Segurança e RPG – Aprendiz de Mestre

O RPG, ou role playing game é, como o próprio nome diz, um jogo de interpretação de papéis. As jogadoras interpretam personagens em uma história colaborativa, criando narrativas com base em regras e um cenário previamente definido. Seja pela mestra ou por terceiros, usando a imaginação, dados, mapas, livros, entre outros recursos.

RPG e seus papéis

Em um jogo de RPG existem muitas pessoas envolvidas. Primeiro temos a mestra, aquela que cria a história e ajuda a guiar as personagens pela aventura, nem sempre pelo caminho certo, é claro. 

Depois temos as jogadoras, ou como muitos chamam: as estrelas do jogo. São elas que dão vida aos personagens e fazem toda a história acontecer a partir das suas ações e decisões tomadas.

Os personagens criados pelas jogadoras costumam ter um background, ou seja, uma história de fundo, que conta sobre o seu passado, suas aventuras, sonhos, medos, desejos… Exatamente como jogadoras e mestra! 

Sim, cada pessoa da mesa tem uma história própria, com uma bagagem de experiências, conhecimentos, histórias vividas, medos e até alguns traumas. 

E cada um de nós é diferente do outro e uma experiência que para alguns é incrível, para outros pode ser um grande tormento! E é por isso que falar sobre Segurança no RPG é tão importante.

Segurança no RPG

Imagine que você está em uma mesa de RPG jogando seu sistema favorito, para fins de exemplo vamos usar Old Dragon! Você e seu grupo estão explorando uma mega dungeon, cheia de tesouros, monstros e segredos. 

A mestra então começa a narrar um encontro, vocês se preparam para uma possível batalha com um ciclope ou um ogro e de repente… a mestra coloca na mesa o animal que você mais teme. Pode ser qualquer um, uma cobra, uma aranha, até um pássaro. 

Você estava concentrada e agora está encarando na mesa uma miniatura do seu medo e por menor que seja aquela miniatura parece viva e parece olhar para você.


Para algumas pessoas a cena descrita acima é um verdadeiro filme de terror e não acontece apenas com fobias, mas também com traumas e situações preconceituosas, gerando um gatilho emocional. Mas espera, o que é um gatilho?

Gatilho

Um gatilho é um estímulo externo ou interno — como um cheiro, som, palavra, lugar ou pensamento — que desperta uma reação emocional ou comportamental intensa e automática em uma pessoa. Frequentemente associada a traumas, memórias passadas ou hábitos. Eles agem como “botões” que disparam sentimentos como raiva, medo, ansiedade ou alegria.

Tais gatilhos podem acontecer com qualquer pessoa, inclusive com a mestra, já que o gatilho em questão pode ser disparado por um jogador, ao inserir uma criatura ou situação desagradável. Tenho quase certeza que nenhum de nós quer passar por uma situação assim quando se dispõe a jogar um jogo, afinal o intuito é se divertir!

Então, para evitar que alguém acabe saindo da mesa por não se sentir bem nela, vamos falar sobre algumas ferramentas simples e que podem tornar a sua mesa muito mais saudável para todos os públicos.

A Sessão Zero

Antes de começar a história e dar vida aos personagens é importante realizar uma sessão zero, um momento de bate papo e troca de experiências e impressões entre mestra e jogadoras para falar sobre regras, ideias e principalmente limites. Essa conversa deve ser sem personagens, sem jogo rolando, apenas pessoas reais! 

A sessão zero é importante pois a base para as ferramentas de segurança é comunicação e confiança. É necessário um diálogo franco e respeitoso junto a uma cultura de confiança para elas funcionarem.

Como MJ, jogadora ou organizadora, você pode criar tal cultura ao deixar claro que cuidado e bem-estar de todos à mesa vêm antes do jogo ou da história. 

Isso pode ser feito ao ouvir efetivamente, oferecer acomodações e ferramentas de segurança, implementar ações quando necessário sem invadir (ninguém deve expor seus traumas como explicação), e checar ativamente se todos estão bem antes, durante e após um jogo.

Linhas e Véus

Vamos começar pela ferramenta mais fácil de ser implementada. Pegue papel e caneta (ou o celular, se estiver jogando online). Escreva “linha” de um lado e “véu” de outro. 

