Os elementos apresentados aqui podem ser usados por mestres que queiram incorporá-los nas suas próprias campanhas ou apenas serem lidos como inspiração para suas próprias criações.
Penny, A Resiliente
Penny sempre se sentiu deslocada do mundo ao seu redor. Trabalhando em um emprego sem futuro em um drive-through, sua rotina era marcada por monotonia, frustração e sessões de terapia que a ajudavam a lidar com pensamentos intrusivos e difíceis de controlar.
Socialmente desconectada e emocionalmente instável, Penny nunca encontrou seu lugar. No entanto, quando o apocalipse começou e seu bairro mergulhou no caos, algo mudou. O que antes era visto como fraqueza passou a ser uma vantagem.
Seus instintos mais sombrios, antes reprimidos, emergiram com força. Penny se adaptou rapidamente à nova realidade, movendo-se com cautela, evitando chamar atenção e utilizando armas improvisadas com eficiência brutal. Sua capacidade de agir sem hesitação, somada à sua natureza silenciosa, faz dela uma sobrevivente perigosa, tanto para os mortos quanto para os vivos.
Ainda assim, o peso psicológico nunca desapareceu. Cada encontro com os mortos pode aprofundar suas cicatrizes mentais, tornando sua jornada não apenas uma luta pela sobrevivência física, mas também contra sua própria mente.
Como Interpretar
Penny é introspectiva, desconfiada e econômica nas palavras. Prefere observar antes de agir e evita interações desnecessárias. Não é uma líder, nem alguém que busca conexão, mas pode cooperar quando isso aumenta suas chances de sobrevivência.
Em combate, é direta e eficiente, especialmente com armas brancas. Evita confronto aberto sempre que possível, optando por furtividade e ataques rápidos.
Sua instabilidade emocional pode surgir em momentos de pressão, especialmente diante de situações que envolvam medo, violência extrema ou perda de controle.
Mote
Penny não busca redenção, nem um novo começo. O que a move é a necessidade constante de provar para si mesma que seus pensamentos não definem quem ela é. Existe uma inquietação dentro dela, uma sensação persistente de que há algo errado na forma como enxerga o mundo e as pessoas ao seu redor.
No meio do colapso, onde a violência se tornou regra e não exceção, Penny encontra um tipo distorcido de clareza. Ainda assim, isso não a conforta. Pelo contrário, a assusta. Cada decisão que toma, cada ação que executa com frieza, levanta a mesma dúvida: ela está sobrevivendo… ou apenas se tornando exatamente aquilo que sempre temeu?
Mais do que escapar dos mortos, Penny segue em frente tentando encontrar algum tipo de resposta. Ela precisa entender se ainda existe algo dentro dela que pode ser chamado de humano — ou se o mundo apenas revelou quem ela sempre foi.
Na série de posts NPCS, ou Não Precisa Criar Sempre, apresentamos personagens prontos para diferentes sistemas, pensados para facilitar a vida de jogadores e narradores. Eles podem ser utilizados como NPCs, personagens jogáveis ou até mesmo como base para a criação dos seus próprios personagens.
A ideia é acelerar sua mesa sem abrir mão de boas histórias e conceitos interessantes. Fique à vontade para adaptar, modificar e incorporar esses personagens nas suas campanhas.
E claro, compartilhe nos comentários como você utilizou, o que mudou e se esse tipo de conteúdo tem sido útil para você.
Esta é a ficha de Complexo de Detenção e Ressocialização ou CDR, criado por Naomi Maratea. A ficha de Complexo de Detenção e Ressocialização foi criada por Daniel Cápua. A versão editável foi desenvolvida por Diemis Kist a partir da ficha original do jogo disponibilizada pela editora para ser hospedada no Movimento RPG.
CDR é um jogo de RPG que, com influências como Racionais MC e Sabotage, busca provocar quem joga a pensar sobre questões humanitárias dentro do sistema penitenciário brasileiro.
Neste RPG, você vai viver o dia a dia de uma pessoa em detenção e logo vai perceber que a cadeia é uma verdadeira máquina de tortura.
Enfrentando gangues rivais, guardas corruptos e violentos, a falta de condições e de dignidade dentro desse lugar, você vai atravessar um inferno pior do que qualquer masmorra.
Esta é a ficha de Terra Devastada, RPG lançado pela Editora Retropunk. A ficha de Terra Devastada editável foi criada por Diemis Kist a partir da ficha original do jogo disponibilizada pela editora para ser hospedada no Movimento RPG.
