Magia e Lenhadores de Tollon – Área de Tormenta

No livro Atlas de Arton, da Jambô Editora, conhecemos um pouco mais da Floresta de Tollon, uma região dominada pelo Império de Tauron, que tem florestas com uma madeira negra, mais resistente do que o aço, aqueles que sabem trabalhar com a madeira são requisitados em todo reinado. E hoje, no Área de Tormenta, trazemos uma adaptação da Classe de Prestígio Lenhador de Tollon e outros artistas da Floresta.

Magia de Madeira Tollon

A Madeira Tollon é extremamente ligada a magia, facilitando o uso de habilidades por guerreiro e aumentando a resistência a magia de seus portadores. Por causa disto, muitos druidas utilizam de suas propriedades para lançar magias.

Poder de Magia

Ritual de Tollon

Quando usa Celebrar Ritual para as magias Anular a Luz, Dissipar Magia (com alvo de área) e Dispersar as Trevas. Você cria uma área de disrupção de magia, durante 1 dia, criaturas que lançarem magias na área afetada pela magia do ritual gastam +2 PM para lançar suas magias e estão em condições ruins para lançar magias. Pré-requisito: Druida, Celebrar Ritual.

Poderes de Bardo e Druida

Poder de Tollon

Quando lança uma magia empunhando uma arma, escudo ou item esotérico de madeira Tollon, a cura e o dano causado pelos suas magias de Evocação aumenta em +1 dado. Pré-requisito: Evocação como uma das suas escolas de bardo ou druida.

Proteção de Tollon

Quando lança uma magia empunhando uma arma, escudo ou item esotérico de madeira Tollon, você aumenta a resistência a magia do item em +1 para cada círculo da magia. Pré-requisito: Abjuração como uma das suas escolas de bardo ou druida.

Visão de Tollon

Quando lança uma magia empunhando uma arma, escudo ou item esotérico de madeira Tollon, a CD para resistir a ela aumenta em +2 por círculo da magia. Pré-requisito: Adivinhação como uma das suas escolas de bardo ou druida.

Os Lenhadores de Tollon

Floresta de Tollon é quase uma criatura por sí só. Intrépida, mesmo sendo dominada pelo Império de Tauron, a região nunca se entregou sem luta. Quando o Império caiu, a região se consolidou novamente e voltou a sua própria proteção. Novas lideranças surgiram na região: Aigrah, a Senhora dos Espinhos. Vormitrax, o Barba de Sangue e Danna Arantur, princesa da região de Arantur. No meio de tudo isso, Lenhadores tenham desbravar a floresta para utilizar sua matéria prima.

Admissão

Para se tornar um Lenhador de Tollon, primeiro deve-se ir a própria Floresta de Tollon. Lá, sobreviver a própria floresta é uma aventura por si só, como se tivesse vida, ela tende a rejeitar aqueles que apenas chegam querendo desmatar suas florestas.

O candidato deve extrair pelo menos 10 espaços em fardos de madeira Tollon, e apresentar em alguma das facções da Floresta; A Ordem dos EspinhosOs Arborícolas ou na cidade de Arantur. Para quem for apresentado, o candidato precisa fabricar uma peça de equipamento de madeira Tollon e empregar ela em alguma missão para proteger a floresta; Destruir um monstro que tem causado problemas, espantar legionários no local, etc…

Quando cumprirem a tarefa, devem voltar a provar a facção que levou os fardos e então será consagrado como um real Lenhador de Tollon.

Marca da Distinção: Liberação da Floresta

Você recebe +5 em testes de perícia (exceto testes de ataque) relacionados a madeira. Se já tiver esse bônus, ele aumenta para +10. Além disso, você pode fabricar armas, escudos e esotéricos de madeira Tollon com Ofício (Artesão).

Tollon Desperto

As armas de madeira Tollon fabricadas por você reduzem o PM de habilidades em –2 ao invés de –1 e os escudos e esotéricos de madeira Tollon fabricados por você fornecem resistência a magia +5, ao invés de +2. Pré-requisitos: Sab 1, treinado em Ofício (Artesão) e Sobrevivência.

Desviar Magias

Enquanto estiver empunhando um Machado de duas mãos feito de Madeira Tollon, você recebe +2 na Defesa e resistência a magia +5. Além disso, enquanto empunha um machado de duas mãos de madeira Tollon, você pode usar Dissipar Magia com o modificador de contra-mágica, mas apenas em magias que tenham você como alvo. Pré-requisitos: Tollon Desperto.

Espíritos Nossos Ancestrais

Com uma hora de apelo aos espíritos da floresta, você pode abençoar um machado mundano que utilize. Na sua mão, o machado recebe um encanto a sua escolha, mais um encanto para cada dois outros poderes de distinção que tiver. Caso o machado seja destruído, você pode consagrar outro com T$ 100 e uma hora de mais apelo. Pré-requisitos: Expertise com Machados, Tollon Desperto.

Expertise com Machados

Você recebe +2 em testes de ataque e rolagens de dano com todos os machados, todos eles tem seu dano aumentado em um passo e são considerados armas simples para você. Além disso, quando faz um teste de ataque com um machado, você pode gastar 2 PM para rolá-lo novamente. Se já tiver Mestre em Arma com o machado, o custo diminui em –1 PM. Pré-requisito: Tollon Desperto

Movimento Sobre as Árvores

Você está sempre sob efeito da magia Caminhos da Natureza com o aprimoramento de aumentar a CD para te rastrear em +10, enquanto estiver em florestas. Pré-requisito: Tollon Desperto.

Golem de Tollon

No post Golens dos Deuses, falamos de como seria um golem de madeira Tollon, dê uma conferida para ter uma ideia!


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Texto e Capa:  Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.

A Bruma Assassina (The Fog) – Quimera de Aventuras

Saudações Rpgistas e fãs do terror clássico dos anos 80! “O medo do desconhecido é a emoção mais antiga e mais forte da humanidade“. Quando John Carpenter lançou A Bruma Assassina (The Fog) em 1980, ele não apenas corroborou essa máxima de H.P. Lovecraft, mas deu a ela uma densidade visual assustadora. Diferente do horror slasher cru que o próprio diretor havia popularizado anos antes em Halloween, Carpenter aqui aposta na atmosfera, no rastejar lento da angústia e na inevitabilidade do destino.

A obra é um conto de fogueira transformado em filme, uma narrativa sobre como o tempo não apaga os crimes da humanidade; ele apenas os oculta sob o verniz da civilização. Na Quimera dessa semana, vamos mergulhar nesta espessa névoa cinematográfica e descobrir como extrair seus horrores lovecraftianos e suas vinganças ancestrais para as nossas mesas de RPG.

A Bruma Assassina

Sinopse

A pacata e costeira cidade de Antonio Bay, na Califórnia, prepara-se para celebrar seu centenário. No entanto, o clima festivo é subitamente interrompido por uma série de eventos bizarros e pela chegada de uma névoa densa e antinatural que rola do mar em direção à terra. À medida que o fenômeno engolfa a cidade, segredos sombrios emergem: Antonio Bay não foi fundada sobre ideais de prosperidade, mas sobre a traição, o saque e o assassinato a sangue frio de marinheiros leprosos. Agora, exatos cem anos depois, os espíritos vingativos desses homens retornam envoltos na bruma, exigindo as vidas dos descendentes daqueles que os traíram.

Opinião Pessoal e Crítica

Se analisarmos A Bruma Assassina sob uma lente filosófica e sociológica, o filme se revela como uma poderosa alegoria sobre a formação das sociedades. Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau teorizaram sobre o Contrato Social — o acordo onde indivíduos cedem liberdades em troca de ordem e segurança. Porém, Carpenter nos lança uma pergunta incômoda: e quando esse contrato, a própria base da civilização, é firmado com tinta de sangue?

A fundação de Antonio Bay é o arquétipo do pecado original moderno. O filme dialoga diretamente com o conceito freudiano do “retorno do recalcado“: aquilo que é reprimido, escondido e ignorado (os leprosos assassinados) não desaparece. Fica latente no abismo do inconsciente coletivo até encontrar uma brecha para retornar de forma avassaladora e destrutiva. A bruma, portanto, não é apenas um fenômeno meteorológico; ela é o peso materializado da culpa histórica. Ela cega, desorienta e isola, exatamente como a negação da própria história costuma fazer com as sociedades.

