Conversas Paralelas – Aprendiz de Mestre

Depois de explorarmos como pequenos hábitos podem criar uma identidade própria para a campanha em Hábitos de Imersão, precisamos olhar para outro elemento inevitável de qualquer mesa: aquilo que acontece quando a história não está acontecendo. Afinal, jogadores conversam. Comentam acontecimentos, fazem piadas, discutem estratégias, lembram histórias antigas e, às vezes, simplesmente começam a falar sobre qualquer assunto que não tenha absolutamente nada a ver com o dragão que está prestes a devorar o grupo.

E isso não é necessariamente um problema.

Uma mesa de RPG também é um espaço de convivência. Portanto, esperar silêncio absoluto durante quatro horas seria tão artificial quanto exigir que todos os personagens permaneçam sempre sérios dentro de uma taverna. Entretanto, existe uma diferença importante entre uma conversa paralela ocasional e uma conversa que começa a engolir a sessão.

O verdadeiro desafio do mestre, então, não consiste em eliminar qualquer conversa fora da narrativa. Pelo contrário, consiste em perceber quando ela está apenas fazendo parte da convivência e quando começa a prejudicar o jogo.

Além disso, diferentes tipos de conversa exigem diferentes respostas. Uma piada rápida não merece a mesma intervenção que uma discussão estratégica de quinze minutos. Uma dúvida sobre uma regra também não deve receber o mesmo tratamento que uma conversa pessoal que tomou conta da mesa.

Por isso, antes de simplesmente pedir silêncio, vale compreender o que está acontecendo.

Entenda que nem toda conversa paralela é um problema

Antes de tentar controlar as conversas, o mestre precisa aprender a diferenciá-las. Algumas conversas funcionam como pequenas válvulas de escape e até ajudam o grupo a recuperar energia. Uma piada depois de uma cena tensa pode aliviar o ambiente, enquanto um comentário engraçado pode fortalecer a amizade entre os jogadores.

O problema aparece quando a conversa começa a competir com a narrativa.

Imagine que o grupo esteja diante do vilão principal e dois jogadores comecem a discutir sobre um filme que assistiram durante a semana. Se a conversa dura dez segundos, provavelmente ninguém precisa interferir. Porém, se outros jogadores entram no assunto e, quando você percebe, metade da mesa abandonou a cena, chegou a hora de recuperar o foco.

Assim, o primeiro passo não é controlar, mas observar.

Separe a conversa estratégica da distração

Jogadores frequentemente conversam porque estão tentando resolver um problema dentro do jogo. Eles cochicham sobre possibilidades, discutem pistas ou tentam descobrir como enfrentar determinado inimigo.

Embora isso possa parecer uma conversa paralela, ela faz parte da própria experiência.

Por exemplo, quatro aventureiros encontram uma porta protegida por três símbolos mágicos. Enquanto o mestre aguarda, os jogadores começam a discutir teorias sobre qual símbolo representa perigo. Nesse momento, interromper imediatamente pode prejudicar justamente o raciocínio que a cena pretende estimular.

Por outro lado, se a discussão começa a durar vinte minutos sem produzir nenhuma decisão, o mestre pode intervir de maneira gentil: “Vocês têm algumas hipóteses. Qual delas vocês querem testar?”. Dessa forma, ele transforma conversa em ação.

Cuidado com as piadas que se multiplicam

Uma piada pode melhorar uma sessão. Cinco minutos de piadas sobre a mesma coisa podem destruir completamente o clima de uma cena.

Isso acontece principalmente quando alguém encontra uma situação engraçada e os demais começam a construir novas piadas em cima dela. A mesa entra em um ciclo próprio e, consequentemente, a aventura desaparece temporariamente.

Em vez de combater o humor, o mestre pode aproveitá-lo e depois conduzir o grupo de volta. Se os jogadores começam a rir porque o bárbaro novamente confundiu o nome de um NPC, permita alguns segundos de diversão. Depois, retome a narrativa: “Muito bem, depois dessa humilhação histórica, o guarda finalmente responde…”.

Assim, o humor continua existindo sem dominar a sessão.

Não transforme dúvida de regra em debate infinito

Poucas coisas interrompem mais uma sessão do que uma discussão interminável sobre regras. Afinal, sistemas possuem detalhes, exceções e interpretações diferentes, e jogadores naturalmente querem entender como determinada mecânica funciona.

Entretanto, nem toda dúvida precisa de uma decisão definitiva naquele segundo.

Quando uma discussão começa a consumir tempo demais, o mestre pode tomar uma decisão provisória e registrar a questão para uma consulta posterior. Depois, o grupo verifica a regra com calma e aplica a interpretação escolhida nas próximas sessões.

Essa atitude preserva o ritmo sem impedir que todos compreendam o funcionamento do jogo.

Perceba quando a conversa esconde cansaço

Nem toda conversa paralela surge porque os jogadores perderam interesse na história. Às vezes, o problema está simplesmente no cansaço.

Depois de várias horas jogando, a atenção diminui naturalmente. Consequentemente, pequenas conversas aparecem com mais frequência, os jogadores mexem no celular ou começam a discutir assuntos externos.

Nesse momento, insistir em uma cena longa pode piorar a situação. Uma pausa curta, um lanche ou até o encerramento de uma cena podem recuperar a energia do grupo.

Além disso, observar as pessoas é essencial. A comunicação não acontece apenas pelas palavras; expressões, postura e comportamento também revelam quando alguém perdeu concentração. A empatia ajuda o mestre a perceber esses sinais antes que a dispersão domine a mesa.

Interrompa conversas pessoais com delicadeza

Conversas pessoais merecem tratamento diferente. Às vezes, alguém recebe uma notícia, comenta um problema ou precisa resolver alguma questão durante a sessão. Nesses casos, simplesmente mandar a pessoa calar a boca pode criar uma situação desnecessariamente desagradável.

Por isso, o mestre precisa diferenciar urgência de distração.

Se a conversa exige atenção imediata, vale pausar o jogo. Entretanto, quando o assunto pode esperar, uma abordagem simples funciona melhor: “Vamos terminar essa cena e depois vocês conversam com calma”.

Dessa maneira, o mestre protege o ritmo sem transformar a mesa em um ambiente autoritário.

Evite competir com quem está conversando

Um erro comum consiste em aumentar a voz para tentar vencer uma conversa paralela. Normalmente, isso produz o efeito contrário. Em poucos segundos, a mesa inteira vira uma competição de volume.

Em vez disso, pare de narrar.

O silêncio costuma chamar mais atenção do que uma voz tentando superar outras vozes. Quando os jogadores percebem que o mestre interrompeu a descrição, naturalmente começam a olhar para ele. Então, basta retomar a cena.

Essa técnica funciona especialmente bem durante momentos importantes. Uma pausa inesperada comunica que o grupo precisa voltar a prestar atenção sem exigir uma bronca.

Dê espaço para quem fala pouco

As conversas paralelas também podem revelar um problema de distribuição de atenção. Jogadores mais extrovertidos costumam conversar com facilidade, enquanto participantes mais tímidos podem permanecer em silêncio durante boa parte da sessão.

Nesse caso, controlar apenas o barulho não resolve tudo.

O mestre pode criar oportunidades específicas para quem participa menos. Por exemplo, depois de uma discussão entre três personagens, ele pode perguntar diretamente: “E você, o que acha disso?”. Assim, transforma um participante silencioso em parte ativa da decisão.

Além disso, quando todos percebem que possuem espaço para falar, a necessidade de disputar atenção diminui.

Transforme algumas conversas paralelas em material de jogo

Nem toda conversa fora do roteiro precisa ser descartada. Às vezes, os próprios jogadores fornecem ideias excelentes enquanto brincam ou especulam.

Imagine que alguém diga, durante uma conversa, que o velho comerciante provavelmente trabalha secretamente para o rei. A mesa começa a brincar com essa possibilidade. O mestre pode guardar a ideia e, posteriormente, transformar aquele comentário em uma pista real.

Assim, uma distração momentânea pode gerar material criativo para a campanha.

Essa postura também incentiva a participação dos jogadores, porque eles percebem que suas ideias podem influenciar o mundo.

Crie sinais para recuperar o foco

Depois de várias sessões, o grupo pode desenvolver sinais próprios para indicar que uma conversa está passando do limite. Isso evita que o mestre precise interromper constantemente com advertências.

Pode ser uma frase específica, um gesto, uma batida leve na mesa ou até uma palavra engraçada.

Imagine que o mestre diga “voltamos para Retropia” sempre que a conversa começa a fugir demais do jogo. Com o tempo, essa frase se transforma em um código interno. Os jogadores reconhecem o sinal e retornam naturalmente à narrativa.

Dessa maneira, o controle deixa de parecer uma cobrança e passa a fazer parte da identidade da mesa.

Saiba quando simplesmente deixar acontecer

Por fim, talvez essa seja a atitude mais importante: nem toda conversa precisa ser controlada.

Uma mesa completamente silenciosa pode parecer organizada, mas também pode perder espontaneidade. Jogadores riem, fazem comentários, contam histórias e criam lembranças que não estavam previstas no roteiro. Essas interações também fazem parte da experiência.

Portanto, o mestre precisa escolher suas batalhas.

Se uma conversa não prejudica a narrativa, não interrompe outro jogador e não cria desconforto, talvez não exista motivo para interferir. Afinal, RPG também é convivência.

O objetivo não consiste em produzir uma sessão perfeitamente silenciosa, mas uma sessão em que todos consigam participar, se divertir e acompanhar a história.

Conclusão

Conversas paralelas fazem parte de qualquer mesa de RPG. Algumas ajudam a criar amizade, outras aliviam a tensão e algumas até fornecem ideias inesperadas para a própria campanha. Entretanto, quando essas conversas começam a competir com a narrativa, o mestre precisa agir com sensibilidade.

Por isso, conhecer os diferentes tipos de conversa é tão importante quanto conhecer as regras do sistema. Piadas, discussões estratégicas, dúvidas de mecânica, assuntos pessoais e sinais de cansaço exigem respostas diferentes. Consequentemente, uma única técnica jamais resolverá todos os casos.

Além disso, escutar e observar os jogadores ajuda o mestre a compreender o que realmente acontece na mesa. A comunicação eficiente depende tanto da fala quanto da capacidade de perceber emoções, comportamentos e necessidades dos outros.

No fim das contas, uma boa mesa não é aquela em que ninguém conversa fora do jogo. É aquela em que todos sabem quando conversar, quando ouvir e quando voltar para a aventura.

Afinal, se os heróis estão diante do dragão ancestral enquanto alguém começa a contar uma história sobre o churrasco do último domingo, talvez seja realmente hora de o mestre olhar para a mesa, respirar fundo e dizer:

“Muito bonito. Agora… o dragão está olhando para vocês.”

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Santos dos Animais Totêmicos – Santos Escritos

No mundo de A Lenda de Ghanor, Artus é um reino à parte do resto dos principais reinos de Ghanor. Ele é dominado por guerreiros que enfrentam um frio poderoso, mas também tem uma religião separada: em Artus, a natureza e seus expoentes são considerados santos. Hoje vamos explorar alguns desses santos, especialmente os santos totêmicos, os santos que abençoam os Animais Totêmicos do Bárbaro.

