Manuscritos são artigos relacionados aos mais variados temas dentro do contexto do RPG. Variam de histórias próprias, contos, compêndios, resenhas e colunas com textos autorais.
O dia mal começou e você chegou no destino, seja sua escola ou faculdade, seu trabalho, sua atividade matutina seja lá qual for. Quais os assuntos principais? Partidas esportivas da noite passada? Eventos geopolíticos desde a escala municipal à mundial? BBB? Episódio da série?
NOVELAS?
Novelas são parte integral do cotidiano brasileiro e até quem não acompanha sabe dos nomes de vários personagens, conhecem as músicas que eram, no mínimo, da abertura. Ou já viu memes de “Eu sou ricaaaaaa!”, “Renata Sorrah calculando símbolos matemáticos” ou reviravoltas terminando como ocorria em Avenida Brasil.
Este importantíssimo aspecto da cultura brasileira precisava de um RPG à altura para representá-lo. E note que PRECISAVA, por não precisa mais: agora Verdades & Segredos está em fase de financiamento coletivo e pode fazer parte do seu acervo RPGístico!
O Movimento RPG dando as caras
Sob coordenação da Editora Movimento (aham, nós mesmos!), este RPG segue a natureza das próprias novelas: o negócio aqui não é fazer um personagem que combe habilidades físicas pra sobreviver a um ataque de dragão, lobisomem descontrolado ou androíde com metralhadora nos braços.
Aqui a batalha é por poder, mas não o bélico (bem, não necessariamente): aqui o poder político, financeiro, social e, por que não, amoroso, são as armas verdadeiras. Por isso, os personagens e as tramas sempre orbitam estes conceitos ao longo dos capítulos (obviamente, esse é o nome que cada sessão de jogo tem, senão que graça teria?).
Cartas, por quê?
Embora o mundo tenha mudado com a tecnologia, hábitos das pessoas e tudo mais, tente lembrar: você criança ou adolescente está em café da tarde em família na casa da avó ou passa por uma praça e olha aqueles velhinhos lá dando risada e se divertindo. O que eles estão jogando ali? Cartas.
Historicamente, jogos de cartas também estão na cultura brasileira desde sempre, e este elemento é incorporado a Verdades & Segredos. Números representam pontuações em disputas e outros efeitos, e os naipes apresentam um aspecto de altíssima importância na construção da personalidade dos personagens e até na natureza das tramas.
Personagens baseados em Paus podem ser mais agressivas, e tramas baseadas em Copas envolveriam uma conquista amorosa, por exemplo. E o baralho não apenas participa desta definição de personagens, mas faz parte integral das regras de aleatoriedade e disputas deste RPG.
Personagens
Aliás, falando em personagens. Você escolhe um arquétipo entre O Dono (Rei do Gado, Comendador…), A Dama (Maria do Carmo, por exemplo), O Comparsa (Crô como um dos mais icônicos), O Batalhador (Foguinho, Tião Galinha e outros) e A Mocinha/O Mocinho (Juma Marruá, Sassá Mutema, Rita e Jorginho de Avenida Brasil…).
Cinco arquétipos bem diferenciados e imediatamente identificáveis em qualquer trama novelesca brasileira. A cada capítulo, o Diretor (sim, o Narrador/Mestre tinha que ter um nome condizente) determina uma “agenda” a cada personagem da trama, que é mais ou menos o que espera-se que ele se dedique naquele capítulo.
O arquétipo, combinado a seu naipe, vai dar uma boa ideia do que pode ser essa agenda: como exemplo, um Comparsa de Paus pode usar este capítulo para atacar o grupo rival de seu chefe, enquanto a Dama de Copas está mais interessada em tirar este Batalhador da vida de brigas para viverem uma vida de paz após sua gravidez não-planejada.
Verdades & Segredos
E com esse exemplo, vamos ao nome do RPG: todos os personagens têm suas verdades e segredos que movem a trama. Verdades são estabelecidas pelos jogadores como fatos públicos sobre os personagens, com a sacada genial de uma destas verdades ser na verdade uma mentira, um segredo a se revelar no momento mais propício.
Por exemplo, no caso anterior, nosso Comparsa de Paus pode ter entre suas verdades a de que é o braço-direito mais leal do chefe, quando na realidade seu segredo é de que ele vem planejando a derrocada de seu chefe para ele mesmo assumir a chefia; no caso da Dama de Copas, a gravidez não-planejada não envolve o Comparsa de Paus (seu amado parceiro de vida) na paternidade, mas sim o chefe desse Comparsa.
E aí, quando as coisas são reveladas, como diria o meme do Pelé, já viu, né?
Locações
Ainda existe uma divertida lógica sobre as Locações, os principais locais onde ocorrem as tramas, onde cada personagem tem certas vantagens – e personagens podem inclusive compartilhar da mesma Locação como sua. Há regras para Locações públicas e privadas, para uso de áreas reservadas de Locações para que outros não saibam do ocorrido, e assim por diante.
Aliás, sobre onde a novela-aventura se passa: não precisa se sentir preso a uma cidade cenográfica do PROJAC ou coisa do tipo. Diretor e jogadores podem ter tramas que se passam em cidades brasileiras ou internacionais, novelas de época (como um Sinhá Moça), mundos fantasiosos (quem aí lembra de Meu Pedacinho de Chão?) e até mesmo cenários futuristas (que, para provar que é possível, você pode inclusive baixar a aventura Corpos em Atração clicando aqui, situada inteiramente na estação espacial Última Aurora).
Seja você um típico noveleiro brasileiro, um entusiasta da nossa cultura ou só alguém interessado em um RPG diferente de qualquer outro, Verdades & Segredos vem em seu financiamento coletivo para enriquecer seu acervo de jogos. Participe você também clicando aqui!
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Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo Pix ou através do Catarse.
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Saudações rpgísticas a você que se aventura pelo mundo esquecido em busca de respostas ou de saídas. Como filósofo e um veterano das mesas de RPG, eu sempre me pego refletindo sobre a natureza da nossa existência através da memória.
O que somos nós senão um compilado frágil de lembranças, traumas e afetos? Em As Chaves da Torre, o apagamento existencial não é apenas um artifício mágico; é um fenômeno profundamente político. E é exatamente aqui, no epicentro dessa discussão, que o suplemento Dossiê das Singularidades brilha de forma absurdamente fantástica.
Lembro-me da primeira vez que joguei Final Fantasy VII e finalmente saí da opressiva cidade de Midgar para o vasto mapa-múndi. A sensação de escala mudou tudo. O Dossiê faz exatamente isso com o Mundo Esquecido e a Metrópole.
Escrito de forma genial no formato de arquivos burocráticos e confidenciais da Repartição, o livro evoca uma atmosfera angustiante e kafkiana. Ele nos mostra como o mal e o apagamento podem ser metodicamente catalogados, misturando a opressão fria do sistema — algo que quem joga Kuro ou Vampiro: A Máscara conhece bem — com a poesia amarga do realismo mágico brasileiro.
Como usar o Dossiê na sua mesa?
Na minha análise como narrador, meu maior conselho é: não encarem este suplemento apenas como um “Manual dos Monstros” tradicional. Ele é uma caixa de ferramentas existenciais modulares.
Materialidade na Mesa (Handouts): Por ser escrito como relatórios oficiais da Repartição, o Dossiê é perfeito para virar prop físico. Imprima uma página, coloque em uma pasta parda e entregue aos jogadores. Deixe que eles sintam nas mãos o peso frio da burocracia que tenta apagar suas existências.
Respiros e Contrastes: Você pode usar as 19 Singularidades para quebrar o ritmo de uma campanha. Intercale momentos de desespero nas ruas com a descoberta de locais absurdos e mágicos, forçando os Protagonistas a questionarem o que é real.
Laboratório Filosófico: Cada entrada do Dossiê discute um aspecto da sociedade (desigualdade, gentrificação, apagamento cultural, exploração animal). Use esses locais não apenas para combates físicos, mas para embates morais. Faça os jogadores questionarem os próprios valores, assim como fazemos quando lemos Sandman ou assistimos a Death Note.
Para ilustrar o potencial absurdo desse material, prepararei 5 sementes de aventuras semi-roteirizadas. A ideia é pegar a essência filosófica dessas Singularidades e transformá-la em ganchos narrativos prontos para rolar na sua mesa agora mesmo. Peguem seus dados, seus cadernos de anotações e venham comigo para o Abismo!
Semente 1: O Roubo do Tíquete Dourado
A Singularidade Base: 14-B: A Lacuna Móvel “Éxodo”.
O Éxodo é um gigantesco e cintilante dirigível de alumínio polido que flutua silenciosamente pelos céus sujos do Mundo Esquecido. É o ápice da desigualdade:
Enquanto a maioria das pessoas que caíram no esquecimento luta por um teto e por migalhas de memória nas ruas lá embaixo, os passageiros dessa embarcação vivem um luxo que chega a ser ofensivo. O detalhe mais cruel? Os motores dessa máquina ostensiva são movidos à magia do próprio Oblívio.
Premissa:
Os Protagonistas (os personagens dos jogadores) são contatados por uma figura misteriosa dos subúrbios — talvez um Prisco (um espírito da natureza que perdeu seu habitat) ou um Zumbi sindicalista. O contratante descobriu que um poderoso Antevasin corporativo (uma espécie de mago burocrata e corrupto que lucra com o sistema) está a bordo do Éxodo. O alvo não é dinheiro.
O grupo precisa se infiltrar na embarcação, passar pelos bailes de gala e segurança de elite, e roubar os “Registros de Exaustão” — documentos que provam que os motores do Éxodo não estão apenas queimando magia solta, mas sugando ativamente as memórias felizes de um bairro inteiro lá embaixo para manter o champanhe gelado da elite.
Como Conduzir a Narrativa (Dicas para Mesas Iniciantes):
Ato 1: O Planejamento e o Contraste. Comece a sessão nas ruas espremidas e lamacentas da Metrópole. Faça os jogadores sentirem o frio e a fome. Quando o plano for apresentado, o objetivo é claro: entrar, pegar os documentos e sair. Para iniciantes, ter um objetivo nítido (roubar o item X no local Y) ajuda a focar a criatividade. Deixe-os bolar o plano: Vão entrar disfarçados de garçons? Vão se pendurar no casco do dirigível durante a decolagem?
Ato 2: A Infiltração. Ao entrarem no Éxodo, mude drasticamente a narração. Onde antes havia sujeira e barulho, agora há jazz suave, cheiro de perfume caro, tapetes aveludados e taças de cristal tilintando. O desafio aqui não é apenas bater em guardas, mas não pertencer. Os jogadores devem rolar testes para não serem notados, para manterem seus disfarces ou para hackear terminais mágicos sem disparar os alarmes da Repartição.
