Missão para Brazil’s Struggle, o RPG – Tudo menos D&D #17

A partir desse mês, essa coluna irá propor aventuras para meu RPG autoral, o Brazil’s Struggle, disponível num preço camarada aqui. No caso específico do Brazil’s Struggle, as aventuras são chamadas de “missões”, dada a natureza do tema do jogo. Deve-se notar que o jogo se passa num Brasil distópico (dá o “z” ao invés do “s”) e, ainda que inspiradas por momentos reais, nomes de pessoas, locais e situações parecidas são mera coincidência.

MISSÃO: CERIMÔNIA DE POSSE

Contexto

O governador Teodoro Sucupira Jr. foi reeleito pela terceira vez. Órgãos de transparência da comunidade internacional apontam fraudes que vão de votos de eleitores já falecidos a ameaças e compra de votos. Nada disso estraga a festa da posse que está planejada para a próxima segunda-feira. Os telejornais e portais de notícias mostram fotos alegres do governador com sua esposa, 45 anos mais nova, a supermodelo ucraniana Ekaterina Gurchkin, e seu vice-governador, o senil Coronel Andrada Fontes.

A célula está reunida no seu típico esconderijo (os jogadores podem escolher um local simples, como a casa herdade de algum parente ou prédio abandonado) enquanto recebem ordens da Mesa Central (caso sejam a Mesa Central, a Missão foi escolhida, pois o governador é uma presença política e econômica a qual age ativamente contra o Movimento Revolucionário).

Tal mensagem da Mesa Central pode ser uma mensagem criptografada através da DeepWeb, uma carta de mala postal ou uma gravação em tecnologia retro, a exemplo de fita cassete. O conteúdo esclarece que é necessária a eliminação do governador para afetar o status quo nesse estado do Brazil.

Os revolucionários tem cinco dias até a posse, sabendo que a mesma se dará no Palácio Itatinga, sede do governo estadual. Assim os revolucionários entram na etapa de Pré-Missão, na qual suas atitudes podem englobar:

  • Descobrir a planta do palácio;
  • Conhecer o sistema de CFTV (Circuito Fechado de Televisão, o clássico monitoramento por câmeras, recebido por uma empresa terceirizada em outro prédio, ou ainda numa sala segura local);
  • Planejar formas variadas de eliminar o alvo (envenenamento, tiro, garrote…);
  • Disfarces para se infiltrar na festa da posse;
  • Contatar aliados fora do Movimento Revolucionário;
  • Rotas possíveis de fuga.

Personagens do Narrador

Note que o mestre terá oportunidade de usar personagens do convívio dos personagens jogadores, de rivais de outras células até ajudantes que concordam com a luta revolucionária, mas não querem integrar o Movimento. A seguir vou explicitar alguns personagens para que você narrador possa usar, caso os jogadores não tenham criado indivíduos que sejam relevantes para essa missão:

  • Dona Cleide, uma senhora preta, de cabelos grisalhos, entrando na terceira idade, é uma copeira de longa data do palácio do governo. Querida por todos os funcionários, realiza seus serviços com alegria, cantarolando músicas gospel. Entretanto, ela esconde uma forte amargura e desprezo pelas autoridades por ter tido um filho que foi preso como traficante só por morar em área de comunidade. Ela pode ser um contato para permitir a entrada de revolucionários pela cozinha, bem como explicar sobre as principais entradas e corredores do palácio;
  • Paulo Ventura, homem de meia idade calvo e pardo, na casa dos 40 anos, é o típico pai de família brasileiro, que luta para levar o pão de cada dia. Há alguns anos conseguiu um posto de trabalho estável, com carteira assinada na empresa de segurança que dá apoio à polícia estadual, a qual é responsável pela guarda do palácio do governo. Porém, recentemente, Ventura está taciturno e reativo, pois sua avó faleceu num hospital gerenciado pelo governo de Sucupira Jr. Ventura culpa o governador diretamente pelo ocorrido, e é capaz de fazer vista grossa para conseguir qualquer tipo de vingança;
  • Borges, um jovem de cabelos sebosos e roupa social amarrotada, é um ávido simpatizante da causa revolucionária. Através das redes sociais conheceu as ações do Movimento Revolucionário, e, apesar da pesada propaganda do Leviatã, entendeu os motivos da revolta. Através da área de Tecnologia da Informação do palácio do governo pode ajudar os personagens jogadores acerca da agenda interna do evento de posse.