No universo pop e geek, esse sincretismo narrativo é formidável. É impossível não traçar um paralelo imediato com a franquia de jogos Silent Hill, onde a névoa atua simultaneamente como barreira física e projeção psicológica dos pecados e traumas de seus habitantes. Da mesma forma, o horror punitivo que vem das águas ecoa fortemente a Vila dos Pescadores (Fishing Hamlet) da DLC de Bloodborne (The Old Hunters), onde os segredos profanos dos fundadores (os Byrgenwerth) amaldiçoaram gerações inteiras sob o peso do cosmos. Até mesmo a literatura lovecraftiana, como A Sombra de Innsmouth, respira nessa mesma atmosfera de cidades litorâneas apodrecidas por seus próprios segredos.

Carpenter nos entrega um terror inexorável, onde a catarse não vem pela derrota do mal, mas pela aceitação dolorosa de que há dívidas cármicas e históricas que, uma vez cobradas, precisam ser pagas.

A Quimera de Aventuras

A genialidade de A Bruma Assassina para o RPG reside em seu antagonista invisível e onipresente: a própria névoa. Ela isola o grupo, muda a geografia do local e oculta ameaças, gerando tensão constante. Abaixo, dividimos como você pode aplicar essa estrutura em diferentes temáticas nas suas sessões.

Fantasia Medieval (Ex: D&D 5e, Tormenta20, Pathfinder)
  • O Enredo: O grupo de aventureiros chega a uma cidade próspera às vésperas de um grande festival que celebra o fim de uma antiga guerra. Contudo, quando o sino do templo bate à meia-noite, uma neblina mágica e fria começa a descer das montanhas ou subir do lago.

  • O Twist: Os mortos-vivos (como Revenants ou Banshees) trazidos pela névoa não atacam qualquer um. Eles ignoram os viajantes e caçam especificamente os nobres da cidade.

  • A Abordagem: A força bruta aqui tem um limite. O grupo pode lutar contra as hordas por algum tempo, mas a bruma é infinita. Para vencer, precisarão invadir a cripta da cidade, descobrir o verdadeiro acordo sujo que fundou o local (um pacto demoníaco ou uma chacina de inocentes) e encontrar uma relíquia específica para ser devolvida ou destruída, apaziguando a fúria ancestral.

Investigação e Horror Pessoal (Ex: Call of Cthulhu, Ordem Paranormal)
  • O Enredo: Os investigadores são chamados para entender fenômenos climáticos bizarros ou apagões inexplicáveis em uma cidade costeira isolada. O cenário ideal começa focado em NPCs enlouquecendo, objetos eletrônicos falhando (como a rádio local do filme) e registros históricos sumindo da biblioteca municipal.

  • A Ameaça: A bruma é radioativa, mágica ou puramente paranormal. Entrar nela exige testes de Sanidade (ou Vigor) a cada turno. Figuras sombrias de marinheiros ou cultistas ancestrais desferem golpes letais antes de sumirem na neblina novamente.

  • A Abordagem: O combate direto é quase suicídio. A aventura vira um tenso jogo de gato e rato. Os jogadores devem correr entre refúgios (uma igreja, um farol, uma delegacia), gerenciando recursos parcos, enquanto montam o quebra-cabeça de um diário antigo para entender o que a entidade no centro da névoa realmente quer que lhe seja devolvido.


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Texto e capa: Eduardo Filhote.
Revisão: Raquel Naiane.

Daggerheart – Guia de Criação de Personagem – Parte 2

Leitores do Movimento, bom dia, boa tarde e boa noite. Esta é a segunda parte do Guia de Criação de Personagem de Daggerheart. Para ler a primeira parte, clique aqui!

Conforme prometido, volto com a segunda parte deste guia. Na última publicação, abordamos até o Passo 4.

Depois que nós definimos Classe, Herança, Atributos, os Pontos de Vida e de Fadiga, chegou o momento de falarmos das armas e armaduras.

PASSO 5: Escolha seu equipamento inicial

Sendo um sistema focado no jogo narrativo, vamos explorar como isso funciona numa mesa.

Passo 5.1: Escolha suas armas

Neste momento, teremos que escolher se usaremos armas físicas ou armas mágicas (se tivermos alguma habilidade de conjuração).

Como ULTO é um quacho guardião espadachim, sua arma principal será uma espada longa, que ele segura com as duas mãos.

Como outro exemplo, podemos definir que ele luta com duas armas, sendo uma espada bastarda na mão esquerda (informando que ele é canhoto) e uma adaga na mão direita, sendo esta, sua arma secundária.

Todas as armas iniciais (de 1° patamar) que você pode escolher estão nas tabelas de “Armas Principais” e “Armas Secundárias”, no Capítulo 2. Elas também estão disponíveis no Apêndice.

No 1º nível, sua Proficiência é igual a 1. Isso significa que você rola um dado de dano ao atacar com uma arma. Essa informação deve ser registrada no campo “Proficiência”, encontrado nas “armas ativas” da ficha de personagem.

Como ULTO usa uma Espada Longa, seu atributo é Agilidade, o alcance é corpo-a-corpo, o dano é 1d10+3 do tipo físico e a empunhadura é de duas mãos.

Frogs e sua lendária Masamune. Obrigado por tudo Akira Toriyama!

Passo 5.2: Escolha sua armadura

De forma narrativa, vamos explicar como ULTO sobrevive durante um combate.

A armadura serve para reduzir a gravidade dos ataques sofridos. Você sempre informará se equipou sua proteção.

Todas as armaduras iniciais (de 1° patamar) que você pode escolher estão na tabela “Armaduras”, no Capítulo 2. Elas também estão disponíveis no Apêndice.

Quando equipar uma armadura, anote os detalhes dela no campo “armadura ativa” na ficha de personagem.

Os limiares de dano de uma armadura (na coluna “limiar base”) indicam quanto de dano o personagem pode sofrer antes de marcar PV. Acrescente seu nível de personagem aos dois valores e anote o total de ambos nos campos correspondentes.

Esse número inclui o valor base da armadura (na coluna “Armadura base”) mais quaisquer bônus oriundos dos seus talentos.

Ao sofrer dano, você pode marcar um dos escudos próximos da sua Armadura (chamados Pontos de Armadura, ou PA) e em seguida reduzir a gravidade do dano em um limiar: de grave para maior, de maior para menor, de menor para nenhum.

Você tem um número de PA igual à sua Armadura e pode marcar apenas 1 PA por ataque.

Como ULTO vive nos pântanos, o que melhor combina é equipar uma Armadura de Couro, que fornece os limiares de base 6/13, dá 3 Pontos de Armadura base e não possuí nenhuma outra habilidade.

Passo 5.3: Escolha o que levar na suar jornada

Seu inventário inclui todos os outros itens que o personagem está carregando. O livro define uma sequência de itens que você pode listar:

  • Tocha (útil para iluminar uma sala escura);
  • 15 metros de corda (útil para escalar uma parede ou descer de um desfiladeiro);
  • Suprimentos básicos (barraca, saco de dormir, rações etc.);
  • Um punhado de ouro (anote no campo “ouro”, na esquerda da ficha de personagem);
  • Escolha entre: uma poção de vida menor (recupera 1d4 PV) ou uma poção de vigor menor (recupera 1d4 PF);
  • A opção “escolha um”, exclusiva da sua classe.

Você também pode precisar decidir o que usa para lançar feitiços. Anote os itens no seu inventário. Você tem acesso a esse equipamento durante as aventuras de qualquer forma que combine com a história.

Desde que o mestre concorde e não seja inadequado às regras do mundo, use-os com criatividade.

Também é possível conversar com o mestre sobre outros itens que você gostaria de ter no início do jogo.

Não há um limite em regras para o tamanho do inventário, portanto fique à vontade para escolher itens que façam sentido e que não forneçam benefícios mecânicos — mas a palavra final quanto a isso é sempre do mestre.

Alguns mestres gostam de fazer um micro gerenciamento, anotando tudo que entra e sai dos inventários, aumentando a imersão de uma aventura. Se na sua mesa isso for muito importante à narrativa, controle tudo com cuidado, pois será vital para o sucesso do grupo.

PASSO 6: Crie a sua Origem

Aqui chegamos numa das partes mais importantes do personagem: a origem dele.

E o próprio Daggerheart deixa isso bem aberto, colocando nas mãos do narrador e dos jogadores a responsabilidade de construir esse passado. O livro até sugere algumas perguntas para ajudar no processo, mas a ideia principal aqui é liberdade criativa.

E eu gostei bastante disso. Durante muitos anos, eu fui aquele jogador que escrevia páginas e mais páginas de backstory. Capítulos inteiros. Árvore genealógica. Reino destruído. Rival misterioso…

Só que o próprio Daggerheart sugere algo diferente. Em vez de explicar tudo logo no começo, ele incentiva que o personagem vá se revelando conforme a aventura acontece.

E isso funciona muito bem. Porque o personagem cresce junto com a mesa.

