Malkavianos – Clãs de Vampiro: A Máscara

Algumas pessoas dizem que os Malkavianos são o clã mais difícil de se interpretar direito. Loucos, voláteis e, esquisitos, interpretar um malkaviano é sair da sua zona de conforto. Mesmo assim escolhi-os para dar início à nossa série sobre os Clãs de Vampiro: A Máscara por um simples motivo. É meu clã favorito.

Loucura

“O sangue amaldiçoado do clã poluiu suas mentes de forma que todos os Malkavianos do mundo são irremediavelmente insanos”. Esta trecho está no início da descrição do clã na saudosa versão Revisada (ou, como alguns chamam, 3ª Edição). Agora feche os olhos e pense num personagem insano da cultura pop. Pensou? Certo, agora pense em um que não é o Coringa.

Na humilde opinião deste que vos escreve, a dita loucura de um malkaviano NÃO é, necessariamente, o que define o personagem. Claro que temos personagens bem legais na ficção que são definidos por alguma condição mental, como Leonard Shelby de Amnésia, mas vamos tentar analisar a mente Malkaviana por um viés diferente desta vez.

Malkavianos não são burros. Eles sabem que são amaldiçoados, e mais do que isso: eles sabem do estigma que o clã sofre. É perfeitamente natural que um malkaviano tenha plena consciência da sua condição, a questão é como isso afeta a visão e as ações dele perante a sociedade vampírica.

Um exemplo bem legal é o filme Don Juan DeMarco (SPOILER). Don Juan é plenamente consciente do ambiente à sua volta. Ele sabe que está num sanatório, mas opta por manter, para si mesmo e para os outros, a ilusão de que é um herói mascarado.

A maldição do sangue é uma vulnerabilidade. Um malkaviano inteligente fará o que puder para escondê-la, e fingir-se de louco – uma loucura diferente da sua maldição verdadeira, digamos assim – é uma maneira singular de manipular as coisas a seu favor.

 Manipular coisas a seu favor, você disse?

Outros Caminhos da Loucura

Outro caminho possível é o malkaviano que procura disfarçar completamente sua loucura ou mesmo negar a natureza da própria maldição, talvez até fingindo ser membro de outro clã. Construir este tipo de personagem requer certa sutileza, buscando tiques e detalhes que façam vir à tona a maldição malkaviana sem entregar o jogo logo de cara.

“Certo”, você diz. “Mas e o Coringa?”

Um malkaviano “estilo Coringa”, se você quiser chamar assim, é o personagem que abraça a própria insanidade. É o malkaviano que teve seu mundo completamente destruído pelo Abraço e agora ele usa a maldição como uma espécie de vingança contra tudo e contra todos. Este tipo de personagem geralmente desceu alguns degraus em seu marcador de humanidade, ou até mesmo abraçou uma trilha. É o tipo de personagem que age como uma força da natureza, desenterrando tudo o que há de podre na sociedade a seu redor e vomitando de volta.

Interpretar este tipo de personagem é sempre um desafio. É muito fácil pender mais pro lado do “Fishmalk” (leia abaixo) do que de um Hannibal. Também é o tipo de personagem que precisa de uma boa conversa com o grupo para se ajustar à crônica antes de começar, pois um comportamento completamente errático e caótico pode facilmente atrapalhar a diversão de todo mundo. Quando bem utilizado, contudo, é certamente uma experiência inesquecível.

Se você conhece esta imagem, sabe do que eu estou falando.

Profecia

Um aspecto por vezes negligenciado é a faceta profética dos Malkavianos. Isto é, inclusive, bem representado pelos poderes disponíveis, como Auspícius ou Demência, ou mesmo a famosa Rede. Mesmo que o malkaviano não assuma a figura de oráculo ou profeta, externalizar essas visões ou rompantes acaba tornando-se parte da identidade do vampiro. Religiosos fiéis, políticos alarmistas, artistas atormentados (sim, nem todos os artistas do mundo são Toreador), cientistas e estudiosos que perseguem algum tipo de verdade são apenas alguns exemplos de como um vampiro poderia canalizar as habilidades proféticas do clã.

Malkavianos costumam ser os mais sábios dentre os vampiros. Eles são os únicos que enxergam a verdade inegável – que o Mundo é que está louco – e recusam-se a simplesmente aceitar que “as coisas são como são”..

Incorporar o estereótipo do malkavian sábio é essencial – é o que dá aquele tempero especial no personagem. Não precisa ser um sábio “certinho”, tipo “mestre no topo da montanha” (embora funcione, pois malkavianos vêm em todas as formas e sabores). A comediante stand-up que vai presa por atacar figuras públicas, o filósofo ácido que invade livrarias e queima os próprios livros para protestar contra o Capitalismo, o mendigo que recusa dinheiro como forma de demonstrar seu ponto de vista podem funcionar dentro do estereótipo de sábio tão bem quanto o menestrel ou a conselheira do Príncipe.

Put down that fish, Malk.

É muito fácil interpretar mal um malkaviano. Aquele estereótipo do louco bobinho, alívio cômico, que fica fazendo piadas e pregando peças pelo simples prazer de atazanar a não-vida dos colegas é conhecido como Fishmalk. É o tipo de personagem que, cedo ou tarde, vai acabar estragando a sessão e a diversão do grupo todo.

