RPG é cultura?

 Afinal, o RPG pode ser considerado sobretudo, um mecanismo de propagação cultural? RPG pode ser tratado como cultura?
Primeiramente, vamos a uma definição: Aos olhos da sociologia, a cultura é tudo aquilo que resulta da criação humana. São ideias, artefatos, costumes, regras, crenças morais, e conhecimento adquirido a partir do convívio social. Os jogos de interpretação de papéis (RPGs) evoluíram com o passar dos anos, de mera forma de entretenimento para dispositivos de difusão cultural.

No livro Estudos sobre Jogos de Interpretação de Papéis de Sebastian Deterding e José Zagal, os autores exploram a natureza multifacetada do RPG e seu impacto na sociedade. Este ensaio explora a noção do RPG como cultura, examinando os aspectos sociais, comunitários e artísticos, e como isso moldou a vida de milhões de entusiastas ao redor do mundo.

I. A emergente Cultura do RPG

O RPG percorreu um longo caminho desde sua criação na década de 1970. Inicialmente,  percebido como um hobby de nicho desfrutado por um pequeno grupo de entusiastas. Em suma, ao longo das décadas, o RPG evoluiu para uma subcultura próspera com suas normas, valores e experiências compartilhadas. A elevação do rpg ao status de forma cultural pode ser atribuída a vários fatores:

  1. Construção de Comunidade: O RPG fomenta um senso de comunidade entre os jogadores. Os jogadores se reúnem para colaborar em narrações imaginativas, forjando laços fortes e amizades. Essas comunidades muitas vezes se estendem além da mesa de jogo, pois criam uma rede de indivíduos com interesses semelhantes.
  2. Expressão Artística: O RPG fornece uma plataforma para a expressão criativa. Os jogadores desenvolvem personagens, narrativas e mundos, muitas vezes incorporando elementos de arte, literatura e o próprio design dos jogos em suas experiências. A criação de fanfics, obras de arte e módulos de jogos é um testemunho da dimensão artística do RPG como cultura.

II. Significado Cultural do RPG

A cultura do RPG cresceu em importância e agora permeia vários aspectos da sociedade:

  1. Mídia e Entretenimento: O RPG têm inspirado uma variedade de mídias, incluindo filmes, programas de TV e literatura. Séries populares como “Stranger Things”, “Dungeons & Dragons”, “Goblin Slayer” e “The Witcher” ganharam atenção popular,  inegavelmente levando a cultura do RPG a um público mais amplo.
  2. Educação e Aprendizagem: Os elementos narrativos e de resolução de problemas no RPG encontrara seu caminho nos ambientes educacionais. Professores usam o RPG como ferramenta para o ensino história, literatura, resolução de problemas e habilidades sociais, bem como no estimulo a leitura e compreensão textual, por exemplo.
  3. Comunidades Online: O advento da internet facilitou o crescimento do RPG como comunidade cultural, com fóruns online, plataformas de streaming e mesas virtuais conectando jogadores de todo o mundo.

III. RPG, Cultura e Identidade

Para muitos entusiastas, o RPG é uma parte significativa de sua identidade. Ele fornece um espaço seguro para a autoexpressão, experimentação e crescimento pessoal. Os jogadores frequentemente encontram empoderamento nos RPGs, já que podem explorar identidades diversas, superar desafios e se envolver em dilemas morais complexos em um ambiente controlado e de apoio.

IV. Desafios e Críticas

Em síntese, embora seja inegável que o RPG como dispositivo cultural enriqueceu a vida de inúmeras pessoas, ele não está isento de desafios e críticas. Algumas preocupações incluem o potencial para o vício, estigmatização e controvérsias relacionadas a certos elementos do jogo (quem viveu nos anos 90, lembra bem do pânico moral instituído e propagado pela mídia, bem como a perseguição religiosa que ocorria no período). Contudo,  a importância cultural do RPG também levanta discussões sobre inclusão, diversidade e representação dentro da comunidade.

