Adaptando Monstros para OD2

Uma característica bem interessante de vários sistemas OSR é que costumam ser todos compatíveis entre si, necessitando de pouca ou nenhuma alteração para converter os elementos. O LB3 de Old Dragon 2, chamado Monstros & Inimigos, traz regras para converter monstros de edições antigas de D&D para nosso retrogolem favorito.

Claro que em qualquer adaptação algumas diferenças vão surgir e algumas concessões precisam ser feitas. Dito isso, vamos lá.

AD&D

Vamos pegar como exemplo o Giant Beetle (Monstrous Manual p. 18). Temos varias opções de besouros na lista, então vamos de Boring (escavador). Ele tem 5 DV, então recalculamos o BA para 5 ou 6. Como o besouro escavador não parece ser um grande lutador, vamos usar 5.

Eu gosto muito das edições antigas de D&D, mas que essas fichas tinham um layout confuso, tinham!

A Classe de Armadura no D&D 1ª edição e no AD&D era invertida, o que significa que era melhor ter uma CA baixa do que alta. O besouro tem CA 3 em AD&D, e convertendo de acordo com as regras do LB3 chegamos a uma CA 16.

A ficha do besouro em AD&D não mostra nenhuma resistência, então calculamos de acordo com a tabela no LB3 de OD2 e chegamos a uma Jogada de Proteção de 8. A Moral, de acordo com a tabela, fica em 10.

O movimento… bem, o Monstrous Manual que eu tenho simplesmente não diz qual a unidade de medida usada para calcular o movimento! Diz apenas “6”na ficha, sem indicar se são 6 metros, 6 jardas, 6 quilômetros ou qualquer coisa assim. Vou assumir que são 6 metros e ponto.

Eu não estou louco, estou?

O ataque é mais uma pequena complicação encontrada em alguns livros de AD&D. No caso o dano do ataque está listado simplesmente como “5-20”. Podemos adaptar param ataque de 5d4 de dano, o que fica dentro desses valores.

Seguimos a tabela pare conseguir os valores de XP (175) e tesouros (V, N, + 1d4 pergaminhos).

Abaixo, a ficha convertida do monstro.

DV 5 | CA 16 | JP 8 | MV 6 | MO 10 | XP 175
1x Investida +5 (5d4)

D&D 3ª Edição

As fichas da 3ª edição de D&D costumam ser muito mais extensas e detalhadas do que as de Old Dragon. Para nosso exemplo vamos utilizar a Serpente do Gelo, p. 74 do livro Monstros de Fearûn. A serpente possui originalmente 6d8+18 PV, então convertemos simplesmente para 6 DV conforme indica o LB3.

Bichão brabo!

A CA original da serpente é 16, então diminuímos 3, por ser uma criatura grande, e ficamos com um total de 13. A Jogada de Proteção fica em 8, calculada de acordo com os DV, e o deslocamento permanece 24m. Podemos adotar o valor padrão de 9 para Moral.

O Bônus de Ataque é um a menos do que o original, então ao invés do +8, temos um +7. Perigoso para uma criatura desse tipo. Porém, a descrição diz que ela precisa acertar um ataque de Agarrar antes de poder causar seus 2d4 de dano. Vamos simplificar isso permitindo uma JPD para evitar que o alvo fique preso, mas se ele falhar, sofrerá o dano a cada rodada e não poderá mais atacar ou se movimentar.

A XP do monstro fica em 305: 270 como base pelo seu DV + 35 pela habilidade especial. O monstro não possui nenhum tesouro. Segue abaixo a ficha completa.

DV 7 | CA 13 | JP 9 | MV 24 | MO 9 | XP 305
1x constrição +8 (2d4)
Constrição: Quando  Serpente do Gelo acerta um ataque, o alvo faz uma JPD. Em caso de falha, ela fica presa e impossibilitada de realizar qualquer tipo de ação ou movimento. Nos turnos seguintes, o alvo recebe mais 2d4 de dano automaticamente, e pode realizar um JPD difícil para tentar se soltar.

Bônus: Dragon Quest

Dragon Quest foi uma caixa introdutória de D&D lançada no Brasil pela Grow. Ele usava as mesmas regras da primeira edição do D&D, mas de maneira extremamente simplificada. Vamos tentar adaptar o Cão da Morte desse jogo para Old Dragon 2!

As fichas de Dragon Quest vinham em cardzinhos bem legais.

Primeiramente, as fichas em Dragon Quest não marcam a quantidade de DV dos monstros, apenas os PV totais. Podemos acatar a sugestão de dividir os PVs por 5 e teremos 7 DV, o que já nos dá também um BA de +7.

