Dossiê das Singularidades – As Chaves da Torre – Resenha

Saudações a você, rpgista que está lendo este texto feito com muito carinho! É com o coração transbordando de entusiasmo e aquela pitada de melancolia necessária que mergulhamos hoje nas profundezas do Mundo Esquecido. Como filósofo e eterno apaixonado pelas narrativas que desafiam a nossa percepção da realidade, sempre defendi que o RPG é a ferramenta suprema de empatia e exercício social. E se existe uma obra que encapsula essa visão no cenário brasileiro contemporâneo, essa obra é As Chaves da Torre, especialmente agora com o lançamento do seu suplemento vital: o Dossiê das Singularidades.

Este livro não chega apenas como um complemento; ele é um atestado de autoridade. Arthur de Andrade e Ramon Moure nos presenteiam com uma expansão que é, ao mesmo tempo, um atlas do impossível e um livro de monstros carregado de crítica social. No Dossiê das Singularidades, a proposta de realismo mágico sobre esquecimento e abandono ganha camadas de complexidade que nos forçam a olhar para as margens da Metrópole e reconhecer que a Torre, essa entidade misteriosa, não é apenas um elemento estético, mas uma força de censura existencial.

Para quem acompanhou o livro básico, sabe que a premissa é visceral: você joga com uma pessoa que foi apagada das memórias do mundo. O Dossiê amplia esse escopo ao adotar uma estética de arquivos burocráticos secretos da chamada Repartição, uma agência que investiga o esquecimento com um determinismo preciso e, por vezes, assustador. Ao abrir estas páginas, não encontramos apenas regras, mas fragmentos de vidas interrompidas, Lacunas que se movem e memórias que se recusam a morrer, tudo costurado por uma equipe de autores de peso como Jorge Valpaços, Caio Romero, Vitor Bornéo, Marco Poli Araújo e Sílvio Alencar.

O Dossiê das Singularidades

O conceito central de As Chaves da Torre gira em torno do Oblívio, a força que penetra em objetos, seres e até ideias, deletando sua existência da memória coletiva. O Dossiê das Singularidades organiza essa entropia em registros catalogados, onde o fantástico se mistura ao cotidiano de forma perturbadora. A Repartição, essa organização onipresente mas invisível para os mundanos, atua como a narradora técnica deste suplemento, oferecendo relatórios sobre as Singularidades — locais ou eventos que desafiam as leis da física e da sanidade.

Esta escolha narrativa é brilhante porque reforça a sensação de que os Protagonistas estão lidando com algo muito maior do que eles. Enquanto no livro básico ouvíamos as vozes dos habitantes, como a rebelde Alfa, o místico Grimalkin ou a mimada Princesa Neon, o Dossiê nos apresenta a frieza dos catalogadores. Essa dualidade entre a experiência vivida e o registro burocrático cria uma tensão narrativa perfeita para mestres que desejam explorar temas de vigilância, controle e a luta pelo direito de ser lembrado.

Anatomia de uma Singularidade e o Realismo Mágico

Cada arquivo dentro do Dossiê é construído sob uma lógica que os autores chamam de Anatomia Singular. Isso facilita imensamente a vida do narrador, transformando o livro em uma ferramenta prática de jogo. Cada entrada contém uma descrição expositiva, palavras-chave para evocar o clima, personagens notáveis, tabelas de aleatoriedade e, o mais importante, os adversários com suas fichas e rumores.

O realismo mágico aqui não é apenas um rótulo; é a lente pela qual vemos a desigualdade social. Lugares esquecidos pelo progresso, como prédios ocupados, fliperamas decadentes ou ferros-velhos infinitos, tornam-se o palco de uma fantasia sombria. Ao jogar As Chaves da Torre, percebemos que as pessoas invisíveis da nossa sociedade — os desabrigados, os trabalhadores explorados, os marginalizados — são os verdadeiros pilares deste cenário. É um convite à militância através do lúdico, onde combater um Pesadelo é também combater a indiferença que permite que essas pessoas sejam esquecidas no Lado de Lá.

Algumas Singularidades do Dossiê

A Lacuna Móvel Éxodo: O Luxo do Desapego

A Singularidade 14-B apresenta a aeronave Éxodo, um dirigível de alumínio polido que flutua acima da Metrópole e atravessa o Abismo sem restrições. Éxodo é a representação da elite dentro do Mundo Esquecido. Enquanto a maioria dos personagens luta para encontrar um teto em Lacunas precárias, a tripulação e os passageiros de Éxodo vivem em um luxo ofensivo, ostentando um padrão estético e filosófico que os coloca acima de tudo e todos.

Esta singularidade é controlada pelos Antevasins, seres que transitam entre os mundos e dominam a infraestrutura de transporte através do Grupo Reis Ruas. O combustível dessa maravilha técnica envolve a magia do Oblívio, sugerindo que o conforto dos poucos depende do esquecimento de muitos. Personagens como Irineu Reis Ruas e o crupiê Bernardo representam o perigo corporativo, onde você pode apostar sua própria memória em uma mesa de cassino voadora.

