Finalizando Campanhas – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Aproveitando que hoje é o último texto do Aprendiz de Mestre desse ano (e meu por algum tempo), falarmos sobre o encerramento de campanhas. Não, não é sobre quando vocês param de jogar por não conseguirem mais fecharem seus horários ou coisa pior (sei de algumas histórias tenebrosas…). Esse texto é para aquele pequeno grupo de pessoas que conseguem jogar algumas ou dezenas de sessões e encerrar uma história.

Trarei ideias e sugestões para três abordagens: a ideal, a desesperada última sessão e uma (quase) inovação de se jogar em temporadas.

A campanha ideal

Idealmente as campanhas durariam quanto deviam durar e se encerrariam quando a história que o mestre pensou para a mesma acabasse. Entretanto sabemos que isso é uma exceção em meio a tantas campanhas iniciadas (e outras nem isso).

Porém, grupos de amigos ou de pessoas dedicadas (aqui tenho que agradecer alguns dos meus jogadores que jogam comigo online a mais de 8 anos – a maioria menos – e se mantiveram firmes e presentes em minhas mesas, mesmo quando eu tive que interromper campanhas por meses por vários motivos) conseguem se manter jogando uma vez a cada semana ou quinzena. Assim, em algum momento a campanha se encerrará, geralmente entre 1 a 3 anos de duração.

Uma alternativa é fazer campanhas mais curtas, mas sabemos que a grande maioria gosta de campanhas épicas ou, ao menos, com tempo suficiente para o bom desenvolvimento dos personagens. 

De qualquer modo, numa campanha ideal a história se encerrará por si só e o mestre pouco precisará fazer para encerrá-la. Geralmente o vilão final será enfrentado e o objetivo da campanha se concretizará.

Já tive campanhas assim, ambas em tormenta. Iniciamos no nível 1 e continuamos o jogo até o nível 25 (mas houve salto de 6 níveis na campanha) e na outra encerramos no nível 16 em Moreania. As campanhas foram se desenrolando, descobrindo mais vilões ou, então, o paradeiro de algum item poderoso.

Os objetivos foram alterando a dinâmica e importância dos personagens e as missões a serem cumpridas. O grupo não desejava encerrar a campanha logo na primeira missão. Queriam tanto continuar e expandir a história como ficarem mais poderosos e ultrapassarem os limites dos combos.

Uma última sessão

Muitas vezes o grupo percebe que não conseguirá atingir todos os objetivos da campanha. Ou esta se estendeu por mais tempo que o desejado pelos participantes. Também há a possibilidade de que algum participante terá que deixar de jogar (ou de mestrar) e antes que a campanha fique em aberto o melhor é separar algumas sessões para finalizar a campanha de uma forma digna.

Para isso é bom haver uma conversa com todos participantes e um empo de preparação. Além de que todos terão que “encurtar missões e interesses” para se chegar a um consenso e poder finalizar a campanha nas sessões finais.

Se isso não ocorrer é quase certo que haverá uma sensação de que a campanha foi decepada. Como se fosse um filme sem final. Desta forma eu sugiro que duas sessões sejam suficientes para o grupo encerrar o que estiver fazendo e lidar com o desfecho da campanha.

Temporadas

Esta é minha forma preferida atual de conduzir campanhas. Inspiradas em jogos transmitidos por Twich e YouTube, inclusive as do Movimento (que retornarão neste vindouro ano), eu encerro a campanha quando é atingida uma missão ou marco da história. Ao contrário de antigamente que eu continua mestrando e mestrando até quando dava.

Assim, quando encerra uma temporada eu tenho um tempo de descanso e de preparo. Seja para uma campanha diferente, seja para a próxima temporada da próxima campanha. Duas campanhas que realizei em meu cenário (Elfrin), nas quais eu utilizava a mesma aventura, eu continuei a história após o desfecho com o vilão final (spoilers: ninguém o venceu).

Numa delas os jogadores permaneceram todos, porém a maioria preferiu trocar de personagens ou os aposentaram ao longo da nova temporada. E a outra mesa foi juntada com outra visto a saída dos jogadores. Nesta, houve a continuidade de apenas um personagem e a total mudança do local da trama. Assim, ela poderia ser considerada uma série derivada e não uma nova temporada.

Porém, tal abordagem me permitiu mais liberdade em traçar novos inimigos, problemas e lugares pelos quais os personagens das duas mesas passariam. E isso permitindo que os jogadores mantivessem um senso de continuísmo e pertencimento. Já que alguns elencavam os acontecimentos recentes com situações ocorridas nos primeiros níveis da campanha.

Outro ponto a favor é o fato das histórias ficarem mais simples e coesas. Evitando tautologias e e prolongamentos desnecessários da campanha.

A primeira campanha que utilizei este método foi a única de Mutantes e Malfeitores que narrei até hoje. A história era muito inspirada na forma narrativa da animação Liga da Justiça Jovem. Ou seja, haveria mortos e um mundo um pouco mais realista e duro. Porém sem a densidade e violência de outras obras como The Boys ou Invencível.

Na primeira temporada os personagens tinham que descobrir quem era o vilão coordenando vários ataques pelo mundo. Entretanto, além de falharem nisso acabaram se aliando ao próprio vilão (sem saber e por decorrência de uma boa imagem de NPC como isca). Já na segunda temporada o grupo precisou lidar com as catastróficas consequências de suas escolhas e atos e ajudar o vilão, o qual se tornou o chefe deles a liderarem uma missão planetária contra uma ameaça cósmica, mas longe da terra.

