquete de confusão, pancadaria, malandragem com um toque saudável de caos medieval italiano.

Com seu tom de farsa heroica, onde os heróis são quase sempre canalhas e onde a sorte vale tanto quanto a espada, o cenário convida a aventuras cheias de reviravoltas, traições e promessas quebradas.

A seguir, você encontra seis ideias de aventuras prontas para colocar seus patifes em enrascadas, cada uma com ganchos e oportunidades para desafios, ação e risadas.

A Última Janta do Cardeal

Seu grupo é contratado como segurança pessoal de um cardeal glutão que está viajando pelo Reino para experimentar a culinária dos melhores mosteiros e tavernas.

O problema? O cardeal é odiado por cozinheiros locais, monges excomungados e um culto vegetariano radical. Desse modo, a cada parada, o grupo precisa impedir atentados com molhos venenosos, tortas explosivas ou abduções gastronômicas.

Mas o verdadeiro desafio começa quando o próprio cardeal tenta roubar uma relíquia culinária lendária: o “Forno Sagrado de São Pançudo”.

O Golpe do Santo de Pau Oco

Um antigo companheiro de trambiques do grupo aparece com uma proposta: fingir que um dos personagens é a reencarnação de um santo popular para arrecadar doações em pequenas vilas do interior.

O plano dá certo demais, e logo o “santo” começa a realizar milagres que ninguém consegue explicar. Com isso em mente, o que parece charlatanismo pode envolver forças mais estranhas… ou um demônio de quinta categoria que só quer um pouco de atenção.

Os Palhaços de Penitência

Presos injustamente por um crime que quase cometeram, os personagens têm a chance de escapar da masmorra se aceitarem participar do famoso espetáculo de penitência: uma peça de comédia itinerante que visita vilarejos com apresentações ridículas.

O problema é que a trupe anterior desapareceu misteriosamente após encenar uma sátira do Baronato local. Agora, os jogadores precisam descobrir o que houve com os outros palhaços, manter-se vivos nos bastidores e agradar um público armado com tomates, cacos de vidro e foices.

A Maldição da Camisola da Marquesa

Um figurino amaldiçoado foi roubado de um teatro mambembe e está nas mãos de um colecionador de artefatos esquisitos.

A peça? A camisola da Marquesa Impudica, que transforma qualquer um que a vista em um(a) sedutor(a) incontrolável… com consequências perigosas.

Sendo assim, o grupo é contratado para recuperar a camisola antes que ela provoque um escândalo de proporções nobres — ou uma guerra civil por ciúmes.

O detalhe: a camisola escolhe seu novo dono, e se recusa a ser arrancada à força.

Debaixo do Nariz do Barão

O Barão Gorgonzolo, um tirano local, convida os jogadores para sua fortaleza, oferecendo uma recompensa generosa por serviços passados.

Mas tudo é parte de um plano para matá-los aos poucos com banquetes, jogos cruéis e intrigas de corte.

O objetivo do Barão? Ver se eles são dignos de entreter sua corte antes de virarem adubo para seus jardins.

Em suma, os jogadores devem escapar da fortaleza com vida, roubando o tesouro escondido no processo e sabotando a festa anual da Nobreza Cruel.

O Campeonato Nacional de Canalhice

Todo ano, as cidades do Reino organizam um torneio clandestino onde grupos de canalhas competem em provas como “Quem engana mais nobres?”, “Corrida de burros bêbados” e “Duelo de mentiras”.

Os jogadores são convidados (ou forçados) a participar, enfrentando rivais antigos, um júri corrupto e um sindicato de trapaceiros que não gosta de concorrência.

O prêmio é uma medalha de ouro falso e um cofre cheio de promissórias incobráveis, ou talvez uma pista para um artefato poderoso que está sendo usado como troféu.

Canalhas e Bandidos

Brancalônia brilha quando o inesperado reina, e cada aventura deve equilibrar patetice com perigo real.

A graça está em ver os jogadores improvisando como malandros, fingindo heroísmo quando estão apenas tentando sair no lucro ou vivos.

Em qualquer uma dessas aventuras, misture trapaças com magia torta, vinho azedo com espadas quebradas, e você terá uma história digna de canção de taverna… desde que alguém esteja sóbrio o bastante pra cantar.

Pela Talha!


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Autor: Álvaro Bevevino.
Revisão: Raquel Naiane.

Financiamentos coletivos de agosto de 2025

Olá pessoal! Neste mês voltamos ao ritmo normal de financiamentos, muitos projetos por sinal. Leia e escolha aqueles que melhor lhe agradarem.

Projetos abertos: 

Vileborn

Produtor: Capycat

Duração: até 08/08/2025

Elder Mythos

Produtor: Escafandro

Duração: até 17/08/2025

Indie’ciativa

Produtor: Nozes

Duração: até 12/09/2025

Brancalonia

Produtor: Retropunk

Duração: até 13/09/2025

Opera

Produtor: New Order

Duração: até 19/09/2025

Kit Introdutório – Dados e Danos

Produtor: 101 Games

Duração: até 23/09/2025

Projetos financiados: 

Fabula Ultima

Produtor: Jambo

Duração: até 08/08/2025

O Assalto Extraordinário ao Tesouro do Dragão

Produtor: Universo Simulado

Duração: até 09/08/2025

Shadow of the Weird Wizard

Produtor: Tria

Duração: até 05/09/2025

PF2 Remaster: Livro dos Monstros e do Jogador 2

Produtor: New Order

Duração: até 11/09/2025

Late Pledge:

Anime 5E

Produtor: Tria

Duração: até 09/10/2025

 


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Arte da Capa: Juaum Artwork.