O Banco de Representações: A Mercantilização do Ser

Na Singularidade 21.500-7, encontramos o Banco de Representações e a organização “Compro Ouro”. Em um mundo sem moeda corrente, os Artefatos e Representações extraídos do Abismo tornam-se o lastro econômico. Este capítulo é uma crítica mordaz ao sistema financeiro. O Pesadelo Cauíra Unha de Fome atua como um agiota de almas, alimentando-se da dívida impagável dos Esquecidos.

O banco funciona de forma simples: o personagem deposita suas memórias e recebe chaves que funcionam como moeda. No entanto, as taxas são abusivas e a expropriação é violenta. É aqui que brilha a figura de Barbosa da Grécia, um Avatar da Meritocracia. Ele convence as pessoas de que o sucesso depende apenas do esforço individual, levando-as a aceitar missões suicidas no Abismo enquanto o sistema lucra com seu suor e sangue. É impossível não traçar paralelos com a uberização do trabalho e a pressão constante por produtividade no nosso mundo real.

O Horror da História: Provérbios 20:30 e a Revolução de 1924

Sempre defendi que o RPG deve ser um espaço de memória. O Dossiê das Singularidades leva isso a sério ao integrar a história do Brasil em seu tecido fantástico. A Singularidade Série Nº20:30, Provérbios 20:30, foca na Penitenciária de São Judas, um local que preserva os horrores da escravidão e da tortura estatal. O Batalhão de São Judas, liderado pelo Major Lúcio Matos, é um grupo de extermínio que atua na fronteira entre o real e o esquecido, capturando pessoas e quebrando suas almas em ritos de punição desumana.

Esta seção do livro é pesada, densa e necessária. Ela discute como a violência contra corpos negros e pardos é repetida ciclicamente, tanto nas favelas do Lado de Lá quanto nas prisões mágicas do Lado de Cá. É um soco no estômago que demonstra a maturidade do sistema Mosaico em lidar com temas adultos sem cair no sensacionalismo gratuito, usando a alegoria para provocar reflexão social.

Já a Singularidade LP-5.7.1924, o Nexo da Revolução Esquecida, nos transporta para uma São Paulo alternativa em meio aos bombardeios da Revolta Paulista de 1924. Este nexo é uma armadilha temporal onde o conflito entre revolucionários e legalistas nunca acaba. Aqui, a história verdadeira é obstruída pela narrativa dos vencedores — a Torre — e os personagens se veem presos em um campo de batalha onde generais fantasmas, como o General Isidoro Dias Lopes, comandam tropas de Esquecidos em uma guerra sem propósito. O Pesadelo Cardoso “Dedo-duro” simboliza a traição inerente aos conflitos armados, vendendo informações para ambos os lados e garantindo que o ciclo de sacrifício continue.

Mecânicas Expandidas e o Sistema Mosaico

O Dossiê não é apenas um livro de ambientação; ele expande as mecânicas psicodélicas de As Chaves da Torre. O Sistema Mosaico, baseado no uso de cartas, é refinado aqui através de novas tabelas de efeitos e adversários que interagem com os atributos dos jogadores de formas inovadoras. A Corrupção, que no livro básico é dividida em Sombra, Integridade e Psicodelia, ganha novos contornos com as singularidades.

  1. Sombra: O acúmulo de traumas e a influência da Torre. No Dossiê, o adversário Sávio Lúgubre utiliza o valor de Sombra do personagem para determinar a dificuldade de seus ataques mentais na Singularidade Solar Neon.

  2. Integridade: A conexão com a própria humanidade. Singularidades como o Claustro Manicomial drenam a Integridade dos jogadores, transformando-os em Abismais “Ocos” se eles não conseguirem resistir aos tratamentos brutais.

  3. Psicodelia: A percepção alterada e a magia essencial. A Singularidade SNK-97, o Fliperama do Macete, utiliza a psicodelia dos jogos eletrônicos para criar vícios e ilusões que prendem os Protagonistas em memórias de 16 bits.

O uso dos Dados Coloridos continua sendo o pilar central da resolução de conflitos, mas agora os adversários possuem “Reações” e “Características” que mudam conforme os dados rolados. Isso adiciona uma camada tática profunda às sessões, onde saber quando gastar um ponto de Vitalidade ou sucumbir à Corrupção para garantir um sucesso de Tempo pode ser a diferença entre a vida e o esquecimento total.

A Repartição

Um dos maiores méritos do Dossiê das Singularidades é o meta-jogo criado através da Repartição. O livro sugere que os jogadores podem ser, inclusive, agentes dessa organização, ou estarem sendo caçados por ela. Esta estrutura permite que o narrador conduza o jogo através de Estudo de Padrões Reconhecíveis. Por exemplo, o estudo Nº22 aborda as “Fake News Encarnadas”, Avatares surgidos da desinformação massificada que geram convulsão social tanto Aqui quanto Lá.

Esta singularidade é uma demonstração clara de como As Chaves da Torre dialoga com o presente. Ao materializar mentiras em seres de carne e osso, o jogo discute a pós-verdade e a manipulação ideológica. Como filósofo, vejo nisso uma oportunidade única de discutir ética e verdade com o grupo de jogo. Não é apenas sobre rolar dados; é sobre discernir a realidade em um mundo inundado por sombras.

