Fuga Alucinada – Vampiros do Oriente

A noite na cidade de Roanoke cai e com ela o meu tempo aqui está acabando, conseguir reunir tudo o que foi possível de informações sobre os kinjin, finalmente vou poder voltar para a minha China.

O meu retorno está marcado para daqui a uma semana, hoje vou me encontrar com John Hancock, acertar com ele a minha dívida, John se tornou um  aliado e um amigo precioso, vou sentir falta dele quando eu abandonar essa vida, mas não agora, ainda temos muito tempo pela frente.

Ao fechar o meu casaco, abro a minha carteira de forma displicente, mesmo sem notar, e olho a foto dela, minha bela e doce, flor de lótus, mas um relacionamento ganho nesse país estranho, que no momento certo vou ter que finalizar.

Coloco a foto na carteira e guardo no meu casaco e saio para o frio da noite, sigo o caminho tão conhecido por mim, a tríade local me proporcionou alguns benefícios e um deles é passagem segura por algumas ruas.

Chego no local, previamente combinado e espero, pelo meu contato. Começo a sentir o cheiro tão característico de John, ao longe localizo ele, caminhando e empurrando um carrinho de supermercado cheio de lixo e sempre acompanhado de dois vira latas.

– Ei china, como vai?

Ele encosta o carrinho na parede e os cães logo se deitam de forma preguiçosa ao lado do carrinho.

– Vou bem, pedaço de lixo, esses teus pulguentos já tomaram banho hoje? Pq vc eu sei que não.

Ambos rimos.

– China, consegui o que vc queria, mas, vc não vai gostar.

Meu coração se enche de esperança

– Ela está a onde?

Ele balança a cabeça de forma negativa.

– Cara, ela está em uma parada sinistra, vai ser difícil de entrar lá.

Fico um pouco pensativo

-onde?

Ele puxa do carrinho uma planta de um prédio, abre no meio da calçada mesmo.

– Bem, a vida é sua, ela está nesse prédio, para algum tipo de festa de grafinos, então vai ter gente circulando, mas com essa tua cara de china, vai logo chamar atenção.

Penso um pouco e avalio a situação, entretanto a lembrança do nosso primeiro encontro assola a minha mente, foi alguns meses atrás.

Eu tinha acabado de entrar na tríade e tínhamos um assalto e possivelmente um sequestro, a fazer a uma comitiva de carro que iria passar por uma das 3 pontes, chamadas de “as 3 irmãs”, que interliga os bairros do meio da cidade com os bairros mais externos.

Tudo estava planejado, tínhamos subornado o controlador da ponte e fechamos a passagem das duas pontes encurralando os carros.

Tudo preparado, quando os carros surgiram, o plano correu bem, até que eles começaram a revidar, um a um os membros da tríade começaram a cair, percebi que não se tratava de humanos comuns e sim de malditos Kin jin.

Só que comigo foi diferente….

Quando comecei a fazer as movimentações de Prana, juntamente com o Shintai de sangue, eles não conseguiam me acertar, até que resolvi usar Vento negro.

No final só restou eu, a fome cobrava a sua conta, mas controlei o meu P’o e fui verificar os carros, e lá estava ela, imóvel como uma estátua de mármore.

Dei a mão para ela sair do carro, não houve objeção por parte dela em me seguir até o carro.

O que seguiu uma negociação com o seu senhor/pai para pagar o resgate e tê-la livre.

Depois de tudo e conheci ela melhor percebi que o cativeiro nunca a segurou e sim a curiosidade por mim, 3 meses se passaram, nos aproximamos, nunca imaginei que poderia sentir algo por uma kin jin que não fosse ódio.

As negociações foram finalizadas e veio a ordem de soltura, nos despedimos com um até breve, e foi breve mesmo. Passamos a nos conhecer melhor, mas, sempre deixávamos as diferenças das nossas raças longe.

Então o Barão Vitor, começou a desconfiar e os nossos encontros ficaram cada vez mais raros.

Então eu retorno dos meus pensamentos, olho para John

-Obrigado pela preocupação, meu amigo, mas preciso falar com ela antes de eu ir, essa pode ser a última chance, mas vc receberá o seu pagamento, doação para aquela entidade?

Ele ri melancólico,

-Sim, então vá, e que Gaia o Proteja.

Entrar no prédio não foi problema, minha capacidade de passar por lugares apertados e alterar um pouco a minha face me ajudaram muito.

Localizei o andar e o quarto em que ela está, estranhamente não tinha guardas na porta, minha ansiedade era tanta que deixei a cautela de lado e fui entrando, e voltando o meu rosto original para que ela me reconhece se.

O quarto estava escuro e assim que eu entro vejo um vulto sentando em uma cadeira no meio do quarto, quando vou aproximando uma voz na minha cabeça, praticamente grita, “FUJA”, já era tarde demais.

As luzes se acendem e o Barão Vitor se revela na cadeira, a porta por trás de mim se fecha e em questão de segundos estou cercado.

– Então vc é o sequestrador da minha joia? Qual o seu nome?

Eu corrijo a minha postura, relaxo os músculos e me preparo

– Para que vou dizer o meu nome para aqueles que já estão mortos.

Então o inferno começa!!!

Os capangas estão usando armas brancas, facas, facões etc., nada na qual eu não consiga lidar, entretanto o Barão não entrou na luta, essa era a minha preocupação.

A luta demorou mais do que eu imaginava e me custou muito, quando eu consegui finalizar o último, já estava com metade da minha reserva de chi, mas, ainda tinha o meu talismã, então o Barão ficou em pé, ele portava a sua arma preferida um bastão de beisebol com pregos no seu topo, essa luta vai ser difícil.

Ele me olha com seriedade e fala.

– A tempos que não sou obrigado a lutar, mas você parece ser bom, deve servir para o meu treino, então ele começou.

Demoramos alguns segundos nos avaliando, nesse momento eu ataquei com tudo, ele também, não diminuiu, ficamos naquela dança mortal por alguns minutos, ele não acertava, mas eu também não,

Nesse impasse, vislumbrei uma brecha e ataquei com tudo, contudo, algo aconteceu, meu ataque não o acertou, ele esquivou no exato momento do ataque, o contra-ataque veio no mesmo segundo, ele desferiu o taco nas minhas costas com toda força, já estava me esquivando quando uma força me segurou e taco bateu com a força de uma locomotiva, escutei sons de ossos se partindo, então uma risada sinistra chegou ao meu ouvido, nesse momento senti alma ondeante tomar todo meu ser, eu corro.