Jogando em Família – Aprendiz de Mestre

Saudações rpgistas! Dessa vez, ao ver o filme do Quarteto Fantástico me senti inspirado para propor uma possibilidade para sua mesa: e se todos os personagens forem de uma mesma família?

Em todo grupo de RPG, os laços entre personagens são uma parte vital da história e nada traz mais laços para esses personagens se eles forem de uma mesma família! Jogar com uma família como grupo de aventureiros pode transformar a narrativa, adicionando camadas de drama, cumplicidade, rivalidade e emoção que nenhum contrato de guilda ou missão paga consegue replicar.

Seja uma trupe de irmãos tentando honrar o legado de um clã caído, pais e filhos fugindo de uma maldição ancestral, ou até mesmo uma família improvisada unida por escolhas e não por genética, explorar esse tipo de relação no RPG abre portas para outros tipos de histórias.

Com isso em mente, vou compartilhar ideias, dicas e inspirações para você montar sua própria campanha e grupo familiar, onde os monstros podem até vir de fora, mas os conflitos mais perigosos podem surgir no almoço de domingo.

Vamos por passos para definir cada uma das escolhas e como o grupo vai interagir vai ser bem importante para o enredo.

Tipo de Família

Decida se os personagens são:

  • Família de sangue: pais, filhos, irmãos, avós, primos, etc.
  • Família adotiva ou encontrada: órfãos criados juntos, uma matriarca que adotou todos, sobreviventes que viraram clã.
  • Família disfuncional: com rivalidades, mágoas, e reconciliações possíveis.
  • Família nobre ou clã tribal: com reputações a manter e um legado a proteger.

Isso dá a base emocional do grupo! Nesse momento é importante que cada personagem saiba adotar o seu papel. Um filho, por exemplo, pode se rebelde, mas evidentemente existe um nível de hierarquia familiar entre o filho e o pai por isso os jogadores tem que estar ciente de como essa brincadeira vai ser desenrolar.

Passado Compartilhado

Construa juntos eventos importantes da história familiar:

  • Um parente desaparecido ou sequestrado?
  • Uma dívida de sangue ou uma maldição ancestral?
  • Um império que a família perdeu e quer retomar?

Ter um objetivo em comum vai fazer a família ser mais unida e progredir melhor na trama. Nada une mais as pessoas do que uma ameaça externa!

Use Vínculos Familiares em Regras

RPG ainda é um jogo com regras! Então use os laços familiares como gatilhos para vantagem, por exemplo bônus quando protege um parente ou mesmo crie interações únicas entre cada um dos membros (quando a filha e o pai atacam juntos seus ataques ganham algum dano extra especial, quando a mãe protege o filha ganha alguma defesa diferente e assim por diante) e faça com que esses poderes sejam melhores quantos mais eles trabalharem essas relações entre eles.

Sistemas com mecânicas de relacionamento (como Fate, Dungeon World ou For the Queen) funcionam muito bem. Em D&D ou Tormenta20, você pode criar poderes de legado familiar, itens herdados ou tradições mágicas de clã e muito mais.

Abrace o Drama Familiar

Família também briga, né? Abrace o novelão mexicano! Você pode usar as seguintes ideias para mover o plot:

  • Um personagem pode ser o filho favorito?
  • Um irmão invejoso pode fazer acordos secretos com o melhor dos planos, mas acabar sendo enganado?
  • O pai pode ser rígido e autoritário e acabar por pressionar demais o restante?
  • Um tio desaparecido pode retornar como vilão?
  • Um ex namorada do pai ou da mãe pode também voltar como vilã ou pior, como aliada!

Essas tramas alimentam o roleplay e podem ser ferramentas para você utilizar nos momentos corretos.

Ganchos de aventuras

Por fim deixo com vocês algumas ideias de como começar aventuras e campanhas que se misturem com o fato de o grupo ser uma família:

  • Um membro desaparecido retorna mudado… ou corrompido.
  • A herança da família foi roubada por um traidor.
  • A linhagem possui um poder adormecido que agora está sendo caçado.
  • Uma guerra entre famílias rivais ameaça explodir e uma família que seus ancestrais tinham derrotado volta por vingança
  • O grupo descobre que tem laços com criaturas míticas (como dragões, fadas, demônios antigos…).

Disclaimer: Todo tipo de família é válida, dois pais, duas mães, três figuras parentais, tanto faz! Família existe em todos as formas e formatos, o importante é que esses laços, de uma forma ou outra, moldam a gente e pode ser legal ver isso moldando as suas história de RPG também!


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Classes de Fantasia Medieval para GURPS – Ecos da Banestorm

Este artigo com a apresentação de classes de fantasia medieval para GURPS foi feito originalmente no blog Diário de Campanha. Veja o artigo na íntegra clicando aqui, que ainda inclui os templates para as classes Mago e Clérigo. Para outros posts dos Ecos da Banestorm, clique aqui.