Hora da Ação

Com os preparativos que foram possíveis fazer nos dias anteriores cabe aos revolucionários colocar os planos em ação na Missão em Si, na qual recomendo:

  • Coloque dificuldades pontuais e imprevistos, a exemplo do governador não estar sozinho no banheiro VIP;
  • Incentive formas criativas de colocar os planos na prática, personagens não jogadores também cometem erros, deixam de conferir credenciais, etc.;
  • Nao deixe o clima do local fácil, enfatize segurança armada, câmeras e outras complicações;
  • O mundo continua girando, mesmo quando os personagens jogadores não estão olhando. Assim personagens se movem entre salas, deixando-as vazias ou de repente juntando algumas pessoas em banheiros ou corredores;
  • Se houverem personagens esperando problemas, faça surgir problemas – não custa muito deixar rolar uns disparos.

Pós Missão

Agora, de volta à casa segura, a célula pode respirar fundo e o narrador pode desenvolver a partir das consequências do que deu certo e o que deu errado na Missão em Si, agora na etapa de Pós Missão:

  • Pessoas se feriram? (Além do Sucupira Jr., é claro) Narre os feridos tendo sido levados a hospitais, com ferimentos graves ou até óbitos;
  • De que forma políticos alinhados com o Leviatã capitalizaram o atentado ao governador reeleito?
  • Personagens jogadores se machucaram? Precisam de ajuda médica?
  • A Mesa Central entra em contato para receber um relatório detalhado?
  • Os personagens jogadores foram comprometidos? Seguranças podem fazer retratos falados ou fornecer dvd’s de gravação dos revolucionários nos corredores do palácio?
  • Distribua Pontos de Revolução de acordo com as ações que os personagens jogadores tomaram no decorrer da Missão em Si.

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Conhecendo o RPG Brazil’s Struggle – Tudo menos D&D #16

RPG Autoral do Colunista? Meh…

AVISO: esse RPG possui um viés político que nem todos os leitores e jogadores podem gostar ou concordar, sendo assim indico para leitores adultos e com senso crítico.

Olá! A partir desse mês vou abordar o meu RPG autoral para que vocês possam conhecê-lo (por favor, não desista! sei que tem muito RPG autoral chato, mas minha proposta é boa e original, prometo!), o qual batizei de Brazil’s Struggle (o nome com estrangeirismo é uma crítica e, bem, minha falta de criatividade depois de ter queimado minha cabeça com a totalidade o jogo). Uma introdução às ideias básicas do jogo é necessária, o qual pode ser adquirido aqui na página do Movimento RPG, e num preço bem acessível.

Brazil’s Struggle?

O Brazil’s Struggle é um RPG de ação política passado numa versão distópica do Brasil inspirada em elementos Ditadura Civil-Militar Brasileira (1964-1985) e das contradições sóciopolíticas da Nova República (1988 até os dias atuais). Nesse contexto os jogadores interpretam personagens insatisfeitos com o controle fascista feito por uma determinada elite no governo, transformando-os em revolucionários pela luta contra a opressão. Porém há muito mais envolvido, tanto do lado do poder opressivo quanto dos revolucionários. Apesar de todas as semelhanças, o país do cenário é o Brazil – uma versão distópica, mais violenta, corrupta e implacável da nação de nome similar, o que não impede que mestres adaptem o que achar melhor da realidade para seus jogos.

Nesse RPG os poderes opressivos, apesar de poder ser condensado no governo, vão para além disso. E para expressar essa ideia no Brazil a luta dos personagens jogadores é contra o Leviatã (nomes em itálico são ideias que podem ser adaptados para cada jogo ou mestre, sendo conceitos do livro feitos para serem adaptados ou usados com os nomes próprios). Coletivamente o Leviatã é a ideia de um grupo mais ou menos coeso que controla desde o governo em si a redes de comunicação, economiza, o sistema judiciário, entre outros. O objetivo principal dos revolucionários é derrubá-lo.