Pois bem, desta maneira encerro minha participação nesta primeira temporada nesta coluna do Aprendiz de Mestre. Um abraço a todos e bom 2026.


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Criando seu vilão – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Hoje de falarmos sobre tipos de vilões. Hoje abordaremos algumas formas de criar vilões clássicos e que cumpram seu papel nas narrativas: o de causar raiva e choro nos personagens (e jogadores).

Gênese

A gênese aqui não se refere ao início da história do vilão, mas como ele se apresenta ao grupo. A forma clássica é fazer com que os personagens investiguem e descubram quem é o vilão.

Isso geralmente ocorre após o grupo derrotar alguns capangas ou criminosos a serviço do vilão e descobrirem alguma carta ou documento com alguma inscrição, apelido ou inicial. O documento revela que alguém enviou aqueles capangas atrás de alguém ou de um item e que foram impedidos pelos aventureiros.

Vendo que há uma ameaça maior. O grupo tende a buscar os responsáveis e aí é que geralmente encontram o primeiro “tenente” do grande vilão. Neste ponto o mestre deve escolher se revelará o vilão ou manterá o mistério. Bem como se tal “tenente” fugirá, será capturado ou morrerá nas mãos dos aventureiros.

Qualquer que for o caminho escolhido, esta escolha deve ser orgânica e não parecer forçada. Por isso é bom ter um plano para se adaptar ao que os jogadores possam e consigam fazer.

O problema aumenta

De qualquer maneira, o mestre terá que indicar um ou mais possíveis planos do vilão. Seja a busca pelo tenente fujão ou investigarem outros possíveis tenentes.

Essa busca pode ser intercalada com alguma missão secundária, não sendo necessário grande urgência. Entretanto, a importância em se localizar o vilão se torna imperativa. Seja pelas pistas achadas pelos aventureiros, seja por um novo ataque dos asseclas do vilão no local onde está o grupo ou então, num local próximo.

De qualquer maneira, o grupo segue o novo passo na direção do vilão. Aqui é interessante que o grupo descubra quem realmente é o vilão (se já não souberem). Assim, poderão elaborar estratégias de contingência ou de perseguição ao mesmo.

Porém, é muito importante que a cada novo encontro, pista ou combate os inimigos forneçam mais informações sobre o vilão. Inclusive apresentando ameaças e de que o vilão já sabe quem são os heróis e planeja contramedidas contra os mesmos.

Assim, neste ponto da campanha, o negócio se torna pessoal (se já não era). E o jogo se torna uma dupla caçada, com os vilões e os heróis se perseguindo e se evitando conforme as situações.

O ápice

Antes do final, o vilão pode ter um confronto ou aparecimento direto com os aventureiros. Entretanto, se você, como mestre, não estiver preparado para que este seja um confronto final, é melhor deixar o vilão para ser encontrado só na batalha final mesmo.

Voltando a linha narrativa padrão, coloque desafios difíceis contra os tenentes restantes do vilão e em algum local que seja de interesse para o plano final dele. Não há muitos caminhos alternativos a serem tomados, exceto alguém sequestrado ou algo que precise ser recuperado.

Algo interessante de se fazer é demonstrar o nível de crueldade ou não que o vilão tem (vá que ele lute por “uma boa causa”?), bem como haja a oportunidade de um debate. Assim, será possível levantar as questões que o vilão escolher para seguir com esse plano. Inclusive buscando convencer o grupo a não enfrentá-lo e, talvez, unir-se a ele.

Porém, lembre-se que aventureiros não esperarão monólogos. Portanto tome garantias para que seja possível a conversa, como o vilão ter algum inocente ou conhecido do grupo sob sua arma.

Ao final, mesmo que este roteiro seja básico, seu grupo poderá se lembrar do embate final, seja pela luta e suas falhas e acertos, seja pela conversa ou até mesmo pelos possíveis ganchos que você tenha utilizado das histórias dos personagens.

E se não for, tudo bem. O importante é se divertirem.


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Tipos de vilões – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Hoje falaremos de alguns tipos de vilões que podem existir em suas campanhas de RPG e as funções e impactos deles nas suas mesas.

Vilão Ausente 

Na verdade, o vilão ausente não é um vilão. Como o nome diz, ele não existe, é ausente. Ou seja, os personagens enfrentam apenas a própria jornada. Lidando com os problemas que surgem pelo caminho.

Podem ser “monstros da semana” ou NPCs precisando de ajuda ou até a busca por algum item mágico importante. Aqui os desafios e monstros (ou adversários) constituem a escada que formará a história de superação e evolução dos aventureiros.

Numa das minhas campanhas, em sua segunda temporada, os jogadores escolheram que a campanha seria a busca por um item mágico. O próprio ambiente, inimigos e monstros do caminho fizeram o papel de antagonistas da história.

O grupo precisou escapar de uma luta épica de gigantes em meio a uma forte tempestade (um dos melhores usos de Truque da Corda que eu já vi). Também precisaram lidar com uma masmorra mágica, onde um dos personagens sacrificou seu personagem em prol dos demais.

Por fim, estão enfrentando o frio inclemente do sul do continente para conseguirem o tão desejado item. E mesmo ao enfrentarem o detentor do item, este não se configurará no vilão da campanha, mas sim apenas no combate final. Ou seja, é um desafio de poder e dificilmente terá ligações emocionais com os personagens.