Animais Totêmicos

Santos dos Animais Totêmicos

Os animais totêmicos são espíritos ancestrais que concedem para muitos Bárbaros poderes mágicos que usam em conjunto com sua fúria. Para muitos leigos, esses animais são apenas representações da aspectos que os bárbaros tem como poderosos, mas há muito tempo, são adorados como verdadeiros deuses pelo povo de Artus. Todos os santos abaixo utilizam a mesma lista de magia dos druidas.

Nygara

A Velha Coruja dos Novos Caminhos, Nygara

Alguns dos clérigos presentes em Artus dizem que Nygara é a santa mais antiga da região, aquela que abria (ou ainda abre) caminho para que os santos, de Artus e dos outros reinos, vão para Céu ou para o Inferno, em prol cumprirem com o papel que tiverem em vida e serem devidamente adorados.

Por isto, a habitação de Nygara seria o Purgatório, o caminho do meio, apenas protegendo a viagem daquelas que vão viver alegria ou danação eterna. Nygara não é má, muito menos boa. Ela é uma protetora de ambos os caminhos, guiando como pode as almas e os mortais para onde desejam ir.

Os devotos de Nygara são, em sua maioria, videntes, versados nas artes divinatórias.

Símbolo Sagrado

Uma coruja, o seu olho esquerdo é a lua e o seu olho direito é o sol.

Norma

Devotos de Nygara não podem negar de lançar magias de Adivinhação para qualquer pessoa, e nem podem se negar de guiar pessoas para o caminho mais seguro. Em termos mais concretos, não podem abandonar pessoas que estejam perdidas, seja fisicamente, emocionalmente ou espiritualmente.

Poder Concedido

Devotos de Nygara aprendem e podem lançar a magia Orientação, além disso, gastam –1 PM no custo de todas as suas magias de adivinhação e transmutação.

Seton

O Fúnebre Corvo das Estrada, Seton

Enquanto Nygara é aquela que guia os caminhos daqueles que estão certos, Seton é o santo dos caminhos incertos. Daqueles que não sabem para onde vão, e que terão suas almas julgadas.

Seton olha para o povo comum, ele olha para o fazendeiro que morreu de repente enquanto arava sua terra, para as crianças que nasceram prematuros e morreram da mesma forma, para os pobres coitados afetados por uma doença que afligiu a terra.

Alguns clérigos consideram Seton como a verdadeira face da morte, enquanto Nygara é a morte que vigia os que os deuses consideram bom, Seton é a verdadeira face humana, que guia aqueles que realmente precisam de guias.

Símbolo Sagrado

Um corvo, com suas asas abertas, pousado em cima de um túmulo.

Norma

Devotos de Seton sempre devem cumprir os ritos de sepultamento de qualquer criatura, independente do que fez ou quem é, e dar a ela todas as devidas honras de sua região. Devotos de Seton não podem profanar corpos, por isso, todos os tesouros recebidos de criaturas que foram mortas devem ser purificadas e 10% do valor doado a Igreja.

Poder Concedido

Devotos de Seton aprendem e podem lançar a magia Visão Mística. Além disso, quando passa em um teste de Religião para realizar um Rito de funeral, Seton passa a te guiar, e você recebe +2 PM temporário +1 PM temporário para cada 5 pontos que ultrapassarem da CD, que duram até o fim da aventura ou até serem usados.

Você só pode receber um valor total de PM igual ao seu nível desta maneira. Criaturas que você matou diretamente ou que você ou seus aliados mataram com o propósito de serem beneficiados por este poder não te concedem PM temporário. Seton se preocupado com os simples e humildes, não pelos gananciosos e soberbos.

Físláidir

O Vigilante Falcão Vermelho do Sul, Físláldir

Físláidir é uma santa ave que dizem ter sido ascendido aos céus durante um embate entre bárbaros de Artus e guerreiros de Sammelen. Outrora um animal de estimação de um antigo líder bárbaro, quando seu companheiro morreu, a ave implodiu em fogo sagrado e matou os guerreiros de Sammelen.

Desde então, Físláidir vigia as terras do sul de Artus, avisando as tribos sobre avanços dos guerreiros sammelenianos em terras de Artus.

Símbolo Sagrado

Um falcão sob um olho em chamas.

Norma

Devotos de Físláidir devem vigiar pelo bem de seus companheiros. Em termos de regra, devotos de Físláidir devem ser sempre os últimos a descansar em um acampamento e os últimos a serem curados, se houverem outros aliados mais necessitados.

Devotos de Físláidir nunca podem curar ou ajudar testes de criaturas nascidas em Sammelen.

Poder Concedido

Devotos de Físláidir aprendem e podem lançar a magia Detectar Ameaças. Além disso, recebem Percepção +2 e, em todos os testes que envolvam rastrear criaturas ou se esconderem de outras criaturas, você rola dois dados e escolhe o melhor resultado.

Eunmorgorm

O Grande Grifo Azul do Oeste, Eunmorgorm

Eunmorgorm é o grande patrono das Montanhas Azuis, uma cordilheira de montanhas a oeste de Artus, mas dentro do território de Sammelen, que mantém diversos monstros raros e outros santos menores. Dentre eles, Eunmorgorm governa como um rei.

Dizem que Eunmorgorm foi santificado ainda vivo pelo medo que as demais pessoas tinham dele, e pela governança que ele tinha sobre a montanha, desafiando inclusive outros antigos dragões.

Símbolo Sagrado

Um grifo de asas abertas sob uma montanha.

Norma

Devotos de Eunmorgorm sempre devem caçar, capturar e extrair (ou tentar extrair) materiais de monstros não inteligentes. Ser derrotado por um monstro irracional é tido como uma grande vergonha para a igreja de Eunmorgorm.

Poder Concedido

Devotos de Eunmorgorm aprendem e podem lançar a magia Primor Atlético. Além disso, podem usar o poder Santificar Arma com seus Ataques Desarmados ou com armas naturais.

Madadh

O Sábio Lobo Branco do Leste, Madadh

Madadh é o grande patrono dos Bosques Verdes, uma floresta a leste de Artus, dentro do território de Sammelen, que mantém diversos animais raros e criaturas mágicas e fantásticas.

Dizem que Madadh foi santificado quando um velho Lobo Branco morreu salvando outros animais da floresta de um avanço de soldados de Sammelen. Depois de matar diversos deles, ele morreu e renasceu como santo.

Madadh protege os animais e seu bem estar dentro da floresta de soldados de Sammelen, bárbaros de Artus, caçadores e, principalmente, monstros invasores.

Símbolo Sagrado

Um Lobo uivando na sob a lua.

Norma

Devotos de Madadh não podem causar dano a animais, sempre devem defende-los e protege-los. Ainda podem montar e ter aliados animais, mas jamais podem fazer mal intencionalmente a eles.

Poder Concedido

Devotos de Madadh aprendem e podem lançar a magia Concentração de Combate. Além disso, na primeira vez que entram em uma floresta na aventura, recebem 6d6 dados de auxílio que podem usar em testes até o fim da aventura. Quando perderem, só recebem novamente os dados de auxilio na primeira vez que entrarem em uma floresta na próxima aventura.

Sionnach

A Astuta Raposa das Florestas, Sionnach

Sionnach é a principal antítese de Madadh, talvez empatado com Eunmorgorm. Uma velha raposa que vivia em Artus, é um dos mais inteligentes santos totêmicos. Ele não gosta de enfrentar diretamente seus rivais, mas guiá-los pelo caminho contrário. Mas de uma vez soldados de Sammelen se pegaram andando em círculos pelas florestas de Artus, confundidos por ações de Sionnach.

Ao mesmo tempo, é o santo mais carinhoso com crianças e pequenos prodígios príncipes de Artus, dizem que a única maneira de canalizar a fúria de Sionnach, é quando crianças são prejudicadas.

Símbolo Sagrado

Os olhos de uma raposa dentro de um arbusto.

Norma

Um devoto de Sionnach não recusa participação de um golpe que envolva enganar soldados e despistá-los. Ex-soldados, soldados atuais e outros tipos de militares são negados por Sionnach. Além disso, devotos de Sionnach jamais podem causar dano, perda de vida ou prejudicar crianças de qualquer tipo, de maneira alguma.

Poder Concedido

Devotos de Sionnach aprendem e podem lançar a magia Imagem Espelhada. Além disso, podem gastar uma ação completa e 2 PM para se transformar em uma raposa. Você adquire tamanho Pequeno (o que fornece +2 em Furtividade e –2 em testes de manobra), uma arma natural de Mordida (1d6, x2, dano de perfuração), seu deslocamento se torna 12m e recebe deslocamento de escalar 9m. Seu equipamento desaparece (e você perde seus benefícios) até você voltar ao normal, mas suas outras estatísticas não são alteradas. A transformação dura indefinidamente, mas termina caso você lance uma magia ou sofra dano.

Shrion-Revoztzma

A Resistente Tartaruga Negra do Norte, Shrion-Revoztzma

Talvez a primeira contemporânea de Nygara, Shrion-Revoztzma é a santa de uma pequena ilha ao norte de Artus. Nessa ilha, existe um dos mais antigos templos construídos em pedra sob pedra.

Dizem que Shrion-Revoztzma é uma das santas mais antigas de Ghanor como um todo, vindo como uma antiga divindade de um povo humanóide-tartaruga além-mar, que por algum motivo sumiu da região.

Shrion é a santa da resistência, principalmente da resistência a passagem do tempo, seus devotos são alguns dos mais antigos e sábios da região, mantendo diversos conhecimentos ancestrais, passando oralmente ou via livros.

Símbolo Sagrado

Um casco de tartaruga negro.

Norma

Devotos de Shrion-Revoztzma não podem destruir livros, ou fazer informação se perder. Se forem os donos únicos de alguma informação, devem compartilhá-la com alguém o mais cedo possível. Além disso, não podem mentir ou usar a perícia Enganação.

Poder Concedido

Devotos de Shrion-Revoztzma aprendem e podem lançar a magia Armadura Arcana. Além disso, recebem +2 em testes de manobra e recebe uma magia adicional de abjuração sempre que recebe um novo círculo de magia, a partir do 2º círculo.

Uamhchaol

O Urso Dormente das Cavernas, Uamhchaol

Uamhchaol era uma divindade adorada pelos mais antigos bárbaros de Artus, mas quando a fé dos Santos surgiu na região, ele foi santificado. Mas desde esse momento, dizem que o antigo deus, agora Santo, entrou em hibernação profunda e agora habita em todas as cavernas de Artus.

Antigos clérigos dizem que o som das goteiras e os sons estranhos das cavernas são o ronco do santo urso, e quando ele acordar, todas as cavernas de Artus vão explodir e as terras geladas de Artus se tornarão rios de lava.

Símbolo Sagrado

Uma caverna vazia.

Norma

Devotos de Uamhchaol não podem interromper o sono de outras criaturas, sempre devem respeitar o sono de qualquer um. Além disso, não podem infligir condições de Cansaço ou Metabolismo em outras criaturas.