Conclusão

O livro Estudos sobre Jogos de Interpretação de Papéis de Sebastian Deterding e José Zagal lança luz sobre a natureza dinâmica e multifacetada do RPG se como ele evoluiu para uma cultura próspera. O RPG oferece uma plataforma para a expressão artística, construção de comunidades e crescimento pessoal. À medida que a cultura do RPG continua a influenciar vários aspectos da sociedade, é essencial reconhecer sua importância, abordar desafios e garantir a inclusão de todos aqueles que encontram conforto e inspiração nos reinos da imaginação e da narração de histórias. Em suma o RPG PODE e DEVE ser tratado como cultura!

Para mais textos do mesmo autor, leia: O Ninja, a Hayabusa e a Katana Mágica

Para saber mais sobre o livro citado: Estudos de RPG | Fundações Transmídia | Sebastião Deterdi  


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A História do RPG: Descubra Onde Surgiu e Como Conquistou o Mundo

O RPG, ou Role-Playing Game, conquista cada vez mais adeptos em todo o mundo. Mas você sabe onde começa a História do RPG?

Gary Gygax e Dave Arneson criaram o primeiro jogo de RPG comercial, chamado Dungeons & Dragons, nos anos 70, nos Estados Unidos. O jogo se inspirou em wargames, jogos de guerra em miniatura que eram populares na época, mas adicionou elementos de fantasia e interpretação de personagens.

Dungeons & Dragons, ou D&D, conquistou milhões de jogadores e se tornou uma cultura em si mesmo, inspirando livros, filmes, séries e jogos de videogame em seu universo.

Mas o RPG não se limita ao Dungeons & Dragons. Ao longo dos anos, surgiram muitos outros jogos de RPG, cada um com suas próprias regras, universos e mecânicas. Hoje em dia, é possível encontrar jogos de RPG para todos os gostos e estilos, desde aventuras medievais até histórias de ficção científica e horror.

O RPG é uma forma única de arte, que combina imaginação, criatividade e estratégia. É um jogo social, que nos permite reunir amigos e conhecidos para compartilhar momentos de diversão e descontração. E é uma ferramenta educativa poderosa, que ajuda a desenvolver habilidades importantes como comunicação, colaboração e criatividade.

Em resumo, o RPG é uma criação incrível, apreciada por milhões de pessoas em todo o mundo. Se você ainda não experimentou jogar RPG, está perdendo a chance de se transportar para mundos incríveis e viver aventuras épicas ao lado de seus amigos.

RPG e Literatura com A Sétima Chave – Taverna do Anão Tagarela #19

A Sétima Chave é um livro de literatura fantástica com muitos elementos de RPG, grande parte dos escritores jogam RPG ou possuem experiência com criação de cenários. Neste episódio criamos paralelos entre a Literatura e o RPG mais uma vez.

A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate.

Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.

Tema: RPG e Literatura.

Tempo: 00:58:51.

Links:

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E-mail: contato@movimentorpg.com.br – Tem dúvidas sobre alguma coisa relacionado a RPG? Mande suas dúvidas para nosso e-mail.


RPG e Literatura com A Sétima Chave:

Host: Douglas Quadros.
Participantes: Bernardo Stamato |
Adaptação para Podcast: Senhor A.
Arte da Capa: Raul Galli.

Tudo Mudou! E Agora? – Off-Topic #21

Saudações Rpgistas! Tudo Mudou! E agora? Como lidar com as mudanças e driblar o saudosismo?

Estamos preparados para lidar com mudanças de forma geral? Perceberam também a nova arte que o Douglas Quadros fez pra coluna?

O que isso tem a ver com RPG?

Bora lá descobrir e conversar sobre isso!

 

A CULTURA É FILHA DO SEU TEMPO

Uma das coisas que mais grudaram na minha mente nos tempos de faculdade foi a frase de um professor que disse que “A Filosofia é filha de seu tempo”.

Eu ouso ir um pouco além dele, e acho que a Cultura de forma geral é filha de seu tempo, e não há como separar o RPG do cenário cultural mundial.