Ato 3: O Dilema Moral (O Clímax). Eles encontram o cofre do Antevasin e pegam os documentos. Mas, ao lado do arquivo, há uma válvula central do motor do dirigível. Se eles a destruírem, o Éxodo cairá, acabando com a farra daquela elite, mas matando centenas de pessoas a bordo (muitas delas apenas trabalhadores controlados pelo sistema). Se apenas fugirem com as provas, o sofrimento do bairro lá embaixo continuará até que a burocracia aceite o documento. O que eles fazem?
Dicas Para o Narrador:
Lembra quando eu falei sobre a invasão da Avalanche ao prédio da Shinra em Final Fantasy VII? É exatamente essa energia! Ou mesmo a tensão palpável de invadir um Elísio intocável e esnobe da Camarilla em Vampiro: A Máscara.
Do ponto de vista filosófico e social, o Éxodo é a materialização perfeita da luta de classes e do utilitarismo corrompido. Na filosofia utilitarista clássica, busca-se “o maior bem para o maior número de pessoas”. Mas a Torre perverte isso: o bem-estar extremo de poucos justifica o apagamento literal de muitos?
Ao colocar a válvula do motor na frente dos jogadores no final da aventura, você não está apenas testando as mecânicas das fichas deles; você está testando a ética do grupo. Para jogadores iniciantes, esse é o momento “virada de chave”, onde eles percebem que RPG não é só sobre rolar dados para atacar, mas sobre tomar decisões que pesam na alma de seus personagens. Até onde vai a moralidade quando você está lutando contra um sistema que oprime a sua própria existência? É lícito cometer um ato de terrorismo para parar uma máquina de moer gente?
Semente 2: O Peso do Capital Afetivo
A Singularidade Base: 21.500-7: Banco de Representações (A fachada do “Compro Ouro”).
Imagine aquelas lojinhas de “Compro Ouro” em ruas decadentes do centro da cidade. No Mundo Esquecido, uma dessas lojas é, na verdade, uma Singularidade da Repartição: um banco mágico e sinistro.
Aqui, os Esquecidos não penhoram joias; eles penhoram as suas “Representações” (objetos mágicos) e as suas memórias mais preciosas em troca de chaves (a moeda do jogo) ou favores. Quando a dívida não é paga, capangas conhecidos como Caçadores de Inadimplentes confiscam violentamente o que resta da essência da pessoa, e as memórias são leiloadas aos membros da Torre.
Premissa:
Os Protagonistas são procurados por um “Zumbi” — em As Chaves da Torre, um Zumbi não é um morto-vivo clássico de Resident Evil, mas sim um trabalhador tão exausto e alienado pelo sistema que perdeu grande parte da sua identidade, vivendo no automático. Este cliente, com lágrimas nos olhos cansados, revela que há meses penhorou a última memória nítida que tinha do seu falecido marido (um passeio na praia ao pôr do sol) para conseguir pagar o aluguer do mês.
O prazo expirou. A memória vai ser transferida para a Coleção Privada de um burocrata da Torre amanhã. Os jogadores precisam de entrar no Banco de Representações e roubar essa memória de volta antes que ela seja engolida pelo sistema para sempre.
Como Conduzir a Narrativa (Dicas para Mesas Iniciantes):
Ato 1: O Contrato e a Dor. A sessão deve começar de forma melancólica. Deixe o cliente Zumbi descrever a fragmentação da sua mente. Ele já não se lembra do som da voz do marido; ele sabe que o amava, mas o sentimento está a ser apagado. Para jogadores iniciantes, isto cria uma empatia imediata. O planeamento do assalto aqui não é sobre dinheiro, é sobre resgatar a humanidade de alguém.
Ato 2: O Labirinto da Burocracia Mágica (A Infiltração). Ao invadir a loja “Compro Ouro” durante a noite e aceder ao cofre mágico, a realidade distorce-se. O cofre não tem barras de ouro, mas sim prateleiras infinitas cheias de frascos brilhantes, fitas cassete flutuantes e espelhos que refletem momentos roubados. O desafio (no estilo stealth de Marvel’s Spider-Man ou Batman: Arkham) é desviar dos Caçadores de Inadimplentes que patrulham o local e dos sistemas de alarme que disparam “gatilhos emocionais” (armadilhas que infligem tristeza extrema em quem falhar num teste).
Ato 3: O Dilema do Frasco (O Clímax). Eles encontram a memória. No entanto, ela está conectada a um servidor mágico. Ao tentar retirá-la, os jogadores apercebem-se de uma verdade cruel: a memória está a ser usada como “bateria emocional” para aquecer o apartamento de luxo de uma família da Metrópole. Se eles a roubarem de volta para o Zumbi, os alarmes soarão e a família rica (que nem sabe a origem da sua magia) ficará no frio do Oblívio. Se a deixarem, o Zumbi esquecerá o seu amor para sempre. O que os Protagonistas escolhem?
Dicas para o Narrador:
Na minha análise, esta aventura é a personificação do conceito de “Fetichismo da Mercadoria” de Karl Marx, misturado com a estética onírica das barganhas em Sandman do Neil Gaiman.
O sistema transformou o próprio afeto numa commodity, num bem de consumo. Quando transformamos a saudade em mercadoria, o que resta da nossa alma? Como narrador, o objetivo aqui é fazer os jogadores sentirem o peso de cada rolamento de dados. Eles não estão a desarmar uma armadilha numa dungeon genérica; estão a navegar por uma biblioteca de existências mercantilizadas. Para iniciantes, este clímax é uma aula prática sobre como o RPG pode ser profundo: não há resposta certa, apenas consequências éticas num mundo desigual.
Semente 3: O Banquete da Resistência
A Singularidade Base: L3-82: Restaurante Imperial (Conhecido nas ruas como Cantina Girólamo).
Imagine uma cantina mágica que recusa fechar as portas, independentemente das ordens da Repartição. O espaço interior desafia a geometria, abrigando dezenas de mesas onde exilados, revolucionários, Priscos e Zumbis se reúnem para beber, comer pratos que sabem a memórias felizes de infância e, mais importante, para debater. É um farol de diversidade e de liberdade de expressão no meio da Metrópole cinzenta.
Premissa:
Os Protagonistas estão a descansar na Cantina Girólamo após uma missão exaustiva. O ambiente é quente e acolhedor. Subitamente, o dono do estabelecimento (uma figura enigmática que parece conhecer a dor de todos) recebe um aviso terrível: a Torre enviou um esquadrão de elite de “Apagadores” para selar a Singularidade e obliterar o restaurante da realidade desta vez para sempre. Os jogadores não têm poder de fogo para enfrentar os Apagadores sozinhos.
A única forma de salvar o refúgio é organizar uma barricada e realizar um ritual defensivo de memórias conjuntas. O problema? A cantina está cheia de fações que se odeiam. Eles precisam de convencer grupos teimosos — como a perigosa “Gangue do Chicletinho” (um grupo de crianças de rua com poderes estranhos) e os intelectuais cínicos dos subúrbios — a unirem-se antes que as portas sejam deitadas abaixo.
Como Conduzir a Narrativa (Dicas para Mesas Iniciantes):
Ato 1: O Aconchego antes da Tempestade. Comecea sessão focando nos sentidos. Como massoterapeuta, sei o quanto o toque e o conforto físico afetam a nossa mente. Descreva o cheiro da comida quente, o som das gargalhadas e o calor do espaço. Deixe os jogadores interpretarem o descanso dos seus personagens. Depois, quebre a paz com o soar dos alarmes e a chegada da notícia. O contraste causará um impacto emocional forte e imediato.
Ato 2: A Diplomacia das Trincheiras (O Desafio Social). Esta é a fase de investigação e persuasão, num ambiente contido. Em vez de explorarem uma masmorra, eles exploram as mesas do restaurante. Cada grupo tem a sua própria exigência para ajudar na barricada. A Gangue do Chicletinho pode querer um Artefato como pagamento; os intelectuais podem exigir um debate filosófico bem-sucedido para provar que vale a pena lutar. Faça os jogadores rolarem testes sociais, argumentarem e fazerem alianças improváveis.
Ato 3: O Cerco (O Clímax). As forças da Repartição começam a bater à porta. É um momento de tensão ao estilo “Tower Defense“. Os jogadores usam os aliados que conseguiram no Ato 2 para repelir as investidas, enquanto protegem o centro da cantina onde a magia de proteção está a ser canalizada. É uma batalha onde as defesas são feitas de cadeiras empilhadas, magia caótica e, acima de tudo, companheirismo.
Dicas para o Narrador:
Esta semente respira a energia revolucionária dos salões Brujah de Vampiro: A Máscara e transborda a genialidade anárquica de V de Vingança de Alan Moore.
O foco existencial aqui é a filosofia da linguagem e da ação comunicativa. Num sistema totalitário que apaga existências (como o de As Chaves da Torre), o simples ato de partilhar uma refeição e ter um debate livre é um crime de insubordinação gravíssimo. Censurar a Cantina Girólamo é o equivalente a queimar livros ou silenciar podcasts.
Ao narrar isto para iniciantes, o objetivo é mostrar que em RPGs a lábia e a empatia podem salvar mais vidas do que a força bruta. Você estará a questionar os sues jogadores: conseguem colocar as suas diferenças de lado e dialogar quando o fascismo bate à porta?
Semente 4: A Fúria do Frio Primordial
A Singularidade Base: JA-UO: Neve de Verão.
Imagine um resort de ultra-luxo chamado “Ipê Branco”, construído de forma completamente criminosa sobre uma área de restinga (aquela vegetação costeira fundamental para as praias). De repente, num cenário tropical, uma nevasca mágica e impossível congela tudo. Um iceberg colossal desponta no mar, e o resort é tomado por Priscos glaciais liderados por Pengú, um pinguim-imperador de três metros de altura que assumiu a gerência do lugar na base do bico e do gelo.
Premissa:
A Repartição perdeu completamente o controle da região. Os Protagonistas são enviados (ou acabam caindo lá por acidente) com a missão de resgatar alguns “hóspedes” importantes da Torre que ficaram presos nas suítes presidenciais do resort congelado. Porém, ao chegarem, descobrem que Pengú e seus seguidores não são meros monstros irracionais: eles são refugiados de um habitat apagado pela Metrópole. O iceberg no mar não é gelo comum; é a materialização da “Memória da Era Glacial”, um núcleo de poder ancestral que os Priscos ativaram para congelar e purificar a corrupção do Ipê Branco. O problema? O feitiço está saindo do controle e o gelo vai engolir os subúrbios esquecidos nos arredores se ninguém intervir.
Como Conduzir a Narrativa (Dicas para Mesas Iniciantes):
Ato 1: O Choque Térmico (A Exploração). A sessão começa na praia. O contraste visual é fortíssimo para jogadores iniciantes: coqueiros petrificados em gelo, areia coberta de geada e o silêncio mortal de um frio antártico em um local que deveria ser ensolarado. Faça os jogadores lidarem com o ambiente como se fosse um inimigo. O frio extremo drena a Força de Vontade e a vida. Eles precisam improvisar roupas, encontrar fontes de calor e se esgueirar pelos saguões do resort (estilo a tensão opressiva do primeiro Resident Evil), evitando patrulhas de focas-leopardo mágicas.