A CA pode ser convertida com a mesma diretriz usada nos monstros de AD&D, transformando o 4 em um 15. A JP é calculada de acordo com a tabela A7-4, e utilizaremos o valor de 11, já que o Cão da Morte tem uma ligação com magia. O movimento é marcado em quadrados, então convertemos para 6m. Para a moral, utilizaremos o padrão sugerido de 9.

Os ataques são simples: uma mordida que causa 1d6 de dano ou um potente sopro que causa 7d6 de dano, mas só pode ser utilizado uma vez a cada 3 rodadas e permite um teste de Destreza para sofrer apenas metade do dano. Esse padrão de “a cada três rodadas” não é muito comum em OD2, além de deixar o monstro poderoso demais, então é válido adotar o padrão utilizado para a baforada de Dragão: 3 vezes por dia. Trocamos também o teste de Destreza por uma JPD.

A XP base será, com informa a tabela, 460 (base 420 + habilidade especial) e nenhum tesouro (é só um doguinho).

Segue a ficha:

DV 7 | CA 15 | JP 11 | MV 6 | MO 9 | XP 460
1x mordida +7 (1d6)
1x sopro +7 (7d6), 3x ao dia

Por Fim

Espero que esse post ajude a elucidar como funciona a conversão de monstros para OD2. É sempre bacana buscar inspirações e referências em outros jogos, e aproveitar a compatibilidade de vários sistemas OSR é uma maneira bem bacana de surpreender seus jogadores. E não se esqueça de conferir a coluna do Edu Filhote, Off Topic.

Bom jogo a todos!

 

Qual o melhor PBTA, OSR ou D20 séries?

Isso é um teste. Não um teste para saber se vocês sabem a resposta, mas o meu teste para poder fazer parte do MRPG. E me pediram para escolher qualquer tema, então por que “Qual o melhor PBTA, OSR ou D20 séries?”. Simples, porque essa foi a ultima discussão que me meti dentro da comunidade RPGista, e vocês sabem como a galera adora discutir sobre qual é o melhor tipo de RPG, é como aquelas competições infantis de quem cospe mais longe ou quem tem o pé maior (Eu disse pé viu).

Mas e sobre a pergunta? Bom, vamos a ela: Obviamente que a resposta é: Depende do que você mais gosta, não existe certo ou errado em termos de RPG, o certo mesmo é reunir uma galera e marcar uma mesa para jogar, claro, uma galera que tenha gostos parecidos e que curtam o tema e o sistema. Entretanto como saber sem jogar? Impossível não é? Não tem nada pior do que o velho: Não comi e não gostei.

Mas claro, entender melhor o que a galera gosta em cada um também é uma forma de poder decidir, contudo nada é melhor do que uma experiência em primeira mão, portanto achei interessante detalhar os argumentos que discutimos previamente.

Argumentos

A primeira questão é sobre publico: Acreditamos que os mais jovem tem menos tempo e menos contato social, precisando de um jogo mais rápido e direto, como menos tempo de presset e uma curva de aprendizado mais rápida, afinal, eles tem suas mídias sociais, a escola, cursos, esporte, videogame, series de streaming, gibis/mangas, o que não falta é atividades para tomar o tempo deles.

Enquanto jogadores mais velhos vão querer algo com menos “botões” (testes que automatizam as ações dos jogadores), dando mais importância a experiência dos jogadores.

Além disso, as tecnologias tanto aproximam pessoas quanto as afastam, e não é mais tão comum a galera se reunir após a escola, porque não tem nada melhor para fazer e a sessão da tarde da TV só tem reprises.
E olhando esse aspecto, sistemas com livros recheados de regras de 200 a 600 páginas passam a ser menos adequados, mas não necessariamente menos atrativos, já que a maioria dos sistemas com melhor marketing como o DnD, são desse tipo, e acabam caindo nas graças dos jovens justamente por conta da questão da marca.

Do mesmo jeito que eles se sentem muito melhor dizendo que foram ao Mequi do que foram ao sanduiche da esquina (que pode inclusive ser muito melhor em termo de qualidade). Essa é uma questão inerente ao capitalismo e impossível de ser ignorada.

A segunda questão é sobre a temática e sobre o detalhamento de armas, habilidades, raças, vantagens e magias, que podem ser ter mais ou menos opções, e serem mais ou menos detalhados.