Terra Devastada é um jogo narrativo sobre esperanças, traumas, perdas, riscos e consequências. Sobre sobreviver em um mundo arrasado por uma pandemia apocalíptica que transformou a humanidade em monstros débeis, tóxicos e carniceiros. Sobre o desespero dos incautos remanescentes da Terra, fragilizados, exauridos e beirando a insanidade. Sobre cruzar ermos contaminados, cidades devastadas, zonas insalubres, territórios desolados e trilhas nebulosas para além do que se pode imaginar. Terra Devastada é um RPG com uma mecânica intuitiva que preza pelo poder imaginativo e narrativo dos jogadores. O sistema segue um conceito flexível que permite a customização dos personagens pelos jogadores. Terra Devastada é um jogo de atos e consequências, de desespero e de desesperança, e de como passar dia após dia sem enlouquecer ou se devorado.
Os elementos apresentados aqui podem ser usados por mestres que queiram incorporá-los nas suas próprias campanhas ou apenas serem lidos como inspiração para suas próprias criações.
Britânne da Silva
Britânne sempre teve uma vida difícil, mas sua notável inteligência e habilidades atléticas a ajudaram a superar seus desafios. Infelizmente, cometeu um erro ao roubar um banco e foi condenada a passar anos na prisão de Raven Creek.
Enquanto estava na prisão, ela desenvolveu o hábito de fumar para se acalmar. Também aprimorou suas habilidades atléticas, tornando-se ainda mais furtiva e ágil. Ela não lia bem, mas sua inteligência era notável, e ela se destacava como uma líder nata entre os outros detentos.
Quando o apocalipse zumbi aconteceu em Raven Creek, Britânne ficou trancada em sua cela, onde conseguiu se proteger dos zumbis. Acabou ficando sozinha com Afonso, um guarda que também escolheu o Bloco D da prisão de Raven Creek como abrigo. Afonso entretanto não soltou Britânne, dizendo que uma hora ou outra a sociedade voltaria ao normal e ela deveria continuar pagando sua pena. Apesar da amizade que os dois acabaram criando, Britânne sabia que mais cedo ou mais tarde ela teria que mata-lo, pois a escassez de comida acabaria fazendo-o abandona-la. Após isso, enfiou uma escova de dentes no olho direito do guarda que se contorcia de dor.
E em uma tarde chuvosa, aconteceu… Apesar do sedentarismo forçado pelo confinamento a qual estava submetida, a força física da detenta era incomum, talvez fosse sua vontade de viver, ou por conseguir apenas fazer exercícios de força dentro da sela, ela agarrou, puxou e quebrou o braço de Afonso que apertava a mão da pessoa que iria abandonar e deixar para a morte certa. Com os olhos cheios de lágrimas, ela fugiu do complexo, deixando Afonso lá, agonizando.
Britâni, com sua astúcia e habilidades, conseguiu escapar da prisão, mas sabia que teria que lutar para sobreviver no mundo agora infestado de zumbis. Ela usou suas habilidades furtivas e atléticas para se mover rapidamente pelas ruas, evitando zumbis até que achou um complexo de apartamentos para aguardar o tempo passar e os mortos vivos migrarem.
Quando chegou a hora, decidiu voltar ao sul de Raven Creek, construir uma comunidade e recomeçar.
Como Interpretar
Uma mulher decidida, que não aceita ser passada para trás. Pode não ter grandes conhecimentos teóricos, mas a prática é com ela mesma. Gosta de ajudar as pessoas, mas se for necessário, não teme matar para proteger a sí mesma ou aqueles que dependem dela.
Mote
Britânne quer recomeçar, o jogo virou e agora os instintos de sobrevivência falam mais altos que a grana. Os mais fortes podem ajudar os mais fracos e é isso que ela quer fazer. Entretanto para isso, primeiro ela deve encontrar um lugar seguro e assegurar que não vai levar as pessoas a uma ruína.
Frase
“Você quer ajudar? Então ajude. Você não quer ajudar? Então vaza…”
Jairo da Silva é um personagem criado por Raul Galli para a campanha Última Chamada do Movimento RPG, o sistema utilizado foi Terra Devastada publicado pela Retropunk.
Os elementos apresentados aqui podem ser usados por mestres que queiram incorporá-los nas suas próprias campanhas ou apenas serem lidos como inspiração para suas próprias criações.
Jairo era um garoto criativo e esforçado, porém com sérias dificuldades financeiras durante a juventude. Isso o levou a encontrar várias soluções para consertar ou conseguir as coisas que queria, às vezes nem sempre muito ortodoxas.
Como Interpretar Jairo
Jairo é tímido, por vezes silencioso e distante, e sempre parece estar pensando em algo totalmente alheio ao presente. Ocasionalmente é importante compartilhar algum pensamento completamente inusitado que surgiu do nada. Por outro lado, informações “importantes” às vezes são esquecidas.
Mote
A gente vai levando. Tem várias coisas legais pra descobrir e aprender por aí ainda.
Frase
“Cara, olha só: se o nosso verdadeiro “eu” está no cérebro, então o nosso corpo é tipo um mecha de carne!”