O Legado da Natureza: Do Prisco aos Rafeiros

O Dossiê também aprofunda a cosmologia naturalista. No livro básico, conhecemos o Prisco (animais tradicionais) e o Selvagem (animais vingativos). O suplemento introduz os Rafeiros, animais que não seguem tradições ancestrais e preferem o mutualismo com o ambiente urbano. Esta facção representa uma juventude que rompe com o passado para criar novas formas de existência na Metrópole.

O Tribunal das Leis da Natureza (Singularidade RT-17) é o fórum onde essas disputas são julgadas. Figuras como o Mafagafo, Guru da Linguagem, guardam segredos que podem alterar o equilíbrio entre os mundos. O Zelador dos Encantos, um Prisco executor, garante que as punições sejam cumpridas através de labirintos mágicos que prendem os infratores no Abismo. Esta política interespécie é fascinante e oferece uma alternativa para grupos que desejam focar em intriga e diplomacia mística.

Singularidades de Destaque: Atmosfera e Horror

Além dos temas sociais, o Dossiê entrega cenários de puro maravilhamento e terror. A Singularidade JA-UO, Neve de Verão, apresenta um iceberg flutuante em pleno litoral brasileiro, cercado por um cemitério subaquático de aeronaves e embarcações. É um cenário de distorção climática guardado por feras como o Akhlut, a baleia-lobo, que protege segredos ancestrais encerrados no gelo.

No Scriptorium (Singularidade Série N), somos levados a uma cripta claustrofóbica onde sonâmbulos escrevem linhas ditadas por uma inteligência profana em papel rubro. O ambiente, vigiado pelo Guardião Sombrio, é um tributo à literatura de horror de autores como Neil Gaiman e Stephen King, onde a escrita compulsiva é uma maldição que corrói as memórias do escritor.

Já a Mansão da Eternidade (Singularidade HGW-MC2) explora a atemporalidade. É uma casa que existe simultaneamente em várias épocas, atraindo pessoas que carregam sentimentos de culpa ou perda. Dentro de seus cômodos, o tempo não passa fisicamente, permitindo que personagens de 1914 convivam com outros de 2023. É o cenário ideal para uma campanha longa focada em drama familiar e paradoxos temporais.

Crítica, Empatia e o Futuro do RPG

Rpgista, se você chegou até aqui, percebeu que As Chaves da Torre e o Dossiê das Singularidades não são obras comuns. Elas exigem maturidade. Como discutido na Taverna do Anão Tagarela e nos artigos do Movimento RPG, o nosso hobby está evoluindo para abraçar temas que antes eram tabus. A inclusão de técnicas de segurança e avisos de conteúdo sensível demonstra que os autores respeitam os jogadores e entendem o peso dos temas que estão trabalhando.

A militância no RPG não é sobre panfletagem política barata, mas sobre usar a narrativa para dar voz aos silenciados. Quando o Dossiê descreve o sofrimento na Penitenciária de São Judas ou o abandono no Claustro Manicomial, ele está nos pedindo para não sermos como os Zumbis do Lado de Lá. Ele nos pede para despertarmos o nosso Discernimento.

Conclusão: Por que o Dossiê das Singularidades é Essencial?

Em suma, o Dossiê das Singularidades é uma obra-prima de co-autoria e design de jogo. Ele pega um sistema que já era inovador e o expande de forma orgânica, fornecendo substância para anos de campanha. Arthur de Andrade e sua equipe de parceiros incríveis conseguiram criar um universo que é ao mesmo tempo exótico e familiar, doloroso e belo.

Para quem joga em grupo, as Singularidades oferecem desafios táticos e narrativos que testam a coesão do bando. Para quem prefere o Jogo Solo ou a Mesa Aberta, as tabelas de aleatoriedade e os oráculos baseados em tarô garantem que a Torre sempre tenha uma surpresa guardada na manga.

O maior mérito desta obra, contudo, é a sua capacidade de gerar reflexão. No Mundo Esquecido, o maior inimigo não é o monstro embaixo da cama, mas a indiferença que nos faz aceitar que pessoas e histórias sejam apagadas. O Dossiê nos dá as ferramentas para lutar contra esse apagamento. Ele nos dá as chaves para abrir as portas da percepção e reconhecer a humanidade naqueles que a Torre quer que ignoremos.

Se você busca um RPG profundo, denso, pesado e, acima de tudo, humano, As Chaves da Torre e seu Dossiê das Singularidades são paradas obrigatórias na sua jornada lúdica. Lembre-se: no final das contas, as lembranças são o que nos definem. E o maior ato de rebeldia que um Esquecido pode praticar é recusar-se a esquecer quem ele realmente é.

Fica aqui o meu convite: pegue seus dados coloridos, embaralhe seu baralho de Chaves e venha investigar as Singularidades da Metrópole. Mas cuidado com a névoa, pessoinha linda. No Mundo Esquecido, nem tudo que se perdeu quer ser encontrado, e nem todo caminho leva de volta para casa.

Bom jogo a todos, e que a sua Integridade permaneça intacta diante do olhar da Torre! Se você gostou desta análise e quer apoiar o cenário nacional, não deixe de conhecer o trabalho da Editora Caleidoscópio. A gente se vê em alguma Lacuna no subúrbio ou, quem sabe, nas plataformas de observação de Éxodo. Até a próxima!


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Ficha As Chaves da Torre Editável

Esta é a ficha de As Chaves da Torre, RPG da editora Caleidoscópio. A versão editável da ficha foi desenvolvida por Diemis Kist baseada na original.

