Passei de Ano – Resenha

Com uma premissa que lembra o lendário “Código Secreto” com foco em educação, Passei de Ano da editora Educa Meeple, convida dois times a se ajudarem a passar pelas séries sem reprovarem no meio do caminho.

Que Jogo é Esse?

Passei de Ano é um jogo para 2 a 8 jogadores, que jogam em conjunto em dois times, a fim de ultrapassar os anos escolares e se formarem no ensino fundamental.

Ficha Técnica

Esse jogo é composto por 57 cartas, sendo 56 divididas em 7 matérias: 8 de Artes, 8 de Ciências, 8 de Educação Física, 8 de Geografia, 8 de História, 8 de Matemática e 8 de Português. A última carta é a “Zona de Reprovação” que os jogadores querem evitar.

Básico das Regras

As cartas são divididas em 7 montes, cada um com uma matéria diferente, e a carta de “Zona de Reprovação”. Os jogadores se dividem em duas equipes: uma “Equipe Professor” que passará as dicas; e uma “Equipe Aluno” que tentará identificar as palavras.

Os professores definem dicas que darão aos alunos, e estes tentam acertar a palavra, podendo conversar entre si para chutar.

Quando acertarem todas as palavras do ano, todos gritam “PASSEI DE ANO!” e avançam para o próximo ano. Em caso de erro ou dica proibida, a carta é colocada sobre a Zona de Reprovação. E com a soma de 5 cartas, todos perdem o jogo.

Se conseguirem acertar palavras de todas as séries não acumulando 5 ou mais cartas na zona de reprovação, todos vencem juntos e se formam.

Como Funciona na Prática

O Grupo Professor vai dar várias dicas para o Grupo Aluno tentar adivinhar no decorrer do jogo.

Dizer uma palavra da carta, usar derivados ou usar rimas causam erro automático, por isso deve-se prestar atenção às dicas dadas.

A reprovação só acontece quando os dois grupos decidem que a palavra não será mais acertada, mas pode-se dar inúmeras dicas.

As palavras vão aumentando o grau de dificuldade e complexidade conforme vão se avançando nas séries, o que pode gerar dúvidas na própria equipe professor sobre as dicas a serem dadas.

Outra coisa que vai ajudar nas dicas é que, em algumas cartas, determinadas palavras estão grifadas. Essas palavras podem ser ditas e usadas como parte das dicas pois, acredita-se, tornar a palavra mais fácil de ser descoberta.

Quem Vai Curtir

Aos fãs de “Código Secreto”, esse jogo seria uma versão cooperativa muito possível e plausível. Visto que, se utiliza da mecânica de dicas sobre palavras, e a divisão de grupos em que, um sabe as palavras, e outro tenta adivinha-las.

Esse jogo também terá bons adeptos nas escolas. Isso porque ele incentiva o conhecimento de palavras novas, além de uma mecânica vinda em um outro manual para transformar esse jogo em algo que possa ser usado em sala de aula.

Análise Final

Passei de Ano tem aquela pegada de jogo divertido com modo educativo pois todos se ajudam e aprendem juntos.

A mecânica de duas equipes sendo, uma que tem que dar as dicas, e outra que precisa adivinhar as palavras, torna divertido para todos os jogadores. Quase um Imagem e Ação com Código Secreto, pois as equipes jogam para acertar palavras com base em dicas e pontuar com isso.

O jogo também ajuda aqueles em séries iniciais pelo conhecimento das palavras novas e também os professores por ter uma forma de aplicar as regras do jogo em sala de aula.

Ele é muito bom para vários públicos, gêneros de jogadores e idades, e como tem uso escolar, também é válido para escolas que usam métodos de ensino alternativo como músicas e jogos.


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Autor: Cléber Santos.
Revisão: 
Raquel Naiane.

Como o RPG de Mesa nos ajuda a lidar com erros – TTRPGKids

RPGs de mesa podem ser uma maneira divertida e efetiva de ajudar jogadores mais jovens a se tornarem mais confiantes em si mesmos e em suas habilidades, e isso vem naturalmente pela maneira que o jogo é. Nessa postagem, vou destacar algumas maneiras que eu vi em minhas próprias crianças e como o RPG de mesa ajudou eles a crescer com mais confiança em tudo, desde assuntos de escola até na vida em geral.

Esse artigo foi originalmente postado no site TTRPGKids como parte de um artigo paralelo com Thomas Wilson, um Especialista em Neurodivergência, que escreveu outro artigo chamado “Keys Elements of Crafting a Sensory-friendly Game Space: From The Point of a Sensory-Friendly Game Master” (Elementos Chave em montar um espaço de jogo sensorialmente amigável: Do Ponto de Vista de um Narrador Sensorialmente Amigável – em tradução livre). Você pode encontrar ambos os artigos no site do TTRPGKids ou no site do Thomas Wilson. Futuramente pretendemos traduzir o artigo e ter ele no Movimento RPG também.

RPGs de Mesa repetidamente tiram nosso medo de cometer erros

Há um ano atrás, mais ou menos, meu filho começou a ficar nervoso quando tentava replicar um desenho de um vídeo que ensinava a desenhar, porque o desenho dele não ficava muito parecido com o desenho que mostrava no vídeo… Ele viu os “erros” e ficou chateado e, por um tempo, não quis mais desenhar.

