KPop Demon Hunters para Encantos

KPop Demon Hunters (ou Guerreiras do Kpop em português [que eu achei um nome meio sem graça]) é um filme lançado em 20 de junho de 2025, pela Netflix, que conta a história de um grupo de k-pop, as Huntrix, formadas por três garotas, Rumi, Mira e Zoey, que tem como dever proteger os humanos de terem suas almas devoradas por demônios. Como elas fazem isso? Com suas habilidades marciais e, principalmente, música. Música muito boa, para ressaltar ainda mais.

Bem, não vou fingir que você não sabe o que é esse filme, toda a internet parece ter visto e comentado (esta adaptação deve até sair atrasada). Enfim, se você está aqui é porque viu o filme e se interessou em jogar algo parecido num RPG (se não viu ainda, veja, vai ser legal). A proposta aqui é exatamente esta, colocar um guia rápido para jogar Kpop Demon Hunters em Encantos!

Por que Encantos?

Caso você não conheça o jogo ainda, Encantos é um RPG lançado pelo Lampião Game Studio e escrito por Jorge Valpaços, que gira entorno de jovens defendendo seu bairro de forças do mal usando de poderes mágicos e a amizade entre eles. Já sacou onde quero chegar?

Ao assistir o filme é perceptível que a maior fonte de drama não sai exatamente dos demônios, mas sim do segredo que Rumi guarda das melhores amigas Mira e Zoey. E no fim, claro, as coisas se resolvem graças a amizade das três. E agora, entendeu?

O sistema de Encantos prioriza o trabalho e ajuda entre amizades para superar as ameaças que assolam seu bairro. Bem, no caso das Huntrix pode se dizer que é a Coreia inteira. Por isso escolhi Encantos, é para que a amizade entre as personagens tenha um peso maior.

Dito isso, durante este texto vou considerar que você tenha lido ou conheça Encantos.

Bairro?

Ehrr, bem, parte importante das mecânicas de Encantos é o bairro que você protege, só que, como já dito, as Huntrix protegem praticamente o país inteiro graças ao Honmoon. Então, né, talvez não faça muito sentido falar de bairros. Vamos por partes.

Onde e quando são duas perguntas a serem respondidas na criação de bairro e continuarão a ser respondidas para a adaptação de agora. É simples, estamos na Coreia do Sul nos tempos atuais (talvez alguns anos no futuro). Para substituir os bairros eu proponho uma nova mecânica: Carreira.

Carreira

Uma parte que achei bem legal do filme foi exatamente isso de ser uma disputa entre grupos para saber quem ganha em popularidade e um campeonato ao final. Como um bairro seria muito limitar para um grupo de amplitude nacional (provavelmente internacional), apresento esta opção.

Primeiro, deve-se criar um nome para seu grupo. É comum que os nomes sejam em inglês e você certamente conhece algum grupo ou outro. Se você está na internet considero impossível não conhecer ao menos o BTS. Outro exemplo é Twice, que canta algumas músicas do filme, aliás. Escolha um estiloso e que combine com o tipo de grupo formado. Algo relacionado a caçadoras de demônio, claro, ou com o número de integrantes funciona. Quanto ao número de integrantes, será igual ao número de personagens e não se preocupe de passar de três, o Seventeen tem 13 integrantes (meu bias é o Jun, se alguém tiver curiosidade).
Pense também que seu grupo provavelmente é sucessora das Huntrix na tarefa de proteger os humanos de terem suas almas roubadas por demônios.

Minúcias de Carreira

Depois disso, vem as Minúcias da carreira. Role 1d6 e compare: 1 – Laço Coletivo (como o grupo se conheceu); 2 – Marco (momento super importante na carreira); 3 – Staff (uma pessoa que ajuda o grupo em várias tarefas); 4 – Hit (música de maior sucesso); 5 – Fama (ao ponto de reconhecerem na rua se não estiver com disfarce); 6 – Ships (esse tem que ter).

Durante uma sessão e outra pode se trocar uma minúcia (não significa que deixou de existir, apenas que perdeu a relevância dentro da carreira). Contudo o número de minúcias depende diretamente das aventuras. Lembre-se que o trabalho das personagens é defender o mundo dos demônios através da música, então sua carreira e a proteção estão diretamente ligados. Assim uma carreira começa com apenas uma minúcia e ganha mais uma, até no máximo três, quando o desfecho da aventura for um sucesso e duas quando um crítico; nisso ela perde uma minúcia em toda falha ou problema. Isto serve para representar, mecanicamente, a flutuação de sua fama e fanbase. O mínimo é uma minúcia e elas funcionam como o de costume (usar 1x por sessão para ter boa fortuna).

Personagens

Após a etapa acima, o próximo passo são as personagens. A diferença do jogo original para esta adaptação/cenário é de que suas personagens são jovens adultas e não jovens adolescentes/crianças, o que pode mudar um pouco o tom da aventura. Não que ela fique pesada ou “dark”, mas é possível ter dramas mais elaborados, como a Rumi ser meio demônio, a Mira com problemas familiares e a Zoey com as questões de ser uma imigrante. Caso seja uma sessão única de jogo não impactará tanto, porém são pontos bons de desenvolvimento numa campanha. Pretendo falar de campanha mais para frente.
Para simbolizar este conhecimento a mais que vem com os anos de vida, as personagens podem começar já tendo 1 Evolução ou mais. Máximo 3. (Isto também significa aventuras mais difíceis, você aí que for mestrar, atente-se).

Junto a isso, terá os Papéis dentro do grupo, que cada personagem deve escolher. Não há problema nenhum em repetir, é normal ter várias pessoas executando a mesma função (não vou usar o Seventeen de exemplo de novo, mas poderia).

Os Papéis

Existem 3 Papéis para escolha: Dança, Rap e Visual, explicadas logo abaixo. Eles tem uma dupla função mecânica: funcionam como Minúcias e definem dois dos três pontos de Atributos (ainda precisará rolar 1d6 para saber onde vai o terceiro ponto).

Dança – Tem como especialidade a dança, sendo responsável por guiar o grupo nessa área e elaborar as coreografias. Criação 1 e Emoção 1.
Rap – Talvez um dos mais específicos, pois as músicas costumam ter versos separados para o rap. Assim, pessoas nesse papel tem uma voz poderosa, fala rápida e destruidora. Destruição 1 e Potência 1.
Visual – Em contrapartida ao de cima, este é o papel mais abrangente; pessoas nesse papel são a cara do grupo, seu rostinho bonito, conhecendo muito de moda, maquiagem e afins. Precisão 1 e Razão 1.
Os Papéis não são restritivos em quesito nenhum. Ser Visual não diz que esta é a única bonita no grupo ou que só a Dançarina sabe dançar. Todas no grupo cantam, dançam e tenho certeza que serão adoráveis.