Ato 2: A Corte do Imperador (O Encontro Social). Ao invés de uma batalha clássica contra o “chefão”, os Protagonistas são capturados (ou pedem uma audiência) e levados até Pengú. Aqui o roleplay brilha: Pengú é articulado, orgulhoso e profundamente amargurado. Ele joga na mesa as plantas arquitetônicas do resort, provando que as fundações do prédio usam magia burocrática para drenar a energia vital da restinga só para aquecer as piscinas da elite. O ultimato dele é simples: peguem os humanos e sumam, ou morram congelados com o prédio.
Ato 3: O Coração do Iceberg (O Clímax). O núcleo mágico no iceberg está instável e ameaça congelar inocentes nos bairros vizinhos. Os jogadores precisam ir até lá para estabilizá-lo. O dilema moral estala na mesa: eles podem destruir o núcleo, salvando os burocratas da Torre e os subúrbios, mas condenando os Priscos a perderem seu último refúgio; ou podem recalibrar o núcleo, destruindo o resort de vez (com os engravatados lá dentro), validando a vingança da natureza.
Dicas para o Narrador:
Como filósofo, eu gosto muito de trazer o pensador Hans Jonas e seu livro O Princípio da Responsabilidade para esse tipo de mesa. Ele argumenta que a humanidade tem o dever ético de garantir a existência da natureza para as gerações futuras, porque o nosso poder tecnológico se tornou uma força de destruição planetária.
Nesta aventura, o resort é a pura húbris humana (a nossa arrogância desmedida). Quando você for narrar isso, mostre que o eco-terrorismo de Pengú nasce do desespero do apagamento. É a fúria cega de quem teve a própria casa destruída.
Você vai obrigar a sua mesa a debater: a justiça climática e espiritual justifica medidas extremas? Quem é o verdadeiro monstro: o pinguim gigante que congelou o prédio, ou o burocrata de terno que assinou a ordem para destruir a floresta e construir o resort?
Semente 5: Os Ecos do Castigo
A Singularidade Base: Série 30X Nº20:30: Provérbios 20:30.
Esse é o nome burocrático para a Penitenciária de São Judas, um local de horror esquecido. Aqui atua um grupo de extermínio e tortura chamado “O Batalhão”, composto por agentes corrompidos que utilizam a magia da Repartição para agir com total impunidade. O desespero dos prisioneiros é tão grande que as próprias paredes da penitenciária sangram e o trauma ganha forma física, prendendo todos em um loop de violência institucional interminável.
A Premissa Detalhada:
Os Protagonistas são abordados por uma mãe desesperada nos subúrbios. O seu filho, um jovem inocente que apenas tentava organizar um protesto pacífico na Metrópole, foi “apagado” pelas autoridades e jogado na Penitenciária de São Judas. Ele não tem Chaves para pagar a sua saída e está sendo usado como “combustível de dor” para os rituais do Batalhão. O grupo tem uma missão de extração: invadir esse panóptico dantesco, encontrar o rapaz nas masmorras mágicas e tirá-lo de lá antes que a sua alma seja completamente obliterada pelo sistema prisional.
Como Conduzir a Narrativa (Dicas para Mesas Iniciantes):
Ato 1: O Peso dos Portões (A Atmosfera). Comece a sessão focando no horror psicológico. Quando os jogadores se aproximam da prisão, o ar fica rarefeito, a luz do sol parece não alcançar o prédio e ouvem-se ecos de correntes e lamentos intermináveis. Para iniciantes, é vital estabelecer que esse não é um local para combate aberto e despropositado. Se tentarem peitar o Batalhão na porta da frente, vão morrer. Eles precisam de furtividade, de entrar pelos esgotos ou falsificar documentos de transferência da Repartição.
Ato 2: O Labirinto do Trauma (O Desafio de Sobrevivência). Lá dentro, a geometria da prisão não faz sentido — corredores que se alongam para sempre, celas que espelham os piores medos de quem olha para dentro. Os guardas do Batalhão patrulham, mas o verdadeiro perigo são os “Ecos”, manifestações físicas de prisioneiros torturados. Os jogadores não devem atacá-los; devem usar empatia ou magia de conforto para acalmar os Ecos e abrir caminho. É uma infiltração onde a compaixão é a sua melhor ferramenta de stealth.
Ato 3: A Quebra do Loop (O Clímax). Eles encontram o jovem no centro prisional, ligado a um dispositivo macabro que drena as suas memórias para alimentar as armas do Comandante do Batalhão. O combate final aqui é inevitável. Mas o objetivo principal não é apenas derrotar o Comandante: é destruir a máquina e libertar os Ecos presos na sala. Ao fazer isso, a própria prisão entra em colapso espiritual, forçando os Protagonistas a uma fuga alucinante enquanto o prédio vomita a corrupção acumulada durante anos.
Dicas para o Narrador:
Voltando a Foucault, a ideia do Panóptico — a prisão perfeita onde o prisioneiro sente que está sempre sendo vigiado, mesmo que não esteja — é essencial aqui. A Penitenciária de São Judas é a materialização do punitivismo desmedido e da brutalidade policial do nosso próprio mundo real.
Atenção: Por causa da temática pesada (violência institucional, tortura), é obrigatório o uso de Ferramentas de Segurança na sua mesa. O objetivo desta aventura não é traumatizar os jogadores, mas oferecer uma catarse.
Para jogadores iniciantes (e veteranos), dar a eles a oportunidade de invadir um bastião do fascismo, quebrar a cara de torturadores impunes e salvar um inocente do corredor da morte é uma das experiências mais empoderadoras que o RPG pode proporcionar. Vocês vão debater: qual é o limite da violência quando se combate a própria violência de Estado?
Conclusão: O Abismo Olha de Volta, mas a Gente Pisca para Ele
Nós passamos por dirigíveis de luxo movidos a Oblívio, bancos que mercantilizam memórias, cantinas revolucionárias, resorts congelados pela fúria da natureza e prisões que são a encarnação do panóptico de Foucault. Como filósofo, eu não poderia estar mais empolgado com o que construímos aqui. Afinal, a filosofia não deve ficar presa em torres de marfim acadêmicas — ela deve ir para a mesa de jogo, sujar as mãos de graxa, rolar dados e lutar contra a opressão.
O grande trunfo de As Chaves da Torre e desse suplemento magistral é nos lembrar de que a memória é o nosso maior ato de rebeldia. Em um mundo real onde a gentrificação, a desigualdade e o apagamento cultural são forças diárias, o RPG se torna uma ferramenta de simulação social e empatia.
Quando jogamos Vampiro: A Máscara, lidamos com a Besta interior. Quando jogamos um JRPG épico como Final Fantasy VII ou Tales of Vesperia, lutamos contra impérios para salvar o amanhã. Mas em As Chaves da Torre, nós lutamos para salvar o ontem. Lutamos pelo direito de existir e de sermos lembrados. As cinco sementes que criei são exatamente sobre isso: pegar o realismo mágico e usá-lo como um megafone para as nossas próprias angústias e esperanças.
As Dicas de Ouro para a sua Mesa
Para garantir que essa experiência seja inesquecível e saudável para você e seus jogadores, separei três conselhos práticos, unindo a minha visão de narrador com a minha vivência na massoterapia e nas terapias integrativas:
1. A Catarse é o Objetivo, não o Trauma (Usem Ferramentas de Segurança)
Os temas do Dossiê das Singularidades são pesados. Estamos falando de apagamento, violência de Estado e luto. Nunca, em hipótese alguma, rode essas aventuras sem conversar com seus jogadores antes (a famosa Sessão Zero) e sem ferramentas como o Cartão X ou Linhas e Véus. O objetivo do horror pessoal e social no RPG é a catarse — a purificação através da superação do medo, como Aristóteles já dizia. A mesa deve ser um local seguro para explorar ideias perigosas, e não o contrário.
2. O Respiro é Tão Importante Quanto o Sufoco
Na massoterapia, a gente sabe que um músculo não pode ficar tensionado o tempo todo, senão ele rompe. Na narrativa, é a mesma coisa. Se você colocar apenas opressão e tristeza na sua crônica, a mesa vai se esgotar (o famoso burnout emocional). Lembre-se das salas de save de Resident Evil ou dos acampamentos em Dragon Quest XI. Permita que os Protagonistas tenham momentos de alegria, de partilhar uma refeição na Cantina Girólamo, de dar risada de uma falha crítica engraçada. O contraste da luz é o que faz a sombra da Torre parecer tão assustadora.
3. Traga o Físico para o Mágico (Desperte os Sentidos)
Nossas memórias são profundamente sensoriais. Como terapeuta, vejo como o corpo guarda histórias. Quando for narrar as Singularidades, não descreva apenas o que os jogadores veem. Descreva o cheiro de ozônio e ferrugem nos corredores do Éxodo; o frio cortante do iceberg que faz os ossos doerem; a textura do papel molhado dos documentos da Repartição. O realismo mágico funciona melhor quando está ancorado em sensações físicas palpáveis. Faça seus jogadores sentirem o Mundo Esquecido.
E é isso, meus querido Rpgista! Espero que esse mergulho no Dossiê das Singularidades inspire você a criar campanhas profundas, questionadoras e, acima de tudo, divertidíssimas. O RPG nacional está vivendo uma era de ouro, e obras como As Chaves da Torre provam que nós temos muito a dizer.
Não deixe de comentar o que achou, se vai usar alguma dessas sementes ou se teve outras ideias loucas lendo o Dossiê! Um abraço gigantesco, rolamentos críticos para todos e que as nossas memórias nunca sejam apagadas!
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Recentemente ficou disponível para compra o manual digital Skyfall RPG – O Mundo das Quedas. Um suplemento lançado pela Capycat Games, que diversos aspectos de Skyfall RPG para o sistema T20.
O suplemento é bastante completo, trazendo os pontos de catarse e as ancestralidades do jogo oficial de Skyfall, mas no arcabouço de regras de T20, mas nisso me veio um questionamento: como adaptar as Ameaças de Skyfall em T20?
Bem, é isso que vamos abordar hoje!
Opath e Arton tem monstros grandes esperando para serem derrotados!
Ameaças de Opath
Com o Ameaças de Arton, podemos ter alguma ideia melhor de como pegar monstros da 5e e do Skyfall (que usa algumas regras do mesmo), mas antes vamos entender com as Hierarquias e como elas equivalem em T20.
Hierarquias
Em Skyfall RPG, existem três tipos diferentes de Ameaças; Simples, Complexas e Chefões.
Ameaças Simples x Ameaças Lacaios
A maneira como ameaças simples de Skyfall são descritas no livro, se aproximam muito mais de Capangas de T20, mas os capangas normalmente vem por habilidades de ameaças, então algumas (a sua escolha) podem ter habilidades que invocam esses tipos de ameaças. Um exemplo é a habilidade Servos do Dragão do Acólito de Kally (Ameaças, pág. 146).