Com quase 25 anos de carreira policial, dizem que o Paulo Cesar já deveria ter se aposentado.
Entrou no serviço público buscando estabilidade para os pais e para si, mas depois disso nunca mais conseguiu parar de trabalhar. Nem mesmo a morte do seu primeiro e único amor, Vera, por obra de um traficante buscando vingança fez o velho parar.
Paranaense erradicado na ilha de Florianópolis, sem família, abraça a causa animal e o serviço de forma tão esfomeada que não tem tempo para quase mais nada.
Os anos e os traumas fazem com que as vezes Paulo abrace demais a bebida como companheira, e nesses momentos de maior sinceridade ele diz que ainda não deixou a polícia porque ainda precisa “deixar um legado e trazer mais gente para a honestidade”.
Como interpretar Paulo Cesar
Acima de tudo, paternalismo e tenacidade, teimosia. Se aproxima de almas abandonadas e sofridas pra abafar a própria tristeza e solidão. Quando bebe, geralmente bebe escondido. Passa longas horas no trabalho. Orienta colegas mais novos.
Em geral desesperançoso com a vida mas tenta passar a imagem oposta. Por fim um anti-herói suburbano, acima do peso, em fim de carreira, buscando deixar algo de concreto, seja salvando animais, seja salvando pessoas.
Mote
Ora, se eu não fizer o que me cabe, quem vai?? O senso de dever move esse homem.
Quando a loucura e a paranoia modificam um homem, quem poderá devolver a ele a sanidade?
Um grupo de investigadores está às voltas com estranhos ataques nos subúrbios da cidade de Fortaleza, pessoas alegam que um homem vaga na noite caçando jovens para lhes arrancar partes do corpo.
Esse não é lenda. Ocorreu entre 1984 e 1987, no bairro José Walter, a história de Evandro Oliveira da Silva, 26, maníaco que aterrorizou a região pela prática de invadir casa para retalhar as nádegas de mulheres e até crianças.
O criminoso não roubava nem tentava matar a vítima. Em depoimento, negou interesse sexual – seu prazer era apenas talhar um corte profundo.
Durante os anos de atuação, dezenas foram atribuídos ao Corta-Bundas, mas o criminoso, que sempre reconheceu a culpa, assumiu apenas dez. Um dia foi reconhecido por uma vítima, que acionou a polícia. O homem foi preso em 1987 e morreu assassinado no antigo presídio Instituto Professor Olavo Oliveira.
Sistemas
A aventura não depende de nenhum sistema para funcionar, contudo, no encarte de oponente sugerimos três sistemas que achamos se encaixar bem com a história, que são: Terra Devastada, Pocket Horror e Sistema Nefastus.
Uma explosão em um prédio que se descobre ser uma instalação governamental secreta, um vírus é liberado acidentalmente, se espalha pelo ar e contamina a maior parte das pessoas.
As pontes são fechadas, impedindo que os cidadãos saiam da ilha e são orientadas a ficar em isolamento em suas casas até segunda ordem, algo está muito errado.
No quarto, os três ouvem um estouro de madeira se partindo com um forte impacto.
Com o susto, Lindemberg se agarra no braço do irmão mais velho.
– Caramba, caramba, que que tá acontecendo?!
Ana, tendo um surto de adrenalina sai correndo para fora do quarto, buscando a razão de todo o alvoroço, correndo com os punhos cerrados, achando estar pronta para o que estiver acontecendo.
Assustado, Lindemberg tem ainda mais convicção que Ana realmente é maluca. Enquanto isso, Anira procura algo que possa usar para se defender.
O cético e algo incompreensível
Ao arrombar a porta com um chute, Paulo nota que a pessoa que estava do outro lado da porta foi arremessada para dentro do quarto.
Ao ver a pessoa, ele nota que é uma mulher e ela está totalmente ensanguentada, sua camisola goteja sangue.
Vendo a pessoa no chão, Paulo abre toda a porta e questiona preocupado.
– Moça, o que que aconteceu? – Ao dar o primeiro passo para dentro do quarto, Paulo vê que o chão está encharcado de sangue.
Em auxílio, ele se abaixa e tenta sentir a pulsação da mulher, mas não há nenhuma para ser sentida, porém ela está se mexendo, tentando se levantar novamente e tentando agarrar a mão de Paulo.
Porém ao tentar se levantar, ela escorrega e somente consegue acertar um tapa no braço de Paulo, que se ergue, apreensivo, vendo a hostilidade da moça e, agora apontando sua arma para ela, se afasta até o corredor.
Nesse momento, Ana, que havia saído do quarto 414, vê Paulo recuando de dentro de um apartamento, apontando a arma para algo que está lá dentro. Ainda em seu ápice de adrenalina, Ana corre em direção a Paulo.
Quando os mortos não ficam mortos
Dentro do quarto Anira e Lindemberg estão amedrontados, sem saber o que fazer.