Poder Concedido

Devotos de Uamhchaol aprende e pode lançar a magia Vitalidade Fantasma. Além disso, quando chega a 0 PV, não cai inconsciente até chegar a –10 PV. Ainda fica se chegar a –11 PV ou menos, e ainda morre se chegar a um valor negativo igual à metade de seus PV máximos.


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Texto e Capa:  Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.

Lixo do seu Mundo – Gênese Zero #73

Depois de explorarmos, em Deuses se Aposentando, as consequências de um mundo que precisa continuar funcionando quando suas próprias divindades abandonam antigas responsabilidades, podemos voltar nossos olhos para algo muito mais mundano, mas igualmente inevitável: o lixo.

Afinal, toda civilização produz lixo e resíduos. Casas acumulam objetos quebrados, cidades descartam alimentos, oficinas eliminam materiais inutilizados e grandes indústrias deixam para trás toneladas de substâncias perigosas. Entretanto, em um mundo de fantasia, esse problema pode alcançar proporções completamente diferentes.

Imagine poções vencidas contaminando rios, artefatos mágicos descartados continuando ativos durante séculos ou máquinas alquímicas quebradas liberando gases capazes de alterar a fauna de uma região. Além disso, pense nas profissões criadas para lidar com esses problemas, nos bairros construídos ao redor de depósitos de resíduos e nas criaturas que surgem justamente daquilo que ninguém queria mais.

Portanto, quando estiver construindo seu mundo, não pense apenas no que as pessoas produzem. Pense também no que elas jogam fora.

1. Cada Sociedade Possui Seu Próprio Lixo

Antes de tudo, o lixo revela muito sobre uma civilização.

Uma comunidade agrícola provavelmente produzirá restos orgânicos, ferramentas quebradas e resíduos de animais. Uma cidade mágica, por outro lado, poderá descartar pergaminhos encantados, cristais esgotados, poções vencidas e componentes utilizados em rituais.

Assim, basta observar uma lixeira para descobrir como aquela sociedade trabalha, consome e vive.

Em uma cidade extremamente avançada, arqueólogos podem até identificar diferentes períodos históricos analisando seus depósitos de resíduos. Afinal, aquilo que uma civilização descarta também funciona como registro de sua existência.

2. Para Onde Vai o Lixo Mágico?

O descarte se torna muito mais complicado quando os resíduos possuem propriedades sobrenaturais.

Uma poção de invisibilidade vencida talvez continue funcionando parcialmente. Um cristal utilizado para armazenar energia pode explodir quando enterrado. Já um pergaminho amaldiçoado pode continuar tentando cumprir seu encantamento mesmo depois de descartado.

Por isso, algumas cidades criam cemitérios mágicos, onde especialistas armazenam objetos perigosos.

Em outros lugares, magos destroem esses resíduos em fornalhas dimensionais. Contudo, até essas soluções podem apresentar consequências inesperadas.

3. Profissões Criadas Pelo Lixo

Toda necessidade cria profissões.

Consequentemente, sociedades fantásticas podem possuir trabalhadores especializados exclusivamente em coleta e tratamento de resíduos.

Os catadores arcanos, por exemplo, percorrem ruas procurando objetos mágicos abandonados. Alguns recuperam materiais valiosos, enquanto outros identificam artefatos perigosos antes que crianças ou animais entrem em contato com eles.

Além disso, podem existir alquimistas especializados em neutralizar poções vencidas, ferreiros que desmontam armas encantadas e sacerdotes responsáveis por purificar objetos amaldiçoados.

Assim, o lixo cria uma economia própria.

4. Os Bairros dos Descartados

Nem todo resíduo desaparece.

Grandes cidades podem possuir bairros inteiros construídos ao redor de depósitos de lixo. Nessas regiões, trabalhadores vivem daquilo que os moradores das áreas nobres consideram inútil.

Com o passar do tempo, essas comunidades desenvolvem identidade própria. Elas aprendem a reutilizar materiais, transformar objetos quebrados e encontrar valor onde outros enxergam apenas desperdício.

Porém, também podem sofrer preconceito.

Dessa maneira, o mapa social da cidade passa a acompanhar o caminho que o lixo percorre.

5. Quando o Lixo Ganha Vida

Em mundos mágicos, resíduos podem gerar criaturas.

Uma montanha de restos alquímicos pode criar uma criatura formada por líquidos coloridos, metais e ossos. Um depósito de objetos encantados pode produzir um ser consciente composto por dezenas de artefatos.

Além disso, resíduos emocionais também podem ganhar forma.

Imagine uma cidade onde milhões de pessoas descartam objetos ligados a momentos traumáticos. Depois de décadas, esses sentimentos acumulados podem despertar uma criatura feita de memórias esquecidas.

Assim, o monstro da aventura pode literalmente nascer do lixo da civilização.

6. Poluição Mágica e Ambientes Transformados

Nem toda consequência aparece imediatamente.

Resíduos mágicos podem alterar rios, florestas e animais durante gerações. Uma região contaminada por poções pode desenvolver plantas fluorescentes. Peixes expostos a resíduos alquímicos podem adquirir características incomuns.

Consequentemente, algumas áreas se tornam completamente diferentes do ambiente original.

Em certos casos, essas regiões podem até desenvolver novos ecossistemas.

Aquilo que começou como poluição acaba criando uma natureza artificial.

7. O Mercado dos Objetos Descartados

Entretanto, lixo também pode representar riqueza.

Mercadores especializados percorrem depósitos procurando componentes raros. Uma espada quebrada pode conter uma liga metálica impossível de produzir atualmente. Um frasco vazio pode preservar algumas gotas de uma poção perdida.

Assim, surge um mercado de relíquias descartadas.

Catadores podem enriquecer encontrando objetos que os antigos proprietários consideravam inúteis. Além disso, aventureiros podem contratar especialistas para vasculhar depósitos antigos em busca de materiais valiosos.

Portanto, jogar algo fora nem sempre significa perder seu valor.

8. Lixo Como Problema Político

Quando os resíduos começam a afetar a população, o lixo deixa de ser apenas uma questão doméstica e se transforma em problema político.

Quem deve cuidar dos depósitos? Quem paga pelo tratamento? Onde os resíduos serão armazenados? Os bairros pobres devem receber a maior parte do lixo produzido pelas regiões ricas?

Essas perguntas podem gerar conflitos entre cidades, classes sociais e até países.

Imagine um reino que envia seus resíduos mágicos para uma região distante, onde comunidades inteiras vivem próximas aos depósitos. Depois de décadas, essas populações podem exigir compensações ou simplesmente decidir interromper o recebimento.

Assim, o lixo pode iniciar uma guerra.

9. Religião, Tradição e o Ato de Jogar Fora

Nem toda cultura entende descarte da mesma maneira.

Alguns povos podem considerar objetos quebrados espiritualmente impuros. Outros acreditam que destruir pertences antigos também destrói memórias importantes.

Consequentemente, essas sociedades desenvolvem rituais específicos para se desfazer das coisas.

Uma cultura pode devolver objetos ao fogo. Outra pode enterrá-los. Uma terceira pode entregá-los a rios sagrados.

Além disso, determinadas religiões podem proibir completamente o desperdício, considerando que tudo aquilo que existe possui algum propósito.

Dessa forma, até jogar uma garrafa fora pode carregar significado cultural.

10. Civilizações Enterradas Sob Seu Próprio Lixo

Por fim, imagine o que acontece quando uma sociedade simplesmente não consegue administrar seus resíduos.

Durante séculos, camadas de lixo podem se acumular ao redor das cidades. Antigos depósitos desaparecem sob novas construções, criando verdadeiras montanhas artificiais.

Séculos depois, exploradores encontram esses lugares.

O que para os antigos moradores representava apenas desperdício, para arqueólogos pode significar uma mina de informações. Ferramentas, brinquedos, restos de alimentos, documentos e objetos quebrados revelam como aquela civilização realmente vivia.

Assim, o lixo de uma sociedade pode se transformar no tesouro arqueológico de outra.

Conclusão

O lixo talvez seja uma das partes menos glamorosas de um mundo fantástico. Ainda assim, justamente por isso ele representa uma excelente ferramenta de worldbuilding.

Grandes impérios deixam monumentos, estátuas e palácios. Entretanto, também deixam depósitos, esgotos, aterros, objetos quebrados e toneladas de resíduos. Portanto, se queremos construir sociedades convincentes, precisamos pensar não apenas naquilo que elas produzem, mas também naquilo que elas descartam.

Além disso, o lixo pode gerar profissões, desigualdades, mercados, problemas ambientais, criaturas, conflitos políticos e até novas culturas. Dessa forma, algo aparentemente insignificante ganha enorme potencial narrativo.

No fim, existe uma pergunta simples que pode revelar muito sobre qualquer civilização:

Quando alguém joga alguma coisa fora, para onde ela vai?

A resposta pode revelar mais sobre esse mundo do que seu maior castelo, seu exército mais poderoso ou seu artefato mais lendário. Afinal, uma sociedade pode esconder seus crimes, seus segredos e suas contradições em grandes monumentos.

Mas o lixo sempre encontra um jeito de aparecer.

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Diversão Offline 2026 – Resenha

O Diversão Offline se consolidou como a principal referência no mercado latino americano de RPG e jogos de tabuleiro. Das grandes multinacionais aos estúdios independentes, todas as editoras desejam fazer parte dessa grande festa do hobby.

Cobrir um evento dessa magnitude exige tempo, atenção e uma equipe bem alinhada. A quantidade de atrações torna impossível acompanhar tudo individualmente.

Filas, Lançamentos e Logística no Primeiro Dia

O primeiro dia do Diversão Offline foi o mais movimentado. Por todos os lados, se via filas de jogadores ávidos para garantir os principais lançamentos de jogos de tabuleiro antes que esgotassem.

Embora as filas sejam uma constante em convenções desse porte, as medidas operacionais da organização foram eficazes para reduzir o tempo de espera. Em comparação com a edição anterior, o acesso ficou mais rápido e a entrada do público foi facilitada. Isso permitiu aproveitar as atrações desde as primeiras horas.

Ainda assim, a alta adesão do público gerou gargalos nos estandes das editoras. Marcas com descontos atrativos ou lançamentos de RPG muito aguardados formaram filas extensas que cruzavam os corredores.

Já no domingo, a dinâmica mudou. O público estava mais focado em testar novos protótipos e curtir as atrações, deixando a circulação pelo pavilhão bem mais tranquila.

Premiações: Os Grandes Vencedores do RPG e Board Games

O evento sediou duas das premiações mais importantes do mercado nacional: o Goblin de Ouro e o Prêmio Ludopedia. Ambos funcionam como excelentes termômetros para identificar as tendências e os jogos em alta no Brasil.

Goblin de Ouro

O reconhecimento da indústria nacional ficou evidente no desempenho de editoras e criadores parceiros:

  • Editora Jambô: Destacou se ao conquistar quatro estatuetas, reconhecendo suas produções digitais e materiais nacionais e internacionais.