Os Três Candidatos

Voltando aos 3 tipos de sistemas citados: Os PBTAs são para os jogadores algo mais simples, rápido de aprender e atende bem tanto a iniciantes como jogadores avançados, como um dinamismo maior, opções de evolução muitas vezes na própria ficha evitando consultas constantes ao livro, movimentos que aceleram a curva de aprendizado e ótimas chances para aprender jogando até mesmo participar do RPG de forma colaborativa. Porem é menos detalhados nos critérios de escolhas de habilidades, magias, armas e etc.

Os OSR são mais simples também, tendo geralmente um presset relativamente rápido, evitam os botões e são melhores para jogadores mais experientes, mas tem como nível de fatalidade e a competitividade da sobrevivência seu maior atrativo.

Por ultimo os D20 séries são os mais complexos, com uma curva de aprendizado mais lenta, exigem muito mais tempo e dedicação dos jogadores e um maior presset antes do jogo, mas em compensação são os mais detalhados em termos de armas, habilidades, regras e magias, e por isso podem parecer mais realistas, o que se torna um dos seus maiores atrativos.

Por Fim

Espero que essa pequena analise seja útil principalmente para quem está iniciando no mundo do RPG ou para quem gostaria de conhecer novos tipos de sistemas.

Clérigo Anão – O Tolo que Roubou a Alvorada – Old Dragon 2 – NPCS

O Clérigo Anão é um personagem criado para a campanha O Tolo que Roubou a Alvorada do Movimento RPG em parceria com a Buró. Foi interpretado por diversos jogadores no decorrer da campanha. O sistema utilizado foi Old Dragon 2.

O Clérigo Anão

No passado, um grave trauma fragmentou a mente do jovem anão. Isso dividiu sua mente em múltiplas personalidades, que se alternam no controle do corpo do clérigo. Nenhuma das personalidades sabe como surgiu e a consciência original do anão se perdeu em meio à multiplicidade de mentes.

O Anão possui um símbolo sagrado de madeira bastante gasto, de forma que é impossível saber qual a divindade original cultuada pelo jovem clérigo.

Como Interpretar o Anão

Fácil! Invente uma personalidade pra ele e abrace o mundo! O céu é o limite!

Mote

As origens do jovem anão se perderam no passado. Só resta olhar para o futuro, viver um dia após o outro e orar aos deuses por proteção.

Frase

“Como vim parar aqui? Quem são essas pessoas?”


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Anão Clérigo para Old Dragon 2


Thalanill Triktapicc – O Tolo que Roubou a Alvorada – Old Dragon 2 – NPCS

Thalanill Triktapicc é um personagem criado por Wellington Botelho para a campanha O Tolo que Roubou a Alvorada do Movimento RPG em parceria com a Buró. O sistema utilizado foi Old Dragon 2.

Thalanill Triktapicc

Thalanil foi criado entre os elfos. Foi treinado nas tradições élficas do arco longo e da espada, e cresceu para ser um representante das artes e da superioridade élfica sobre os demais povos. Naturalmente afortunado com uma capacidade física invejável. Foi fácil para ele completar seu treinamento e partir em busca de aventuras pelo mundo.

Como Interpretar Thalanill

Thalanill demonstra a típica arrogância élfica para com as outras raças, mas ela se manifesta de uma forma um pouco diferente. Ele é rabugento e não gosta de socializar. Fica o tempo todo reclamando de seus companheiros e fazendo breves comentários passivo-agressivos.

Mote

O arqueiro quer se provar como guerreiro, pois acredita que o mundo precisa reconhecer a superioridade élfica. Porém, um pouco de fama e dinheiro no caminho não faz mal a ninguém.

Frase

“Interessante. Até que foi bom para um anão.


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Thalanill Triktapicc para Old Dragon 2


Elmol Mullet – O Tolo que Roubou a Alvorada – Old Dragon 2 – NPCS

Elmol Mullet é um personagem criado por Antônio Pop para a campanha O Tolo que Roubou a Alvorada do Movimento RPG em parceria com a Buró. O sistema utilizado foi Old Dragon 2.

Elmol Mullet

Elmol não é exatamente a pessoa mais brilhante do mundo. Apesar de sua inteligência limitada, é um guerreiro pouco convencional, mostrando-se mais ágil do que forte. Durante seu treinamento, nunca conseguiu dominar a arte da espada, preferindo a inusitada combinação de pique e besta. Hoje, Elmol anda pelo mundo em busca de novas aventuras.

Como Interpretar Elmol

O garoto tem a mente simples, e por isso acaba se mostrando calmo, inocente, e até um pouco distraído. Sua personalidade contrasta um pouco com seu estilo espalhafatoso de se vestir, alheio à qualquer noção estética. Ele não é nem de longe uma pessoa maldosa e procura sempre fazer o bem para os outros ao seu redor, ainda que às vezes seu pensamento seja um pouco obtuso sobre a melhor forma de executar isso.