Mesmo que ninguém falasse que o desenho estava ruim, ele colocou na cabeça e no coração que algo estava errado. E, apesar de falar sobre seus sentimentos, acho que ainda precisava de tempo para processar e sentir aquilo.

Eu percebi que, assim que esse período passou, ele começou a ficar frustrado quando não tinha a rolagem que desejava em um dos nossos jogos caseiros. Ele ficava hesitante em tomar decisões porque não queria cometer um erro ou ter que arriscar ter outra “rolagem ruim”… E eu acho que as duas coisas estão interligadas. Ele estava lidando com o medo de cometer um erro e não ter o resultado que gostaria.

Eu parei um pouco um dos nossos jogos e dei espaço para que ele pudesse observar e não tomar decisões enquanto eu usei NPCs para começar a tomar mais ações. Eu ativamente mostrei as decisões que, muitas vezes, acabavam em “falha”, e deixei que meu filho, para seu belo prazer, pudesse descrever a falta de sorte do personagem.

Então a história continuou com todos nós lidando com a consequência…

E foi divertido! Eu perguntei a ele se estava tudo bem após o que aconteceu, e se qualquer um tinha qualquer preocupação sobre isso, ou se precisávamos checar algo… E nunca tinha nenhum problema, mas ele pensou sobre isso.

Lentamente, ele começou a ficar mais envolvido nos jogos novamente, e começou uma avalanche de rascunhos. E agora, há pouco mais de um ano após isso, nosso novo problema é como arranjar mais cadernos para os desenhos de seus personagens favoritos ou ideias de histórias.

Ser capaz de observar e experienciar a falha e ser resiliente em um jogo é um espaço seguro e confortável aonde crianças podem ter tempo e deixar as engrenagens girar para pensar em como lidar com seus erros, e que eles não vão ser o fim da linha, então… Eles se tornam menos assustadores, e as crianças se tornam mais confiantes em enfrentar algo com a possibilidade de não sair da maneira que eles esperavam.

RPGs de mesa ensinam a habilidade de praticar

Durante esse tempo em que eu e a criança estávamos tendo preocupações sobre desenhos… Outra razão do porque eu acho que várias pessoas podem ter uma falta de confiança, é quando não se sentem preparadas o suficiente ou não veem caminho para se aprimorarem.

Eu já me senti assim, especialmente quando começo algo que eu não tenho experiência prévia (como ter uma criança… e então lidar com as preocupações do primeiro ano de idade… E então com as preocupações do segundo ano de idade… e por ai vai… Isso SEMPRE muda). Com a criança, eu acho que ele estava achando que suas habilidades deveriam se assemelhar com o que via no vídeo. Mesmo sem ter a XP da vida real para realmente entender como praticar algo funciona.

Mesmo que jogar RPG possa não me deixar totalmente preparado para o que acontecerá quando a criança tiver sete anos de idade OU pode não me ensinar diretamente como desenhar as teias da roupa do Homem-Aranha perfeitamente, ele me ensina as técnicas de praticar.

Você pratica as regras, você pratica matemática, você pratica a leitura, você aprende o seu personagem jogando ele, que é como praticar ele, com todas as suas habilidades, e a história dele, crescendo com o tempo na sua frente!

Isso ajuda jogadores a entender como que praticar algo é muito divertido, e eu acho que isso é REALMENTE importante para jovens jogadores que ainda estão desenvolvendo essa conhecimento profundo de como uma habilidade se constrói, e eles podem ser capazes de ver e sentir isso. É uma confiança construída por saber que a tentativa contínua ajuda no nosso processo de prática (o que inclui diversos erros e falhas).

RPGs de Mesa promovem a confiança segura (contra a soberba ou confiança rasa)

Eu costumo dar a introdução ao curso de engenharia na faculdade, e, para a maioria dos estudantes, foi durante seu primeiro semestre fora do colégio.

Uma das primeiras tarefas foi um papel sobre alguns dos objetivos da aula. Alguns focaram em descrever seus vários sucessos e prêmios que conquistaram antes de chegar em como eles conseguiram. No final do semestre, eu ouvi eles falando sobre as notas em outras aulas… E eles estavam em uma montanha-russa de emoções quando não conseguiam o sucesso acadêmico esperado.

Para os meus alunos, eles começavam descrevendo como estavam voltando para a escola após terem trabalhado por algum tempo OU começavam falando sobre algo que os motivava (como um estudante de biomedicina que foi inspirado por um parente que precisava de um tratamento que não existia ainda).

Seus trabalhos estavam menos focados em suas conquistas passadas e sucesso acadêmico futuro, e mais focado no que eles esperavam em aprender e o porquê… Mesmo que ainda estivessem confiantes, eles eram mais comedidos, mais engajados com seus trabalhos, e tendiam a ir melhor em projetos da sala de aula.

A razão que eu entrei nisso é porque o primeiro grupo de estudo parecia muito confiante ou estavam tentando ser, porque eles, provavelmente, não tinham a experiência da falha e tiveram que lidar com isso, aprender como se recuperar disso, ou considerar que iriam “falhar” em algo. O segundo grupo, eles poderiam se ajustar e sabiam que as coisas poderiam não funcionar e precisavam agir para isso.

E os RPGs de Mesa ensinam isso!

Nós vemos nossos personagens incríveis rolando mal em situações que, não importa o quanto nos preparemos, não podemos controlar ou contra-atacar. Assistimos o que acontece na hora e também vemos como podemos fazer parte da história e lidar com os desafios pessoais e crescemos em frente ao conflito.

