Ascensão – Contos da Lady Axe

No conto “Ascensão”, Lady Axe nos conta sobre um homem que sempre trabalhou para uma grande empresa de forma correta e coerente, mas nunca havia sido notado para receber uma promoção, enquanto via colegas serem promovidos sem o mínimo esforço. Será mesmo que eles não se esforçavam?

Ascensão

Trabalho na mesma empresa há doze anos, sou o André do atendimento ao cliente ou o André esquerdopata. Um funcionário que sempre seguiu as regras, acreditando que o esforço e a dedicação seriam recompensados, sempre balizei tudo que fazia pela ética. No entanto, durante todos esses anos, nunca fui convidado nem para o tão famoso “happy hour” dos colegas de trabalho.

No início, não ligava.

Achava que era uma reunião banal em algum bar, mas comecei a perceber que todos que participavam acabavam subindo na empresa, enquanto eu, que sempre fui certinho e comprometido, permanecia estagnado no mesmo cargo.

O salário mal cobria minhas despesas básicas, e assistir à ascensão meteórica dos colegas me causava uma mescla de inveja e frustração. Então, decidi seguir um colega depois do expediente, movido pela curiosidade e um estranho pressentimento de que conchavos e amizades e troca de favores rolavam nesses bastidores, favorecendo as promoções. Eles nunca falavam sobre o que acontecia nesses encontros, sempre guardando o segredo com um sorriso misterioso.

Naquela noite, esperei pacientemente enquanto meus colegas saíam do escritório, um por um.

Quando vi Marco, que recentemente fora promovido de maneira inesperada, dirigir-se ao elevador, entrei logo atrás dele. As portas se fecharam, e ele apertou o botão do térreo, mas assim que os números começaram a descer, ele fez algo que me deixou intrigado: pressionou o botão para o subsolo.

Eu sabia que o subsolo era um local raramente usado, destinado apenas a armazenamento dos inservíveis e estacionamento do CEO. A curiosidade borbulhou dentro de mim, claro. Me atrevi contra meus instintos éticos e resolvi descer um andar antes e segui-lo de longe, usando as escadas. Ao chegar ao porão, ouvi vozes abafadas e um canto grave que reverberava pelas paredes.

Escondido atrás de caixas, observei com espanto enquanto Marco entrava em uma sala grande e mal iluminada. No centro, uma dúzia de pessoas, incluindo nossos colegas de trabalho, estava reunida em um semicírculo.

O ambiente estava impregnado de um odor estranho, uma mistura de incenso e algo metálico que me fez sentir tonto. Marco e os demais, tomaram uma capa verde escura que estava depositada sobre o encosto de seus acentos.

Todos a vestiram e foi possível ver o símbolo da empresa estampado nas costas, formando um círculo dourado cheio de raios que dele se escapavam.

No centro da sala, sobre um pequeno palco, estava o chefe, senhor Muller, que sempre parecera tão comum. No entanto, agora, havia algo terrivelmente distinto nele. Ele começou a entoar cânticos em uma língua desconhecida, suas palavras ecoavam como um sussurro gutural que se enroscava em minha mente.

Muller, continuou entoando a ladainha e aquela melodia me fez cair numa espiral em meus próprios sentidos. Fui desperto pela vibração do meu celular no bolso. Nervoso, o desliguei imediatamente.

No centro do palco, ele colocou uma pepita amarela e misteriosa, que pulsava com uma luz própria. Contorcendo-se sobre a própria superfície, como se tivesse vida.

Os colaboradores se aproximaram, um por um, cortando o pulso e derramando sangue em uma vasilha, que foi então levada até a pedra e o líquido rubro, derramado sobre ela. O ar ficou denso e sufocante, e eu observei, incrédulo, quando todos começaram a caminhar em fila na direção do palco, disputando a chance de tocar a tal pedra.

A competição era feroz e horrenda; os participantes se empurravam, socavam-se, esgoelavam-se e feriam os olhos uns dos outros.

E muitos saíram severamente machucados da disputa. No entanto, um dos funcionários conseguiu tocá-la. Seus olhos brilharam com uma luz febril, e ali mesmo, no púlpito, ele recebeu a promoção. Vi meu chefe sorrir com satisfação e erguer o punho do funcionário nas alturas, enquanto um misto de horror e fascínio tomava conta de mim. Corri para casa, atordoado, sentindo que havia testemunhado algo além da compreensão humana.

Passei a noite em claro, com medo do que aquilo poderia significar. Os detalhes do que testemunhei no porão continuavam a girar em minha mente, como um pesadelo do qual eu não conseguia despertar. As sombras dançavam nas paredes do meu quarto, tomando formas sinistras que me faziam estremecer. A imagem da pepita amarela pulsante, sugando o sangue com voracidade, assombrava meus pensamentos.

Tentei encontrar uma explicação racional, mas as respostas escapavam entre os dedos como areia.

Meu coração batia forte, e o medo me mantinha alerta, cada pequeno ruído da casa parecia amplificado pela tensão. Meus olhos, inchados de cansaço, se recusavam a fechar.

Pensei em chamar a polícia, mas logo descartei a ideia. Quem acreditaria numa história dessas? Imaginava os policiais me encarando com descrença, talvez até me tratando como alguém mentalmente instável. É só um delírio, diriam. E se eles fossem cúmplices, parte do mesmo mistério que engolia os funcionários da empresa?

Contar a alguém parecia igualmente impossível. Amigos ou familiares poderiam não entender, tratando-me como um lunático. A solidão daquela noite era esmagadora, e eu não conseguia afastar a sensação de estar envolvido em algo muito maior e mais obscuro do que jamais imaginara.

No dia seguinte, ao chegar no trabalho, eu estava decidido a pedir demissão. Minha sanidade valia mais do que qualquer cargo ou promoção que pudesse obter naquele lugar.

As paredes do escritório, antes familiares, agora pareciam fechar-se em torno de mim, como se escondessem segredos em cada canto. Olhei ao redor, vendo rostos que antes eram apenas colegas e que agora me pareciam coniventes e cúmplices de um segredo maligno.

A ansiedade me corroeu, e minhas mãos tremiam levemente enquanto caminhava em direção à minha sala.

Sentia um nó na garganta, e cada passo parecia ecoar na minha cabeça como o prenúncio de algo inevitável. Eu precisava sair dali antes que me tornasse parte daquele ritual, antes que a escuridão me engolisse por completo. Decidi pedir demissão.

Enquanto esperava o elevador, minhas pernas ameaçavam ceder sob o peso da tensão. A porta se abriu com um tilintar metálico, e eu entrei, respirando fundo e tentando acalmar meu coração acelerado. Subiria ao último andar, entraria na sala do chefe e pediria demissão. Simples assim, repetia para mim mesmo.

Mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa, vi o colega que tocara a pedra. Saí do elevador. Ele chegou ao escritório com um carro novo, roupas impecáveis, e um ar de confiança que nunca antes tivera. Ia assumir seu novo cargo, com um salário vinte vezes maior que o meu. Aquilo me deixou abalado. Como alguém poderia mudar tanto em tão pouco tempo?

Mas antes que pudesse alcançar meu destino, recebi o chamado do RH numa notificação do celular. Meu coração disparou, e a sensação de pânico começou a subir pela minha espinha. Eu sabia que algo estava errado, que eles, de alguma forma, sabiam o que eu havia visto. Tomei a direção da sala de recursos humanos.

O corredor parecia se estender interminavelmente à minha frente, cada passo me aproximava do desconhecido.

O que me esperava na sala do RH? A incerteza era um peso esmagador, e enquanto me aproximava, cada batida do meu coração soava como um tambor ameaçador, aumentando a sensação de que algo terrível estava prestes a acontecer.

Sabia que não havia como voltar atrás, e cada fibra do meu ser gritava para que eu corresse, mas minhas pernas se moviam, uma após a outra, em direção ao destino que parecia inevitável.

Estava na sala do RH. A ansiedade tomou conta de mim; imaginei que haviam descoberto minha presença na cerimônia. Ao entrar na sala, fui recebido por um sorriso que não transmitia nenhuma ameaça.

– Sente-se, por favor. — houve uma longa pausa seguida de verificações na tela do computador. — Parabéns, André! – disse a gerente de RH, com uma voz suave e encorajadora. – Finalmente gostaríamos de convidá-lo para o nosso happy hour.

Confuso, eu me afundei na cadeira. As palavras ecoaram em minha mente enquanto uma nova percepção se formava. Como assim me convidaram para o happy hour?

Talvez houvesse algo mais em mim, de verdade. Algo que eu ainda não havia notado. Não podia ser aquilo que havia testemunhado… afinal, nem era algo inteiramente maligno.

Por um momento, hesitei.

Mas a promessa de reconhecimento e ascensão social, algo que eu sempre ansiava, agora parecia ao meu alcance. Uma única vez na vida eu merecia algo. Uma única vez na vida a oportunidade me sorriu. Me senti merecedor. Talvez fosse hora de abraçar o inevitável e fazer parte de algo grande.

A perspectiva de me tornar alguém importante era tentadora demais para ser ignorada. Quando saí do RH, senti-me dividido, mas também inegavelmente atraído pela ideia de sucesso. Naquela noite, olhei para o espelho e vi um reflexo que parecia tanto meu quanto de um estranho.

Decidi que, na próxima reunião, eu estaria lá, pronto para entender e, quem sabe, aceitar aquela organização. Sabe? Vestir a camisa de verdade. A escuridão parecia menos ameaçadora agora, como se eu finalmente estivesse prestes a entender como aceitá-la. E participar dela.


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Ascensão – Contos da Lady Axe

Texto: Jaque Machado.
Revisão:
Raquel Naiane.
Arte da Capa: Iury Kroff.


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Oscar Scully – Chuva de Sangue – Call of Cthulhu – NPCS

Oscar Scully é um personagem interpretado por Raul Galli, para a one shot Chuva de Sangue no sistema Chamado de Cthulhu. Para aprender a criar seu personagem, você pode acessar este link!

Os elementos apresentados aqui podem ser usados por mestres que queiram incorporá-los nas suas próprias campanhas ou apenas serem lidos como inspiração para suas próprias criações.

Oscar Scully – Ilustra por Shadow

Oscar Scully

Oscar nasceu em um bairro pobre de Nova Orleans. Desde cedo ganhou fama de encrenqueiro e briguento, sempre metido em confusões de rua. Apesar disso, possuía uma mente rápida e observadora.

Com o tempo, começou a usar essa esperteza para ajudar vizinhos a resolver pequenos problemas e descobrir quem estava por trás de furtos, golpes e outras confusões do bairro. Esse talento natural para investigação acabou se tornando um ofício informal.

Depois de alguns anos vivendo disso, Oscar decidiu entrar para a polícia, acreditando que poderia transformar sua habilidade em uma profissão estável e, quem sabe, levar uma vida um pouco mais honesta.

Como interpretar

Oscar é preguiçoso e está longe de ser um exemplo de integridade. Ele faz o necessário para manter as aparências, mas suas falhas de caráter surgem com frequência. Se existir uma oportunidade de tirar alguma vantagem de uma situação, é bem provável que ele considere seriamente aproveitá-la. Ainda assim, não é cruel ou maldoso; apenas pragmático e acostumado a sobreviver em um mundo difícil.

Mote

A maior motivação de Oscar é simples: continuar vivo e levar a vida com o mínimo de esforço possível. Trabalhar o suficiente para ganhar algum dinheiro, evitar problemas grandes demais e terminar a noite com um bom drink e alguma diversão.

Frase

“Esses vagabundos degenerados estão acabando com nossa cidade!”


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de Oscar Scully para Chamado de Cthulhu


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Virgil Vandagriff – Chuva de Sangue – Call of Cthulhu – NPCS

Virgil Vandagriff é um personagem interpretado por Jair Garcia, para a one shot Chuva de Sangue no sistema Chamado de Cthulhu. Para aprender a criar seu personagem, você pode acessar este link!

Os elementos apresentados aqui podem ser usados por mestres que queiram incorporá-los nas suas próprias campanhas ou apenas serem lidos como inspiração para suas próprias criações.

Virgil Vandagriff – Ilustra por Shadow

Virgil Vandagriff

Virgil Vandagriff é um veterano da Primeira Guerra Mundial. Durante o conflito, presenciou horrores que poucos homens suportariam, enfrentando batalhas brutais e situações que deixaram marcas profundas em sua memória. Essas experiências o transformaram em um homem disciplinado, silencioso e de nervos firmes, alguém difícil de intimidar ou surpreender.

Agora longe dos campos de batalha, Virgil tenta reconstruir a própria vida como ex-oficial. Mantém hábitos rígidos herdados do exército e cultiva com orgulho um espesso e bem cuidado bigode, que trata quase como um símbolo de sua dignidade. Ele o limpa com esmero e aplica cebo de carneiro para manter os fios alinhados e vigorosos, como se aquele pequeno ritual ajudasse a preservar um pouco da ordem em um mundo que já viu mergulhar no caos.

