Todas as vezes que visitamos novos mundos ganhamos um pouco de experiência e transformamos nossas mentes através desse conhecimento. Certo?
Quando recebi a mensagem no comunicador interdimensional avisando que deveria conhecer o mundo de Neia, me veio a dúvida
– O que há de novo?
A resposta, claro, veio de Victoria, a Inteligência Artificial da minha central quântica (um dia eu explico como nos conhecemos).
– Neia é um mundo em tons de cinza, onde o mal prevaleceu, mas se esconde através de intrigas e corrupção. Aqui nós encontraremos os Marcados, pessoas prometidas a demônios, mas que escaparam de alguma forma e buscam formas de derrotá-los, mesmo sendo perseguidas por seus pares, ou pela Inquisição.
– Eu vou precisar de armas para chegar lá? Detesto armas – enquanto me arrumava, percebi a quantidade de cálculos feitos pela inteligência artificial (ela não era, exatamente, uma I.A, mas eu perderia esse artigo inteiro tentando explicar isso agora).
– Não será necessário. – A resposta não convenceu, mas mesmo se ela falasse o oposto, eu não levaria nada que pudesse ferir outro ser vivo. Omninautas, viajantes das dimensões, trazem certas responsabilidades.
Eu já te falei que o portal dimensional da minha Base Quântica é uma porta de casa de vó? Tipo daquelas com o quintal feito de azulejos vermelhos? Passei por ela.
O que me aguardava do outro lado é sempre uma surpresa, não?
Neia se parece com a Terra em seu período medieval mais sombrio, mas há algo aqui, aquela presença da magia que permeia a existência, mas não se revela de todo. O mal parece te observar de algum canto escuro enquanto as poucas forças do bem evitam se manifestar para não chamar tanta atenção.
Foi ali, na encruzilhada de uma cidade destruída, que eu vi a mulher: era uma guerreira, usava partes de armadura desgastadas e arranhadas. Na mão esquerda levava um escudo, na direita uma maça lembrando uma estrela pontuda. Ela acabava de esmagar a cabeça de algo que desapareceu nas trevas e, ainda assim, sobreviveu rastejando.
– De onde eu venho, eles finalizam essas coisas com magia. – Brinquei, me arrependendo em seguida. Neia nunca foi famosa por seu humor.
– De onde você vem, a magia existe. – Ela retrucou, avançou na minha direção. Passou por mim e atingiu outra daquelas coisas com a maça, dessa vez finalizando o serviço. Tive a sensação de que a arma brilhava no mesmo tom da essência daquele demônio, a mulher confirmou.
– Não temos magia, mas nossas armas ficam mais fortes quando derrubamos essas coisas. Seria mais fácil se a população acreditasse nelas, pelo menos o mal não se esconderia à olhos vistos. – Ela cuspiu no chão uma bolota de sangue grosso. Estava ferida e lutava sozinha, como todos os Marcados, os personagens daquela história.
– Por que eles atacam, quem são os demônios do seu mundo? – devolvi, me afastando das sombras das casas.
– Anos e anos de raiva, dor e tristeza acumulada formou os demônios, eles nada mais são do que um imenso inconsciente coletivo que escapou dos reinos metafísicos e veio parar aqui, quanto mais um local testemunha a dor humana e sua intensidade astral, mais ele se torna um ninho do mal.
Neia, a personificação do próprio mundo, apontou para longe, onde dois exércitos se digladiavam sob o estandarte de seus reis, formando uma cascata de sangue, ossos, fezes e corpos indescritível.
– E os Marcados? – eu não queria me aproximar, mas a onda de morte engolia a realidade. Sem perceber, Neia alimentava e cuspia os próprios demônios através dos seus humanos.
– Os Marcaodos são vocês, que estão aqui para manifestar, mesmo através da dor, um novo caminho. Eles podiam ter se entregado ao trauma, ao abandono, terem se tornado piores que os demônios, mas eles escolhem, por razões pessoais, às vezes egoístas, continuar.
Neia ergueu a maça em um gesto de triunfo, derrubando reis e generais com golpes violentos. Era, por definição, solitária, mas poderosa.
Da mesma forma os Marcados participavam sozinhos de suas histórias, apenas com uma Gerência de Mesa (GM) para acompanhá-los, mesmo que nada os impedisse de formar grupos maiores.
A onda de devastação militar continuou ocupando o meu campo de visão, onde morriam, levantavam-se demônios. Porém, onde os demônios caíam, havia força.
Provando que nenhum sacrifício, fosse ele de ferro ou incenso, era em vão.
Um golpe de maça desfez o Ponto Nexus que me conectava àquele mundo, me mandando de volta para a Base Quântica com uma dor-de-cabeça que ia durar, ao menos, uma semana.
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Texto: Oghan N’Thanda.
Revisão: Raquel Naiane.