E os Equipamentos?

Durante o filme cada uma das três principais tem suas armas características, que elas invocam magicamente. Como elas também são a forma com a qual elas lidam com demônios pela maior parte do tempo, é necessário ter algo aqui.

Para isso será usada uma regra opcional do jogo (pode ser vista a original aqui junto com várias outras).
Com o gasto da reserva de recursos, você invoca sua arma mágica que dá um bônus nos testes em que ela é cabível por toda a cena; o bônus é igual aos recursos gastos (gastando 2 de recurso ganha +2 nos testes).

Os Encantos

Os Encantos de suas personagens serão exatamente sua arte! O canto e/ou a dança, sendo a principal força das caçadoras contra os demônios. Ou seja, suas reservas de vontade serão gastas em momentos de grande emoção, expressando-os pela música.

E sim, você ainda vai precisar de um objeto seu compartilhado com a personagem, o canalizador de encantos, que conecta o mundo do jogo com o mundo real.

Jogando Campanhas

Caso queira jogar mais do que uma sessão, eu tenho algumas recomendações. Primeiro que a campanha seja sobre o grupo começando a carreira, talvez como sucessoras das próprias Huntrix. Com isso pode aproveitar e mexer com a mecânica de Carreira, fora ter antagonistas e objetivos claros: impedir que Gwi-ma e seus lacaios roubem almas de humanos enquanto tentam revitalizar o Honmoon.

Minha segunda recomendação é tentar pesquisar sobre o folclore coreano, para ter ideias para além do filme. O filme apresenta o lado espiritual de forma bem simplificada e eficiente, não tem nada de errado em seguir com o que foi apresentado no filme. Todavia, saber um pouco a mais nunca é ruim e pode te explicar alguns aspectos do próprio filme; por exemplo eu descobri que o nome Saja Boys vem deles serem Jeoseungsaja, que seria algo como ceifadores/mensageiros da morte (com mensageiros bonitos assim é difícil ignorar a mensagem).

Infelizmente não achei muita coisa em português sobre xamanismo coreano, porém se tiver alguma habilidade com inglês tem o site 메인 – 한국민속대백과사전, com postagens e livros (no plural mesmo) sobre o folclore, lendas e mitologia.

Boa jogatina ^^

Um agradecimento especial ao meu amigo Alex, especialista em kpop, que me ajudou com os papéis.

Meus sentimentos para todas, todos e todes que, infelizmente, tem que esconder suas marcas demoníacas com medo de exclusão e opressão. Um dia encontrarão, se ainda não encontraram, amigues de verdades que te aceitarão.


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Quando o Vilão Vira Aliado – Aprendiz de Mestre

No universo do RPG, somos constantemente desafiados a criar narrativas que cativem e surpreendam. Recentemente, refletimos sobre a importância de aprender com as sessões que não fluem tão bem, transformando falhas em oportunidades de crescimento. Essa capacidade de adaptação e aprendizado é crucial não apenas para o mestre, mas também para o próprio tecido da história que se desenrola à mesa. Afinal, assim como uma sessão pode tomar rumos inesperados, os personagens e suas lealdades também podem se transformar de maneiras que desafiam as expectativas iniciais. É nesse ponto que a arte de narrar mudanças de lado com coerência se torna uma ferramenta poderosa, permitindo que traições, redenções ou alianças inesperadas surjam de forma orgânica, sem parecerem forçadas. Como mestres, somos os arquitetos dessas reviravoltas, e a habilidade de orquestrá-las com maestria pode elevar uma campanha de boa a inesquecível. Este artigo explora as nuances de quando o vilão vira aliado, oferecendo dicas para surpreender e engajar o grupo sem perder a lógica do mundo, seja por cansaço, ritmo arrastado ou conflitos em jogo.

A Semente da Dúvida: O Início da Transformação

Para que uma mudança de lado pareça crível, o mestre precisa plantá-la com antecedência e cuidado.

Afinal, um vilão não se transforma em aliado da noite para o dia sem um motivo sólido. É necessário inserir a semente da dúvida de forma sutil, por meio de pequenos gestos, informações conflitantes ou dilemas morais que desafiem as convicções do personagem. Por exemplo, um necromante inicialmente apresentado como uma ameaça implacável pode hesitar ao sacrificar inocentes durante seus rituais. Já um tirano, tido como cruel e impenetrável, pode ser flagrado em um momento de fragilidade, revelando uma motivação mais profunda e complexa do que a simples busca por poder.

Além disso, essa construção gradual oferece aos jogadores a chance de notar nuances e especular sobre possíveis reviravoltas. O próprio personagem, aos poucos, passa a se confrontar com as contradições internas, o que torna a virada mais natural e impactante. Portanto, quando o momento da mudança finalmente chegar, ele parecerá coerente com a jornada trilhada até ali, e não apenas uma surpresa conveniente para a trama.

Motivações Complexas: Além do Bem e do Mal

Vilões unidimensionais costumam ser fáceis de odiar, mas quase impossíveis de redimir. Para torná-los mais interessantes, ofereça motivações que vão além da simples sede por poder ou desejo de destruição. Em vez disso, talvez ele lute por uma causa que, embora nobre em essência, se perca em métodos questionáveis. Alternativamente, ele pode ter sido manipulado por uma força maior, o que transforma sua “vilania” em mera fachada para algo mais profundo.

Por exemplo, considere um antagonista que busca poder apenas para proteger aqueles que ama, mesmo que, para isso, precise oprimir outros. Ao revelar essa motivação, você inevitavelmente transforma a percepção que os jogadores têm sobre ele. Isso não só aprofunda o personagem, mas também convida o grupo a refletir sobre moralidade, justiça e consequências. Portanto, ao criar um vilão com camadas, você abre espaço para possíveis redenções, alianças inesperadas e conflitos emocionais genuínos na sua campanha.

O Ponto de Ruptura: O Gatilho da Mudança

Todo arco de personagem exige um ponto de ruptura  um momento decisivo que impulsiona a mudança. Para um vilão que muda de lado, esse ponto pode surgir por meio de uma traição interna, como ser abandonado por seus aliados, ou ainda pelo colapso de um plano que o obriga a reavaliar suas crenças. Além disso, um ato inesperado de compaixão vindo dos heróis pode funcionar como catalisador.

Por exemplo, imagine um assassino de aluguel que recebe a missão de eliminar uma criança inocente. Ao se recusar, ele não apenas desobedece, mas também se torna o novo alvo da própria guilda. Esse tipo de virada não apenas marca o início de uma transformação, como também precisa carregar um peso emocional significativo. Portanto, certifique-se de que esse momento seja forte o bastante para redefinir a trajetória do personagem e gerar impacto tanto na narrativa quanto nos demais jogadores.

