Gustavo Estrela e Ettore Cagni falam sobre Demon Ninja RPG nessa taverna. Entenda como funcionam as mecânicas ágeis do sistema Drop e a dinâmica de intrigas políticas entre os clãs, saiba mais sobre como o cenário de dark fantasy aborda uma praga de parasitas demoníacos que corrompe hospedeiros inocentes e veja um pouco sobre a proposta da jornada de redenção dos Peregrinos.
A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate.
Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.
Depois de pensar, em Lixo do seu Mundo, sobre aquilo que uma civilização descarta e deixa para trás, podemos olhar agora para outro tipo de coisa que também pode desaparecer com o tempo: as pessoas.
Uma sociedade pode jogar fora objetos, apagar documentos e abandonar lugares. Contudo, também pode esquecer os heróis que um dia salvaram vidas, impediram guerras ou mudaram o destino de milhares de pessoas. Às vezes, esse esquecimento acontece naturalmente. Afinal, séculos passam, impérios desaparecem e novas gerações deixam de conhecer os nomes daqueles que vieram antes.
Entretanto, nem todo esquecimento acontece por acidente.
Alguns governos apagam heróis porque sua existência ameaça o poder. Outros grupos escondem essas figuras porque elas pertenciam ao povo errado, seguiam uma religião considerada inimiga ou lutaram ao lado de quem perdeu uma guerra. Além disso, algumas pessoas assumem o mérito por feitos que nunca realizaram. O verdadeiro responsável desaparece dos registros, enquanto outra pessoa recebe toda a glória.
Por isso, criar heróis esquecidos não significa simplesmente inventar personagens antigos. Significa criar uma relação entre memória, poder e identidade. Afinal, quem controla aquilo que uma sociedade lembra também pode influenciar aquilo que ela acredita ser.
1. O Herói Que Foi Substituído
Imagine uma cidade que celebra há quinhentos anos o mesmo salvador.
Estátuas, feriados e monumentos homenageiam um grande general que, segundo a história oficial, derrotou um exército invasor. Porém, documentos antigos revelam que uma curandeira desconhecida conquistou a verdadeira vitória ao convencer os soldados inimigos a abandonar o campo de batalha.
A família governante garantiu ao general toda a glória.
Assim, o herói esquecido não perdeu apenas seu nome. O poder também tomou sua contribuição e entregou o mérito a outra pessoa.
2. O Herói do Povo Errado
Além disso, a origem de um herói pode determinar se alguém lembrará seu nome ou tentará apagá-lo.
Um guerreiro de uma espécie considerada inimiga pode salvar uma cidade humana durante uma guerra. Depois da vitória, entretanto, os governantes decidem esconder sua participação para preservar a imagem que criaram sobre aquele povo.
Consequentemente, durante séculos, as crianças aprendem que um humano salvou a cidade.
Enquanto isso, os registros oficiais transformam o verdadeiro salvador em monstro e mantêm sua história longe da memória do povo.
3. A Religião Que Apagou um Santo
Religiões também podem modificar a memória.
Uma antiga sacerdotisa pode ter questionado uma doutrina que, mais tarde, se tornou fundamental para sua própria igreja. Embora tenha ajudado a fundar a instituição, as gerações seguintes consideraram seus escritos inconvenientes.
Por isso, líderes religiosos retiraram seus livros das bibliotecas e deixaram de pronunciar seu nome.
Ainda assim, pequenos símbolos podem ter sobrevivido em templos antigos, esperando que alguém reconheça sua origem.
4. O Herói Transformado em Vilão
Às vezes, apagar alguém não significa eliminar seu nome.
Governos podem transformar antigos salvadores em criminosos. Um revolucionário que derrubou um tirano pode ser descrito posteriormente como terrorista. Uma comandante que libertou escravizados pode ser apresentada como responsável por uma guerra.
Dessa maneira, sua existência continua registrada, mas sua reputação é destruída.
Isso cria uma situação interessante: os personagens podem descobrir que o maior vilão dos livros de história foi, na realidade, uma das figuras mais importantes de seu mundo.
5. O Herói Que Nunca Quis Fama
Por outro lado, alguns heróis desaparecem porque escolheram desaparecer.
Uma pessoa pode ter salvado uma cidade e recusado qualquer recompensa. Depois disso, mudou de nome e começou uma vida comum em outro lugar.
Séculos mais tarde, sua identidade verdadeira é descoberta por acidente.
Assim, o personagem esquecido não foi vítima de uma conspiração. Ele simplesmente acreditava que salvar vidas era uma obrigação, não uma oportunidade de receber reconhecimento.
6. O Herói Cujo Feito Foi Considerado Vergonhoso
Nem toda sociedade deseja lembrar suas vitórias.
Imagine uma rainha que impediu uma guerra entregando parte de seu próprio território ao inimigo. Oficialmente, ela foi considerada uma governante fraca que perdeu terras.
Entretanto, documentos secretos revelam que sua decisão salvou milhões de pessoas.
O monumento erguido em sua homenagem foi destruído porque a sociedade preferiu preservar o orgulho nacional.
Assim, o heroísmo pode ser apagado não por vergonha do personagem, mas por vergonha daquilo que ele precisou fazer.
7. O Herói Que Salvou o Inimigo
Outro caminho interessante surge quando o herói ajuda justamente aqueles que sua sociedade odeia.
Durante uma guerra, um soldado pode abandonar seu posto para salvar centenas de civis do lado adversário. Décadas depois, sua atitude é considerada traição.
Porém, entre os descendentes daqueles civis, seu nome permanece sagrado.
Dessa maneira, dois países contam histórias completamente diferentes sobre a mesma pessoa.
Para uns, ele é traidor.
Para outros, é herói.
8. As Provas Que Ainda Existem
Um herói esquecido não precisa depender apenas de documentos.
Objetos podem carregar sua história. Uma espada pode possuir inscrições feitas pelo verdadeiro guerreiro. Uma construção pode apresentar uma técnica arquitetônica criada por uma mulher que jamais recebeu crédito. Uma música popular pode preservar, sem que ninguém perceba, o nome de alguém eliminado dos registros oficiais.
Além disso, ruínas podem contradizer os livros.
Assim, a investigação dos personagens pode começar com algo aparentemente insignificante.
9. Quem Se Beneficia do Esquecimento?
Essa talvez seja a pergunta mais importante.
Quando uma sociedade apaga alguém de sua história, vale a pena descobrir quem ganhou com esse silêncio.
Uma família pode ter assumido o mérito por um grande feito e, assim, conquistado prestígio, riqueza ou uma posição de poder.
Uma religião também pode esconder um antigo conflito para preservar seus dogmas e evitar questionamentos sobre suas próprias origens.
Da mesma forma, um reino pode sustentar sua identidade sobre uma mentira construída há gerações. Com o tempo, essa versão dos acontecimentos pode se transformar em tradição, enquanto a verdade desaparece da memória coletiva.
Por isso, encontrar um herói esquecido pode colocar os personagens diante de interesses poderosos. Afinal, algumas pessoas farão de tudo para impedir que o passado volte à superfície.
10. O Que Acontece Quando o Herói Volta?
Por fim, existe uma possibilidade ainda mais interessante: e se o herói não estiver morto?
Um antigo aventureiro pode ter vivido durante séculos graças a uma maldição, magia ou tecnologia desconhecida. Ao retornar à cidade que salvou, encontra estátuas dedicadas a outra pessoa.
Ninguém reconhece seu rosto.
Ninguém conhece seu nome.
E talvez o mais doloroso seja descobrir que o mundo não precisa mais daquilo que ele sacrificou tudo para proteger.
Nesse momento, o verdadeiro conflito não será derrotar um monstro ou salvar uma cidade. Será decidir se vale a pena recuperar uma verdade que pode destruir a história na qual milhões de pessoas acreditam.
Conclusão
Heróis esquecidos são muito mais do que personagens antigos esperando para serem descobertos. Eles representam uma oportunidade de explorar como uma sociedade constrói sua própria memória.