Nós repetidamente assistimos, como parte de nós mesmos, que colocamos eles no jogo, de novo e de novo, e amamos eles por isso. E vemos essa história em uma posição de fora e contamos com nossos amigos. São lições da vida reais sobre resiliência para que nós lidemos e aprendemos a partir.

Se você gostou dessa matéria, nós do Movimento RPG vamos traduzir algumas postagens do site TTRPGKids, obrigado por jogar RPGs de mesa com seus filhos e compartilhar esse incrível hobby com a próxima geração!


Texto: Steph C
Tradutor: Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.

Carbono Zero

Carbono Zero é mais um jogo da Educa Meeple que trabalha a temática de desenvolvimento sustentável. Ele é um jogo de gestão de recursos, com uma complexidade interessante sendo simples de compreender a mecânica, mas com um desafio de otimização dos recursos.

A base dele é a construção de cidade, onde temos diversas construções possíveis e 3 recursos disponíveis (Crédito, Carbono e Qualidade de vida). Ganha quem terminar com maior qualidade de vida.

São nos detalhes que esse jogo se diferencia. Por exemplo: você pode gastar carbono quando não tiver dinheiro. Outro bom exemplo é que existem cartas de pontuação que refletem os tratados mundiais a respeito de sustentabilidade: ODS da ONU, Acordo de Paris e Protocolo de Quioto. E, claro, no final não importa o dinheiro.

Ficha técnica

Número de jogadores: 2-4 jogadores
Tempo: 30 minutos
Mecânicas: Gerenciamento de recursos
Editora: Educa Meeple
Componentes (jogo base): 

  • 40 cartas de Localidade
  • 4 cartas de Cidade
  • 4 cartas de Indústria
  • 4 cartas de Desastre
  • 12 cartas de Tratado
  • 12 cartas de Pontuação
  • 24 marcadores de pontuação
  • Manual de Regras
  • Manual do Professor

Como funciona

O jogo funciona com alocação de tiles formando a sua cidade. Você começa com uma cidade e uma industria em sua mão. Toda rodada você irá comprar 3 cartas (intercalando entre os jogadores). As cartas possuem um custo em dinheiro, você poderá pagar com Carbono caso não tenha mais crédito.

Depois irá para a etapa de alocar essas novas cartas. Todo tile deve ser colocado adjacente a outro. Alguns deles possuem estradas. É interessante conectá-los, pois você pode ganhar recursos pelo caminho que parte da sua cidade de forma contínua e também por caminhos construídos pela mesma cor. Além disso, alguns tiles te dão recursos de forma fixa.

Depois de alocar e ganhar os recursos correspondente, tem a última etapa onde você perde créditos em função do seu nível de Carbono.

Além desses elementos, o jogo ainda conta com uma mecânica de carta de Desastre que entra nas cidades na 3ª rodada, influenciando na pontuação negativamente. E também existem os tratados que dão pontos extras caso os jogadores cumpram seus objetivos.

Quando terminar a 3ª rodada o jogador poderá usar seu crédito para diminuir o gasto de carbono. Isso é importante pois os pontos de carbonos são descontados diretamente da sua qualidade de vida. E, no fim, a pontuação de qualidade de vida é o que realmente te faz vencer o jogo.

Análise do jogo

Carbono Zero é um jogo muito interessante porque a mecânica simula bem as relações reais entre progresso e recursos disponíveis. Se eu quiser correr com a minha cidade, provavelmente ficarei com minha trilha de carbono bastante alta.

A dinâmica dos desastres também é importante, já que estamos vivendo cada vez mais as consequências das alterações climáticas. Então o jogo apresenta uma boa oportunidade de refletirmos sobre a conexão entre esses elementos. As pontuações de final de jogo conectadas aos tratados são boas opções para nos incentivar a pensar em progresso sustentável e gerar curiosidade para conhecer melhor do que cada um deles se trata.

Novamente precisamos trazer que a Educa Meeple acerta muito na produção de um jogo que é interessante por si mesmo, mesmo se não quiser aprender ou refletir sobre o uso de Carbono no mundo. Ao mesmo tempo consegue inserir a temática dentro da mecânica de forma que mesmo quem não estiver em sala de aula vai aprender com o jogo.

O jogo tem um design lindo, contando com marcadores personalizados de cada recurso e cartas bem desenhadas. Como padrão da editora, vem em conjunto com um Manual do Professor, com tudo que é necessário para aplicação em sala de aula.

Vale a pena comprar?

Nem preciso dizer que recomendo o jogo, né? Para quem vai trabalhar a parte educacional ou não. Porque se você só quer um jogo acessível de gestão de recursos, Carbono Zero é para você também.

Gostou, então já sabe!

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Al-jabr Resenha

Al-Jabr é um jogo de matemática da Educa Meeple. Aqui você será desafiado a encontrar a equação matemática correta, antes dos demais. Ele é acelerado e desafiador e, por aqui, curtimos muito jogar.

A Educa Meeple é uma empresa focada no desenvolvimento de jogos educativos e divertidos. Baseados nas jogabilidades mais modernas, a Educa Meeple consegue equilibrar bem esses dois pilares, de forma a criar jogos que funcionam dentro e fora de sala de aula. Vale a pena conhecer a proposta deles, tanto se você é professor, quanto se você só quer jogos divertidos dessas temáticas. Se quiser conhecer mais, fizemos um episódio do nosso podcast com o Maik, responsável da empresa.