Sejam pontos políticos, teorias filosóficas, avanços científicos ou quaisquer outros pontos temáticos, a Cultura do momento de sua criação diz muito sobre a sociedade e seus costumes.

À medida que a sociedade vai mudando e criando novos paradigmas, assim acontece também com tudo o que é culturalmente produzido dali em diante!

Já imaginou se a Cultura acabasse congelada no tempo????

Já vimos isso acontecer com a Moda, com as Artes, com o Cinema, até mesmo na Literatura, Música e Quadrinhos!

E não seria diferente com o RPG também, não é?

Vivemos para ver nossa tecnologia dar saltos quantitativos, vimos nossa sociedade mudar suas políticas e questões sociais, vimos países sendo desfeitos e até alguns assumindo sua independência.

Obviamente tudo isso reflete em nós, enquanto seres humanos e seres sociais, e também em nosso tão querido e amado hobbie, que muitas vezes se espelha no mundo real para criar cenários e historias.

 

MUDANÇAS DAS PESSOAS

As pessoas mudam. Seja fisicamente por terem ido para outras cidades, seja psicologicamente após vivenciar experiências que as fizeram mudar de pensamento, o fato é que as pessoas não são da mesma forma para sempre!

Todos nós estamos suscetíveis às ações do tempo, e não há força de mudança maior no mundo que o Tempo!

Se fizermos uma análise profunda, veremos que não somos hoje as mesmas pessoas de algum tempo atrás! E podemos perceber também que algumas coisas que achávamos corretas ou que gostávamos muito, hoje em dia já vemos e percebemos que não é bem assim.

Heráclito, lá na Grécia Antiga, antes ainda de Platão, Sócrates e outros grandes nomes do pensamento grego, já dizia que “um rio não corre duas vezes pelo mesmo lugar”. Ou seja, o que fomos durou o tempo que durou, e hoje não somos mais quem fomos naquele exato momento!

Tentar engessar as mudanças, ou não aceitar que as pessoas possam mudar, sempre é algo frustrante e incômodo!

Desejamos manter aquela mesa e aquelas pessoas ali pra sempre, como estão, e nos divertirmos todos os dias como se nada nunca mudasse, mas infelizmente não é assim que o mundo funciona.

Seria tão legal se tudo durasse pra sempre, né? Ou será que não?

 

NOVOS LIVROS, NOVOS SISTEMAS

O RPG também sofre com essas mudanças. Se hoje a tecnologia de games possibilita, por exemplo, que após um game ser lançado algum patch de correção e atualização corrija alguns defeitos, o mesmo não pode ser aplicado a livros de RPG tão facilmente.

Se compararmos as versões originais de vários sistemas ou mesmo as primeiras ideias de RPG com o que temos hoje, veremos que essas mudanças são gigantescas e essenciais para que o hobbie continue vivo e respirando!

Essa “vida” que os cenários e sistemas possuem é, em grande parte, responsável por manter viva a chama de players por todo o mundo!

O mundo de 2021 é muito diferente do início dos anos 90, quando surgiu a primeira versão do Mundo das Trevas, por exemplo! Como atualizar Vampiros, Magos, Lobisomens e muito mais para a tecnologia e a forma de vida do Século XXI? O sistema original, por não conhecer as mudanças que viriam anos à frente, se tornou defasado e antiquado, precisando ser revisto e atualizado!

E isso não é uma exclusividade de um único sistema ou cenário, e sim uma realidade de todo o RPG a nível mundial!

Novas editoras, novos sistemas, atualizações de sistemas já existentes e muito mais são necessários e fundamentais para que o hobbie continue vivo e trazendo mais pessoas para dentro dele!

Ainda bem que as coisas mudam!!!!

 

TUDO MUDOU! E AGORA?

Está percebendo a necessidade das mudanças? Já percebeu que essas mudanças estão acontecendo com você ou ao seu redor?
Não se desespere!
Mudanças são essenciais, necessárias, fundamentais e até mesmo inevitáveis.