Consequências e Sacrifícios: O Preço da Redenção

A mudança de lado nunca vem sem consequências. O personagem precisa enfrentar as repercussões de suas escolhas anteriores ou da nova aliança que assume. Por isso, é essencial que ele pague um preço, seja por meio da perda de poder, da perseguição por antigos aliados, ou até mesmo por meio de sacrifícios pessoais difíceis.

Por exemplo, um ex-líder de culto que decide trair sua seita pode ser forçado a viver nas sombras, fugindo constantemente daqueles que um dia o veneraram. Além disso, ele talvez precise abandonar tudo o que conhecia, incluindo entes queridos ou crenças profundas. Esses custos reforçam a seriedade da mudança e, consequentemente, validam sua trajetória. Assim, os jogadores percebem que a redenção tem um peso real, o que torna a transição muito mais significativa e impactante dentro da história.

A Prova de Fogo: Conquistando a Confiança

Mesmo após a mudança de lado, o grupo não oferece confiança imediata. O ex-vilão precisa conquistá-la por meio de atitudes concretas e significativas. Para isso, ele pode revelar informações cruciais, arriscar-se ao lado dos heróis durante um confronto intenso ou até mesmo se sacrificar por eles em um momento decisivo.

Por exemplo, um antigo espião que agora apoia o grupo talvez precise usar suas habilidades para desvendar uma conspiração que ameaça a todos. Nesse processo, ele coloca a própria vida em risco, não por obrigação, mas por escolha. Essa fase de provação, portanto, se torna essencial para que os jogadores aceitem a nova aliança de forma natural. Além disso, reforça o impacto emocional e narrativo da transformação do personagem, aprofundando os laços de confiança de maneira orgânica.

A Reação do Grupo: Gerenciando Expectativas

A maneira como os jogadores reagem à mudança de lado é tão relevante quanto a transformação do personagem. Naturalmente, você deve se preparar para ceticismo, desconfiança e até hostilidade por parte do grupo.

Portanto, ofereça espaço para que os jogadores expressem suas preocupações e inseguranças. Deixe que o personagem conquiste sua aceitação gradualmente, por meio de ações e interações significativas. Forçar uma integração instantânea, por outro lado, enfraquece a narrativa. A confiança, nesse contexto, precisa ser merecida.

Por exemplo, se um paladino faz parte do grupo, talvez ele enfrente sérias dificuldades para aceitar um ex-demônio como aliado. Essa tensão deve ser usada a favor da história, criando cenas cheias de dilemas morais, crescimento emocional e aprofundamento dos laços, ou rupturas inesperadas. Com isso, o drama ganha força e a história, mais densidade.

O Passado Assombra: Lidando com as Sombras

O passado de um vilão redimido nunca desaparece por completo. Mesmo após sua mudança, ele continua sendo assombrado por erros cometidos, pelas vítimas que causou dor ou por antigos inimigos que agora buscam vingança. Em vez de ignorar essa bagagem, aproveite-a para enriquecer a história.

Assim, essas sombras podem gerar ganchos valiosos para novas aventuras, além de aprofundar o desenvolvimento do personagem. Imagine um ex-general responsável por campanhas devastadoras em tempos de guerra. Certamente, ele acabará enfrentando sobreviventes que ainda carregam cicatrizes, físicas ou emocionais, de suas ações.

Dessa forma, cada reencontro com o passado se transforma em uma oportunidade narrativa. O personagem pode se redimir um pouco mais, enfrentar dilemas morais inesperados ou até ver seus atos antigos inspirando novas ameaças. O passado, afinal, não precisa ser apenas um fardo: pode se tornar o motor que impulsiona a nova jornada do personagem, e do grupo.

Novas Habilidades, Novos Desafios: Integrando o Personagem

Com a mudança de lado, o personagem não chega de mãos vazias. Ele traz consigo habilidades e conhecimentos únicos, que podem enriquecer significativamente as capacidades do grupo. No entanto, essas vantagens quase sempre vêm acompanhadas de novos desafios, e isso é justamente o que torna a narrativa mais interessante.

Por exemplo, um mago negro que agora luta ao lado dos heróis talvez domine magias poderosas e rituais esquecidos. Contudo, ele também pode enfrentar tentações constantes de usar esses antigos poderes de maneira questionável. E, além disso, o grupo pode não se sentir totalmente confortável com o tipo de magia que ele carrega.

Portanto, a integração desse novo aliado exige mais do que aceitar suas habilidades. É necessário estabelecer limites, explorar conflitos éticos e permitir que os outros jogadores reajam de forma orgânica. Assim, o equilíbrio do grupo se constrói com base no diálogo e na confiança gradual, o que fortalece tanto a mecânica de jogo quanto a profundidade narrativa.

A Coerência do Mundo: Sem Quebrar a Lógica

Interna Todas as mudanças de lado devem ser coerentes com a lógica interna do mundo. Se o mundo é rigidamente dividido entre bem e mal, uma redenção pode ser mais difícil de justificar. Se o mundo é mais cinzento, as transições podem ser mais fluidas. A história do mundo e as crenças de seus habitantes devem ser consideradas ao planejar essas reviravoltas. Uma sociedade teocrática que condena a magia negra pode ter dificuldade em aceitar um ex-praticante, mesmo que ele tenha mudado de lado.

O Legado da Mudança: Impacto a Longo Prazo

A mudança de lado de um personagem deve ter um impacto duradouro na narrativa e no mundo. Isso pode levar a novas alianças, a novas ameaças, ou a uma redefinição do que significa ser herói ou vilão. O legado dessa transformação pode ser explorado em futuras campanhas, mostrando como as ações de um único personagem podem reverberar por todo o cenário. A redenção de um vilão pode inspirar outros a questionar suas próprias lealdades, ou pode criar um novo inimigo ainda mais perigoso.

Conclusão

Narrar mudanças de lado com coerência é uma das ferramentas mais potentes à disposição de um mestre de RPG. Não se trata apenas de surpreender os jogadores, mas de enriquecer a narrativa, aprofundar os personagens e desafiar as percepções de bem e mal. Ao semear a dúvida, construir motivações complexas, criar pontos de ruptura impactantes e explorar as consequências e sacrifícios, é possível tecer reviravoltas que não apenas engajam, mas também ressoam com a lógica interna do mundo e com a jornada emocional dos personagens. Lembre-se, o objetivo não é forçar uma virada, mas permitir que ela floresça organicamente, transformando o vilão de ontem no aliado inesperado de amanhã, e vice-versa. A arte reside em fazer com que cada passo dessa jornada seja tão crível quanto emocionante, deixando uma marca indelével na memória de todos à mesa.