As Chaves da Torre RPG é um jogo narrativista em que os jogadores se unem para contar uma história colaborativa sobre abandono e esquecimento. Eles assumem o papel de personagens apagados da memória e da história do mundo por uma entidade manipuladora cujos intentos são inexplicáveis: a Torre.

Ao se tornarem Esquecidos eles se tornam pessoas irrelevantes, invisíveis para os olhos de quem os esqueceu. Ao mesmo tempo seus olhos se abrem para um Mundo Esquecido, de coisas, pessoas e lugares abandonados antes deles. Um local tão fantástico quanto misterioso, habitado pela magia ancestral de animais falantes e pela corrupção hedionda de Pesadelos – e mais tantas criaturas marcantes.

O livro apresenta tudo que você precisa para jogar: da ambientação, até as regras e também conselhos com dicas para condução do jogo e criação de conteúdo para sua mesa.

O Sistema Mosaico possui regras intuitivas e simples, mas com profundidade para contar histórias densas e cheia de significado. Utilizando dados de seis faces (d6) coloridos os conflitos são resolvidos a partir do resultado de cada cor – que significa uma forma de agir. Além disso, com cartas customizadas os jogadores Protagonistas assumem temporariamente o papel de Narrador e também podem inserir elementos na história – detalhando aquilo já apresentado ou trazendo novas ideias para a aventura.

Ele pode ser jogado de três formas: em grupo com um narrador, em grupo sem um narrador e sozinho. As cartas servem também como a ferramenta Oráculo para construção das cenas durante o jogo.

É um jogo de RPG totalmente brasileiro que assume a estética do Realismo Mágico. Foi o primeiro jogo produzido pelos autores Arthur e Ramon, e viabilizado a partir de um Financiamento Coletivo onde foi arrecadado o suficiente para produzí-lo e iniciar as atividades da Editora Caleidoscópio.


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As Chaves da Torre

 

Magie Zagot – A Cabana – As Chaves da Torre – NPCs

Magie Zagot é uma personagem interpretada por Jean Lafond, na nossa campanha de As Chaves da Torre, A Cabana. Para aprender a criar seu personagem, você pode acessar este link!

Os elementos apresentados aqui podem ser usados por mestres que queiram incorporá-los nas suas próprias campanhas ou apenas serem lidos como inspiração para suas próprias criações.

Magie Zagot – Ilustra por Shadow

Magie Cartie Zagot

Magie tem 14 anos, dos quais 5 sofre com a fama nas redes sociais de sua mãe e com a distância de seu pai. Desde muito cedo se sentiu deslocada da família “perfeita” que os Zagot tanto se esforçam para parecer.

Quando completou 9 anos e estava na 4ª série, começou a se sentir excluída, já que não compartilhada da popularidade imposta pela sua família.

Encontrou nas roupas pretas e conhecimentos ocultos uma proteção contra os terrores da vida escolar.

Seu irmão Roger é o oposto, um ano mais jovem, contudo é o senhor popularidade, mas no ambiente social da escola, quase não conversam. Evitando qualquer tipo de constrangimento “mútuo”.

Magie é praticante de Wicca a 2 anos, quando conheceu algumas amigas mais velhas, que lhe ensinaram algumas palavras mágicas.

Agora ela as utiliza, escreve em seu diário, um Death Note igual ao do anime, faz símbolos de proteção e deseja que um dia ela consiga sumir disso tudo.

Como interpretar

Magie é a filha esquisita, que gosta de coisas góticas e sobre ocultismo, roupas pretas e que, basicamente, odeia a sociedade.

Ela é muito esperta, praticante devota Wicca. Seu hobbie é conhecer sempre mais sobre ocultismo, idiomas antigos e escrever no seu diário, um Death Note, seu anime favorito.

Mote

Ela deseja um dia aprender um feitiço para sumir desse mundo cruel, onde quem está em um padrão social domina e subjuga a minoria.

Frase

“O Magna Mater, defende me et prohibe malum, suscipe tecum inimicos meos!”
(Latim: Oh Grande Mãe, me proteja e afasta o mal, leva contigo meus inimigos!)


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de Magie Zagot  para Chaves da Torre


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Harold Zagot – A Cabana – As Chaves da Torre – NPCS

Harold Zagot é um personagem interpretada por Marcelo Gaifem, na nossa campanha de As Chaves da Torre, A Cabana. Para aprender a criar seu personagem, você pode acessar este link!

Os elementos apresentados aqui podem ser usados por mestres que queiram incorporá-los nas suas próprias campanhas ou apenas serem lidos como inspiração para suas próprias criações.

Harold Zagot – Ilustra por Shadow

Harold Zagot

Harold teve uma infância complicada, tudo para dar errado. Seu pai, Alfred, abandou ele e sua mãe, Elizabeth, quando Harold tinha 8 anos de idade. Nunca entendeu o porquê, mas também não buscou respostas.

Junto com os tempos difíceis que o abandono lhe trouxe, Harold colocou todo seu foco em cuidar de sua mãe, debilitada por uma doença, os médicos dizem que devido a uma baixa imunidade, e aos estudos.