Algumas classes são imortais no sentido em que pertencem a um imaginário comum do jogador de RPG, e são praticamente indissociáveis de qualquer grupo que se aventure em ruínas repletas de criaturas, monstros e armadilhas.

Os Modelos de Personagem a seguir começam com 150 pontos e para facilitar a criação adotou-se as Pericias Coringa! como uma definição geral da “Classe”. Essas pericias Coringa! são estanques, ou seja, ao se adquirir o Modelo com sua respectiva pericia Coringa!, o jogador não pode adquirir a pericia Coringa! de outro Modelo (Classe).

Guerreiro [150 pontos]

A máquina de combate do grupo, especializado em picar, moer, fatiar e segurar o tranco quando o inimigo. O guerreiro tradicional de Old-School é especialista em todas as armas de corpo-a-corpo, independente do tipo, além de saber descer o braço com precisão.

Atributos: ST 13 [30]; DX 12 [40]; IQ 10 [0]; HT 12 [20]

Sub-Atributos: Von 10 [0]; Per 10 [0]; PV 12 [0]; PF 12 [0], MVMT 6 [0]

Perícias: Guerreiro! DX+3 [60]-15

Vantagens: Escolha 30 pontos entre Reflexos em Combate [15], Ambidestria [5], Hipoalgia [10], Imunidade a Doenças (+8) [5], Noção do Perigo [15] e Duro de Matar [2/nível].

Desvantagens: Escolha -30 pontos entre Cobiça [-15]; Senso do Dever [-2 a -20], Impulsividade [10], Excesso de Confiança [-5], Mau Humor [-10], Código de Honra [-5 a -15] ou Sanguinolência [-10]

A perícia Guerreiro! substitui as perícias de armas pesadas (como Machado/Maça, Espada Larga, Mangual, Arma de Haste, Lança, Espada de Duas Mãos, etc.) e Escudo, além de Lança de Justa e Cavalgar (cavalo) para combate montado. Faça um teste baseado em IQ para Liderança, Estratégia e Tática, além de Armeiro ou Connoisseur, para quando for necessário avaliar ou fazer a manutenção de armas e armaduras.

Ladino [150 pontos]

Se você não pode derrubar aquela porta que o separa da sala do tesouro, você vai com certeza precisar de alguém com finesse o suficiente para abri-la. Eis o ladino.

Atributos: ST 10 [0]; DX 13 [60]; IQ 11 [10]; HT 11 [10]

Sub-Atributos: Von 11 [0]; Per 13 [10]; PV 10 [0]; PF 11 [0]; MVMT 6 [0]

Perícias: Ladrão! DX [48]-15; Espada Larga DX [8]-15 e Faca DX [4]-15

Vantagens: Escolha 30 pontos entre Equilíbrio Perfeito [15], Flexibilidade [5], Destreza Manual [5/nível], Visão Aguçada [2/nível], Pulo do Gato [10] e Aptidão Mágica 0 [-5].

Desvantagens: Escolha -30 pontos entre Cobiça (12) [-15], Caolho [-15], Megalomania [-10], Covardia [-10] ou Cleptomania [-15]

A perícia Ladrão! substitui Acrobacia, Escalada, Fuga, Surrupiar, Entrada Forçada, Punga, Prestidigitação e Furtividade. Faça um teste baseado em IQ para Ocultamento, Arrombamento, Sombra, Contrabando, Manha, Armadilha ou Gesticular para fazer sinais para aliados. Faça um teste baseado em Percepção para Revistar ou Sobrevivência Urbana.

Este artigo com a apresentação de classes de fantasia medieval para GURPS foi feito originalmente no blog Diário de Campanha. Veja o artigo na íntegra clicando aqui, que ainda inclui os templates para as classes Mago e Clérigo. Para outros posts dos Ecos da Banestorm, clique aqui.


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Sinistros & Monstros – Guia de Criação de Personagem

Sinistros & Monstros é um RPG de terror e investigação, onde os jogadores interpretam adolescentes de uma cidade chamada Pacata do Sul, que tentam enfrentar uma estranha maldição, antes que fiquem velhos demais para enxergar os efeitos dela.

Todos os jogadores interpretam adolescentes chamados sinistros. O jogo sugere que façamos nosso personagem aleatoriamente, então é assim que faremos!

Boletim Escolar

No jogo, todas as informações do personagem ficam no Boletim Escolar dele, que é a sua ficha de personagem, e deve escolher:

  • Nome e Maturidade. Escolha um nome para o personagem e defina a idade mental dele como Infantil. O nome do nosso rapaz será Samuel.
  • Tipo. Indica quem o adolescente é na turma e o que o define como personagem, cada um começa com três títulos. Rolando os dados da tabela de tipos, vemos que Samuel é Nobre (4), Bacana (13) e Nerd (9).
  • Trama. Aquilo que torna o personagem único. Pode ser uma característica física ou algo que apenas ele faça no grupo. Isso é opcional, mas eu decidi escolher um para o Samuel, que no caso é Irmão Caçula, que ele tem que cuidar do irmão mais novo dele.
  • Treco. Alguma posse que o Sinistro tenha ao invés de dinheiro e outras posses. No caso de Samuel, ele tem uma Bicicleta com Marcha (14).