Escuto a sua gargalha ao longe,

-Corra, pequeno chinês, porque a caçada começa agora.

Saio em uma fuga alucinante, fazia tempo que não era atingido, isso fez que o medo tomasse o meu ser, corri por alguns quarteirões, e comecei me acalmar.

Sons de motos se aproximam, gargalhadas altas, eles estão no meu encalço, malditos kin jin.

Corro como a muito tempo não fazia isso, lembranças de uma infância pobre e difícil a muito esquecida voltam a me castigar, me sinto aquela criança indefesa nas ruas da China.

Um tiro no braço me traz para realidade, a minha volta vai ter que ser antecipada, mas preciso retornar para o meu refúgio para pegar todos os documentos sobre a minha estadia aqui.

Consigo chegar na porta do refúgio, mas sei que não foi pelos meus méritos e sim poque eles querem, abro a porta alucinadamente, os documentos já estão todos preparados dentro de uma bolsa, quando alguém pula pela janela e me ataca.

Suas garras cortam fundo a minha perna, mas consigo usar equilíbrio e deixar ele fora de ação por algum tempo, corro para a saída e sou atingido por uma moto, eu caí no chão com tudo e lá se vão mais umas costelas.

Estou cercado, ferido, sem chi, o P’o quer tomar a direção, mas não seria apropriado, o medo que tanto tempo eu não sentia, cava fundo na minha alma.

O Barão Vitor se aproxima com o seu taco repleto de sangue e carne, meu sangue, minha carne.

-Pequeno chinês, você achava que iria sequestrar a minha Joia e iria sair bem dessa? Eu não sei o que você é, mas conheço um certo Giovanni que vai adorar tê-lo na coleção dele, todavia não preciso entregá-lo vivo.

O enorme Kin jin se aproxima, sinto que o meu fim está próximo, fecho os meus olhos e faço uma pequena prece a buda, pedindo uma terceira chance, me despeço do meu amor que colocou me nessa situação e na minha mente escuto;

– Desculpe!!!!

Era a voz dela, mas, tão rápido veio, tão rápido foi, me deu uma sensação boa,

– Valeu a pena.

Novamente escuto aquela risada sinistra, e algo acontece.

Um uivo, bem perto interrompe meus devaneios e a minha execução.

Barão Vitor baixa o seu bastão e fica atento e grita.

– Quem está ai?

Uma gargalhada conhecida, um som de carrinho de supermercado sendo arrastado, e finalmente dou um sorriso.

– Esse pequeno pedaço de bosta chinês é meu, só eu posso bater nele!!!

John está sozinho e uma das mãos dentro do carrinho, eu penso

-Onde estão aqueles pulguentos deles, poderia ajudar.

Barão Vitor acha tudo aquilo surreal, um mendigo atrapalhando a sua vingança, ele olha para um de seus comandados e diz;

– Da um fim logo nesse bosta, eu tenho algo melhor a fazer.

O assecla sorri prevendo um banquete de sangue fácil, ele corre em direção a John e pula em cima dele.

Entretanto, John puxa de dentro do carrinho uma adaga ornamentada feita de gelo e intercepta o kin jin no ar, de onde estou só vejo o corpo inerte do sanguessuga por cima de John e a ponta da adaga de gelo começa a surgir pelas costa do cainita, e assim ele puxa a adaga partindo o corpo inerte do vampiro e ao mesmo tempo, para a minha grata surpresa, ele se transforma em um lobisomem.

Das sombras, atrás dele os dois cães que eu chamava de pulguento surge, mas não como pulguentos, mas sim como enormes lobos com bocas e presas descomunais e caos se instala.

Barão Vitor esquece de mim, e vai se defender, os garous começar atacar, John parte para cima do Barão e começa uma batalha feroz.

Eu tento me levantar, mas a dor não permite, não tenho chi para me curar, então, uma moça se aproxima de mim, uma mendiga, conclui que era aliada de John, deixei ela se aproximar.

-Eu me chamo Dayse, cura a wyrm, deixe me ajuda lo.

Sendo assim, ela toca em mim, e uma energia quente aconchegante toma todo meu corpo, sinto toda a dor indo embora, meus ferimentos estão curados.

Ela olha para mim e sorrir,

-Vamos, temos que ir embora.

Eu percebo que a minha bolsa foi rasgada e muitos dossiês estão espalhados, junto o que dá, olhe para a luta e falo;

– E eles vão ficar bem? Essa luta é minha.

Ela olha com muita doçura para mim,

– Eles estão se divertindo, mas vão embora logo.

Assim sendo, ela dá um uivo, se vira para uma parede se concentra e toca. A parede, no lugar que foi tocada, começar a ondular como um lago que é atingido por uma pedra, ela segura a minha mão e fala;

– Confia em mim, e me acompanha.

Assim, atravessamos, mas não antes de olhar para trás e vejo John e seus pulguentos correndo deixando um furioso Barão Vitor para trás.

Dias depois estou nas docas, meu navio está preste a sair, John e sua matilha estão comigo.

-Obrigado meu amigo, por tudo, sem você eu não estaria vivo.

Um sorriso surgiu do seu rosto

– Nada de sentimentalismo, seu pedaço de bosta chinês, mas tome cuidado, Barão Vitor não é alguém que esquece as coisas fácil

-Eu estou indo para China, duvido ele me seguir até lá, vocês que devem ter cuidado.

– Ele nem sabe onde me achar, meu povo viver embaixo do nariz dele e nunca percebeu, nós mendigos somos ignorados.

Dou um abraço nele, despeço do resto da matilha e falo.

-Eu vou voltar e trarei o inferno para eles.

-E nós estaremos aqui para lutar ao seu lado.

Subo no barco, ele começa a se distanciar, a cidade no horizonte prende a minha visão e dou um adeus para ela,

-Me aguarde, eu vou voltar.

Continuo olhando e segurando a sua foto.

Fuga Alucinada – Vampiros do Oriente

Autor: Michel Freire.
Padronização e arte da Capa: Raul Galli.

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Numenera RPG – Resenha

Numenera RPG é um jogo de RPG fantástico/futurista, que possui sistema e cenário próprio, tudo isso no seu livro básico. Seu sistema é bem simples, prático e rápido, desde a criação de personagem bem como no uso durante o jogo.