PASSO 7: Crie suas Experiências

Uma forma de valorizar a criatividade dos jogadores e ajudar no trabalho narrativo do mestre, Daggerheart concede um bônus de +2 nos testes.

Todos os jogadores começam com duas experiências e devem ser marcadas na sua ficha. O livro traz uma série de opções, para facilitar na escolha, e deixa bem especificado que devem ser o mais específico possível. Então, nada de marcar coisas muito genéricas.

ULTO, o nosso guerreiro quacho e que vem dos Pântanos, poderia escolher da lista que ele é um grande espadachim de sua região, e como ele é focado em ser muito ágil, um exímio acrobata.

Mas poderia escolher algo como ele ser Charmoso, Incrivelmente Forte, que ele tem Memória Fotográfica, ou Passos Leves, ou que ele sempre solta uma frase de assinatura, como: “Eu cheguei, está tudo bem!” (Obrigado pela dica All Might).

Quando uma das Experiências do personagem for adequada à situação do momento, você pode usá-la para demonstrar sua capacidade.

Antes de fazer um teste ou reação, você pode gastar 1 Ponto de Esperança para somar o modificador da Experiência ao resultado.

Por vezes, mais de uma Experiência pode ser adequada à situação (por exemplo, se seu personagem estiver tentando passar despercebido por um guarda, poderia usar tanto a Experiência “vivo nas sombras” quanto “furtivo”).

Se fizer sentido na história, você pode somar mais de um modificador de Experiência a uma rolagem, mas deve gastar 1 Ponto de Esperança para cada um.

A cada nível que seu personagem sobe, você pode escolher novas experiências, para mostrar que existe um desenvolvimento orgânico.

PASSO 8: Escolha suas Cartas

Aqui surge uma nova mecânica bem específica de Daggerheart. No total, o livro explica que existem 9 tipos de domínio: Arcano, Códice, Esplendor, Falange, Graça, Lâmina, Meia-Noite, Sabedoria e Valor.

Cada um desses domínios tem um baralho, com vários talentos e feitiços. Cada classe de personagem é formada pela combinação de dois deles. Nas páginas em que explicam como as classes funcionam, Ulto por ser um Guardião, tem como domínios Lâmina e Valor.

Então, devemos escolher do baralho, todas as cartas de primeiro nível desses domínios, escolhendo duas, sendo uma de cada, ou duas do mesmo tipo. E a cada nível que eu subir, posso escolher uma nova carta.

No Domínio da Lâmina, temos três opções de carta de nível 1:

– LEVANTE-SE

– NÃO O SUFICIENTE

– TURBILHÃO

Como nosso esguio Quacho é focado em velocidade, seus ataques parecem uma verdadeira tempestade de golpes rápidos, mas imprecisos. Então, no mover de sua espada, ULTO escolhe utilizar a carta do TURBILHÃO.

No Domínio do Valor, temos três opções de carta de nível 1:

– ARMADURA CORPORAL

– IMPOSIÇÃO

– SOU SEU ESCUDO

Apesar de ser um Quacho, ULTO é um Guardião e com isso, ele é um personagem muito resistente. Para compensar isso e manter sua mobilidade, ULTO escolhe a carta Armadura Corporal.

Na página 25 do livro existe um gráfico circular explicando o Círculo dos Domínios e como eles se conectam entre as classes. Então, se dois jogadores tiverem o mesmo tipo de domínio, eles devem conversar entre si, para escolherem poderes diferentes.

Círculo dos Domínios, use com sabedoria.

PASSO 9: Crie seus Vínculos

Nossa caminhada finalmente terminou.

Neste ponto, o personagem está praticamente pronto. Falta apenas definir uma das partes mais importantes em jogos focados em interpretação: os Vínculos.

Eles ajudam o mestre e os jogadores a entenderem como aquelas pessoas convivem em grupo.

Porque, numa mesa orgânica, as relações mudam o tempo inteiro. Confiança, amizade, rivalidade, admiração, irritação, tudo isso influencia diretamente como as cenas acontecem.

Imagina a situação:

“Você pega o Ladino roubando escondido um artefato do Paladino. Só que, por ter um vínculo positivo com ele, decide guardar esse segredo. Mais tarde, depois de uma briga enorme na taverna, o Clérigo começa aquele sermão interminável sobre responsabilidade e honra. Mas como seu personagem não tem tanta proximidade com ele, você apenas cruza os braços, balança a cabeça fingindo concordar e espera o sermão acabar.”

Percebe como isso muda completamente a dinâmica da cena?

O livro traz algumas perguntas para ajudar na criação desses vínculos, mas não se prenda apenas a elas.

Converse com o narrador. Converse com o grupo.

Às vezes, um bom vínculo cria mais história do que uma espada lendária.

Considerações Finais

Depois de todos esses passos, ULTO finalmente está preparado para iniciar sua jornada.

Mas existe uma diferença importante em Daggerheart.

A ficha não representa um personagem completo. Diferente de sistemas onde quase tudo já está definido desde o primeiro nível, aqui apostamos na construção em mesa, nas relações entre os personagens e na forma como a narrativa transforma cada herói ao longo da campanha.

Provavelmente no futuro, ULTO deixe de ser apenas um espadachim veloz dos pântanos. Talvez ele carregue cicatrizes, traumas, rivalidades, amizades ou até o peso de decisões que mudarão completamente sua forma de lutar e enxergar o mundo.

Então reúna seus dados, converse com seu grupo, compartilhe ideias com o narrador e não tenha medo de experimentar.

Leitores do Movimento, muito obrigado por acompanharem este guia. E nos vemos na próxima aventura da Megaliga Tokyo Defender.


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Super Smash Bros. Melee para 3DeT Victory

Na Tokyo Defender #36, tem uma adaptação de Super Smash Bros. para 3DeT Victory. Algo que não fiz desde a época dessa publicação é uma continuação com os personagens da continuação de Melee. Hoje é dia de resolver isso.

Todo mundo junto… PRA PORRADA!

Se bater com personagens da Nintendo é normal em 3DeT… De novo!

As regras alternativas e alguns itens de Super Smash você encontra na Tokyo Defender. Mas na matéria de hoje, vamos focar nos personagens. Então vamos direto para eles!

Bowser 12N

P3, H1, R3, PA 3, PM 5, PV 15.
Arquétipo. Sauroide.
Perícia. Luta.

Vantagens

Bomba Bowser (Ataque Especial [Investida]), Camuflagem, Cascudo, Garra Koopa (Ataque Especial [Poderoso]), Sopro de Fogo (Grimório 1 [Disparo de Energia]), Turbilhão da Fortaleza (Ataque Especial [Área]).

Desvantagens

Maldição 2 – Não pode usar os Ataques Especiais fora dos conjuntos.

Dr. Mario 12N

P4, H1, R2, PA 4, PM 5, PV 10.
Arquétipo. Humano.
Perícias. Medicina, Luta.

Vantagens

Megavitaminas (Grimório 1 – Disparo de Energia), Soco do Super Pulo (Ataque Especial 2 [Poderoso, Investida]), Dr. Tornado (Ataque Especial 2 [Área, Potente]), Mais Além.

Desvantagens

Maldição 2 – Não pode usar Ataques Especiais fora dos conjuntos e deve fazer o Soco do Super Pulo com uma ação completa).

Falco 12N

P3, H1, R2, PA 3, PM 5, PV 10.
Arquétipo. Kemono.

Vantagens

Tiro de Blaster (Alcance 1), Fantasma Falco (Ataque Especial 2 [Investida, Perigoso]), Ave de Fogo (Ataque Especial 2 [Investida, Potente 2]), Refletor (Defesa Especial 2 [Bloqueio, Reflexão]), Percepção Apurada, Talento (Forte).

Desvantagens

Cacoete (Tapado), Maldição 2 – Não pode usar Ataques Especiais fora de seus conjuntos e contra oponentes Longe. E seus ataques Longe não podem empurrar adversário.

Ganondorf 12N

P3, H2, R2, PA 3, PM 10, PV 10.
Arquétipo. Gerudo (Humano).
Perícias. Esporte, Luta.

Vantagens

Forte, Soco do Feiticeiro (Ataque Especial [Titânico]), Dragão de Gerudo (Ataque Especial [Investida]), Mergulho das Trevas (Ataque Especial [Poderoso]), Pé do Feiticeiro (Ataque Especial [Área]), Mais Além.

Desvantagens

Maldição 1 – Ganondorf não pode juntar seus Ataques Especiais, só pode usar um tipo de Ataque Especial por ataque.

Ice Climbers 12N

P2, H2, R2, PA 2, PM 10, PV 10.
Arquétipo. Humanos.
Perícias. Esporte, Luta.

Vantagens

Grimório 3, Magia, Tempestade de Martelo (Ataque Especial [Área]), Mais Além.