Tenha em mente que por mais que as coisas mudem, nada vai tirar as boas memórias que você tem de sua mesa ou grupo, nem as boas e emocionantes histórias que viveram juntos!

Pense que isso apenas abre a oportunidade para que novas histórias sejam contadas, que novas pessoas possam fazer parte desse legado, e que tudo é vivo e fluido!

Não se apegue ou se agarre demais ao passado! Se permita conhecer o novo, aprender as mudanças, interagir com novas pessoas e conhecer cada dia mais coisas novas!

O mundo não para, o tempo não para, e desejamos que o RPG também não pare nunca!

Agora que tudo mudou, torne-se agente dessa mudança você também! Se aventure por novos sistemas, novas mesas, com novas pessoas e viva novas e emocionantes histórias!

 

NOS VEMOS NO PRÓXIMO MÊS!

Então é isso pessoal!

Espero que tenham gostado do papo desse mês, e aguardo vocês para o Off-Topic do mês seguinte!

Não se esqueçam que toda sexta-feira tem um post novíssimo da Liga das Trevas!

De indicação, recomendo a HQ Vira-Lata Solitário, que você pode conferir a resenha AQUI, e se quiser se aventurar por um novo sistema, que tal dar uma chance para o Tiny Dungeon que a Isabela Comarella fez uma resenha AQUI!

Estado x RPG – MRPG Podcast #13

Olá aventureiros! Neste episódio do MRPG Podcast, Douglas Quadros foi até o modesto Bar do Zé, que apesar de modesto, possui filais no Brasil, para falar sobre como o Estado enxerga e “ajuda” o RPG nos dias atuais. Portanto foi de encontro a um PILAR de conhecimento e carisma, o BARDO do Mestres de Masmorra, Bruno Quiossa. Que como artista, entende melhor que muita gente essa relação de Estado x RPG. 

Primeiramente Bruno deu um panorama geral sobre Edital que eles venceram no canal. Explicando que o RPG não é uma categoria em si, para o Estado, mas sim, pode se encaixar em editais de cultura, tecnologia ou educação. O teor da conversa ultrapassou o básico, falando posteriormente sobre as principais dificuldades, contrapartidas e até mesmo, se realmente vale o esforço. Posteriormente o convidado respondeu alguns e-mails dos ouvintes e comentários dos nossos patronos relacionadas a editais do governo.

Enquanto conversavam, Bruno e Douglas degustaram uma cachacinha com limão, bem brasileira e comeram um ovo azul de procedência duvidosa. Enfim pegue uma bebida ou comida de sua preferencia, puxe uma cadeira e acompanhe está conversa sobre como você pode pegar de volta uma parte da grana que o Estado toma da gente com os impostos.

Tema: Ganhando Dinheiro com RPG.
Tempo: 00:48:48.



Ajude o Movimento RPG:

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Links Convidado:

– Página de Guilda Aliada do Mestres de Masmorra;
– Canal do Mestres de Masmorra;
– Instagram dos Mestres;
– Site da Companhia Sala de Giz;
– Instagram da Companhia Sala de Giz.


E-mail: contato@movimentorpg.com.br – Mande suas perguntas sobre o próximo tema, ele sempre é anunciado com antecedência no twitter e instagram siga lá.


Estado x RPG

Host: Douglas Quadros.
Convidado: Bruno Quiossa, o Bardo do Mestres de Masmorra
Editor: Senhor A.
Arte da Vitrine: Douglas Quadros.
Pauta: Douglas Quadros.

1º Concurso Cultural de Falhas Críticas

“Os aventureiros estavam há muitos dias naquela perseguição, exaustos, feridos e quase sem recursos, incluindo alimentação. Havia sobrado apenas três porções de ração para ser dividida entre eles, o ambiente era péssimo para caçar e teriam que se virar com o que tinham. Quem estava em melhores condições era o mago, que decidiu fazer uma refeição decente para eles, enquanto os outros descansavam. O mago acendeu uma fogueira,  colocou tudo com muito cuidado na panela, não desperdiçou nem os farelos, e quis fazer a melhor comida da aventura toda para seus companheiros.