O livro básico possui quase 420 páginas coloridas e ricamente ilustradas. A qualidade segue o padrão da New Order, tão conhecido por suas publicações mais ilustres como Pathfinder 2ª Edição, Shadowrun, Starfinder etc.

No livro básico de Numenera RPG você encontra tudo o que precisa para criar sua campanha. O livro possui regras completas de criação de personagens, regras de combate, “magias”, perícias e talentos.!

Sobre Numenera RPG

Numenera RPG é um jogo de RPG fantástico/futurista, fundado na ficção científica e na fantasia medieval. 

Como isso? Em Numenera a humanidade está atualmente, no nono mundo. Ou melhor, na nona versão deste mundo.

É como se quase toda a nossa civilização atual fosse diz dizimada e uma nova surgisse destes destroços.

Numenera ainda se passa na Terra, mas depois de oito grandes civilizações terem se perdido e cada nova civilização cresceu sobre seus destroços.

Com isso, cada nova civilização encontrou traços da antiga e começou a tentar utilizá-la, nesse passar de milhares de anos.

Outras coisas também mudaram, surgiram habilidades mágicas ou de uma tecnologia incompreensível pela atual, tais como fragmentos de nanotecnologia, rede de dados enxertada entre satélites em órbita, criaturas biologicamente englobadas e inúmeros dispositivos estranhos e maravilhosos.

Estes restos tornaram-se conhecidos como o numenera.

Assim, no meio de tudo, estão os personagens dos jogadores, explorando este vasto e fantástico mundo, vivendo comumente sobre os destroços de civilizações esquecidas e tentando utilizar de sua tecnologia de alguma forma.

Criação de personagem

A criação de personagens em Numenera RPG é um processo bem simples, em certo ponto até demais, o que causa, as vezes um pouco de incerteza, já que estamos acostumados a ter mais informações sobre determinadas questões.

O processo é guiado, através de escolhas em adjetivos e classes definidas.

(nome do personagem) é um (tipo) (adjetivo/descritor) que (foco)

Nosso próximo post será sobre a criação de personagens, um guia para você não achar que está esquecendo de algo no processo de criação de personagem.

Outro ponto importante é que todas as rolagens de testes são baseadas em esforço, utilizando dados de 20 lados, o mestre escolherá a dificuldades do que você fará e você poderá gastar esforço, físico, mental ou de velocidade.

Tipo

Em resumo, primeiramente, você escolhe entre Glaive, Jack e Nano.

  • Glaive é o combatente corporal, é quem tem a maior reserva de potência, para testes físicos e que demandem esta estatística como foco.
  • Jack vem de Jack of all trades, ele é o especialista. Tem mais perícias e pode se desenvolver para quaisquer pontos que desejar. Suas estatísticas não possuem foco.
  • O Nano é a o personagem que se especializará na tecnologia e similares a magia. Pode carregar mais cifras, aparatos tecnológicos poderosos do passado. Tem o intelecto como estatística primária.

Adjetivo/Descritor

Após escolher o tipo do seu personagem, e primeiramente seu nome, você escolhe agora o adjetivo que o define.

Cada adjetivo possui características únicas e lhe fornece um conjunto de coisas, como equipamentos e habilidades.

Os adjetivos, ou também chamados de descritores, são:

Decidido – Encantador – Erudito – Esperto – Forte – Furtivo – Gracioso – Inteligente – 
Místico/Mecânico – Resistente – Rústico – Veloz 

Foco

Por fim, agora você deve escolher entre mais de 25 tipo de focos diferentes para seu personagem!

Cada foco lhe dá uma série de características únicas, tais como:

  • Vínculos
  • Equipamentos adicionais
  • Sugestões de efeito maior e menor
  • Graus de evolução do personagem, de 1 a 6

Os vínculos são suas ligações com seus companheiros de viagem. Equipamentos adicionais, são  coisas a mais que seu foco lhe presenteia, cuidado para não repetir mais do mesmo, então fique de olho no seu descritor.

Sugestões de efeitos são para quando você consegue tirar um 20 ou 19 no dado, coisas surpreendentes que você pode conseguir aproveitando aquele fio de sorte momentânea.

E, enfim, os graus são as evoluções do seu personagem, não são fáceis de se conseguir, como nos RPG’s baseados em XP por combate.

Em Numenera RPG você ganha XP de acordo com as dificuldades que supera e não tem nada a ver com combate.

O cenário e a Numenera

O Nono Mundo é a Terra, porém uma Terra que passou por inúmeras mudanças e catástrofes, cerca de um bilhão de anos de mudanças e catástrofes na verdade.

Com isso, várias civilizações gigantescas surgiram e pereceram, porém não sem deixar marcas e vestígios, que hoje em dia são chamados de numenera.

Atualmente a Terra, mais uma vez, se juntou para formar um supercontinente gigantesco, deixando o resto do globo à mercê de um único oceano pontilhado de ilhas.

O povo do nono mundo não tem tanto conhecimento sobre o que está no espaço, fora da Terra. Contudo algo perceptível é que a lua está muito mais distante. Outro ponto importante é que devido a rotação atual da terra, os dias tem 28 hora, contudo anos, meses e semanas mantem seus significados.

Outro ponto imperceptível aos Nonomundianos é que, na era atual, a intensidade do sol deveria ter aumentado ao ponto em que a vida na Terra, ao menos como a conhecemos, deveria ser impossível.

Contudo isso não aconteceu, algo mudou durante os milhões de anos que já se passaram, talvez com a intervenção de alguma civilização mais avançada, mas ao invés de se extinguir, a vida prospera.

Já a maioria dos planetas do sistema solar continua em seu lugar, embora suas órbitas tenham se alterado. Um ponto importante é que o planeta que chamamos de Mercúrio há muito já não existe mais, mas, em sua ignorância, o o povo do Nono mundo sequer sabem que ele um dia existiu.

Por fim

Posso dizer que, a primeira vista fiquei confuso com a mecânica do jogo, tenho a mania de ir direto para a parte da criação dos personagens, para depois ver o resto das regras e a grande quantidade de opções me deixou confuso.

Além disso, cada opção que você escolhe lhe dá coisas, e estas coisas, se você não cuidar, podem se repetir, como ganhar duas vezes os mesmos equipamentos ou habilidades muito similares.