Ficha técnica

Número de jogadores: 2-5 jogadores
Tempo: 15 minutos
Mecânicas: Gerenciamento de mãos
Editora: Educa Meeple
Componentes (jogo base): 

  • 36 cartas de números
  • 61 operadores matemáticos
  • 1 ampulheta
  • Manual do jogo
  • Manual do professor

Como funciona

Em primeiro lugar cada jogador compra 5 cartas para sua mão e pega alguns operadores matemáticos (3 mais, 3 menos, 2 multiplicadores, 2 divisores, 2 parênteses). Em seguida, no início da rodada são abertas duas cartas no meio. Essas serão o resultado que todos devem buscar.

A partir de então os jogadores podem organizar seus números e operadores da forma como preferirem para chegar o mais perto possível do número. O primeiro jogador que estiver satisfeito com seu resultado grita Al-jabr (Al/ja/bar) e vira a ampulheta. Os demais jogadores tem esse tempo final para organizar as suas equações. Ganha a rodada quem tiver acertado ou chego mais perto do número aberto no meio. São 3 rodadas para determinar o vencedor.

O jogo também tem diversas possibilidades de adaptação, inclusive indicadas nos manuais, como modo avançado (mais cartas, obrigatoriedade de uso de operadores específicos) ou versões mais leves (uso de menos operadores por exemplo). Também é intuitivo as diversas maneiras de adaptá-lo para seu grupo.

Análise do jogo

Al-Jabr é um jogo bem divertido e desafiador. É uma corrida contra o tempo enquanto fazemos contas. Cheio de adrenalina, com cérebro funcionando ao máximo.

Ele precisa ser adequado ao nível do grupo, se temos alguém com dificuldade em matemática isso precisará ser levado em conta. Por aqui testamos entre pessoas que gostam do desafio e sem intenção educativa nenhuma. Nos divertimos e ainda conversamos sobre as estratégias de cada um e, olha só, acabamos aprendendo sobre como organizar a lógica na hora de fazer uma conta.

Aqui também vale o destaque para o Manual do Professor. Ele é bem completo, com um plano de aula completo, ferramenta de avaliação e também quais habilidades da BNCC que estão sendo desenvolvidas.

Além de tudo o que foi falado, o jogo possui a possibilidade de realidade aumentada, onde conseguimos ver mais opções de interação com os números (como eles são chamados em outras línguas, por exemplo).

Vale a pena comprar?

Sem dúvidas! Al-jabr é um ótimo exemplo da proposta da Educa Meeple: diversão e educação em equilíbrio. Um jogo ótimo para quem gosta de matemática, ou quer exercitar e, claro, para professores que desejam aplicar em sala de aula.

E você sabia que Al-jabr é a palavra original para Algebra? Pois é, pensado nos mínimos detalhes. Como outro easter-egg algumas peças de operadores matemáticos têm uma camada linda de brilho. Dá uma procurada por aí. Jogão numa pequena caixa!

Gostou, então já sabe!

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Além disso, o MRPG tem uma revista! Conheça e apoie pelo link: Revista Aetherica.

RPG e o Machismo

Primordialmente, os jogos de interpretação de personagens, ou RPG (Role-Playing Games), têm desempenhado um papel crucial na cultura geek e nerd, oferecendo uma plataforma para a imaginação, criatividade e socialização. Contudo, como muitos outros espaços, a comunidade do RPG não está isenta de problemas relacionados ao machismo. O que eu vou tratar aqui é de um problema estrutural que concerne especialmente as mulheres, mas do ponto de vista de um homem. Certamente as mulheres jogadoras podem identificar outras problemáticas que para mim, como homem, passem desapercebidas. O que pretendo aqui é fomentar a discussão a partir daquilo que eu, como homem, percebo. Esse não é o meu lugar de fala, mas gostaria de abrir o debate na posição de alguém que se sente incomodado com isso.

Este texto explora as questões de machismo presentes no mundo do RPG e propõe soluções para tornar essa comunidade mais segura e inclusiva para todos. Vale ressaltar, entretanto, que há uma evolução gradativa porém clara em curso. Passamos da fase das retratações exageradamente sexualizadas de mulheres ilustradas nos livros de jogo. Cada vez mais mulheres estão jogando,  de tal sorte que se antes haviam várias barreiras para isso acontecer, hoje essas barreiras estão sendo rompidas. O RPG é para todos.

Representação de Personagens:

Um dos desafios mais evidentes no RPG é a representação de personagens. Muitas vezes, as mulheres são sub-representadas ou retratadas de maneira estereotipada, reforçando padrões prejudiciais. Esse talvez tenha sido o maior dos problemas, especialmente quando era parte dos próprios livros de regra, com ilustrações extremamente machistas.

Assédio e Discriminação:

Jogadoras frequentemente enfrentam assédio e discriminação dentro e fora da mesa de jogo. Isso pode incluir comentários inapropriados, olhares invasivos e a suposição de que não são “verdadeiras” jogadoras. Acredito que estamos evoluindo nesse sentido, mas é preciso manter essa evolução até que isso seja extinto em nosso meio.

A Dominância Masculina nas Mesas de Jogo:

A predominância de jogadores homens nas mesas de RPG cria um ambiente em que as vozes e perspectivas das mulheres são frequentemente marginalizadas. Talvez pelo próprio formato editorial na virada dos anos 2000, esse fosse um caso facilmente perceptível. Hoje isso está mudando, e cada vez mais mulheres trazem suas vozes e perspectivas para enriquecer nosso jogo.