A narradora pede para rolar um d20, o mago, que nunca esteve em uma cozinha, faz o teste e tira 1 … FALHA CRÍTICA!

Os galhos que suspendiam a panela quebram, fazendo com que a comida caísse toda no chão.

– Eram as últimas rações do grupo? Anota aí… – diz a narradora.”

Quem nunca passou por algo assim?

Sua ação importantíssima, aquele ataque definitivo, aquela sua ideia maluca que tinha tudo pra dar certo, ou então uma ação corriqueira que fazia parte da personificação do seu personagem, mas que foi frustrada pelo azar. A famosa falha crítica, persegue todos nós e ninguém está imune,  inclusive o narrador(a) das aventuras.

Com isso em mente, o Movimento RPG vem divulgar seu 1º Concurso Cultural de Falhas Críticas!

Queremos as suas histórias hilárias, trágicas, vergonhosas, aquelas que ninguém se orgulha, que ocorreram por causa de falhas críticas, qualquer jogada em qualquer momento.

Premiação do 1o Concurso Cultural de Falhas Críticas

Os 3 primeiros colocados poderão escolher qualquer livro publicado por nossa parceira a EDITORA NEW ORDER e todos os participantes (que se enquadrarem nos pré-requisitos) terão suas histórias publicadas no site e nas mídias sociais do MRPG, com referência ao autor, em forma de tirinha, com uma arte incrível do Estúdio Tanuki!

 

Como participar 

Todas as histórias deverão ser enviadas para o e-mail Contato@movimentorpg.com.br, o assunto deve ser: “Concurso Cultural de Falhas Críticas” e no corpo do e-mail deve conter seus dados pessoais, anexar a história em PDF e enviar para nós. Para mais detalhes e para ter certeza que sua história será aceita sem nenhum problema leia o edital com todas as regras e evite ser desclassificado por uma falha crítica.

CLIQUE AQUI PARA VER O REGULAMENTO DO CONCURSO

O concurso ocorrerá dos dias 03 de  Março de 2021 até 03 de Abril de 2020

Não fique de fora dessa!

 

Bárbaros e suas sociedades – Classes D&D

Olá porradeiros e furiosos, eu sou Willian Vulto. Esse é o quinto post da minha série de publicações que visa repensar e reimaginar as classes de D&D e dos mundos de fantasia em geral. Semana passada eu falei sobre os Clérigos e suas divindades, e essa semana falarei sobre os Bárbaros.

 

 

Sobre o Bárbaro:

O Bárbaro é uma classe muito mal interpretada e, quando eu digo isso, eu não estou falando dos jogadores. Eu estou falando de quem escreveu o jogo mesmo. Para a grande maioria dos jogadores, e para as regras também, o Bárbaro nada mais é do que um enorme ignorante com um machado na mão; um guerreiro sem técnica e com uma fúria insana em combate. As características da classe deixam isso claro, mas para explicar eu preciso fazer algumas comparações históricas.

“Bárbaro” surge como uma palavra grega para designar todos os estrangeiros, ou seja, todos os que não falavam grego. Mais para frente, no império romano (lembrando que os próprios romanos já tinham sido considerados bárbaros pelos gregos), o termo foi usado para designar quem não era nem grego e nem romano. Pouco depois, o termo passou a significar “não civilizado”.

Então temos um termo que foi usado para designar um monte de gente (todo mundo que não é grego), como árabes, vikings, africanos e todo o resto do mundo. E como nos lembramos dos Bárbaros quando jogamos RPG? Aqueles que têm fúria. É patético ou não é?