Para criar um personagem, você tem mais de 1000 opções diferentes, fora algumas habilidades diferentes de cada tipodescritor.

Em termos de regras, o jogo não lhe proporciona muitos detalhes, ele se atem ao básico dos números, por exemplo, armas pequenas, todas, tem um dano x, todas as armas grandes tem um dano x também e ponto final.

Porém a forma como você joga e interage com a Numenera é o que torna este RPG tão interessante, você não ganhar experiência por combate, mas sim pelas dificuldades que supera, já torna o jogo completamente diferente.

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG não esqueça de apoiar pelo Padrim, pelo PicPay, pelo PIX e agora também no Catarse!

Assim, seja um patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos desde participar em mesas exclusivas em One Shot, grupos ultrassecretos e da Vila de MRPG.

Além disso, o MRPG agora tem revista!

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Revista Aetherica

Lutando Contra o Chefão – Taverna do Anão Tagarela #45

As famosas boss fight ou “luta contra o chefão” são muito esperadas na maioria das campanhas, entretanto muitas vezes este chefão nem mesmo é um ser consciente, as vezes está mais para um conceito a ser combatido para atingir a glória final. Acompanhe esta taverna e descubra diferentes formas de fechar uma campanha com glória, ou não!

A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate.

Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.

‎Assunto:‎‎ Lutando Contra o Chefão


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Lutando Contra o Chefão

‎Host: ‎‎Douglas Quadros.‎‎ ‎
‎Participantes:‎Raul Galli | Miguel Beholder | Monteiro 
‎Arte da Capa:‎‎ ‎‎Raul Galli.‎

A Era do Abismo: O Torneio dos Campeões – Quimera de Aventuras

A Era do Abismo – O Torneio dos Campeões é um livro de Bernardo Stamato publicado pela Editora Pendragon. Nele acompanhamos um inusitado grupo de heróis que, além de um objetivo em comum, também tem suas próprias motivações pessoais na jornada. Uma jornada em um mundo de alta fantasia com todo o ar e encanto de uma aventura de RPG, com muitas ideias interessantes e personagens bem construídos.

E você pode comprar o seu clicando aqui!

A Era do Abismo: O Torneio dos Campeões

Tudo começa quando o Mestre dos guerreiros Draco e Gladius é assassinado. Seus discípulos então partem em uma jornada de vingança atrás do assassino de seu mestre. Em sua jornada, se unem ao anão paladino Alberich, à elfa clériga da liberdade Ravenlla, à cigana Rosa, ao guerreiro Marcus e à kunoichi misteriosa Zhi Wu. Rumando para o Torneio dos Campeões em um reino mais afastado, o grupo se envolve em muitas aventuras durante essa jornada.

O Autor

Bernardo Stamato é o autor da saga A Era do Abismo. Vencedor do concurso “Eu, Criatura”, além de escritor é também crítico literário e faz parte do Mochileiros do Multiverso e da Távola do Dragão. Jogador de RPG, está constantemente marcando presença no MRPG, participando de mesas como Despertar da Fúria, Abdução e da Guilda dos Guardiões.

Minha Opinião Pessoal

Que aventura foda! Simples assim! Stamato traz um mundo vivo e muito dinâmico, em um enredo cheio de reviravoltas e que te deixa na expectativa sobre o que virá a seguir. Os personagens são bem construídos, com suas motivações reveladas à medida em que se faz necessária sua revelação, dando ainda mais empatia com cada um deles.

As aventuras do grupo são o “típico enredo de RPG” por assim dizer, com batalhas contra orcs (embora em situação muito interessante), confrontos contra nobres gananciosos, encontros com bandidos e ladrões, além de encontros com outros personagens que acabam afetando diretamente o grupo.

Ao fim do livro, um Codex com as principais informações sobre esse universo criado pelo autor, com informações sobre sua história, geografia, divindades e muito mais. Essa parte pode ser lida ao fim (para ajudar a entender alguns detalhes e acontecimentos da trama) como pode também ser lida antes para já te introduzir nesse universo de alta fantasia.

A narrativa é simples e objetiva, narrando detalhes que interessam sem se prender demais a detalhes que tornam as descrições cansativas. Até mesmo as descrições dos combates possuem detalhes o suficiente para se moldar toda a cena na cabeça, embora não demais para torná-lo chato e monótono.

A diversidade do grupo também é outro ponto muito interessante. Seus conflitos pessoais, códigos de ética até mesmo os laços entre si geram ótimos momentos de dinâmica de grupo além de diálogos muito interessantes.

A história é uma jornada, então às vezes pode passar uma impressão de que “a história não está indo a lugar algum”, mas todos os detalhes e os acontecimentos, por mínimos que sejam, ganham relevância e tem sua importância no todo da narrativa e nos eventos que acontecem à frente da trama. Nada é por acaso nesse livro!

Quimera de Aventuras

Nesta sessão o livro entra na Quimera e colocamos algumas ideias de uso para aventuras de RPG. Entretanto fique ciente que para isto, teremos que dar alguns spoilers da obra. Leia por sua conta em risco.

Em busca de vingança

Essa é a “grande plot principal” do livro e o que o motiva os dois protagonistas da trama. Adaptar para uma aventura é muito simples: um ou mais personagens ligados à um ou mais personagens da mesa é, de alguma forma, assassinado.

Com isso, um ardente desejo de vingança leva os jogadores a uma longa jornada em busca de vingança. Isso irá prepará-los durante o caminho para a batalha final.

As motivações para o assassinato podem ser as mais variadas, e condizentes com os personagens.

Escravos do Exército

Um general Bugbear dotado de inteligência acima do comum para sua raça, está reunindo um exército de orcs e goblins para uma invasão à alguma cidade

O grupo é capturado e feito de prisioneiros e escravos. Agora, precisam fugir e avisar a cidade antes que o ataque aconteça.

Explore as fichas padrão de Orcs, Goblins e Bugbears, alterando apenas a organização. Um general inteligente e diferenciado, por exemplo, capaz de unir raças tão ferozes sob um objetivo comum pode ser uma grande ameaça (e um desafio inesperado para a mesa)

Fazer o certo nem sempre compensa

Em uma cidade, o grupo encontra uma prisioneira de uma raça exótica (para o mundo onde se situar a aventura) aprisionada.