  • Luz Negra e New Order Editora: Também subiram ao pódio com títulos premiados.

  • Criadores de Conteúdo: Diversos influenciadores e canais de RPG foram homenageados, fortalecendo a divulgação do hobby no país.

Prêmio Ludopedia

No Prêmio Ludopedia, a Jambô voltou a brilhar, dividindo os holofotes com a RetroPunk Publicações e reafirmando a qualidade das produções que chegaram às mesas brasileiras recentemente.

A Experiência do Público: Vale a Pena Ir ao Diversão Offline?

O Diversão Offline continua evoluindo para oferecer uma infraestrutura cada vez mais confortável aos entusiastas. As áreas dedicadas a jogos de mesa estão mais amplas e propícias para partidas longas.

A área de protótipos e jogos independentes continua sendo um dos maiores diferenciais. É o espaço ideal para conversar com game designers nacionais e testar mecânicas inovadoras em primeira mão.

Valeu a pena comprar no evento?

Em relação aos preços, as editoras trouxeram promoções pontuais, embora a margem de desconto não estivesse tão distante dos valores convencionais de mercado. Contudo, o evento trouxe grandes vantagens financeiras para quem queria:

  1. Economizar no frete retirando apoios de financiamentos coletivos.

  2. Garantir lançamentos antecipados que ainda não chegaram às lojas.

Ver participantes circulando com malas de viagem lotadas de caixas de jogos foi uma cena comum, provando que o evento continua muito vantajoso para os colecionadores.

Palestras e Conteúdo Formativo

Além das mesas de jogo, a programação contou com palestras e entrevistas envolvendo game designers internacionais, autores e produtores de conteúdo.

O grande acerto técnico da organização foi o uso de fones de ouvido integrados à transmissão dos palestrantes. Essa solução de isolamento acústico permitiu que o público acompanhasse os painéis com total clareza, sem a interferência do barulho do pavilhão.

Conclusão: Por Que o Diversão Offline É Parada Obrigatória?

Sob a ótica de produção cultural, o Diversão Offline é uma verdadeira aula de organização e adaptação às exigências de um público cada vez maior.

Para os fãs de RPGs, board games e card games, o evento se mantém como parada obrigatória. É o momento perfeito para celebrar o mercado analógico, testar novidades e reencontrar amigos de todo o Brasil.


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Abissais e Celestiais da Tormenta – Área de Tormenta

No livro Deuses de Arton, somos apresentados a diversas castas de abissais e celestiais. Com diferentes habilidades, capazes de auxiliar ou caçar devotos de deuses que canalizam energia oposto as suas.
Mas a Tormenta ascendeu ao panteão, e é impossível imaginar que isso também não afetaria os espíritos divinos. No Área de Tormenta de hoje, vamos corromper os espíritos abissais e celestiais, imaginando suas fichas com um toque mais… lefeu.

Mesmo nos reinos divinos, é impossível escapar da Tempestade Rubra.

A Tormenta é Divina

Até o momento que este texto está sendo escrito, a Tormenta invadiu e corrompeu dois reinos divinos: Ninvenciuén e Kulandi (agora chamado de Shand’Krar), da caída Glorienn e do falecido Tauron, respectivamente. Ambos deuses que canalizam energia positiva e neutra.

Não se sabe exatamente o que se houve com os seres celestiais e abissais que habitavam esses reinos, muitos que cruzam o éter em busca de influenciar os mortais em Arton possivelmente não tentaram voltar aos seus planos de origem para tentar a sorte contra os demônios da tempestade rubra, mas é possível que outros abissais tenham tentado a sorte nos novos reinos divinos, ou tenham sido criados como paródia de seus primos pelo próprio Aharadak e os demais lordes da Tormenta.

Os seus próprios demônios, os lefeu, já cumprem o papel de emissários da vontade da Tormenta, mas a mesma não perderia a chance de mostrar para Arton que mesmo seu pós-vida não está a salvo da tempestade de sangue, e que mesmo seus anjos e demônios uma hora iriam ceder. E também virariam lefeu.

Todas as criaturas abaixo são versões de ameaças já existentes, principalmente do livro Deuses de Arton, mas convertidas para criaturas lefeu. Elas permanecem sendo do tipo Espírito (ou do seu tipo principal original), mas recebem o subtipo lefeu, ganhando todas as suas características presentes no livro básico de Tormenta20, pág. 315.

Abissais

Os demônios abissais, atraídos pela energia negativa canalizada pelo agora novo deus da Tormenta, são como mariposas próximos a uma vela, instintivamente se aproximando dos mundos corrompidos, seja por vontade ou simplesmente atraídos mesmo. Apesar de alguns poucos se manterem intactos, mesmo a serviço de Aharadak, a maioria é transformada em algo melhor e mais forte.

Atrás das sombras, ainda há lefeu.

Aicha’Raik

Versão corrompida do Aucharai (Deuses de Arton, pág. 253).

Mude as seguintes estatísticas, todas as demais seguem iguais:

  • Aumenta o ND para 8.
  • Tipo: Espírito (lefeu) Médio Solo.
  • Percepção +12.
  • Defesa 28, Fort +9, Ref +20, Von +11.
  • Demais perícias aumentam em +1.
  • Aumenta a CD das habilidade para 26.
  • Pontos de Vida 320.
  • Ataque: Corpo a Corpo Duas espadas curtas +22 (2d6+20, 19).
Habilidades

Adicione Insanidade da Tormenta 2d6 (Von CD 26 evita).

Troque Detectar Pensamentos por Detectar Pesadelos.

Detectar Pesadelos. O Aicha’Raikk detecta constantemente os medos mais profundos de todas as criaturas em alcance curto. Ele não pode ser surpreendido por criaturas que estejam sob efeito de medo dentro da área desta habilidade e recebe +4 na Defesa e em testes de perícia contra elas.

Troque Protegido pela Escuridão por Protegido pela Tormenta.

Protegido pela Tormenta. Na primeira vez na cena em que uma criatura ver o aicha’raikk e sempre que ele sofrer dano enquanto estiver desprevenido pelo aicha’raikk, ela deve fazer um teste de Vontade (CD 26). Se falhar, fica abalado até o fim da cena. Se falhar novamente e já estiver abalada, perde 1d6 PM.

Bem… Não deixa de ser um Guerreiro de Chifres

Carva’Rek

Versão corrompida do Guerreiro de Chifres (Tormenta20, pág. 267).

Mude as seguintes estatísticas, todas as demais seguem iguais:

  • Aumenta o ND para 5.
  • Tipo: Espírito (lefeu) Médio Solo.
  • Percepção +5, percepção às cegas, visão no escuro.
  • Defesa 24, Fort +15, Ref +13, Von +11, redução de dano 10.
  • Demais perícias aumentam em +1.
  • Pontos de Vida 185.
  • Ataque: Corpo a Corpo Machado de Guerra +17 (3d6+18, x3) e dois tentáculos +17 (1d10+12).
Habilidades

Adicione Insanidade da Tormenta 2d4 (Von CD 22 evita).

Altere o texto de Marrada para o a seguir:

Marrada (Completa). O Carva’Rek faz uma investida e ataca com seu machado de guerra e seus dois tentáculos. Os três ataques recebem o bônus de +2 da investida, mas devem ser feito contra o mesmo alvo.

Adicione a habilidade Frenesi do Desespero.

Frenesi do Desespero (Padrão). O Carva’Rek rasga o próprio peito, fazendo surgir tentáculos da Tormenta que explodem e atacam os inimigos ao redor. Faça um ataque corpo a corpo com o tentáculo e compare-o com a Defesa de cada inimigo em alcance curto. Então faça uma rolagem de dano com um bônus acumulativo de +2 para cada acerto e aplique-o em cada inimigo atingido. Caso o ataque supere a Defesa de algum inimigo em 10 ou mais, ele também fica caído. Recarga (Causar um acerto crítico com um dos tentáculos).

O espírito vingador da Tempestade Rubra.

Inevitável da Tormenta

Versão corrompida do Probo (Deuses de Arton, pág. 279).

Mude as seguintes estatísticas, todas as demais seguem iguais:

  • Aumenta o ND para 13.
  • Tipo: Constructo (lefeu) Médio Especial.
  • Iniciativa +10, Percepção +15, visão no escuro.
  • Defesa 43, Fort +18, Ref +14, Von +24, cura acelerada 5, redução de dano 15, resistência a magia +8.
  • Demais perícias aumentam em +1.
  • Aumenta a CD das habilidade para 37.
  • Pontos de Vida 570.
  • Pontos de Mana 61.
  • Ataque: Espada bastarda profana x3 +28 (1d12+25, 18, mais 2d6 ácido).
Habilidades

Adicione Insanidade da Tormenta 2d10 (Von CD 37 evita).

Troque Ler Seus Direitos para Seu Direito é Lefeu.

Seu Direito É Lefeu (Movimento, 3 PM). Uma criatura em alcance curto fica abalada por 1 rodada, ou fica confusa por 1 rodada se for a criada que o Inevitável da Tormenta está caçando (Fort CD 37 evita).

Troque Negar Recurso por Memórias Corrompidas.

Memórias Corrompidas (Reação, 3 PM). Uma vez por rodada, quando uma criatura em alcance médio do Inevitável da Tormenta usa uma habilidade ou lança uma magia, ela devem fazer um teste de Vontade (CD 37). Se falhar, a habilidade ou magia não tem efeito, mas a criatura perde a ação e os PM que utilizou mesmo assim. Se a habilidade fizer a criatura se deslocar, ela ainda se desloca, mas não recebe ou realiza nenhum efeito da sua habilidade.

O demônio voraz criado da Tormenta

Jhum’Mariek

Versão corrompida do Jhumariel (Deuses de Arton, pág. 255).

Mude as seguintes estatísticas, todas as demais seguem iguais:

  • Aumenta o ND para 12.
  • Tipo: Espírito (lefeu) Grande Solo.
  • Iniciativa +9, Percepção +10, faro, visão no escuro.
  • Defesa 39, Fort +23, Ref +16, Von +13, redução de dano 15.
  • Demais perícias aumentam em +1.
  • Aumenta a CD das habilidade para 34.
  • Pontos de Vida 600.
  • Ataque: Quatro garras +36 (2d10+22, 19).
Habilidades

Adicione Insanidade da Tormenta 2d10 (Von CD 34 evita).

Troque Cuspe por Raio Aberrante.

Raio Aberrante (Padrão). O jhum’mariek dispara um raio de matéria vermelha em uma criatura em alcance curto. A vítima sofre 8d10 pontos de dano de ácido e fica coberto de matéria vermelha que causa 3d6 pontos de perda de vida no inicio de cada um dos seus dois próximos turnos (Ref CD 34 reduz à metade e evita a matéria vermelha). Enquanto estiver coberto de matéria vermelha, fica em condição terrível para lançar magias.

Troque Invocar Carvarel para Invocar Carva’Rek.

Invocar Carva’Rek (Completa). Uma vez por cena, o jhuma’mariek invoca 1d4+1 carva’reks (veja acima). Eles surgem em espaços desocupados em alcance curto e agem a partir da próxima rodada, em suas iniciativas.