Depois, com a morte da mãe quando Harold tinha 16 anos, ele mergulhou ainda mais nos estudos e trabalho, tendo seu próprio negócio lucrativo aos 24 anos. Nesse meio tempo, muito jovem, conheceu sua atual esposa Maria, com a qual se casou e teve dois filhos, uma menina, chamada Magie e um menino chamado Roger.

Como interpretar

Harold é um pai dedicado e protetor, porém distante, mantém um foco tremendo nos negócios, para se certificar de que nada falte para sua família.

Além disso, ele tem alguns momentos explosivos, onde a raiva toma conta e ele esbraveja o que está sentindo, mas normalmente é calmo e tranquilo.

Ele sempre mantém consigo o relógio do seu pai, única coisa que foi deixada para trás. Ele nunca tira o relógio, serve para lembrá-lo do seu compromisso com sua família.

Mote

Harold vive para trabalhar, para dar o que ele não teve a sua família, porém até que ponto sua família quer bem estar financeiro, ao invés da proximidade com ele.

Frase

“Nada vai faltar a minha família, custe o que custar.”


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Roger Zagot – A Cabana – As Chaves da Torre – NPCS

Roger Zagot é um personagem interpretada por Elder Costa, na nossa campanha de As Chaves da Torre, A Cabana. Para aprender a criar seu personagem, você pode acessar este link!

Os elementos apresentados aqui podem ser usados por mestres que queiram incorporá-los nas suas próprias campanhas ou apenas serem lidos como inspiração para suas próprias criações.

Roger Zagot – Ilustra por Shadow

Roger Paul Zagot

Roger tem 16 anos, desde cedo se beneficia da popularidade da sua mãe, porém sempre á sombra de seu pai. Desde muito cedo aprendeu a tirar vantagem de sua popularidade, aproveitado usa aptidão para os esportes, logo era o queridinho da escola.

Sempre muito educado, vive cercado de amigos, conversa com todos, está próximo de todos, bom, menos da sua irmã rebelde e meio esquisita.

Esta a todo o momento tentando chamar atenção do seu pai, porém ele tende sempre a dar mais atenção aos negócios do que ao esforço de Roger.

Sua irmã mais nova passa o tempo todo com umas outras garotas esquisitas, com uns livros estranhos. Mesmo assim, ele tenta cuidar dela de alguma forma, se mantém afastado, mas, mesmo assim, fez com que os babacas populares parassem de implicar com ela a todo o instante.

De vez em quando faz uns serviços como modelo, para uma agência parceira da sua mãe, mas seu foco é sempre se esforçar ao máximo para ganhar a atenção do seu pai.

Como interpretar

Roger gosta de se superar, pela superexposição de sua mãe e a distância com seu pai, ele não se vê digno, então sempre tenta provar seu valor, principalmente aos olhos do seu pai. Gosta de esportes, música pop e lutas, é praticante de Muay thai. Sempre tem uma resposta pronta na ponta da língua.

Mote

Preciso ser sempre melhor, vou me esforçar para deixar minha família orgulhosa e conseguir um pouco do tempo e atenção do meu pai.

Frase

“Vou ser melhor hoje do que fui ontem!”


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Iniciar uma Aventura Utilizando o Baralho de Chaves da Torre – Dicas de RPG #164

Nesse Dicas de RPG, Douglas Quadros ensina a Iniciar uma Aventura Utilizando o Baralho de Chaves da Torre. Iniciar uma aventura de forma diferente, às vezes pode ser a coisa mais desafiadora para um narrador. Muitas vezes vamos para clichês óbvios como um trabalho conjunto ou uma taverna, mas porque não deixar isso nas mãos dos jogadores?

Cupom de desconto: MOVIMENTORPG

O Dicas de RPG é um podcast semanal no formato de pílula que todo domingo vai chegar no seu feed. Contudo precisamos da participação de vocês ouvintes para termos conteúdo para gravar. Ou seja, mande suas dúvidas que vamos respondê-las da melhor forma possível.

Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.

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 Iniciar uma Aventura Utilizando o Baralho de Chaves da Torre

Voz: Douglas Quadros
Edição do Podcast: Senhor A
Arte da Capa: Raul Galli

Músicas: Music by from Pixabay

Maria Cartie Zagot – A Cabana – As Chaves da Torre – NPCs

Maria Zagot é um personagem interpretada por Luiz Rosenthal, na nossa campanha de As Chaves da Torre, A Cabana. Para aprender a criar seu personagem, você pode acessar este link!

Os elementos apresentados aqui podem ser usados por mestres que queiram incorporá-los nas suas próprias campanhas ou apenas serem lidos como inspiração para suas próprias criações.

Maria Zagot – Ilustra por Shadow

Maria Cartie Zagot

Maria é uma influencer famosa que se esqueceu de sua família por causa de sua ambição. Ela teve uma infância traumática, pois viu sua mãe flagrar seu pai a traindo na própria casa. Sua mãe se separou de seu pai e ela acabou sofrendo na escola.

Logo percebeu que queria ser o desejo dos outros, ao invés da segunda opção. Dessa forma começou com uma vida fitness, sempre postando tudo nas redes sociais, até que se tornou uma pessoa conhecida, até aparecendo na televisão.

Mas acabou se afastando de sua mãe, que morreu sem seu apoio. Ela se arrependeu de ter abandonado sua mãe e mudou sua vida. Ela guardou o bracelete que sua mãe usava como uma lembrança e sempre a agradecia por tudo.