Afinal, toda civilização escolhe o que lembrar. Monumentos são erguidos, nomes são celebrados e histórias são ensinadas às novas gerações. Contudo, para cada nome gravado em pedra, talvez exista outro que foi apagado.
Por causa disso, o esquecimento pode se transformar em uma poderosa ferramenta narrativa. Ele permite criar mistérios históricos, conflitos políticos, descobertas arqueológicas e dilemas morais. Além disso, permite questionar algo fundamental: quem decidiu quais pessoas mereciam ser lembradas?
No fim, talvez o maior segredo escondido em uma cidade não esteja embaixo de suas ruas, dentro de uma tumba ou atrás de uma porta proibida.
Talvez esteja em sua praça principal.
Talvez a estátua que todos veneram tenha o rosto errado.
E talvez o verdadeiro herói esteja enterrado sem nome, enquanto a civilização inteira agradece à pessoa errada.
Porque, em um mundo onde a história pode ser escrita pelos vencedores, ser esquecido pode ser a última consequência de ter feito a coisa certa.
Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.
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Douglas Quadros, Gustavo Estrela e Mateus Herpich falam sobre Legends of the Mist nessa taverna. Entenda como funcionam as mecânicas narrativas e a simplificação do sistema herdado de City of Mist, saiba mais sobre como o formato introdutório do RPG feito através de uma graphic novel impacta o aprendizado dos novos jogadores e veja um pouco sobre a proposta de fantasia rústica e intimista para focar nos pequenos detalhes e no desenvolvimento orgânico dos personagens.
A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate.
Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.
No cenário de Tormenta, o estilo mahou-jutsu foi criado por gênios juntando gestos arcanos com socos e chutes de combates marciais. O estilo era extremamente difundido em Tamu-ra, mas tudo mudou quando a Tormenta atacou.
O número de mestres diminuiu consideravelmente, mas agora com a reconstrução do continente, o estilo tem sido revitalizado aos poucos, mas hoje na primeira matéria do Aventuras Distintas, vamos falar de um dos antigos mestre do mahou-jutsu: Hankuma, o Desafiante das Trevas.
Mas o que são as Aventuras Distintas?
No Heróis de Arton e no primeiro documento gratuito sobre distinções, cada uma delas traz as Admissões, que são diretrizes do que um personagem precisa fazer para ter acesso aos poderes da Distinção. O Aventuras Distintas são ideias de aventuras para que os personagens possam atingir as distinções.
Hankuma, ou seria Akuma?
Qualquer Semelhança Não É Mera Coincidência
Se você não mora debaixo de uma pedra e já jogou qualquer Street Fighter na vida, eu não preciso explicar que Hankuma foi diretamente inspirado em Akuma, do Street Fighter.
A ideia veio porque o personagem é referenciado no texto de admissão do Mestre do Mahou-Jutsu, então decidi pegar a ideia e explorar ela mais um pouco.
Escolhendo Hankuma como Mestre
Como parte da admissão para Mestre do Mahou-Jutsu, um personagem pode ouvir rumores sobre o mestre Hankuma. Se for o caso, ele pode ouvir os seguintes rumores;
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Rumores
1
Hankuma é um dos mais antigos mestres do Mahou-Jutsu, talvez contemporâneo com mestre Chibi.
2
Hankuma matou sua irmão, um Gênio da Eletricidade, em combate. Desde então ele tem ido de dojo em dojo no Reino de Lin-Wu buscando um novo desafio.
3
Existe uma família nobre em Tamu-ra que tem o favor de Hankuma, dizem que ele está a serviço da família e tem eles como seus únicos amos.
4
Em algum momento, Hankuma dividiu uma ilha ao meio com um soco.
5
A alguns anos atrás, Hankuma viajou para Sora para desafiar outros gênios em seu estilo de combate.
6
Hankuma hoje em dia trabalha como vendedor de frutas, mas ainda desafia outras criaturas quando encontra um desafiante digno.
Você pode considerar quais rumores são verdade ou mentira, mas a princípio, todos eles são verdade.
Hankuma pode estar em qualquer cidade média ou grande em que o mestre precise que ele esteja, normalmente ele pode ser encontrado nas regiões de Deheon, Namalkah, Wynnla, Zakharov, Vectora, Conflagração do Aço, Aslothia, Sambúrdia, Trebuck, Montanhas Sanguínarias, Ermos Púrpuras e no Império de Talon. Quando fora do Continente (Arton Norte), ele provavelmente poderá ser encontrado também em Ubani ou em Tamu-ra.
Convencendo Hankuma
Hankuma, caso seja encontrado, quase sempre estará ou enfrentando outro desafiante ou vendendo frutas. Apesar de sua aparência quase bestial, Hankuma é um gênio de poucas palavras. Ele tem algumas preferências, porém;
Hankuma dificilmente irá aceitar devotos de deuses bondosos como seus discípulos, caso sejam insistentes, ele provavelmente irá deixar os testes mais difíceis. Aumentando a CD de todos os testes para convencer Hankuma em +5.
Hankuma estará mais inclinado a treinar personagens que tenham, como a maioria das suas magias, magias das escolas de Abjuração, Evocação e Necromancia. Caso o personagem tenha mais magias dessas escolas do que qualquer outra, a CD dos testes para convencer Hankuma diminui em –2.
Hankuma valoriza a força e a conexão com a magia do que qualquer outra coisa. Se o personagem tiver Carisma como seu principal atributo-chave para lançar magias, a CD dos testes para convencer Hankuma admissão diminui em –5, se tiver Sabedoria, diminui em –2, se for Inteligência, aumenta em +2.
Além dessas preferências, existem dois fatores que, independente dos fatores, fazem Hankuma aceitar instantaneamente se tornar mestre do candidato.
Da mesma maneira, Elena é uma das poucas amigas de Akuma em Street Fighter.
Mestra Sandra
Independente aonde Hankuma esteja, ele tem uma pessoa especial para ele; Mestra Sandra. Mestra Sandra é uma Qareen da Luz, uma mortal que ganhou as graças de Hankuma como sendo um desafio digno a Hankuma e ainda assim sendo feliz e alegre.
Hankuma tem um coração fraco para Mestra Sandra e qualquer um que conseguir convencê-la a convencer Hankuma, faz com que ele aceite treinar o candidato sem nem precisar fazer um teste inicial.
Sandra é definitivamente mais permissiva que Hankuma, mas ela aceita ajudar apenas personagens que amam a luta como esporte e amam a magia como um todo. Ajudar a cuidar dos discípulos em seu dojo ou fazer alguma missão para ela já é o bastante para convencê-la.
A Família Motoyama
É engraçado que, apesar de ser um gênio tão antigo, Hankuma seja amo da família Motoyama, uma família do baixo clero da nobreza tamuraniana.
Dizem que a família, na época que seu patriarca Kazuki era apenas uma criança, conseguiram aplacar o ódio imparável de Hankuma e convencê-lo a voltar para o plano material. Como isso aconteceu é incerto, alguns dizem que, de alguma maneira, Kazuki provou seu potencial para Hankuma, outros dizem que a criança foi a primeira a fazer o gênio gargalhar.
Porém, algo que é sabido é que a família Motoyama sofre de uma maldição: dizem que a família tem sangue de demônios (o que talvez explique a inclinação de Hankuma para a família).
O sangue demoníaco não se ativa há muitos anos, mas ainda há rumores sobre a possibilidade do futuro patriarca da família, Kazuya Motoyama, de aflorar sua linhaça demoníaca. Da mesma maneira, mesmo com sangue de demônios, o clã materno da família Motoyama vem de uma linhagem de caçadores de demônios, então a mesma linhagem que sofre com a mácula demoníaca também é a que a caça.
Independente disso, a família Motoyama não é uma família extremamente rica, mas ainda tem o gênio como amo. Qualquer missão que salve a família Motoyama ou se o candidato ganhar o favor da família, eles podem pedir para a família convencer Hankuma a aceitá-lo como candidato.