Lindemberg vai para trás do irmão, que se direciona para a porta e diz.
– Não vai não cara, não vai. Tranca essa porta!
– Fica aqui e fica quieto, eu vou ver o que tá acontecendo.
Nesse meio tempo, a mulher ensanguentada consegue se levantar e avança em direção a Paulo.
– Senhora, último aviso, deita no chão!
À esquerda, Paulo ouve passos correndo em sua direção, se aproximando rápido. Voltando ao foco na moça que sedentamente avança em sua direção, ele atira, abrindo um rombo no peito dela, onde fica o local do coração.
Com um tiro à queima roupa, a moça é projetada para trás, caindo novamente no chão banhado de sangue dentro do apartamento.
O tiro foi tão letal que quase todo o coração da moça foi arrancado de seu peito, o estilhaçando para trás.
Neste momento, Ana chega ao lado de Paulo César, que aponta a arma para ela, mas vendo de quem se tratava, volta sua atenção à moça que se encontra estática no chão.
– Moça! Chama a polícia agora, chama reforço! Diz que é o Paulo César!
Nesse momento, vendo com um resquício de visão periférica, Paulo nota que a moça que ele acertou fatalmente está se mexendo, tentando se levantar.
Pavor
No quarto, no momento que Anira decide olhar pela porta, ouve o estouro seco do revólver, Lindemberg entra em pânico, gritando pelo nome do seu irmão, pedindo auxílio e procurando outra forma de sair do quarto, cogitando até a hipótese de pular do quarto andar.
Vendo o pânico de seu irmão, Anira lhe dá um tapa no rosto, para que ele recobre a consciência.
– Calma! – Ela diz ao seu irmão.
– Mas foi um tiro irmão!
– Eu sei que foi um tiro! Calma!
Nesse momento, Anira sai do quarto para ver o que está acontecendo no corredor. Dentro do quarto, Lindemberg tenta se acalmar, sentindo o calor do seu rosto, produzido pelo tapa.
Acontecimentos extremos pedem medidas extremas
Ana ignora o que Paulo pede e procura um extintor de incêndio, algo que possa usar para acertar a pessoa que teima em se levantar.
Ela encontra um próximo ao elevador, e quando chega perto dele, nota que o piso dentro está cheio de sangue, algo muito macabro aconteceu ali.
Paulo decide entrar no quarto novamente. Atônito, sem entender mais nada, ele só encara a mulher no chão, com um rombo no peito, perto do ombro esquerdo, que ainda tenta se levantar a todo custo.
Olhando com mais atenção, Paulo nota que o ombro dela não está mais respondendo a vontade do corpo, trazendo muita dificuldade para que a moça tente se levantar.
Pela primeira vez Paulo nota que os olhos dela estão completamente brancos e a boca, tentando morder algo, que ela não encontra.
Ele apoia seu pé no ombro que não foi danificado, impedindo que ela se levante e questiona.
– Moça, que droga é essa que a senhora está usando?!
Nesse meio tempo Ana agarra o extintor e se dirige para dentro do quarto. Entrando no local, ela vê Paulo imobilizando a moça e grita.
– ATIRA NA CABEÇA!
Vendo a situação, Anira, que estava no corredor, entra novamente no quarto e tranca a porta.
– Berg, essas pessoas são loucas! Fica quieto aqui!
Revelações? Ou drogas?
A moça imobilizada no chão tenta inutilmente mexer o outro braço, como se não entendesse o que está acontecendo, tentando morder Paulo a todo o custo, em uma fome doentia e insaciável.
– Moça do cabelo estranho, você não me ouviu ainda?! – Paulo olha para Ana e tenta novamente fazer com que ela o escute. – Essa moça aqui, ela está drogada, então chama uma ambulância e a polícia, bota os outros dois no quarto e larga essa porra de extintor que não té pegando fogo em lugar nenhum! E como assim atira na cabeça?
– Ela é um zumbi!
Rindo da situação, Paulo não tem condições de acreditar na constatação de Ana, seu ceticismo não o permite.
Nessa discussão, vendo que nenhum de seus argumentos seriam levados a sério, Ana tenta colocar Paulo para o lado a fim de acertar a mulher, que já deveria estar morta, na cabeça com o extintor.
Paulo tenta a impedir, se colocando na frente dela, porém a situação não está fácil para ele e Ana lhe dá um encontrão com o extintor, que o desestabiliza, saindo da frente, porém libertando a moça que estava se debatendo no chão.
Se aproveitando dessa situação, ela agarra a perna de Paulo, tentando freneticamente mordê-lo, mas em um golpe de agilidade, ele consegue se desvencilhar, se jogando para trás e se aproveitando dessa oportunidade, atira na cabeça da moça que o atacou.