Mote

O guerreiro não tem ambições muito extravagantes. Ele se aventura para ficar rico, mas apenas porque acredita que ficando rico, nunca mais vai faltar comida. Além disso, ele mostra um senso de lealdade para com as pessoas que estão ao seu redor.

Frase

“Eu não gosto dessas moedinhas amarelas, gosto mais das escurinhas.


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Elmol Mullet para Old Dragon 2


Thalis Lunatel – O Tolo que Roubou a Alvorada – Old Dragon 2 – NPCS

Thalis Lunatel é um personagem criado por Davyson da HeroMaker Minis para a campanha O Tolo que Roubou a Alvorada do Movimento RPG em parceria com a Buró. O sistema utilizado foi Old Dragon 2.

Thalis Lunatel

Thalis vem de uma tradicional família de guerreiros de sua pequena vila. Porém, como nasceu com braços fracos e físico debilitado, não estava à altura do legado de sua linhagem.

Sua sorte mudou quando um velho mago apareceu no vilarejo. Cansado de uma vida de aventuras, o mago tomou Thalis como aprendiz e ensinou-lhe suas primeiras magias. Depois de um intenso treinamento, o jovem humano decidiu partir em busca de aventuras e novos conhecimentos.

Como Interpretar Thalis

Thalis é tranquilo e não gosta de problemas. Porém, a descoberta da magia trouxe ao jovem uma certa soberba. Ele acredita que o conhecimento arcano é a coisa mais incrível do mundo, e às vezes acaba se dando mais crédito do que merece por conta disso.

Mote

Buscar conhecimento é o que move os grandes pensadores, e Thalanil vê nas suas aventuras uma oportunidade de crescer e se desenvolver cada vez mais como mago.

Frase

“Uma mente afiada vale mais do que uma espada.”


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Thalis Lunatel para Old Dragon 2


Monty Python’s Cocurricular Mediaeval Reenactment Programme

“Sou Arthur, filho de Uther Pendragon, do castelo de Camelot. Rei dos Bretões, vencedor dos Saxões e soberano de toda a Inglaterra. Nós cavalgamos a terra em toda sua extensão em busca de bravos cavaleiros para se juntarem a mim na corte de Camelot.”

“Vocês não cavalgaram! Isso não são cavalos, vocês só estão batendo cocos!”

Ninguém espera a Inquisição Espanhola!

Afinal, o que está acontecendo? Bom, Monty Python, em parceria com a Crowbar Creative e a Exalted Funeral, acaba de anunciar o Monty Python’s Cocurricular Mediaeval Reenactment Programme (algo como Programa Co-curricular de Reconstituição Medieval do Monty Python), que eles insistem em dizer que NÃO é um RPG.

O jogo será financiado através de um financiamento coletivo que deve começar em outubro. Há também um hotsite com algumas informações sobre o projeto.

Se você joga RPG há algum tempo, certamente já esbarrou em algum meme com cenas de algum filme dos Pythons.

Mos o que, raios, é Monty Python, afinal?

Monty Python é um grupo de comediantes britânicos que começou sua carreira ainda nos anos 60. Sua obra mais conhecida é, provavelmente, o filme Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, um marco na comédia audiovisual no mundo inteiro e expoente do pós-modernismo na cultura pop (mas estou divagando aqui). Curiosamente, também foram os criadores do termo spam.

No catálogo dos Pythons também contam coisas como A Vida de Brian, O Sentido da Vida e a série de TV da BBC, Monty Python’s Flying Circus. que foi ao ar entre 1969 e 1974. Há outros além desses, bem como vários esquetes soltos nos YouTubes da vida (se vale alguma coisa, meus favoritos são O Futebol dos Filósofos e A Última Ceia de Michelângelo).

Se você souber onde olhar, há várias referências a Monty Python espalhadas pela cultura pop, como a famosa Granada Santa do Worms.

E o jogo?

O jogo é uma parceria entre a Crowbar Creative e a Exalted Funeral. A Crowbar Creative é responsável por coisas como Rackham Vale, um cenário para Old School Essentials inspirado no trabalho de Arthur Rackham (também lançado pela Exalted Funeral), Dr. Grordbort (um suplemento para D&D 5E inspirado no trabalho de Greg Broadmore) A Exalted Funeral é a editora responsável pela publicação de uma porrada de coisas, incluindo aí o próprio Old School Essentials, um retroclone de D&D/AD&D que pode ser baixado de graça no site deles (que traz de volta as regras de ataque baseadas em Thac0, pros saudosistas).