Linhas são limites sólidos, coisas que nem a mestra e nem as jogadoras querem encarar. Definir uma linha significa que aquele assunto não irá aparecer de forma alguma na mesa, são “limites intransponíveis” e ninguém pode cruzar essa linha.

  • Exemplos: Aranhas, Cobras, Abuso sexual…

Já o Véu significa algo que pode ser abordado na mesa, desde que seja “por baixo dos panos” ou em uma cena que escurece sem mostrar os detalhes do que acontece.

  • Exemplos: LGBTfobia, Ferir Animais, Sangue…

Tanto as linhas quanto os véus podem ser ajustados no decorrer do jogo.

Formulário de Consentimento

O formulário de consentimento pode ser criado pela mestra ou pode ser usado um modelo pronto da internet. Ele consiste em listar os diversos assuntos que podem surgir no RPG e que possam gerar algum gatilho. Classificando esses assuntos em 3 cores: vermelho, amarelo e verde, como um semáforo.

Todo assunto que for marcado como vermelho não deve ser abordado na mesa, assim como a linha. Já os marcados em amarelo, podem ser abordados, mas com atenção e cuidado, como o véu. Por fim, os assuntos marcados em verde são aqueles que a mesa concorda em abordar o assunto nas sessões.

Uma nota importante é que marcar o verde não significa defender o tema, e sim abordá-lo na mesa com o intuito de problematizá-lo.

Veja o exemplo abaixo:

PERGUNTA AMARELO VERMELHO VERDE
Aranhas
Demônios
Ferir Animais
Globos Oculares
Insetos
Nojeira
Ratos
Sangue

Além dessas duas existem várias outras ferramentas, cada uma com suas particularidades, as quais se adaptam a diferentes mesas e estilos de jogadoras e mestras. Independente da ferramenta escolhida, o importante é o cuidado com que determinados assuntos serão tratados e a preocupação das mestras e jogadoras para que todos possam se divertir.

É importante ressaltar que toda experiência pessoal deve ser tratada com seriedade, um medo ou um trauma não é brincadeira e nenhum dos assuntos deve ser abordado com zombaria. 

Lembre-se também que a ferramenta é como um contrato assinado entre todos na mesa e não pode ser desconsiderada. Quando alguém listar uma linha, véu ou marcar um assunto como vermelho ou amarelo, a pessoa não deve ser questionada e nem coagida a mudar sua lista. Todos os integrantes devem se sentir à vontade para estabelecer seus limites, isso sim é ter uma mesa segura e acolhedora.


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Autor: Jessy.
Revisão: Raquel Naiane.

RPGCON 2020 – Convenção on-line de RPG tirando acerto crítico na quarentena

Heróis, o ano é 2020 e nós todos temos a missão de ficar em casa, com algumas ressalvas por necessidades individuais ou serviços essenciais. Estamos fazendo muitos testes de sabedoria, aprimorando perícias e aptidões, alguns de nós se adaptaram a jogar via internet e alguns não seja qual for o motivo. Mas é fato que todos nós sentimos falta de nos reunir com nossos amigos, para jogar RPG pessoalmente, conversar sobre temas relacionados, sobre a experiência de interpretar aquele personagem que você montou que sai da sua zona de conforto, ou então sobre uma aventura que você está planejando, dúvidas sobre regras e sistemas mais adequados para você. Essa conversa não pode ocorrer pessoalmente, e foi pensando nisso que o pessoal do RRGCON – Convenção online de RPG organizou um super evento totalmente on-line com muitas palestras de assuntos variados com muita gente bacana entendendo do assunto, e também com mesas de jogos para quem quisesse, além de gincanas durante o evento, sorteios de prêmios e era possível receber descontos em muitos produtos com cupons do evento. Nós acompanhamos algumas palestras do evento, digo algumas por terem muitas mesmo, o site do evento está no ar e você pode ver na íntegra as palestras e ficar por dentro dos assuntos tratados. Vamos saber dos temas de algumas palestras:

 

RPGCON 2020 – Tormenta20: a nova edição do maior RPG brasileiro

Apesar de JM Trevisan ser originalmente divulgado como palestrante, ele foi substituído pelo também autor de Tormenta Guilherme Dei Svaldi. Dei Svaldi e Rogerio Saladino comentarem o lançamento digital do aguardado Tormenta20, novo módulo básico do jogo que bateu o recorde nacional de financiamentos coletivos. Depois disso, os dois autores responderam perguntas do público que acompanhava a live com o bom-humor de quem sabe que terminou uma etapa difícil de uma missão longa.