Logo após essa mudança, conheceu Harold, com o qual teve dois filhos, uma menina chamada Magie e um menino chamado Roger.

Como interpretar

Ela valoriza muito a aparência, tem um cuidado enorme com o que come, com o que veste e com o que os outros vão dizer dela, principalmente nas redes sociais. Ela tenta incluir seus filhos na vida de influencer, mas sem muito sucesso.
Gosta de chamar atenção onde vai, seja pela sua extravagancia ou pelas suas roupas.

Mote

Maria gosta da fama que conquistou, e luta para manter seus 780 mil seguidores sempre com conteúdos sobre beleza, saúde e sobre ela mesma.

Frase

“Você vai mesmo comer isso?!”


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de Maria Zagot  para Chaves da Torre


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As Chaves da Torre – Guia de Criação de Personagem

Tranquilos pessoal? Hoje faremos um personagem em As Chaves da Torre foi escrito por Arthur Andrade pela Editora Caleidoscópio utilizando o sistema próprio chamado Mosaico. O sistema de criação é muito mais simples do que aparenta no início. Então, não se assuste e vamos trazer memórias ao Cysgod.

 

Passos gerais

São sete passos para se fazer um personagem em Chaves:

  • Passo 1: Quem é você?
  • Passo 2: Como você é?
  • Passo 3: O que você sabe fazer?
  • Passo 4: O que te faz especial?
  • Passo 5: O que você carrega consigo?
  • Passo 6: Que sombra habita sua alma?
  • Passo 7: O que te leva a Torre?

 

Memórias

Talvez o mais importante e, também, difícil, é determinar quem você é e quais suas memórias. Para campanhas normais deve-se escolher 6 memórias. Para campanhas curtas sugerimos 2 ou 3 memórias apenas.

Cysgod, no mundo de Chaves da Torre, é um caçador profissional (e esse é o apelido dele, o nome é Carlos). Assim, ele mantém quase todas as habilidades com as quais foi pensado para D&D como ranger. Entretanto, só isso não basta. É necessário ter memórias, boas ou ruins. E atrelar uma palavra chave para cada memória.

Assim, para primeira memória escolhemos quando Cysgod saía com seu pai para caçar. A preparação dos equipamentos, escolha do lugar e do clima ideal. Tudo faz parte de uma grande memória feliz. A palavra chave para esta memória será Família.

A segunda memória que vem à mente de Cysgod é quando ele abateu sua primeira presa. A alegria de ter conseguido manter a calma e mirar num javaporco foi explosiva, que mesmo devendo manter a calma, Cysgod soltou um berro de empolgação, a qual foi acompanhada por um sorriso de seu pai. A palavra aqui é Alegria.

A terceira memória já algo triste e terrível. Por engano, Cysgod atirou em um companheiro e acabou matando-o. Isso o abalou tanto que ele nunca mais caçou com alguém. A palavra aqui é Perda. A próxima memória é quando ele viu a garota que ele amava namorando com outro. Aqui é Rejeição.

Aqui há duas outras memórias que possuem a mesma palavra chave: Orgulho. Uma delas é quando ele fechou um grande contrato para exterminar uma praga de javaporcos numa grande região em Mato Grosso. E a outra é quando ele conseguiu se classificar para uma competição internacional de tiro.

Características

A escolha de atributos é, talvez, a parte mais fácil. Temos 20 pontos para distribuir em 5 características: Vitalidade, Determinação, Relações, Espírito, Recursos. Assim, a média dos atributos é 4. Entretanto, Cysgod não é “parelho” ou mediano em tudo. Portanto, colocaremos 6 (que é o máximo possível) em Vitalidade e Determinação; o que representa a persistência e preparo físico dele. Cysgod não é de ter muitos amigos e mantém apenas os contatos necessários para exercer sua profissão. Assim, receberá 2 nele. Já Espírito e Recursos ficam com 3 pontos cada.

Para definir o que seu personagem faz, é necessário definir suas competências. Tenha ao menos 3 competências e que elas somem, ao todo 6 dados, 2 de cada cor. Lembrando que dados Vermelhos representam Poder, Azuis o Tamanho e Amarelo o Tempo. Pra Cysgod escolheremos Caçador, Atirador e Sobrevivencialista. Caçador terá uma cor de cada; Atirador terá só a cor vermelha e Sobrevivencialista será amarelo e azul.

Um dica do sistema é que não se tenha competências que te transformem num superespião. Ou seja, vc até pode ser um espião, mas não um daqueles da ficção. E, para isso, existem os Destaques e Debilidades. Cysgod é corajoso, mas determinado representa melhor um destaque nele. Bem como a característica antissocial, preferindo se manter isolado das pessoas.

 

Ícones, aspectos e objetos

Existe, no jogo, 17 ícones com 3 aspectos cada. Você pode sorteá-los ou escolher livremente. Esses ícones e aspectos representam capacidades únicas do personagem. Dentre as opções existentes, Cysgod melhor se encaixa com o Combatente, assim ele pode ele pode definir um equipamento bélico que encontre no Abismo como se fosse um Artefato.  Dentre os aspectos de Guardião, Predador e Engenhoso o que melhor o caracteriza é o de Predador, permitindo que ele consiga reconhecer um ponto fraco de um inimigo.