Com um tiro à queima roupa, o zunido ensurdecer em seus ouvidos causa dor, toda a massa craniana se espalha sobre suas roupas, mais em Paulo, que estava ainda mais próximo, suas roupas sempre bem cuidadas agora estão encharcadas de sangue e miolos.
Vendo a cena, Ana entra em colapso, por maior que tenha sido seu impulso em acertar o extintor na cabeça da mulher, ela não estava pronta para isso e a cena de tiro a leva diretamente para o dia em que seu namorado foi morto, em um tiroteio.
– Menina, não sei o que aconteceu, mas não tá certo. – Paulo tenta dar direcionamento a situação. – Chama o André, chama o Lindemberg e vamos sair daqui.
Sem escutar o que Paulo lhe diz, em choque, ela senta no chão, chorando e soluçando, sem conseguir ter qualquer reação.
A verdade também está lá fora…
No quarto, com o segundo tiro, Lindemberg apavorado só acha que alguém está invadindo e matando todo mundo.
Tentando conter o pânico do irmão, Anira lhe dá mais um tapa, tentando chamá-lo novamente para a realidade.
– Quem estava armado era o seu segurança, ele que deve ter dado os tiros.
– Ou atiraram nele, se deram dois tiros, um foi nele e o outro na Ana.
– Calma, ou ele deu dois tiros em alguma coisa. Calma, vai dar tudo certo.
– A gente precisa procurar algo pra se defender e se esconder, ao menos a gente vive um pouco mais.
Dizendo isso, Lindemberg sai em busca de algo que possa ser usado como arma e de alguma outra rota de fuga.
Quando ele esta na janela, nota que está chovendo e que há algo realmente estranho acontecendo na rua.
Várias pessoas correndo, gritando, fugindo, umas das outras. Algumas pessoas frenéticas correndo atrás de outras e quando elas as alcançam, se lançam sobre elas, poças de sangue se formam, parece que umas estão devorando as outras.
– André! André! André! Vem cá cara! É o apocalipse zumbi cara!
– Eita porra! – Desolado com aquela visão horrenda.
Tentando localizar uma forma de sair do local pela sacada, Lindemberg inclina a cabeça para olhar para baixo. Nesse exato momento, um corpo cai do andar de cima! Se caiu, se jogou ou foi jogado, não há como saber.
A verdade os alcançará
No corredor, vendo que Ana estava em choque, Paulo decide investigar um pouco mais o local onde se encontra o cadáver.
Ele fecha a porta do quarto e tenta não encostar em nada relacionado ao ocorrido e depois disso, se dirige ao frigobar para procurar algo para beber.
Entrando mais no quarto, Paulo nota que ao lado da cama há um pequeno cadáver, um bebe.
Essa criança está parcialmente devorada, tendo grandes semelhanças faciais com a moça que Paulo recém deu dois tiros, indicando um parentesco.
Há roupas de outras pessoas no quarto, mas não tem mais ninguém além do bebê, da mulher morta e de Paulo.
Num ato piedoso, Paulo cobre o corpo da criança com um lençol branco. E vai até o frigobar e pega duas bebidas, que virou direto na boca, em uma sede por sanidade que só poderia ser concedida por estas bebidas.
Neste momento, olhando mais uma vez para o cadáver da criança que ele acabou de cobrir com o pano, ela começa a se mexer. Sem ter mais condições de ver algo assim, Paulo sai do quarto e tranca a porta atrás de si.
Ao sair, ele encontra Ana ainda em choque, agachada contra a parede, chorando.
– Ahmm moça, eu entendo que a situação seja grave, mas a gente não pode ficar aqui parado, temos que ver como estão os dois ali no quarto e depois irmos para uma delegacia, um lugar seguro, porque parece que ninguém ouviu os tiros, ninguém veio ver o que aconteceu. É possível que esse hotel já esteja vazio.
Prestando um auxílio, Paulo tenta levantar Ana do chão e direcioná-la para o quarto.
O ouvido deles ainda está prejudicado pelo barulho do tiro a queima roupa, mas à medida que ele vai melhorando, ambos começam a ouvir passos, vários passos, vindo da direção da escada.
Aumentando seu esforço, Paulo levanta Ana e ambos vão à porta do quarto 414.
Ana logo que chega a porta, tenta abri-la, porém, ela está trancada.
– Ei, vocês dois! Abram a porta!
– O que vocês fizeram aí fora? – Questiona Anira, preocupada – Nós ouvimos tiros!
– Nós fomos atacados, a gente precisa sair daqui rápido, os quatro!
– Onde que tá o Paulo?
– Lindemberg, André – Responde Paulo, que estava ao lado de Ana – Saiam do quarto, precisamos sair daqui agora.
O barulho dos passos está cada vez mais alto, agora nitidamente misturado a gritos e gemidos de agonia.