Como interpretar

Virgil mantém uma postura tipicamente militar: postura ereta, fala direta e pouca paciência para indisciplina. A guerra o deixou marcado, e embora ele raramente fale sobre isso, o peso dessas experiências ainda o acompanha. Seu foco agora é simples e pragmático: trabalhar, ganhar dinheiro e subir na hierarquia da polícia. Para ele, estabilidade e ordem são as únicas formas de manter os fantasmas do passado sob controle.

Mote

Você não vive de ser herói, vive de pagar boletos!

Frase

“Se aprume e vire homem rapaz!”


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de Vergil Vandagriff para Chamado de Cthulhu


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Máscaras de Nyarlatothep – Resenha

Olá, bípedes RPGistas! Hoje trago para vocês a campanha de Chamado de Cthulhu 7e chamada Máscaras de Nyarlatothep. Mais especificamente do box de conteúdo vendido pela nossa parceira New Order.

Sobre o Box

O box contém bastante coisa. São dois livros (que dividem o conteúdo do jogo em dois), vários “documentos” que são materiais de auxilio para você mostrar aos seu jogadores. Esses são os famosos props (contém as pistas e mapas que são achados durante o jogo) e um escudo do mestre contendo informações úteis para a campanha.

Primeiras Impressões

Essa é provavelmente uma das campanhas (se não for a mais) famosas de CoC e existia um certo burburinho da comunidade sobre como seria feita a adaptação desse clássico para o sistema da 7e e posso dizer com certa tranquilidade que atende e passou das expectativas dos fãs mais fervorosos. Como todo trabalho da New Order em parceria com a Chaosium, os livros e materiais são lindos e muito bem feitos. Poucas vezes vi um material de RPG tão completo e tão bem feito fazendo valer um preço que é um pouco acima do que geralmente é praticado nos outros manuais.

Mas, além da parte estética e da qualidade do material, a campanha é MUITO bem organizada dentro do livro e torna o trabalho do mestre mais fácil na hora de encontrar as informações que precisa, bem como para entender o arco geral da história. Coisas como o diagrama de pistas e as referências de NPC são um toque excelente nesse caminho.

Contudo, não só do contexto de regras e informações os manuais se sustentam. A história é bem desenvolvida e, acima de tudo, temos uma ambientação fantástica. Claro, o guardião pode procurar na internet como era o Peru ou Londres no começo do séculos passado. Porém o cuidado de o próprio livro das diversas informações das ambientação é de um cuidado que nem sempre vemos em materiais de RPG.

Para fechar com chave de ouro, o jogo já vem todo com as regras opcionais caso você deseje mestrar ele junto das regras adicionais de Cthulhu Pulp (veja minha última publicação sobre esse manual para ter mais informações).

NPCs, mortes e o sistema

Se você pretende se dedicar a mestrar ou jogar essa longa campanha tenha isso em mente: ela é longa, complexa e mortal. Existe uma quantidade avassaladora de NPCs, locais, pistas etc. Então deixe claro aos jogadores que essa campanha exigirá bastante atenção e anotações por parte deles. Claro, não há nada de errado em você ajudar o grupo lembrando alguma informação, mas não crie um hábito! O espírito do jogo é que os investigadores irão investigar os mistérios…

Além de investigação, o jogo apresenta desafios que serão mortais em diversos casos. A campanha é infame pela sua alta taxa de mortalidade e isso não é à toa. O jogo ficou mais acessível, nesse sentido, em comparação com sua versão clássica, mas mesmo assim é provável que um grupo iniciante chegue ao final com 2 ou 3 investigadores que ficaram pelo caminho. Mas não desanime isso faz parte.

Uma dica pessoal se você for rodar o jogo para iniciantes no sistema; utilize algumas regras de pulp como vida e pontos de perícia, mas mantenha as fichas das criaturas e desafios na versão básica. Isso vai aumentar em muito a chance de sobrevivência do seu grupo e eu te garanto que ainda vai ser bem desafiador.

O sistema também pode apresentar um problema para um campanha tão longa, uma vez que o sistema de progressão não é tão amigável a investigadores que ficam por muito tempo na luta contra o mythos. Por isso, talvez seja interessante pensar em algo para ir “melhorando” os investigadores no decorrer da campanha (como apresentam algumas regras pulp), se o seu grupo for muito preocupado em carregar os investigadores iniciais até o fim.

Conclusão

Como eu já destaquei, o livro, história e ambientação realmente brilham nesse material, contudo algumas coisas ainda poderiam ser um pouco melhores. Por exemplo, alguns dos locais recebem mais detalhes e atenção na hora de montar a ambientação (Nova Iorque e Londres são cheios de detalhes) e outros trazem menos conteúdo. Então se o guardião for se guiar apenas pelo que está no manual talvez pene um pouco para ambientar um lugar outro e de extrair o melhor daquele lugar.

Uma última recomendação, se essa for sua primeira experiência como guardião, essa sem sombra de dúvida vai ser uma experiência deveras exigente de você. Como dito, existem muitos NPCS e muitos detalhes da história que você precisa dominar. Eu comecei dizendo que muito seria exigido dos jogadores, mas saiba que mais ainda será exigido do guardião. Por isso não recomendo para guardiões de primeira viagem. Mesmo para os veteranos saiba que você está entrando num caminho que exigirá muita dedicação e preparação. Naturalmente, não é uma proibição para novos guardiões. É possível ser sua primeira experiência com o sistema ou mesmo mestrando como um todo e você tirar de letra. Todavia, caso esse seja seu desejo, é importante entrar ciente nessa empreitada e por isso recomendo talvez mestrar algumas histórias mais curtas antes de entrar de cabeça nessa aqui.

Por fim, a recomendação final é que você se divirta! A história é épica e tenho certeza que seu grupo vai se divertir e aproveitar esse jogo.


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Fox Osborne – Chuva de Sangue – Chamado de Cthulhu – NPCS

Fox Osborne é um personagem interpretado por Victor Alonso, para a one shot Chuva de Sangue no sistema Chamado de Cthulhu. Para aprender a criar seu personagem, você pode acessar este link!

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Fox Osborne – Ilustra por Shadow

Fox Osborne

Fox Osborne é um ex-detetive particular, desgastado por anos lidando com figuras públicas envolvidas em casos banais de adultério e hipocrisia. Cansado desse tipo de trabalho, passou a recusar novos clientes e afundou lentamente em um ciclo de bebida e amargura.

Buscando uma mudança real em sua vida, Fox decidiu ingressar na polícia, acreditando que ali poderia fazer alguma diferença. Com o tempo, porém, percebeu que o sistema é mais resistente do que imaginava — e que, para provocar transformações reais, talvez fosse necessário jogar pelas regras erradas. A corrupção, para ele, não é um grande problema… desde que ninguém descubra.