Vilão Oculto

Entretanto, uma outra forma de se colocar ou não um vilão na campanha é aquele o qual os personagens apenas ouvem falar. Ele é uma sombra guiando os vilões menores, nunca dando as caras e, dificilmente, o grupo o enfrentará, mesmo no combate final.

Este tipo de vilão está oculto na trama da própria campanha e uma boa forma de terminar a campanha (ou uma temporada) é fazendo a revelação de quem é o vilão. Embora seja algo possível de acontecer no RPG, tal tipo de vilão e final ficam melhores para livros e filmes.

Entretanto, um outra forma de vilão oculto é aquele que aparece no final, enfrentando ou não o grupo. Esse aparecimento não ocorre do “nada”, mas sim, após o vilão de fachada ser derrotado. O exemplo clássico de vilão oculto é o Imperador Palpatine na trilogia prequela de Star Wars.

Vilão Esporádico

O vilão esporádico é alguém que tem o azar de cruzar com o grupo de aventureiros do grupo. Ocasionalmente algum plano dele é desfeito pelo grupo e ele pode querer vingança ou financiar bandidos ou outros grupos para importunar ou destruir a vida dos aventureiros.

Enquanto isso, tanto o vilão como os aventureiros estarão em outras missões ou interesses. Aqui, o vilão só teve o azar de cruzar o caminho do grupo. Ele faz maldades, porém não é mal por si. É muito mais um vilão por circunstâncias do que por alguma filosofia ou algo do tipo.

Logicamente que tal vilão pode ser o líder de um culto maligno sacrificando pessoas ou algo do tipo. Entretanto, suas ações seriam muito mais condizentes dele ser um contrabandista ou estar focado numa outra região onde o grupo geralmente não atua.

Aqui se pode haver o embate final, porém, ele pode ou não ser o derradeiro da campanha.

Este tipo de vilão permite maior liberdade do mestre e dos jogadores, podendo intercalar missões ditas como principais com missões secundárias ou de menor importância.

Vilão Constante

Aqui é o caso do típico vilão que é mal porquê sim e ponto. Não há ponto na história que não tenha os dedos infames deste vilão. Se o guerreiro do grupo é órfão, a culpa recai sobre este vilão, seja diretamente matando os pais do guerreiro ou, então, enviando tropas que fizeram isso.

Um vilão deste tipo deve ser um vilão consolidado ou que busca tal consolidação. Geralmente será um déspota ou alguém dando um golpe de estado ou invadindo outra nação.

Com raras exceções tudo o que os personagens lidarem e enfrentarem será decorrente das ações do vilão e o embate final deve ser contra tal vilão. O ápice da campanha é a morte, destruição ou anulação desse vilão. Porém, as vezes é interessante que tal vilão sobreviva e que seja possível uma continuação…

Vilão Adversário

O adversário pode ser um rival ou antigo aliado do grupo. É alguém que começou “de baixo” também. Evoluindo em paralelo ao grupo e, muitas vezes, fugindo deles. Pode ser um capanga que foi galgando cargos até chegar ao posto máximo.

Até mesmo pode ter se beneficiado, em sua escalada criminosa, de pessoas que foram “removidas” pelos aventureiros. É alguém que reergue um mal ou grupo que deveria estar destruído após a intervenção dos personagens. Ele é o que sobrou ou, então, apenas está erguendo seu império criminoso.

Muitas vezes tal vilão fugirá do grupo sempre que possível, frustrando um embate final. Outra ideia é fazê-lo até mais fraco que o nível do grupo, o que justificará o uso mais ardiloso de bens e matérias. Suas jogadas podem ser mais sujas, sequestrar parentes e amigos. Pode caçar um aventureiro por vez, se tornando ele o caçador do grupo e não o contrário.

Vilão Chefão

O vilão chefão é o líder de uma organização antagônica do grupo. Ele pode ser o líder de um culto grandioso, dos líderes rebeldes, da nação invasora ou qualquer outra organização grande e repleta de condições materiais e “humanas”.

Aqui, vencer generais, capangas ou qualquer outro tipo de agente menor, nada mais fará do que desgastar tal organização. Para por um fim ao mal da campanha será necessário um embate épico e, geralmente, envolvendo mais grupos e pessoas do que os próprios aventureiros.

Como exemplo deste tipo de vilão temos Von Krauser, líder dos puristas em Tormenta ou o senhor do fogo Ozai de Avatar.

Estes são alguns tipos de vilões e cada campanha demandará o seu. Escolha e experimente com sabedoria.


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Ausências online – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Continuando os textos sobre mestragem online, hoje falarei sobre como lidar com ausências em mesas online. Uma coisa importante a se diferenciar da mesa presencial para a mesa online, é sobre a quantidade de jogadores.

Enquanto no presencial o limite é quase inexistente, embora quanto mais grande um grupo mais difícil e complicada é a logística. No ambiente virtual, as mesas ideais são de quatro a cinco jogadores. Embora eu mesmo goste, e prefira, mestrar para seis jogadores.

Limites dos ambientes virtuais

Os ambientes virtuais possuem limitações sobre a quantidade de jogadores. Qualidade de conexão, de áudio e de navegador impossibilitam que muitas pessoas participem. Eu já cheguei a mestrar para 7 pessoas, mas a sessão ficou tumultuada e algumas pessoas não conseguiram participar minimamente. Com 6 pessoas todos conseguem participar, entretanto é comum haver sobreposições de fala e eu tive, muitas vezes, que adotar uma iniciativa de fala para que todos conseguissem falar, ouvir e serem ouvidos.