Soluções para Tornar a Comunidade de RPG Mais Inclusiva

Educação e Conscientização

A educação é a base para a mudança. Promover a conscientização sobre o machismo no RPG é essencial. Eu percebo um movimento nesse sentido já a partir das publicações atuais, e na presença cada vez mais ativa das mulheres na comunidade. Abrir esse espaço, cada vez mais, é sinal de amadurecimento e enriquecimento da comunidade de jogadores e criadores de conteúdo.

Representação Diversificada:

Autores de jogos e mestres devem se esforçar para criar personagens femininas bem desenvolvidas e complexas. Além disso, os jogadores podem trabalhar juntos para garantir que todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas durante o jogo.

Políticas de Tolerância Zero:

Comunidades e grupos de jogadores devem estabelecer e fazer cumprir políticas de tolerância zero para assédio e discriminação. Isso envolve denunciar e agir contra comportamentos inadequados.

Apoio a Jogadoras:

Fomentar um ambiente de apoio e solidariedade é crucial. As jogadoras devem ser encorajadas a compartilhar suas experiências e serem apoiadas por outros membros da comunidade.

Inclusão nas Campanhas de RPG:

Incentivar a inclusão de personagens femininas como protagonistas e líderes nas campanhas de RPG ajuda a desafiar estereótipos de gênero e a promover igualdade.

Mestres e Jogadores como Modelos de Comportamento:

Mestres e jogadores experientes devem desempenhar um papel fundamental na criação de um ambiente inclusivo, modelando comportamentos respeitosos e não machistas.

Promover Diversidade nos Criadores de Conteúdo:

Apoiar e incentivar criadoras de jogos, autoras e ilustradoras a participarem ativamente na criação de conteúdo para RPG pode resultar em narrativas mais diversas e inclusivas.

Conclusão

O machismo é um problema presente no mundo do RPG, bem como em toda a estrutura da nossa sociedade, mas a mudança é possível. Em suma, a comunidade de RPG tem o potencial de se tornar mais segura e inclusiva para todos os jogadores, independentemente de seu gênero. Inegavelmente, a educação, representação diversificada, políticas de tolerância zero e apoio mútuo são algumas das chaves para alcançar esse objetivo. Ao trabalhar juntos, os jogadores de RPG podem construir uma comunidade onde a imaginação e a criatividade floresçam para todos, livre de preconceitos e discriminação de gênero.

Para mais artigos do autor, clique no links:

RPG tratado como cultura. É Cultura? – Nós acreditamos que SIM!

Mais artigos no Movimento, na mesma pegada, no texto excelente de Eduardo Filhote:
Rpg é espaço para militância?

Sobre o mesmo assunto, machismo e rpg, sugiro a leitura do artigo da Nina hobbit:
Sobre machismo no rpg e lugares seguros para mulheres rpgistas

E por fim, como adaptar temáticas do filme Barbie para sua mesa, texto primoroso de Isabel Comarella: Barbie – Quimera de Aventuras

 

Por último, mas não menos importante, se você gosta do que apresentamos no MRPG, não se esqueça de apoiar pelo PicPay, PIX ou também no Catarse. E com isso, torne-se um Patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos! Ou então, apoie nossa revista digital, a Aetherica através deste link!

 

 

Revista Digital Aetherica #00 – Resenha da Revista

Aetherica, a mais nova e ousada aventurança do MRPG, dessa vez pelas terras das revistas digitais. Pensada e elaborada pra trazer mais conteúdo de RPG com a mesma qualidade que você já encontra aqui no site, mas com uma roupagem e apresentação diferente, a edição #00 já está disponível na Loja do MRPG completamente grátis! E tem muito conteúdo bacana.

Aetherica #00

Lançada em Dezembro de 2021, Aetherica #00 tem como editor Douglas Quadros, a mente por trás do MRPG. A diagramação ficou por conta do Raul Galli, o Raulzito. As artes de capa e ilustrações são do Marcos de Oliveira.

Já na parte de conteúdo, tem colaboração de Bernardo Stamato, Jeferson de Campos Lima, Diemis Kist, Anequilação, Bell Comarella e Ingrid Krause.

Essa equipe super talentosa e dinâmica trouxe uma revista com uma qualidade de alto nível e conteúdo ainda melhor, entre contos, sugestões de regras, uso do RPG e muito mais!

O Conteúdo

Despertei sua curiosidade com o que a revista tem a oferecer? Pois então vamos lá de forma resumida pra não dar spoiler e apenas te dar vontade de ir lá conferir por conta própria!

No começo, temos… O começo! Capa, nota do editor, menu… Ora bolas, trata-se de uma revista, certos padrões ainda precisam ser seguidos! Mas isso acaba em duas páginas, e aí já podemos migrar para o conteúdo em si!

Conto Bastardos: por Bernardo Stamato

Um conto capa e espada sobre dois sujeitos que precisam terminar um trabalho. Do mesmo autor da série de livros de fantasia A Era do Abismo.

Sistema de Interrogatório para D&D 5° Edição: por Douglas Quadros

Sugestão de regras para o sistema de D&D 5° Edição (mas não se limitando apenas a ele) sobre testes e narrativas de interrogação em busca de informações.