Ameaças Complexas x Ameaças Solo e Especial
Ameaças Complexas são o mais próximo que uma ameaça “comum” de T20 seria, algumas podem até mesmo ser consideradas ameaças do tipo lacaio. Mas em sua esmagadora maioria serão Solo e Especial.
Ameaças Chefões x Ameaças Chefe Final
Ameaças Chefões e Ameaças Chefe Final provavelmente são as mais diferentes entre os dois RPG. Introduzido no Ameaças de Arton, os Chefões podem ser colocados em T20 de duas maneiras diferentes:
Como um tipo de Chefe Final, em que ele recebe os bônus de um Chefe Final normal e sua habilidade são as três iniciativas e se recuperar de uma condição ao final do turno (veja Skyfall RPG, pág. 441).
Criar um novo tipo de Chefe Final para cada Ameaça, em que ele não tem as habilidades diferentes do Chefão de Skyfall, mas um tipo diferente a sua escolha ou baseada em suas habilidades.
Centauro: Bruto e Cavalaria!
Arquétipos
Skyfall tem diferentes tipos de arquétipos que definem seus modos de lutar no campo de batalha. Não tem exatamente um equivalente, mas algumas coisas são sugestões;
Os Arquétipos Atirador, Bruto, Cavalaria e Líder normalmente serão Solo.
Arquétipos Coletivo normalmente são criaturas do tipo Enxame ou Bando, com um tipo equivalente ao seu papel.
Arquétipos Cavalaria, Defensor, Flanqueador e Sentinela serão ameaças Lacaio ou Especial.
Tipos
Os tipos de Skyfall são mais abrangentes, e alguns tem equivalências em T20. Normalmente os subtipos serão as ancestralidades das criaturas, mas as conversões são;
Animais. Feras;
Constructos. Constructos;
Espíritos. Celestiais, Elementais, Feéricos e Ínferos;
Humanoides. Gigantes e Humanoides;
Monstros. Dragões, Gosmas e Monstros;
Mortos-Vivos. Mortos-vivos.
Criaturas do tipo planta normalmente vão entrar em algum tipo de criatura, como Humanoides ou Monstros, mas vão ter a habilidade Natureza Vegetal (Ameaças de Arton, pág. 17).
Tamanho
Os tamanhos de Skyfall e T20 são iguais, com exceção do nome do Imenso, que é equivalente a Colossal, mas o resto é igual.
Recarga
Skyfall e T20 tem dois tipos diferentes de uso de Recarga. A Recarga de Skyfall acontece quando o Mestre usa uma habilidade de recarga da Ameaça, e só pode usar novamente quando um jogador usa o ponto de catarse.
Em T20, as habilidades de Recarga só podem ser utilizadas novamente após cumprir alguma condição especifica, que podem ser usar uma ação especifica ou causar algum efeito.
Tá na hora de construir um monstro!
E quando vamos começar a converter?
Agora, mas o resto da ficha é um pouco mais complexo. Algumas habilidades das criaturas de Skyfall, mas outras precisam ser feitas do zero.
As perícias normalmente vão ser bem parecidas com seus equivalentes de outros sistemas D20, portanto a passagem é quase 1:1 com o que é explicado na Lista de Perícias de Skyfall RPG pág. 27. Mas vamos fazer uma ficha aqui como exemplo;
Tipos
Primeiro passo: verificamos seus tipos. Vemos que ele é um Monstro (quimera), Grande, Complexo (Bruto, Flanqueador).
Baseado nas informações de seu tipo, acredito que ele encaixa bem para ser um: Monstro, Grande, Solo.
Deslocamentos
Os deslocamento de Skyfall já são semelhantes ao de T20, sem maiores alterações.
Atributos
Como T20 não usa os valores de atributo, apenas os modificadores, pegamos apenas os valores do Bunyip, assim ele vira uma criatura com: FOR 4, DES 2, CON 3, INT -2, SAB 2, CAR -2.
Características e Perícias
Vida, RD e Resistências
Em Skyfall, o Bunyip tem 115 PV, RD 6 e é vulnerável a GÉLIDO e imune a ÁCIDO, ELÉTRICO e ÍGNEO. Além de ter Furtividade +3, Preparo Físico +3.
Para T20, a vida já está condizente com uma ameaça do seu ND, então não mexemos nela. Nem todas criatura em T20 terá redução de dano, mas no caso do Bunyip é interessante que tenha, mas vamos diminuir para 5, já que normalmente os bônus de redução de dano vem em múltiplos de 5 ou de 2, então para facilitar vamos deixar em RD 5.
Convertemos ele para uma criatura imune a dano ácido, eletricidade e fogo, vulnerável a frio. E nas perícias ele tem Furtividade +4, Atletismo +8.
Nesse caso estamos considerando que a ameaça é treinada em ambas as perícias, portanto Furtividade nos fazemos a conta como se fosse um personagem normal. Em T20 você não é obrigado a seguir a risca as regras de quanto de perícia uma criatura tem, portanto se achar que ela precisa ter um pouco mais, pode colocar que ela tem “habilidades escondidas” que somam mais nestes bônus.
Perícias
Para fins desta conversão, Furtividade +4 e Atletismo +8 está de bom tamanho.
Para as demais pericias, vamos ter um trabalho aqui baseado no que temos de informação da ficha até o momento: Iniciativa e Percepção nos fazemos o mesmo trabalho que com as demais perícias, imaginando o que a Ameaça seja treinada ou não. Considerando os status do Bunyip, eu diria que ele tem Iniciativa +4 e Percepção +4.
“Ué, eu jurava que a melhor perícia dele era Fortitude!”
Resistências
Fortitude, Luta, Pontaria, Reflexos, Vontade e Vida são um pouco mais complexos, já que são as maiores variante das ameaças de T20. No geral, veja o mínimo que a ameaça pode ter e compare com as tabelas de ameaça que tem no livro básico (Tormenta20 JdA, pág. 323) ou no Ameaças pág. 382-384.
No caso do Bunyip, considerando o básico que ele deveria ter em todas essas perícias, deveria ser um total de; Fortitude +7, Luta +8, Reflexos +4 e Vontade +4 (Não há Pontaria porque ele não tem ataques à distância).
Comparando com a tabela do Ameaças para criaturas de seu ND, e entendendo a criatura, é interessante que Fortitude seja sua resistência mais forte, Reflexos sua média e Vontade a sua maior. Para aproximar a valores mais próximos, é interessante deixar como; Fortitude +17, Reflexos +9 e Vontade +6.
Não é uma regra escrita em pedra, mas após ter a média, baseado nos atributos, de quanto a criatura deveria ter em cada perícias de resistência, adicione +10 a que deveria ser a mais forte, +5 a que deveria ser a média e +2 a que deveria ser a fraca. Isso não vai funcionar em todos os cenários, mas é interessante para caso você queira adaptar rápido.
Defesa e Luta
Defesa, Luta e Pontaria talvez sejam os mais discrepantes, já que normalmente é um valor que é pensado para acertar a Defesa dos aventureiros do mesmo nível que o ND da criatura. Considere seguir um valor mais próximo da tabela do que a criatura pode alcançar com seus valores de perícia base.
No caso de Defesa, seguir a media da tabela é um bom guia. No livro básico uma ameaça ND 5 normalmente tem 28 de Defesa, uma Ameaça Solo tem 24 de Defesa, vamos seguir com 24. Luta a média para o ND dele é 17, vamos manter o valor da tabela.
O dano médio da Bunyip é 14, para deixar algo mais próximo do dano médio que uma criatura de seu ND deveria ter, vamos aumentar o dano fixo para um pouco mais do que o dobro, ou seja, 2d10+7. Para o caso do dano de Arremessar ou Afogar, vamos somar o dano fixo dos ataques por causa da possibilidade dos dados de catarse.
Habilidades
Para as habilidades passivas no caso do Bunyip, o Bruto e Ataque Múltiplo nós podemos apenas adicionar na ficha sem descrevê-la, mas o efeito de Acerto do ataque é equivalente a habilidade Agarrar Aprimorado. Flanqueador vira Ataque Furtivo. Arremessar ou Afogar nós temos que alterar a maneira que é descrita para algo mais próximo do T20.
Ficha Finalizada
No fim, o Bunyip Afogador em T20 fica algo assim:
O Bunyip Afogador
Bunyip Afogador ND 5
Monstro, Grande, Solo Iniciativa +4, Percepção +4 Defesa 24, Fort +17, Ref +9, Von +6, redução de dano 5, imune a ácido, eletricidade e fogo, vulnerável a frio. Deslocamento 6m (4q), natação 15m (10q) Corpo a Corpo Presas x2 +17 (2d10+7, 19)
Agarrar Aprimorado (Livre) veja Ameaças de Arton pág. 14 ou Tormenta20 JdA, pág. 228 (Bônus +19). Arremessar ou Afogar Se iniciar seu turno agarrando uma criatura, o Bunyip causa mais 3d6+7 pontos de dano de perfuração e arremessa a criatura em até 1d6 x 1,5m em uma direção a sua escolha.
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Neste RPG frenético de guerra espacial, sci-fi horror, ou ficção científica – a seu critério -, homo sapiens podem ser criados em 5 minutos, como soldados prontos para (e ansiosos pela) batalha! Trazido ao planeta Terra pela Editora Nozes Game Studio, recruta!
Mas agora, atenção ao treinamento, soldado! Isto pode salvar a sua bunda! Vamos pelo início, com nosso passo a passo:
Passo 1
Pegue um dado de 20 faces (ou D20, para os íntimos), ou use um app de simulação de dados.
Jogue o dado 3 vezes – acelerado! E olha na tabela de talentos. Digamos que os três resultados são: 3, 7 e 9. Isto nos leva aos 3 talentos: sapador, carniceiro, e blindado.
Passo 2
Escolha equipamentos para a missão! (Achou que íamos te mandar pra guerra desarmado? Nada disso!) Atenção para o kit básico de uma missão:
Arma principal, arma secundária, armadura, 5 cartuchos de munição, 3 itens de lista de equipamentos (sugestão: capacete especial, bota de salto, jetpack), um medicamento e um comunicador local (até 500 metros).
Passo 3 – Vem comigo!
Jogue um dado de 6 faces (ou 1d6), e some 10 pontos, para definir os pontos de vida, e para cada nível que o Trooper tiver, mais um dado de 6 faces é jogado. Fui claro como cristal, soldado?
Passo 4 – Acelerado, soldado!
Defina a matriz de ataque na tabela T2 do livro de regras, recruta! No seu caso, que acabou de chegar, seria nível zero! E a classe de armadura do alvo, é número que você precisa tirar num D20: A20, B19, C17, D15, E13!
DEFINA a matriz de proteção, na tabela T3 do livro de regras, mais uma vez, como você é um novato cheirando a leite, seria nível zero! L14, B15, M16, E17, P18 – já percebeu que você precisa jogar um D20, certo?
Passo 5 – Hora de conferir armas e amadura!
Anote sua classe de armadura, e arsenal.
Black Trooper arsenal
Passo 6
Jogue um dado e escolha codinomes na tabela, ou escolha, e dê toques finais. Pronto!