Assim, o número ideal de jogadores online é 4 ou 5 pois, todos conseguem falar e agir de maneira coerente. Aí vem o motivo de eu ter 6 jogadores nas minhas mesas, é que mesmo com uma melhor qualidade de sessão com menos jogadores do que isso, se 1 ou 2 jogadores faltarem, a sessão ainda pode ocorrer. Talvez, exceto em combate importantes.

Lidando com as ausências

Assim, vamos direto ao ponto. Uma quantidade de jogadores maior permite uma margem maior de ausências. Em minhas mesas há sessão se houver, no mínimo, 3 jogadores. Ou seja, tendo metade dos jogadores tem jogo. Se há a possibilidade de combate, que não seja um combate casual, o número ideal se torna 4. Entretanto, em combates vitais há a necessidade de se ter 5 ou 6 jogadores para que não se necessite fazer muitas alterações no combate ou este não ficar muito desbalanceado. 

Desta forma, já cancelei sessão que considerei existir poucos jogadores para o nível e dificuldade de combate esperado, mesmo tendo mais de 3 jogadores. E já rolei várias sessões com 3 ou 4 jogadores sem maiores problemas.

O problema era como realizar os combates para 4 personagens quando eram pensados, inicialmente, para 6. Uma das soluções que tentei em minhas mesas foi a de fazer regras de companheiros, me inspirando em Tormenta 20. Porém, em outros sistemas ficava difícil medir o quanto de bônus no acerto, no dano ou em resistências ficava forte ou fraco demais. Por isso abandonei a ideia e passei a adotar um equilíbrio mais fácil e prático.

Eu divido o número de adversários pelo número de personagens e, depois, retiro uma quantidade proporcional de adversários ao dos jogadores faltantes. Assim, se há 11 lobos para enfrentarem 6 personagens e dois faltaram, eu retiro 4 lobos e faço com que os personagens dos jogadores faltantes estejam em combate com esses quatro lobos.

Entretanto essa solução não é aplicável a chefões e inimigos mais poderosos. Portanto, adotei uma postura um pouco diferente. O chefão vai atacar o personagem faltante com alguma habilidade no seu primeiro turno (se possível) e “desmaiará” o personagem. Assim, acabo gastando um turno do chefão com um personagem que não morrerá na prática e permitindo aos demais estudarem o chefão e entenderem suas táticas.

Sei que, entretanto, alguns não apreciam essa maneira; com isso, sugiro que uma simples diminuição de defesa, ataque, dano ou vida seja suficiente para manter o encontro equilibrado.

Jogadores faltosos

Outra solução, mas agora para o off game: marcar as ausências dos jogadores. Cada jogador tem direito a 3 faltas justificadas e 3 injustificadas. Entretanto, 3 ausências justificadas contam como uma injustificada.

Ao se chegar ao limite de faltas, pergunto aos demais jogadores se querem manter o jogador faltante e se o desejo do grupo for mantê-lo na mesa, eu diminuo um nível ou algo equivalente para ser coerente e justo com a equipe e comigo mesmo.

E você, quais soluções tem para as ausências virtuais? Comentem aí.


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Mestrando online – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Não são todas pessoas que gostam ou preferem mestrar online. Entretanto, para a maioria que faz uso deste meio, é o único jeito de se jogar RPG. Eu mesmo só pude voltar a jogar e mestrar RPG por causa da possibilidade de se fazer isso online. Antes disso fiquei de 2008 a 2017 sem contato direto com o RPG.

Este texto iniciará uma série de textos sobre o assunto e servirá para introduzir o tema. Então não espere muito aprofundamento, mas se sentir falta de algo deixe um comentário que eu responderei e, se for o caso, tratarei num texto futuro.

Conhecendo alguns programas

Para se jogar é necessário ter acesso a alguns programas para isso. Basicamente possuindo um programa que permita a conversa por áudio já é possível se jogar RPG online. Desta forma, programas como meet, zoom e até o skype são possíveis. Entretanto, na minha opinião, nenhum deles supera o discord.

Além de permitir reuniões sem tempo limite e ser voltado para comunidade de jogos, é possível configurar bot para receber os jogadores, tocar músicas, rolar dados, entre outras funções. Com isso, é possível jogar qualquer RPG se utilizando o teatro da mente e, quando necessário, pode-se puxar uma imagem de referência e colar no chat de texto do discord.

Porém, muitos sistemas de RPGs fazem uso e se baseiam em tabuleiros para suas regras e ações. Para isso, e também para se guardar as fichas dos personagens de um modo adequado, podemos utilizar os programas chamados VTTs, ou  Virtual Tabletop.

Como exemplos temo Roll20, Fantasy Grounds e Foundry. Alguns desses programas possuem acesso gratuito que será suficiente para você usar várias ferramentas para suas mesas, como mapas, imagens e principalmente, as fichas. Embora tais plataformas permitam usar áudio e vídeo em seus próprios programas, nem sempre eles são bons e confiáveis o suficiente. Preferindo-se utilizá-los em conjunto com o discord ou programa similar.

Facilidades pra se mestrar online

A facilidade mais perceptível que mestrar online tem é o fato de você poder mestrar para pessoas de qualquer lugar do mundo. Havendo conexão, pode-se ultrapassar qualquer barreira geográfica para se jogar RPG. A pessoa pode jogar em qualquer lugar. Já tive jogadores participando de seus trabalhos ou durante o trajeto para casa. Excetuando-se breves interrupções, pode-se jogar enquanto houver conexão.