PARA MAIS CONTEUDO DO MESTRE BROTHER BLUE


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MasterApp – Lançamento de Startup Gaúcha

Preparem seus dados virtuais! A Room Company, uma startup gaúcha pioneira, acaba de entrar para a história do RPG de mesa no Brasil com o lançamento do MasterApp. A plataforma é a primeira do país a oferecer soluções digitais completas para o hobby. E já está fazendo sucesso com mais de 2 mil usuários ativos em apenas quatro meses.

O MasterApp se destaca por sua flexibilidade: ele pode ser usado tanto para sessões de RPG online quanto para aquelas épicas rodadas presenciais com a galera na mesa. Além de fortalecer a comunidade, a iniciativa coloca o Brasil no mapa da inovação para jogos analógicos.

A Room Company, que já se consolidou como uma promessa no ecossistema de startups, vai apresentar as novidades do MasterApp no evento Diversão Offline. Mostrando todo o potencial dessa ferramenta 100% brasileira. O futuro do RPG de mesa digital é promissor, e ele já está sendo escrito aqui no nosso quintal!


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Missão para Brazil’s Struggle, o RPG – Tudo menos D&D #17

A partir desse mês, essa coluna irá propor aventuras para meu RPG autoral, o Brazil’s Struggle, disponível num preço camarada aqui. No caso específico do Brazil’s Struggle, as aventuras são chamadas de “missões”, dada a natureza do tema do jogo. Deve-se notar que o jogo se passa num Brasil distópico (dá o “z” ao invés do “s”) e, ainda que inspiradas por momentos reais, nomes de pessoas, locais e situações parecidas são mera coincidência.

MISSÃO: CERIMÔNIA DE POSSE

Contexto

O governador Teodoro Sucupira Jr. foi reeleito pela terceira vez. Órgãos de transparência da comunidade internacional apontam fraudes que vão de votos de eleitores já falecidos a ameaças e compra de votos. Nada disso estraga a festa da posse que está planejada para a próxima segunda-feira. Os telejornais e portais de notícias mostram fotos alegres do governador com sua esposa, 45 anos mais nova, a supermodelo ucraniana Ekaterina Gurchkin, e seu vice-governador, o senil Coronel Andrada Fontes.

A célula está reunida no seu típico esconderijo (os jogadores podem escolher um local simples, como a casa herdade de algum parente ou prédio abandonado) enquanto recebem ordens da Mesa Central (caso sejam a Mesa Central, a Missão foi escolhida, pois o governador é uma presença política e econômica a qual age ativamente contra o Movimento Revolucionário).

Tal mensagem da Mesa Central pode ser uma mensagem criptografada através da DeepWeb, uma carta de mala postal ou uma gravação em tecnologia retro, a exemplo de fita cassete. O conteúdo esclarece que é necessária a eliminação do governador para afetar o status quo nesse estado do Brazil.

Os revolucionários tem cinco dias até a posse, sabendo que a mesma se dará no Palácio Itatinga, sede do governo estadual. Assim os revolucionários entram na etapa de Pré-Missão, na qual suas atitudes podem englobar:

  • Descobrir a planta do palácio;
  • Conhecer o sistema de CFTV (Circuito Fechado de Televisão, o clássico monitoramento por câmeras, recebido por uma empresa terceirizada em outro prédio, ou ainda numa sala segura local);
  • Planejar formas variadas de eliminar o alvo (envenenamento, tiro, garrote…);
  • Disfarces para se infiltrar na festa da posse;
  • Contatar aliados fora do Movimento Revolucionário;
  • Rotas possíveis de fuga.

Personagens do Narrador

Note que o mestre terá oportunidade de usar personagens do convívio dos personagens jogadores, de rivais de outras células até ajudantes que concordam com a luta revolucionária, mas não querem integrar o Movimento. A seguir vou explicitar alguns personagens para que você narrador possa usar, caso os jogadores não tenham criado indivíduos que sejam relevantes para essa missão:

  • Dona Cleide, uma senhora preta, de cabelos grisalhos, entrando na terceira idade, é uma copeira de longa data do palácio do governo. Querida por todos os funcionários, realiza seus serviços com alegria, cantarolando músicas gospel. Entretanto, ela esconde uma forte amargura e desprezo pelas autoridades por ter tido um filho que foi preso como traficante só por morar em área de comunidade. Ela pode ser um contato para permitir a entrada de revolucionários pela cozinha, bem como explicar sobre as principais entradas e corredores do palácio;
  • Paulo Ventura, homem de meia idade calvo e pardo, na casa dos 40 anos, é o típico pai de família brasileiro, que luta para levar o pão de cada dia. Há alguns anos conseguiu um posto de trabalho estável, com carteira assinada na empresa de segurança que dá apoio à polícia estadual, a qual é responsável pela guarda do palácio do governo. Porém, recentemente, Ventura está taciturno e reativo, pois sua avó faleceu num hospital gerenciado pelo governo de Sucupira Jr. Ventura culpa o governador diretamente pelo ocorrido, e é capaz de fazer vista grossa para conseguir qualquer tipo de vingança;
  • Borges, um jovem de cabelos sebosos e roupa social amarrotada, é um ávido simpatizante da causa revolucionária. Através das redes sociais conheceu as ações do Movimento Revolucionário, e, apesar da pesada propaganda do Leviatã, entendeu os motivos da revolta. Através da área de Tecnologia da Informação do palácio do governo pode ajudar os personagens jogadores acerca da agenda interna do evento de posse.

Hora da Ação

Com os preparativos que foram possíveis fazer nos dias anteriores cabe aos revolucionários colocar os planos em ação na Missão em Si, na qual recomendo:

  • Coloque dificuldades pontuais e imprevistos, a exemplo do governador não estar sozinho no banheiro VIP;
  • Incentive formas criativas de colocar os planos na prática, personagens não jogadores também cometem erros, deixam de conferir credenciais, etc.;
  • Nao deixe o clima do local fácil, enfatize segurança armada, câmeras e outras complicações;
  • O mundo continua girando, mesmo quando os personagens jogadores não estão olhando. Assim personagens se movem entre salas, deixando-as vazias ou de repente juntando algumas pessoas em banheiros ou corredores;
  • Se houverem personagens esperando problemas, faça surgir problemas – não custa muito deixar rolar uns disparos.