Tudo certo para o seu alistamento, recruta! A grandeza e a glória te esperam, quando você quiser!
Inspirado em livros, filmes e videogames, como Alien, o Oitavo Passageiro, Tropas Estelares, Doom, Quake, Duke Nuken, Dead Space, X-COM, etc.
Taxa de alistamento? Por este RPG completo, com bestiário incluído? Em 01/03/2026, você precisará pagar no livro FÍSICO R$64,90. Já com PDF INCLUSO!
Mais uma vez, te vejo do outro lado, quando acordarmos do criosono, soldado! Como? Você é pacifista? Ninguém é perfeito, soldado, nem eu, inclusive, e também sou um pacifista convicto e contra a pena de morte. Mas se tiver de escolher entre a sua pele, e a de um Alien, prefiro salvar a sua carcaça, mil vezes, a deixar um Alien te matar. Entendido?
Agora, que Deus abençoe e ilumine você e seu pelotão, que sua escopeta sempre acerte o alvo, e que sua motoserra não seja necessária, mas lembre-se deste antigo ditado:
“É melhor escapar fedendo, do que morrer cheiroso!”
Espera, você também quer uma resenha completa? Se afirmativo, aguarde novas instruções no máximo até o próximo ciclo de translação completo.
Ah, a Editora Nozes deve lançar um suplemento com aventuras novas em breve. Atualizo esta postagem quando ocorrer. Até lá, é tudo…
Top Secret
Temos outras resenhas, aqui no MovimentoRPG. Quer checar aqui? E nosso podcast, já conhece? Escuta aqui!
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O cenário de City Of Mist, da Retropunk Editora, é um prato cheio para aventuras de diversos tipos. Por conta disso, resolvi puxar minhas referências musicais pessoais e criar uma verdadeira Mixtape Nebulosa,
Confira algumas ideias de aventura inspiradas nas letras, melodias e referências de alguns dos meus artistas favoritos, para você levar para sua jornada na Cidade.
Lado A
1. Emotion Sickness – Silverchair
Tema: colapso emocional e parasitismo psíquico. Mythos sugerido: Cassandra, Narciso ou Eco.
Uma terapeuta famosa da elite da Cidade tornou-se referência em tratamentos experimentais para traumas profundos.
Seus pacientes relatam sessões intensas nas quais revivem memórias dolorosas e saem sentindo-se leves, quase vazios.
O problema é que, dias depois, começam a perder não apenas a dor, mas também o entusiasmo pela vida. Artistas param de criar. Ativistas abandonam causas. Um empresário desiste de um projeto que beneficiaria milhares de pessoas.
A terapeuta parece absorver algo invisível. Testemunhas dizem que seus olhos brilham durante as sessões mais difíceis. Um antigo paciente afirma ter visto, por um instante, várias versões dela sobrepostas, como ecos emocionais.
O Mythos pode ser Cassandra, condenada a sentir tragédias antes que aconteçam, drenando emoções para sobreviver. Pode ser Narciso, alimentando-se da intensidade alheia para sustentar a própria identidade. Ou Eco, repetindo dores até que elas se tornem suas.
Mistério central
Ela está salvando pessoas da dor ou roubando aquilo que as torna humanas?
Complicações
Um dos personagens já fez terapia com ela.
Um contato importante perdeu completamente a motivação.
A terapeuta acredita sinceramente que está curando o mundo.
2. Stargazer – Rainbow
Tema: obsessão e transcendência. Mythos sugerido: Ícaro, Prometeu ou a Torre de Babel.
Um magnata excêntrico iniciou a construção de um arranha-céu que promete revolucionar a arquitetura da Cidade.
O prédio cresce rápido demais. Operários desaparecem. Engenheiros afirmam que certos cálculos simplesmente não fazem sentido físico, mas a estrutura continua se expandindo.
Moradores próximos relatam ouvir um canto vindo do topo da construção durante a madrugada. Alguns dizem que as estrelas parecem mais próximas quando observadas dali.
O empresário pode estar encarnando Ícaro, determinado a ultrapassar os limites humanos. Talvez seja Prometeu, tentando roubar um segredo cósmico. Ou a própria Torre de Babel, manifestação de uma ambição coletiva que desafia o céu.
Mistério central
O prédio é apenas concreto ou já se tornou um portal simbólico para algo maior?
Complicações
Um personagem recebe uma oferta para proteger a obra.
Um sobrevivente de uma queda fala sobre luzes que piscavam em resposta aos seus pensamentos.
A estrutura parece alterar o humor das pessoas ao redor.
3. Crossroads – Bone Thugs-n-Harmony
Tema: luto e barganhas espirituais. Mythos sugerido: Caronte, Hécate ou o Diabo do blues.
Um cruzamento específico tornou-se ponto de peregrinação para pessoas enlutadas. Dizem que, à meia-noite, é possível conversar com quem já morreu. Alguns saem consolados. Outros nunca mais são vistos.
Câmeras de segurança falham sempre no mesmo horário. Um motoboy relata ver uma figura encapuzada parada sob o semáforo piscante.
O Mythos pode ser Caronte, conduzindo almas entre mundos. Pode ser Hécate, guardiã das encruzilhadas. Ou o arquétipo do músico que vendeu a alma no cruzamento em troca de talento e fama.
Mistério central
Os mortos estão realmente falando ou alguém está manipulando o desespero dos vivos?
Complicações
Um personagem perdeu alguém recentemente.
Um aliado fez um pacto e agora age de forma estranha.
As mensagens dos mortos começam a revelar segredos perigosos.
Lado B
4. Da Lama ao Caos – Nação Zumbi
Tema: resistência e transformação social. Mythos sugerido: Exu, um espírito da tempestade ou uma entidade do caos criativo.
Um bairro historicamente negligenciado floresce culturalmente. Arte urbana, música e projetos comunitários revitalizam a região.
Ao mesmo tempo, uma construtora tenta expulsar moradores com métodos agressivos.
Após cada investida da empresa, acontecimentos estranhos sabotam suas operações. Máquinas quebram sem explicação. Documentos desaparecem. Seguranças afirmam ouvir tambores sob o solo.
A líder comunitária pode manifestar um Mythos ligado ao caos criador, uma força que transforma lama em potência e destruição em renovação.
Mistério central
Essa energia protege o bairro ou está preparando algo muito maior e imprevisível?
Complicações
Um personagem possui vínculos com a construtora.
A polícia começa a investigar os eventos.
A força mítica começa a afetar pessoas inocentes.
5. A Queda – Inspirada em Gloria Groove
Tema: fama, ruína e renascimento. Mythos sugerido: Lúcifer, Fênix ou Narciso.
Uma estrela pop sofre um escândalo devastador. Patrocinadores rompem contratos. Fãs se afastam. Após semanas desaparecida, ela retorna com uma nova estética e uma presença quase sobrenatural.
Seu show mais recente provocou reações intensas. Pessoas relatam sensação de purificação e libertação. Outras afirmam ter revelado segredos íntimos durante o espetáculo sem perceber.
O Mythos pode ser Lúcifer, símbolo da queda luminosa. Pode ser a Fênix, renascendo das cinzas. Ou Narciso, reconstruindo a própria imagem à custa da devoção alheia.
Mistério central
Ela está se reinventando ou drenando algo do público para reconstruir sua identidade?
Complicações
Um personagem é fã ou trabalha com mídia.
Um jornalista investiga inconsistências na narrativa da queda.
Os shows coincidem com surtos emocionais coletivos.
6. Homem na Estrada – Racionais MC’s
Tema: redenção e ciclo de violência. Mythos sugerido: Sísifo, Caim ou um justiceiro arquetípico.
Um ex-detento tenta reconstruir a vida como motorista de aplicativo. Ele evita conflitos e ajuda passageiros vulneráveis.
Ainda assim, incidentes violentos acontecem em seu caminho. Criminosos são hospitalizados. Assaltantes são capturados após cruzarem com ele.
Sempre parece legítima defesa. Sempre parece inevitável.
Seu Mythos pode ser Sísifo, condenado a repetir um ciclo de esforço e queda. Pode ser Caim, marcado por um passado que nunca o abandona. Ou a personificação de um justiceiro que acredita equilibrar o mundo com as próprias mãos.
Mistério central
Ele está lutando contra sua natureza mítica ou aceitando um destino que o afasta da redenção?
Complicações
Um personagem já foi salvo por ele.
Um detetive começa a conectar os incidentes.
A violência começa a escalar além do controle.
Conectando a Mixtape
Todas as sementes podem ser unidas por um elemento comum. Uma rádio pirata que toca exatamente essas músicas antes de cada evento sobrenatural. Uma gravadora comandada por avatares poderosos. Um toca-fitas antigo que desperta Mythos adormecidos.
Dessa maneira, você pode fazer uma campanha inteira dentro desse conceito musical.
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SIGMATA: Esse Sinal Mata Fascistas está disponível por meio da editora Huginn & Muninn, após uma bem-sucedida campanha no Catarse trazendo este título de destaque internacional para o Brasil.
SIGMATA
Para quem gosta de jogos que misturam ação, narrativa potente e temáticas profundas, este RPG merece sua atenção.
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O cenário de SIGMATA se passa em uma História alternativa distópica dos anos 1980, em que um governo autoritário (o chamado “Regime”) controla completamente os Estados Unidos, usando propaganda, força policial militarizada e políticas repressivas para esmagar dissidência e oponentes.
Receptores
Os jogadores vestem a pele de Receptores, guerreiros transformados em ciborgues que só alcançam seus poderes completos quando estão na presença do misterioso “Sinal” . Esse é um sinal de rádio que energiza habilidades sobre-humanas e se torna o vetor simbólico e literal de resistência contra a opressão.
A ambientação evoca ecos de tensões políticas contemporâneas tanto nos EUA quanto no Brasil, mas o faz como pano de fundo para explorar conflitos éticos, alianças frágeis e resistência em um mundo polarizado.
Quad-core Processor
O jogo roda sobre um sistema único apelidado de Quad-Core Processor, que combina elementos de jogos narrativos e mecânicas de resolução de ação. Cada personagem tem quatro “processadores” básicos (Agressão, Astúcia, Bravura e Julgamento) que determinam como ele atua em cenas estruturadas de combate, evasão e intriga.
Os jogadores sempre rolam um conjunto de dados e interpretam os resultados com liberdade narrativa, com pouca ênfase em regras de simulação detalhada e mais foco em como as ações moldam a história. Esse sistema é simples, fluido, e coloca a narrativa nas mãos dos jogadores e do mestre, tornando cada cena uma dança entre risco mecânico e escolha dramática.
Evolução
O que torna SIGMATA especialmente empolgante é a forma como os personagens evoluem e ganham vantagens. Além de seus perfis de RECEPTOR, os jogadores podem incorporar cibernéticos (modificações mecânicas e implantes internos chamados Lâminas) que aumentam habilidades e funções de combate.