A cor que veio da Área de Tormenta.

Lumina’Dak

Versão corrompida do Luminar (Deuses de Arton, pág. 275).

Mude as seguintes estatísticas, todas as demais seguem iguais:

  • Tipo: Espírito (lefeu) Minúsculo Especial.
  • Percepção +10.
  • Imunidade a dano (exceto de armas de matéria vermelha e aço rubi) e a efeitos de sentido.
  • Perícias aumentam em +1. Troque Diplomacia para Intimidação.
  • Parceiro. Um lumina’dak parceiro fornece os benefícios a seguir. Iniciante: Uma vez por rodada, você pode gastar 2 PM para causar 2d6 pontos de dano não letal de ácido em uma criatura em alcance curto. Veterano: Como acima, mas você também pode gastar 1 PM para conceder um bônus de +4 em seus testes de ataque e rolagens de dano, e nos de seus aliados em alcance curto, por 1 rodada. Cada aliado voluntário afetado perde 1 PM também. Mestre: Como acima, mas você pode gastar 4 PM para causar 4d6 pontos de dano não letal de ácido.
Habilidades

Adicione Insanidade da Tormenta 1d4 (Von CD 18 evita).

Troque Abençoar por Atormentar.

Atormentar (Padrão). Criaturas a escolha do lumina’dak em alcance curto recebem +1 em testes de ataque e rolagens de dano até o fim da cena. Se um dos alvos for lefou ou lefeu, o bônus aumenta para +2.

Troque Aliviar por Desesperar.

Desesperar (Padrão). O lumina’dak emite uma luz que não deveria existir para uma criatura em alcance curto, ela perde 2d4+2 PM (Vontade CD 18 reduz à metade).

Troque Sacrífico por Privilégio.

Privilégio (Completa). O lumina’dak se transforma em uma forte luz aberrante, que não deveria existir, em um raio de 9m. Criaturas escolhidas pelo lumina’dak nessa área perdem 6d6+6 pontos de mana. Após usar essa habilidade, o lumina’dak volta para a coletividade lefeu.

Troque Ser de Luz por Ser da Tormenta.

Ser da Tormenta. O lumina’dak não tem corpo físico e sua manifestação no plano material é apenas de uma luz em uma cor que não deveria existir, mas que ilumina em um raio de 9m. Ele é imune a todos os tipos de dano, exceto dano causado por matéria vermelha ou aço-rubi, e é destruído quando sofre dano vindo de armas ou esotéricos desses tipos.

Apenas um pequeno anjinho da guarda… Lefeu.

Pil’Lydak

Versão corrompida do Pilly (Deuses de Arton, pág. 274).

Mude as seguintes estatísticas, todas as demais seguem iguais:

  • Aumenta o ND para 5.
  • Tipo: Espírito (lefeu) Minúsculo Lacaio.
  • Iniciativa +8, Percepção +4, visão no escuro.
  • Defesa 22, Fort +9, Ref +15, Von +6.
  • Demais perícias aumentam em +1.
  • Aumenta a CD das habilidade para 22.
  • Pontos de Vida 42.
  • Parceiro. Um pil’lydak parceiro fornece os benefícios a seguir. Iniciante: Aumenta o CD de suas magias divinas de encantamento em +1. Veterano: Como acima, e você ganha resistência a magia +2. Mestre: Como acima, mas muda o bônus na CD de suas magias de encantamento em +2.
Habilidades

Adicione Insanidade da Tormenta 1d6 (Von CD 22 evita).

Troque Raio Iridescente por Raio Aberrante.

Raio Aberrante (Padrão). O pil’lydak dispara um raio de uma cor que não deveria existir em criatura em alcance médio a sua escolha. Cada criatura sofre 2d6+8 pontos de dano de psíquico (Von CD 22 reduz à metade).

Adicione Sonhos de Aberração.

Sonhos de Aberração. Criaturas que ficarem inconscientes em alcance médio de pil’lydak tem pesadelos com a Tormenta. A cada turno que estão inconscientes, perdem 1d4 PM.

“Não Temas!”… Mas dessa vez pode.

Protetor da Tormenta

Versão corrompida do Protetor (Deuses de Arton, pág. 276).

Mude as seguintes estatísticas, todas as demais seguem iguais:

  • Aumenta o ND para 9.
  • Tipo: Espírito (lefeu) Grande Solo.
  • Iniciativa +13, Percepção +14, visão no escuro.
  • Defesa 35, Fort +19, Ref +13, Von +15, redução de dano 15, resistência a magia +6.
  • Demais perícias aumentam em +1.
  • Pontos de Vida 360.
  • Ataque: Duas garras +27 (2d6+20, 19, mais 2d6+10 trevas).
Habilidades

Adicione Insanidade da Tormenta 2d6 (Von CD 28 evita).

Altere Rasante para Dilacerar.

Dilacerar. Quando uma criatura é atingida pelos dois ataques de garra do Protetor da Tormenta, ele sofre mais 2d6 pontos de dano de trevas.

Altere Voo em Formação para Não Temas.

Não Temas. Criaturas que falharem no teste contra Insanidade da Tormenta de qualquer criatura nessa cena tem penalidade em testes de perícia e na Defesa igual ao número de PM que perderam.

Os demônios da Tormenta transformam os sádicos em mais sádicos.

Rhay’Rivek

Versão corrompida do Rhayrivel (Deuses de Arton, pág. 258).

Mude as seguintes estatísticas, todas as demais seguem iguais:

  • Aumenta o ND para 9.
  • Tipo: Espírito (lefeu) Médio Solo.
  • Percepção +10, Iniciativa +9, visão no escuro.
  • Defesa 34, Fort +20, Ref +17, Von +9, redução de dano 5.
  • Demais perícias aumentam em +1.
  • Aumenta a CD das habilidade para 28.
  • Pontos de Vida 360.
  • Ataque: Duas cimitarras +27 (2d10+20, 18).
Habilidades

Adicione Insanidade da Tormenta 2d6 (Von CD 28 evita).

Troque Correntes Farpadas por Volte Aqui!

Volte Aqui! (Padrão). O rhay’rivek dispara uma de suas correntes contra um alvo em alcance curto. A vítima sofre 3d6+26 pontos de dano de corte e é arrastada até um quadrado desocupado adjacente ao rhay’rivek e fica caída (Ref. CD 28 reduz à metade e evita o puxão e a condição).

Troque Sadismo por Apetite por Destruição.

Apetite por Destruição (Completa). O rhay’rivek suga a energia vital de todos os seres em uma esfera de 6m ao seu redor. Criaturas vivas na área sofrem 6d10 pontos de dano de trevas e o rhay’rivek recebe PV temporários igual ao dano total causado. Acólitos e sacerdotes da agonia que forem afetados sofrem o dobro de dano e explodem, causando 4d8 pontos de dano de trevas em criaturas adjacentes a eles. Recarga (Perder todos os PV temporários recebidos com essa habilidade).

Troque Talho Atroz por Júbilo na Dor.

Júbilo na Dor. Quando causa ou sofre dano, o rhay’rivek recebe redução de dano 2. A redução é cumulativa com o valor que o rhay’rivek já tem, até um máximo de 25, mas volta a 5 se o rhay’rivek passar 1 rodada sem causar ou sofrer dano. Uma vez por rodada, se estiver adjacente a um acólito ou sacerdote da agonia, pode sacrificá-lo para receber o bônus máximo de redução automaticamente.


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Se liga na Área de Tormenta, o espaço especial dedicado apenas à Tormenta20 e o que remete a ele! E acompanhe também as outras sessões, por favor!


Texto:  Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.
Arte de Capa: Notnalaw

Deuses se Aposentando – Gênese Zero #72

Depois de refletirmos, em O Preço da Imortalidade, sobre as consequências de uma vida sem fim e como a ausência da morte transforma sociedades inteiras, vale a pena inverter a perspectiva. Em vez de perguntar o que acontece quando os mortais deixam de morrer, podemos perguntar: o que acontece quando os deuses deixam de cumprir seu papel? Afinal, durante séculos, muitas civilizações dependeram de divindades para explicar a chuva, o nascer do sol, a fertilidade da terra e até a existência da magia. Entretanto, até mesmo seres divinos podem se cansar.

Imagine um mundo onde os deuses não morrem nem são derrotados. Eles simplesmente… se aposentam. Alguns abandonam seus templos por decepção com seus seguidores. Outros concluem que sua missão terminou. Há ainda aqueles que decidem explorar o universo, viver entre mortais ou simplesmente descansar após milênios de responsabilidade.

Assim, a pergunta deixa de ser “os deuses existem?” e passa a ser “quem mantém o mundo funcionando quando eles vão embora?”. Essa simples mudança cria oportunidades extraordinárias para o worldbuilding, pois afeta praticamente todos os aspectos da civilização.

1. A Fé Sobrevive Sem os Deuses?

Antes de tudo, a ausência dos deuses não significa necessariamente o fim da religião.

Muitos fiéis continuam acreditando que suas divindades apenas entraram em silêncio para testar a humanidade. Outros afirmam que elas retornarão quando o mundo provar seu valor. Enquanto isso, sacerdotes tentam preservar tradições, mesmo sem milagres evidentes.

Assim, a fé deixa de depender da presença divina e passa a depender da esperança.

2. Magia Sem Fonte Divina

Em muitos cenários, a magia depende diretamente das divindades.

Quando elas desaparecem, alguns feitiços deixam de funcionar, enquanto outros se tornam instáveis ou imprevisíveis. Além disso, magos passam a procurar novas fontes de energia, explorando forças naturais, planos esquecidos ou fenômenos ainda desconhecidos.

Consequentemente, antigas escolas de magia precisam reinventar seus próprios fundamentos.

3. Fenômenos Naturais Fora de Controle

E se um deus fosse responsável pelas marés? Ou pelas estações do ano?

Depois de sua aposentadoria, esses fenômenos começam a apresentar falhas. Invernos duram décadas, rios mudam de direção sem motivo e eclipses acontecem em intervalos aleatórios.

Dessa maneira, aquilo que antes parecia uma lei da natureza revela sua dependência da intervenção divina.

4. Igrejas em Crise

As instituições religiosas enfrentam um dos maiores desafios de sua história.

Alguns líderes admitem que perderam o contato com suas divindades. Outros escondem esse fato para evitar o colapso da fé. Há ainda aqueles que fabricam falsos milagres para manter a autoridade.

Assim, a maior disputa deixa de acontecer entre religiões rivais e passa a ocorrer dentro das próprias igrejas.

5. Novos Profetas Surgem

Sempre que um vazio aparece, alguém tenta preenchê-lo.

Visionários, filósofos e aventureiros afirmam ter encontrado os antigos deuses ou recebido novas revelações. Alguns realmente acreditam em suas experiências. Outros aproveitam a crise para conquistar seguidores.

Portanto, o desaparecimento das divindades inaugura uma nova era de interpretações e disputas espirituais.

6. Mortais Assumem Antigos Deveres

Sem deuses para cuidar do mundo, alguém precisa assumir certas responsabilidades.