Depois vem as facilidades ligadas aos programas, como organizar e reunir todas as fichas, anotações e imagens num só lugar. Geralmente com boa quantidade de armazenamento de dados. Há também, dependendo do programa, efeitos visuais e sonoros que é possível colocar em sua mesa para aumentar a imersão. Não é necessário somente a capacidade dos jogadores em imaginar a cena, você mesmo pode aprofundar a imersão com vários elementos disponíveis.

Creio que a facilidade que mais me manteve mestrando online foi a facilidade de se conseguir jogadores. Pois, sem barreiras geográficas, pode-se conseguir jogadores com simples postagens em redes sociais. Eu possuí uma mesa que durante as primeiras sessões sempre tinha um jogador novo e outro saindo. Foi até difícil manter a lógica e enredo da campanha (estavam atrás de um assassino). Porém, como era fácil recuperar jogadores, conseguimos manter a mesa até chegar ao nível 16, concluindo toda a campanha.

Dificuldades do online

A primeira dificuldade e a que mais incomoda é a conexão. Ou a falta dela. Esse problema é tão costumeiro que você pode observar em algumas mesas do Movimento as falhas de comunicação gerada por conexões intermitentes.

Câmeras travando, áudio cortando ou ficando com voz robótica e esse tipo de coisa é muito comum. Isso, porquê, a maioria das pessoas não consegue ter computadores e conexões boas e estáveis. Inclusive tenho jogadores que, se chover, é quase certo que não conseguirá jogar.

Outro fator complicante é o delay nas conversas. A pessoa não consegue ouvir direito e fica esperando a outra terminar, mesmo que isso já tenha ocorrido. Ou então, o mestre faz uma pergunta e um jogador interrompe o outro para responder. Ou também não conseguirem entender direito o que o mestre ou outra pessoas esteja falando, gerando algumas situações cômicas e outras “trágicas”.

Só neste tópico daria para escrever várias linhas listando todos os problemas que já tive por causa do áudio. Porém a falta de vermos os demais participantes agrava eventuais ruídos de comunicação.

Outra questão importante, embora não seja bem um problema, é a necessidade de se preparar mais para sessões online do que para sessões presenciais. Enquanto você consegue mestrar sem música ou efeitos sonoros quando é presencial, isso é quase obrigatório para sessões virtuais. Exemplos de imagens também são quase obrigatórias.

Para finalizar a listagem de problemas, a facilidade da saída de jogadores. Pois como é fácil entrar, também é fácil sair. E demora um tempo até que se consiga fechar um grupo de jogadores coeso e na mesma sintonia (e mesmo assim, alguns jogadores podem se sentirem deslocados).

Porém, em resumo, jogar online tem mais vantagens do que desvantagens e permite que pessoas sem acesso a grupos presenciais (como eu) possam jogar e, no nosso caso, mestrar. Facilitando muito a vida de pais e profissionais com pouco tempo livre para o RPG.


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Quebra-cabeças – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Quebra-cabeças fazem sucesso pois desafiam nossa capacidade de raciocínio e intelecto. No RPG são desafios para os jogadores muito mais do que para os personagens. Entretanto, desafios difíceis demais se tornam chatos e podem trancar uma aventura, enquanto desafios simples demais serão totalmente esquecíveis para seus jogadores.

Conhecendo seu grupo

A primeira questão a ser pensada antes de preparar um quebra-cabeça para seu grupo é o quanto seu grupo é acostumado a eles. Por isso escolha quebra-cabeças simples para grupos desacostumados. Como sugestão simples, deixo ideias de quebra-cabeças de posicionamento de estátuas ou agrupamento e correspondência de itens com cores. Grupos mais preparados podem ser confrontados com quebra-cabeças mais complexos e em várias etapas como puxar alavancas em aposentos separados ou acionamento simultâneos de botões ou similares. Porém, não basta só conhecer seus jogadores. Tens que saber escolher…

Quebra-cabeças condizentes

Os quebra-cabeças são melhores caso eles se alinhem ao tema da campanha, aventura ou da situação enfrentada pelo grupo. Seria muito estranho um quebra-cabeça de inundação no meio de um deserto. Ou um quebra-cabeça muito difícil que parece ser instalado ou mantido por relés bandidos. É interessante seguir o assunto da masmorra. Se é um templo perdido, é legal que o quebra-cabeça seja algo relacionado a deuses ou a religião que construiu aquele templo. Isso não tem muitos segredos ou dicas a serem dadas, mas sim o cuidado de ser condizente consigo mesmo. O que é importante, também, é escolher o tipo de desafio condizente à situação. Vamos ver alguns tipos:

  • Desafios lógicos: envolvem números e padrões. São uma grande parte dos nossos quebra-cabeças e, talvez, os que mais nos lembramos.
  • Desafios físicos: são interação com objetos, como alavancas e acionamentos de mecanismos. Podem ser associados a outros quebra-cabeças, como os desafios lógicos.
  • Desafios sociais: esses possuem uma pegada de alguns RPGs eletrônicos, ao estilo de precisarem conseguir alguma dica ou informação com algum personagem para, assim, descobrirem algo que permitirá que outro NPC possa dar outra informação, passagem ou objeto que o grupo busca. Ou seja, os NPCs são como peças de um quebra-cabeça.
  • Desafios criativos e/ou éticos: esse aqui é interessante para debates filosóficos ou religiosos dentro do mundo. Seriam algo como o questionamento se você deve ou não puxar a alavanca de um trem para salvar 5 pessoas e, assim, matar uma ou, então, não fazer nada e condenar 5 pessoas à morte.