Com isso, você já é capaz de jogar suas aventuras aterrorizantes em Sinistros & Monstros!

No caso acima temos Samuel, um rapaz que nasceu em uma família abastada que mora próximo ao litoral de Pacata do Sul, vindo de outro estado para passar as férias.

Ele sempre teve acesso e disposição de todos os brinquedos e oportunidades que sempre quis, mas as coisas tem ficado cada vez mais estranhas quando ele e seu Irmão Caçula, Ibsen, tem visto criaturas sobrenaturais em seus pesadelos…

E nos vultos da casa! Samuel conhece outras crianças que também tem as mesmas visões, e normalmente consegue se movimentar rapidamente pela cidade com sua Bicicleta que ganhou de presente de natal.


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Texto e Arte da Capa: Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.

Vileborn – O Lançamento Dark Fantasy do Ano!

A Capycat Games anuncia o lançamento de Vileborn, RPG que promete sacudir a cena de fantasia sombria. Com financiamento coletivo acontecendo neste momento, o jogo combina temas cruéis como amadurecimento forçado, preconceito e monstros internos com mecânicas inovadoras. Prepare-se para uma análise profunda desse fenômeno que esta sendo um sucesso!

O Mundo de Egas: Sob o Manto da Escuridão

Há exatamente cinco anos, o céu de Egas começou a escurecer. O sol tornou-se uma lembrança pálida, o frio congela até a alma, e os Malditos emergiram de seus esconderijos. Vampiros, lobisomens, feéricos e outras criaturas agora confrontam um império à beira do colapso.

Os Maculados – Protagonistas Amaldiçoados

Você não é herói, mas um sobrevivente. É um Maculado: meio humano, meio escuridão. Recrutado à força pela Ordem Crepuscular, seu destino é lutar contra a Escuridão enquanto luta contra si mesmo. Três conflitos definem sua existência:

  • Sua Herança Sombria corrói sua humanidade.
  • A Igreja da Iluminação incita o ódio contra você.
  • Seus mentores te veem como ferramenta descartável.

“Jovem demais para entender o mundo, velho demais para acreditar em salvadores” – Mentor Edgon.

As Heranças Sombrias

Ainda era criança quando sua linhagem corrompida se manifestou, subvertendo sua vida e afastando você das pessoas que amava.
Cada Herança Sombria é mais que poderes, é um conflito existencial.

SANGUÍNEO. Poderes dos Vampiros, sentidos aguçados e uma sede de sangue.
PREDADOR. Instinto animal dos metamorfos e uma eterna luta contra a fúria primal.
ASSOMBRADO. Se comunica com mortos, invoca espíritos e possui uma personalidade estranhamente distante.
SOMBRIO. Manipula as sombras e lida com a fome delas pelo medo.
VENTUROSO. A magia das fadas, aventuras e brincadeiras com a sorte de maneiras perigosas.
SELVAGEM. Controla a natureza, empatia com animais  e possui uma rejeição pela civilização.
AGOURENTO. Herdeiro da Feitiçaria, pactos obscuros e uma visão de mundo limitada a trocas equivalentes.

Os Malditos

Os Malditos não são só inimigos, são espelhos distorcidos das Heranças Sombrias. Cada categoria traz desafios únicos:

VAMPIROS

Metáfora: Hipocrisia das elites.
Perigo: Manipulação psicológica, jogos de poder.
Exemplo: Um conde vampiro que oferece proteção em troca de sacrifícios humanos.

METAMORFOS

Metáfora: Luta entre instinto e razão.
Perigo: Fúria incontrolável em ambientes selvagens.
Exemplo: Um lobisomem que ataca um vilarejo.

CAÍDOS

Metáfora: Culpas do passado.
Perigo: Assombrações que exploram traumas.
Exemplo: Fantasma de uma vila massacrada que atrai viajantes para sua morte.

FEÉRICOS

Metáfora: Pactos e consequências.
Perigo: Acordos distorcidos que corrompem a alma.
Exemplo: Fada que “ajuda” aldeões em troca de suas memórias afetivas.

SOMBRAS

Metáfora: Medo internalizado.
Perigo: Amplificação de emoções negativas.
Exemplo: Entidade que transforma o ódio entre irmãos em violência física.

SILVESTRES

Metáfora: Natureza vs. civilização.
Perigo: Bestas corrompidas em florestas mortas.
Exemplo: Trolls que capturam madeireiros para “purificá-los”.

AMALDIÇOADOS

Metáfora: Preço da feitiçaria.
Perigo: Maldições e cultos que distorcem a realidade.
Exemplo: Bruxa que adora a Escuridão organizando cultos a entidade.

O Sistema de Testes Simples, mas Intensos

Escolha uma Abordagem (Força, Vontade, Influência, Razão, Precisão, Subterfúgio):

  • 1 – Junte dados:
    1 dado básico (tamanho da Abordagem: d6 a d10)
    +1 dado se usar Personalidade (ex: “Astuto”, “Teimoso”)
    +1 dado se usar Treinamento (ex: “Furtividade”, “Persuasão”)
  • 2 – Role e Mantenha o maior resultado;
  • 3 – Compare com a Dificuldade.