Para candidatos a Mestre Mahou Jutsu, o mestre Hankuma exige dois testes. Normalmente, o teste padrão dele para candidatos mais metidos a besta seria enfrentá-lo, mas Hankuma pede outros tipos de teste.
Intenção Assassina – Teste Físico
Para o teste físico de Hankuma, ele explica que é o mestre do estilo Satsui no Hadou, que é uma técnica pensada em uma fúria assassina, semelhante, mas não igual, aquelas invocadas pelos bárbaros e devotos de Megalokk.
Para esse primeiro teste, o candidato deve encontrar um desafiante digno que expresse essa vontade assassina da fúria dos monstros e clamar ela para si, normalmente isso significaria encontrar e derrotar/matar (ele prefere que mate) um bárbaro ou um monstro com ND igual ou maior ao do candidato e derrotá-lo sem usar magia, apenas com seu ódio e seus punhos, levando um pedaço dele para provar a derrota.
Hankuma tem Sobrevivência o suficiente para identificar o que foi realmente retirado de uma criatura e caso seja algo forjado para enganá-lo. A tentativa de enganar Hankuma faz o candidato ser automaticamente atacado por ele.
Intenção Assassina – Teste Mágico
Para o teste mágico, Hankuma exige que o alvo entenda a capacidade mortal e letal da sua magia. Para isso, deve levá-la ao extremo para por ela a prova. Hankuma leva o candidato a uma área especial, aonde o corpo do candidato é levado ao estresse extremo, e ele deve aprender a lançar magias enquanto se sente pressionado.
Nessa área, ondas e mais ondas de Carvareis (Guerreiro de Chifre, T20 JdA, pág. 267 e Trio de Carvarel, Deuses de Arton, pág. 253) atacam o alvo, que não pode fazer ataques com punhos, e derrotar as criaturas usando apenas magias, enquanto está em condição ruim para lançar magias, que se torna terrível se ele sofrer dano.
Candidato Aprovado
Uma vez completado os dois testes, após 1 dia de descanso, esperando receber sua congratulação pelo mestre, Hankuma ataca o candidato. Ele é brutal e ataca sem piedade, mas mesmo assim, para cada patamar do candidato abaixo do campeão, ele tem –100 PV e –5 em testes de perícia e Defesa.
Se estiver enfrentando um candidato Veterano, ele não tem a habilidade Velocidade do Ódio. Se o candidato sobreviver por 10 rodadas sem parar de atacar ou lançar magias ou levar Hankuma a metade dos PV, ele não fala mais nada, acena a cabeça e vai embora.
E o candidato se torna, oficialmente, um Mestre do Mahou Jutsu.
Poderes do Mestre Hankuma
Caso um candidato treine com o mestre Hankuma, alguns poderes ficam liberados para que ele possa usar. Segue abaixo;
Prisão Assassina Instantânea
Quando começa uma Trocação, faça todos os ataques da sua Trocação e role o dano apenas no final dela, o alvo considera todo o dano como uma única instância para fins de redução de dano e outras habilidades. Pré-requisito: Treinado por Mestre Hankuma, Trocação.
Punho Ondulante Necrótico
Você aprende e pode lançar as magias Infligir Ferimentos, se já conhece a magia, ela custa –1 PM. Além disso, quando usa o aprimoramento que permite fazer um ataque como parte da execução da magia, você pode atingir um alvo em alcance curto com seu ataque corpo a corpo. Pré-requisito: Treinado por Mestre Hankuma, ter pelo menos uma magia de Necromancia.
Vento Ondulante Profano
Você aprende e pode lançar a magia Salto Dimensional, mas não pode usar ela em outros alvos, se já conhece a magia, ela custa –1 PM. Além disso, se lançar a magia sem estiver usando armadura , você recebe camuflagem leve por 1 rodada. Pré-requisito: Treinado por Mestre Hankuma, Des 1.
Definitivamente não é o Akuma
Mestre Hankuma ND 17
Espírito (gênio) Grande Especial. Iniciativa. +20, Percepção. +12, visão no escuro. Defesa 52, Fort +17, Ref +24, Von +30, imunidade a trevas, redução de dano 10, resistência a magia arcana +10. Pontos de Vida. 800. Deslocamento. 15m (10q).
Pontos de Mana. 110. Corpo a Corpo. Ataque Desarmado x4 +45 (3d10+30 mais 2d8 trevas, 19/x3). Devorar Magia (Reação). Quando passa no teste de resistência contra uma magia da qual foi alvo, Hankuma não sofre nenhum efeito da magia e recupera uma quantidade de PM igual ao valor gasto nela. Mahou-Jutsu (Reação). Quando faz a ação agredir, Hankuma pode lançar uma magia arcana de até 3º círculo com execução de movimento ou padrão como ação livre. Prisão Assassina Instantânea (Completa, 1+ PM). Hankuma brilha seus olhos com energia assassina e faz uma investida contra um alvo no alcance. Se acertar o ataque, Hankuma pode fazer outro ataque desarmado contra o mesmo alvo, pagando uma quantidade de PM igual à quantidade de ataques já realizados na mesma rodada (Até um total de 17 PM). Hankuma faz todos os ataques e soma o dano assim que acabar, todo o dano é considerado a mesma instância de dano para fins de redução de dano e outras habilidades. Punho Ondulante Necrótico (Padrão). Hankuma carrega uma esfera de energia necrótica e dispara ela contra um alvo em alcance curto. O alvo sofre 3d10+30 pontos de dano de impacto mais 7d8+7 pontos de dano de trevas, é empurrado 3m na direção oposta a Hankuma e fica caído (Fortitude CD 45 reduz o dano à metade e evita a condição). Servo dos Motoyama. Hankama tem como amo todos os membros da família Motoyama. Ele obedece cegamente a família Motoyama e não pode atacar ou prejudicar qualquer membro ou protegido da família. Podendo ser invocado por um membro da família Motoyama a qualquer momento. Velocidade do Ódio. Hankuma tem uma ação padrão ou de movimento adicional por rodada. Vento Ondulante Profano (Movimento). Uma vez por rodada, Hankuma pode usar a magia Salto Dimensional com uma ação de movimento. Além disso, sempre que usa essa magia, fica sob camuflagem leve por 1 rodada. Ódio Ancestral. Quando o dabbus reduz os PV de um inimigo a 0 ou menos, recupera metade do dano que causou a esse inimigo.
Magias .Como um feiticeiro de 17º nível (CD 45). - Crânio Voador de Vladislav (Padrão, 11 PM). Dois crânios de energia negativa causam 7d8+7 pontos de dano de trevas em duas criaturas em alcance médio e deixa os alvos e todas as criaturas a 3m deles abaladas (Fort reduz à metade e evita a condição). - Infligir Ferimentos (Padrão, 16 PM). Hankuma faz um ataque desarmado. Se acertar, além do dano normal, causa 8d8+8 pontos de dano de trevas e o alvo fica fraco pela cena. - Terremoto (Padrão, 10 PM). Esta magia cria um tremor de terra que rasga o solo. O terremoto dura uma rodada, durante a qual criaturas sobre o solo ficam atordoadas (apenas uma vez por cena). Veja mais em T20, pág. 209. - Transformação de Guerra (Padrão, 6 PM, sustentada). Hankuma recebe +6 na Defesa, em testes de ataque e em rolagens de dano corpo a corpo e 30 PV temporários, mas não pode lançar outras magias. - Vitalidade Fantasma (Padrão, 10 PM). Criaturas vivas em uma esfera de 6m de raio centrada em Hankuma sofrem 3d10 pontos de dano de trevas (Fort reduz à metade). Hankuma recebe PV temporários iguais ao dano total causado.
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Se liga na Área de Tormenta, o espaço especial dedicado apenas à Tormenta20 e o que remete a ele! E acompanhe também as outras sessões, por favor!