Exemplos

Para finalizar, vamos a alguns exemplos de quebra-cabeças:

9 Estátuas

Nove estátuas estão num quadrado, dispostas como se fosse num teclado numérico e não possuem linhas diagonais. Ao tocar numa das estátuas, linhas ligando-a as outras estátuas próximas se acendem. Entretanto, quando se mexer numa estátua que esteja com essa linha acesa, ela se apagará. O objetivo é ligar todas as linhas entre as estátuas.

Enigma das cores

Um painel na parede, ao lado de uma porta, possui blocos de diferentes cores. É necessário acertar a sequência para entrar. Para esquentar a situação, você pode por inimigos se aproximando ou que, a cada falha, haja uma rajada ou raio que atinja quem estiver tocando no painel.

A Charada do Tempo

Escolha algumas charadas sobre tempo e horário. Os jogadores deverão marcar os horários no relógio para liberar a passagem. Há várias outros exemplos, mas a questão aqui é direcionar suas ideias para ampliá-las. Aproveitando, pesquise na internet e, assim, você encontrará muitas outras sugestões.  


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Armadilhas diferentes – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Armadilhas são uma parte importante e característica dos RPGs. Quase todos os sistemas possuem uma listagem com exemplos de armadilhas. O que geralmente consiste em buracos no chão, setas na parede e uma ou outra magia engatilhada para explodir os aventureiros.

Entretanto, nem sempre tais armadilhas geram a tensão no jogo que se deseja. Os jogadores dizem que estão procurando armadilhas, fazem alguns testes e pronto! Tá tudo resolvido. Não houve tensão, preocupação ou estratégias para resolver a armadilha.

Funções das armadilhas

Isso em si não é um problema. A questão é que as armadilhas não podem ser sempre um mero inconveniente entre os aventureiros e seus objetivos, seja chegar ao chefão ou localizar tesouros.

Primeiramente é importante pensarmos que uma armadilha é posta por alguém para exercer uma função específica. Geralmente tal função é proteger um local onde é o covil de algum monstro ou vilão ou então, os tesouros deles. É como colocar cacos de vidro em cima dos muros.

Então, um bom meio de alterar uma armadilha é alterar sua função. Por isso, ao invés de fazê-la para proteger algo, e se ela servisse para ataque ou de isca para capturar aventureiros curiosos ou incautos?

Para exemplificar isso, falarei de uma armadilha que fiz há algumas sessões para meu grupo mais experiente.

Eles perambulavam em busca de uma pessoa pelos esgotos de Popei, capital de Diacli. Uma cidade perigosa e cheia de pessoas de índole duvidosa. Entretanto, num dos tantos corredores subterrâneos eles avançaram incautelosamente. Assim, os dois primeiros do grupo caíram num alçapão. Na verdade era um mero buraco no chão com 6 metros de profundidade.

Porém, tal armadilha servia de local de caça para um pequeno grupo de devoradores de mente. Portanto um deles estava usando ilusão no chão para que assim as vítimas pudessem ser capturadas. Enquanto outro devorador, aguardava uma vítima cair para usar sua magia de Muralha de Energia e “tampar” o buraco, que ainda mantinha a magia de ilusão.

Nisso o grupo usou de todos seus recursos para descobrir o que havia acontecido realmente e como escapar da armadilha, enquanto um vapor tóxico preenchia o buraco onde dois personagens estavam. Em momento algum o grupo desconfiou da verdadeira natureza da armadilha e só não houve mortes no grupo porque eles eram nível 14 (D&D) e os devoradores eram nível 7, sem qualquer alteração da ficha básica do Manual dos Monstros.

Ou seja, uma armadilha que era apenas para ser um mero incômodo acabou demandando a sessão toda e fez um grupo experiente passar um forte aperto.

Monstros como armadilhas

Outra alternativa é utilizar monstros como armadilhas. O jeito mais fácil e clássico são mímicos. Mas com um pouco de criatividade é possível usar outros monstros também.

Pegando como exemplo o mímico, eu utilizei uma versão alterada dele. Ao invés de utilizar a típica forma de baú, coloquei o mímico ao estilo de escada. Isso instigou apenas um dos jogadores que desejava investigar um possível andar superior, enquanto os demais queriam “platinar” o andar. Assim, ele fez seu personagem subir pela escada e antes que visse algo foi engolido pelo mímico.

Neste caso o personagem só sobreviveu, pois também não alterei o nível do monstro e a discrepância entre ambos era absurda. Entretanto, isso serviu de aviso para o que viria a seguir.

O “senhor” daquela masmorra aonde estavam presos, conversou com eles e, ao invés de enfrentá-los, liberou o caminho e disse que era só sentar no trono que eles escapariam. Entretanto, ao sair da sala o grupo percebeu que se tratava de uma armadilha e só com o sacrifício de um personagem que teria que ficar na masmorra, os demais poderiam sair.

Outro exemplo de monstro como armadilha são os golens. Intercale estátuas comuns com golens de pedra e verão os jogadores ficarem paranoicos ou descuidados rapidamente.