Como interpretar

Um homem que não nega suas origens e confia no que vê, mesmo quando não consegue explicar. Sempre valoriza o descritivo acima das conclusões apressadas e carrega sua máquina fotográfica a tiracolo como extensão do próprio olhar. Registra tudo o que pode — inclusive aquilo que não lhe é favorável — porque acredita que a verdade, antes de qualquer julgamento, precisa ser observada e documentada.

Mote

Determinado a mudar de vida, ele está sempre tentando mostrar serviço e se destacar, mesmo quando isso exige ir além do que lhe é confortável. Nem sempre consegue, mas a tentativa constante revela sua vontade genuína de fazer diferente — ainda que, às vezes, tropece no próprio limite.

Frase

“Eu não quero acreditar, mas eu vi.”


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de Fox Osborne para Chamado de Cthulhu


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Nem Tudo Vale a Pena ser Sabido – Histórias de Fogueira #04

A série Histórias de Fogueira irá trazer alguns contos de terror sobre temas variados. Em “Nem Tudo Vale a Pena ser Sabido” iremos acompanhar a história de um menino, que se torna homem, e percebe que os segredos do pai fazem sentido serem secretos. Você quer descobrir?

Nem Tudo Vale a Pena ser Sabido

Quando eu era pequeno, nossa casa parecia sempre fria demais. Não era só por causa do vento que vinha do mar e passava pelas frestas das paredes de madeira, mas por algo que eu não sabia explicar.

Enquanto brincava no chão gelado com meus soldadinhos, às vezes eu via as bonecas das minhas irmãs mudarem de lugar sozinhas. Elas ficavam sentadas no canto do quarto, mas quando piscávamos, estavam viradas para a porta, ou para a gente, como se sempre buscassem observar tudo.

Nunca falava nada, porque meu pai dizia que não tinha com o que me preocupar.

“É só o amigo do papai brincando”, ele dizia, enquanto bagunçava meu cabelo antes de sair para o cais, com aquele cheiro forte de peixe, sal e fumaça de lamparina. Ele era um homem enorme, com braços grossos de carregar caixas de peixe e redes pesadas.

Ele trabalhava de quinta até terça-feira, sempre voltando quando o sol já tinha ido embora. Meu pai não era muito de sair, nem mesmo com a gente. Nunca nos levava para lugar algum, nem para a feira, nem para a missa, nem para a beira do mar onde as outras famílias iam ver o pôr do sol.

E era justamente isso que deixava o hábito dele tão estranho.

Toda primeira quarta-feira do mês, ele mudava. Ele acordava calado, andando pela casa como um cachorro doente, com os olhos fundos, e não olhava na cara de ninguém. Minha mãe pedia para que não fizéssemos barulho, para não irritar ele. Mas eu sabia que não era só isso. Ele parecia… assustado.

Durante o dia, ele deixava preparada uma sacola de couro escuro. Às quatro horas da tarde, vestia sempre a mesma roupa: camisa vermelha escura, calça preta, jaqueta grossa de couro, botas pretas pesadas que batiam no chão como martelos. Ele pegava a sacola e saía sem dizer nada.

Na manhã seguinte, quando eu acordava, ele já estava se trocando para ir trabalhar, como se nada tivesse acontecido.

Para mim, isso era normal.

Achava que todas as casas eram assim. Mas, quando fiz dezenove anos e fui trabalhar na cidade vizinha, mais ao sul, vi que lá nada disso acontecia. Não havia bonecas que mudavam de lugar, nem pratos que caíam sozinhos. As casas eram silenciosas à noite e as famílias pareciam viver num mundo diferente.

Fiquei lá por quatro anos, até que meu contrato acabou e a empresa parou de pagar meu quarto na estalagem. Então voltei para casa. No primeiro mês, tudo pareceu mais estranho do que eu lembrava.

Na véspera da primeira quarta-feira, meu pai andava pela casa feito um bicho acuado e minha mãe nos mandava sair do caminho dele. O medo dele parecia grudar em mim como a fumaça de um cigarro.

Naquela quarta-feira, decidi que ia descobrir para onde ele ia.

Falei a ele que ia passar a noite na taverna bebendo com amigos e ele nem me olhou. Esperei ele sair, vesti meu manto grosso e fui atrás dele, seguindo o som pesado das botas na terra molhada. Era inverno e o céu estava coberto de nuvens negras, a neblina já vazava de dentro do bosque e o vento trazia o cheiro de folhas podres e sargaço velho.

Ele andou rápido até os limites da vila, entrou na trilha de barro que levava ao bosque. Eu ia seguindo apenas a luz do lampião dele, balançando de um lado para o outro. O vento fazia os galhos rangerem e as aves noturnas faziam sons assustadores, mas ele não parecia ouvir nada.

Só andava.

Depois de um tempo que parecia eterno, ele chegou numa clareira. O chão era duro, sem grama, como se algo tivesse queimado tudo ali há muito tempo. Ele colocou o lampião no chão, ao lado da sacola e deu um assovio longo e alto, o mesmo que ele usava quando éramos pequenos, pra nos chamar quando estávamos brincando na rua.

Fiquei atrás de uma árvore grossa, tentando não respirar tão alto. Então vi outros focos de luz surgindo entre as árvores, saindo de dentro de um portal de madeira, feito com troncos retorcidos cobertos de musgo, formando um arco meio quebrado.

Eram cinco lampiões, carregados por pessoas encapuzadas, usando túnicas vermelhas que balançavam devagar enquanto andavam.

Meu pai se agachou, pegou a sacola, e eles desapareceram juntos por entre as árvores. Eu queria correr. Minhas pernas tremiam tanto que pensei que ia cair, mas eu não podia deixar meu pai sozinho.

Esperei.

O vento balançava as árvores, rangendo e gemendo, como se a floresta tentasse me avisar que aquele não era um bom lugar para estar. Fechei os olhos por um instante, mas cada estalo que ouvia me fazia abri-los de novo, com medo de algum deles estar atrás de mim.

Depois de algumas horas, ouvi passos voltando. Vi os lampiões saindo de dentro do portal. Primeiro veio meu pai, depois os outros cinco. Mas, conforme eles iam saindo, todo som da floresta sumia. Não ouvi mais nada. Nem os grilos, nem o vento, nem o ranger dos troncos. Só senti um frio que queimava meus ossos, diferente do frio do inverno.

Quando olhei de novo, vi algo vindo de dentro do portal. Era uma figura alta, encurvada, coberta por um manto que parecia feito de sombras. Ela se movia devagar, mas era como se deslizasse pelo chão. Os encapuzados formaram um círculo ao redor do meu pai, que se ajoelhou na terra fria quando ela chegou perto dele.