Gustavo Estrela, Mateus Herpich e Vinícius Staub falam sobre O Que Mudou no RPG Brasileiro nos Últimos 10 Anos nessa taverna. Entenda como funcionam as novas dinâmicas da comunidade após a popularização pelas streams, saiba mais sobre como as novas ferramentas impactam no seu RPG e veja um pouco sobre a nova percepção de que todo grupo atua como pequenos game designers em suas próprias mesas.
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Em 3DeT Victory, Arton existe como Tormenta ALPHA. Um VRMMORPG no universo de Era das Arcas, no qual os jogadores jogam no cenário de Tormenta, basicamente, mas com regras de cenário de MMO Online (Sim, bem Isekai).
Dentro de 3DeT Victory não temos os conceitos de Classes, o mais próximo disso são Kits. E como seriam esses Kits jogando em Tormenta ALPHA? Dois anos após a primeira matéria, trouxemos de volta adaptações de classes de Tormenta para 3DeT Victory.
O tipo de conteúdo para se jogar com o Masmorras & Marmitas
Em 3DeT Victory, Classes são normais, mas não muito
Seguindo a postagem anterior com Arcanista e Bárbaro, a postagem de hoje são as primeiras que tem kits originais. Lógico, é possível que no futuro saiam versões originais dos kits abaixo, mas até o momento tem essas para serem feitas.
Disclaimers também são comuns
Abaixo, vamos pegar as classes e imaginar como seriam Vantagens exclusivas delas dentro de 3DeT Victory, ou seja, dentro de Tormenta ALPHA. E quais kits melhor encaixem no arquétipo da classe.
É importante ressaltar que todas as regras abaixo são feitas por fã e não são oficiais do sistema.
Além disso, as classes aqui são adaptadas aqui são dos livros Tormenta20 Jogo do Ano. Outros livros que saiam no futuro com novas classes não serão adaptadas aqui porque ainda não temos visão do futuro (foco no ainda).
“Mestre, posso fazer o teste de Manha para seduzir o dragão?”
Bardo
O Bardo é um profissional da contação de histórias, criação de versos, composição de música e genealogia. Normalmente, a um Patrono, algum mestre ou chefe. O bardo ultimamente é um herói galã, que conta as histórias de aventura (ou desventura) de seu grupo.
Núcleo. Era das Arcas, Tormenta ALPHA.
Exigência. Arte, Magia e Improviso.
Conhecimento de Bardo. Você pode gasta –1 PM para usar Improviso.
Magia Sútil. Você pode aprender técnicas que tenham como pré-requisito Mística usando Arte no lugar.
Proteção do Conhecimento. Quando está derrotado e sofre um ataque, você tem um crítico automático no seu primeiro teste de morte.
Vantagens de Bardo
Para todas as vantagens abaixo, você deve ter pelo menos um dos kits correspondentes a classe Bardo e ser treinado em Arte.
Arte Mágica 1pt
Você tem P+2 para testes que envolvem apresentações artísticas.
Eclético 2pt
Você pode manter duas perícias com Improviso até o fim da cena ao invés de uma só. Pré-requisito: Improviso.
Esgrima Mágica 1pt
Quando faz um ataque, você pode usar Arte no lugar de Luta e, uma vez por rodada, se ultrapassar a defesa do seu alvo por 10 ou mais, você pode fazer outro ataque contra um alvo Perto.
Lendas e Histórias 1pt
Quando faz um teste de Saber, você pode gastar 2 PM para ter um crítico com 5 ou 6. Se tiver Maestria ou especialização em um tipo de saber, você tem um crítico com 4, 5 ou 6. Se tiver Maestria E Especialização, não tem como, você tem um crítico com 3, 4, 5 ou 6. Seu grosseiro! Pré-requisito: Saber
Música de Bardo 2pt
Você conhece antigas músicas de Bardo que inspiram e afetam multidões, quando usa a técnica Cancioneiro Popular, Desprezo,Inspirar, Role os Dados, Rapsódia das Arcas ou outra técnica com Arte como pré-requisito ou que seja baseada em uma música, você gasta -1 PM para usar. Pré-requisito: Pelo menos uma das técnicas acima ou outra técnica baseada em músicas.
Paródia 1pt
Quando usa Imitar, você pode usar Arte no lugar de Percepção para copiar as vantagens e técnicas do alvo. Pré-requisito: Imitar.
Tocar é parte da vida de um bardo
Músicas de Bardo
Balada Fascinante (10 XP)
Requisito. Arte.
Alcance. Longe.
Custo. 2 PM.
Duração. Instantânea.
Faça um ataque com Arte contra um alvo dentro do alcance, caso ele não foque em você. Até o fim do próximo turno, todas as ações da criatura devem ser direcionadas a você.
Canção Assustadora (10 XP)
Requisito. Arte.
Alcance. Longe.
Custo. 2 PM.
Duração. Instantânea.
Faça um teste de ataque com a perícia Arte contra cada alvo no alcance, se os alvos falharem, eles tem Perda até o fim do próximo turno.
Melodia Curativa (10 XP)
Requisito. Arte e Magia.
Alcance. Longe.
Custo. 2 PM ou mais com Magia.
Duração. Instantâneo.
Você gasta 2 PM para curar 1D PV de um alvo no alcance. Você pode usar Magia para aumentar a cura em +1, limitado pelo seu Poder. Caso tenha a vantagem Cura, você pode usar Magia na vantagem Cura, também limitado pelo seu Poder.
Piratas em animes, não dá pra esperar algo muito sujo
Bucaneiro
Bucaneiro, Swashbuckler ou outros nomes parecidos, normalmente é tido como um guerreiro dos mares. Mas também, pode representar espadachins galantes ou duelistas ousados. Focados em lutar enquanto zomba dos seus oponentes, “tiltando eles”.
Núcleo. Era das Arcas, Operação ARSENAL, Tormenta ALPHA.
Exigência. Esportes ou Influência, Ágil.
Audácia. Para você, a vantagem Ágil fornece H+3 ao invés de H+2.
Bravata. Uma vez por rodada, você pode gastar 2 PM para zoar um alvo Perto ou Longe, faça um ataque contra o alvo usando Influência ao invés de Luta, se ele falhar, além de tomar dano ele tem Perda em testes contra você até o fim do próximo turno.
Esquiva Sagaz. Você pode fazer movimentos acrobáticos para se mover livre no campo de batalha. Quando faz um movimento, você pode fazer um teste de Esportes para fazer uma firula, o mestre define a meta da firula que você quer fazer. Se passar, você tem Ganho nos seus testes até o fim do próximo turno.
Vantagens de Bucaneiro
Para todas as vantagens abaixo, você deve ter o kit Bucaneiro.
Aparar 1pt
Uma vez por rodada, quando faz um teste de Defesa e supera o ataque do alvo por 10 ou mais, você tem defesa perfeita.
Ataque Acrobático 1pt
Uma vez por rodada, você pode gastar 2 PM para ter acesso ao truque Super-Movimento até o fim do seu próximo turno, se já tiver a técnica, o primeiro uso de Super-Movimento da cena é gratuito.
Aventureiro Nato 2pts
Uma vez por rodada, você pode gastar 1 PA para ter uma ação ou movimento adicional.
Esgrimista 1pt
Uma vez por rodada, você pode gastar 1 PM para fazer um ataque com um movimento.
Presença Paralisante 2pts
Quando faz sua Iniciativa, você pode usar o atributo Poder no lugar de Habilidade.
Panache 2pt
Quando acerta um ataque com crítico e derrota um alvo, você recupera 2 PM.
3DeT Victory JÁ ESTÁ está disponível para compra! Fique por dentro da coluna Dentro da Arca para mais conteúdos de 3DeT Victory!
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Se liga na Área de Tormenta, o espaço especial dedicado apenas à Tormenta20 e o que remete a ele! E acompanhe também as outras sessões, por favor!