Tirinha Caramelo: por Anequilação

Uma tirinha hilária sobre um acontecimento épico em uma mesa de RPG. Qual sistema? Qual situação? Ora, leia a revista!!!

Imaginar, Narrar, Encantar: o RPG Enquanto Ferramenta Pedagógica no Ambiente Escolar: por Ingrid Krause Soares

Já imaginou usar o RPG como ferramenta de ensino? Quais poderiam ser suas aplicabilidades, formas de uso e por onde começar?

Nesse artigo, Ingrid Krause, que é professora de História (entre outras coisas) traz uma luz sobre como o RPG pode ser uma poderosa ferramenta de educação.

Conto Sangue e Glória Parte 01: por Jefferson de Campos Lima

Uma aventura de fantasia medieval fantástica com navios, piratas e muita emoção. Essa primeira parte do conto está muito interessante e deixando um gosto forte de quero mais!

Barcos e Navios Em Regras: por Raul Galli

Raulzito veio sanar as dúvidas de geral sobre as embarcações. Não é mais necessário estudar engenharia de navios ou ter servido na Marinha pra entender como usar Barcos e Navios em suas histórias!

Coluna Enquanto Isso, Nos Bastidores do MRPG: por Bell Comarella

O “cantinho da Bell” que vai trazer uma proximidade maior entre a equipe por trás do MRPG e você que está lendo e acompanhando a gente! Um espaço mais amistoso e receptivo!

Conto Talvez Um Dia: por Diemis Kist

Um conto pós-apocalíptico brasileiro com uma reviravolta de deixar um frio na espinha. Velhos conceitos com uma roupagem totalmente nova! Genial!!!

Sistema Genérico Para Uso de Fé/Convicção: por Douglas Quadros

Usando como base o conto de Diemis Kist, Douglas apresenta uma série de “regras” sobre efeitos e dinâmicas de Fé/Convicção para RPG. Válidas para quaisquer sistemas/cenários.

Sistema 42: por Douglas Quadros

Um sistema de RPG completo e GRATUITO! Sim, isso mesmo! Um sistema de regras completo e gratuito com tudo que você precisa jogar, inspirado no Universo Ficcional das Obras de Douglas Adams (como O Guia do Mochileiro das Galáxias).

Making Off da Capa: por Marcos de Oliveira

Os bastidores do trabalho artístico do desenhista Marcos de Oliveira com os passos usados para a capa da Aetherica #00

Minha Opinião

Ah, vou ser sincero!

É um misto de “muito orgulhoso e felicidade de ter lido e conhecer essa galera incrível por trás do conteúdo”, com “um ódio imenso de ter sido tão “pouco”, porque da vontade de continuar lendo, lendo, lendo… E não parar!

Os contos são geniais, bem escritos e com temáticas que embora sejam “familiares”, também seguem seus próprios caminhos e nos apresentam conclusões únicas e caminhos peculiares.

RPG como ferramenta de ensino é algo que não apenas acredito muito, como também defendo (inclusive já até o fiz aqui na Off-Topic), então me senti super representado no artigo da Ingrid Krause.

Já na parte das regras… Como assim um sistema completo? Foi uma grata e fantástica surpresa muito bem-vinda e já sendo aplicada em uso com amigos aqui!

Sinceramente, se você leu até aqui, e ainda não sentiu vontade de ir lá buscar sua revista (que eu já mencionei que é de graça essa edição né?) não sei mais o que dizer!

Não perca tempo não, pega esse link AQUI e corre lá pegar sua edição.

Se puder, volte aqui e compartilhe o que achou!

Boa jornada! o/

RPG Histórico – Taverna do Anão Tagarela #15

Todos sabemos que o RPG tem muitas vantagens, e desenvolve em muito as nossas capacidades, mas nesta Taverna do Anão Tagarela focamos o assunto no RPG Histórico. De antemão aviso que a conversa passou por outros temas e as vezes tendeu para o lado da educação e o RPG, contudo o foco era o RPG Histórico e como a História é importante para nossas mesas de RPG.

A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate.

Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar.

Tema: RPG e Educação.
Tempo: 01:07:37.

Links:

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E-mail: contato@movimentorpg.com.br – Tem dúvidas sobre alguma coisa relacionado a RPG? Mande suas dúvidas para nosso e-mail.


RPG Histórico:

Host: Douglas Quadros.
Participantes: Raul Galli e Ingrid do Projeto Trivium.
Ouvintes Convidados:
BearGod.
Adaptação para Podcast: Senhor A.
Arte da Capa: Raul Galli

Estado x RPG – MRPG Podcast #13

Olá aventureiros! Neste episódio do MRPG Podcast, Douglas Quadros foi até o modesto Bar do Zé, que apesar de modesto, possui filais no Brasil, para falar sobre como o Estado enxerga e “ajuda” o RPG nos dias atuais. Portanto foi de encontro a um PILAR de conhecimento e carisma, o BARDO do Mestres de Masmorra, Bruno Quiossa. Que como artista, entende melhor que muita gente essa relação de Estado x RPG. 

Primeiramente Bruno deu um panorama geral sobre Edital que eles venceram no canal. Explicando que o RPG não é uma categoria em si, para o Estado, mas sim, pode se encaixar em editais de cultura, tecnologia ou educação. O teor da conversa ultrapassou o básico, falando posteriormente sobre as principais dificuldades, contrapartidas e até mesmo, se realmente vale o esforço. Posteriormente o convidado respondeu alguns e-mails dos ouvintes e comentários dos nossos patronos relacionadas a editais do governo.