Ela diz ao grupo ser vítima de preconceito por parte da cidade, e estar presa apenas por ser quem é, pedindo ajuda ao grupo. Ajudada, a personagem se revela como sendo uma pessoa não tão confiável assim (embora com motivos justos para tal).

Use uma raça/classe que geralmente tenha algum tipo de Má Fama, seja convincente ao fazer a personagem parecer confiável. Isso é claro, apenas para que ela traia o grupo depois (mas use bons motivos para tal, e se tiver dúvidas o livro dá uma boa ideia!).


É isso, espero que vocês tenham gostado e que tenham ficado interessados pela obra,  A Era do Abismo – O Torneio dos Campeões é um livro incrível com uma jornada épica repleta de desafios e ótimas cenas! Gostou das ideias? Portanto mande seu comentário e não perca a oportunidade de acompanhar outras aventuras no mundo de A Era do Abismo!

 

Feroz Dragão Vermelho – Falhas Críticas #84

Kall estava oculto nas sombras, seus companheiros já haviam caído graças aos ataques do Feroz Dragão Vermelho. Entretanto enquanto ele ainda estivesse de pé, o grupo teria uma chance, pois com o ladino havia uma varinha de ressuscitação. Portanto após efetuar um ataque mortal na fera, ele traria seus amigos de volta.

O Feroz Dragão Vermelho rugia e soltava fogo para o alto, já estava bastante ferido, mas Kall também não estava em seu melhor estado. Em um momento de distração da criatura, o ladino avança e prepara um ataque furtivo e certeiro, então escalou velozmente as costas da criatura e cravou sua adaga entre as escamas, destruindo parte da coluna da fera. Contudo, com a dor excruciante, o Dragão alça um voo desesperado, seu último voo, até porque o choque da coluna fez com que eventualmente suas asas parassem de funcionar no meio da subida, e com isso a criatura caia rapidamente em direção ao chão.

Kall estava preso nas costas da criatura, e possuía botas de queda suave, por isso sairia com facilidade desta enrascada, entretanto, para fazer bonito, resolveu fazer um teste de acrobacia para dar um mortal antes de alcançar a parede e descer de forma suave. Rolou o dado e….

Ao preparar seu salto, seu pé ficou preso nas escamas do Feroz Dragão Vermelho, e… BUUUUM!

* = Falha Crítica ou 1 no dado.


Tenha sua Falha Crítica Publicada

Mande suas histórias de Falhas Críticas para nosso e-mail contato@movimentorpg.com.br. As melhores histórias vão ser eternizadas pelos ilustradores do Estúdio Tanuki e você vai poder ver aqui no site do Movimento RPG.


Feroz Dragão Vermelho

Texto de: Miguel Beholder.
Adaptação de: Douglas Quadros.
Arte de: Estúdio Tanuki.

Veja todas as tirinhas no nosso instagram ou diretamente no site.

Se você gostou da ilustração, ajude o ilustrador.

Conexão com o futuro #1 – Retropunk

Sou um apaixonado pelo gênero cyberpunk e tudo que ele acompanha, o medo do futuro, avanço desenfreado da tecnologia e o sucesso absoluto do capitalismo. As desigualdades sociais sendo imperiosas; um mundo que perdeu o controle de todas as suas ações. Ainda assim, existem aqueles que lutarão pelo fim da lavagem cerebral do consumismo: os punks.

Vamos nos conectar com o futuro de Retropunk, vamos imaginá-lo uma vez mais para abominá-lo, talvez. Bem como haverão aqueles que olharão para essa realidade e se verão completamente inseridos nela nos dias de hoje, mas sem a tão admirável tecnologia para facilitar nossas vida. Por consequência há aqueles que tem na alma a revolta para dizer que devemos ter acesso a tecnologia, sem que para isso precisemos vender nossas almas.

Um possível futuro cenário

Retropunk RPG

Qualquer tema cyberpunk nos forçará a olhar para a nossa realidade e pensar em quão caro esses avanços custarão. Naturalmente, em Retropunk não será diferente. Este cenário apresente o absurdo avanço da tecnologia e sua fácil distribuição; já que neurochips são colocados em nossas cabeças desde o nascimento. Inevitável que este progresso não seja apenas para a vida humana, mas também para o controle das megacorporações sobre cada indivíduo.

As megacorporações e o hipercapitalismo dão as caras e as cartas neste cenário retrofuturísta. Desde já, adianto que não se trata de um período distante do nosso, o jogo se passa na década de 80 e 90. Apesar disso, imagine o máximo que aquela era poderia alcançar se todos os protótipos tivessem dado certo, e, por conta disso, nossas vidas fossem mais tecnológicas. Contudo as megacorporações evoluíram também, junto do capitalismo.

Em Retropunk, você poderia trabalhar para uma megaempresa por um salário absurdamente baixo e ainda assim consumir mais do que precisa, pois este é o status quo do momento (não nos distanciamos muito disso, não é mesmo). No entanto, você percebe o quanto isso é revoltante e resolve se revoltar junto a outros punks. Você não se satisfaz e decide lutar! Entretanto, você sabe o quão arriscada a luta é.

A luta contra o sistema

William Gibson – Pai do Cyberpunk

As tecnologias estão disponíveis, elas somente não estão bem distribuídas. As desigualdades sociais foram redefinidas; raça/cor, gênero, orientação sexual, não se trata mais deste tipo de discriminação, nesse momento, a violência está direcionada a quem não tem acesso a tecnologia.

Os grupos podem lutar para subirem posições nas megacorporações, mas o hipercapitalismo torna tudo cada vez mais descartável. Ainda que se respeite a tecnologia, ela pode ser passada de pessoa para pessoa, dessa forma, todos são substituíveis, literalmente.

Então a sua luta é um grito de revolta contra o sistema, você hackeia seu próprio neurochip para não ser rastreado e decide lutar contra as megacorporações. Agora você é um punk, um criador de revoluções de oportunidades que percebeu que a vida clandestina é muito melhor do que apenas fazer parte do sistema: você lutará para derrubar o sistema e manter forte a resistência contra as megaempresas.