Pós Missão

Agora, de volta à casa segura, a célula pode respirar fundo e o narrador pode desenvolver a partir das consequências do que deu certo e o que deu errado na Missão em Si, agora na etapa de Pós Missão:

  • Pessoas se feriram? (Além do Sucupira Jr., é claro) Narre os feridos tendo sido levados a hospitais, com ferimentos graves ou até óbitos;
  • De que forma políticos alinhados com o Leviatã capitalizaram o atentado ao governador reeleito?
  • Personagens jogadores se machucaram? Precisam de ajuda médica?
  • A Mesa Central entra em contato para receber um relatório detalhado?
  • Os personagens jogadores foram comprometidos? Seguranças podem fazer retratos falados ou fornecer dvd’s de gravação dos revolucionários nos corredores do palácio?
  • Distribua Pontos de Revolução de acordo com as ações que os personagens jogadores tomaram no decorrer da Missão em Si.

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Fronteiras Invisíveis do seu Mundo – Gênese Zero #47

Após aprofundarmos nossa compreensão sobre a complexidade das “Religiões sem Deuses”, explorando como sistemas de crença podem moldar sociedades sem a necessidade de divindades antropomórficas, é imperativo que voltemos nosso olhar para outro pilar fundamental do worldbuilding: as fronteiras invisíveis que definem o espaço e o comportamento em um mundo. Assim como a fé pode guiar ou restringir, a cultura e a superstição erguem barreiras tão impenetráveis quanto montanhas ou oceanos, delineando zonas proibidas, malditas ou sagradas onde ninguém ousa pisar.

Este artigo se propõe a desvendar a arte de criar essas regiões evitadas por razões culturais e mitológicas, e como sua existência afeta não apenas o mapa físico, mas também a psique coletiva e o comportamento social dos habitantes. A coerência na construção dessas “zonas de exclusão” é crucial para que o mundo pareça vivo e autêntico, evitando que tais elementos pareçam forçados ou arbitrários. Vamos, portanto, explorar estratégias para surpreender e engajar o grupo, mantendo a lógica interna do mundo intacta, mesmo diante de tabus e tradições que desafiam a razão aparente.

1. O Tabu da Origem: Lugares Onde a Criação se Corrompeu

Imagine um local onde, segundo a mitologia, a própria criação do mundo foi marcada por um erro primordial, um ato de traição cósmica ou uma maldição ancestral que nunca se apagou por completo. Apesar de fisicamente acessível, esse lugar carrega um estigma tão profundo que as pessoas evitam até mencionar seu nome. Afinal, muitos acreditam que a corrupção original ainda habita suas entranhas.

Por exemplo, considere uma floresta antiga onde os primeiros deuses, segundo as lendas, travaram uma batalha tão violenta que rachou o próprio tecido do cosmos. Desde então, a terra nesse local pulsa com discórdia. Árvores crescem tortas como se tivessem testemunhado horrores indescritíveis, e o ar vibra com tensão.

A entrada nesse território permanece estritamente proibida. Aqueles que ousam cruzar seus limites desafiam não apenas o medo popular, mas um tabu que molda gerações. Os habitantes locais enxergam esses transgressores como portadores de desgraça. Além disso, os anciãos perpetuam o temor ao recontar a história, sempre com novos detalhes sombrios, garantindo que o medo nunca se apague completamente.

2. A Terra Amaldiçoada: Onde a Tragédia Deixou sua Marca

Alguns lugares guardam cicatrizes de pragas, guerras ou rituais que terminaram em desastre. Esses eventos marcaram a história e o solo, visto como amaldiçoado. Muitos acreditam que apenas estar ali atrai infortúnios.

Por exemplo, uma cidade dizimada por uma doença misteriosa permanece em ruínas silenciosas, lembrando a fragilidade da vida. Lendas afirmam que os ventos entre as construções quebradas carregam sussurros de vozes antigas.

Poucos ousam atravessar seus limites, relatando visões perturbadoras e sombras sem origem. Esses testemunhos reforçam a crença de que o lugar é assombrado, perpetuando a memória do horror.

3. O Santuário Profano: Onde o Sagrado Foi Violado

Ao contrário dos locais amaldiçoados por tragédias, alguns lugares nasceram sagrados, mas foram corrompidos por atos de maldade. Templos que irradiavam devoção passaram a exalar temor após sua profanação. Por exemplo, imagine um santuário dedicado a uma divindade benevolente, depois tomado por um ritual sombrio que maculou seu altar.

Desde o ocorrido, os sacerdotes o abandonaram. Suas colunas foram cobertas por vegetação, e os viajantes evitam a área, não por medo de maldição, mas por respeito à sua queda. O templo virou símbolo de luto espiritual. Sua história é contada em cânticos murmurados nas vilas vizinhas.

Assim, o medo não vem do sobrenatural, mas do arrependimento. Ele lembra que até o sagrado pode ser destruído, e que algumas cicatrizes, mesmo invisíveis, permanecem.

4. A Zona de Quarentena Cultural: Onde o Diferente é Perigoso

Algumas fronteiras não surgem por forças sobrenaturais, mas sim por divisões culturais profundas. Certas regiões tornam-se interditadas não por maldições, mas por tabus e preconceitos. Por exemplo, um deserto onde nômades praticam sacrifícios pode causar repulsa em vizinhos agrícolas, cuja fé condena o sangue derramado. Assim, forma-se uma barreira invisível, mas intransponível.

A ausência de diálogo aprofunda esse abismo. O desconhecimento gera distorções, e o medo transforma rituais simbólicos em ameaças. Autoridades religiosas ou políticas reforçam a separação, tornando o contato moralmente errado.

Essas barreiras moldam o mundo de forma sutil e poderosa. Elas impedem trocas, alianças e perpetuam rivalidades. Em campanhas de RPG, explorar tais divisões oferece dilemas éticos, revelações e chances de reconciliação, ou de conflito.

5. O Labirinto da Loucura: Onde a Realidade se Distorce

Em mundos de fantasia, a realidade nem sempre permanece estável. Alguns lugares são evitados não pelo perigo físico, mas porque ameaçam a sanidade de quem os atravessa. Nessas regiões, as leis naturais se distorcem e o pensamento racional começa a ruir.

Uma floresta ancestral, por exemplo, pode conter árvores que sussurram segredos esquecidos, capazes de invadir a mente dos mais resistentes. As sombras ganham vida, e o tempo flui de forma incerta, um passo pode durar uma hora ou um ano.

Aqueles que retornam raramente o fazem ilesos. Muitos voltam mudos, perturbados ou incapazes de distinguir sonho de realidade. Suas memórias, fragmentadas, viram lendas sussurradas, sempre acompanhadas de alertas.

Esses locais desafiadores oferecem aos mestres e escritores uma ferramenta poderosa. Servem como testes extremos para os corpos e mentes dos personagens, além de levantarem questões sobre a realidade e seus limites, temas ideais para o centro de uma saga ou campanha.