A criatura ergueu a mão, longa, fina, cheia de dedos compridos como garras secas. Meu pai abriu a sacola e ofereceu o que havia lá dentro. Eu não consegui ver direito, mas tinha muito sangue escorrendo. Parecia carne, talvez de algum animal…

Talvez não.

Quando a criatura pegou a oferta, os outros começaram a cantar. Não era uma música comum, era um canto grave, como se fosse um hino esquecido, e cada nota parecia tremer dentro da minha cabeça, me deixando zonzo. O som foi ficando mais alto, pesado, até que tudo girou e minhas pernas amoleceram, tudo ficou preto antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.

Acordei com o sol batendo no meu rosto. O chão de terra estava gelado e a clareira parecia normal. O portal de madeira não estava mais lá.

Me levantei rápido, limpei minhas roupas e corri de volta para casa, com o coração batendo tão forte que pensei que fosse cair de novo no caminho. Quando cheguei, meu pai estava na cozinha. Ele me olhou com aquele mesmo sorriso de sempre.

“Bom dia, filho. Como foi lá?”

Eu quis perguntar, quis sacudir até ele me contar o que era tudo aquilo. Mas algo dentro de mim dizia que era melhor ficar quieto. É como ele mesmo dizia às vezes:

“Nem tudo vale a pena ser sabido”.

O mês passou, mas os pesadelos não me deixaram esquecer. Eu via aquela criatura nos meus sonhos, via meu pai ajoelhado oferecendo carne com sangue, via os rostos encapuzados cantando enquanto ela aceitava. Mas, nos meus sonhos, ela sempre virava o rosto para mim, e mesmo sem ver seus olhos, eu sentia que eles atravessavam minha alma até um lugar que eu não sabia que existia.

Quando chegou a primeira quarta-feira do mês seguinte, eu estava tão nervoso quanto meu pai. Era difícil agir normalmente, eu me sentia como um adolescente depois de usar drogas tentando parecer uma pessoa normal.

Naquele dia, ele acordou calado como sempre. Almoçamos em silêncio. E às quatro da tarde, ele vestiu a camisa vermelha, a calça preta, a jaqueta grossa de couro e as botas pretas. Pegou a sacola pronta, foi até a porta e parou. Virou para mim, e disse:

“Por favor, filho, não venha hoje.”

Fiquei sem resposta. Só olhei nos olhos dele, sentindo meu coração bater tão forte que parecia ecoar pela casa inteira. Ele abriu a porta e saiu. Eu quase fui atrás dele de novo naquela noite, mas algo no tom da voz dele me quebrou por dentro. Era como se ele estivesse cansado de lutar, de proteger o pouco que ainda
conseguia.

Depois que ele saiu, fiquei olhando para o fogo morrendo na lareira. Meus irmãos já dormiam, minha mãe costurava em silêncio, mas eu não conseguia tirar da cabeça a visão daquele portal de madeira retorcida nem da criatura de sombra viva. Senti minha respiração falhar várias vezes, o medo me fazia suar mesmo sentido frio.

Fui até a pequena prateleira perto da mesa, peguei um pouco de destilado que restava numa jarra de barro e bebi em goles grandes, sentindo o líquido quente descer rasgando minha garganta. Queria apenas dormir, esquecer tudo e fingir que nada daquilo era real. Deitei na minha cama, puxei as cobertas até a cabeça e fechei os olhos com força.

Adormeci mais rápido do que esperava.

Mas quando abri os olhos, estava de pé no meio da clareira. O chão gelado e úmido congelava meus pés, a lua estava alta, e as árvores rangiam com o vento. Eu ouvia o mesmo cântico grave da outra vez, aquele som que fazia meus ossos vibrarem de medo. Mas não havia ninguém ali. Não havia lampiões, nem homens de túnicas vermelhas, nem meu pai ajoelhado. Só a clareira e o portal de madeira retorcida.

O canto continuava, mas eu percebia que não vinha de nenhum lugar físico. Era como se o som nascesse dentro da minha cabeça, tão fundo que eu sentia minhas têmporas latejarem de dor. O portal na minha frente parecia respirar, as árvores negras se retorcendo como minhocas na lama, e de dentro dele surgiu a criatura.

Ela parecia maior do que antes. Alta, encurvada, coberta por aquele manto de sombras que se mexia como fumaça. Agora, eu percebia que seus pés não tocavam o chão. A criatura flutuava, e enquanto eu percebia tudo isso, o canto ficava mais alto dentro da minha cabeça quanto mais perto ela chegava.

Eu não conseguia me mexer.

Meus joelhos tremiam tanto que mal sentia minhas pernas. O canto era um hino sem palavras, um som que eu entendia sem querer entender. Cada nota era como uma voz dizendo coisas horríveis dentro da minha mente. Era como se o som viesse da vibração do meu próprio crânio, mexendo nos meus pensamentos, procurando algo lá dentro.

A criatura ergueu a cabeça, e, onde deveriam haver olhos, havia apenas um vazio que parecia puxar tudo ao redor. Quando ela abriu a boca, não saiu som nenhum. Mas senti algo dentro de mim sendo puxado para fora.

Vi minhas mãos se abrirem sozinhas, meu corpo se mover sem que eu mandasse. Eu tentava gritar, mas nada saía. Era como se minha alma estivesse sendo arrastada para aquele buraco negro dentro dela.

No fundo da clareira, as árvores começaram a sangrar. Dos troncos escorria um líquido escuro, grosso, que cheirava a ferro e carne podre. O chão se encheu daquele sangue negro, subindo pelos meus pés, queimando minha pele como brasa viva.

O canto dentro da minha cabeça se tornou insuportável, parecia que meu crânio ia rachar em mil pedaços. Eu via rostos se formando na escuridão atrás da criatura, bocas sem dentes se abrindo e cantando junto, mas não havia ninguém lá.

Foi quando tudo ficou preto.

Acordei ofegante, com a garganta seca e o corpo inteiro tremendo. Mas não estava na clareira. Estava deitado na minha cama, coberto por mantas grossas. O cheiro de incenso era forte, quase sufocante, misturado ao cheiro de peixe, madeira velha e mofo. Meu peito doía cada vez que eu respirava, como se algo pesado tivesse ficado ali por horas.

Quando meus olhos conseguiram focar, vi minha mãe sentada ao meu lado, as mãos dela segurando as minhas. Meus irmãos estavam mais afastados, e um homem velho, vestido com túnicas brancas costuradas com símbolos de proteção, passava ervas sobre minha testa e murmurava orações antigas. O velho xamã da vila. O cheiro das ervas queimadas me fazia tossir.

“Ele voltou…” Minha mãe disse com lágrimas nos olhos, e só então percebi que havia outro som na casa.