Por hoje é só, punk! Se está aqui até agora é porque está pensando se deve adquirir um exemplar de Retropunk, pois bem, este é um sistema simples para vivenciar o grande gênero cyberpunk. Acessível e de fácil compreensão, digo que essa tem sido minha escolha no momento. Você me conhece, sou Kastas, do Contos da Tríade e se quiser conhecer meus outros textos dos outros sistemas, por favor, clique no link. Para conhecer mais do meu trabalho, nos siga no instagram! Me acompanhe para os próximos textos de Retropunk.

Dicas Para Histórias Dark Fantasy – Dicas de RPG #51

No Dicas de RPG de hoje, Kastas vai falar sobre conceitos diversos importantes para construir uma história do gênero de Dark Fantasy.

E não se esqueça de nos seguir na Twitch para acompanhar nossas campanhas de fantasia obscura.

O Dicas de RPG é um podcast semanal no formato de pílula que todo domingo vai chegar no seu feed. Contudo precisamos da participação de vocês ouvintes para termos conteúdo para gravar. Ou seja mande suas dúvidas que vamos responde-las da melhor forma possível.

Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.

Tema: Construção de histórias

Tempo: 00:06:28

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Dicas Para Histórias Dark Fantasy

Voz: Kastas
Edição do Podcast: Senhor A.
Arte da Capa: Raul Galli.

Músicas:

Music: Cyber Attack – Dark Epic and Mystically  by JuliusH from Pixabay

Ideias para Aventuras – Shadowrun RPG

Neste post você encontrará três ideias para aventuras utilizando o sistema Shadowrun RPG.

Shadowrun RPG é um jogo de RPG futurista distópico, ele é ambientado em nosso mundo, porém nesse mundo a magia que conhecemos nos livros de fantasia é real, só estava dormente.

E após seu retorno causou várias alterações ao nosso mundo, inclusive acordando raças fantásticas que só conhecíamos em livros, como os de RPG, como orcs e trolls, por exemplo.

Se interessou por Shadowrun RPG? Então clica aqui e confere nossa resenha sobre este fabuloso sistema!

Mas se você já conhece, confere clicando aqui nosso guia de criação de personagem super completo!

Ideias para aventuras

Abaixo você confere as três ideias de corres para você incrementar suas sessões ou dar início a elas.

Decidi por manter uma forma similar de apresentação das aventuras às que estão nas revistas NOM (New Order Magazine).

Você pode realizar a sua assinatura da NOM no catarse, clicando aqui.

Por exemplo, a parte Saca só, se refere ao que se trata o corre, basicamente um resumo, já o Por trás das cenas são algumas ideias de plots twist e perguntas para dar uma ajuda ao desenvolvimento da trama.

Primeiro corre

Saca só

Os incursores vão para um encontro em um cais de carga local pouco utilizado para seu próximo trabalho.

Eles são contratados por um grupo mágico (Iluminados da Nova Era) para um trabalho de assassinato e demolição, cujo alvo é uma tecnologia de ponta que está sendo transportada em um trêm subterrâneo.

A incursão se complica quando o alvo não é o que parece, a tecnologia, na verdade é um protótipo para fixar espíritos em biociborgues.

Por trás das cenas

Primeiramente, em qual cidade é sua narrativa?

Esse lugar realmente é seguro? Será que não há um segundo grupo de incursores escondido e ouvindo a conversa?

Além disso, qual o interesse desse grupo mágico em eliminar essa tecnologia?

O protótipo já está concluído? A alma já foi fixada ao corpo?

Como eles reagem ao verem o protótipo? Eles destroem o protótipo como contratado ou acabam com a tecnologia, mas libertam o protótipo?

Segundo corre

Saca só

Os incursores vão para um encontro em uma boate para seu próximo trabalho.

Eles são contratados por um grupo político para um trabalho de proteção, cujo alvo é um prédio urbano.

A incursão se complica quando o empregador decide traí-los.

Por trás das cenas

Primeiramente, em qual cidade é sua narrativa?

O encontro ocorre em uma boate, quais as distrações desse local?

Uma boate é um local muito propício para iniciar brigas, algum comentário maldoso dito causa transtornos?

Por que um grupo político protegeria m prédio, o que há no prédio?

Os incursores ficam do lado de dentro ou do lado de fora?

O grupo político usou o grupo para, assim, traí-los e incriminá-los?

Além disso, quais as intensões desse grupo político?

Terceiro corre

Saca só

Os incursores vão para um encontro em uma central da Matriz para seu próximo trabalho.
Eles são contratados por um sindicato do crime (Yakuza) para despistar e esconder, cujo alvo é um empregado chave da Yakuza.
A incursão se complica quando terceiros também têm interesse nesse empregado.

Por trás das cenas

A Matriz é um lugar perigoso, assim, alguém pode estar ouvindo, se o local não for seguro.

Por que um sindicato do crime precisaria esconder um dos seus funcionários?

O que ele sabe? Quem ele é?

Os terceiros podem ser qualquer pessoa ou organização, dessa forma o narrador pode dizer que este terceiro é um grupo mágico ou até um dragão.

Além disso, e se este funcionário na verdade for o filho do chefe da máfia, que causou problemas para esses outros indivíduos?

Por fim

E aí?

O que achou desses exemplos de corres para você usar nas suas aventuras?

Eles podem ser usados como one shots ou mesmo campanhas, vai da sua criatividade.

 


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Criando Hilda – Construindo Personagens Além da Ficha

Criar personagens é uma das partes mais divertidas de jogar RPG. Seja como avatares “jogáveis” de nós mesmos, fazendo escolhas ou tomando atitudes e decisões que nós tomaríamos naquelas situações, ou explorando a interpretação de papéis com personalidades diferentes das nossas.

Preencher uma ficha de personagem e contar sua história, ou contar sua história e preencher uma ficha de personagem… Não importa a ordem, para dar vida a um personagem você vai precisar de criatividade, e o que trago nesse texto são dicas que poderão ser usadas para ajudar criar o personagem além da ficha mas usando suas características.

Para o exemplo abaixo foi utilizado Tormenta 20 para a criação do personagem.

Criando Hilda

Tomemos por exemplo a personagem Hilda, uma bárbara das Montanhas Uivantes, e agora faremos as seguintes escolhas:
Raça humana, origem gladiadora, classe bárbara, e os métodos sobreviver, intimidar e lutar respectivamente. Alinhamento caótico bom.

A raça diz como Hilda nasceu, já a classe o que se tornou, mas a sua origem revela o que ela fazia antes de se tornar aventureira. É o que ela fazia até ganhar seu primeiro nível em uma classe.