Imagine uma ordem de magos encarregada de manter o ciclo das chuvas ou uma comunidade de druidas que trabalha para restaurar o equilíbrio das estações.

Além disso, esses grupos passam a ocupar um espaço antes reservado às divindades, adquirindo enorme influência política e social.

7. Deuses Vivendo Como Pessoas Comuns

Nem toda divindade abandona completamente o mundo.

Algumas escolhem viver anonimamente entre os mortais. Um antigo deus da colheita pode administrar uma pequena fazenda. Uma deusa dos ventos talvez trabalhe como navegadora. Enquanto isso, poucos percebem quem realmente são essas figuras discretas.

Assim, a aposentadoria divina cria personagens fascinantes para qualquer campanha.

8. Conflitos Entre Deuses Aposentados e Ativos

Nem todas as divindades tomam a mesma decisão.

Algumas continuam cumprindo seus deveres, enquanto outras criticam aqueles que abandonaram suas funções. Como resultado, antigos aliados entram em conflito sobre o futuro do mundo.

Consequentemente, disputas divinas deixam de envolver apenas poder e passam a discutir responsabilidade.

9. A Sociedade Aprende a Caminhar Sozinha

Depois de séculos dependendo dos deuses, os mortais começam a resolver seus próprios problemas.

Eles desenvolvem tecnologias, sistemas políticos e formas de conhecimento que independem da intervenção divina. Embora esse processo seja lento e difícil, ele fortalece a autonomia das civilizações.

Dessa forma, a ausência dos deuses também representa uma oportunidade de amadurecimento coletivo.

10. Quando os Deuses Querem Voltar

Por fim, imagine que, após milhares de anos, algumas divindades decidam retornar.

No entanto, o mundo mudou. Novas religiões surgiram, antigas tradições desapareceram e os mortais aprenderam a viver sem ajuda sobrenatural.

Nesse cenário, a pergunta deixa de ser se os deuses ainda possuem poder. A verdadeira questão passa a ser se alguém ainda deseja sua presença.

Conclusão

A aposentadoria dos deuses representa muito mais do que um evento fantástico. Ela obriga civilizações inteiras a enfrentar uma pergunta profundamente humana: o que fazemos quando aqueles em quem sempre confiamos deixam de nos guiar?

Para o worldbuilder, esse conceito abre inúmeras possibilidades narrativas. Ele permite explorar crises de fé, transformações políticas, revoluções mágicas e mudanças culturais sem recorrer a uma guerra entre deuses. Em vez disso, o foco recai sobre as escolhas dos mortais diante de um universo que já não oferece respostas prontas.

No fim, talvez o verdadeiro teste de uma civilização não aconteça quando os deuses estão presentes, mas justamente quando eles se afastam. Afinal, um mundo pode sobreviver sem milagres, desde que seus habitantes encontrem coragem para assumir a responsabilidade pelo próprio destino.

PARA MAIS CONTEUDO DO MESTRE BROTHER BLUE


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Prêmios Goblin de Ouro e Ludopedia – DOFF 2026

Nesse mês, nos dias 11 e 12 de julho, tivemos o Diversão Offline 2026 (DOFF 2026), e nesse evento tivemos duas importantes premiações: Goblin de Ouro e Ludopedia. E claro, o Movimento RPG acompanhou de perto, postando ao vivo pelo Instagram o Goblin de Ouro (@movimentorpg) – antes mesmo do evento -, e mostrou os vencedores desse ano. Aqui, colocamos em texto como foram as premiações. 

Goblin de Ouro

O Goblin de Ouro é uma das mais importantes premiações do RPG nacional. Estando desde 2018 no DOFF, ele conta com a participação de um júri experiente capaz de analisar e selecionar a melhor obra na categoria indicada. 

Este ano, os especialistas jurados foram: Amedyr (@amedyr_art), Bel Domingues (@isabeladomingues), Marco Antônio “Boi” (@dungeongeek1) e Ricardo Mallen (@d30rpg). 

A seguir, iremos informar os indicados em cada categoria e o quem foi o ganhador! E, caso prefira, acesse nosso Instagram e clique no Destaque: Goblin de Ouro. 

Melhor Arte

Indicados:

Vencedor:

BREU RPG – Luz Negra Editora (@luznegraeditora).

Melhor Aventura

Indicados:

Vencedor:

Fábula Última: Herdeiros da Supernova – Jambô Editora (@jamboeditora).

Melhor Cenário

Indicados:

Vencedor:

Fábula Última: Herdeiros da Supernova – Jambô Editora (@jamboeditora).

Melhor Coesão de Regras

Indicados:

Vencedor:

Etmos RPG – Editora Balde Galáctico (@baldegalactico).

Melhor Acessório

Indicados:

Vencedor:

O Grande Sertão: Joazeiro – New Order Editora (@editoraneworder).

Melhor Livro Básico

Indicados:

Vencedor:

Assimilação RPG – New Order Editora (@assimilacaorpg).

Melhor Localização

Indicados:

Vencedor:

Daggerheart – Jambô Editora (@jamboeditora).

Melhor Mídia Escrita

Indicados:

Vencedor:

Revista Dragão Brasil – Jambô Editora (@jamboeditora).

Melhor Podcast

Indicados:

Vencedor:

Aventurando – Perdidos No Play (@perdidosnoplay).

Melhor Canal

Indicados:

Vencedor:

Pausa para um Café (@pausaparaumcafe).

Melhor Produtor de Conteúdo

Indicados:

Vencedor:

Anna Schermak – Pausa para um Café (@pausaparaumcafe).

Ludopedia

A Ludopedia é um site dedicado exclusivamente a jogos de tabuleiro e RPG. E o prêmio, que carrega o mesmo nome, foi criado em 2015 e foi inserido no evento do DOFF desde então. 

Diferente do Goblin de Ouro, o prêmio Ludopedia, além dos especialistas como jurados, conta com a participação do público, onde os cadastrados no site conseguem votar e ajudar a definir os ganhadores. 

A seguir, iremos informar os indicados e os finalistas em cada categoria e quem foi o ganhador!

Suplemento RPG Global

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

O Um Anel 2ª Edição: Moriá – Através das Portas de Durin – Devir (@devirbrasil).

Suplemento RPG Design Nacional

Indicados: 

Finalistas:

Vencedor:

Ordem Paranormal: Vendeta Oculta – Jambô Editora (@jamboeditora):
Elisa Guimarães, Everson “Akkiel” França, Kali de los Santos, Karen Soarele, Yasmin Furtado.

RPG Global

Indicados:

Finalistas:

Vencedor:

Fallout: The Post Nuclear Tabletop Role Playing Game – RetroPunk Publicações e Huginn e Munnin (@retropunkgd e @huginnemunnined).

RPG Design Nacional 

Indicados:

Finalistas:

Vencedor:

Aiyé: O Mundo dos Orixás – projeto independente:
José Everson.

Jogo Infantil Global

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Spotlight – Asmodee (@asmodee_br).

Jogo Infantil Designer Nacional

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Mistureba Mágica – Devir (@devirbrasil):
Thiago Queiroz (Paizinho Vírgula).

Mídia Escrita

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Covil dos Jogos.

Expansão Global

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Heat: Chuva Forte – Asmodee (@asmodee_br).

Expansão Designer Nacional

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

World Wonders: Wonders Pack – MeepleBR (@meeplebr):
Zé Mendes.

Melhor Arte

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Grasse 2ª Edição – Ludens Spirit (@ludensspirit):
Orly Wanders, William Magri.

Mídia Podcast

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Nordicast.

Mídia Revelação

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Amantes dos BoardGames.

Jogo Expert Global

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

SETI: Busca por Inteligência Extraterreste – Devir (@devirbrasil).

Jogo Expert Design Nacional

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Rewild: América do Sul – Grok Games (@grok.games):
Bruno Liguori Sia.

Mídia Audiovisual

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Covil dos Jogos.

Jogo Família Global

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Flip 7 – Grok Games (@grok.games).

Jogo Família Designer Nacional

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Balde de Caranguejo – Bucaneiros Jogos (@bucaneiros):
Joka Jr..

Designer Revelação

Esta é uma nova categoria na premiação, sendo idealizada por Fel Barros, que a sugeriu por cinco anos até que ela finalmente fizesse parte do evento.

Indicados:

Finalistas: 

Vencedor:

Daniel de Lucca – Marajoara.

Homenagem

Há alguns anos, o evento Ludopedia homenageia alguém dentro do ramo, como forma de agradecimento, mas também como incentivo para que mais pessoas sigam os passos dos homenageados.

Este ano, o homenageado foi Carlos Seabra. 

Carlos nasceu em Lisboa, mas viveu em São Paulo desde 1969. Desde 1978 ele já trabalhava com o hobby, sendo parte da equipe que publicava fascículos na coleção Todos os Jogos, da Editora Abril Cultural, que saía quinzenalmente em bancas de jornais. Dessa forma, ele participou de mais de 600 jogos de tabuleiros e cartas no período em que esteve lá. 

Início e Atualidade

Seu primeiro jogo foi War II, lançado pela Grow em 1981, que criou junto ao seu pai, Mário Seabra (primeiro designer de jogos no Brasil) e Fernando Moraes Fonseca Jr. (que viria a ser um colaborador em outros projetos também). 

Carlos já trabalhou em diversas obras, tais como Super Master, Desafino Vol. 1 e Vol. 2, Imagem & Ação, Master Imagem, Castelo do Terror, Gato e Rato, Ayrton Senna – The King of Monaco, Conhecendo o Mundo, e muitos outros! A lista é gigantesca!

Atualmente, ele segue trabalhando em projetos culturais e editoriais ligados a educação digital, inteligência artificial, cultura lúdica e produção de conteúdo, focado em livros infantojuvenis, mas sempre vendo o lúdico, já que essa parte nunca saiu dele.

Em seu discurso de agradecimento, Carlos dedicou o prêmio a seu pai, aquele que transformou o hobby em uma profissão (e levou adiante esse legado). Testando os jogos que ele fazia, foi onde começou a ter a mesma paixão que seu pai, e depois, passou a ajudar a criá-los.

Também mencionou que a criação de jogos de tabuleiro ou cartas são mais complexos em relação a criações digitais, já que precisam de regras bem feitas, sendo essa a parte essencial para sua funcionalidade, e não há possibilidade de apenas aplicar um programa para identificar problemas. É necessário testar manualmente e com calma para achar possíveis soluções.  

Parafraseando uma das frases mais famosas que existem (“faça amor, não faça guerra”), ele deixou o palco:

“Jogue, não faça guerra.”

Considerações Finais

As duas premiações foram incríveis. 

Goblin de Ouro

No Goblin de Ouro, editoras como New Order Editora, Jambô Editora, Editora Balde Galáctico e Editora Luz Negra receberam inúmeras indicações.

A Jambô levou para casa quatro prêmios (Melhor Aventura, Melhor Cenário, Melhor Localização e Melhor Mídia Escrita). Já a New Order recebeu dois prêmios (Melhor Acessório e Melhor Livro Básico). Enquanto as editoras Luz Negra e Balde Galáctico ganharam um prêmio cada, respectivamente nas categorias de Melhor Arte e Melhor Coesão de Regras.