Desvantagens

Maldição 2 – Sofre o dobro do dano de todas as fontes, mas também causa o dobro do dano.

Técnicas

Apertar com Corda (Super-Movimento), Nevasca (Poeira Glacial), Tiro de Gelo (Disparo de Energia).

Marth 12N

P2, H3, R2, PA 2, PM 15, PV 10.
Arquétipo. Humano.
Perícia. Luta.

Vantagens

Contra-Ataque (Defesa Especial [Reflexão]), Corte do Golfinho (Ataque Especial [Poderoso]), Ágil, Lâmina Dançante (Ataque Especial 2 [Potente 2]), Mais Além, Quebra Escudo (Ataque Especial [Penetrante]).

Desvantagens

Maldição 2 – Não pode usar o Ataque Especial fora dos conjuntos.

Mewtwo 12N

P1, H3, R2, PA 1, PM 15, PV 10.
Perícia. Luta, Mística.

Vantagens

Confusion (Confusão), Desabilitar (Anulação), Grimório 1, Teleport (Teletransporte).

Técnicas

Shadow Ball (Disparo de Energia).

Mr. Game & Watch 12N

P3, H2, R2, PA 2, PM 10, PV 10.
Perícia. Luta.

Vantagens

Chef (Alcance 1), Julgamento (Ataque Especial [Poderoso]), Pânico do Olho (Defesa Especial [Blindada]), Grimório 1.

Técnicas

Fogo (Super-Movimento).

Peach 12N

P1, H3, R2, PA 1, PM 15, PV 10.
Perícia. Luta.

Vantagens

Bomba da Peach (Ataque Especial [Investida]), Parasol da Peach (Voo), Toad (Defesa Especial [Reflexão]), Vegetal (Inventário 2).

Pichu 12N

P1, H4, R1, PA 1, PM 20, PV 15.
Perícias Esportes, Luta.

Vantagens

Ágil, Grimório 1, Ataque Rápido (Aceleração), Trovão (Ataque Especial [Área, Perigoso]), +Vida.

Desvantagens

Maldição 2 – A ação de movimento de Aceleração só pode ser usado para se movimentar e sempre que usa Trovão ou Ataque Rápido, Pichu perde 1 PV.

Roy 12N

P3, H2, R2, PA 3, PM 10, PV 10.
Arquétipo. Humano.
Perícia. Luta.

Vantagens

Contra-Ataque (Defesa Especial [Reflexão]), Espada de Dois Gumes (Ataque Especial 2 [Potente 2]), Forte, Incenerar (Ataque Especial [Perigoso]), Lâmina de Fogo (Ataque Especial [Penetrante]), Mais Além.

Desvantagens

Maldição 2 – Não pode usar o Ataque Especial fora dos conjuntos.

Sheik 12N

P2, H3, R2, PA 2, PM 15, PV 10.
Arquétipo. Hylian (Humano).
Perícia. Esportes, Luta.

Vantagens

Corrente (Ataque Especial [Potente, Perigoso]), Sumir (Teletransporte), Tempestade de Espinhos (Foco), Transformação (Zelda), Mais Além.

Desvantagens 

Maldição 2 – Sheik não recupera PV quando se transforma.

Young Link 12N

P3, H3, R2, PA 3, PM 15, PV 10.
Arquétipo. Hylian (Humano).
Perícia. Esportes, Luta.

Vantagens

Bumerangue (Ataque Especial [Distante]), Ataque Giratório (Ataque Especial [Área]), Bomba (Artefato Arma 2), Mais Além.

Desvantagens

Maldição 2 – Quando usa um de seus Ataques Especiais, precisa esperar 1 turno para usar ele novamente.

Artefato

Bomba (Auspicioso 10 XP [Grimório 1 – Disparo de Energia], Amaldiçoado –20XP [Maldição – Quando usa a técnica Disparo de Energia, você precisa gastar uma ação de movimento antes de usá-la novamente], Encantado 10 XP [P+1], Maciço 20 XP).

Zelda 12N

P4, H2, R2, PA 2, PM 15, PV 10.
Arquétipo. Hylian (Humano).
Perícia. Luta.

Vantagens

Amor de Nayru (Defesa Especial [Reflexão]), Fogo de Din (Disparo de Energia), Mais Além, Transformação (Sheik), Vento de Farore (Ataque Especial [Poderosa, Investida]).

Desvantagens 

Maldição 2 – Sheik não recupera PV quando se transforma.


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Texto e Arte da Capa: Gustavo “AutoPeel” Estrela
Revisão: Raquel Naiane. 

4 Contra a Escuridão parte 01 – Vou de Solo

“4 Contra a Escuridão” é um RPG solo que foi lançado no Brasil pela Editora Retropunk, e neste momento, sem nenhuma licença no nosso país, recebe o nome de Four Against Darkness. Neste texto, Túlio Carneiro apresenta como foi seu contato com esse universo e como decidiu jogar e quais decisões tomou.

Caso você NÃO conheça RPG Solo (que nada mais é do que jogar RPG sozinho, e não, eu não estou louco), clica em RPG Solo — Aprendiz de Mestre. Vai te dar uma boa noção, eu espero.

E também, para entender um pouco melhor, dê uma olhadinha na nossa Resenha sobre o Jogo clicando aqui! Você entenderá nossa jornada de uma forma melhor!

4, e apenas 4, Contra a Escuridão

Inicialmente, devo escolher 4 heróis para adentrar masmorras perigosas. O objetivo? Em primeiro lugar, saírem vivos. Em seguida, conseguir mais peças de ouro. E finalmente, ganhar experiência, para se tornarem mais poderosos.

Resumindo, as missões são de exploração, combate e ganho de riqueza, e poder de combate. Não há nada (de vingança) pessoal.

O RPG é procedural, ou seja, cada vez que você jogar, o conteúdo de cada masmorra, cada aposento, cada criatura encontrada, cada tesouro e armadilha, é gerado aleatoriamente, por sorteios com dados e tabelas.

Portanto, escolho 4 opções de 8 disponíveis no livro base. 4 humanoides:

  1. A Guerreira
  2. O Clérigo
  3. A Ladina
  4. O Mago

É uma formação bem clássica, e balanceada: ataque, cura, magia destrutiva, e habilidades de destreza e desarme de armadilhas. Mas poderia ter escolhido 2 guerreiros e 2 magos, se quisesse.

Mas por quê “contra a escuridão”?

Porque levamos uma lanterna. Se a perdemos, nossos inimigos ganham muita vantagem. É impossível explorar masmorras sem uma fonte de luz.

O tamanho da masmorra? Até onde você achar seguro seguir e sortear cada sala, pois lembre-se que podem haver monstros errantes na volta, que têm o irritante hábito de atacar de surpresa.

Relatório da Aventura: 4 Contra a Escuridão – Dia 01

Logo saberemos se vão sobreviver. Em princípio, escolho explorar 5 aposentos (como explicado, você sorteia como será a próxima sala, até quando você quiser, ou seus heróis serem chacinados pela masmorra), e o monstro chefe na sexta sala. Assim, vamos ver como será a exploração de masmorras e o combate, caso ele exista.

Valeu, a formação clássica com 4 humanoides deu certo e o balanceamento se fez presente.

Porém, ao chegar na porta da sexta sala com o monstro chefão, desisti da luta. Mas, consegui mais 90 peças de ouro com a exploração.

A experiência reunida até aqui não foi suficiente pra ninguém subir de nível, e ainda explorando, encontro 2 hobgoblins, e 7 goblins. Ao avistar os goblins e os mortos-vivos, não espero para ver reação. Ataco de imediato!

Na volta, tive sorte, não topei com nenhum monstro.

Ao final do primeiro dia, o grupo continua nível 1, mas com mais dinheiro para equipamentos próxima vez.

Cerca de 40 minutos de duração.

Relatório de Aventura: Outro dia chegou, outro calabouço – Dia 02

Olá. Vou viajar a trabalho hoje.

Enquanto isso, segundo dia de exploração de masmorras. Vamos ver se alguém sobe de nível.

Jogando, encontro uma múmia, monstro chefe, morto-vivo. O pau quebrou. O mago meteu Bola de fogo, Relâmpago, e, felizmente, a Clériga tem bônus contra morto-vivo.

Todo o grupo sobrevive e o mago sobe de nível, e não encontramos nenhum tesouro. A saída da masmorra foi tranquila, sem monstros errantes. Levando o 4AD para viagem.

4AD

Relatório de Aventura: Retorno dos 4 contra a Escuridão – Dia 03

Veremos o que a masmorra aguarda para nós desta vez.

Vitória!