O hotsite tem algumas informações sobre o que esperar em termos de sistema de regras mas, como qualquer coisa do Monty Python, é difícil levar a sério tudo o que eles falam. Eles prometem um sistema “original e com regras simples”, guia para criação de aventuras, criação de personagens, bestiário, séquitos, NPCs, tabela para criação de “várias coisas”, aventuras prontas e um “mini-game baseado em gamão que envolve catapultas e animais da fazenda chamado Fetchez la Vache.”

O anúncio promete também vários níveis de apoio e brindes para apoiadores de primeiro dia, incluindo dados customizados, escudo de mestre (“Head of Light Entertainment screen”) e um conjunto de Fetchez la Vache com uma catapulta para dados.

Aquela velha piada do “a noite cai e causa 6d6 de dano em todo mundo” pode ser literal em um jogo baseado em Monty Python.

Por fim

Bom, eu gosto muito de Monty Python e também de RPG, então estou na torcida para que saia coisa boa daí. RPGs de comédia não são nenhuma novidade. Toon, Paranoia, Defensores de Tóquio (o original), Kobolds Ate My Baby, Malditos Goblins e Terra de Og são alguns exemplos disso. Espero realmente que o Monty Python’s Cocurricular Mediaeval Reenactment Programme traga novidade e frescor para nossas campanhas de RPG.

Aliás, esqueçam isso. Monty Python’s Cocurricular Mediaeval Reenactment Programme NÃO é um RPG! De forma alguma! Se você joga RPG, inclusive, deveria parar de ler imediatamente e passar longe de qualquer coisa relacionada a este livro.

Se você é um jogador de RPG, melhor ver qualquer outra coisa desse site, como a resenha de The Dark Eye. Certamente jogadores de RPG vão se interessar por isso.

Space Dragon – Guia de Criação de Mundos

Uma das coisas mais legais de campanhas de ficção científica vintage é a possibilidade de explorar planetas estranhos com lógica duvidosa. Uma das coisas mais legais dos RPGs oldschool são as tabelas de coisas aleatórias. Space Dragon conseguiu unir essas duas coisas de um jeito bem legal. Vamos falar um pouco sobre isso.

Flutuando em uma lata de estanho

As regras para criação de planetas começam na página 193. São várias tabelas que podem dar uma grande variedade de resultados. Vamos passar por cada uma delas enquanto criamos um planeta de exemplo.

T11-5: Superfícies

A primeira tabela descreve aspectos bem gerais, incluindo descrições da fauna, flora e temperatura padrão, porém, fauna e flora também podem ser jogadas separadamente depois. Vamos usar as duas: a desta tabela será uma visão geral do planeta, enquanto a próxima será a região específica onde a tripulação irá pousar.

Rolamos 4 no nosso d10. Isso nos dá um planeta com superfície vulcânica, com répteis habitando o lugar, líquens como opção de alimentação padrão para estas criaturas e temperatura altíssima.

Outro método para criar mundos alienígenas legais é tentar descrever qualquer ilustração do Roger Dean.

T11-6: Atmosfera

A atmosfera pode ser ou não respirável e gerar efeitos colaterais prejudiciais para uma população despreparada, principalmente se eles foram obrigados a fazer um pouso forçado. É importante lembrar que, mesmo se rolarmos aqui uma atmosfera imprópria,  precisamos encontrar uma justificativa para a presença das criaturas que já estão no nosso planeta, como bolsões de ar respirável, cavernas habitáveis ou algo assim.

Com resultado 1 em 1d10, tivemos a sorte (ou melhor: os jogadores tiveram) de ter uma atmosfera padrão, com ar respirável. Também não precisamos nos desdobrar para conseguir explicar resultados muito bizarros ou discrepantes, que sempre pode ser complicado se estivermos fazendo isso no meio da sessão.

T11-7: Fauna

A tabela T11-5 nos deu uma visão geral do nosso planeta, mas aqui vamos conseguir algo mais específico para a região onde a nave dos jogadores pousou. Isso pode ajudar a trazer diversidade para o planeta, principalmente se você caprichar na descrição.

Dessa vez, os dados nos trolam, e com resultado 1 em 1d6, temos um maravilhoso grupo de mamíferos terrestres! Em um planeta vulcânico extremamente quente! Bom… no nosso planeta, camelos e jerboas são exemplos de mamíferos que conseguem tolerar boas quantidades de calor. Então, teremos aqui um grupo de ratinhos parecidos com jerboas que são implacavelmente caçados pelos lagartos grandões que dominam o lugar.