Vamos definir inicialmente a idade da personagem Hilda. De acordo com a Idade Inicial (página 108 do livro básico T20), sua classe, Bárbaro, tem 2d4+15 anos (para um resultado entre 17 e 23 anos). Vamos determinar que Hilda tem 20 anos. A época atual é 1420, sendo assim, Hilda nasceu em 1400, nas Montanhas Uivantes.

Agora podemos checar o que aconteceu na linha do tempo de Arton desde que Hilda nasceu para assim sabermos se ela pode ter participado de algum dos eventos ou mesmo se algum desses eventos pode ter sido importante em sua trajetória. Dessa forma podemos costurar os eventos do cenário à sua história.

Resumo da História de Hilda

O lendário Ragnarok é um machado de poder, que somente os mais bravos guerreiros das Montanhas Uivantes podem empunhar. No passado ele foi brandido contra terríveis ameaças como o Dragão da Tormenta. E recentemente contra a Supremacia Purista. Contudo nem sempre sua lâmina foi usada para o bem.

Havia um torneiro, O Tatanka, muitas vezes mortal, no qual o vencedor era premiado com a posse de Ragnarok. Por quatro anos o vencedor, chamado de Mestre da Montanha, possuiria o Ragnarok. Depois desse período haveria um novo torneio no qual o vencedor poderia defender seu título ou passa-lo adiante.

Mesmo com o surgimento de uma área de Tormenta nas Uivantes no mesmo ano em que o Tatanka seria disputado novamente, a tradição foi mantida (em 1402 surgia uma área de Tormenta em Zakharov, porém tomando uma parte do território das Uivantes). Aqueles que almejavam possui-lo treinavam suas habilidades em torneios de preparação durante o intervalo do Tatanka.

Hilda era a lutadora mais habilidosa e feroz de sua tribo, as Presas Vermelhas. Ela treinou e lutou em arenas de torneio intermediários, se preparando para o Tatanka (Origem Gladiador). Mas em 1418, ano no qual ela poderia participar do Tatanka, o atual campeão e portador do Ragnarok, Sigwulf, havia desaparecido. Isso deu início a uma caçada por ele nas Montanhas Uivantes. Com a tensão provocada pela quebra da tradição, sua tribo, Os Rugidos de Pedra, sofreu a hostilidade das outras tribos. Os torneios intermediários deram lugar a guerras tribais, disputas territoriais generalizadas e invasões sob o pretexto de encontra-lo. Dois anos haviam se passado desde que a região da Garganta de Beluhga, lar dessas tribos, havia mergulhado no conflito (assim Hilda se tornou Bárbara).

Rumores de que Sigwulf havia fugido em direção a Deheon, fizeram as tribos enviarem expedições seguindo seus rastros. Embora isso não garantisse a paz entre elas seus melhores guerreiros haviam partido nessa missão. Hilda foi enviada por sua tribo. Ela acredita que a quebra da tradição trouxe desequilíbrio. Fazendo com que antigas rivalidades escalassem para massacres sangrentos. A extinção de algumas tribos já é uma realidade e ela teme pela sobrevivência das Presas Vermelhas. A única forma de garantir a sobrevivência de todos os povos da Garganta da Beluhga é recuperar o Ragnarok o mais rápido possível e restabelecer a paz.

Personalidade

Agora vamos imaginar como é a personalidade da Hilda e até mesmo dicas de como interpreta-la, nos baseando nas escolhas que fizemos de alinhamento e métodos de experiência.

Conforme a página 111 do livro básico, personagens de alinhamento caótico e bom são espíritos livres que promovem o bem, mas preferem seguir seus próprios instintos e convicções, ou seja, Hilda possui seus próprios códigos de ética mas procura fazer o bem.

Sobre os métodos, que podem ser consultados na tabela 8-1 do livro básico na página 312.

O método escolhido como humana é sobreviver:

  • Talvez a vida nas geladas Montanhas Uivantes seja difícil e perigosa, inclusive para seus habitantes.

O método da origem gladiadora é a intimidação:

Muitos combates promovidos nessas arenas eram vencidos antes mesmo de começarem quando lendas ou rumores sobre Hilda chegavam a seus adversários. Embora ela pudesse vence-los a possibilidade do massacre assustava seus inimigos e mesmo aqueles que não desistiam prontamente eram coagidos por suas ameaças.

O método da classe é Lutar:

Quando os conflitos entre as tribos eclodiram não haviam mais leis nem tradições, apenas selvageria.

Objetivo

Para finalizar podemos determinar que Hilda tem um objetivo: recuperar o machado Ragnarok, tem seus próprios meios de praticar o bem quando houver oportunidade, e possui um forte instinto de sobrevivência, portanto antes de brandir seu machado vai tentar intimidar ou coagir adversários, mas se a única opção for lutar ela assim o fará.

Em Resumo

Essa é a formula que eu uso para criar personagens. Não é uma fórmula exata, afinal requer criatividade e pesquisa por parte do jogador. O resultado desse esforço é um personagem mais fácil de jogar e interpretar fora de cenas de ação, como lutas, fugas e outros eventos que dependam mais da ficha de personagem do que interação, reação, tomadas de decisão e etc.

Temos Medo e Estamos Sozinhos pt.3 – Cenário para Vampiro: A Máscara

Este é o último artigo da série que traz os caçadores da nossa campanha de Vampiro: A Máscara, Temos Medo e Estamos Sozinhos, transmitida pela Twitch e em breve no YouTube. Os personagens são Anarch em uma região fictícia conhecida entre os membros como Vale dos Esquecidos. Você pode ler mais sobre essa região nos posts anteriores..

Os Caçadores

O grupo que está agindo no Vale dos Esquecidos é composto por quatro caçadores, todos com origens em jogos de poder da sociedade vampírica. Apesar disso, o modus operandi do grupo é, muitas vezes, tão cruel e desumano quanto os monstros que eles juraram combater.

O grupo costuma agir de dia e tentar enfraquecer os cainitas ameaçando seus pilares. Quando possível, eles sempre tentam invadir refúgios e lutar quando o sol está no céu, mantendo as circunstâncias favoráveis. Se os jogadores da sua crônica forem particularmente ruins em manter-se discretos, não hesite deixar os caçadores fazer uma visita surpresa em plena manhã no refúgio de algum deles. Uma maneira de fazer isso é fixar um número de sucessos (digamos, 10) e fazer um teste de investigação para os caçadores cada vez que um cainita chamar atenção para si.