Além de conquistar o prêmio na categoria Melhor Produtor de Conteúdo, Anna Schermek se destacou ganhando também na categoria de Melhor Canal. Por ser a única mulher solo a levar um prêmio nos dois eventos, eu digo que ela arrasou!

Ludopedia

No Ludopedia houve várias indicações e três finalistas por categoria, bastante gente nova também, o que mostrou a expansão que o evento está seguindo. Sendo mais focado em jogos de mesa, nomes como Grok, MeepleBR, Devir, Asmodee, Ludens Spirit e Bucaneiros foram muito citados, estando sempre entre os finalistas. 

Pensando nelas, a Devir recebeu três prêmios, nas categorias Suplemento RPG Global, Jogo Infantil (Designer Nacional) e Jogo Expert Global. Enquanto isso, a Asmodee ganhou nas categorias Jogo Infantil Global e Expansão Global.

A Grok levou para casa os prêmios nas categorias Jogo Expert Design Nacional e Jogo Família Global. A MeepleBR ganhou em Expansão (Designer Nacional), a Ludens Spirit em Melhor Arte e a Bucaneiros em Jogo Família (Designer Nacional).

Seguindo pela linha de novidades, mais um ano tivemos um jogo voltado à cultura africana ganhando indicações e prêmio, com Aiyé: O Mundo dos Orixás (projeto independente) na categoria RPG Design Nacional. 

Editoras como Jambô, RetroPunk e Huginn e Munnin também tiveram premiações, onde Jambô ganhou em Suplemento RPG Design Nacional, e a RetroPunk em parceria com a Huginn e Munnin ganharam em RPG Global. Mas percebemos que, enquanto a Jambô se destacou mais no Goblin de Ouro, aqui empresas de jogos de tabuleiro tiveram mais espaço para brilhar. 

Além disso, tivemos uma maior variedade de indicados, finalistas e vencedores este ano, mostrando que o mercado voltado a jogos de tabuleiro e RPG está ganhando mais espaço com o passar do tempo e recebendo os holofotes que merece.


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Coisas que Todo Jogador Faz (mas não assume) – Taverna do Anão Tagarela #213

Douglas Quadros, Gustavo Estrela, Cléber dos Santos e Raquel Naiane falam sobre Coisas que Todo Jogador Faz (mas não assume) nessa taverna. Venha saber mais sobre esse bate-papo! Entenda como funcionam as manias e os “erros clássicos” nas mesas e como você pode identificar essas situações, desde o famoso metagame até esquecer o que tem na própria ficha.

A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate.

Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.


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Coisas que Todo Jogador Faz (mas não assume)

‎Host: ‎‎‎Douglas Quadros.
‎Participantes:‎‎ ‎‎‎ Douglas Quadros | Gustavo Estrela | Cléber dos Santos | Raquel Naiane
‎Arte da Capa:‎‎ ‎‎Raul Galli.‎

Tormenta: Expedição Escarlate – Diversão Offline 2026

Bom dia, boa tarde e boa noite! O Diversão Offline 2026 que ocorreu nos dias 11 e 12 de julho, trouxe inúmeras novidades de diversas editoras. Entre elas, a Jambô Editora subiu ao palco representada por Fel Barros, Tato Iazul, Leonel Caldela e Karen Soarele para falar sobre o mais novo lançamento: Tormenta: Expedição Escarlate. E eu, Raquel Naiane, e o Nilo (tipo o Rio), trouxemos para vocês os principais pontos citados.

O que sabíamos sobre o Expedição Escarlate

Algumas informações que já tínhamos sobre o jogo estavam no Vídeo Oficial da Campanha no YouTube, e em outras divulgações.

Expedição Escarlate é o primeiro jogo de tabuleiro dentro do universo de Tormenta, sendo um Dungeon Crawler cooperativo. Ou seja, o objetivo é explorar um local fechado (e tentar sobreviver no processo), sozinho ou em até quatro pessoas.

O jogo conta com diversas cartas, e para a criação dos personagens, devemos escolher entre Raças e Classes, com um adicional da escolha da divindade. Essas escolhas possibilitam diversas combinações, então, um jogo acaba sendo diferente do outro, além de impactar diretamente a narrativa.

Vale ressaltar que o design das cartas permite que a união entre elas seja natural. Isso significa que a arte delas foi pensada para sempre encaixar com a ideia que você tiver!

É possível jogar as aventuras prontas que existem no livro, ou trilhar uma campanha longa e completa. Lembrando que cada passo dado e cada lugar explorado é uma decisão de peso para o personagem e seus aliados.

Ademais, a escolha da sua ficha permite que você jogue controlando recursos (como mana ou munição), além da sua vida.

A ideia central é que o grupo adentre uma ruína dominada pela Tormenta, mas sem morrer de imediato, conseguindo explorá-la. Porém, a Tormenta exige seu preço, e os heróis podem ser corrompidos no processo, recebendo bônus e habilidades exclusivas.

O que foi dito no DOFF

Em uma conversa entre nossos anfitriões, Fel, Tato, Leonel e Karen, eles falaram para nós sobre como foi a experiência de jogo, o que mais gostaram dos bastidores da criação de Expedição, e o que podem falar sobre essa novidade (e as próximas).

Fel Barros, Tato Iazul, Leonel Caldela e Karen Soarele falando sobre Expedição Escarlate

A primeira coisa é que, mesmo já não estando mais vigente o apoio no Catarse (que foi bem sucedido), durante o DOFF eles haviam feito uma espécie de “Late Pledge”, e ali no evento, ainda poderiam receber apoio! E mais: quem apoiasse na hora ainda receberia uma carta exclusiva DOFF para incluir no jogo. Infelizmente, quem perdeu, perdeu.

A criação de Expedição Escarlate

Durante a conversa eles explicaram como foi o processo de criação do jogo e toda parte criativa dele, como eles gostariam que fosse o jogo, e como eles poderiam trazer tudo ao público.

“A ideia não era ser um RPG de fato”, afirmou Soarele, “mas sim um jogo de tabuleiro mesmo”. Apesar de ser algo diferente, eles deixaram bem claro na conversa que é possível usar o jogo junto com o RPG de Tormenta, gerando ainda mais possibilidades de aventuras.

As duas coisas se completam, e o jogo é como se tivesse “alma de RPG, mas sendo um boardgame”. E eles garantiram que a ideia do jogo era ter regras que combinassem com o universo e não fugissem daquilo que os fãs já gostam.

Fel ainda completou: “É muito difícil pegar um RPG pronto e transformar em um jogo de tabuleiro, principalmente se é algo bem feito”.

Paciência é a chave

Esse projeto estava rodando há um tempo nos bastidores, mas todos sabiam que precisava ser algo diferente, rejogável e com qualidade. Não é só mais um RPG com cartas, foi um trabalho com ideias, idealizações, testes e tradução muito bem feitas e organizadas.

“Principalmente porque outros RPGs já haviam trazido boardgames, como D&D e Pathfinder. Mas a Jambô queria ser mais ousada, e em parceria com a Samba Estúdios, eles foram além” – explicou Fel. “O boardgame tem muita rejogabilidade, você pode criar a própria missão e mecânicas novas”. O foco era em não criar algo engessado e que as pessoas viessem a enjoar.

Além disso, Caldela e Soarele afirmaram que tiveram um trabalho incrível em conjunto com o game design, e que eles deveriam ser muito valorizados, pois, por vezes, eles chegavam com as ideias e só falavam “se virem”, e o grupo de game design conseguia colocar em prática.

A ideia, desde o começo, como informou Fel, era ter um “setup mais rápido, com menos tempo de preparação”. Por conta disso, “não tem muito improviso para o mestre”. Ele ainda explicou que quando surgiu a ideia de fazer um Dungeon Crawler, as diretrizes eram claras: “não existe Dungeon Crawler barato. Queria muito conteúdo na caixa. Muitas classes e raças, com alta rejogabilidade.”

Mecânicas de Expedição Escarlate

A Corrupção

Para começar, pela primeira vez é possível explorar a Tormenta sem que ela te domine. Isso faz com que seja uma espécie de “survival horror”, pois ainda existe o medo e a consciência de que, a qualquer momento, algo pode dar errado.

Nesse sentido, “o jogo trabalha ainda mais a questão do poder e da sedução da corrução de Tormenta”, esclarece Tato, “[Expedição Escarlate] foi inteiramente pensado para “e se a Tormenta quiser você? Talvez Arton não esteja te tratando bem…”, ou ainda “Se você quiser mais poder, ajudar seu colega, …, a Tormenta pode te ajudar”.”

Então, a corrupção não é algo obrigatório, mas enfrentando um perigo iminente, você não aceitaria ser corrompido (um pouquinho) para conseguir continuar vivo? “O horror”, em Expedição, “é visto como um convite amigável“, finaliza Tato.

“Exatamente por conta dessa mecânica de corrupção é que Expedição Escarlate não é um boardgame para qualquer sistema,” afirma Caldela, “mas é especificamente para Tormenta”. “Não se pode mandar os maiores heróis de Arton para as ruínas em que existe a Tormenta, pois eles podem ser corrompidos”. Então, quem podemos mandar? Os aventureiros mais corajosos que encontrarmos!

A Criação de Personagens

Ainda, na criação de personagens, eles pensaram muito mais na inclusão e diversidade. Caldela comentou que “Tormenta é um cenário inclusivo, que vai além da imaginação“. E isso foi trazido para o boardgame: “Tu consegue jogar como quiser em Expedição, fazendo a ficha com muitas opções.” Tato concordou: “[você] tem a liberdade de fazer como quiser (tal qual RPG), porém trazendo para o jogo de tabuleiro.”

Não só isso, a ficha do personagem é simplificada, e mesmo assim, aceita as complexidades que existem nos RPGs, permitindo a criação de personagens esquisitos.

E Caldela trouxe um exemplo disso, no qual jogou duas vezes com o Jovem Nerd e o Azaghal, e na primeira vez ele morreu de uma forma horrível, porém na segunda, eles conseguiram ir até o fim e derrotaram o chefão.

O melhor disso é que o Jovem Nerd jogou de Fada Bárbara, e sim, ele conseguiu montar essa ficha, criou a personagem que queria, e chegaram até o fim com ela. Caldela mencionou que foi muito divertido e diferente, e que é muito legal ver essa possibilidade dentro de um boardgame.

O que eu quero ser?

Nesse sentido, Tato afirmou, “primeiro você deve pensar: “o que eu quero ser?” e não “do que eu posso jogar?”, pois assim você imagina, e depois procura no boardgame as ferramentas para fazer acontecer. Dessa forma, ainda tem algumas restrições, mas é muito livre para escolher os recursos de como quer jogar.” 

A vontade vem antes da criação do personagem. Ou seja, os jogadores modulam e desenham, e Expedição permite que a criação seja realizada a partir dos elementos existentes. Você escolhe como joga.

Inclusive, Fel afirmou que a classe de inventor só está na caixa por culpa dele, já que ele ama jogar de goblin inventor, e não queria deixar de jogar com ela no Expedição.