T11-8: Flora

A flora padrão do planeta são líquens, mas, como definido anteriormente, vamos usar essa tabela para tentar conseguir alguma diversidade para nosso planeta, com biomas diferenciados para a região onde o grupo de personagens se encontra. Novamente, capriche na descrição.

E, claro, os dados nos trolam novamente com um 6. Flora predominante inexistente. Já definimos que os lagartões caçam os ratinhos, mas os ratinhos comem o quê? Vamos usar nossa criatividade e poder de mestre para botar mais um passo nessa cadeia alimentar: Há vários insetos que se alimentam dos líquens que crescem na superfície rochosa do nosso planeta vulcânico. Esses insetos vão servir de alimento para nossos ratinhos e ajudar a dar uma diversidade para esse ecossistema bizarro.

Até agora, nosso planeta é praticamente um cenário de tokusatsu.

T11-9: Sociedade

A cereja do bolo: aqui definimos os habitantes inteligentes que nossos aventureiros espaciais vão encontrar. A tabela não nos dá raças ou espécies humanoides, apenas a forma básica de organização social. Podemos escolher uma raça alienígena que combina com as características do planeta que criamos até agora.

Naturalmente, homens-lagarto combinam bem com o cenário. Então, os repto-sapiens da página 220 serão nossa raça básica. Claro que poderíamos usar qualquer outra ou até inventar uma. Com 1 em 1d8, descobrimos que eles se organizam em uma monarquia. Teremos um grande rei-lagarto no centro da sociedade. Essa é a parte mais legal de inventar, e possivelmente é onde os PJs mais vão gastar seu tempo.

Nosso planeta terá uma monarquia religiosa, onde um sacerdote serve de porta voz para um lagarto gigante que serve como rei. O lagarto gigante possui mente e vontade próprias, mas se comunica apenas com o sacerdote.

Os outros homens e mulheres-lagarto trabalham cultivando líquen e criando répteis e outros animais que servem como a base do sustento da sociedade. Eles conseguem minerar e forjar metal, mas a base de sua tecnologia é a rocha vulcânica, que aprenderam a moldar em grandes estruturas.

Nome e Descrição

O livro sugere um nome pseudocientífico baseado na nossa rolagem: HL-41161. Por outro lado, os homens-lagarto que habitam o lugar certamente possuem língua própria e nomes mais naturais para as coisas que estão ao seu redor. Esse ponto se resume a aparar as arestas usando seu poder de mestre e preencher os detalhes que faltam. Você também pode usar o que foi sorteado até aqui para criar uma tabela de encontros aleatórios. Algumas sugestões que estão no livro básico: aranha gigante, crocossauro (com alguma mudança de descrição para adaptar ao ambiente rochoso), dragão venusiano, formigácida, gigantossauro, homem-lagarto (para grupos de bandidos errantes), lagarto do deserto e monstro de lava.

Vocês finalmente chegam ao planeta HL-41161, também conhecido como Planeta Arktar por seus habitantes. Segundo o computador de bordo, o rei Arktar é um lagarto-gigante centenário que só se comunica com seu sacerdote, Okdar. Mesmo assim, a população confia nos religiosos e segue sua vida em paz. O ambiente vulcânico é hostil, por isso a maioria dos repto-sapiens vive em cavernas, onde constroem incríveis cidades usando rocha vulcânica, que aprenderam a trabalhar enquanto ainda está quente, criando uma arquitetura única. Eles sobem à superfície apenas para trabalhar em suas fazendas durante a noite, quando o clima é mais ameno. Eles criam grandes lagartos para tração animal, bem como mamíferos menores e insetos para servir de comida. 

Fun fact: eu uso o rolador de dados do Google enquanto escrevo esses tutoriais.
Fiz a mesma coisa no Guia de Criação de Personagens.

Por fim

Criar mundos únicos para Space Dragon parece desafiador a princípio, mas é mais simples e divertido do que parece. Algumas referências científicas sem dúvida podem ajudar, mas não precisa ser uma grande preocupação, já que a maior referência são aqueles ficções científicas meio galhofentas dos anos 50 e 60. Se você leu até aqui e ainda não sabe do que estamos falando, veja a página oficial ou nossa resenha.

Bom jogo a todos!

Space Dragon – Resenha

Space Dragon, escrito por Igor Moreno e publicado pela Buró, é um jogo-irmão de Old Dragon, no sentido que ambos compartilham o sistema de regras e têm um forte apelo oldschool. Mais do que isso: Space Dragon traz um sabor retrofuturista muito interessante, trazendo à mente referências como Flash Gordon, Space Ghost e até Herculóides!