Quando o Sinal está ativo, eles acessam as chamadas Sub-Rotinas. Esses seriam os poderes excepcionais como teletransporte via redes, rajadas de energia e outras habilidades que evocam super-capacidades tecnológicas. Longe de ser apenas “superpoderes”, essas Sub-Rotinas e Lâminas estão profundamente ligadas ao tema do jogo. Eles ressaltam a tensão entre poder e vulnerabilidade, e a necessidade de coordenar o Sinal, a resistência e o momento certo de agir em um mundo hostil.
Em resumo
STIGMATA: Esse Sinal Mata Fascistas é uma experiência narrativa ousada e original que combina temática política complexa, sistema de jogo dinâmico e construção de personagem criativa. Ele entrega um RPG densamente atmosférico, repleto de escolhas difíceis, momentos cinematográficos e grande espaço para uma narrativa coletiva rica.
Se você curte jogos que desafiam tanto a imaginação quanto o engajamento narrativo, vale muito a pena conferir. Visite a página da Huginn & Muninnclicando aqui para garantir seu exemplar e repetir o sinal em sua mesa de jogo!
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Tranquilos, pessoal? Hoje traremos as principais organizações/guildas profissionais de Recchá. A quase totalidades das organizações são focadas em suas atividades profissionais, garantindo que seus profissionais tenham acesso aos melhores equipamentos e estudos. Fornecendo, de certa forma, um padrão no exercício profissional, evitando-se falhas e, também, mantendo seus profissionais sob controle.
Além disso, todas as organizações possuem uma agenda pública e outra secreta. E possuem o costume de adotar um ou mais deuses como seus patronos/padroeiros.
Bibliotecários
Os cronistas são obcecados por preservar o conhecimento. Especialmente se tal conhecimento se referir a sua espécie e se tratar de artefatos. Essa obsessão existe por necessidade da espécie, visto que eles compartilham, de certa forma, o acesso a uma memória coletiva a qual possui uma forte ruptura no período anterior do Século das Catástrofes e à criação da Grande Barreira entre o mundo mortal e o divino.
Bibliotecária cronista
Para suprirem essa necessidade interna e, também, conseguirem recuperar os artefatos que podem desvendar a história da espécie, os cronistas criaram grandes bibliotecas, especialmente da capital Thrýlos. Como os cronistas não são muito numerosos, boa parte se torna bibliotecário, cuidando e protegendo o conhecimento. Já alguns, mais destemidos, preferem sair em aventuras e são estes, geralmente, que contratam ou instigam aventureiros de outras espécies para explorarem alguma das muitas ruínas cronistas espalhadas pelo continente.
Alguns cronistas apreciam trabalhar em bibliotecas de outras espécies. Porém, isso é uma grande exceção.
Agenda pública: obtenção e preservação do conhecimento cronista.
Agenda secreta: descobrir o que aconteceu antes e durante a Grande Ruptura, provando que não foram eles os culpados.
Caçadores de Dragões
A serviço do Império Recchá, esta guilda surgiu como um pelotão de elite especializado em combater os dragões amarelos durante a Guerra Amarela. Com o fim da guerra a mais de um milênio, esta ordem/guilda foi se adaptando conforme a necessidade, porém (quase) sempre permaneceram próximos ao imperador ou aos governantes da capital Recchá (em períodos de república ou guerras civis).
Atualmente servem como uma polícia secreta de elite que caça divergentes e rebeldes. Pertencer aos Caçadores de Dragões é sinônimo de ser temido por onde quer que passe. Porém poucos são os membros conhecidos e poucas pessoas podem ser consideradas aptas a complexa e dificílima forma de entrar na guilda.
Agenda pública: garantir a ordem e a segurança do Imperador e outras autoridades.
Agenda (não tão) secreta: eliminação de rebeldes e inimigos do Império.
Irmandade do Horizonte Dourado
Tendo menos de duzentos, esta guilda foi paulatinamente sendo criada em virtude do aumento das linhas férreas do Império. Ao contrário do que se pode pensar, não há só maquinistas, mecânicos e outros tipos de funcionários para lidarem com os trens a vapor.
As atividades férreas são muito lucrativas e sempre foram alvo de muitos ataques. Assim, foi criada uma força armada para proteger os comboios, seja de mercadorias ou passageiros. E o que começou com aventureiros e mercenários sendo contratados, atualmente é um braço autônomo do Exército Imperial, logisticamente respondendo à Irmandade do Horizonte Dourado, mas economicamente sendo sustentado pela seção militar do Império.
Qualquer um que trabalhe nesta guilda tem sua vida investigada por meios comuns e mágicos para averiguar que não haja ligações com qualquer grupo rebelde. Os quais pararam com os ataques aos trens por causa da impopularidade que isso causava em meio à população civil. Entretanto, ainda há monstros errantes que podem destruir linhas ou até trens e, por isso, mercenários ainda são contratados para serviços específicos longe dos trens.
Porém, com tamanha influência comercial, os trabalhos da Irmandade se expandiram e alguns de seus membros realizam trabalhos de espionagem, segurança e até assassinatos.
Agenda pública: garantir o transporte de pessoas e mercadorias no Império e seus aliados.
Agenda secreta: obtenção e controle de informações e rede de espionagem.
Guilda Mercantil do Império
Esta guilda certamente se encontra entre as maiores do Império. Isso se não for a maior! Com milhares de afiliados, a Guilda Mercantil do Império gerencia toda e qualquer negociação realizada nos domínios do Império e seus aliados. Logicamente, recebendo parte da venda através de pequenas taxas, geralmente de 1% sobre o valor da venda.
Com um tamanho tão gigantesco, inclusive com dezenas de outras guildas menores lhe sendo subordinadas, o único ponto em comum dentro da guilda é a vontade de melhorias para a realização de bons negócios para seus membros. Entretanto, é na forma que isso será feito que se encontram as inúmeras divergências. O que possibilita a existência de dezenas de partidos, chapas e ideologias, cada uma com sua agenda e interesses próprios.
Agenda pública: manter, controlar e melhorar as relações comercias que envolvam o Império.
Agenda secreta: muitas.
Tecnicistas de Adron
Os tecnicistas são a guilda controladora da cidade ambulante de Adron. A maioria deles são os próprios fundadores, já que a cidade existe a pouco mais de 100 anos, outros são descendentes dos fundadores. Raríssimos são os casos de algum novato participando do Conselho dos Tecnicistas.
Entretanto, para evitar confusões e descontentamentos, foi criada a guilda dos Tecnicistas de Adron, a qual é destinada a todos os trabalhadores, comerciantes e moradores da cidade. A guilda serve, essencialmente, para votações controladas pelos dirigentes (fundadores ou herdeiros) da cidade.
Agenda pública: administração da cidade.
Agenda secreta: controle e apaziguamento dos moradores e trabalhadores da cidade.
A Imperial Guilda de Exploradores
Esta é a maior guilda de aventureiros existente no continente com, provavelmente, mais de doze mil exploradores cadastrados. A Imperial Guilda de Exploradores tem autorização do Império para agir em nome desse.
Possui ligação direta com o Império, inclusive fazendo parte , na prática, da administração imperial. Excetuando-se isso, a guilda funciona como várias outras que existem pelo continente: há um cadastro de interessados e suas áreas de especialidade, experiência e interesse. Depois disso, quando algum trabalho aparece os aventureiros e ou grupos são contatados para ver se aceitam o trabalho.
Geralmente trabalhos na capital e de pouca complexidade são designadas para aventureiros iniciantes. Passando para atividades dentro do Império e depois em outras nações. Os pagamentos são muito bons e os acordos sobre a posse de tesouros depende do tipo de serviço e da confiança da guilda.
Agenda pública: centralização e facilitação de trabalhos e exploradores.
Agenda secreta: rede de espionagem e tráfico (vários tipos).
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Olá, bípedes RPGistas! Hoje trago para vocês a campanha de Chamado de Cthulhu 7e chamada Máscaras de Nyarlatothep. Mais especificamente do box de conteúdo vendido pela nossa parceira New Order.
Sobre o Box
O box contém bastante coisa. São dois livros (que dividem o conteúdo do jogo em dois), vários “documentos” que são materiais de auxilio para você mostrar aos seu jogadores. Esses são os famosos props (contém as pistas e mapas que são achados durante o jogo) e um escudo do mestre contendo informações úteis para a campanha.
Primeiras Impressões
Essa é provavelmente uma das campanhas (se não for a mais) famosas de CoC e existia um certo burburinho da comunidade sobre como seria feita a adaptação desse clássico para o sistema da 7e e posso dizer com certa tranquilidade que atende e passou das expectativas dos fãs mais fervorosos. Como todo trabalho da New Order em parceria com a Chaosium, os livros e materiais são lindos e muito bem feitos. Poucas vezes vi um material de RPG tão completo e tão bem feito fazendo valer um preço que é um pouco acima do que geralmente é praticado nos outros manuais.
Mas, além da parte estética e da qualidade do material, a campanha é MUITO bem organizada dentro do livro e torna o trabalho do mestre mais fácil na hora de encontrar as informações que precisa, bem como para entender o arco geral da história. Coisas como o diagrama de pistas e as referências de NPC são um toque excelente nesse caminho.
Contudo, não só do contexto de regras e informações os manuais se sustentam. A história é bem desenvolvida e, acima de tudo, temos uma ambientação fantástica. Claro, o guardião pode procurar na internet como era o Peru ou Londres no começo do séculos passado. Porém o cuidado de o próprio livro das diversas informações das ambientação é de um cuidado que nem sempre vemos em materiais de RPG.
Para fechar com chave de ouro, o jogo já vem todo com as regras opcionais caso você deseje mestrar ele junto das regras adicionais de Cthulhu Pulp (veja minha última publicação sobre esse manual para ter mais informações).
NPCs, mortes e o sistema
Se você pretende se dedicar a mestrar ou jogar essa longa campanha tenha isso em mente: ela é longa, complexa e mortal. Existe uma quantidade avassaladora de NPCs, locais, pistas etc. Então deixe claro aos jogadores que essa campanha exigirá bastante atenção e anotações por parte deles. Claro, não há nada de errado em você ajudar o grupo lembrando alguma informação, mas não crie um hábito! O espírito do jogo é que os investigadores irão investigar os mistérios…
Além de investigação, o jogo apresenta desafios que serão mortais em diversos casos. A campanha é infame pela sua alta taxa de mortalidade e isso não é à toa. O jogo ficou mais acessível, nesse sentido, em comparação com sua versão clássica, mas mesmo assim é provável que um grupo iniciante chegue ao final com 2 ou 3 investigadores que ficaram pelo caminho. Mas não desanime isso faz parte.
Uma dica pessoal se você for rodar o jogo para iniciantes no sistema; utilize algumas regras de pulp como vida e pontos de perícia, mas mantenha as fichas das criaturas e desafios na versão básica. Isso vai aumentar em muito a chance de sobrevivência do seu grupo e eu te garanto que ainda vai ser bem desafiador.