6. O Limiar dos Espíritos: Onde os Mortos Residem

Em muitas culturas, certos lugares marcam o limite entre o mundo dos vivos e dos mortos. Cemitérios antigos, campos de batalha esquecidos e cavernas sagradas costumam ser vistos como domínios espirituais. Por isso, sua entrada costuma ser proibida, para evitar a ira dos antepassados ou a perturbação dos mortos.

Por exemplo, um pântano coberto por névoas eternas pode ser evitado por viajantes, pois, segundo as lendas, os espíritos dos guerreiros caídos ainda vagam por ali. Cruzar a área sem reverência é visto como um convite à morte.

Além disso, ritos de proteção e oferendas reforçam o tabu. Essas práticas expressam um respeito profundo por tradições antigas. Assim, a reverência aos mortos molda a relação com o espaço, mantendo regiões sagradas preservadas.

Esses lugares evitam o esquecimento e alimentam o imaginário com histórias e mistérios que servem como base para grandes narrativas.

7. A Terra Proibida: Onde o Poder é Demais

Alguns lugares não inspiram medo, mas sim respeito profundo pelo poder que guardam. O perigo, nesses casos, não surge de ameaças imediatas, mas da ambição de quem ousa se aproximar. Por isso, muitas culturas impõem restrições severas a regiões onde o poder supera a compreensão humana.

Uma montanha, por exemplo, pode abrigar um dragão ancestral adormecido. A criatura não representa uma ameaça direta, mas todos evitam o local para não acordá-la. Da mesma forma, uma ruína selada por magia pode conter um artefato de poder descomunal. Guardiões mantêm o local inacessível para impedir que forças adormecidas sejam libertadas.

Existem também vales onde a magia flui de modo caótico. Nesses lugares, a realidade se comporta de forma instável. Portais surgem sem aviso, criaturas aparecem do nada e feitiços reagem de modo imprevisível. Por isso, a entrada é proibida, não por superstição, mas por precaução.

Um exemplo clássico é uma torre cercada de lendas sobre magos que desapareceram ao manipular forças proibidas. Embora o tempo tenha passado, os selos mágicos continuam reforçados. Assim, o respeito ao poder molda o mundo, as tradições e as defesas coletivas.

8. O Refúgio dos Proscritos: Onde a Sociedade Não Alcança

Paradoxalmente, certas regiões tornam-se tabu não por forças místicas, mas por abrigarem os rejeitados da sociedade. Essas zonas de exclusão surgem como resultado direto da marginalização. Uma floresta onde bandidos e exilados se escondem transforma-se em um labirinto de emboscadas e regras próprias. Quem entra deve lidar com códigos impostos pelos habitantes, não pelas leis civis.

De forma semelhante, uma ilha dominada por piratas pode prosperar longe da autoridade, criando seu próprio sistema de lealdade e comércio. Para os povos do continente, ela representa caos e desordem. A simples menção do nome causa temor, não por maldição, mas porque ali o controle desaparece.

Além disso, túneis subterrâneos sob grandes cidades abrigam guildas de ladrões, mercadores de informação e facções secretas. Quem se aventura por esses caminhos corre o risco de não retornar. O medo do desconhecido, aliado à ausência de controle institucional, reforça o isolamento desses refúgios.

Assim, o tabu surge da ameaça concreta de violência e anarquia. Ao evitar tais lugares, a sociedade tenta se afastar não de monstros, mas da face sombria de si mesma.

9. O Vazio Esquecido: Onde a Memória se Perdeu

Certas regiões causam inquietação, não por maldições ou lendas ativas, mas porque foram excluídas da memória coletiva. Ninguém fala delas. Ninguém as nomeia. O esquecimento age como uma muralha mais sólida que pedra ou ferro. Imagine uma cidade que desapareceu dos mapas, livros e conversas. Quando alguém tenta mencioná-la, recebe apenas olhares vazios, como se as palavras não tivessem sentido.

Além disso, vales inteiros onde civilizações sumiram sem deixar ruínas compreensíveis alimentam esse silêncio. Viajantes que os exploram retornam confusos, incapazes de descrever o que viram ou sentindo que algo além da compreensão humana foi testemunhado. A ausência de marcos históricos e o silêncio ancestral sugerem que algo terrível ocorreu, algo esquecido para proteger a sanidade coletiva.

Por outro lado, algumas ruínas permanecem visíveis, marcadas por horrores tão profundos que a verdade foi suprimida. Autoridades as cercam com proibições, rotulando-as como perigosas, sem maiores explicações. Ao investigar, descobre-se que a barreira real não são patrulhas ou cercas, mas a sensação opressiva de ausência, de uma história apagada intencionalmente.

Assim, o esquecimento se torna a última forma de proteção. Não há monstros ou maldições. O perigo habita o vazio, pois ele desafia a memória, a razão e a própria resistência. Como sussurram alguns, certas verdades foram enterradas, não por medo, mas por escolha.

10. O Ponto de Convergência: Onde Mundos se Encontram

Em muitos mundos, certos pontos tornam-se frágeis, permitindo que planos distintos se toquem. Nesses locais, a barreira entre dimensões se afina, criando portais naturais entre o plano material e outras esferas. Por isso, são evitados, seja por medo, seja por respeito ao desconhecido.

Em uma planície isolada, ergue-se um antigo círculo de pedras. Em noites específicas, essas pedras brilham com luz própria e emitem um canto ancestral. Nesses momentos, um portal para o Reino das Fadas se abre por instantes. Apesar de relatos sobre maravilhas e bênçãos, o medo predomina. Acredita-se que cruzar o limiar significa não retornar, ou voltar mudado demais.

Camponeses locais deixam oferendas discretas e evitam o lugar ao anoitecer. Superstições falam de crianças levadas, viajantes desaparecidos e sonhos inquietantes que assolam quem acampa por perto. O folclore, assim, funciona como proteção coletiva.

Dessa forma, essas fronteiras se mantêm resguardadas, não por muralhas, mas por histórias passadas ao pé do fogo, advertências que preservam, ao longo das gerações, o temor e o fascínio por aquilo que existe além do véu da realidade.

Conclusão

As fronteiras invisíveis do seu mundo são tão importantes quanto as montanhas e rios que você desenha no mapa. Elas são as cicatrizes da história, os ecos da crença e os reflexos do medo e do respeito. Ao criar essas zonas proibidas, malditas ou sagradas, você não apenas adiciona profundidade e mistério ao seu cenário, mas também influencia diretamente o comportamento dos personagens e a dinâmica social.

A coerência é a chave: cada tabu, cada superstição, cada lenda deve ter raízes profundas na cultura e na história do seu mundo. Ao invés de simplesmente dizer que um lugar é perigoso, mostre por que ele é temido, quais histórias o cercam e como essas histórias moldam a percepção e as ações dos habitantes. Assim, suas fronteiras invisíveis se tornarão elementos narrativos poderosos, transformando o mapa em um tabuleiro de lendas e o comportamento social em um reflexo das crenças mais profundas de seu povo.