O Dado da Escuridão

Geralmente, apenas os Maculados rolam dados, e seus sucessos e complicações moldam o curso da história. No entanto, há momentos em que os Maculados devem enfrentar a Escuridão diretamente. Nessas situações, o Mestre de Jogo rola um dado especial que eleva a tensão, adicionando tanto perigo quanto emoção. Esse é o único d12 do jogo, chamado de Dado de Escuridão usados:

Enfrentando Malditos
Usando Herança Sombria

Efeitos:
Adiciona complicações catastróficas;
Aumenta poder mas acelera a corrupção;
Pode desencadear Perda de Controle (seu monstro interior assume).

Uma Obra Prima de Fantasia Sombria

Vileborn não é só um RPG é uma experiência. Ele força perguntas incômodas como: “Até onde você iria para proteger quem te odeia?”; “Vale a pena salvar um mundo que te rejeita?”; “Como não se tornar o monstro que dizem que você é?”. Com mecânicas que tencionam cada escolha e um cenário que sangra atmosfera,  uma combinação perfeita.

Vileborn esta em financiamento coletivo pela CapycatGames, clique neste link para acessar a pagina e conhecer mais deste novo RPG narrativo.


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O Caminho de Arthas – Quimera de Aventuras

E aí pessoal, tranquilos? Seguindo com mais uma Quimera de Aventuras sobre as expansões de Hearthstone ( jogo de cartas da Blizzard no universo de Warcraft). A terceira expansão do ano da Hidra trouxe uma das mais aguardas classes do Warcraft: o Cavaleiro da Morte.

Entretanto, somente com as cartas lançadas na expansão A Ascensão do Lich Rei não seria suficiente para fazer a classe de Cavaleiro da Morte ser jogável. E também porque não queriam cometer o mesmo erro que fizeram com Caçador de Demônios, o deixando superpoderoso e se sobrepondo às demais classes. Assim, criaram O Caminho de Arthas, onde um conjunto próprio de cartas foi criado. 

Por fim, a classe de Cavaleiro da Morte possui duas mecânicas próprias: as Runas e o uso dos cadáveres. Este se obtém quando seus lacaios morrem no tabuleiro. Já as Runas seguem o padrão de Gelo, Sangue e Profano da classe em Warcraft.

Quimera de Aventuras

Gélido Lamento

Boatos de que a arma lendária, Gélido Lamento, foi descoberta num dos lugares mais frios e congelantes do planeta. Várias expedições de mercenários, reis ambiciosos e aventureiros oportunistas foram realizadas. Entretanto, o frio extremo do local congela e mata qualquer um que não esteja extremamente preparado. Apenas loucos e os desejosos em construir um império em cima de muitos cadáveres podem almejar uma arma tão nefasta.

Alguns dizem que até gigantes de gelo e outras criaturas acostumadas com frios rigorosos perecem perante o frio ao redor desta arma mortal. Os cadáveres, dizem, não conseguem descansar e se tornam mortos-vivos raivosos.

Embora não haja um guardião ou possuidor para a arma, uma dragonesa anciã espreita pelas montanhas próximas à arma. Alguns dizem que ela era, em vida, uma dragonesa azul, ou então de gelo. Entretanto isso não importa mais, pois agora ela despeja gelo e morte por onde passa. Seus alvos podem morrer ao primeiro toque de seu hálito gélido.

 

Castelo de Sangue

Num castelo em ruínas, abandonado em meio a uma floresta escura e vazia, há um vampiro que está há séculos maquinando sua vingança contra os descendentes daqueles que o aprisionaram. Entretanto, de tempos em tempos, alguns aventureiros se perdem (ou são loucos) e se aproximam do antigo castelo.

As proximidades com o castelo demonstram o que aguardará aqueles que conseguirem adentrar a pérfida construção: esqueletos e fantasmas enlouquecidos caçam os vivos atrás de suas preciosas gotas de sangue. 

Para aqueles que conseguirem adentrar o castelo, sofrerão ataques contínuos do vampiro. O maior problema é que metade de qualquer dano sofrido pelos aventureiros, mesmo que de armadilhas, irá para o vampiro. Inclusive aumentando o máximo de vida do Senhor do Castelo de Sangue…

Horda Profana

Aqui vamos de um clássico. Uma horda de mortos-vivos avançam sobre vilas, fazendas e estradas. Aqueles que tombam pela fome da horda acabam se erguendo como seus soldados. Aparentemente não há um líder ou criatura poderosa específica. Apenas o caos e destruição gerados pela morte andante de centenas ou milhares de esqueletos, zumbis e outros mortos-vivos corpóreos.


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Transmutação em Dupla parte 01 – Escamas de Bronze #01

Na série “Escamas de Bronze“, iremos acompanhar Aust Bronzescale em inúmeras aventuras e situações cotidianas. Desde a sua infância dourada e destemida, passando pelos seus anos como aprendiz dos Mantos Vermelhos (que o transformaram em um rapaz ansioso e inseguro). E, talvez, quem sabe acompanharemos alguns relances sobre a participação dele na guerra vindoura e como isso modificou a sua relação com a própria magia.