Enquanto conversavam, Bruno e Douglas degustaram uma cachacinha com limão, bem brasileira e comeram um ovo azul de procedência duvidosa. Enfim pegue uma bebida ou comida de sua preferencia, puxe uma cadeira e acompanhe está conversa sobre como você pode pegar de volta uma parte da grana que o Estado toma da gente com os impostos.

Tema: Ganhando Dinheiro com RPG.
Tempo: 00:48:48.



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Links Convidado:

– Página de Guilda Aliada do Mestres de Masmorra;
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Estado x RPG

Host: Douglas Quadros.
Convidado: Bruno Quiossa, o Bardo do Mestres de Masmorra
Editor: Senhor A.
Arte da Vitrine: Douglas Quadros.
Pauta: Douglas Quadros.

Movimento RPG Podcast [02] – RPG e a Escrita Criativa

Olá aventureiros! Neste episódio do Movimento RPG Podcast, Douglas Quadros vai até Bri para beber na Taverna do Pônei Saltitante e encontrar com Danilo Sarcinelli para falar do RPG e a Escrita Criativa. Inicialmente os dois tem uma fantástica conversa sobre as origens rpgísticas do convidado, esta característica tão comum pelos escritores.

Contudo, os dois não se limitaram a falar das suas origens, o papo principal foi sobre o rpg como uma ferramenta de escrita criativa e aliás como ele é importante pare este processo, dando ferramentas lógicas (como as fichas) para que o narrador escritor possa organizar melhor os eventos na sua cabeça e também como é muito diferente narrar e escrever. Eventualmente falaram sobre a diferença entre inspiração e cópia e métodos de concentração (ou não). Posteriormente Danilo respondeu algumas perguntas dos ouvintes e escritores para que nenhuma dúvida restasse sobre a ajuda deste magnifico jogo de interpretação de papéis na escrita criativa.

Enquanto conversavam, Douglas Quadros bebeu uma grande caneca de cerveja de Grãos e Danilo Sarcinelli um Mate Gelado, pegue uma bebida, puxe uma cadeira e acompanhe está conversa extraditaria sobre os bastidores do processo criativo de um escritor que usa ativamente o rpg e seus ensinamentos.

PS para os fãs de Tormenta: inesperadamente foi falado de Tormenta RPG!

Tema: RPG como ferramenta
Tempo: 00:45:27

Apoio: Questfinder – Jogue RPG com pessoas próximas



Links Convidados:
– Livros do Danilo na Jambo Editora
– Livros do Danilo na Amazon
– Apoie a Revista Dragão Brasil


Email: contato@movimentorpg.com.br – Mande suas perguntas sobre o próximo tema, ele sempre é anunciado com antecedência no twitter e instagram siga lá.


Participantes: Douglas Quadros
Convidados: Danilo Sarcinelli
Editor: Senhor A
Arte da Vitrine: Douglas Quadros
Pauta: Douglas Quadros

Do You Bleed? You Will! – Off-Topic #1

Saudações rpgísticas a você, querida pessoa que está a ler esse textinho! Se você ainda não me conhece, eu sou o Eduardo Filhote, co-host do Machinecast, amante de literatura, cinema, games e RPG, aprendiz inveterado de filosofia, e palpiteiro de plantão onde geralmente não sou chamado (mas dessa vez eu fui chamado sim!).

Se você está aqui, lendo isso, então certamente você joga RPG. E todos nós, que jogamos e curtimos esse tão vasto e denso mundo, nos vimos, de alguma forma, influenciados por tudo o que aconteceu, não é verdade? Imagine um filme de terror, com muita violência e gore. Não existe um momento do filme em que nos empatizamos com a dor dos personagens? Ou que “sentimos” algo ruim por ver aquela situação? Agora pense num filme romântico, daqueles bem melosos. É provável que, em algum momento, o filme desperte um sentimento agradável e confortável, não é verdade? Talvez até uma vontade de estar ali juntinho da pessoa amada, ou de viver um grande momento romântico! O mesmo ocorre com as comédias (e talvez esse seja o melhor exemplo), onde nos pegamos às gargalhadas junto às cenas e trapalhadas dos personagens. É muito comum também no teatro, onde nos sintonizamos com quem está ali atuando no palco, com as personagens e seus dramas, comédias ou tragédias. De certa forma, é possível dizer que algo “vaza” da obra para quem a assiste.

Vazar. Essa é a questão! Em meio a tantas histórias e personagens, um número infinito de situações podem acabar surgindo, e não raras vezes (na verdade, com muito mais freqüência do que podemos imaginar), vazamos algo de nós mesmos para os personagens que estamos interpretando, ao tempo que também vaza algo das personagens diretamente para nós, que estamos a interpretá-los. Esse “fenômeno”, por assim dizer, é chamado dentro do meio rpgista de “Bleeding” ou “Sangria”, que é justamente a influência de quem interpreta o personagem sobre o mesmo, e vice-versa.