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Ficha Caminho RPG 2.0 Editável

Esta é a ficha de Caminho RPG 2.0, criado por Douglas Quadros a partir do Caminho RPG de Fernando Fenero e Silvio Haddad. A versão editável da ficha foi desenvolvida por Diemis Kist baseada na original desenvolvida por Raul Galli.

Caminho RPG é um sistema genérico recheado de mecânicas para a narradora e seus jogadores decidirem quais usar. Neste sistema existem poucas regras padrão (chamadas de regras mestre) e muitas regras opcionais, por este motivo, aconselhamos você baixar gratuitamente e imprimir, a planilha de regras do Caminho RPG através do link. Assinale as regras que seu grupo vai usar para que não fique confuso para novos jogadores, e sejam felizes.


Clique aqui e baixe a ficha de
Caminho RPG 2.0

 

Como Foi Narrar – DOFF 2025

Nesse fim de semana (21 e 22 de junho) rolou o DOFF 2025, e temos uma pancada de coisas para conversar sobre o evento. E uma delas é sobre a como foi narrar no DOFF.

No DOFF fui convidado para narrar e foi uma das melhores experiências que eu já tive. Nos dois dias de evento narrei 5 aventuras ao todo, sendo dos sistemas Wilderfeast e Vileborn. Ambos me propuseram conhecer pessoas novas e apresentar esses sistemas para pessoas que até mesmo não tinham muita prática jogando RPG

Os sistemas foram marcantes cada um de sua forma:

Wilderfeast

Percebi que a galera estava bem entusiasmada com a ideia geral do que era a aventura. Onde consiste em terem que rastrear e acabar com uma criatura infectada pelo vírus do frenesi. Além disso, com grandes reviravoltas, consegui no fim passar o sentimento que eu gostaria para os players. Uma breve jornada onde um grupo de pessoas poderia desfrutar de uma boa refeição após uma caçada bem sucedida

Vileborn 

A experiência foi diferente, pois o sistema consiste em um clima mais melancólico e sombrio tratando de temas mais pesados. Porém, até mesmo por ser uma mesa pública e não conhecer os players de antemão, optei por uma aventura mais tranquila. Dessa forma, fui para o lado mais sombrio do que pesado e no fim, assim como na mesa de Wilderfeast, o resultado foi extremamente positivo, chegando a um ponto onde os players interessados no sistema falaram que gostariam de adquirir ele quando lançasse.

No fim, ambos os sistemas foram extremamente divertidos de se narrar, e também teve aquela emoção de mestrar para pessoas desconhecidas e para aqueles que não tem experiência com RPG. Foi mais do que memorável e sem dúvida é algo que eu gostaria de repetir futuramente.


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Ozzy de Osbourne em A Lenda de Ghanor RPG

Nesse mês de Julho, nos perdemos uma figura icônica da cultura pop: o vocalista da banda Black Sabbath, Ozzy Osbourne. Na postagem de hoje, vamos prestar homenagem ao vocalista e príncipe das Trevas do heavy metal fazendo a ficha da sua versão no universo de Ghanor: Ozzy de Osbourne.

Disclaimer

Às vezes, a gente tem alguns disclamers a mais, mas hoje não. Normalmente, todas as matérias, regras e parte de lore são baseados no universo de Ghanor porém é tudo fictício. Mas nesse caso, tanto ficha quanto personagem são baseadas em uma pessoa que existiu e foi icônica na terra. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, não é mera coincidência.

Mas, ainda, tudo nessa postagem é conteúdo de fã para fã, e não é oficial da Jambô Editora ou do grupo Jovem Nerd. Além disso, a postagem contém spoilers da quadrilogia A Lenda de Ruff Ghanor, do Nerdcast RPG: Ghanor e de outras obras dentro do universo.

CAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAOS

Ozzy de Osbourne, Príncipe das Trevas de Utteria

O príncipe de Utteria durante a Era do Terremoto, Ozzy de Osbourne governou por alguns anos ainda novo, sendo manipulado pela Dama de Ferro. Parte de um plano planejado por sua mãe, o príncipe Ozzy foi derrotado diversas vezes, tanto pelo Rei Ruff Ghanor I quanto por um grupo de aventureiros. A última vez que foi visto foi contra o último Devorador de Mundos, onde foi, novamente, derrotado.

Mas, até o momento, nada impede que o Príncipe de Utteria pudesse voltar, junto de seus irmãos ou não, vindo de algum ritual macabro que o invoque. Talvez por alguma espécie de Sabá Negro.


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Se liga na Área de Tormenta, o espaço especial dedicado apenas à Tormenta20 e o que remete a ele! E acompanhe também as outras sessões, por favor!


Texto e Capa:  Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.

Jogando em Família – Aprendiz de Mestre

Saudações rpgistas! Dessa vez, ao ver o filme do Quarteto Fantástico me senti inspirado para propor uma possibilidade para sua mesa: e se todos os personagens forem de uma mesma família?

Em todo grupo de RPG, os laços entre personagens são uma parte vital da história e nada traz mais laços para esses personagens se eles forem de uma mesma família! Jogar com uma família como grupo de aventureiros pode transformar a narrativa, adicionando camadas de drama, cumplicidade, rivalidade e emoção que nenhum contrato de guilda ou missão paga consegue replicar.

Seja uma trupe de irmãos tentando honrar o legado de um clã caído, pais e filhos fugindo de uma maldição ancestral, ou até mesmo uma família improvisada unida por escolhas e não por genética, explorar esse tipo de relação no RPG abre portas para outros tipos de histórias.

Com isso em mente, vou compartilhar ideias, dicas e inspirações para você montar sua própria campanha e grupo familiar, onde os monstros podem até vir de fora, mas os conflitos mais perigosos podem surgir no almoço de domingo.

Vamos por passos para definir cada uma das escolhas e como o grupo vai interagir vai ser bem importante para o enredo.

Tipo de Família

Decida se os personagens são:

  • Família de sangue: pais, filhos, irmãos, avós, primos, etc.
  • Família adotiva ou encontrada: órfãos criados juntos, uma matriarca que adotou todos, sobreviventes que viraram clã.
  • Família disfuncional: com rivalidades, mágoas, e reconciliações possíveis.
  • Família nobre ou clã tribal: com reputações a manter e um legado a proteger.

Isso dá a base emocional do grupo! Nesse momento é importante que cada personagem saiba adotar o seu papel. Um filho, por exemplo, pode se rebelde, mas evidentemente existe um nível de hierarquia familiar entre o filho e o pai por isso os jogadores tem que estar ciente de como essa brincadeira vai ser desenrolar.