A Guerreira sobe de nível após enfrentarmos uma estátua como chefe. Também enfrentamos vários vermes sem XP (experience pointspontos de experiência), mas achamos algum tesouro.

Na volta, alguns ratos esqueléticos atacaram como monstros errantes, de surpresa, mas uma bola de fogo matou boa parte. O mago assim escapa com 1 PV, e o clérigo usa suas 3 curas pra garantir todo mundo vivo na volta.

Saldo Final

. 82 peças de ouro;
. Mago nível 02;
. Guerreiro nível 02.

Cerca de 55 minutos de duração.

Nada mal para um dia de trabalho.

Até a próxima masmorra.

Relatório de Aventura: Mais exploração de masmorra – Dia 05

4AD

Mais uma masmorra. Até onde iremos agora?

Muito bom. Encontro uma Quimera na segunda sala, com o grupo descansado e cheio de itens. No fim das contas, subi a Ladina e o Clérigo de nível.

E a Guerreira, com armadura pesada e escudo, somando aí já D6+ 3 na defesa.

Todo mundo no nível 2.

No fim, um hobgoblin solitário atacou o grupo de surpresa, como monstro errante.

O deus dos dados me permitiu um resultado 6, explode mais 6, +2, mais nível do guerreiro + 2, resultando em 16 de dano num único golpe.

Satisfeito por hoje.

Cerca de 40 minutos de duração.

Em breve encaro mais um labirinto subterrâneo. Vem comigo?

Até a próxima! – que não vai tardar!

Essa é a primeira parte do Vou de Solo “4 Contra a Escuridão”. Para ler a segunda parte, clique aqui.


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Texto: Túlio Carneiro.
Revisão: 
Raquel Naiane.

Bárbaros do Abismo (Crawl) – Santos Escritos

Crawl é um jogo de exploração de masmorra e combate lançado em Agosto de 2014, no jogo, quatro jogadores precisam controlar prisioneiros tentando escapar de uma masmorra enquanto enfrentam monstros (que são os demais jogadores). Sempre que derrotados por um monstro, o jogador que controlava esse monstro se torna o jogador, e assim até que um deles consiga escapar da masmorra.

Nos Santos Escritos de hoje, vamos adaptar os deuses abissais de Crawl como poderes de Totem para o Bárbaro!

Deuses Abissais

Em Ghanor, os demônios se alimentam das emoções negativas dos mortais. O único motivo pelos quais tentaram impedir o apocalipse dos Criadores Invisíveis é porque isto os faria morrer de fome.

A Fúria dos Bárbaros é a maior canalização disto, sua fúria acumulada por ser um banquete para diferentes tipos de demônios. Alguns destes adotam bárbaros como seus campeões, para se alimentar de seu ódio acumulado.

Poder de Bárbaro: Totem Abissal

Quando entra em Fúria, você pode invocar o poder de um demônio abissal. Enquanto estiver sob influência de um demônio, você se torna vulnerável a todo tipo de dano mágico e tem –5 de resistência contra magias divinas. Escolha um dos deuses abissais abaixo. Pré-requisito: 5º nível de Bárbaro.

Parece um monstro de lama, mas é o Teok

Teok

Quando entra em Fúria, você recebe +3m de deslocamento e +3 em rolagens de dano.

Ratos podem ser muito mais do que criaturas do esgoto, como o Murkan

Murkan

Quando entra em Fúria, você recebe +10 em Furtividade e causa +2d12 pontos de dano contra alvos desprevenidos. Além disso, se esconder não encerra a sua Fúria.

Uma mordida? Gholoth te dá

Gholoth

Escolha uma das armadilhas do Caçador (A Lenda de Ghanor, pág. 37). Enquanto estiver em Fúria, uma vez por rodada, você pode gastar uma ação completa e 3 PM para posicionar essa armadilha em alcance curto, mesmo sem ter o ambiente propicio. Apenas uma armadilha pode ser posicionada por vez, se uma nova for posicionada, a mais antiga é desfeita.

Aquele ‘doidinho do centro’ ganhando vida com o S’hrim

S’hrim

Quando entra em Fúria, sua ganância aumenta proporcionalmente. Você causa dano adicional contra alvos dependendo de quanto tesouro eles fornecem, +2 contra alvos que oferecem Metade, +5 contra alvos que oferecem tesouro Padrão, +10 contra alvos que oferecem o Dobro, +15 contra alvos que oferecem o Triplo.

Será que Gor é parente do Corcunda de NotreDame?

Gor

Quando entra em Fúria, seus ataques ficam afiados. Causar dano crítico deixa os alvos sangrando, esse sangramento é acumulativo com outros efeitos e com ele mesmo, fazer dois acertos críticos contra o mesmo alvo faz ele sangrar sofrendo perda de 2d6 pontos de vida por rodada.

Lovecraft amaria o Odshan

Odshan

Escolha uma lista de magias divinas e duas magias de 1º círculo dessa lista. Quando entra em Fúria, você pode lançar essas duas magias sem interromper a sua Fúria.

Será esse o famoso Chupa-CAbra? Ah, é o Xophant

Xophant

Quando entra em Fúria, você recebe 10 PV temporário para cada ponto de Constituição que tiver e soma sua Constituição nas suas rolagens de dano. Mas tem sofre –3m de deslocamento.

O Abissal Qaahl

Qaahl

Quando entra em Fúria, seu bônus em testes de ataque e rolagens de dano é aplicado a armas a distância simples e marciais.

Segredo! Momot esconde sua identidade

Momot

Quando entra em Fúria, sempre que causa um acerto crítico, você recupera 1d4 PM.

Um velho sábio ou louco? Pergunte a Chz

Chz

Quando entra em Fúria, você pode lançar a magia Toque Vampírico como um druida com seus níveis de Bárbaro.


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Texto e Capa:  Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.

EPIC: A Saga da Sabedoria – Quimera de Aventuras

Neste Quimera de Aventuras, vamos falar de EPIC: The Musical – A Saga da Sabedoria. EPIC é um álbum conceitual baseado na historia da Odisseia de Homero. Mas hoje vamos falar do sétimo álbum desse musical conceitual e o segundo do segundo ato. Onde conhecemos Telemâco, filho de Odisseu e suas dificuldades em Ítaca lidando com os pretendentes de sua mãe, além de termos mais informações do que aconteceu com Odisseu após o fim da Saga do Trovão.

Se você quiser ver as demais sagas que tem no Quimera de Aventuras, esse é o segundo álbum do Ato 2, que começa com a Saga do Trovão.

Sobre o Musical

Já falamos anteriormente que os criadores dividiram EPIC: The Musical em Atos e Sagas. Hoje, vamos falar sobre o álbum A Saga da Sabedoria. Esse álbum se destaca como um dos mais diferentes de EPIC, pois não acompanha Odisseu (que aparece em apenas uma música), mas sim seu filho Telêmaco e a deusa Atena.

Nossa Visão sobre o Musical (pode conter spoilers!)

EPIC é um musical muito gostoso de ouvir, tanto pela qualidade das músicas quanto pela qualidade da comunidade.

Quimera de Aventuras

Nessa seção, vamos dar ideias para mesas usando o musical como referência!

Cenários e Sistemas

Mas quero trazer luz a um sistema voltado para mitologia Grega, AGON da Editora Vanishting Point. Ele é pensado para simular histórias épicas da mitologia.

Especificamente para a Saga da Sabedoria. Você pode seguir com as recomendações da  Saga do Trovão, Saga do Submundo ou Saga do Oceano.

Partes das Aventuras baseadas nas músicas

O Arco do Telemaco (Legendary, Litte Wolf e We’ll be Fine)

As três primeiras músicas do álbum podem ser encaixados em uma pequena sessão ou conjunto de duas ou três sessões; Uma “side-quest” com o príncipe de Ítaca, Telemaco, lidando com suas inseguranças e com os pretendentes de sua mãe.

Os personagens poderiam controlar outros personagens com alguma ligação com os protagonistas que estão na ilha que saíram. E tentam lidar com os problemas que foram causados com a demora do retorno dos protagonistas.

Love in Paradise

A música “Love in Paradise” serve tanto como introdução para a próxima música como uma atualização do que está acontecendo após os acontecimentos da Saga do Trovão. Os personagens ficam presos em uma ilha que tem como única moradora Calipso, uma deusa menor que, por sua vontade, prende os personagens em sua ilha “Paraíso”.

God Games

A maior música do álbum (e se eu não me engano, do álbum), God Games é uma série de embates de argumentos entre Atena e os deuses, tentando tirar Odisseu da ilha da Calipso.

Em sua mesa, você pode trocar o protagonismo de Atena pelos jogadores, como se ela conseguisse fazer os personagens lutarem por sua liberdade cumprindo tarefas dos deuses.