Ele foi criado por mim para jogar a campanha de “Dragonlance – Sombra da Rainha Dragão”, mas vocês verão muita liberdade poética e adaptações em tudo. Meu grupo ama fazer roleplay e nós não ficamos só presos ao que está nos livros, então tem sido uma experiência inspiradora jogar com eles e poder explorar cada detalhe do Aust.

Há uma sociedade de magos e usuários de magia (não sei qual seria a melhor forma de chamar haha) chamada Alta Magia. De forma simplista, há três grupos de magos nela: os Mantos Brancos (bondosos), os Mantos Vermelhos (neutros) e os Mantos Pretos (malignos).

Aust deseja seguir os passos de seu pai e se tornar um Manto Vermelho, mas há um pequeno grande problema: ele não consegue ser neutro. Isso torna toda sua trajetória como aprendiz muito desgastante, porque ele precisa tentar provar a si mesmo e para os outros que não está no lugar errado.

Em “Transmutação em Dupla“, veremos como ele participa de uma aula de transmutação tentando não ceder à pressão que seu sobrenome (e sua linhagem) carrega.

Transmutação em Dupla

A sala era ampla e, naquele momento, ela estava envolta em penumbra por conta das pesadas cortinas que bloqueavam as janelas. Apesar da atmosfera um tanto sombria, havia algo estranhamente aconchegante naquele espaço. 

Bancadas robustas de madeira escura se alinhavam em camadas, dispostas em degraus de níveis diferentes que desciam até o centro da sala, onde se erguia uma plataforma de pedra — um palco circular, ideal para demonstrações arcanas ou para que o professor observasse os alunos de todos os ângulos.

Ao longo das colunas de pedra, três gemas resplandeciam suavemente, formando o símbolo da Torre de Alta Magia de Wayreth. Elas pulsavam com uma energia sutil, como se dessem as boas-vindas aos aprendizes naquela sala, que enchiam o ambiente com suas conversas paralelas e energia animada. 

No canto, longe dos demais, um meio-elfo adolescente parecia entretido demais em uma leitura.

Seus olhos dourados percorriam o livro com curiosidade, escamas de um tom amarelado de bronze com detalhes sutis em verde, que denunciavam vestígios da sua herança dracônica, se espalhavam de forma irregular pela sua mão esquerda e pelo lado direito do seu rosto e da sua bochecha. 

Uma mecha de seu cabelo ondulado caía sobre seu rosto, mas ele não parecia se importar. O jovem trajava uma capa vermelha escarlate, símbolo dos aprendizes do Manto Vermelho, por cima de roupas igualmente vermelhas, mas de tom mais fosco. Ele era Aust Bronzescale.

Os cotovelos de Aust estavam apoiados na bancada à sua frente, o rosto afundado entre as mãos enquanto os olhos deslizavam pelas páginas abertas de A Arte da Transmutação

O livro, repousado no espaço entre seus braços, fora encadernado com fios dourados que refletiam a luz suave que iluminava a sala. Seus pés balançavam de um lado para o outro, seguindo um ritmo interno que só ele era capaz de ouvir, e ajudavam a amenizar a ansiedade que sentia naquele lugar.

O jovem aprendiz estava sentado no canto mais afastado da sala. Ele tentava ignorar a cadeira ao seu lado que permanecia vazia enquanto todas as outras pareciam cheias. 

Aust não era o único que esperava aquela aula com ansiedade, todos ali queriam ver Ilyndra Morr, a Tecelã da Matéria, autora do livro que ele lia. Ela era uma lenda viva e, apesar de magias de transmutação não serem o seu ponto forte, ele estava animado por poder ter a oportunidade de aprender com ela.

Quando a pesada porta da sala se abriu todas as vozes se silenciaram. O jovem ergueu a cabeça cheio de expectativa, mas sua animação deu lugar ao horror quando, em vez da figura elegante de Ilyndra, surgiu o Manto Vermelho do elfo Garrik Urigella

O velho mago Manto Vermelho caminhava com as mãos cruzadas nas costas. Seus olhos, estreitos e escuros, varreram a sala analisando a expressão e reação de cada um dos aprendizes com a sua presença. Aust sentiu um arrepio subir pela espinha, pois não esperava ter que lidar com Urigella, não hoje. O silêncio que tomou conta da sala era denso, só sendo quebrado pelo som dos passos do elfo que descia os degraus em direção ao palco.

A Tecelã da Matéria lamenta por não poder comparecer hoje, infelizmente um imprevisto a impediu de estar aqui com vocês. Entretanto, para que não percam a visita e o tempo de vocês, eu darei essa aula no lugar dela.” A voz do mago era fria e sem emoção, parecia que ele próprio estava fazendo um favor só de estar ali.

Ninguém respondeu, o desapontamento era palpável.

Aust quase não conseguiu disfarçar o próprio descontentamento. Ilyndra era uma figura admirada e poder ouvi-la seria uma experiência única e imperdível, ainda mais por ela ser de outra Torre, bem longe da que eles estavam. 

Urigella, por outro lado, já era da casa, e sua fama de exigente e severo não atraía muita atenção dos alunos para suas lições, mas infelizmente agora não tinham como escapar dele.