O sistema também pode apresentar um problema para um campanha tão longa, uma vez que o sistema de progressão não é tão amigável a investigadores que ficam por muito tempo na luta contra o mythos. Por isso, talvez seja interessante pensar em algo para ir “melhorando” os investigadores no decorrer da campanha (como apresentam algumas regras pulp), se o seu grupo for muito preocupado em carregar os investigadores iniciais até o fim.
Conclusão
Como eu já destaquei, o livro, história e ambientação realmente brilham nesse material, contudo algumas coisas ainda poderiam ser um pouco melhores. Por exemplo, alguns dos locais recebem mais detalhes e atenção na hora de montar a ambientação (Nova Iorque e Londres são cheios de detalhes) e outros trazem menos conteúdo. Então se o guardião for se guiar apenas pelo que está no manual talvez pene um pouco para ambientar um lugar outro e de extrair o melhor daquele lugar.
Uma última recomendação, se essa for sua primeira experiência como guardião, essa sem sombra de dúvida vai ser uma experiência deveras exigente de você. Como dito, existem muitos NPCS e muitos detalhes da história que você precisa dominar. Eu comecei dizendo que muito seria exigido dos jogadores, mas saiba que mais ainda será exigido do guardião. Por isso não recomendo para guardiões de primeira viagem. Mesmo para os veteranos saiba que você está entrando num caminho que exigirá muita dedicação e preparação. Naturalmente, não é uma proibição para novos guardiões. É possível ser sua primeira experiência com o sistema ou mesmo mestrando como um todo e você tirar de letra. Todavia, caso esse seja seu desejo, é importante entrar ciente nessa empreitada e por isso recomendo talvez mestrar algumas histórias mais curtas antes de entrar de cabeça nessa aqui.
Por fim, a recomendação final é que você se divirta! A história é épica e tenho certeza que seu grupo vai se divertir e aproveitar esse jogo.
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No mundo de Nnume, o Monge da Singularidade representa um abordagem monástica de conexão com as forças fundamentais que se complementam à Ordem, Caos e Neutralidade. Se você quer conhecer mais sobre este universo, não deixe de ler a resenha de Psicomaquia no blog do Movimento RPGclicando aqui e de apoiar o financiamento coletivo de Psicomaquia clicando aqui.
Nos blocos poliédricos silenciosos de Edrath, alguns poucos monges descobriram que a própria cidade funciona como um receptáculo espiritual, um eco dos experimentos dos Cenoides e do isolamento da Singularidade Urta. Inspirados pelas lendas dos Edros, esses monges acreditam que apenas o domínio da alma e a aceitação do vazio absoluto podem preparar os mortais para resistirem aos horrores espirituais de Nyxora.
Vivendo lado a lado com os Esquecidos e estudando as geometrias impossíveis da cidade, eles desenvolveram o Caminho da Singularidade, uma disciplina marcial que busca transformar a alma no poder absoluto energizado por Urta. Ao concentrar sua centelha no ponto de silêncio absoluto da Urta (o que consome parte de sua força vital corporal), o Monge da Singularidade aprendeu a infligir o Dano Singular contra entidades que normalmente são invulneráveis (desde os pesadelos que espreitam em Nyxora até os próprios Etéreos que disputam Nnume).
Pré-requisitos
Classe base: Monge (qualquer linhagem ou espécie pode adotar o caminho).
Recomendação narrativa: O personagem deve ter treinado em Edrath, recebido sonhos ligados aos Edros ou ter sobrevivido a um encontro com horrores de Nyxora. (não é um pré-requisito mecânico, mas serve como critério de roleplay).
Habilidades especiais do Monge da Singularidade
Nível
Habilidades especiais
3
Lâmina da Singularidade, Vazio Mental
6
Respiração de Urta
9
Golpe Aniquilador
10
Alma Poliédrica
Nível 3 – Lâmina da Singularidade
Ao escolher este Caminho, você pode canalizar sua energia espiritual em ataques desarmados. Quando atingir uma criatura com um ataque desarmado, pode gastar 1 ponto de vida para causar Dano Singular em vez do dano normal.
Nível 3 – Vazio Mental
Sua alma treinada repele o horror. Você tem vantagem em testes de resistência contra efeitos de medo, encantamento e loucura vindos de horrores espirituais, entidades de Nyxora ou Etéreos.
Nível 6 – Respiração de Urta
Você aprende a absorver a essência do nada. Como ação bônus, você pode gastar 2 pontos de vida para envolver-se em um campo de silêncio absoluto por 1 minuto. Enquanto estiver nesse estado, você é imune a detecção por magias de adivinhação, e testes de Sabedoria (Percepção) baseados em audição têm desvantagem contra você. Além disso, ataques contra você feitos por criaturas do Plano Invisível têm desvantagem.
Nível 9 – Golpe Aniquilador
Ao atingir uma criatura com um ataque desarmado, você pode gastar 3 pontos de vida para tentar desfazer parte de sua essência. O alvo deve fazer uma salvaguarda de Constituição (CD = 8 + seu bônus de proficiência + seu modificador de Sabedoria). Em uma falha, além do dano Singular, o alvo esquece temporariamente uma habilidade (como uma magia preparada, uma característica de classe ou a capacidade de usar uma reação) até o final do seu próximo turno.
Nível 10 – Alma Poliédrica
Sua alma reflete os segredos de Edrath. Você passa a ser considerado como se existisse parcialmente no Plano Invisível, obtendo resistência a dano psíquico e a danos caótico, ordeiro e neutro. Além disso, sempre que sofrer um ataque de uma criatura de Nyxora, você pode usar sua reação e gastar 1 ponto de vida para forçar o inimigo a fazer uma salvaguarda de Sabedoria (CD como acima). Em caso de falha, a criatura fica Atordoada até o fim do próximo turno dela.
DANO SINGULAR: ANIQUILAÇÃO
O silêncio que devora. O vazio que consome. A Singularidade dissolve tudo em nada, apagando não apenas a matéria, mas também a essência e a memória, fundindo em um ponto que apesar de único, contém tudo.
O dano singular representa o poder absoluto da Urta, o isolamento que nega a existência e rompe qualquer vínculo com o Multiverso. Ele está associado à força da Singularidade e à condição Singular (cujo único ser teorizado a alcançar esta condição é a própria Singularidade Infante).
O alvo do dano Singular faz uma salvaguarda de Constituição ou Sabedoria (CD = 8 + bônus de proficiência de quem causou o dano). Em uma falha, o alvo esquece temporariamente um recurso que possua (habilidade de classe, magia preparada, uso de item mágico etc.) e não pode utilizá-lo até o final do próximo turno.
Apoie este cenário nacional de fantasia sombria clicando aqui, divirta-se e tente sobreviver a mais de uma aventura em Psicomaquia!
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Saudações a você, rpgista que está lendo este texto feito com muito carinho! É com o coração transbordando de entusiasmo e aquela pitada de melancolia necessária que mergulhamos hoje nas profundezas do Mundo Esquecido. Como filósofo e eterno apaixonado pelas narrativas que desafiam a nossa percepção da realidade, sempre defendi que o RPG é a ferramenta suprema de empatia e exercício social. E se existe uma obra que encapsula essa visão no cenário brasileiro contemporâneo, essa obra é As Chaves da Torre, especialmente agora com o lançamento do seu suplemento vital: o Dossiê das Singularidades.
Este livro não chega apenas como um complemento; ele é um atestado de autoridade. Arthur de Andrade e Ramon Moure nos presenteiam com uma expansão que é, ao mesmo tempo, um atlas do impossível e um livro de monstros carregado de crítica social. No Dossiê das Singularidades, a proposta de realismo mágico sobre esquecimento e abandono ganha camadas de complexidade que nos forçam a olhar para as margens da Metrópole e reconhecer que a Torre, essa entidade misteriosa, não é apenas um elemento estético, mas uma força de censura existencial.
Para quem acompanhou o livro básico, sabe que a premissa é visceral: você joga com uma pessoa que foi apagada das memórias do mundo. O Dossiê amplia esse escopo ao adotar uma estética de arquivos burocráticos secretos da chamada Repartição, uma agência que investiga o esquecimento com um determinismo preciso e, por vezes, assustador. Ao abrir estas páginas, não encontramos apenas regras, mas fragmentos de vidas interrompidas, Lacunas que se movem e memórias que se recusam a morrer, tudo costurado por uma equipe de autores de peso como Jorge Valpaços, Caio Romero, Vitor Bornéo, Marco Poli Araújo e Sílvio Alencar.
O Dossiê das Singularidades
O conceito central de As Chaves da Torre gira em torno do Oblívio, a força que penetra em objetos, seres e até ideias, deletando sua existência da memória coletiva. O Dossiê das Singularidades organiza essa entropia em registros catalogados, onde o fantástico se mistura ao cotidiano de forma perturbadora. A Repartição, essa organização onipresente mas invisível para os mundanos, atua como a narradora técnica deste suplemento, oferecendo relatórios sobre as Singularidades — locais ou eventos que desafiam as leis da física e da sanidade.
Esta escolha narrativa é brilhante porque reforça a sensação de que os Protagonistas estão lidando com algo muito maior do que eles. Enquanto no livro básico ouvíamos as vozes dos habitantes, como a rebelde Alfa, o místico Grimalkin ou a mimada Princesa Neon, o Dossiê nos apresenta a frieza dos catalogadores. Essa dualidade entre a experiência vivida e o registro burocrático cria uma tensão narrativa perfeita para mestres que desejam explorar temas de vigilância, controle e a luta pelo direito de ser lembrado.
Anatomia de uma Singularidade e o Realismo Mágico
Cada arquivo dentro do Dossiê é construído sob uma lógica que os autores chamam de Anatomia Singular. Isso facilita imensamente a vida do narrador, transformando o livro em uma ferramenta prática de jogo. Cada entrada contém uma descrição expositiva, palavras-chave para evocar o clima, personagens notáveis, tabelas de aleatoriedade e, o mais importante, os adversários com suas fichas e rumores.
O realismo mágico aqui não é apenas um rótulo; é a lente pela qual vemos a desigualdade social. Lugares esquecidos pelo progresso, como prédios ocupados, fliperamas decadentes ou ferros-velhos infinitos, tornam-se o palco de uma fantasia sombria. Ao jogar As Chaves da Torre, percebemos que as pessoas invisíveis da nossa sociedade — os desabrigados, os trabalhadores explorados, os marginalizados — são os verdadeiros pilares deste cenário. É um convite à militância através do lúdico, onde combater um Pesadelo é também combater a indiferença que permite que essas pessoas sejam esquecidas no Lado de Lá.
Algumas Singularidades do Dossiê
A Lacuna Móvel Éxodo: O Luxo do Desapego
A Singularidade 14-B apresenta a aeronave Éxodo, um dirigível de alumínio polido que flutua acima da Metrópole e atravessa o Abismo sem restrições. Éxodo é a representação da elite dentro do Mundo Esquecido. Enquanto a maioria dos personagens luta para encontrar um teto em Lacunas precárias, a tripulação e os passageiros de Éxodo vivem em um luxo ofensivo, ostentando um padrão estético e filosófico que os coloca acima de tudo e todos.