Gustavo Estrela e Tarostar falam sobre Pathfinder 2: Arquivo Oculto nessa taverna. Entenda como funcionam as sociedades secretas e as lendas locais nas campanhas e como você pode aplicar essas novas regras e classes nas suas mesas, desde a utilização do imaginário coletivo para dar vida a monstros até mestrar um verdadeiro desafio em looping temporal.
A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate.
Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.
Depois de explorarmos como pequenos hábitos podem criar uma identidade própria para a campanha em Hábitos de Imersão, precisamos olhar para outro elemento inevitável de qualquer mesa: aquilo que acontece quando a história não está acontecendo. Afinal, jogadores conversam. Comentam acontecimentos, fazem piadas, discutem estratégias, lembram histórias antigas e, às vezes, simplesmente começam a falar sobre qualquer assunto que não tenha absolutamente nada a ver com o dragão que está prestes a devorar o grupo.
E isso não é necessariamente um problema.
Uma mesa de RPG também é um espaço de convivência. Portanto, esperar silêncio absoluto durante quatro horas seria tão artificial quanto exigir que todos os personagens permaneçam sempre sérios dentro de uma taverna. Entretanto, existe uma diferença importante entre uma conversa paralela ocasional e uma conversa que começa a engolir a sessão.
O verdadeiro desafio do mestre, então, não consiste em eliminar qualquer conversa fora da narrativa. Pelo contrário, consiste em perceber quando ela está apenas fazendo parte da convivência e quando começa a prejudicar o jogo.
Além disso, diferentes tipos de conversa exigem diferentes respostas. Uma piada rápida não merece a mesma intervenção que uma discussão estratégica de quinze minutos. Uma dúvida sobre uma regra também não deve receber o mesmo tratamento que uma conversa pessoal que tomou conta da mesa.
Por isso, antes de simplesmente pedir silêncio, vale compreender o que está acontecendo.
Entenda que nem toda conversa paralela é um problema
Antes de tentar controlar as conversas, o mestre precisa aprender a diferenciá-las. Algumas conversas funcionam como pequenas válvulas de escape e até ajudam o grupo a recuperar energia. Uma piada depois de uma cena tensa pode aliviar o ambiente, enquanto um comentário engraçado pode fortalecer a amizade entre os jogadores.
O problema aparece quando a conversa começa a competir com a narrativa.
Imagine que o grupo esteja diante do vilão principal e dois jogadores comecem a discutir sobre um filme que assistiram durante a semana. Se a conversa dura dez segundos, provavelmente ninguém precisa interferir. Porém, se outros jogadores entram no assunto e, quando você percebe, metade da mesa abandonou a cena, chegou a hora de recuperar o foco.
Assim, o primeiro passo não é controlar, mas observar.
Separe a conversa estratégica da distração
Jogadores frequentemente conversam porque estão tentando resolver um problema dentro do jogo. Eles cochicham sobre possibilidades, discutem pistas ou tentam descobrir como enfrentar determinado inimigo.
Embora isso possa parecer uma conversa paralela, ela faz parte da própria experiência.
Por exemplo, quatro aventureiros encontram uma porta protegida por três símbolos mágicos. Enquanto o mestre aguarda, os jogadores começam a discutir teorias sobre qual símbolo representa perigo. Nesse momento, interromper imediatamente pode prejudicar justamente o raciocínio que a cena pretende estimular.
Por outro lado, se a discussão começa a durar vinte minutos sem produzir nenhuma decisão, o mestre pode intervir de maneira gentil: “Vocês têm algumas hipóteses. Qual delas vocês querem testar?”. Dessa forma, ele transforma conversa em ação.
Cuidado com as piadas que se multiplicam
Uma piada pode melhorar uma sessão. Cinco minutos de piadas sobre a mesma coisa podem destruir completamente o clima de uma cena.
Isso acontece principalmente quando alguém encontra uma situação engraçada e os demais começam a construir novas piadas em cima dela. A mesa entra em um ciclo próprio e, consequentemente, a aventura desaparece temporariamente.
Em vez de combater o humor, o mestre pode aproveitá-lo e depois conduzir o grupo de volta. Se os jogadores começam a rir porque o bárbaro novamente confundiu o nome de um NPC, permita alguns segundos de diversão. Depois, retome a narrativa: “Muito bem, depois dessa humilhação histórica, o guarda finalmente responde…”.
Assim, o humor continua existindo sem dominar a sessão.
Não transforme dúvida de regra em debate infinito
Poucas coisas interrompem mais uma sessão do que uma discussão interminável sobre regras. Afinal, sistemas possuem detalhes, exceções e interpretações diferentes, e jogadores naturalmente querem entender como determinada mecânica funciona.
Entretanto, nem toda dúvida precisa de uma decisão definitiva naquele segundo.
Quando uma discussão começa a consumir tempo demais, o mestre pode tomar uma decisão provisória e registrar a questão para uma consulta posterior. Depois, o grupo verifica a regra com calma e aplica a interpretação escolhida nas próximas sessões.
Essa atitude preserva o ritmo sem impedir que todos compreendam o funcionamento do jogo.
Perceba quando a conversa esconde cansaço
Nem toda conversa paralela surge porque os jogadores perderam interesse na história. Às vezes, o problema está simplesmente no cansaço.
Depois de várias horas jogando, a atenção diminui naturalmente. Consequentemente, pequenas conversas aparecem com mais frequência, os jogadores mexem no celular ou começam a discutir assuntos externos.
Nesse momento, insistir em uma cena longa pode piorar a situação. Uma pausa curta, um lanche ou até o encerramento de uma cena podem recuperar a energia do grupo.
Além disso, observar as pessoas é essencial. A comunicação não acontece apenas pelas palavras; expressões, postura e comportamento também revelam quando alguém perdeu concentração. A empatia ajuda o mestre a perceber esses sinais antes que a dispersão domine a mesa.
Interrompa conversas pessoais com delicadeza
Conversas pessoais merecem tratamento diferente. Às vezes, alguém recebe uma notícia, comenta um problema ou precisa resolver alguma questão durante a sessão. Nesses casos, simplesmente mandar a pessoa calar a boca pode criar uma situação desnecessariamente desagradável.
Por isso, o mestre precisa diferenciar urgência de distração.
Se a conversa exige atenção imediata, vale pausar o jogo. Entretanto, quando o assunto pode esperar, uma abordagem simples funciona melhor: “Vamos terminar essa cena e depois vocês conversam com calma”.
Dessa maneira, o mestre protege o ritmo sem transformar a mesa em um ambiente autoritário.
Evite competir com quem está conversando
Um erro comum consiste em aumentar a voz para tentar vencer uma conversa paralela. Normalmente, isso produz o efeito contrário. Em poucos segundos, a mesa inteira vira uma competição de volume.
Em vez disso, pare de narrar.
O silêncio costuma chamar mais atenção do que uma voz tentando superar outras vozes. Quando os jogadores percebem que o mestre interrompeu a descrição, naturalmente começam a olhar para ele. Então, basta retomar a cena.
Essa técnica funciona especialmente bem durante momentos importantes. Uma pausa inesperada comunica que o grupo precisa voltar a prestar atenção sem exigir uma bronca.
Dê espaço para quem fala pouco
As conversas paralelas também podem revelar um problema de distribuição de atenção. Jogadores mais extrovertidos costumam conversar com facilidade, enquanto participantes mais tímidos podem permanecer em silêncio durante boa parte da sessão.
Nesse caso, controlar apenas o barulho não resolve tudo.
O mestre pode criar oportunidades específicas para quem participa menos. Por exemplo, depois de uma discussão entre três personagens, ele pode perguntar diretamente: “E você, o que acha disso?”. Assim, transforma um participante silencioso em parte ativa da decisão.
Além disso, quando todos percebem que possuem espaço para falar, a necessidade de disputar atenção diminui.