Meu pai estava sentado em uma cadeira no canto do quarto.

Ele olhava para o nada, os olhos secos e arregalados, a boca aberta murmurando algo sem parar. Me esforcei para ouvir melhor. Sua voz era baixa, falhava a cada palavra, mas eu consegui entender:

“A culpa é minha… eu não deveria ter deixado ele me seguir… agora… agora ela quer ele… ela quer ele…”

Minha visão ficou turva de novo, e o frio que senti na clareira voltou, começando na base da minha coluna e subindo até minha nuca. Fechei os olhos, tentando afastar aquela sensação de vazio que me consumia por dentro.

Com o passar dos dias, eu fui melhorando. O curandeiro disse que era um milagre eu ter acordado depois de dois dias dormindo, que meu corpo estava forte apesar do que quer que tivesse acontecido comigo e me deu um talismã que, segundo ele, vai me proteger do que está tentando me alcançar.

Meus irmãos choraram de alegria, minha mãe me abraçou como se eu fosse feito de vidro.

Mas meu pai… ele nunca mais voltou a ser o mesmo.

Ele ficou naquele estado, sentado na cadeira ao lado da minha cama, com o olhar perdido no chão e a boca murmurando sem parar que a culpa era dele. Dizia isso dia e noite, sem comer direito, sem dormir direito, até que, meses depois, morreu naquela mesma cadeira, olhando para o nada, com os olhos abertos como se ainda visse a criatura diante dele.

Eu nunca soube ao certo o que aconteceu naquela noite. Depois que me recuperei, juntei o pouco dinheiro que tinha, me despedi da minha mãe e fui embora. Escolhi a cidade mais distante daquele lugar que consegui encontrar, um lugar sem florestas, sem portais de madeira, sem lembranças.

Mas ainda assim… toda primeira quarta-feira do mês, quando o sol começa a se pôr e o vento fica mais frio, eu sinto aquele mesmo arrepio subindo pela minha coluna. Vejo, pelos cantos dos meus olhos, vultos escuros se movendo. Vejo mãos finas e compridas tentando me alcançar nas sombras.

E toda vez que isso acontece, eu fecho os olhos, seguro meu talismã, me encolho e repito
para mim mesmo:

“Nem tudo vale a pena ser sabido.”

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Nem Tudo Vale a Pena ser Sabido – Histórias de Fogueira #04

Texto: Barril.
Revisão:
Raquel Naiane.
Arte da Capa:Iury Kroff.


Encontre mais contos clicando em: Histórias.

Cthulhu Pulp – Resenha

Olá bípedes rpgistas! Voltamos para o que está quase se tornando uma coluna de Call of Cthulhu. Essa semana, para fecharmos a trindade de manuais do sistema, iremos falar um pouco sobre o manual Pulp. Se você procurar por aqui, irá encontrar minha resenha a respeito dos outros dois manuais principais de Call of Cthulhu 7e, sendo eles o Livro do Guardião e o Livro do Investigador. Esses dois são complementares um do outro e seguem na mesma linha que que parte do fandom chama de “purista”. Por outro lado, Cthulhu Pulp, apesar de manter o core do sistema, traz consigo algumas diferenças fundamentais.

Sobre o manual

Resgatando o espírito pulp de filmes, livros e quadrinhos (como Indiana Jones ou A Múmia de 1999) esse manual pretende ter aventuras e desafios mais dinâmicos e beirando mais o fantástico. Se, em um jogo mais tradicional de Call of Cthulhu, ao ver um monstro o ideal é se esconder, fugir ou rezar, aqui no Pulp podemos socar os monstros! Essa DLC, por assim dizer, do sistema foca mais na exploração, ação, “ciência estranha” e no heroísmo do que em outras versões.

Para jogar com essa versão do jogo, você ainda precisa do manual do Livro do Guardião, pois a versão Pulp dá opções de regras, mas ainda utiliza todo o sistema de testes, perícias e atributos que o jogo base contém.

Novas regras

As diferenças principais se destacam que, ao invés de os investigadores terem “profissões” eles têm “arquétipos” e também temos as adições dos “talentos”. Os talentos nada mais são do que habilidades especiais como mais resistência, alguns usos específicos de sorte ou ainda para usar a “ciência estranha”.

A ficha de personagem fica mais “forte” com 100 pontos a mais para distribuir nas perícias e os pontos de vida são o dobro da versão tradicional. Além disso, os combates são menos mortais, já que ao zerar os pontos de vida, o investigador não fica ferido e fica apenas inconsciente.

A sorte também tem mais alguns usos, como gastar 20 pontos de sorte para recuperar 1d6 pontos de vida e também é possível gastar todos os pontos de sorte e não morrer em uma situação que com certeza o teria matado como negativar os pontos de vida para além da metade do total.

E para deixar tudo ainda mais pulp temos os talentos de insanidade e os poderes psíquicos. Os talentos de insanidade permitem ao investigador desafiar a realidade. Com o custo da própria sanidade, é possível ter alguns poderes extraordinários como desviar balas ou andar pelas paredes. Os poderes psíquicos não exige sanidade, porém tem custo em pontos de magia e funcionam na base de teste de perícia.

Por fim, para as opções novas para os investigadores, temos a ciência estranha. Com ela é possível fazer todo tipo de geringonça de ficção científica (meio num estilo Doutor Frankenstein).

Já para o Guardião, os npcs também estão mais fortes e mais “cinematográficos”. Os capangas caem rápido (tirando metade da vida já caem inconscientes) porém os vilões humanos tem toda tipo de poder e também podem usar a sorte a seu favor.

 

Primeiras impressões

Esse talvez seja meu livro preferido de toda a linha da sétima edição, mantém a tradição de ótimas artes e traz um conjunto de regras que deixa o jogo muito mais dinâmico e divertido. Com certeza abre mão do terror cósmico mega assustador, mas deixa tudo com mais… “jeito de RPG”. As regras também ajudam bastante no desenvolvimento para campanhas longas, uma vez que os personagens têm mais vida e na fase de desenvolvimento ganham mais pontos.

Além disso, têm elementos que deixam a experiência mais customizável e dão chances verdadeiras de os investigadores obterem sucesso em suas empreitadas. Sim, eu sei que nos escritos do Lovecraft a ideia é de que não existe vitória, no máximo um adiamento do inevitável, porém é difícil jogar um RPG sem ter a esperança de realmente triunfar em seus objetivos (tanto como jogador, personagem ou mestre!).

 

Conclusão

Meus amigos tradicionalistas na doutrina de Cthulhu que me perdoem, mas esse manual é muito divertido! Cheio de vida, muito criativo nas suas adições de gameplay e customização e deixa a experiência dos jogadores mais palatável. Outro ponto é que algumas campanhas oficiais de Cthulhu me parecem só possíveis de jogar se adicionarmos os elementos pulp.