O elfo não perdeu tempo antes de começar a dar a parte teórica da aula. Aust suspirou e fechou o livro à sua frente devagar, os dedos permanecendo sobre a capa por um instante a mais antes de colocá-lo de lado. O meio-elfo se abaixou e puxou de sua bolsa um caderno grosso e começou a fazer anotações sobre a aula.

Ele tentava, a todo custo, ignorar o mal-estar que a presença de Urigella lhe causava e como seu estômago se revirava toda vez que ele ouvia os passos do elfo se aproximando da bancada em que estava. 

Urigella caminhava pela sala com suas mãos cruzadas nas costas, os olhos críticos e desdenhosos sob as sobrancelhas arqueadas, olhos esse que se demoraram um pouco mais ao identificar o meio-elfo entre os aprendizes naquela sala, para a angústia de Aust.

A relação entre os dois era… problemática.

Aust sabia que Urigella não queria vê-lo ali. Seu olhar frio. Os comentários sutilmente cruéis. O desprezo não dito, mas sempre presente… Era claro que o mago à sua frente não o considerava apto a se tornar um Manto Vermelho.

O aprendiz tentava não encará-lo diretamente, ele só queria que a aula acabasse logo e ele pudesse correr dali o mais rápido possível. Talvez, se tivesse sorte, se mantivesse quieto e não chamasse a atenção, o Manto Vermelho o deixasse em paz. Talvez.

“Hoje iremos praticar um truque simples de transmutação, algo que eu tenho certeza que a maioria de vocês já sabe fazer” a voz de Urigella cortou a sala, chamando a atenção de todos.

E, justamente por ser simples, vocês não farão sozinhos. Será uma transmutação em dupla. O objetivo é criar um objeto transmutado que tenha a essência de ambos. No nível que vocês estão eu não espero que a transmutação seja permanente, seria cobrar demais, mas ao menos espero que vocês façam com que ela dure alguns segundos.”

A turma ficou inquieta com o anúncio da parte prática e Aust engoliu em seco.

Transmutação em dupla?

O elfo tinha costume dele próprio escolher quem faria par com quem, colocando junto pessoas que ou não se davam bem ou que não trabalhavam bem juntas. Isso era bom para praticar, mas aprendiz nenhum gostava de passar por esses momentos. 

Após demonstrar o que deveria ser feito, o mago passou de bancada em bancada deixando um cristal em cada uma delas enquanto anunciava os pares e explicava como deveriam usar o cristal para fazer a atividade.

Aust rabiscou algumas runas em uma página do seu caderno, ansioso, se perguntando quem seria sua dupla. Quando viu a sombra de Urigella ao seu lado, ele levantou os olhos. O mago depositou o cristal no centro da bancada e lançou um olhar crítico para as runas que o aprendiz tinha rabiscado. 

O meio-elfo apenas deu um meio-sorriso, sem graça, como se tivesse sido pego fazendo algo que não deveria. Houve uma pausa longa o suficiente para ser desconfortável, como se Urigella ponderasse se criticava o desenho torto das runas ou se decidia quem seria o par do meio-elfo:

 “Bronzescale.” Ele deu uma nova pausa. Aust o encarou com os olhos ligeiramente arregalados, como se esperasse uma bronca, mas ela não veio. Você irá trabalhar com Dren.” Ele decidiu, por fim, como quem decreta uma sentença.

Aust piscou, sem acreditar no que tinha ouvido. Dren. O próprio aprendiz de Urigella. A sombra que sempre parecia observar Aust com um olhar que dizia “você não pertence aqui”.

O meio-elfo não conseguiu evitar a expressão de surpresa, mas não ousou contestar. O olhar atravessado de Urigella indicava que ele sabia exatamente o que estava fazendo.

Dren? Por que logo o Dren?

Aust se perguntava, tentando não demonstrar sua angústia. Essa escolha pareceu óbvia a todos da sala, menos para ele, que foi pego desprevenido. Urigella colocar o próprio aprendiz para ser seu par era nada mais nada menos do que uma forma de mantê-lo em xeque.

Dren, por sua vez, já sabia exatamente quem Aust era sem nunca precisar de apresentações. Aust, o filho do renomado Manto Vermelho Dimitri Bronzescale, o mauricinho herdeiro que só estava ali por causa do próprio pai, o garoto de olhos brilhantes e magia instável que todos tratavam como se fosse uma pedra preciosa.

Só que Dren não via preciosidade nenhuma ali. Ele via alguém que tentava se vender como algo que não era. Alguém com um talento e potência para magia que vieram do berço, não tendo sido algo que conquistou por mérito próprio. 

Por não ser algo conquistado, a magia era algo que Aust não controlava de forma satisfatória, o tornando perigoso. Gente com a potência mágica de Aust não podia se dar ao luxo de errar… e ele errava. Sempre errava.

E Dren o julgava por isso, como se Aust não tentasse o suficiente.

Dren deu um meio sorriso ao ouvir seu nome sendo anunciado. Aust e ele, trabalhando juntos? Aquilo não era coincidência. Ele se levantou lentamente e se virou na direção que o “mauricinho” estava. Dren era um meio-orc alto, de pele levemente esverdeada e mandíbula firme, com seus dentes inferiores sendo ligeiramente sobressalentes. 