Transforme algumas conversas paralelas em material de jogo
Nem toda conversa fora do roteiro precisa ser descartada. Às vezes, os próprios jogadores fornecem ideias excelentes enquanto brincam ou especulam.
Imagine que alguém diga, durante uma conversa, que o velho comerciante provavelmente trabalha secretamente para o rei. A mesa começa a brincar com essa possibilidade. O mestre pode guardar a ideia e, posteriormente, transformar aquele comentário em uma pista real.
Assim, uma distração momentânea pode gerar material criativo para a campanha.
Essa postura também incentiva a participação dos jogadores, porque eles percebem que suas ideias podem influenciar o mundo.
Crie sinais para recuperar o foco
Depois de várias sessões, o grupo pode desenvolver sinais próprios para indicar que uma conversa está passando do limite. Isso evita que o mestre precise interromper constantemente com advertências.
Pode ser uma frase específica, um gesto, uma batida leve na mesa ou até uma palavra engraçada.
Imagine que o mestre diga “voltamos para Retropia” sempre que a conversa começa a fugir demais do jogo. Com o tempo, essa frase se transforma em um código interno. Os jogadores reconhecem o sinal e retornam naturalmente à narrativa.
Dessa maneira, o controle deixa de parecer uma cobrança e passa a fazer parte da identidade da mesa.
Saiba quando simplesmente deixar acontecer
Por fim, talvez essa seja a atitude mais importante: nem toda conversa precisa ser controlada.
Uma mesa completamente silenciosa pode parecer organizada, mas também pode perder espontaneidade. Jogadores riem, fazem comentários, contam histórias e criam lembranças que não estavam previstas no roteiro. Essas interações também fazem parte da experiência.
Portanto, o mestre precisa escolher suas batalhas.
Se uma conversa não prejudica a narrativa, não interrompe outro jogador e não cria desconforto, talvez não exista motivo para interferir. Afinal, RPG também é convivência.
O objetivo não consiste em produzir uma sessão perfeitamente silenciosa, mas uma sessão em que todos consigam participar, se divertir e acompanhar a história.
Conclusão
Conversas paralelas fazem parte de qualquer mesa de RPG. Algumas ajudam a criar amizade, outras aliviam a tensão e algumas até fornecem ideias inesperadas para a própria campanha. Entretanto, quando essas conversas começam a competir com a narrativa, o mestre precisa agir com sensibilidade.
Por isso, conhecer os diferentes tipos de conversa é tão importante quanto conhecer as regras do sistema. Piadas, discussões estratégicas, dúvidas de mecânica, assuntos pessoais e sinais de cansaço exigem respostas diferentes. Consequentemente, uma única técnica jamais resolverá todos os casos.
Além disso, escutar e observar os jogadores ajuda o mestre a compreender o que realmente acontece na mesa. A comunicação eficiente depende tanto da fala quanto da capacidade de perceber emoções, comportamentos e necessidades dos outros.
No fim das contas, uma boa mesa não é aquela em que ninguém conversa fora do jogo. É aquela em que todos sabem quando conversar, quando ouvir e quando voltar para a aventura.
Afinal, se os heróis estão diante do dragão ancestral enquanto alguém começa a contar uma história sobre o churrasco do último domingo, talvez seja realmente hora de o mestre olhar para a mesa, respirar fundo e dizer:
“Muito bonito. Agora… o dragão está olhando para vocês.”
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No mundo de A Lenda de Ghanor, Artus é um reino à parte do resto dos principais reinos de Ghanor. Ele é dominado por guerreiros que enfrentam um frio poderoso, mas também tem uma religião separada: em Artus, a natureza e seus expoentes são considerados santos. Hoje vamos explorar alguns desses santos, especialmente os santos totêmicos, os santos que abençoam os Animais Totêmicos do Bárbaro.
Animais Totêmicos
Santos dos Animais Totêmicos
Os animais totêmicos são espíritos ancestrais que concedem para muitos Bárbaros poderes mágicos que usam em conjunto com sua fúria. Para muitos leigos, esses animais são apenas representações da aspectos que os bárbaros tem como poderosos, mas há muito tempo, são adorados como verdadeiros deuses pelo povo de Artus. Todos os santos abaixo utilizam a mesma lista de magia dos druidas.
Nygara
A Velha Coruja dos Novos Caminhos, Nygara
Alguns dos clérigos presentes em Artus dizem que Nygara é a santa mais antiga da região, aquela que abria (ou ainda abre) caminho para que os santos, de Artus e dos outros reinos, vão para Céu ou para o Inferno, em prol cumprirem com o papel que tiverem em vida e serem devidamente adorados.
Por isto, a habitação de Nygara seria o Purgatório, o caminho do meio, apenas protegendo a viagem daquelas que vão viver alegria ou danação eterna. Nygara não é má, muito menos boa. Ela é uma protetora de ambos os caminhos, guiando como pode as almas e os mortais para onde desejam ir.
Os devotos de Nygara são, em sua maioria, videntes, versados nas artes divinatórias.
Símbolo Sagrado
Uma coruja, o seu olho esquerdo é a lua e o seu olho direito é o sol.
Norma
Devotos de Nygara não podem negar de lançar magias de Adivinhação para qualquer pessoa, e nem podem se negar de guiar pessoas para o caminho mais seguro. Em termos mais concretos, não podem abandonar pessoas que estejam perdidas, seja fisicamente, emocionalmente ou espiritualmente.
Poder Concedido
Devotos de Nygara aprendem e podem lançar a magia Orientação, além disso, gastam –1 PM no custo de todas as suas magias de adivinhação e transmutação.
Seton
O Fúnebre Corvo das Estrada, Seton
Enquanto Nygara é aquela que guia os caminhos daqueles que estão certos, Seton é o santo dos caminhos incertos. Daqueles que não sabem para onde vão, e que terão suas almas julgadas.
Seton olha para o povo comum, ele olha para o fazendeiro que morreu de repente enquanto arava sua terra, para as crianças que nasceram prematuros e morreram da mesma forma, para os pobres coitados afetados por uma doença que afligiu a terra.
Alguns clérigos consideram Seton como a verdadeira face da morte, enquanto Nygara é a morte que vigia os que os deuses consideram bom, Seton é a verdadeira face humana, que guia aqueles que realmente precisam de guias.
Símbolo Sagrado
Um corvo, com suas asas abertas, pousado em cima de um túmulo.
Norma
Devotos de Seton sempre devem cumprir os ritos de sepultamento de qualquer criatura, independente do que fez ou quem é, e dar a ela todas as devidas honras de sua região. Devotos de Seton não podem profanar corpos, por isso, todos os tesouros recebidos de criaturas que foram mortas devem ser purificadas e 10% do valor doado a Igreja.
Poder Concedido
Devotos de Seton aprendem e podem lançar a magia Visão Mística. Além disso, quando passa em um teste de Religião para realizar um Rito de funeral, Seton passa a te guiar, e você recebe +2 PM temporário +1 PM temporário para cada 5 pontos que ultrapassarem da CD, que duram até o fim da aventura ou até serem usados.
Você só pode receber um valor total de PM igual ao seu nível desta maneira. Criaturas que você matou diretamente ou que você ou seus aliados mataram com o propósito de serem beneficiados por este poder não te concedem PM temporário. Seton se preocupado com os simples e humildes, não pelos gananciosos e soberbos.
Físláidir
O Vigilante Falcão Vermelho do Sul, Físláldir
Físláidir é uma santa ave que dizem ter sido ascendido aos céus durante um embate entre bárbaros de Artus e guerreiros de Sammelen. Outrora um animal de estimação de um antigo líder bárbaro, quando seu companheiro morreu, a ave implodiu em fogo sagrado e matou os guerreiros de Sammelen.
Desde então, Físláidir vigia as terras do sul de Artus, avisando as tribos sobre avanços dos guerreiros sammelenianos em terras de Artus.
Símbolo Sagrado
Um falcão sob um olho em chamas.