Dito isso, recomendo adicionar essas regras na sua mesa se os jogadores e, principalmente, o guardião já tiverem um domínio básico das regras básicas do jogo, jogar todas essas novas regras de uma vez pode ser um pouco demais para iniciantes. Agora se sua mesa é composta de jogadores experientes, pode meter ficha!

 

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Guia do Guardião – Chamado de Cthulhu 7ª Edição – Resenha

Olá, bípedes RPGistas! Hoje trago para vocês uma resenha do Guia do Guardião – Chamado de Cthulhu 7ª Edição publicado aqui no Brasil pela New Order. Anteriormente eu trouxe o guia do investigador e ficamos de voltar aqui para falar um pouco sobre o livro principal e estamos aqui agora!

Sobre o Manual

Esse foi o primeiro manual que estabeleceu a sétima edição desse clássico do RPG. O jogo continua com o seu tradicional sistema de base D100 e perícias. Como sempre, o manual começa com algumas noções básicas sobre o jogo de RPG em linhas gerais e algumas pinceladas sobre o que é o mundo do Mitos e até mesmo uma breve biografia do controverso H.P Lovecraft. E como dito na nossa review sobre o Guia do Investigador, existe uma redundância entre esses dois livros a respeito de como montar a ficha etc.

Além da parte das regras para personagens, temos também capítulos sobre armas, monstros, lore, feitiços etc.

Primeiras Impressões

Como no outro manual, as artes são um ponto alto do manual. Em comparação com outras edições, o jogo é um pouco menos letal e amigável com iniciantes. Contudo as questões de melhoria de personagem são um problema, com o passar de uma campanha é mais fácil ter um personagem pior do que no começo. O Guia do Investigador ajuda um pouco esse ponto, mas mesmo assim continua sendo um desafio para campanhas longas.

Mas provavelmente a maior novidade em comparação com as edições anteriores são os níveis de dificuldade. Agora além da porcentagem normal de uma perícia também temos as porcentagens em ½ e ⅕ que definem testes mais difíceis. Portanto agora, se você tiver 80% na perícia de Antropologia um teste difícil seria necessário um resultado 40% e um extremo seria 16%. É uma mecânica interessante na teoria, mas devastadora na prática. Contudo, pode complicar o jogo se você estiver jogando de forma tradicional e ter que ficar calculando as porcentagens com metades e quintos.

Além disso, temos também os testes forçados. Uma vez falhado no teste é possível refazer o mesmo teste com a possibilidade de uma “penalidade” severa ao personagem em novo caso de falha.

Também temos novas regras para vantagem e desvantagem que não existiam nas edições mais antigas. O mestre não mais tem que falar “menos 20% nesse teste”. Agora, quase como em D&D, na vantagem rolamos duas vezes a dezena, ficamos com a melhor e na desvantagem ficamos com a pior. Isso com certeza deixa o jogo mais dinâmico e menos arbitrário para o mestre.

O combate continua muito mortal e é bem simples, mas com adições de mais possibilidades para os personagens se salvarem. E também foram apresentadas novas regras para perseguição, essas regras são quase um novo mini-game dentro do RPG. Existe uma nova dinâmica que torna as perseguições um jogo a parte. À primeira vista, são regras mais complicadas, mas em situações bem preparadas e planejadas podem render muita diversão com uma quebra das longas sessões de roleplay e investigação. Também temos muitos novos feitiços muito interessantes e com consequências que deixam o jogo com mais… tempero.

Por fim, muitas mudanças nas regras de sanidade e de forma positiva. A parte que mais destaca o sistema agora tem regras mais claras e objetivas para as consequências de falhas e perdas de sanidade. Apesar de ser um ponto sensível temos que nos lembrar que no tempo que o jogo retrata, a saúde mental não era muito bem compreendida.

Conclusão

Guardiões que planejam transicionar de jogos mais fantasioso para esse sistemas (até mesmo meus amigos da Ordem Paranormal) esse é um jogo bem diferente, mais pé no chão. Se prepare para falhar e personagens bem mais frágeis, tudo requer bom planejamento e prudência. Tenha em mente que será muito fácil acabar com uma tragédia em mãos se você não for alertando seus jogadores dos perigos que eles estão entrando.

E você, meu caro jogador, pense que você está num mundo de horror. Você acredita que conseguiria enfrentar criaturas de outra dimensão? Ou, de forma mais simples, acredita que conseguiria vencer no mano a mano de cinco cultistas malucos armados? Não? Então provavelmente seu investigador também não. Seja menos heroico e sempre pense em viver para lutar outro dia!

Em suma, temos um jogo muito detalhado e mais realista. Com uma mitologia muito rica e com um manual que vai te ajudar em todos os passos para o seu jogo se você tiver disposto a ler de capa a rabo por isso para um jogo de investigação e terror podemos considerar um jogo 9/10. Ótimo para jogos curtos, mas apresenta limitações para jogos longos.

Por fim, sempre tenha em mente que o jogo se passa em uma época diferente da nossa, mas isso não significa que você *precisa* perpetuar as negativas históricas dessa época, você pode, claro, mas converse bem com o seu grupo e estabeleça limites e convenções mútuas. Divirta-se e que Cthulhu te acompanhe!

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CthulhuTrix – Biblioteca Arkanita

Esta semana, a iniciativa da Biblioteca Arkanita apresenta o netbook CthulhuTrix, de Marcos Silva (como parte do projeto RPGenesis), propondo um cenário de horror cósmico salvagepunk que se inspira quase inteiramente nos Mythos de Cthulhu e no universo de Matrix.

Se quiser adicionar mais destes dois universos a CthulhuTrix, clique aqui para acessar o netbook Um Sussurro nas Trevas e aqui para acessar Matrix.