 

RPGCON 2020 – White Wolf e a comunidades latinas

Alessa Malkavian, a Community Ambassor da White Wolf na América Latina, conta um pouco sobre a história dela de fã a colaboradora da White Wolf. Já sobre o papel de Community Ambassor, ou Embaixadora da Comunidade, ela comenta sobre como a  empresa enxerga os jogadores brasileiros, de outros países na América Latina e como a empresa faz para que todos se sintam mais próximos do universo da White Wolf.

Assista a palestra completa clicando aqui.

 

RPGCON 2020 – Como NÂO apresentar o RPG para iniciantes

Nessa palestra rápida, o game designer José Noce vai direto ao ponto e explica quais são os maiores problemas na forma como geralmente a comunidade tenta apresentar o RPG para quem nunca jogou antes. Seja na hora de explicar como o jogo funciona, na falta de paciência com a inexperiência dos novatos ou escolhendo um sistema complicado ou caro demais como porta de entrada.

Assista a palestra completa clicando aqui.

 

RPGCON 2020 – História do RPG no Brasil

Pedro Borges faz um resumo da história do RPG no Brasil, começando dos jogadores com folhas fotocopiadas nos anos 80, passando pelas revistas especializadas, publicações traduzidas e jogos nacionais nos anos 90, até chegar nas mesas de RPG virtuais por sistemas como o Roll20. Uma palestra bastante instrutiva feita por alguém que está no hobby desde que começou no Brasil.

Assista a palestra completa clicando aqui.

 

RPGCON 2020 – Mesas seguras e diversão com inclusão

Nessa palestra a favor de manter o RPG como um hobby divertido para todos, Paladino parte de uma premissa muito simples: Trate os jogadores como as pessoas que são. As dicas para tornar as mesas inclusivas para todos vão desde fazer contratos sobre o que cabe ou não no jogo de acordo com as sensibilidades de cada um, até coisas que deveriam ser levadas para todos os aspectos da vida, como aprender a ouvir e dar abertura para a comunicação.

Assista a palestra completa clicando aqui.

 

RPGCON 2020 – RPG solo: um mundo de possibilidades

Hernades Pereira apresenta a modalidade de jogo solo, não pense que se trata de você jogar a distância com terceiros, é sozinho mesmo. Você, seus dados, suas anotações e um sistema criado para gerar aleatoriamente respostas para suas perguntas. Ele indicou alguns sistemas que podem ser adaptados para se tornar solo, e também falou da importância da modalidade para pessoas dentro do Espectro Autista.

Assista a palestra completa clicando aqui.

 

RPGCON 2020 – RPG no desenvolvimento da criatividade, relações interpessoais e raciocínio lógico

Cintya Willemann nós dá dicas sobre como manter uma boa relação na mesa de jogo com seus companheiros, no on e no off, como interagir com seu personagem que pode ser contrário em tudo ao personagem de outro jogador e mesmo assim trabalharem juntos para manterem a aventura acontecendo com qualidade, dá dicas também sobre como tornar seu personagem mais interessante e orgânico na história, para que você de divirta mais.

Assista a palestra completa clicando aqui.

 

RPGCON 2020 – Psicologia, RPG e qualidade de vida

Eli Andreoli é psicólogo e trás para nós em uma palestra bem estruturada conceitos da área, apesar de ser técnico em muitos momentos, todos são capazes de compreender o que ele quer transmitir ao dizer que adultos precisam de momentos lúdicos, e exemplifica que o RPG contempla muitos dos aspectos necessários para se conectar com sua criança interior, e diz sobre a importância desse símbolo para nossa qualidade de vida.

Assista a palestra completa clicando aqui.

 

Lembrando que estamos passando apenas um resumo das palestras, o evento estava recheado de opções, trouxe muita informação agregadora e nos ajudou bastante a ter planos nessa quarentena. Podemos aproveitar esse momento para criar uma campanha, melhorar nossa interpretação, fazer o mapa de uma região, ou dependendo do seu esforço fazer uma maquete de um ambiente de jogo. Mantenham-se firmes, e vamos aproveitar eventos parecidos para manter nossa sanidade alta!

 

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