Norma
Devotos de Físláidir devem vigiar pelo bem de seus companheiros. Em termos de regra, devotos de Físláidir devem ser sempre os últimos a descansar em um acampamento e os últimos a serem curados, se houverem outros aliados mais necessitados.
Devotos de Físláidir nunca podem curar ou ajudar testes de criaturas nascidas em Sammelen.
Poder Concedido
Devotos de Físláidir aprendem e podem lançar a magia Detectar Ameaças. Além disso, recebem Percepção +2 e, em todos os testes que envolvam rastrear criaturas ou se esconderem de outras criaturas, você rola dois dados e escolhe o melhor resultado.
Eunmorgorm
O Grande Grifo Azul do Oeste, Eunmorgorm
Eunmorgorm é o grande patrono das Montanhas Azuis, uma cordilheira de montanhas a oeste de Artus, mas dentro do território de Sammelen, que mantém diversos monstros raros e outros santos menores. Dentre eles, Eunmorgorm governa como um rei.
Dizem que Eunmorgorm foi santificado ainda vivo pelo medo que as demais pessoas tinham dele, e pela governança que ele tinha sobre a montanha, desafiando inclusive outros antigos dragões.
Símbolo Sagrado
Um grifo de asas abertas sob uma montanha.
Norma
Devotos de Eunmorgorm sempre devem caçar, capturar e extrair (ou tentar extrair) materiais de monstros não inteligentes. Ser derrotado por um monstro irracional é tido como uma grande vergonha para a igreja de Eunmorgorm.
Poder Concedido
Devotos de Eunmorgorm aprendem e podem lançar a magia Primor Atlético. Além disso, podem usar o poder Santificar Arma com seus Ataques Desarmados ou com armas naturais.
Madadh
O Sábio Lobo Branco do Leste, Madadh
Madadh é o grande patrono dos Bosques Verdes, uma floresta a leste de Artus, dentro do território de Sammelen, que mantém diversos animais raros e criaturas mágicas e fantásticas.
Dizem que Madadh foi santificado quando um velho Lobo Branco morreu salvando outros animais da floresta de um avanço de soldados de Sammelen. Depois de matar diversos deles, ele morreu e renasceu como santo.
Madadh protege os animais e seu bem estar dentro da floresta de soldados de Sammelen, bárbaros de Artus, caçadores e, principalmente, monstros invasores.
Símbolo Sagrado
Um Lobo uivando na sob a lua.
Norma
Devotos de Madadh não podem causar dano a animais, sempre devem defende-los e protege-los. Ainda podem montar e ter aliados animais, mas jamais podem fazer mal intencionalmente a eles.
Poder Concedido
Devotos de Madadh aprendem e podem lançar a magia Concentração de Combate. Além disso, na primeira vez que entram em uma floresta na aventura, recebem 6d6 dados de auxílio que podem usar em testes até o fim da aventura. Quando perderem, só recebem novamente os dados de auxilio na primeira vez que entrarem em uma floresta na próxima aventura.
Sionnach
A Astuta Raposa das Florestas, Sionnach
Sionnach é a principal antítese de Madadh, talvez empatado com Eunmorgorm. Uma velha raposa que vivia em Artus, é um dos mais inteligentes santos totêmicos. Ele não gosta de enfrentar diretamente seus rivais, mas guiá-los pelo caminho contrário. Mas de uma vez soldados de Sammelen se pegaram andando em círculos pelas florestas de Artus, confundidos por ações de Sionnach.
Ao mesmo tempo, é o santo mais carinhoso com crianças e pequenos prodígios príncipes de Artus, dizem que a única maneira de canalizar a fúria de Sionnach, é quando crianças são prejudicadas.
Símbolo Sagrado
Os olhos de uma raposa dentro de um arbusto.
Norma
Um devoto de Sionnach não recusa participação de um golpe que envolva enganar soldados e despistá-los. Ex-soldados, soldados atuais e outros tipos de militares são negados por Sionnach. Além disso, devotos de Sionnach jamais podem causar dano, perda de vida ou prejudicar crianças de qualquer tipo, de maneira alguma.
Poder Concedido
Devotos de Sionnach aprendem e podem lançar a magia Imagem Espelhada. Além disso, podem gastar uma ação completa e 2 PM para se transformar em uma raposa. Você adquire tamanho Pequeno (o que fornece +2 em Furtividade e –2 em testes de manobra), uma arma natural de Mordida (1d6, x2, dano de perfuração), seu deslocamento se torna 12m e recebe deslocamento de escalar 9m. Seu equipamento desaparece (e você perde seus benefícios) até você voltar ao normal, mas suas outras estatísticas não são alteradas. A transformação dura indefinidamente, mas termina caso você lance uma magia ou sofra dano.
Shrion-Revoztzma
A Resistente Tartaruga Negra do Norte, Shrion-Revoztzma
Talvez a primeira contemporânea de Nygara, Shrion-Revoztzma é a santa de uma pequena ilha ao norte de Artus. Nessa ilha, existe um dos mais antigos templos construídos em pedra sob pedra.
Dizem que Shrion-Revoztzma é uma das santas mais antigas de Ghanor como um todo, vindo como uma antiga divindade de um povo humanóide-tartaruga além-mar, que por algum motivo sumiu da região.
Shrion é a santa da resistência, principalmente da resistência a passagem do tempo, seus devotos são alguns dos mais antigos e sábios da região, mantendo diversos conhecimentos ancestrais, passando oralmente ou via livros.
Símbolo Sagrado
Um casco de tartaruga negro.
Norma
Devotos de Shrion-Revoztzma não podem destruir livros, ou fazer informação se perder. Se forem os donos únicos de alguma informação, devem compartilhá-la com alguém o mais cedo possível. Além disso, não podem mentir ou usar a perícia Enganação.
Poder Concedido
Devotos de Shrion-Revoztzma aprendem e podem lançar a magia Armadura Arcana. Além disso, recebem +2 em testes de manobra e recebe uma magia adicional de abjuração sempre que recebe um novo círculo de magia, a partir do 2º círculo.
Uamhchaol
O Urso Dormente das Cavernas, Uamhchaol
Uamhchaol era uma divindade adorada pelos mais antigos bárbaros de Artus, mas quando a fé dos Santos surgiu na região, ele foi santificado. Mas desde esse momento, dizem que o antigo deus, agora Santo, entrou em hibernação profunda e agora habita em todas as cavernas de Artus.
Antigos clérigos dizem que o som das goteiras e os sons estranhos das cavernas são o ronco do santo urso, e quando ele acordar, todas as cavernas de Artus vão explodir e as terras geladas de Artus se tornarão rios de lava.
Símbolo Sagrado
Uma caverna vazia.
Norma
Devotos de Uamhchaol não podem interromper o sono de outras criaturas, sempre devem respeitar o sono de qualquer um. Além disso, não podem infligir condições de Cansaço ou Metabolismo em outras criaturas.
Poder Concedido
Devotos de Uamhchaol aprende e pode lançar a magia Vitalidade Fantasma. Além disso, quando chega a 0 PV, não cai inconsciente até chegar a –10 PV. Ainda fica se chegar a –11 PV ou menos, e ainda morre se chegar a um valor negativo igual à metade de seus PV máximos.
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Depois de explorarmos, em Deuses se Aposentando, as consequências de um mundo que precisa continuar funcionando quando suas próprias divindades abandonam antigas responsabilidades, podemos voltar nossos olhos para algo muito mais mundano, mas igualmente inevitável: o lixo.
Afinal, toda civilização produz lixo e resíduos. Casas acumulam objetos quebrados, cidades descartam alimentos, oficinas eliminam materiais inutilizados e grandes indústrias deixam para trás toneladas de substâncias perigosas. Entretanto, em um mundo de fantasia, esse problema pode alcançar proporções completamente diferentes.