– Abre a porta! Abre a porta agora! – Exige Paulo, sentindo um arrepio que percorre toda a região de sua coluna. – Abre isso logo e vamos sair daqui!
Atendendo a exigência, Lindemberg abre a porta e é puxado para fora por Paulo que ordena – Vão pro elevador, agora!
Anira vem logo após, assustada, tentando separar Lindemberg das mãos de Paulo, e este ordena novamente.
– Corre pro elevador pessoal! Corre que tá complicada a situação!
– Ana pega a mão de Lindemberg e começa a puxá-lo em direção ao elevador, ambos irmãos estão assustados com todo o sangue na roupa dos outros dois, que nitidamente não pertence a eles.
Sem tempo para explicações, todos correm em direção ao elevador, que fica ao lado da escada de incêndio, de onde vem os passos, que estão cada vez mais próximos, parecendo cada vez mais até dentro de suas cabeças.
Apertando o botão para que as portas do elevador se abram, a porta da escada também se abre e alguém sai de lá, a primeira pessoa de dezenas que se aglomeram nos corredores.
Todos entram no elevador e por impulso apertam o térreo, local onde deixaram os carros e onde imaginam ser mais viável a saída.
Quando a porta se fecha, o elevador começa a descer.
– É verdade que é um ataque zumbi? – Questiona Lindemberg, aflito com a situação.
– Ataque zumbi o que?! – Tentando se apegar a sua experiência, Paulo nega com toda sua convicção. – Todos vocês reiniciem os celulares, a rede deve estar com problemas, liguem para os pais de vocês que eu deixo vocês em casa.
Ana tenta explicar a situação que aconteceu no quarto, toda a estranheza da situação, uma mulher levando um tiro certamente letal no peito e continuar se mexendo, até levar um tiro na cabeça, mas isso é algo que só conceitos de filmes poderiam explicar, como zumbis.
Antes que ela pudesse continuar, o elevador dá um solavanco, ficando preso entre o térreo e o primeiro andar.
– A gente vai morrer! A gente vai morrer! – É a única coisa que passa pela cabeça de Lindemberg.
E mais um dos tapas calmantes de Anira faz com que Lindemberg recobre a lucidez.
– Presta atenção, eu vi um monte de gente correndo na rua e outras atrás comendo elas, parecia mesmo como um ataque zumbi, um monte deles! E a gente tá indo lá pra porta do hotel!
– Olha só, agora falando sério, eu não sei o que vocês tão na cabeça… – Paulo ainda incrédulo.
– Você nunca viu filmes não Paulo?
– Eu não sei o que está acontecendo, não sei se isso é um apocalipse zumbi, mas precisamos sair daqui!
Paulo ainda tenta justificar, dizendo que são drogas, alguma guerra entre gangues ou algo do tipo, mas nada é tão razoável quanto a explicação de um apocalipse zumbi.
– Paulo, vamos pensar que são drogas mesmo, você sabe como abrir essa porta do elevador?
– Aperta o botão de emergência Ana, isso vai chamar alguém.
Uma luz dentro do elevador começa a piscar, mas nenhum sinal de auxílio pode ser notado, nenhuma voz aconchegante indicando que há esperança do lado de fora das portas.
Olhando ao redor, Anira decide olhar para cima e vê um alçapão no teto, enquanto Paulo tenta abrir a porta do elevador na força bruta.
Anira pede ajuda para subir e recebe apoio de Paulo, ela consegue levantar o alçapão e subir na parte superior do elevador.
Cabos e uma imensidão escura se direcionam acima deles, na frente metade da porta do primeiro andar se faz visível.
Ela explica a situação para as pessoas ainda dentro do elevador e todos decidem por tentar abrir a porta de dentro do elevador e pular para o térreo.
Procurando por algo que possa ser usado para servir como alavanca, Anira encontra uma chave de fenda, esquecida entre os cabos sobressalentes soltos sobre o teto do elevador.
– Eu achei uma chave de fenda! Vou descer!
Com calma, para não quebrar a chave de fenda, com tempo, finalmente conseguem abrir as portas e ver a recepção.
Paulo decide descer primeiro, para ajudar os outros depois, se esticando o máximo possível para ver a situação na recepção.
Vários vidros quebrados, mesas e poltronas viradas, muito sangue em todos os lados, nas paredes, no piso e corpos, pessoas mortas para todos os cantos.
Com pouco cuidado, Paulo desce do elevador, fazendo barulho quando seus pesados pés tocam o chão da recepção após o pulo.
Nesse momento, Ana já se prepara para descer do elevador quando nota que alguns cadáveres agora estão sentados, olhos brancos, desorientados.
Quando ela desce, causa outro estouro no chão, o som de seu corpo se projetando no amplo cômodo da recepção.
A próxima a descer é Anira. Quando ela se projeta para descer, os corpos sentados estão procurando algo, confusos, parecem atordoados, como se recém despertos de um longo e conturbado sono.