Valeu deixar aqui o agradecimento para meu bróder de longa data, Ikizera, que me ajudou com algumas fichas e conceitos para o grupo de caçadores.

Josué

Josué é um homem de meia idade que teve sua família destruída por conta de uma disputa cainita. Sua esposa era uma empresária importante do ramo imobiliário, e acabou esmagada na disputa entre dois ancillae, tendo seu assassinato encomendado por um jovem ventrue descuidado. Josué descobriu e acabou caçando e matando o neófito, iniciando sua carreira como caçador.

Josué é o que os americanos chamam de prepper, ou “sobrevivencialista”. Ele trata cada vampiro caçado como um troféu, e costuma pensar neles como animais muito espertos, demonstrando surtos de empolgação quando uma de suas armadilhas dá certo. Ele é debochado, mas não tem um senso de humor muito inteligente, limitando-se, muitas vezes, a imitar frases do Monty Python e de outros comediantes (para desespero de seus colegas). A ideia do estêncil com o padre da Inquisição Espanhola foi dele. Ele também se gaba de ter seu sangue “puro”, pois nunca bebeu sangue de nenhum vampiro.

Josué
Humano
Paradas de Dados: Físico 5, Social 2, Mental 2
Atributos Secundários: Vitalidade 8, Força de Vontade 6
Paradas Excepcionais: Armas de Fogo 7, Sobrevivência 8, Atletismo 6, Briga 6, Sagacidade 5, Investigação 7

Laura

A vida de Laura parecia ser a vida de uma jovem comum. Formou-se em um curso técnico que parecia tranquilo, fazia uns bicos aqui e ali, gostava de beber no fim de semana e sonhava com uma vida mais tranquila “daqui uns anos”. Sua vida virou de cabeça pra baixo depois que se envolveu com um jovem através de um aplicativo de relacionamentos.

Este jovem era um carniçal Brujah, que recrutou Laura para seu domitor. Formado o laço de sangue, Laura abandonou praticamente tudo que tinha – família, amigos, reputação, emprego – para melhor servir os interesses do cainita.

Laura acabou sendo descartada assim que deixou de ser útil para seu domitor, gerando um enorme ressentimento. Ela arriscou ou abandonou tudo que tinha por lealdade a seu mestre. Quando passaram os efeitos do laço de sangue, ela planejou e executou uma vingança para assassinar o vampiro, sendo recrutada por Josué logo após.

Laura mantém os poderes de carniçal alimentando-se do sangue dos vampiros que o grupo mata. Ela costuma ser um tanto temperamental, mas não sabe se é por conta do ressentimento com tudo que aconteceu na sua vida ou simplesmente influência do sangue Brujah.

Laura
Carniçal
Paradas de Dados: Físico 4, Social 3, Mental 3
Atributos Secundários: Vitalidade 7, Força de Vontade 7
Paradas Excepcionais: Briga 6, Condução 5, Ofícios 6, Performance 5, Subterfúgio 5, Investigação 5, Ocultismo 5, Política 5
Poderes: Potência 1

Cobra Velha

Diego era uma pessoa especial. Ele, assim como sua família, tinha sangue lobisomem e um juramento de proteger a tribo. Contudo, aos poucos, Diego viu sua querida tribo ser consumida em uma sangrenta disputa com os cainitas. Primeiro, foram sufocados politicamente e economicamente, forçados a abandonar suas terras e se engajar numa disputa completamente manipulada em favor dos membros. Depois, os lupinos que restaram na cidade foram caçados impiedosamente, resultando em um uma guerra sangrenta que gerou um surto de violência sem precedentes na sua cidade.

Por conta desses acontecimentos, Diego tomou para si o nome de “Cobra Velha”, em homenagem a um importante líder tribal. Ele é extremamente impulsivo e desequilibrado, muitas vezes sendo o primeiro a iniciar o ataque. Ele também sente prazer em torturar os cainitas e matá-los com fogo. Isso já o levou a diversas discussões e brigas com Josué.

Cobra Velha
Parente
Paradas de Dados: Físico 4, Social 3, Mental 2
Atributos Secundários: Vitalidade 7, Força de Vontade 5
Paradas Excepcionais: Armas de Fogo 6, Armas Brancas 6, Furtividade 7, Sobrevivência 7, Empatia com Animais 5, Ocultismo 6, Percepção 7
Poderes: Sentir a Wyrm: Cobra Velha pode fazer uma rolagem de ocultismo para detectar vampiros e outros seres corrompidos.

Yove

Pouco se sabe sobre a origem de Yove. Criada como boneca-de-sangue de um Tzimisce, ela teve seu corpo distorcido e modificado de maneiras inumanas. Ela foi resgatada por Josué e os demais, e concordou em ajudá-los a caçar vampiros e impedi-los de cometer mais atrocidades, como o que aconteceu com ela própria.

Yove mantém sempre seu corpo coberto por roupas pesadas, evitando mostrá-lo. Por ter tomado sangue vampírico, ela desenvolveu alguns poderes, mas às vezes ela deixa de tomar vitae para mantê-los, passando por alguns períodos como um humano normal. Porém, quando isso acontece, suas alterações corporais começam a causar dor e desconforto, fazendo-a repetir o ciclo, eventualmente.

Yove
Carniçal Boneca-de sangue
Paradas de Dados: Físico 2, Social 4, Mental 4
Atributos Secundários: Vitalidade 5, Força de Vontade 6
Paradas Excepcionais: Performance 8, Sagacidade 7, Subterfúgio 7, Erudição 5, Investigação 7, Medicina 7, Ocultismo 7
Poderes: Fortitude 1

Por fim

Espero que estes NPCs tragam terror e lágrimas aos personagens de sua crônica. Você também pode conferir mais sobre Vampiro na nossa Liga das Trevas, incluindo aí material sobre os Clãs, Seitas, Disciplinas e mais. Se você ainda não joga Vampiro: A Máscara e está interessado, você pode encontrar o livro básico aqui ou clicando no banner no fim da página. E se você gostou deste material e pretende usar, cogite a possibilidade de apoiar o autor fazendo uma transferência usando o QR Code abaixo. Mas só se você puder e quiser.

Abraço e bom jogo a todos!

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