Tudo bem, é possível entender que, se você é um europeu e só conhece os Vikings quando eles estão saqueando suas terras e matando geral, você pense “Malditos Bárbaros”. É um povo que não da para conversar (até por que o idioma é outro) e que luta com muita bravura (afinal, eles acreditam que morrer em batalha é legal), mas ainda assim, é um reducionismo enorme. Pensar, por exemplo, que Bárbaros possuem Esquiva Sobrenatural, é desacreditar que esse “povo inferior” desenvolveu técnicas de luta que seu exército civilizado e certinho não consegue entender.

Em cenários de fantasia.

Em cenários de fantasia, não costuma existir uma Grécia ou uma Roma. Então o que são os Bárbaros nesses cenários?

O Bárbaro é o sub-civilizado. O representante de um povo (e de uma cultura) que vive próximo, porém fora da ‘modernidade’ das grandes cidades do reino

Existem alguns cenários onde guerreiros Bárbaros podem surgir:

Muitas vezes a “civilização” para de avançar por conta de obstáculos naturais e algumas tribos se mantém vivas e resilientes no entorno de grandes reinos, preservando sua cultura, mas convivendo pacificamente com o reinado. Geralmente essas civilizações são pobres (se tivessem algum recurso natural valioso em sua área, já teriam sido expulsos e mortos), mas conseguem viver tranquilamente e manter suas tradições. Normalmente o personagem Bárbaro é um campeão de suas tribos, um jovem que se mostrou forte desde sua infância e foi treinado para ser o braço forte de sua tribo.

Desse cenário, podemos tirar alguns tipos de personagens interessantes:

 

Os Bárbaros Próximos

O Representante Cultural:

Representantes Culturais são guerreiros de uma cultura, cedidos à outra como símbolos de amizade e de poder. O povo tribal à margem da civilização, envia seus melhores guerreiros para servirem ao grande reino que os acolhe e os protege e, ao mesmo tempo, mostrar que seu povo e sua cultura é capaz de gerar guerreiros poderosos e eficientes. Esse tipo de Bárbaro pode ter sido preparado para isso a vida inteira, por isso ele sabe ler e escrever normalmente o “idioma comum” além de já estar ligado aos traços culturais locais.
Esse tipo de personagem carrega um estigma pessoal, pois seu povo já está devidamente integrado à cultura local, mas ele ainda sofre preconceito. Além disso, uma simples falha sua com o regente local pode afetar o status de seu povo naquele reinado.

Talvez seja interessante escolher uma Arma Exótica como estilo de luta do seu povo. Druidas e Rangers também podem entrar nesse arquétipo.

A Resistência:

Aqui a relação entre a civilização e os ‘não-civilizados’ não é tão boa assim. A vila desse Bárbaro é o último reduto de sua cultura, próxima de ser devastada e erradicada da face da terra. Esse Bárbaro vai lutar com muita fúria para impedir esse avanço. Ele pode ser um grande herói ou um vilão perigoso, dependendo do lado em que os jogadores estiverem.

O Relutante:

O Relutante parece com a resistência, mas é a resistência contra-hegemônica. Nesse caso, a “tribo” está sendo absorvida pela civilização, mas o Bárbaro vai contra essa tendência, atuando como um sabotador de alianças e alguém resistente à mudança. Esse tipo de personagem odeia a cultura hegemônica da dita-civilização e vai fazer de tudo para que seu povo mantenha suas tradições e sua cultura. Esse Bárbaro se recusa a aprender a escrita e os modos locais, preferindo se isolar e manter-se em seu culto solitário aos deuses antigos de seu povo.

É um arquétipo excelente para vilões. Enquanto os personagens tentam forjar a aliança, o sabotador fará de tudo para impedir

O Vingador:

Esse é o Bárbaro que perdeu seu povo. Suas terras podem ter sido arrasadas pelo exército inimigo, e isso o obriga a entrar para o exército regular para poder enfrentá-los e esmagá-los. Ou seu povo pode ter sido dizimado e absorvido à força por um reino, o que o coloca como aliado de um outro reino distante que está em guerra contra esse.
No primeiro caso ele se torna um rancoroso Representante Cultural de uma cultura morta. E no segundo caso, ele vira um Estrangeiro (veja o post de guerreiro) no reino oposto, só desejando estar lá para poder esmagar seus antigos senhores.