Imagine poções vencidas contaminando rios, artefatos mágicos descartados continuando ativos durante séculos ou máquinas alquímicas quebradas liberando gases capazes de alterar a fauna de uma região. Além disso, pense nas profissões criadas para lidar com esses problemas, nos bairros construídos ao redor de depósitos de resíduos e nas criaturas que surgem justamente daquilo que ninguém queria mais.
Portanto, quando estiver construindo seu mundo, não pense apenas no que as pessoas produzem. Pense também no que elas jogam fora.
1. Cada Sociedade Possui Seu Próprio Lixo
Antes de tudo, o lixo revela muito sobre uma civilização.
Uma comunidade agrícola provavelmente produzirá restos orgânicos, ferramentas quebradas e resíduos de animais. Uma cidade mágica, por outro lado, poderá descartar pergaminhos encantados, cristais esgotados, poções vencidas e componentes utilizados em rituais.
Assim, basta observar uma lixeira para descobrir como aquela sociedade trabalha, consome e vive.
Em uma cidade extremamente avançada, arqueólogos podem até identificar diferentes períodos históricos analisando seus depósitos de resíduos. Afinal, aquilo que uma civilização descarta também funciona como registro de sua existência.
2. Para Onde Vai o Lixo Mágico?
O descarte se torna muito mais complicado quando os resíduos possuem propriedades sobrenaturais.
Uma poção de invisibilidade vencida talvez continue funcionando parcialmente. Um cristal utilizado para armazenar energia pode explodir quando enterrado. Já um pergaminho amaldiçoado pode continuar tentando cumprir seu encantamento mesmo depois de descartado.
Por isso, algumas cidades criam cemitérios mágicos, onde especialistas armazenam objetos perigosos.
Em outros lugares, magos destroem esses resíduos em fornalhas dimensionais. Contudo, até essas soluções podem apresentar consequências inesperadas.
3. Profissões Criadas Pelo Lixo
Toda necessidade cria profissões.
Consequentemente, sociedades fantásticas podem possuir trabalhadores especializados exclusivamente em coleta e tratamento de resíduos.
Os catadores arcanos, por exemplo, percorrem ruas procurando objetos mágicos abandonados. Alguns recuperam materiais valiosos, enquanto outros identificam artefatos perigosos antes que crianças ou animais entrem em contato com eles.
Além disso, podem existir alquimistas especializados em neutralizar poções vencidas, ferreiros que desmontam armas encantadas e sacerdotes responsáveis por purificar objetos amaldiçoados.
Assim, o lixo cria uma economia própria.
4. Os Bairros dos Descartados
Nem todo resíduo desaparece.
Grandes cidades podem possuir bairros inteiros construídos ao redor de depósitos de lixo. Nessas regiões, trabalhadores vivem daquilo que os moradores das áreas nobres consideram inútil.
Com o passar do tempo, essas comunidades desenvolvem identidade própria. Elas aprendem a reutilizar materiais, transformar objetos quebrados e encontrar valor onde outros enxergam apenas desperdício.
Porém, também podem sofrer preconceito.
Dessa maneira, o mapa social da cidade passa a acompanhar o caminho que o lixo percorre.
5. Quando o Lixo Ganha Vida
Em mundos mágicos, resíduos podem gerar criaturas.
Uma montanha de restos alquímicos pode criar uma criatura formada por líquidos coloridos, metais e ossos. Um depósito de objetos encantados pode produzir um ser consciente composto por dezenas de artefatos.
Além disso, resíduos emocionais também podem ganhar forma.
Imagine uma cidade onde milhões de pessoas descartam objetos ligados a momentos traumáticos. Depois de décadas, esses sentimentos acumulados podem despertar uma criatura feita de memórias esquecidas.
Assim, o monstro da aventura pode literalmente nascer do lixo da civilização.
6. Poluição Mágica e Ambientes Transformados
Nem toda consequência aparece imediatamente.
Resíduos mágicos podem alterar rios, florestas e animais durante gerações. Uma região contaminada por poções pode desenvolver plantas fluorescentes. Peixes expostos a resíduos alquímicos podem adquirir características incomuns.
Consequentemente, algumas áreas se tornam completamente diferentes do ambiente original.
Em certos casos, essas regiões podem até desenvolver novos ecossistemas.
Aquilo que começou como poluição acaba criando uma natureza artificial.
7. O Mercado dos Objetos Descartados
Entretanto, lixo também pode representar riqueza.
Mercadores especializados percorrem depósitos procurando componentes raros. Uma espada quebrada pode conter uma liga metálica impossível de produzir atualmente. Um frasco vazio pode preservar algumas gotas de uma poção perdida.
Assim, surge um mercado de relíquias descartadas.
Catadores podem enriquecer encontrando objetos que os antigos proprietários consideravam inúteis. Além disso, aventureiros podem contratar especialistas para vasculhar depósitos antigos em busca de materiais valiosos.
Portanto, jogar algo fora nem sempre significa perder seu valor.
8. Lixo Como Problema Político
Quando os resíduos começam a afetar a população, o lixo deixa de ser apenas uma questão doméstica e se transforma em problema político.
Quem deve cuidar dos depósitos? Quem paga pelo tratamento? Onde os resíduos serão armazenados? Os bairros pobres devem receber a maior parte do lixo produzido pelas regiões ricas?
Essas perguntas podem gerar conflitos entre cidades, classes sociais e até países.
Imagine um reino que envia seus resíduos mágicos para uma região distante, onde comunidades inteiras vivem próximas aos depósitos. Depois de décadas, essas populações podem exigir compensações ou simplesmente decidir interromper o recebimento.
Assim, o lixo pode iniciar uma guerra.
9. Religião, Tradição e o Ato de Jogar Fora
Nem toda cultura entende descarte da mesma maneira.
Alguns povos podem considerar objetos quebrados espiritualmente impuros. Outros acreditam que destruir pertences antigos também destrói memórias importantes.
Consequentemente, essas sociedades desenvolvem rituais específicos para se desfazer das coisas.
Uma cultura pode devolver objetos ao fogo. Outra pode enterrá-los. Uma terceira pode entregá-los a rios sagrados.
Além disso, determinadas religiões podem proibir completamente o desperdício, considerando que tudo aquilo que existe possui algum propósito.
Dessa forma, até jogar uma garrafa fora pode carregar significado cultural.
10. Civilizações Enterradas Sob Seu Próprio Lixo
Por fim, imagine o que acontece quando uma sociedade simplesmente não consegue administrar seus resíduos.
Durante séculos, camadas de lixo podem se acumular ao redor das cidades. Antigos depósitos desaparecem sob novas construções, criando verdadeiras montanhas artificiais.
O que para os antigos moradores representava apenas desperdício, para arqueólogos pode significar uma mina de informações. Ferramentas, brinquedos, restos de alimentos, documentos e objetos quebrados revelam como aquela civilização realmente vivia.
Assim, o lixo de uma sociedade pode se transformar no tesouro arqueológico de outra.
Conclusão
O lixo talvez seja uma das partes menos glamorosas de um mundo fantástico. Ainda assim, justamente por isso ele representa uma excelente ferramenta de worldbuilding.
Grandes impérios deixam monumentos, estátuas e palácios. Entretanto, também deixam depósitos, esgotos, aterros, objetos quebrados e toneladas de resíduos. Portanto, se queremos construir sociedades convincentes, precisamos pensar não apenas naquilo que elas produzem, mas também naquilo que elas descartam.
Além disso, o lixo pode gerar profissões, desigualdades, mercados, problemas ambientais, criaturas, conflitos políticos e até novas culturas. Dessa forma, algo aparentemente insignificante ganha enorme potencial narrativo.
No fim, existe uma pergunta simples que pode revelar muito sobre qualquer civilização:
Quando alguém joga alguma coisa fora, para onde ela vai?
A resposta pode revelar mais sobre esse mundo do que seu maior castelo, seu exército mais poderoso ou seu artefato mais lendário. Afinal, uma sociedade pode esconder seus crimes, seus segredos e suas contradições em grandes monumentos.
Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.
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