Esta singularidade é controlada pelos Antevasins, seres que transitam entre os mundos e dominam a infraestrutura de transporte através do Grupo Reis Ruas. O combustível dessa maravilha técnica envolve a magia do Oblívio, sugerindo que o conforto dos poucos depende do esquecimento de muitos. Personagens como Irineu Reis Ruas e o crupiê Bernardo representam o perigo corporativo, onde você pode apostar sua própria memória em uma mesa de cassino voadora.
O Banco de Representações: A Mercantilização do Ser
Na Singularidade 21.500-7, encontramos o Banco de Representações e a organização “Compro Ouro”. Em um mundo sem moeda corrente, os Artefatos e Representações extraídos do Abismo tornam-se o lastro econômico. Este capítulo é uma crítica mordaz ao sistema financeiro. O Pesadelo Cauíra Unha de Fome atua como um agiota de almas, alimentando-se da dívida impagável dos Esquecidos.
O banco funciona de forma simples: o personagem deposita suas memórias e recebe chaves que funcionam como moeda. No entanto, as taxas são abusivas e a expropriação é violenta. É aqui que brilha a figura de Barbosa da Grécia, um Avatar da Meritocracia. Ele convence as pessoas de que o sucesso depende apenas do esforço individual, levando-as a aceitar missões suicidas no Abismo enquanto o sistema lucra com seu suor e sangue. É impossível não traçar paralelos com a uberização do trabalho e a pressão constante por produtividade no nosso mundo real.
O Horror da História: Provérbios 20:30 e a Revolução de 1924
Sempre defendi que o RPG deve ser um espaço de memória. O Dossiê das Singularidades leva isso a sério ao integrar a história do Brasil em seu tecido fantástico. A Singularidade Série Nº20:30, Provérbios 20:30, foca na Penitenciária de São Judas, um local que preserva os horrores da escravidão e da tortura estatal. O Batalhão de São Judas, liderado pelo Major Lúcio Matos, é um grupo de extermínio que atua na fronteira entre o real e o esquecido, capturando pessoas e quebrando suas almas em ritos de punição desumana.
Esta seção do livro é pesada, densa e necessária. Ela discute como a violência contra corpos negros e pardos é repetida ciclicamente, tanto nas favelas do Lado de Lá quanto nas prisões mágicas do Lado de Cá. É um soco no estômago que demonstra a maturidade do sistema Mosaico em lidar com temas adultos sem cair no sensacionalismo gratuito, usando a alegoria para provocar reflexão social.
Já a Singularidade LP-5.7.1924, o Nexo da Revolução Esquecida, nos transporta para uma São Paulo alternativa em meio aos bombardeios da Revolta Paulista de 1924. Este nexo é uma armadilha temporal onde o conflito entre revolucionários e legalistas nunca acaba. Aqui, a história verdadeira é obstruída pela narrativa dos vencedores — a Torre — e os personagens se veem presos em um campo de batalha onde generais fantasmas, como o General Isidoro Dias Lopes, comandam tropas de Esquecidos em uma guerra sem propósito. O Pesadelo Cardoso “Dedo-duro” simboliza a traição inerente aos conflitos armados, vendendo informações para ambos os lados e garantindo que o ciclo de sacrifício continue.
Mecânicas Expandidas e o Sistema Mosaico
O Dossiê não é apenas um livro de ambientação; ele expande as mecânicas psicodélicas de As Chaves da Torre. O Sistema Mosaico, baseado no uso de cartas, é refinado aqui através de novas tabelas de efeitos e adversários que interagem com os atributos dos jogadores de formas inovadoras. A Corrupção, que no livro básico é dividida em Sombra, Integridade e Psicodelia, ganha novos contornos com as singularidades.
Sombra: O acúmulo de traumas e a influência da Torre. No Dossiê, o adversário Sávio Lúgubre utiliza o valor de Sombra do personagem para determinar a dificuldade de seus ataques mentais na Singularidade Solar Neon.
Integridade: A conexão com a própria humanidade. Singularidades como o Claustro Manicomial drenam a Integridade dos jogadores, transformando-os em Abismais “Ocos” se eles não conseguirem resistir aos tratamentos brutais.
Psicodelia: A percepção alterada e a magia essencial. A Singularidade SNK-97, o Fliperama do Macete, utiliza a psicodelia dos jogos eletrônicos para criar vícios e ilusões que prendem os Protagonistas em memórias de 16 bits.
O uso dos Dados Coloridos continua sendo o pilar central da resolução de conflitos, mas agora os adversários possuem “Reações” e “Características” que mudam conforme os dados rolados. Isso adiciona uma camada tática profunda às sessões, onde saber quando gastar um ponto de Vitalidade ou sucumbir à Corrupção para garantir um sucesso de Tempo pode ser a diferença entre a vida e o esquecimento total.
A Repartição
Um dos maiores méritos do Dossiê das Singularidades é o meta-jogo criado através da Repartição. O livro sugere que os jogadores podem ser, inclusive, agentes dessa organização, ou estarem sendo caçados por ela. Esta estrutura permite que o narrador conduza o jogo através de Estudo de Padrões Reconhecíveis. Por exemplo, o estudo Nº22 aborda as “Fake News Encarnadas”, Avatares surgidos da desinformação massificada que geram convulsão social tanto Aqui quanto Lá.
Esta singularidade é uma demonstração clara de como As Chaves da Torre dialoga com o presente. Ao materializar mentiras em seres de carne e osso, o jogo discute a pós-verdade e a manipulação ideológica. Como filósofo, vejo nisso uma oportunidade única de discutir ética e verdade com o grupo de jogo. Não é apenas sobre rolar dados; é sobre discernir a realidade em um mundo inundado por sombras.
O Legado da Natureza: Do Prisco aos Rafeiros
O Dossiê também aprofunda a cosmologia naturalista. No livro básico, conhecemos o Prisco (animais tradicionais) e o Selvagem (animais vingativos). O suplemento introduz os Rafeiros, animais que não seguem tradições ancestrais e preferem o mutualismo com o ambiente urbano. Esta facção representa uma juventude que rompe com o passado para criar novas formas de existência na Metrópole.
O Tribunal das Leis da Natureza (Singularidade RT-17) é o fórum onde essas disputas são julgadas. Figuras como o Mafagafo, Guru da Linguagem, guardam segredos que podem alterar o equilíbrio entre os mundos. O Zelador dos Encantos, um Prisco executor, garante que as punições sejam cumpridas através de labirintos mágicos que prendem os infratores no Abismo. Esta política interespécie é fascinante e oferece uma alternativa para grupos que desejam focar em intriga e diplomacia mística.
Singularidades de Destaque: Atmosfera e Horror
Além dos temas sociais, o Dossiê entrega cenários de puro maravilhamento e terror. A Singularidade JA-UO, Neve de Verão, apresenta um iceberg flutuante em pleno litoral brasileiro, cercado por um cemitério subaquático de aeronaves e embarcações. É um cenário de distorção climática guardado por feras como o Akhlut, a baleia-lobo, que protege segredos ancestrais encerrados no gelo.
No Scriptorium (Singularidade Série N), somos levados a uma cripta claustrofóbica onde sonâmbulos escrevem linhas ditadas por uma inteligência profana em papel rubro. O ambiente, vigiado pelo Guardião Sombrio, é um tributo à literatura de horror de autores como Neil Gaiman e Stephen King, onde a escrita compulsiva é uma maldição que corrói as memórias do escritor.
Já a Mansão da Eternidade (Singularidade HGW-MC2) explora a atemporalidade. É uma casa que existe simultaneamente em várias épocas, atraindo pessoas que carregam sentimentos de culpa ou perda. Dentro de seus cômodos, o tempo não passa fisicamente, permitindo que personagens de 1914 convivam com outros de 2023. É o cenário ideal para uma campanha longa focada em drama familiar e paradoxos temporais.
Crítica, Empatia e o Futuro do RPG
Rpgista, se você chegou até aqui, percebeu que As Chaves da Torre e o Dossiê das Singularidades não são obras comuns. Elas exigem maturidade. Como discutido na Taverna do Anão Tagarela e nos artigos do Movimento RPG, o nosso hobby está evoluindo para abraçar temas que antes eram tabus. A inclusão de técnicas de segurança e avisos de conteúdo sensível demonstra que os autores respeitam os jogadores e entendem o peso dos temas que estão trabalhando.
A militância no RPG não é sobre panfletagem política barata, mas sobre usar a narrativa para dar voz aos silenciados. Quando o Dossiê descreve o sofrimento na Penitenciária de São Judas ou o abandono no Claustro Manicomial, ele está nos pedindo para não sermos como os Zumbis do Lado de Lá. Ele nos pede para despertarmos o nosso Discernimento.
Conclusão: Por que o Dossiê das Singularidades é Essencial?
Em suma, o Dossiê das Singularidades é uma obra-prima de co-autoria e design de jogo. Ele pega um sistema que já era inovador e o expande de forma orgânica, fornecendo substância para anos de campanha. Arthur de Andrade e sua equipe de parceiros incríveis conseguiram criar um universo que é ao mesmo tempo exótico e familiar, doloroso e belo.
Para quem joga em grupo, as Singularidades oferecem desafios táticos e narrativos que testam a coesão do bando. Para quem prefere o Jogo Solo ou a Mesa Aberta, as tabelas de aleatoriedade e os oráculos baseados em tarô garantem que a Torre sempre tenha uma surpresa guardada na manga.
O maior mérito desta obra, contudo, é a sua capacidade de gerar reflexão. No Mundo Esquecido, o maior inimigo não é o monstro embaixo da cama, mas a indiferença que nos faz aceitar que pessoas e histórias sejam apagadas. O Dossiê nos dá as ferramentas para lutar contra esse apagamento. Ele nos dá as chaves para abrir as portas da percepção e reconhecer a humanidade naqueles que a Torre quer que ignoremos.
Se você busca um RPG profundo, denso, pesado e, acima de tudo, humano, As Chaves da Torre e seu Dossiê das Singularidades são paradas obrigatórias na sua jornada lúdica. Lembre-se: no final das contas, as lembranças são o que nos definem. E o maior ato de rebeldia que um Esquecido pode praticar é recusar-se a esquecer quem ele realmente é.
Fica aqui o meu convite: pegue seus dados coloridos, embaralhe seu baralho de Chaves e venha investigar as Singularidades da Metrópole. Mas cuidado com a névoa, pessoinha linda. No Mundo Esquecido, nem tudo que se perdeu quer ser encontrado, e nem todo caminho leva de volta para casa.
Bom jogo a todos, e que a sua Integridade permaneça intacta diante do olhar da Torre! Se você gostou desta análise e quer apoiar o cenário nacional, não deixe de conhecer o trabalho da Editora Caleidoscópio. A gente se vê em alguma Lacuna no subúrbio ou, quem sabe, nas plataformas de observação de Éxodo. Até a próxima!
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