Esse personagem pode assumir, como característica de interpretação, a Fúria Bárbara quando vê o brasão do povo que dizimou o seu, por exemplo.

Existem ainda cenários, onde os Bárbaros vêm de uma terra realmente distante, quase desconhecida pelos povos tradicionais do cenário de campanha. Esse tipo de povo gera outros tipos de Bárbaros.

Todos os que eu vou descrever a seguir, também carregam características do Estrangeiro

Os Bárbaros Distantes:

O Colecionador de Troféus:

Esse tipo de personagem vem de algum grupo que obriga seus jovens a viajarem pelo mundo. Quando o pretenso guerreiro alcança a maioridade, é obrigado a se lançar ao mundo em busca de aventura e de experiência. Esse tipo de personagem pretende voltar para sua terra um dia e contar suas aventuras. Esse tipo de personagem é um colecionador de histórias e de troféus: cada monstro que ele já derrotou, cada cicatriz e cada história, é um tesouro que ele pretende levar de volta para sua terra.
Esse tipo de personagem nem se importa tanto com dinheiro, mas vai aceitar embarcar em qualquer aventura que pareça perigosa e desafiadora.

O Andarilho Quieto:

Esse pode ser uma versão mais velha do Colecionador de Troféus. Esse tipo de personagem abandonou seu povo por algum motivo e isso já faz muito tempo. Ele viaja pelo mundo enfrentando tudo e qualquer coisa, sem medo e sem remorso.

Esse arquétipo é interessante para personagens que já comecem em níveis mais altos. Um velho, encarquilhado, forte como um touro e cheio de cicatrizes. Um velho que não conhece quase nada do reino, mas já viajou por regiões desconhecidas e enfrentou todo o tipo de coisa. Um herói do qual ninguém nunca ouviu falar. Uma pessoa que não conversa há tanto tempo que já não se lembra como falar.

O Bárbaro Racial:

Esse tipo de personagem lembra bastante o Clérigo Racial (veja o post do clérigo). Esse tipo de Bárbaro vai viajar pelo mundo como um representante de elite de sua raça. Ele vai tentar provar seu valor a todo custo e mostrar como seu povo é valoroso em combate. Esse arquétipo funciona melhor para raças menos comuns e menos adaptadas à civilização onde se passa a história, como Homens Lagartos, Orcs e outros tipos de criaturas.

O Guia:

Se o grupo de heróis precisa se aventurar em um terreno distante, é possível que existam pessoas que lá vivem. Esse arquétipo funciona muito melhor para o Ranger, mas um Bárbaro também pode ser um guia em sua região, sem maiores problemas, desde que pegue a perícia Sobrevivência.

O interessante do Guia é que, nesse cenário, ele é quem tem o conhecimento, enquanto os “civilizados” não conhecem nada sobre a geografia, fauna e flora local. É interessante ver a interação de um guia com um Mago escolástico que acredita saber muita coisa.

O Guia também pode ser um bom Batedor (veja o post do ladino) já que o Bárbaro tem Deslocamento aumentado e aguenta porrada caso entre em combate primeiro.

 

 

Em resumo, o Bárbaro é um guerreiro de um povo que vive fora da sociedade hegemônica do sistema-cenário. Então, para criar um bom Bárbaro você deve ter em mente duas questões fundamentais: “Em que tipo de cultura meu personagem foi criado?” e “Como se dá essa relação entre esse povo e a ‘civilização’ hegemônica”. Essa vai ser a linha guia para um Bárbaro interessante.

Porradaria é legal, mas também da para criar um Bárbaro cuja a interpretação não se limite a “eu ataco” e “eu entro e fúria”. É só não ter medo de ser criativo.

 

Então esse foi mais um texto meu.
Deixe sua opinião aqui nos comentários.
Espero estar de volta na semana que vem.

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