Vou dar um exemplo prático do que quero dizer: por volta do ano de 2002, montamos uma mesa de Vampiro – A Idade das Trevas. A mesa era composta por mim como Narrador, e mais 3 personagens fixos, com abertura para novos ou esporádicos jogadores. Um dos jogadores fixos (que aqui será chamado apenas de W, para proteger sua privacidade)  interpretava um jovem cavaleiro da corte de um reino fictício da Inglaterra, fiel ao personagem de outro jogador que era o Príncipe Regente do Reino, ao passo que o terceiro jogadores era um cavaleiro errante (todos eram humanos a princípio). A premissa da trama era que um grupo de demonistas estava atacando o Reino (que já não me lembro o nome que inventamos…), rivalizando um grupo de vampiros que viviam na região escondidos entre os nobres do Clero. A ideia da plot era que os personagens seriam convencidos pelos vampiros do Clero a aderirem sua causa contra os demônios, iludidos que os vampiros na verdade seriam agentes divinos na guerra contra o Inferno (era clima de Inquisição Européia minha gente…). O personagem do W era casado, e sua esposa estava grávida. Em uma das sessões, após o personagem ter derrotado um dos cultistas e o matado, ele volta ao lar apenas para encontrar o cultista que ele supostamente havia matado estuprando sua mulher e a matando em seguida diante de seus olhos de forma brutal. A cena foi bem chocante, o clima na mesa era de muita tensão e apreensão, e eu estava muito empolgado como narrador, pois estava conseguindo despertar os sentimentos de ódio e repulsa nos jogadores, o que os conduziria a aceitar a proposta dos vampiros mais à frente. Mas assim que a cena acabou de ser narrada, o W se levantou da mesa, e foi ate o banheiro, de cabeça baixa e sem falar nada com ninguém. Alguns minutos depois ele retornou, com lágrimas nos olhos, e se sentou na mesa. O jogador estava terrivelmente abalado com a narrativa! O motivo? Havia alguém próximo dele que havia passado por tal situação! Essa foi a primeira vez que tive a noção de como histórias e personagens afetam os jogadores, e como isso deve ser tratado com muito respeito e cuidado!

Nesse exemplo citado, o “bleeding” teve um efeito negativo ao jogador, trazendo à tona sentimentos e dores reprimidos, causando um mal estar e um desconforto. Positivamente, isso serviu para que ele se abrisse, procurasse uma ajuda mais profissional, e tratasse a questão. O bleeding por si só não é positivo ou negativo, bom ou ruim. Tudo depende da forma que ele foi feito, e a intenção com a qual foi feito. Um outro exemplo de bleeding, dessa vez mais positivo, já aconteceu comigo enquanto jogador. Participando das lives do projeto Réquiem BH (lives mensais de Vampiro – O Réquiem), tive uma grande oportunidade de trabalhar algumas questões de ansiedade e timidez com meu personagem. Já que estávamos jogando live-action, e meu personagem era bem social, tive de interagir com muitas pessoas, saindo da minha zona de conforto. Aliado a isso, era a primeira vez que jogava o Réquiem, e também live-action, então criar um personagem recém-abraçado proporcionou outro bleeding positivo, já que à medida que o personagem aprendia mais sobre o mundo ao qual agora fazia parte, assim também aprendia mais o jogador sobre como era esse cenário, suas mecânicas e suas nuances!

O bleeding pode ser usado, por exemplo, para mostrar para aquele jogador valentão o quão perigoso suas ações podem ser para as outras pessoas, fazendo seu personagem passar pelas mesmas situações que ele causa a outras pessoas. É possível passar para uma pessoa afetada por racismo, por exemplo, mensagens positivas e de aceitação, e também de inclusão, dando a ela chance de vivenciar toda a beleza da sua essência que é destruída pelo racismo. O bleeding também pode ser muito bem usado para proporcionar uma inversão de papéis, levando quem joga a vivenciar, através da interpretação e da narrativa, o papel inverso ao qual se encontra (uma pessoa tímida interpretando uma pessoa extremamente social, um bully interpretando uma vítima, um machista jogando com uma personagem feminista, uma pessoa de baixa auto-estima jogando com o salvador do grupo, e por aí vai), mas sempre com muito cuidado!

Tendo em mente o conceito de bleeding, o ideal é que quem for jogar e quem for narrar se entrosem na concepção de suas narrativas e personagens. Não é problema algum todos se juntarem e combinarem em comum personagens e histórias que gostariam de trabalhar e vivenciar, questões que gostariam de ser abordadas e temas que também precisam ser evitados, transformando assim uma simples partida de RPG em uma poderosa ferramenta de auto-ajuda ou auto-conhecimento. Se expandirmos essa ideia, podemos nos aproveitar do bleeding de forma lúdica, passando ensinamentos, lições e noções de filosofia, história, sociologia, física, química, biologia e muito mais! Agora, pensa nisso em um nível épico: é possível usar o RPG para dar aulas para crianças ou idosos, ensinar conteúdos reais com as quais as crianças tenham dificuldades, ajudar na alfabetização das pessoas e muito mais!

Obviamente, o bleeding não é apenas isso, a intenção aqui foi apenas de apresentar a todo mundo esse termo que está ganhando cada vez mais espaço no cenário rpgístico tupiniquim, e também passar uma ideia de como vai funcionar esse espaçosinho que me foi cedido nesse projeto maravilhoso! Nos próximos artigos, voltarei a falar um pouco mais sobre o bleeding, trarei algumas fontes externas, e também muito material off-topic para rpgistas de todos os gostos e idades! Espero que tenha conseguido passar uma leve ideia do que é o bleeding e todo seu potencial, e que algo desse textinho tenha “vazado” para sua mesa de RPG!!

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