Inicialmente os personagens só podem ter um equipamento e um Berloque (um item com importância sentimental). Cysgod carrega a bússola de seu pai como Berloque e uma faca de sobrevivência.

As Sombras são  um perito constante e, provavelmente, o mais perigoso de todos. É a luta do protagonista contra ele próprio. E Cysgod possui alguns defeitos, e como ele já pôs antissocial como uma debilidade e impulsividade não se encaixaria tão bem como algo a corrompê-lo, escolhi que seu lado mais sombrio e um pouco oculto é sua sede de sangue. Assim, sua Corrupção será a Sanguinolência.

E esse lado sombrio também serve para explicar porquê ele quer localizar a Torre. Ele quer destruí-la ou ao menos fazer com que ele volte à vida ou tenha um descanso digno onde possa ser lembrado por alguém…

 

Ficha

Ficha: Carlos “Cysgod” Oliveira

Memórias:

  • Preparação para caçar (família);
  • Primeiro abate (alegria);
  • Assassinato (perda);
  • Amor não correspondido (rejeição);
  • Grande contrato (orgulho);
  • Competição internacional (orgulho).

Atributos: Vitalidade 6, Determinação 6, Relações 2, Espírito 3, Recurso 3.

Competências: Caçador (amarelo, azul, vermelho), Sobrevivencialista (amarelo, azul), Atirador (vermelho).

Destaque: Determinado.    Debilidade: Antissocial.     Ícone: Combatente.   Aspecto: Predador.

Equipamento: faca de sobrevivência.     Berloque: bússola.       Sombra: Sanguinolência

O que o leva até a Torre?: querer destruí-la.

 

 

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As Chaves da Torre – regras

Tranquilos pessoal? Continuando a resenha de As Chaves da Torre, a qual foi escrita por Arthur Andrade pela Editora Caleidoscópio utilizando o sistema próprio chamado Mosaico. Neste texto falaremos sobre, como o livro chama, as regras psicodélicas para esquecer.

 

Lembrando das Cartas

O jogo de As Chaves possui uma narrativa compartilhada. Para contribuir com isso, se utiliza de cartas, permitindo que os jogadores criem cenários, personagens, elementos do enredo e até assumam, temporariamente, o papel de narradores.

Para isso se escolhe um tema e uma palavra-chave das cartas. O tema serve para definir o aspecto da história a ser descrito pelo Protagonista e as palavras-chave dão significado ao que for adicionado à história.

Para isso há 2 baralhos: um de temas e outro de chaves. Este baralho possui 22 cartas com uma palavra principal e 6 chaves únicas. Já o baralho de temas possui 17 cartas e o Coringa, que só pode ser usado uma vez por sessão. Temas que não condigam com sua campanha podem ser retiradas sem qualquer problema.

Em cada cena, o jogador terá uma carta de tema (escolhida entre duas) e duas cartas de chaves. Conforme a complexidade da cena poderá ou não ser reorganizada as cartas. Inclusive, ao não ter mais cartas, o jogador poderá sacar a carta do topo do baralho; assim, tendo que utilizá-la sem saber quais são suas chaves. Esta carta é chamada de Carta Fantasma. Isso pode ocorrer com certa frequência pois o jogo estimula o uso das cartas para o desenvolvimento da narrativa e não para que algo aconteça de “maneira ideal”.

Em cada cena alguém assume a narrativa, jogando sua carta de tema. Isso definirá os usos das cartas de chave, onde cada um dos jogadores escolhe uma palavra de uma de suas cartas. Após toda a descrição narrativa pode-se usar os Coringas de Narrativa.

Depois disso o livro explica como são as cartas temas, o uso das chaves e os demais componentes da narrativa, como a importância de se manter anotações da narrativa.

Dados Coloridos

Em as Chaves da Torre a cor importa. Quando houver um conflito, o Narrador define qual é a cor vinculada ao sucesso. Vermelho é de poder, eficiência e intensidade; Amarelo é de tempo e velocidade; Azul é sobre tamanho e quantidade; por fim preto é sobre a dificuldade e obstáculos à ação.

Ou melhor, solução à cena, visto que o conflito em Chaves resolve uma cena toda e não apenas uma ação.

Para a rolagem de dados o jogador estabelece sua pilha de dados vindo das Competências, Debilidades e o que mais vir da ficha e possa ser utilizável à cena. O Narrador acrescenta os dados de dificuldade e é feita a rolagem. Com o resultado define-se a quantidade de sucesso, vantagens e desvantagens. 5 e 6 são sucessos, deste que pertencentes à cor do desafio. Resultados 5 e 6 de outras cores são convertidos em vantagens, ou se forem pretos, em desvantagens.

Há, também, o teste simples onde apenas um dado é rolado e comparado a um valor determinado pelo Narrador, geralmente será o atributo relacionado à pergunta. Se for menor ou igual ao valor, o resultado será positiva, se for maior ou um 6, será negativa.

Logicamente que o livro discorre mais profundamente sobre o uso de dados e opções alternativas. Bem como sobre os demais elementos da rolagem, como vantagens e desvantagens, conflitos complexos e combate (que nada mais é que um tipo de conflito).