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Texto: Gustavo “AutoPeel” Estrela.
Revisão: Raquel Naiane.

Todo Mundo no Rio 2026 – Lobisomem O Apocalipse 5ª Edição

Saudações rpgistas e Garous! Como jogador de RPG, filósofo e um observador voraz da cultura pop, eu sempre fui fascinado pela necessidade humana de catarse coletiva.

Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia, nos fala sobre o estado dionisíaco: a dissolução do ego individual em meio ao êxtase da multidão, a música e a dança que nos reconectam com uma força primordial e arrebatadora.

É a perda da individualidade em prol de uma experiência massiva, algo como a unificação caótica do Lifestream em Final Fantasy VII ou aos delírios coletivos que vemos no reino de Morpheus em Sandman, obras que moldaram meu olhar como um nerd e geek assumido.

“Mega Show”

No mundo real, nós chamamos essa explosão catártica de “mega show”. Mas, quando trazemos isso para o Mundo das Trevas — que sempre funciona como um espelho sombrio, distorcido e supurante da nossa realidade —, um evento de proporções titânicas não é apenas um espetáculo musical; é um colossal epicentro de poder espiritual, manobras corporativas e instintos predatórios.

Sabemos que a premissa de Lobisomem: O Apocalipse é pegar o que acontece na nossa sociedade e injetar uma dose letal de conspiração e horror ecológico. Portanto, o evento “Todo Mundo no Rio 2026”, que trouxe a Shakira para as areias de Copacabana, não é apenas de música e entretenimento.

Estamos falando de milhões de almas emanando energia bruta. E estamos observando corporações sombrias lucrando nos bastidores enquanto a Weaver estende seus cabos e antenas para engessar o livre-arbítrio, e, no centro disso tudo, pulsa a fúria e o desespero dos Garou diante de um Apocalipse que já é o agora.

Todo Mundo no Rio – O Evento

No nosso Mundo Real , o projeto Todo Mundo no Rio consolidou-se como uma das maiores manobras de soft power e revitalização econômica do Rio de Janeiro. É a resposta cultural definitiva a um mundo que buscou se reconectar após anos de isolamento.

Atrair ícones colossais (como o fenômeno da Madonna em 2024 e Lady Gaga em 2025) para as areias de Copacabana não é apenas um show; é uma engrenagem de um sistema bilionário que injeta vida no turismo e no comércio local, fazendo a cidade vibrar em uma frequência febril e quase hipnótica.

Mas, analisando e enxergando as camadas por trás da cortina, a pergunta que realmente importa para o Mundo das Trevas é: Quem está assinando o cheque?

Em Lobisomem: O Apocalipse, um evento para quase 3 milhões de pessoas é o cenário perfeito para um “Cabo de Guerra” cósmico. A infraestrutura necessária é, sem dúvida, um campo de batalha entre a Weaver e a Wyrm.

A Teia e o Controle Digital

A implementação de redes 6G experimentais, drones de monitoramento facial em tempo real e a logística milimétrica de segurança representam as aranhas da Weaver tecendo seus fios metálicos sobre a orla. É o progresso técnico usado para catalogar, vigiar e anestesiar a consciência das massas através da hiperconectividade.

O Toque da Wyrm e a Pentex

Por trás dos patrocínios master, encontramos os tentáculos das subsidiárias da Pentex. A Magadon provavelmente fornece os “kits de bem-estar” e analgésicos vendidos em cada esquina; a O’Tolley’s e a King Breweries lucram com o consumo desenfreado e o desperdício colossal gerado por toneladas de lixo plástico abandonado na areia. É a corrupção espiritual disfarçada de entretenimento familiar.

Para os “Sanguessugas” da Camarilla, o evento é um buffet de luxo e, simultaneamente, um pesadelo logístico para manter a Máscara. Para os Magos, Copacabana se torna um Nodo temporário, uma tempestade de Quintessência gerada pelo desejo e pela euforia coletiva.

E para os Garou? Para os nossos guerreiros da Mãe Terra, olhar para o palco monumental da Shakira é ver uma “Midgar” pulsante. A comparação com o jogo da Square Enix é inescapável: a Pentex e a Teia estão sugando o “Mako” (a Gnose e a energia vital da Terra) sob as luzes de neon, enquanto a multidão aplaude a própria destruição.

Shakira – A Artista

Como massoterapeuta, sexólogo e alguém que estuda profundamente as dinâmicas do corpo, eu sempre observei a carreira da Shakira com uma lente focada na libertação física e emocional.

Wilhelm Reich, psicanalista dissidente e um dos precursores das terapias corporais, falava sobre a “couraça muscular” — as tensões que acumulamos para reprimir nossos instintos e nos adequarmos à rigidez da sociedade civilizada. Shakira, ao trazer a dança do ventre e os ritmos latinos viscerais para o mainstream, ataca diretamente essa couraça.

Ela desafia a métrica engessada e eurocêntrica do pop tradicional. Ela canta com as entranhas, usa o quadril como um pêndulo hipnótico de poder e, não por acaso, imortalizou a si mesma na cultura pop contemporânea sob a alcunha da “Loba” (She Wolf).

Mundo das Trevas

No Mundo das Trevas, o impacto de uma figura global e magnética como Shakira atinge contornos assustadores. Uma artista dessa magnitude não apenas canta; ela molda a psique coletiva, funcionando como um farol de energia bruta em um mundo sufocado pelo cinza. Isso levanta uma questão fascinante para a nossa crônica: será ela uma Parente adormecida, talvez com linhagem das Fúrias Negras ou dos Fianna?

Seria ela alguém que, inconscientemente, canaliza ecos vibrantes da Wyld através de seus movimentos primais? Ou será ela, tragicamente, apenas mais uma engrenagem na colossal máquina da Weaver, empacotada por gravadoras e megacorporações para manter a humanidade dócil, vendendo a “ilusão” de rebeldia enquanto a massa consome?

Na minha opinião, a beleza narrativa reside justamente no paradoxo. Assim como vemos nas obras de Neil Gaiman — especialmente em Sandman, onde arquétipos de Desejo e Destruição dançam uma valsa eterna e complexa —, Shakira carrega uma dualidade brutal.

Temos a força visceral, feminina e indomável da Wyld encapsulada e comercializada em um mega-espetáculo hiper-capitalista, financiado pelos mesmos agentes (Weaver/Wyrm) que destroem as matas. Para os lobisomens no topo do morro, olhar para os imensos telões de LED em Copacabana e ver quase três milhões de pessoas uivando em uníssono junto com a “Loba” colombiana é, no mínimo, uma ironia poética e amargamente existencial.

Shakira em Copacabana

(Adaptando para Lobisomem: O Apocalipse 5ed)

Aqui é onde a narrativa visceral da 5ª Edição (W5) realmente brilha. Se você acompanha meus textos, sabe que eu gosto de bater nessa tecla: em W5, o mundo já está agonizando. Os Garou estão perdendo feio, e o Apocalipse não é uma profecia distante rabiscada em uma caverna; é o agora.

É o noticiário das oito. Então, como colocar a sua matilha no olho desse furacão de suor, neon e caos corporativo que é o show em Copacabana?

Como os espíritos e a Umbra são afetados pela massa de pessoas?

Sendo fã de Sandman, de Neil Gaiman, é impossível não olhar para a Penumbra sobre Copacabana durante o evento e não ver um reflexo febril e distorcido do próprio Sonhar.

A quantidade de emoção humana, projetada por milhões de pessoas simultaneamente, gera um maelstrom alucinante, uma verdadeira tempestade metafísica.

De um lado, a egrégora gera Espíritos da Alegria, da Paixão e do Ritmo — ecos distantes e sedentos da Wyld —, dançando freneticamente sobre o mar de cabeças.

Do outro lado, a materialidade nua e crua do evento: a concentração absurda de copos plásticos nas areias, o esgoto sendo despejado no mar e o consumo desenfreado patrocinado por megacorporações atraem Malditos da Poluição, da Gula e do Vício, que rastejam e engordam na periferia do show.

A Película flutua de maneira caótica. Nos epicentros da multidão, onde a catarse dionisíaca atinge o pico com os uivos da “Loba”, ela pode se tornar fina como papel, permitindo que a energia espiritual vaze para o plano físico e cause delírios coletivos. Em contrapartida, nos bastidores, nas vans de transmissão via satélite e nas áreas VIPs super-vigiadas, a Weaver calcifica a Película.

É a mesma sensação opressiva da arquitetura de vigilância em Neuromancer: a tecnologia tece uma barreira de estática e controle, tornando a viagem umbral quase impossível e letal.