Vendo isso, ela decide tomar cuidado para não emitir mais sons e acordar ainda mais os recém despertos.
Porém, nesse momento, Ana nota que as pessoas começam a levantar, desorientados ainda, procurando o que os acordou.
Anira ajuda seu irmão a descer enquanto Ana mostra a cena para Paulo.
– Eles podem nos ver? – Ele questiona – Tem outra saída?
– Talvez, vamos ter que sair pela porta dos fundos, sei lá..
– De qualquer forma vamos ter que passar pelo saguão…
Lindemberg pensa em sair e tentar abrir um caminho, quando a mão de Paulo o agarra pelo colarinho.
– Onde que tu vai guri? Tá maluco?
Quando Paulo termina de falar, todos os corpos param de se mover aleatoriamente e começam a fazer um barulho, um som gutural baixo, que parece estar na mesma frequência, parece estarem se comunicando.
E todos olham na direção dos quatro.
Continua…
Se você gostou do conteúdo deste texto não se esqueça de deixar um comentário, isso é muito importante para sabermos que vocês estão curtindo nosso conteúdo. E para acompanhar a série completa e também ter mais informações sobre Floripa em Chamas é só clicar aqui!
Baseado na campanha Floripa em Chamas mestrada por: Douglas Quadros Texto de: Diemis Kist Revisão de: Milles Araujo e Douglas Quadros Arte dos Personagens: Iury Kroff
O sistema de Terra Devastada é focado completamente na interpretação de personagem, com uma mecânica de criação inteiramente voltada para este fim. Você “compra” doze características e elas te ajudam ou te atrapalham nas rolagens. Simples e fácil, contudo, você não precisa ficar refém destas características. O Sistema de Convicção serve exatamente para você efetuar aquele feito que só seria possível em situações de muita força interna. Neste post vou explicar um pouco mais detalhadamente o sistema de convicção para que fique de uso fácil para todos os jogadores deste maravilhoso sistema.
Convicção
Convicção segundo o Google: “crença ou opinião firme a respeito de algo, com base em provas ou razões íntimas, ou como resultado da influência ou persuasão de outrem; convencimento”. Se pegarmos somente a primeira parte, já é possível explicar o que é convicção. Ainda assim podem surgir dúvidas, então vou tentar fazer um paralelo com um outro jogo bastante conhecido… Vampiro: a Mascara, um outro sistema de interpretação de personagem trás um sistema de Força de Vontade que te ajuda a efetuar feitos que talvez não seriam possíveis naturalmente.
Ou seja, está crença ou opinião firme a respeito de algo te ajuda a superar seus limites.
Sistema
Agora vamos explicar na prática como este sistema funciona. Basicamente você utiliza seus (iniciais) doze pontos de convicção para ter dados adicionais nas rolagens. Quando isso ocorre, você risca da esquerda para a direita a quantidade de dados que você vai utilizar. Conforme exemplo abaixo.
Neste exemplo o jogador utilizou três de convicção e consequentemente ganhou + três dados para sua rolagem.
Estes pontos podem ser recuperados com 1 hora de “perda de tempo”. Brincadeiras a parte, você pode recuperar seus pontos de convicção utilizados ficando por 1 hora fazendo uma atividade que seja prazerosa para seu personagem. Por exemplo se seu personagem é um NERD, talvez lendo algum quadrinho ou romance de aventura ele recupera seus pontos gastos. Lembrando que para cada 1 hora, você recupera 1 ponto de convicção.
Tormento
Desde já aviso que nem tudo são rosas quando falamos de convicção. Do mesmo modo que ele pode ajudar nas suas rolagens, a convicção também é o medidor de quanto você está lúcido e consciente com o que está acontecendo. Sempre que seu personagem passar por um situação de horror, ele fará uma rolagem de convicção. Para isso ele deve somar todas as características psicologicamente vantajosas e subtrair as psicologicamente desvantajosas, deste resultado você vai ter os dados de convicção. Em outras palavras some o que ajuda e subtraia o que atrapalha.
O teste de convicção
Logo depois o mestre precisa definir quantos sucessos são necessários. Para isso analise o tormento do personagem, se ele for mais leve o jogador vai precisar de 1 sucesso. Se for tão atormentador quanto o jogador vai precisar de 2 sucessos. Por fim se a situação é mais pesada, o jogador vai precisar de 3 sucessos e este se torna o novo tormento do personagem no caso de falha.
Por exemplo: o tormento do personagem é “ele precisou deixar a namorada para trás enquanto fugia para sobreviver”. A situação que ele se encontra é “não ajudou pessoas que procuravam abrigo e elas acabaram sendo devoradas na porta da sua casa enquanto ele estava segurando a porta.” O mestre deve avaliar a situação, se achar que pelo fato do personagem ter ouvido toda a carnificina e ainda assim não ter feito nada, é mais grave que deixar uma pessoa querida para trás, o jogador deve fazer o teste e vai precisar de três sucessos. E por fim, este se torna o novo tormento do personagem caso ele falhe.