Por hoje é isso pessoal. Haveria muitos mais exemplos, porém creio que estes são suficientes para instigar a criatividade de vocês, mestres.

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Revista Aetherica

Lidando com imprevistos – Aprendiz de Mestre

Tranquilos Aprendizes de Mestre? Hoje falaremos sobre imprevistos que mudam a direção de uma campanha. Tais imprevistos são aquilo que os jogadores estão acostumados a fazer para destruir horas e horas de planejamento e preparo dos mestres.

Há duas opções para lidar com isso. A primeira é se preparar antecipadamente e cortar ou diminuir quaisquer dessas possibilidades. A outra é abraçar as decisões dos jogadores e ver no que vai dar, descobrindo a história juntamente com eles.

Seguindo a trilha do trem

Ao escolher esse caminho, o narrador precisará se preparar muito mais. Visto que terá que pensar e preparar cada curso de ação possível. Ou então, criar contingências para quando os jogadores levarem seus personagens a lugares não pensados previamente.

Por exemplo, os jogadores podem levar seus personagens para uma sala no fundo da masmorra que você não preparou nada. Você pode simplesmente dizer que não tem nada lá mesmo e pronto.

Entretanto, essa solução nem sempre será possível ou coerente. Dizer que um comerciante ou chefe da guilda não está em seu local de trabalho pode funcionar uma vez, mas não várias vezes. E, embora esse recurso permite, se bem aplicado, dar tempo para que o narrador se prepare adequadamente para a próxima sessão, ela também gera certa frustração aos jogadores. Dando a sensação de que eles não estão livres no mundo e estão seguindo um roteiro.

O que, isoladamente, não tem problema. Entretanto, se houver outras situações em sua campanha que levem a esse entendimento, pode ser que seus jogadores se sintam coadjuvantes e não protagonistas do jogo. Por isso, use com moderação.

A arte do improviso

Outra possibilidade é você ser bom em improviso e conseguir pensar em perigos, armadilhas, monstros e NPCs quando seus jogadores forem para lugares não previstos. O que pode ser muito comum se você for esse tipo de narrador.

A questão aqui é que, além de você depender muito de sua criatividade e conhecimento do sistema que esteja narrando, muitas coisas podem não se encaixar com o que está ocorrendo na sessão. Isso pode, muitas vezes, gerar uma sensação estranha de que seu mundo não possui coesão. Em casos mais acentuados, a percepção de seus jogadores é de que a campanha não anda ou não possui um objetivo claro.

Entretanto, há um forma de misturar as duas opções acima e que, na prática, é a forma que a maioria dos narradores conduzem suas mesas. Por isso, vamos ver…

Uma forma misturada

Seja em maior ou menor grau, todos os narradores que conheço narram mesclando um preparo prévio e aberturas simples nessa preparação para encaixar certos elementos de improviso. A questão é não transparecer que aquilo foi um imprevisto e, para demonstrar isso não vejo melhor maneira do que citar um exemplo dentre tantos que eu já vivi e narrei.

Começarei com o mais recente e que, por ventura, ontem mesmo teve um grande desfecho. O sistema usado é Old Dragon 2 e nele os itens mágicos são muito raros e quase nunca estarão à venda. Entretanto, no cenário de Elfrin a capital Recchá tem tudo que pode existir no mundo. E como os jogadores queriam itens básicos, como armas e escudos +1 e outras coisas simples, eu permiti que eles viajassem do condado que administram e fossem até a capital.

Porém, no dia da sessão eu não tinha preparado tudo o que eu precisava para a viagem e resolvi rolar um encontro aleatório fácil para o nível deles (embora nada seja fácil em OD2). O monstro “escolhido” foi um cubo gelatinoso e, na noite anterior à viagem, eu rolei um dado para ver qual personagem seria atacado pelo cubo enquanto dormia.

Minha intenção era preencher o tempo da sessão e deixar claro que a saída de todos os personagens principais do condado para irem à capital, geraria uma brecha na segurança da vila. Assim, como previ, o personagem sorteado conseguiu lidar facilmente com o cubo, porém ficou paranoico e chamou todos os outros para lhe ajudar na investigação de como um cubo gelatinoso conseguiu chegar aos seus aposentos.

Grandes consequências para pequenas investigações

A investigação chegou aos porões semi inundados do castelo e a descoberta de mais um cubo. Com a decisão majoritária do grupo em investigar os túneis alagados e descobrir a origem dos cubos, visto que alguns ainda pensavam ser obra de algum mago rival.

Com o auxílio de magia descobriram um templo dedicado a um deus antigo em formato de polvo. O templo estava abandonado e alagado, porém ainda possuía armadilhas e coisas do tipo. Em várias partes eu nada mais tinha feito do que circulado a área para designar armadilhas ou tesouros. Assim, surgiu uma região com água barrenta e com pouca luminosidade o que fez que os jogadores avançassem poucos metros numa sessão inteira.

Em outro momento um bauzinho permitiu trazer um tesouro dedicado ao deus antigo e que ativava uma uma armadilha de soterramento.

Tudo improvisado! Mas tudo também pensado anteriormente. Bem como a saída da masmorra que os levou a outra parte do mapa onde há uma neblina permanente. Ali o grupo tentou se teleportar, porém eu narrei que eles conseguiram ir até uma vila (que era o que eles queriam), porém não à vila onde residiam.

Os jogadores não perceberam meus vários improvisos. Não porquê sou fenomenal, mas sim porque eu havia engatilhado certas informações e poderia gerenciá-las conforme a necessidade.