Como outras criaturas podem se aproveitar do evento para criar armadilhas (e como os Garou podem revidar)?
  • A Armadilha do Inimigo: O show é o escudo de carne perfeito. Do ponto de vista tático, é brilhante e perverso. Fomori executivos e figurões da Pentex podem fechar acordos escusos e profanar artefatos nas coberturas luxuosas da Avenida Atlântica ou nos camarotes exclusivos. Eles sabem que os Garou, temendo o Delírio em massa e a quebra do Véu, evitam agir onde há três milhões de smartphones gravando em 4K. Sanguessugas da Camarilla também podem plantar Carniçais na segurança privada para abater, de forma velada, qualquer lobisomem que tente farejar a orla.

  • A Armadilha Garou: Na minha opinião, a matilha pode (e deve) usar esse mesmo caos a seu favor. Assim como Bruce Wayne se funde às sombras de Gotham, a poluição audiovisual é a camuflagem definitiva. A barulheira de centenas de milhares de decibéis estourando nas caixas de som durante “Hips Don’t Lie” e as explosões coreografadas de fogos de artifício abafam facilmente o som de ossos quebrando e portas sendo arrombadas. É a janela de oportunidade perfeita para um ataque furtivo, bem ao estilo Assassin’s Creed, invadindo a suíte de um CEO corrupto enquanto a segurança dele está hipnotizada pelo espetáculo lá embaixo.

Como os Caerns e locais sagrados são afetados pelo evento?

O Rio de Janeiro é uma cidade de contrastes absurdos. Possui uma conexão fortíssima com a natureza bruta, algo magistralmente expresso na Floresta da Tijuca e nos maciços de pedra que abraçam o concreto.

Os Caerns urbanos (talvez ocultos nas profundezas do Maciço da Tijuca ou nas isoladas Ilhas Cagarras) sentem a reverberação do megaevento como um soco no estômago.

A absurda poluição sonora e luminosa, somada à colossal pegada de carbono do show, envenena as linhas de ley locais. Para os Theurges da seita, a sensação é mecânica e punitiva. O poder de cura e proteção do Caern enfraquece temporariamente, forçando os místicos a gastarem Gnose em ritos massivos de contenção apenas para manter a corrupção afastada.

É um momento de vulnerabilidade tática máxima. Se a Wyrm quisesse coordenar um ataque direto a um Caern carioca, a noite do show da Shakira seria o momento exato.

Como os Garous enxergam o evento?

Para a nação Garou, o evento é um paradoxo existencial profundo que beira a insanidade. O Filósofo em mim vê a angústia neles de forma cristalina.

Por um lado, há a repulsa absoluta. O cheiro acre de suor misturado com plástico derretido, fumaça de vape e urina na areia; a visão aterrorizante da Weaver controlando a percepção da humanidade através de telas retangulares; e a Wyrm, rindo por último, lucrando com as toneladas de lixo inorgânico deixado para trás.

Por outro lado… ah, o outro lado. Quando a batida sobe e milhões de pessoas pulam em uníssono, sentindo o baixo vibrar na caixa torácica, há um lampejo autêntico da Wyld. Há vida. Tem paixão.

Existe uma humanidade alienada que, bem no fundo da sua biologia, ainda pulsa e secretamente anseia pela conexão com o primal. Mesmo que só consigam expressar isso através de uma música pop sobre uma “Loba” ecoando em uma cidade de puro concreto.

É o tipo de reflexão existencial agridoce que pode fazer o mais sanguinário dos Ahroun hesitar por um segundo antes de desembainhar suas garras. Ou que pode dar a um Galliard a inspiração trágica para o seu uivo mais belo daquela noite. No fim das contas, a humanidade está dançando de olhos vendados na beira do abismo.

E cabe aos jogadores, através de seus Garou, decidir o impossível. Eles vão tentar cortar a música abruptamente e lidar com o pânico, ou vão usar o ritmo frenético da batida para guiar suas presas até a garganta dos verdadeiros monstros entocados no camarote VIP?


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Escuta de Vigilância – Um Conto de Night’s Black Agents

O conto “Escuta de Vigilância”, escrito por Túlio Carneiro, se passa no universo do Night’s Black Agents, da Editora New Order.

Este conto retrata um dia de RPG de Night’s Black Agents através da transcrição de diálogos e eventos recuperados da Escuta de Vigilância. Mas parece que algo sai do controle. O que poderia dar errado depois do pôr do sol?

Escuta de Vigilância

Episódio 01 – Pneu Furado

(Som de Telefone tocando)

(Sons de trânsito e buzinas ao fundo)

Carla atende o celular tocando, pela tela do carro, ao mesmo tempo que presta atenção ao trânsito. Sons de trânsito e buzinas ao fundo do ambiente a irritam levemente.

Carla: “Oi pessoal, tô quase chegando. Sei que ficamos de jogar nossa primeira sessão de NIGHT’S BLACK AGENTS, o RPG, hoje. Calma.”

A voz adolescente do outro lado parece ansiosa.

Mine: “Ó, mãe é que já passou do pôr do Sol. Você precisa chegar antes que escureça.”

Carla: “Tá bem filha, tô quase lá. Finalmente na rua de casa…”

O som súbito de algo estourando interrompe o diálogo entre mãe e filha.

Mine: “Eita, mãe, que foi isso?”

Carla: “Acho que um pneu furou aqui… Espera. Vou estacionar e olhar.”

Mine: “Pai, mamãe disse que vai atrasar, parece que um pneu furou.”

Uma voz masculina entra pela linha de conexão.

Túlio: “Pneu furado? Ela já está na rua de casa?”

A adolescente responde:

Mine: “Sim, e agora já são 18h10. Antes que você pergunte, o sol se pôs há uns 6 minutos.”

A voz masculina controla alguma ansiedade, Carla percebe a leve preocupação, mas espera que a filha não perceba.

Túlio: “Deixa falar com ela, filha. Carla, tá tudo bem aí?”

Carla: “Quase. Teve um estouro aqui, achei que fosse o pneu. Estou estacionando o carro pra olhar…”

Um leve tom de urgência no viva voz, agora.

Túlio: Amor, tem mais alguém aí? Não esqueça de olhar o porta luvas.”

Carla suspira, ele não vai se acalmar até ela fazer o que ele pede.

Carla: “Tá bom… Estou vendo aqui o porta luvas… Aí, espera, não!”

Um barulho de porta abrindo e fechando, e em seguida, sons de passos e corrida ecoam no lado do celular da ligação.

Túlio sobe a voz um pouco. Quase dá para ouvir uma fria camada de suor se desenvolvendo na nuca dele.

Túlio: “Carla? Carla? Você tá ai? Ó, já estou indo. Aguenta aí.”

A voz de Mine também se altera um pouco.

Mine: “Pai, tá tudo bem com a mamãe?”

O pai responde.

Túlio: “Sim, filha. O pneu furou, mas ela está aqui, na rua de casa. Vou lá ajudar. Eu vou te deixar na casa do vizinho aqui embaixo, e avisar sua irmã que estamos saindo. Vou só deixar aqui um bilhete.”

Túlio: “Nani, filha, tá estudando, né? Ó, estou saindo pra pegar a mamãe, que furou o pneu. Tô deixando aqui um bilhete.”

A filha mais velha responde, do quarto.

Nani: “Certo, daqui a pouco termino de estudar, vou tomar banho. Beijo e tchau.”

Um barulho rápido de uma caixa e um livro na mesa de vidro da sala.

Mine: “Pronto, pai. Mas que caixa preta é essa aí? E esse bilhete?” Mine  está com uma voz algo desconfiada e desconfortável.

Túlio: “São pra Nani, se a gente demorar. Vamos. São 18h13, agora.”

(Som de porta batendo)

Episódio 02 – Papai?

Nani: Ufa, já tem uns 40 minutos que o pessoal saiu, e já terminei este tópico. Vou parar os estudos por hoje.”

(Batidas na porta)

Nani: Hum? Já vou. Quem é?”

Túlio: “Sou eu, filha. Abre a porta. Esqueci a chave.”

Nani: “Ah, sim. Já abro.”

(Som de porta abrindo)

Nani: “Pronto. Ué. Por que está aí parado?”

Túlio: “Me convida pra entrar, oras.”

Nani: Hum? Te convidar? Pera. Agora que vi seu bilhete aqui. Deixa ver.”

(Barulho de papel abrindo)

Nani está lendo o bilhete em voz alta.

“Nani,

Primeiro: NÃO abra a porta pra ninguém.

Segundo: NÃO convide ninguém pra entrar.

ESPECIALMENTE se for PARECIDO COMIGO.

Terceiro: Qualquer coisa liga… QUALQUER COISA.”

Nani: “Eita!”

(Falso) Túlio: “Ei, não me convida pra entrar?”