D&D Old Dragon no Espaço

A ideia de pegar um cenário de fantasia e jogar pro espaço não é nova. AD&D teve Spelljammer, Pathfinder teve seu Starfinder e até Tormenta teve sua versão de exploração espacial no suplemento Mundo dos Deuses, onde os planos divinos formam um sistema planetário (mais tarde meio que oficializado na campanha da Twitch Guilda do Macaco).

O grande diferencial do Space Dragon, contudo, é justamente unir esse apelo retrofuturista (mais especificamente, essa sub-estética do retrofuturismo conhecida como Raygun Gothic) com um sistema simples e elegante como o de Old Dragon, que desafia mais para a criatividade e esperteza dos jogadores do que as fichas de seus personagens.

Capacetes redondos e armas de raio que fazem “bzíum” fazem parte do clima.

Sistema

Quem está familiarizado com Old Dragon não vai se surpreender muito. O sistema de regras é baseado em Old Dragon e traz para o Space a essência OSR. O básico do sistema d20 continua funcionando normalmente aqui: para atacar, você rola 1d20, soma alguns modificadores e precisa vencer a defesa do adversário.

Atacar? E as outras coisas? Bom, quem está familiarizado com sistemas OSR já sabe que não existem muitas outras coisas nas regras além disso, mas isso não é um defeito: é uma característica. Para fazer qualquer outra coisa, você simplesmente descreve o que seu personagem vai tentar. Quer se esconder do alienígena? Nada de “eu rolo furtividade”. É mais para “tem alguma pedra ou máquina por perto que eu possa usar para me esconder?”. Em geral, esse diálogo entre jogador e mestre é suficiente para avançar a história. Se você precisa mesmo fazer uma rolagem, jogue 1d20 e tente tirar um número menor que seu atributo.

Classes

As principais classes do Old Dragon (e do D&D clássico) estão representadas aqui: Cosmonauta (Guerreiro), Gatuno (Ladino), Cientista (Clérigo) e Mentálico (Mago). Cosmonautas e Gatunos funcionam de um jeito muito parecido com suas contrapartes medievais. Mentálicos possuem certa flexibilidade se comparado com os Magos, já que seu limite diário de magia não é representado pelos famosos círculos de magia, e sim pelo Alcance Mental, que funciona mais ou menos como PMs de RPGs eletrônicos. Cientistas, por sua vez, não usam magia como os clérigos, mas fazem inventos, que requerem um pouco mais de tempo. Contudo, possuem uma habilidade análoga ao famoso Expulsar Mortos-vivos dos clérigos chamada Desativar Robôs (mas precisam construir um invento chamado Disruptor Positrônico antes).

Além disso, há também regras para naves, veículos e combates espaciais. Não podia faltar.

Se você quer fazer alguma coisa em Space Dragon, descreva. Os dados não vão salvar você.

Cenário

O cenário em Space Dragon não é profundamente descrito, mas sim sugerido através das raças, criaturas e outros elementos apresentados. A ideia é que o mestre construa seus próprios planetas, sociedades, guildas, missões e etc. No melhor espírito oldschool, temos tabelas para gerar planetas e relíquias tecnológicas aleatoriamente – algo muito divertido!

As raças disponíveis para os jogadores são apenas três: Humano, Androide e Mutante. Mutante é a mais flexível de todas, com mutações sorteadas aleatoriamente em tabelas. Por outro lado, há várias raças alienígenas no bestiário, como Zorks (sim, são Orcs com “Z” na frente, e daí?), Xhenianos, homens-lagarto e outros. Há também dragões planetários e toda sorte de monstros esquisitos para o mestre povoar os planetas que inventar.

Nas capas internas há um mapa espacial com algumas localizações com nomes como Colônias Lunares ou Minas de Jóias de Zentarr, mas não há descrição desses locais no livro. São apenas sugestões evocativas para que o grupo preencha com sua imaginação.

“O mutante cosplay de Han Solo vai na frente com os três robôs. Eu vou… hã… buscar uma coisa na nave.”

Por Fim

Space Dragon é um RPG interessante, descontraído, com um sabor diferente dos outros RPGs espaciais do mercado. O efeito nostalgia parece ter apelo pra galera da minha geração, nascida no final da década de 80 (também conhecidos como Millenials ou “bando de véio paia”), mas acredito que o jogo vai além disso. O fato de não ser uma ficção científica “hard” dá ao grupo a liberdade de ter sessões despretensiosas e descontraídas, sem se preocupar necessariamente com a velocidade de dobra especial de cada nave. No site da Buró há uma versão fastplay gratuita para download, bem como outros materiais e aventuras.