Passado Compartilhado

Construa juntos eventos importantes da história familiar:

  • Um parente desaparecido ou sequestrado?
  • Uma dívida de sangue ou uma maldição ancestral?
  • Um império que a família perdeu e quer retomar?

Ter um objetivo em comum vai fazer a família ser mais unida e progredir melhor na trama. Nada une mais as pessoas do que uma ameaça externa!

Use Vínculos Familiares em Regras

RPG ainda é um jogo com regras! Então use os laços familiares como gatilhos para vantagem, por exemplo bônus quando protege um parente ou mesmo crie interações únicas entre cada um dos membros (quando a filha e o pai atacam juntos seus ataques ganham algum dano extra especial, quando a mãe protege o filha ganha alguma defesa diferente e assim por diante) e faça com que esses poderes sejam melhores quantos mais eles trabalharem essas relações entre eles.

Sistemas com mecânicas de relacionamento (como Fate, Dungeon World ou For the Queen) funcionam muito bem. Em D&D ou Tormenta20, você pode criar poderes de legado familiar, itens herdados ou tradições mágicas de clã e muito mais.

Abrace o Drama Familiar

Família também briga, né? Abrace o novelão mexicano! Você pode usar as seguintes ideias para mover o plot:

  • Um personagem pode ser o filho favorito?
  • Um irmão invejoso pode fazer acordos secretos com o melhor dos planos, mas acabar sendo enganado?
  • O pai pode ser rígido e autoritário e acabar por pressionar demais o restante?
  • Um tio desaparecido pode retornar como vilão?
  • Um ex namorada do pai ou da mãe pode também voltar como vilã ou pior, como aliada!

Essas tramas alimentam o roleplay e podem ser ferramentas para você utilizar nos momentos corretos.

Ganchos de aventuras

Por fim deixo com vocês algumas ideias de como começar aventuras e campanhas que se misturem com o fato de o grupo ser uma família:

  • Um membro desaparecido retorna mudado… ou corrompido.
  • A herança da família foi roubada por um traidor.
  • A linhagem possui um poder adormecido que agora está sendo caçado.
  • Uma guerra entre famílias rivais ameaça explodir e uma família que seus ancestrais tinham derrotado volta por vingança
  • O grupo descobre que tem laços com criaturas míticas (como dragões, fadas, demônios antigos…).

Disclaimer: Todo tipo de família é válida, dois pais, duas mães, três figuras parentais, tanto faz! Família existe em todos as formas e formatos, o importante é que esses laços, de uma forma ou outra, moldam a gente e pode ser legal ver isso moldando as suas história de RPG também!


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Abominação – Dicas de Vampiro: A Máscara

Demônios de Luna. Filhos Desmortos. Vyrkolas. Pálidos. Muitos são os nomes dados a essas estranhas criaturas, que fazem parte de dois mundos distintos sem pertencer a nenhum. Hoje, vamos falar um pouco sobre os raros lobisomens que sobrevivem (mais ou menos) ao abraço de um vampiro.

Quem abomina os abominados?

Vampiros e lobisomens são inimigos eternos. Enquanto os garou dedicam suas vidas à proteção de Gaia, o espírito do mundo e da natureza, vampiros são praticamente um escárnio em relação à ordem natural do planeta. Vampiros são um sintoma do desequilíbrio da Wyrm, a força que representa a morte e a destruição dentro da sua cosmovisão.

“Sim, eu tenho garras e dentes que causam dano agravado, mas vou ficar aqui atirando com a pistolinha.”

Por isso, lobisomens costumam tentar destruir vampiros assim que pousam os olhos neles. Ainda assim, ocasionalmente, essa violência pode levar ao aparecimento desses seres amaldiçoados. Às vezes a busca se dá por vontade própria, como quando lobisomens ostracizados por seus pares buscam o beijo amargo da imortalidade; às vezes como uma forma de punição doentia imposta a um inimigo caído.

Com quantas mordidas se faz um lobisomem?

O processo de transformação de um lobisomem é extremamente doloroso e muitos acabam morrendo. Para metamorfos de coração puro, talvez a morte seja rápida e indolor. Para os demais, seu organismo e sua força espiritual rejeitam o sangue vampírico com intensidade. Quando isso acontece, o corpo do garou expulsa a vitae vampírica por todos os meios possíveis, resultando em hemorragias dolorosas e violentas.

“Coração puro? Não, não, eu só queria ficar aqui em paz cuidando do meu filho.”

Justamente por isso que muitos vampiros utilizam o abraço como forma de punição para inimigos garou. Disputas entre vampiros e lobisomens, quando se tornam físicas, geralmente acabam sendo desfavoráveis para os primeiros. Justamente por isso, quando os imortais conseguem sair por cima, o ressentimento pode levar a esse tipo de coisa. Naturalmente isso inflige máculas ao vampiro que faz essa crueldade.

Mas além desses casos, alguns vampiros poderosos podem desejar ter um lobisomem a seu serviço. Para um ancião, abraçar um lobisomem pode ser uma clara demonstração de poder. Claro que esse tipo de coisa pode ser muito mal visto dentro da sociedade vampírica, mas é o tipo de coisa que ninguém em sã consciência vai apontar o dedo na cara e falar, por razões óbvias.

Solidão e Política

Porém, a grande maioria das abominações são solitárias e até um tanto depressivas. Para um lobisomem, o pertencimento à sua sociedade e a luta em defesa de Gaia são o ponto central da sua existência e afastar-se disso, voluntária ou involuntariamente, causa uma imensa dor. E por mais que alguns lobisomens possam ser tolerantes e até compreensivos com um colega que foi vítima dessa atrocidade, a grande maioria deles vai desprezar e ostracizar tal indivíduo.

Entre vampiros a coisa não é muito melhor. Um pálido pode encontrar algum pertencimento entre os membros mais baixos da sociedade vampírica, nem mesmo o anarch mais compreensivo e inclusivo do planeta vai deixar de ter medo ao lado de um ser que pode se transformar em uma máquina de matar de três metros de altura cheia de garras, dentes e fúria.

Pouco resta aos pálidos além da solidão. A melhor das hipóteses provavelmente será encontrar alguma espécie de vínculo no laço de sangue com algum ancião que vai utilizar sua capacidade de infligir dano nas suas disputas políticas dentro da sociedade vampírica.

Nem uma abominação ventrue escapa da solidão. Harold Goodston que o diga.

Por Fim

Esse texto trouxe um pouco da visão a respeito das abominações do ponto de vista da sociedade vampírica. Como não podia ser diferente, esse texto vai continuar na coluna do Edu FIlhote sobre Lobisomem. Até lá, não esqueça de ler nosso post comemorativo de 3000 posts!

Bom jogo a todos!


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