 

Magia e corrupção

A magia é palpável e perigosa. Ela cobra seu preço e parte da essência de seu personagem se perde para a Torre. E essa perda nunca é banal, é algo que forma e preenche seu personagem, perdê-la fará o esquecimento se aproximar cada vez mais. E essas perdas podem levar o Protagonista à Corrupção.

Há três trilhas de corrupção, a da Sombra faz seu personagem se tornar mais soturno e imoral. A trilha da Integridade se parece com o Oblívio, tirando suas memórias e identidade. Já a da Psicodélia é visível e acompanha o Protagonista como uma alucinação, só que real.

O jogador pode usar uma de suas Chaves para conseguir o que quiser. Esse pacto mágico não pode ser desfeito e nunca será recuperado completamente. Torna-se um Tabu. Ao atingir um valor 6 numa das trilhas, o personagem está irremediavelmente corrompido. Entretanto, pode-se gastar aprimoramentos para diminuir o nível de corrupção, só que Tabus e condições não são apagados: a Corrupção não é realmente esquecida.

Condões são como poderes fantásticos, custosos e com condições difíceis de se obter. Em Chaves, poder fácil corrompe mais fácil ainda.

 

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As Chaves da Torre – resenha

Tranquilos pessoal? As Chaves da Torre foi escrito por Arthur Andrade pela Editora Caleidoscópio utilizando o sistema próprio chamado Mosaico. O jogo trata, e é exaustivamente apresentado, sobre abandono e esquecimento. Um RPG profundo, denso e pesado; com temas adultos e, até certo ponto, existenciais.

 

A Lembrança das Vozes

O jogo se apresenta como diferente do habitual (e quase totalidade dos outros): ao invés de um narrador impessoal ou linguagem técnica o jogo será apresentado pelos próprios habitantes do mundo, com todos seus vícios, visões e características.

Assim, somos apresentados a vários personagens do Mundo Esquecido: a Anfitriã Alfa, o gato falante Grimalkin, a mimada e autoproclamada Princesa Neon, o Pregador Minos, o Eremita da ponte e tantos outros. Cada um mostrando e “falando” sobre uma parte desse mundo.

Depois há a necessária e tradicional apresentação sobre o que é o livro e o RPG. Bem como sobre os conceitos gerais do jogo, seus temas e abordagens.

Explica-se que a narrativa ocorre se baseando nas cartas do jogo, o Baralho de Chaves e o Baralho de Temas. Já os conflitos são resolvidos com dados, sendo eles de quatro cores: vermelho – poder; amarelo – tempo; azul – tamanho; e preto – dificuldade.

Brevemente há uma demonstração de jogo e um resumo dos passos da estrutura para se jogar.

  1. Preparação das cartas: cada jogador pega duas cartas de cada baralho, descartando uma de cada.
  2. Estabelecimento da cena com a descrição do ambiente externo e internos dos personagens.
  3. Os protagonistas desenvolvem a cena com o uso do Sistema de Chaves.
  4. Os protagonistas fazem suas ações podendo seguir a narrativa, precisarem resolver um conflito ou, então, sucumbirem à Corrupção para não falharem.
  5. Após há o final da cena ou a retomada da narrativa.

Tudo isso e nem começamos a falar sobre os capítulos do livro.

O Caminho

Em as Chaves da Torre o jogo se passa entre o realismo e o abstratismo, entre o real e a fantasia. Muitas vezes a própria cidade onde se passa a história se torna um personagem, com seu próprio tema e, porque não, personalidade.

Isso se reflete, também, em cada jogo, em cada aventura e para cada pessoa ou grupo. Enquanto para uns a Torre é um instrumento de corrupção ou opressão, para outros nada mais é que um caminho ou uma ferramenta ou, até mesmo, um pilar da realidade. Tudo dependerá de como o jogo acontecerá em sua mesa.

Somos apresentados ao Oblívio e ao esquecimento. Cada um dos personagens da introdução apresenta suas ideias e experiências sobre o esquecimento. As intrigas e as lacunas também são explicadas por esses personagens. Suas posições sociais, funções, atividades e ideais e, muito, muito mais. Tudo explicado de maneira narrativa.

 

O Esquecimento

Encaminhando-se para o fim do capítulo conhecemos lugares como o Abismo e o Labirinto e outros mais, sabemos, também, sobre seus habitantes e grupos. E você deverá saber ou se lembrar se você pertence ou pertenceu a algum deles. Porque não são só os outros que se esqueceram de você, você mesmo pode não se lembrar de quem é e deve construir a verdade sobre você na realidade em que existe.

Mas nem tudo são lugares ou só sobre você, sem perigos o Esquecimento poderia ser um lugar até que agradável. Porém, existem muitas criaturas sinistras que, também, foram esquecidas. A natureza aqui, pode ser mais bela, mortal e selvagem do que na realidade.

E tudo isso pode ter dado fim a vida de esquecido, será que forma os Pesadelos, as criaturas selvagens e míticas, a corrupção e estratagemas daqueles que manipulam e estendem os veios da Torre?

O livro é tão denso, e ao mesmo tempo tão leve e fluído, que para falar dele serão necessários mais postagens. Tudo o que foi comentado até aqui se refere apenas à parte do enredo e do cenário que constam da parte inicial e do primeiro capítulo.

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