Sua postura era implacável, a sua capa vermelha caía com perfeição pelas suas costas largas. Seus passos eram firmes, sem hesitação nenhuma, e logo ele estava ocupando a cadeira que antes estava vazia ao lado do meio-elfo.

Aust cumprimentou sua dupla e manteve os olhos fixos na bancada, organizando os materiais e tentando ignorar que teria que cooperar com Dren naquela atividade. Só que, por mais que tentasse disfarçar, o leve tremor nas suas mãos denunciava como se sentia ao lado do outro aprendiz. 

Dren o intimidava e o lembrava tudo aquilo que ele ainda não conseguia ser. Dren era contido, equilibrado, estável. Um belo exemplar do que um futuro Manto Vermelho deveria ser, o exato oposto de Aust.

Então, Bronzescale… o que nós vamos criar hoje?” Dren perguntou enquanto pegava o cristal do centro da bancada e o analisava entre suas mãos.

Que tal uma medalha?”

Uma medalha?” Aust inclinou a cabeça de leve, levando os olhos para o cristal. É, parecia uma boa ideia, mas antes que ele concluísse o pensamento, Dren o interrompeu.

Exato!” Dren esticou a mão livre e tocou de leve a capa de Aust, bem próximo ao pescoço do meio-elfo, quase  como se estivesse tentando alcançar um colar invisível. “Uma medalha. Você sempre recebe aplausos quando faz o mínimo, então parece apropriado, afinal, nós já sabemos como isso vai terminar. Talvez devêssemos te declarar logo vencedor e te dar o título de Manto Vermelho só para acabar logo com isso.”

Essa é a primeira parte do conto “Transmutação em Dupla”. Para ler a segunda parte, clique aqui.

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Transmutação em Dupla parte 01

Texto: M. Braga.
Revisão:
Raquel Naiane.
Arte da Capa: Theo Siviero.


Encontre mais contos clicando em: Histórias.

O Assalto Extraordinário ao Tesouro do Dragão – Resenha

Tranquilos pessoal? Hoje falaremos sobre o RPG O Assalto Extraordinário ao Tesouro do Dragão publicado pela Universo Simulado e que está em financiamento coletivo até dia 09/08/2025. Como o próprio jogo se apresenta, ele não é um RPG de alta fantasia mas sim de heist fantasy, ou seja, fantasias de golpes, assaltos e malandragem. Aqui, o golpe e malandragem continuam até mesmo quando os personagens estão contando sobre seus golpes, no melhor estilo de histórias de pescador.

Abertura

O livro se apresenta em quatro tomos. Porém, antes disso, o jogo faz sua Ode à Vadiagem e um conto sobre sorte com um divertido nome. Tudo para iniciar nossa ambientação neste mundo malandro. O jogo não se preocupa em seguir uma lógica linear e até aconselha os mais experientes a nem lerem todo o livro. Principalmente para quem já conhece o Sistema TTT, usado também em Sinistros e Monstros, Super TV Show e outros RPGs. O jogo usa cartas de baralho comum com dois coringas e naipes vermelhos valem 1 ponto e naipes pretos valem 0 pontos. E o objetivo aqui não é conseguir realizar façanhas, mas convencer os outros que você as fez. Assim, quantos mais pontos nas cartas você tiver, mais convincente será sua história. E, claro, como todo bom golpe, é necessário saber improvisar. Então improvise bem o que seu personagem fez ou não para dar o golpe, ou mesmo como ele conseguiu se safar depois de tentar um. O importante é conseguir convencer os demais. E para saber se uma história chegou ou não ao seu fim. Há modelos, organogramas e fluxogramas pelo livro. É só consultar rapidinho e voltar ao jogo, que pode ser moldado conforme a necessidade dos jogadores. Como padrão os golpes possuem 8 cenas, mas podem ter de 4 a 16.

Regras

Como o próprio livro diz: “É preciso conhecer as regras para saber burlar cada uma.” Então, além de explicar como funcionam as cartas e a formação das cenas para o golpe. Há, também, explicações sobre o que são e para que servem as fichas. O qual poderíamos dizer, de um outro modo, que se comportam como a vida do golpista. E isso pode ocorrer ao final das cenas, conforme o risco daquela cena específica. A qual segue uma tabela que corresponde o valor à carta virada. Entretanto, perder fichas não é exatamente como perder vida. Aqui violências, tiros e ferimentos fazem o golpista perder credibilidade com quem está ouvindo sua história. Além disso, fichas podem ser perdidas ao serem usadas para ativar trunfos e truques, que nada mais são que habilidades e poderes.

Finalizando

No Tomo 3 há alguns cenários do Reino dos Baralhos que podem ou não serem sorteados para que se passe a história do golpe. Tais baralhos servem como tabelas de outros RPGs e são usados, também, para determinar Elenco, Situações, os Dragões. Já o Tomo 4 funciona como um capítulo destinado ao mestre, ou Crupiê. Aqui explana-se modos de jogo e formas de lidar com variações dentro do jogo. E é isso pessoal. Quem quiser saber mais do jogo pode apoiar o financiamento coletivo que está no seus últimos dias e só falta bater duas metas extras.


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