Assim, unindo aleatoriedade, preparação e algumas anotações, obtive um grupo de jogadores felizes mesmo com seus personagens em maus lençóis.

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Revista Aetherica

Planejamento ou Aleatório? – Off-Topic #37

Saudações Rpgista! Bora bater um papo sobre os bastidores das nossas tão queridas jogatinas? Qual seu estilo quando narra: Planejamento minucioso, ou o caos do fator Aleatório?

Bora bater um papo?

Planejamento

Já refletiu sobre a questão anterior? O que você prefere quando narra já está mais ou menos na superfície da sua consciência? Então bora prosseguir!

No meu início com o RPG eu era muito mais metódico. Escrevia falas, desenhava mapas, elaborava enredos, deixava inúmeras fichas de NPCs prontas… Narrar Vampiro A Máscara era sempre com um fichário do lado, cheio de fichas de personagens, mapas, rascunhos, anotações e diagramas. Era divertido, não vou mentir. Ficava horas e dias montando pra jogar uma sessão ou duas aos fins de semana.

E não se resumia apenas a Vampiro ou Lobisomem (os que de fato eu comecei a me empolgar), mas também passou por tudo que joguei. Me lembro das inúmeras tardes pegando as edições antigas da Dragão Brasil e adaptando mapas, fichas e aventuras pra jogar em 3D&T (aquele primeiro manual vermelho!).

Recentemente, posso dizer que tentei fazer isso, e senti a dificuldade da falta de tempo de poder elaborar conforme eu queria. Pra narrar Mar de Mortos, eu escrevi roteiros, falas e tudo mais pra usar idiomas dos povos originários brasileiros (com o que meu conhecimento de Google tradutor permitiu, obviamente). Foi um considerável trabalho de amarrar tudo.

O problema é que, com tempo escasso, a elaboração não era tão precisa, as cenas e situações acabam ficando meio engessadas, e dá uma pena ver o trabalho não ser aproveitado ao seu máximo. Planejamento requer um pouco mais de dedicação e tempo, que hoje já não me sobram tanto mais graças à classe Vida de Adulto.

Aleatório

Eu, particularmente, gosto do Caos, do Aleatório, do Imprevisto. Mas isso começou agora, com o Movimento RPG. E não que isso seja ruim, muito pelo contrário, permitiu muitas cenas marcantes e histórias legais, tanto narrando quanto jogando.

A diferença crucial daquela época pra agora, é o tempo. Podia de fato me dedicar a fazer isso por simples hobbie, como diversão e de forma despretensiosa. Hoje não mais. A ausência de tempo de fato é o maior fator que faz a mudança para o Aleatório ser necessária, embora ainda haja ali um planejamento prévio, alguns rascunhos e tudo mais.

Até que veio o MRPG, as mesas na Twitch e as tão famigeradas cartas! E que dinâmica incrível! É uma forma de fazer a galera que nos assiste participar do jogo junto, influenciar nas cenas, moldar a história! Isso me fez perceber que, às vezes, deixar o acaso e o inesperado acontecerem rende muito boas cenas!
De fato, não há uma disputa de lados, não há um “melhor ou pior” nem um “certo ou errado”. Novamente bato na mesma tecla: existe o que te diverte, e isso é o mais importante de tudo!

Na atual temporada de Sombras do Passado, nossa mesa de Império de Jade, as cartas ajudaram a moldar os acontecimentos de toda a atrama (e não apenas nessa segunda temporada, como também em toda a primeira!). O mesmo aconteceu quando, pelas minhas maquiavélicas narrativas, a Guilda dos Guardiões foi parar em Arton: cartinhas everywere pra influenciar (positivamente e negativamente) as aventuras do grupo. E foi incrível!

Confesso que agora uso bem menos planejamento, quase que o mínimo pra evitar parar a narrativa pra ficar consultando livros, e segue de forma aleatória o que vier! Pego ideia nas interpretações dos personagens, faço uso das consequências de seus teses e desafios e segue o baile!

E o fator Aleatório também é interessante para dar novos poderes, desafios, enigmas, soluções e muito mais ao material base que se está usando! Mude um detalhe aqui, faça uma invencionice ali, e pronto, pega toda a mesa de surpresa e sem reação, não sabendo mais como reagir à essa “totalmente inesperada” ameaça.

Planejamento x Aleatório

Mas aí fica então a dúvida, o que é melhor: planejamento ou o aleatório?

Essa é uma pergunta retórica que vai ficar pra você refletir e pensar! Afinal de contas, não é uma fórmula mágica, uma obrigação e nem uma determinante para sempre. Eu gostava de muito planejamento, em tudo, e hoje prefiro o caos e o aleatório, me divirto mais e as pessoas com quem joguei tem se mostrado bem satisfeitas!

A meu ver, é isso que é o certo de se jogar RPG: se divertir! O importante é sempre isso, se divertir. Seja com muito planejamento, horas de elaboração de conteúdo, um trabalho de designer verdadeiro, ou somente “rolar os dados e venha o que vier”. Minha dica é combinar com a mesa e se divertir, seja seu estilo qual for!

Mas não deixa de me contar aqui nos comentários o seu estilo, qual prefere, o que acha, se tem um terceiro estilo diferente não citado… e te aguardo pro próximo Off-Topic!

 

PS: acompanhe lá as postagens da Teikoku Toshokan, da Liga das Trevas e da Área de Tormenta! Obrigado!

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