Personagens Jogadores – Os Revolucionários

A construção de personagens, ainda que simples, abarca o contexto de sublevação. Uma das primeiras ideias a se pensar para seu personagem é o motivo de o levar a lutar diretamente contra o Leviatã. O motivo pode ser do mais simples, e egoísta, até o mais excelso. De “meu filho morreu por falta de atendimento médico em hospitais” a “quero me tornar um político com influência e poder na nova ordem social que vai surgir”. Paralelamente a isso o jogador precisa escolher alguma ideologia que (no Brazil’s Struggle) se opõe ao Leviatã.

Mesmo dando sugestões de ideologias com inspirações no mundo real nada impede dos jogadores e mestres criarem ideologias revolucionárias próprias ou adaptarem as já existentes. Um anarquista que quer queimar o palácio do governador? Uma ecossocialista vegana que deseja o fim do agronegócio? Um alpinista social populista que fez amigos no meio do caminho? A escolhe é livre. Enfim, cada personagem jogador tem um Ofício de Célula, um conjunto de tarefas especializadas que se complementam em funções tanto teóricas quanto práticas na luta revolucionária.

A luta não é individual, mas coletiva. Isso é expresso no próprio tecido do jogo. Os jogadores interpretam revolucionários que se organizam em uma célula — a unidade que estrutura os grupos — e respondem a uma Mesa Central. Em alguns casos, a própria célula dos personagens assume o papel da Mesa Central, o que lhes confere responsabilidade sobre outras células e decisões na luta. A célula vence junta, a célula evolui junta, a célula morre junta. Para expressar isso, o Brazil’s Struggle adota um modelo original de avanço de personagem, no qual cada personagem conquista pontos de revolução (semelhantes a pontos de experiência), mas transfere esses pontos para o coletivo da célula, que os investe por meio de um acordo entre os jogadores. Desde conseguir apoio de um grupo social específico, conseguir um carro blindado passa por esse processo a melhorar uma Aptidão (habilidades individuais dos revolucionários).

As típicas aventuras em Brazil’s Struggle são Missões que põem a agenda revolucionária para frente. Divididas em etapas cada Missão é: Pré Missão, Missão em Si e Pós Missão. A Pré Missão consiste na etapa preparatória, na qual os personagens jogadores reúnem informações, falam com aliados, conseguem recursos e estudam alvos. Em seguida a Missão em Si abrange a ação, a qual pode tomar as mais diversas formas – infiltrar um complexo militar, sabotar uma empresa, assaltar um banco, entre muitas outras. E finalmente a Pós Missão é a oportunidade de fazer um balanço do sucesso ou fracasso da Missão e lidar com suas consequências.

E o sistema do Brazil’s Struggle?

Por trás de todo esse processo do cenário e da estrutura está o sistema do Brazil’s Struggle. Esse sistema visa a simplicidade de aprendizado e a letalidade. Os revolucionários são seres humanos, com suas limitações e virtudes, assim os sistemas de rolagens (em especial os combates) são rápidos e letais.
No sistema que criei, o jogador usa apenas um dado de seis lados, e define o número alvo conforme a dificuldade da tarefa. Ações cotidianas costumam ter dificuldade 2 ou 3, enquanto tarefas mais complexas exigem 9 ou até mais para alcançar o sucesso. Aptidões adicionam um dado extra de seis lados na rolagem, habilidades e equipamentos específicos podem adicionar bônus circunstanciais.

No caso de haver um personagem opondo a ação, este personagem faz rolagens que sejam logicamente opostas, com dados e bônus circunstanciais adequados (o valor maior consegue seu intento, empate favorece o personagem que iniciou a ação). Aplicando uma lógica similar para os combates: armas de fogo são mais rápidas que outras formas de violência, então possuem prioridade na iniciativa. Não mais que dois ou três disparos são necessários para matar um alvo, ou no mínimo o deixar totalmente incapacitado. Em, suma o sistema de combate valoriza aqueles que estão melhor preparados, e armados.

Tendo dito tudo isso aguardo vocês leitores no próximo mês com sugestões de Missões para o Brazil’s Struggle! Se curtiu a ideia e quer conhecer o livro pode comprar por aqui.


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