Eliminando o Downtime

A Jambô queria eliminar o maior problema de jogos de tabuleiro atualmente: mexer no celular no turno do amigo. Esse tempo, conhecido como Downtime, pontuou Fel, “um dos grandes males do boardgame moderno”, permite que os outros jogadores fiquem dispersos enquanto não estão jogando, e a ideia deles era eliminar isso.

O jogo tem o fundamento de ser verdadeiramente cooperativo, “se seu amigo não ajudar, se não houver conversa, não tem como sobreviver”, explicou Fel. Dessa forma, eles criaram “inúmeras habilidades que você só pode usar no turno do outro, então ficar mexendo no celular não é uma opção”, complementou Soarele.

Expedição Escarlate inspira seus jogadores, e Tato explica que “a economia de ações é mais vantajosa fora de seu turno”, então por mais que você não faça tudo que queria no seu turno, “você se planeja para o todo, e precisa prestar atenção em tudo”.

Narrativa Emergente

Eles chamaram essa mecânica de Narrativa Emergente, pois, “ao invés de todo mundo fazer muitas coisas no próprio turno, todo mundo se ajusta para dar um pequeno passo e andar juntos no jogo“. Essa ideia também permite que os jogadores “conectem e criem novas habilidades”, deixando o jogo ainda mais diferente a cada jogatina, destacou Caldela.

Fel exclamou, “[essa mecânica] deixa o jogo elegante, resolvendo vários problemas de uma vez só: cooperatividade e dispersão”. Sobretudo porque “em Arton não existe o protagonista. Ninguém é incrível sozinho. O grupo é.“ completou Caldela, e ainda explicou que “cinematográfico” deixa de ser sinônimo de uma pessoa fazendo algo incrível (e passando para o próximo turno), para o grupo fazendo algo incrível junto.

Boardgame e RPG

Fel perguntou para Caldela e Soarele sobre as novidades da Jambô e como eles enxergam o RPG e o Boardgame. Ambos concordaram que eles sempre estiveram juntos, mesmo diferentes, mas como complementares, e Soarele explicou “a Jambô demorou, pois queria fazer algo bem feito e rejogável. E ela [Jambô] quer se relacionar cada vez mais com o público de boardgame. Esse é só o primeiro passo“.

Ela finalizou, comentando que o maior “objetivo é criar. Tirar as pessoas das telas. Todos querem deixar o celular de lado, mas é difícil. Então a ideia é dar mais um motivo para que isso aconteça, e manter as pessoas unidas. O jogo deve ser a justificativa para que grupos de amigos se encontrem e deixem as telas de lado.” 

“E a maior vantagem do boardgame”, segundo Caldela, “é não precisar de tanta preparação quanto o RPG. Você se junta e joga, pronto“, não precisa preparar história, fichas longas ou apresentar mecânicas difíceis.

Também, “o grupo se reúne para jogar, e isso incentiva relações que não dependem de aparatos tecnológicos. Aumenta as relações humanas“. Isso se deve principalmente ao fato de que um “grupo ter um objetivo em comum une as pessoas”, e querer se encontrar para jogar é um baita objetivo em comum.

Considerações Finais

A Jambô Editora veio com tudo em seu primeiro jogo de tabuleiro. Chegou preparada para causar uma ótima primeira impressão adentrando esse universo. O jogo parece ser dinâmico, rejogável e estratégico. Reunindo o melhor que já conhecemos no RPG: criação e liberdade.

Além disso, prioriza o cooperativo, mostrando que um boardgame não precisa ser “todos contra todos”, mas o grupo contra a Tormenta.

Elegante e envolvente, Expedição Escarlate é um jogo divertido e feito para deixarmos as telas de lado e focarmos no que realmente admiramos: tempo de qualidade com quem gostamos.


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Hábitos de Imersão – Aprendiz de Mestre

Depois de refletirmos sobre Namorados Jogando, ficou evidente que uma mesa de RPG vai muito além das fichas, dos dados e das regras. Afinal, a experiência é construída pelas pessoas que compartilham a história, pelas relações que surgem durante a campanha e pelos momentos que permanecem vivos na memória muito tempo depois da última sessão. Entretanto, existe outro elemento capaz de fortalecer esses laços de maneira quase imperceptível: os pequenos rituais criados pelo próprio grupo.

À primeira vista, um hábito repetido pode parecer apenas um detalhe. Contudo, quando ele passa a fazer parte da identidade da campanha, transforma-se em um poderoso instrumento de imersão. Uma frase repetida antes da sessão, uma música que sempre toca nos momentos decisivos ou até um gesto simbólico realizado pelos jogadores pode despertar emoções instantaneamente. Assim, esses costumes deixam de ser simples repetições e passam a representar a própria alma da mesa.

Portanto, criar hábitos de imersão significa construir lembranças afetivas que acompanham os jogadores durante toda a campanha e continuam presentes mesmo depois que a aventura termina.

Toda campanha memorável possui algo que a diferencia das demais. Em alguns casos, esse diferencial aparece na história. Em outros, surge através dos personagens. No entanto, muitas vezes, aquilo que realmente permanece na memória são pequenos costumes compartilhados pelo grupo.

Esses hábitos funcionam como uma linguagem própria da mesa. Com o tempo, uma frase desperta risadas antes mesmo de ser concluída. Uma determinada música já anuncia que algo importante está prestes a acontecer. Um simples objeto colocado sobre a mesa muda completamente o clima da sessão. Embora pareçam pequenos detalhes, esses elementos fortalecem o sentimento de pertencimento e tornam cada encontro único.

Criar esses rituais não exige grandes investimentos nem planejamento complexo. Pelo contrário, basta observar aquilo que naturalmente aproxima o grupo e transformar esses momentos em tradições da campanha.

Comece cada sessão da mesma maneira

Iniciar todas as sessões seguindo um pequeno ritual cria uma sensação imediata de continuidade. Antes mesmo de os dados começarem a rolar, o grupo já entra no clima da aventura. Alguns mestres gostam de repetir uma frase marcante, enquanto outros preferem fazer um breve resumo dos acontecimentos anteriores sempre com o mesmo estilo de narração.

Por exemplo, imagine que toda sessão comece com a pergunta: “Onde nossos heróis deixaram suas pegadas da última vez?”. Aos poucos, essa frase deixa de ser apenas uma introdução e passa a representar oficialmente o início da aventura.

Escolha uma música que represente a campanha

A música possui enorme capacidade de despertar lembranças. Sempre que uma melodia específica acompanha momentos importantes, ela acaba se tornando parte da identidade da campanha.

Imagine que uma composição instrumental sempre toque durante o encerramento das sessões. Depois de alguns meses, bastam os primeiros acordes para que todos sintam novamente a emoção das aventuras anteriores. Dessa maneira, a trilha sonora deixa de servir apenas como fundo musical e passa a contar parte da história.

Crie frases que pertencem apenas ao grupo

Toda mesa desenvolve expressões próprias ao longo do tempo. Em vez de deixar essas frases desaparecerem, transforme-as em tradição.

Talvez um personagem sempre diga “O destino favorece quem ousa” antes de abrir uma porta desconhecida. Ou talvez o mestre finalize grandes revelações dizendo “Nem toda verdade deseja ser encontrada”. Com o passar das sessões, essas frases criam identidade e fortalecem a memória coletiva do grupo.

Use objetos simbólicos durante momentos importantes

Objetos físicos podem reforçar a imersão de maneira surpreendente. Um dado especial utilizado apenas para decisões críticas, uma pequena ampulheta para marcar situações urgentes ou até uma vela acesa durante cenas de suspense ajudam a transformar acontecimentos comuns em experiências marcantes.

Além disso, quando o grupo associa esses objetos a determinados momentos, a expectativa surge naturalmente antes mesmo de qualquer descrição.

Valorize pequenas comemorações

Toda campanha possui conquistas importantes. Derrotar um grande vilão, concluir um arco narrativo ou alcançar um objetivo coletivo merece reconhecimento.

Em vez de apenas seguir para a próxima cena, reserve alguns minutos para celebrar essas vitórias. Um brinde, uma salva de palmas ou até uma fotografia da mesa ajudam a registrar o momento e reforçam o sentimento de realização compartilhada.

Transforme erros divertidos em tradição

Nem todo ritual nasce de um planejamento cuidadoso. Muitas vezes, os momentos mais lembrados surgem de erros inesperados.

Se um jogador pronunciou o nome de um reino completamente errado e isso provocou uma sequência de piadas durante várias sessões, talvez esse erro possa se transformar em uma tradição do grupo. Dessa forma, pequenas histórias internas fortalecem o senso de pertencimento.

Crie um encerramento característico

Assim como o início merece identidade, o final da sessão também pode ganhar um ritual próprio. Alguns grupos encerram com uma pergunta sobre o momento favorito da noite. Outros compartilham expectativas para a próxima aventura.

Além de criar um fechamento emocional, esse costume ajuda cada jogador a deixar a sessão refletindo sobre a história que acabou de viver.

Incentive os jogadores a contribuir

Os melhores rituais raramente nascem apenas da iniciativa do mestre. Pelo contrário, quando todos participam da construção dessas tradições, a campanha ganha muito mais personalidade.

Talvez um jogador queira criar um diário coletivo. Outro pode sugerir uma frase para celebrar sucessos críticos. Aos poucos, cada participante deixa sua marca na identidade da mesa.

Preserve as lembranças da campanha

Guardar mapas rabiscados, cartas escritas pelos personagens, fotografias da mesa ou até anotações antigas ajuda a construir uma verdadeira memória da campanha.

Além disso, revisitar esse material meses depois desperta emoções que dificilmente voltariam apenas pela lembrança. Cada objeto preservado passa a representar uma parte da jornada compartilhada.

Permita que os rituais evoluam naturalmente

Nem todo costume precisa permanecer igual para sempre. Alguns desaparecem, enquanto outros surgem espontaneamente conforme a campanha evolui.

O importante é permitir que essas mudanças aconteçam de maneira orgânica. Afinal, a identidade da mesa também cresce junto com os jogadores, refletindo novas experiências e novas histórias.

Conclusão

Os grandes momentos de uma campanha costumam receber toda a atenção. No entanto, são os pequenos hábitos que transformam uma sequência de sessões em uma experiência verdadeiramente inesquecível. Uma frase repetida, uma música marcante, um gesto simbólico ou uma simples tradição compartilhada criam vínculos emocionais que permanecem vivos muito depois do encerramento da aventura.

Além disso, esses rituais fortalecem a identidade da mesa, aproximam os jogadores e fazem com que cada encontro tenha personalidade própria. Consequentemente, a campanha deixa de ser apenas uma história contada em grupo e passa a representar um conjunto de lembranças construídas coletivamente.

No fim das contas, personagens podem mudar, sistemas podem ser substituídos e campanhas chegam ao fim. Entretanto, os hábitos criados ao redor da mesa continuam acompanhando os jogadores por muitos anos. E talvez esse seja o maior sinal de que uma campanha realmente conseguiu deixar sua marca.

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