Falhando no teste de convicção
No caso de falha, você fica mais perto da loucura. Quando isso ocorre, o jogador deve preencher da direita para a esquerda 1 “bolinha”. Conforme exemplo abaixo.
Neste exemplo o personagem já teria perdido 3 pontos de convicção.
Este ponto de convicção está perdido para sempre, sem a possibilidade de recuperação. E além disso, a medida que sua convicção vai baixando, o valor de “bônus” do seu tormento começa a aumentar (ou diminuir no caso de ser um uso como característica negativa), dependendo do nível de convicção perdido. Conforme exemplo abaixo.
O primeiro nível atingido já aumenta o modificador.
Estes três níveis de convicção além de darem este bônus também dão uma condição para o personagem quando eles atingem os níveis, ou seja quando você preenche a sua quinta “bolinha”, você atingiu o nível 2, seu tormento começa a somar 2 quando for vantajoso e subtrair 2 quando for desvantajoso. Além disso você ganha a condição Atormentado, que faz com que você comece a ter alucinações (sabendo que são alucinações) e pesadelos.
Quando você atinge o nível 3 ou seja, preenche a nona “bolinha”, você soma 3 quando for uma situação vantajosa e subtrai 3 quando for desvantajosa uma ação que use seu tormento. E além disso você ganha a condição Extremamente Atormentado, que faz com que você comece a não saber mais o que é real e o que não é. Por fim se você atingir o decimo segundo ponto de convicção, você ganha a condição Surto Homicida/Suicida e basicamente é questão de tempo até perder o personagem.
Roubando no Jogo
Contudo existe uma forma de você se safar de fazer o teste de convicção. O jogador pode anunciar que prefere perder a razão momentaneamente do que fazer o teste, neste caso ele ganha a condição catatônico/chocado/paralisado ou algo do tipo. Não precisa fazer o teste, mas fica imóvel sem poder fazer nenhuma ação que não seja chorar em desespero ou abraçar os próprios joelhos.
Use com cuidado, apesar de ser uma saída, no caso de estar sozinho ou depender de alguém pra te salvar, seu personagem fica desprotegido, tornando-se um alvo fácil. Ou seja… cautela ao usar!
Cair em desespero as vezes é a melhor opção!
Finalizando
O sistema de convicção é extremamente útil para dar ainda mais imersão em um sistema TÃO interpretativo quando o é Terra Devastada. Sua utilização pode transformar um erro final em uma cena épica de fuga magistral. Mas também pode fazer seu personagem cair em desgraça caso você tenha um tormento leve de início.
De qualquer forma, espero que vocês estejam jogando Terra Devastada, e lembre-se que se você já é acostumado com um sistema mais genérico como Savage Worlds, este tem um cenário de Terra Devastada para o sistema, só clicar aqui comprar e ainda você vai estar ajudando o nosso site!
Acima de tudo espero que tenha ficado claro, tanto no formato de texto quanto em vídeo. Se ainda restarem dúvidas, comente abaixo. Espero que você tenha gostado e Tenha Boas Aventuras!
Olá aventureiros! Neste episódio especial do MRPG Podcast, resolvemos fazer uma postagem diferente, utilizamos os áudios da aventura Floripa em Chamas, jogada pela equipe para o canal do Movimento RPG no youtube, limpamos os áudios, sonorizamos novamente, adicionamos efeitos e mudamos um pouco a dinâmica para tentar entregar para vocês uma experiência de RPG em Podcast.
A história se passa no ano de 2012 e inicia com a explosão de um laboratório (até então secreto) do governo. Os militares sitiaram a cidade, fechando pontes e monitorando o transporte aquático. Contudo Ana Santos “recebe” uma informação sigilosa de que a ilha inteira vai ser bombardeada para conter a infecção que se espalha na cidade. Sabendo que Linderberg Viana, o filho de um politico importante, estaria na cidade para visitar o irmão André Viana (conhecido como Anira Dick nas noites de Floripa), Ana vai até última localização conhecida do filho do senador para tentar utilizar da importância dele para sair da cidade.
Floripa em Chamas é um jogo que utiliza o sistema de Terra Devastada. O sistema é obra do já entrevistado aqui, John Bogéa. Enfim pegue uma bebida de sua preferencia, puxe uma cadeira e acompanhe este episódio especial de Floripa em Chamas no Movimento RPG Podcast.
Mestre: Douglas Quadros; Jogadores: Milles Araujo, Karina Cedryan, Vinicius Mendes e Jaykon Willian; Editor: Senhor A; Arte da Vitrine: Douglas Quadros.