A melhor maneira de evitar um fishmalk é levar a loucura a sério, pelo menos um pouco. Pode ser tentador olhar um estereótipo de “louco fofinho” como a Harlequina, fazendo piadinhas sobre vozes na cabeça e tentar emular a maldição do sangue malkaviano baseando-se apenas nisso, mas ao olhar alguns dos transtornos associados à personagem, como Transtorno de Personalidade Dependente, Transtorno Bipolar e Transtorno de Estresse Pós-traumático, a coisa deixa de ser tão engraçada.

Sim, a história da Harlequina está longe de ser bonitinha.

Uma questão importante – transtornos mentais durante a sessão

É bom frisar que algumas pessoas podem não se sentir à vontade retratando transtornos mentais em jogo. Existem pessoas que precisam lidar com esse tipo de coisa na vida real, então um mínimo de sensibilidade e empatia é fundamental quando o grupo estiver construindo os personagens. Nestes casos, as dica dada na primeira parte deste texto tornam-se ainda mais valiosas. Vale a pena reduzir a insanidade “real” do seu personagem a uma mera penalidade mecânica para preservar o bem-estar do resto do grupo.

Bom jogo a todos!

White Wolf suspende livros polêmicos da 5ª Edição de Vampiro

A White Wolf decidiu suspender dois de seus produtos recentes. Dentre as diversas polêmicas envolvendo a 5ª Edição de Vampiro: A Máscara, o livro da Camarilla foi um dos mais criticados.

Um recomeço problemático

Na parte de sua ambientação que descreve a atividade vampírica em diversos países dentro do universo, o capítulo sobre os campos de concentração para LGBT na Chechênia foi considerado por muitos como desrespeitoso e até mesmo preconceituoso.

Camarilla e Anarquistas adiados

As reclamações foram tantas que a marca se pronunciou no site oficial da White Wolf, declarando que o produto terá sua circulação suspensa até que os trechos sejam alterados. O livro sobre os Anarquistas, que também foi bastante mal recebido, passará pelo mesmo tratamento. A mensagem ainda traz promessas de que a marca renovará sua liderança e a criará um guia de princípios para garantir a qualidade dos produtos futuros.

A White Wolf passou a ser propriedade da Paradox Interactive em 2015, após ser vendida pela CCP, conhecida pelo jogo Eve Online.

Leia abaixo a mensagem na integra em tradução nossa:

“Uma Mensagem Da White Wolf.

Olá a todos,

Meu nome é Shams Jorjani, Vice-Presidente de Desenvolvimento de Negócios na Paradox Interactive e gerente interino na White Wolf Publishing. Eu gostaria de informar vocês que algumas mudanças serão implementadas na White Wolf, começando imediatamente.

Vendas e impressões dos livros da Camarilla e Anarquistas do V5 serão temporariamente suspensas. A seção da Chechênia será removida nas versões impressa e em PDF do livro da Camarilla. Nós acreditamos que serão necessárias por volta de três semanas. Isso significa que envios serão atrasados; se você encomendou uma cópia da Camarilla ou Anarquistas na pré-venda, maiores informações serão enviadas por e-mail.

Em termos práticos, a White Wolf não mais funcionará como uma entidade à parte. O time da White Wolf será restruturado e integrado diretamente à Paradox Interactive, e eu gerenciarei temporariamente as coisas durante esse processo.

Estamos recrutando novas lideranças para guiar a White Wolf tanto criativamente quanto comercialmente para o futuro, um processo que tem sido contínuo desde setembro.

Seguindo adiante, a White Wolf focará no gerenciamento da marca. Isso significa que a White Wolf desenvolverá um guia de princípios para sua visão do World of Darkness, e disponibilizará aos licenciados as ferramentas necessárias para que criem novos, excelentes produtos dentro a história desse universo. White Wolf não mais desenvolverá e produzirá esses produtos internamente. Essa sempre foi nossa intenção enquanto objetivo para a White Wolf enquanto companhia, e agora é hora de legitimar isso.

O World of Darkness sempre foi sobre horror, e horror é sobre explorar as partes mais obscuras de nossa sociedade, nossa cultura e nós mesmos. O Horror não deveria temer explorar tópicos difíceis ou sensíveis, mas também jamais deveria fazê-lo sem entendimento sobre quem são afetados por esses tópicos e o que significam para eles.

O mal real existe no mundo, e não podemos jamais perdoar seus perpetuadores reais ou banalizar o sofrimento de suas vítimas reais.

No capítulo da Chechênia do livro da Camarilla do V5, nós perdemos vista disto. O resultado foi um capítulo que lida com uma tragédia em andamento do mundo real de forma insensível e desrespeitosa. Nós deveríamos ter identificado isso antes durante o processo criativo ou na edição. Não foi o que ocorreu e por isso nos desculpamos.

Pedimos pela sua paciência enquanto implementamos essas mudanças. Enquanto isso, vamos continuar a conversa. Estou disponível para qualquer e todo pensamento, comentário ou resposta em shams.jorjani@paradoxinteractive.com.”


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