E não esqueça de ver também nossa campanha de Old Dragon 2.

Bom jogo a todos!

DCC RPG passa para a Sagen Editora no Brasil

A Goodman Games, detentora dos direitos do jogo Dungeon Crawl Classics RPG, ou DCC, título mais popular do movimento Old School Renaissance, que emula os jogos lançados na origem do hobbie nos anos 70, anunciou o fim da parceria com a editora New Order. O jogo passará a ser distribuído pela editora Sagen a partir de 2 de dezembro.

Abaixo, você pode conferir a carta aberta da Goodman Games aos fãs brasileiros comentando a decisão, publicada já em português no site oficial:

UMA CARTA ABERTA AOS FÃS BRASILEIROS DO DCC RPG

Esta carta é direcionada aos fãs do DCC na grande nação do Brasil. A Goodman Games e o sistema DCC RPG sempre tiveram uma forte base de fãs no Brasil e sou grato por isso. Ao longo dos anos vocês apoiaram o jogo de várias maneiras, e foi ótimo assistir a base de fãs evoluir.

Há vários anos, assinei um acordo com um parceiro local de tradução para trazer uma edição em português do DCC RPG para o mercado brasileiro. Esse tipo de contrato de tradução é comum na indústria de RPG, e o parceiro que selecionei parecia ter todas as qualificações necessárias. Muitos fãs brasileiros – e até alguns americanos – apoiaram o financiamento coletivo.

Infelizmente, o financiamento coletivo não foi entregue como eu esperava, o que muitos de vocês já devem saber. Eu não preciso entrar em detalhes, mas eu gostaria que os fãs soubessem que eu também estou decepcionado com o resultado. Eu sei que muitos de vocês não têm todos os produtos que pensavam que receberiam. Acredite ou não, nunca recebi amostras de todos os produtos desta editora, também!

Em meu nome e da Goodman Games, gostaria de me desculpar pelos desafios que vocês tiveram na campanha do financiamento coletivo para a edição em português do DCC RPG. É meu objetivo garantir que todos os apoiadores recebam os produtos dos quais têm direito. Tão importante quanto isso, é também meu objetivo garantir que os fãs do DCC RPG no Brasil recebam uma edição do livro que esteja à altura da edição original dos EUA e mantenha nossos altos valores de produção.

Esta carta também é para notificar os fãs de que o acordo entre Goodman Games e a New Order Editora será encerrado a partir de 1º de dezembro. Após essa data, a New Order Editora não terá mais o direito de publicar ou vender materiais do DCC RPG no Brasil. De acordo com a recente postagem da New Order Editora no Catarse, eles se comprometeram a atender todos os apoiadores antes que sua licença termine. Se você é um apoiador que não recebeu os itens que apoiou, entre em contato com eles para garantir que seu apoio seja atendido.

Existe ainda um assunto pendente sobre os materiais do DCC Lankhmar, que foram oferecidos pela New Order Editora, e incapaz de serem entregues. Embora eu não goste de divulgar detalhes de acordos comerciais publicamente, devo esclarecer algo aqui. O acordo entre Goodman Games e a New Order Editora nunca incluiu os direitos de tradução do DCC Lankhmar para o português. É lamentável que compromissos públicos tenham sido assumidos sem o devido acordo.

Na postagem no Catarse, a New Order Editora afirma que, “Como uma forma de compensação, negociamos com o sr. Goodman a liberação de seis módulos, para substituir os de Lankhmar, as aventuras foram escolhidas dentre as mais vendidas e procuradas nos EUA, e selecionadas pelo próprio Joseph Goodman!” Esta parte é verdadeira: eu garantirei que os apoiadores brasileiros receberão substituições equivalentes para os módulos Lankhmar prometidos. No entanto, isso não será realizado pela New Order Editora. Em breve, outra editora assumirá a licença e fornecerá detalhes sobre esse aspecto da situação.

Aprecio o fato de a New Order Editora ter trazido o sistema de jogos DCC RPG para os fãs do Brasil. Sem eles, muitos fãs brasileiros nunca teriam sido introduzidos no sistema, então eu sou grato por seus esforços.

Para clientes em outros mercados, saibam que este anúncio é específico para o mercado brasileiro. Isso não deve ser considerado um comentário sobre nossa confiança com parceiros na Alemanha, Espanha e outros mercados ainda não anunciados.

Obrigado pelo seu apoio até agora. Anunciaremos mais novidades sobre esse assunto após 1º de dezembro.

– Joseph Goodman, September 2019

 

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