Conteúdo do netbook

  • Prólogo, servindo de preparação ao conceito dos Agentes da Ordem ao narrar a criação do Grupo de Pesquisa para Antecipação de Evento Crítico na Universidade Miskatonic.
  • Introdução, explicando o papel do Mantenedor e parte da natureza do Algoritmo Ordenador.
  • Vislumbre, apresentando melhor o cenário a partir do evento apocalíptico de seu cenário e através de suas subseções:
    • Destroços: descrição da sensação de apatia e desesperança do ambiente.
    • Cultistas, Suicidas e Canibais: apontamento aos grupos enlouquecidos que podem aparecer a qualquer momento em qualquer lugar.
    • Mythos: explicação de como os Mythos de Cthulhu podem ser explorados no cenário.
    • Algoritmo: expansão da explicação sobre o papel e modus operandi do Algoritmo Ordenador para ativar e direcionar as missões dos Agentes da Ordem.
    • Tecnologia: contextualização do cenário com base na tecnologia existente nos anos 1990, dentro de um aspecto salvagepunk em que equipamentos aparentemente desativados podem ser reativados ou alvo de “gambiarras”.
    • Mensageiras: descrição dos autômatos que agem em nome do Algoritmo Ordenador.
  • O Jogo, sugerindo como as dinâmicas entre os jogadores e o Mantenedor podem ser realizadas para manter o clima esperado, e o papel do Mantenedor como narrador e não como inimigo dos jogadores e seus personagens.
  • Personagens, contendo instruções para criação de personagem e a nova regra das Condições para ser utilizada em sistema próprio ou integrado ao Sistema Daemon.
  • Instruções, com as regras do sistema próprio explicadas, incluindo a regra para se lidar com Vislumbres (passível de adaptação ao Sistema Daemon).
  • Narrativas, apresentado dicas e instruções sobre qual o clima mais adequado às aventuras em CthulhuTrix, envolvendo a insanidade iminente, as ameaças dos seres de horror cósmico dos Mythos de Cthulhu, e a própria maldade intrínseca aos seres humanos sobreviventes da “Verdade Cósmica”.

Você pode baixar estes netbooks aqui mesmo na Biblioteca Arkanita. Clique aqui para iniciar o download do netbook. E continue acompanhando as postagens semanais da Biblioteca Arkanita para outros grandes netbooks como CthulhuTrix!


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RetroPunk – 10% – movimentorpg10
Bardo’s Shop – 20% – movimentorpg20
Jambô – 10% – mrpg10
New Order – 10% – movimentoneworder
101 Games – 10% – MRPG10

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Guia do Investigador – Chamado de Cthulhu 7ª Edição – Resenha

Olá, bípedes RPGistas! Hoje trago para vocês o livro Guia do Investigador – Chamado de Cthulhu 7ª Edição publicado aqui no Brasil pela New Order. Ele é um manual com conteúdo extra para Chamado de Cthulhu 7ª Edição. Ele trás algumas opções de regras e criação de personagem mais diversificadas e mergulha um pouco mais na lore e historicidades dos anos 20.

Sobre o Manual

O manual começa com uma breve introdução burocrática do jogo (muito parecida com o manual do guardião) e em seguida nos dá um pequeno conto do próprio H.P Lovecraft e dá o tom do cenário e da ideia por trás desse sistema já consagrado.

O conteúdo é simples e mais direto do que o Livro do Guardião e metade do seu conteúdo é sobre como montar seu investigador com algumas opções novas e outras repetidas do manual original e a outra metade são “dicas” de como jogar com um investigador e como navegar por um jogo que não é tanto sobre ação e mais sobre o mistério e o horror.

Primeiras Impressões

Primeiramente, acho importante destacar a beleza visual das artes nesse livro que são de outro mundo (no pun intended), tudo muito bem desenhado e escolhido. Alguma arte ou outra reutilizada de outros manuais, mas mesmo assim não tira o mérito artístico do todo.

O livro em si é muito interessante, apesar de parte de um conteúdo repetido, ele mostra algumas novas opções para as ocupações do  investigador e também, o mais importante, a ideia de investigadores mais “experientes” com os pacotes de veteranos de guerra, policial, criminoso, médico e mythos.

Essa opção deixa os personagens com um pouco mais de personalidade. Além disso, trás em mais detalhes algumas regras que eram um pouco confusas no manual original, principalmente em como usar determinadas perícias.

A segunda metade do livro traz uma perspectiva que eu poucas vezes eu vi em um livro de RPG mais tradicional. Ele procura ensinar os jogadores a como jogar esse jogo que é conhecido por seu índice alto de mortalidade. Pessoalmente acho isso uma abordagem muito ousada.

Em um cenário que o discurso mais popular é o de “jogue do seu jeito” e “não existe como jogar errado” , o manual traz algumas sugestões em um tom quase de “não existe jeito certo de jogar, mas com certeza existe um errado”.

Gasto de Sorte

A mecânica que mais me chamou atenção neste manual foi a ideia do “gasto de sorte”. A mecânica é simples; se você faz um teste de perícia com um resultado 60, mas o seu valor na destacado na perícia  é 55, você pode gastar 5 pontos de sorte e considerar o seu sucesso. Ou seja, você subtrai da sorte o valor necessário para alcançar o valor desejado para algum sucesso no seu teste.

A mecânica é uma clara tentativa de deixar o jogo menos letal e mais fluido e as habilidades mais interligadas e úteis. Além de ser uma ideia lúdica de que a sorte dos personagens vai “acabando”. Se coloque em situação difíceis vezes o suficiente e sua sorte não vai ser mais capaz de te salvar…

Organizações

Uma outra opção para os personagens é de se aliar ou rivalizar com algumas organizações que enriquecem mais o cenário e dá, novamente, mais opções para criar um pouco mais de personalidade aos investigadores. Não há ganhos mecânicos diretos com se associando à algumas dessas organizações, mas traz mais possibilidades de plot e conexões úteis (tanto para os investigadores quanto para o guardião).

Conclusão

O Guia do Investigador é um manual muito importante para a sua mesa de CoC 7e e eu lhes digo o porquê. Se os seus jogadores conseguirem passar da barreira de preguiça de ler um manual (eu sei, eu sei, não é fácil fazer um jogador ler algo) ele te entrega joias raras.

Primeiro mecânicas que vão ajudar o investigadores a sobreviverem mais! Normalmente CoC nunca foi um sistema que se deu bem com campanhas longas por dois motivos: i) o sistema de progressão e ii) o índice de mortalidade dos investigadores.

O manual tenta resolver, portanto, essa segunda parte e dá uma boa guinada nessa direção e falo por experiência própria como alguém que já usa esse manual há cinco anos que realmente ajuda.

A segunda joia que esse manual nos dá, principalmente para mestres e jogadores novos não só em CoC, mas no RPG no geral, são as dicas de como se joga e como se combate as ameaças em um jogo de terror cósmico!

Não, não se espera que você saia na porrada ou troque tiros com entidades multidimensionais em um jogo que a ideia é a INVESTIGAÇÃO (sim, eu estou falando com você senhor Ordem Paranormal). Mas não só isso também toca em temas sensíveis como possíveis problemas que os jogadores podem encontrar na questão de convivência como um grupo de pessoas que se reúne periodicamente para, acima de tudo, se divertir.

Por fim, acho que o manual não resolve todos os problemas de mecânica desse sistema, mas acho que seria mais apropriado discutir isso em uma resenha do Livro do Guardião.


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