Nani: Pai, cadê seus óculos? Pera, acho que você não é o papi…”

Episódio 03 – Não Convide Ninguém para Entrar

Nani: “Cadê meu telefone? Ah, tá aqui. E você, fica aí fora.”

(Barulho de telefone tocando)

Túlio ao telefone: “Oi, filha. O que foi? Tô meio ocupado com a mamãe.”

Nani: “Pai, tem um cara que parece com você, até a voz, aqui na porta de casa.”

Túlio: “Você viu meu bilhete? Não abrir a porta pra ninguém. NÃO convide ninguém pra entrar. Aí, droga!”

Nani: “Mas ate a voz era igual!”

Carla: “Tá tudo bem com a Nani?”

Túlio: “Vai ficar. Filha, faça o que fizer, NÃO convide ele, nem ninguém pra entrar. Tá vendo a caixa preta, e o livro do NIGHT ‘S BLACK AGENTS, na mesa de vidro? Abra, e leia o verso do bilhete. Te amamos. Preciso ajudar a mamãe agora . Daqui a pouco te (hunf!) ligo (aí, aí ,aí) de volta.”

(Sons de luta, murros e socos) – TELEFONE DESLIGA

Nani: “Opa, vi a caixa preta. Abrindo, mas o que é isso? Crucifixo? Correntinha de prata? E um frasco com água? Tem um rótulo aqui. Água… BENTA?”

“E você aí fora, NADA de entrar! Não te convidei!”

(Sons de bufadas e grunhidos)

Nani: “O verso do bilhete. O que diz aqui?”

Nani relatando: 

“Nani, Se você está lendo isso, algo que eu não queria aconteceu.

Segure a Cruz, e não a largue, até voltarmos. A Cruz vai brilhar, não se assuste. Talvez emita um zumbido.

A coisa na porta não sou eu. Nem sua mãe.

Pegue agora a correntinha de prata, e coloque ao redor do pescoço.

Finalmente, pegue a garrafa de água benta e NÃO jogue de vez na coisa. Apenas aspergir algumas gotas, várias vezes. Mantenha a cruz a sua frente.

Repita, até voltarmos. ”

Nani: “Certo, agora, vamos pra cima. Ué, cadê ele? Foi embora?”

Carla: “Oi, filha sou eu. Seu pai já vem. Tá estacionando o carro lá embaixo.”

Nani: “Ah, é? Bom, minha Cruz continua brilhando. Vou até te mostrar. VEJA!”

(Falsa) Carla: Não! Tira essa coisa da minha frente! AAAAHHH NÃO!”

Nani: “TÁ COM SEDE? TOMA ÁGUA!”

(Sons de Água fervendo ou efervescente)

Nani: “Ufa, agora foi! E acho que foi de vez. Mas tem mais alguém vindo. Pai? Mãe? São vocês?”

Carla: “Oi filha, somos nós. Papai levou uma mordida aqui, apareceu um cachorrão na hora que ele foi me ajudar a trocar o pneu. Dá um pouco dessa água pra lavar aqui.”

Túlio: “Oi, filha. Ah, obrigado.”

Nani: “Bom, vejo que vocês não se incomodam com água benta. Pai, acho que agora sei porque você queria tanto iniciar o RPG de NIGHT ‘S BLACK AGENTS…”

Carla: Eu eu concordo com a Nani. Aliás, quero saber muito mais dessa estória…”

Túlio: “Bem, lembram que eu tava super afim de uma aventura de NIGHT’S BLACK AGENTS?”

“Era pra agradar a mamãe, que gosta de intriga e espionagem, mas também Mine, que gosta de terror…”

Na sequência, o recrutamento das agentes Nani e Carla continua indo bem.

EPÍLOGO: Veículo da Família Alvo

(Sons de tráfego, buzinas, crianças)

Nani: “Oi Mine, hoje eu que vim te buscar, estreando aqui a carteira de motorista. Bora!”

Mine: “Legal, minha irmã de Uber. Irmãtorista. Irmãuber!”

Nani: “Engraçadinha! Mas como foi a aula?”

Mine: “Ih, Super legal. Hoje. Treinando pra apresentação de ballet. Eita, cuidado com cão!”

(Sons de freada e batida)

Mine: “Aí, tadinho! Acho que a acertamos ele! Vou descer pra olhar.”

Nani: “Calma, Mine. O Sol já se pôs. NÃO abre a porta. Abre o porta luvas. Pega o que tem numa caixa preta.”

Mine: “Hum? Uma… Cruz? E… tá brilhando, e vibrando! Ei, o cachorrão se levantou!”

Nani: “Deixa comigo, Mine. Fica no carro…”


FIM da transcrição dos Áudios de vigilância. Recrutamento de agente Nani parece ter sido concluído com sucesso para Night’s Black Agent.

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Escuta de Vigilância

Texto: Túlio Carneiro.
Revisão: 
Raquel Naiane.


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Re-Animator: A Hora dos Mortos-Vivos – Quimera de Aventuras

Saudações Rpgistas e apreciadores do horror e do terror! Como vocês estão? Puxem uma cadeira, sirvam-se de um café forte (ou talvez algo com uma tonalidade verde fluorescente, se tiverem coragem) e vamos filosofar um pouco.

Como filósofo e profissional da área da saúde, a relação entre o corpo, a mente e o inevitável fim da vida é um tema que sempre me fascina. E quando misturamos isso com a minha veia irremediavelmente nerd, acabamos esbarrando em obras que desafiam a moralidade através do horror.

É por isso que, na nossa Quimera de Aventuras de hoje, decidi trazer um clássico absoluto do cinema gore e da ficção científica macabra: Re-Animator, a subversão sangrenta e genial de H.P. Lovecraft.

Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos

Quando nós, fãs do horror e ávidos jogadores de RPG, pensamos na obra de H.P. Lovecraft, a primeira imagem que nos assalta a mente é, quase invariavelmente, a do horror cósmico.

Pensamos no existencialismo niilista, no medo paralisante do incomensurável, em tentáculos ciclópicos e na nossa completa insignificância diante de deuses ancestrais adormecidos.

Porém, na minha leitura filosófica da bibliografia do autor, o conto Herbert West–Reanimator — e, de forma ainda mais brilhante, a adaptação cinematográfica de 1985 dirigida por Stuart Gordon — foge drasticamente dessa curva. A obra abandona o horror etéreo e psicológico para mergulhar de cabeça nas entranhas do splatterpunk e de um humor negro tão espesso quanto o sangue cenográfico espalhado pelo set.

Marco do Cinema

Como profissional da área da saúde e filósofo, eu costumo analisar o corpo humano como um repositório sagrado da nossa história e vivência; um todo integrado onde mente, emoção e matéria coexistem. Stuart Gordon, através do brilhante (e sociopata) Herbert West, subverte exatamente isso de forma grotesca.

A obra é um marco absoluto do cinema de horror da década de 80 porque, diferente da loucura passiva e introspectiva comum ao Mito de Cthulhu, Re-Animator é visceral, físico e tátil. O filme lida com a carne crua, com o suor da sala de cirurgia e, principalmente, com a total obliteração dos limites éticos.

Vejo no protagonista a personificação perfeita da hybris grega — a arrogância desmedida do homem que, embriagado pelo próprio intelecto, tenta usurpar o papel da natureza e derrotar a inevitabilidade da morte não por altruísmo, mas por puro narcisismo acadêmico.

Trazendo isso para as nossas mesas, é o mesmo dilema moral que enfrentamos em Vampiro: A Máscara ao analisar o horror do clã Tzimisce, que molda osso e carne como argila sob a justificativa de uma “evolução” corrompida, ou a arrogância fria dos Progenitores em Mago: A Ascensão.

Por trás de seus banhos de sangue prático maravilhosos e tripas animatrônicas, Re-Animator nos força a encarar o lado mais sombrio do dualismo cartesiano: se a ciência consegue religar a “máquina” orgânica através de um reagente verde fluorescente, mas falha miseravelmente em trazer de volta a razão, a empatia ou a “alma”, o que sobra?

O que retorna da morte é apenas a dor, o instinto primitivo e a fúria. E é aí que reside a genialidade do filme: ele nos prova que a arrogância científica humana, quando opera em um vácuo moral, consegue gerar abominações muito mais assustadoras do que qualquer entidade cósmica hibernando em R’lyeh.

Ficha Técnica

Sinopse

A trama acompanha Herbert West, um estudante de medicina brilhante, arrogante e socialmente inábil, que se transfere para a Universidade Miskatonic (um clássico cenário lovecraftiano). West desenvolveu um reagente químico verde luminescente capaz de reanimar tecidos mortos. Ele aluga um quarto na casa do colega Dan Cain e, aos poucos, o arrasta para sua espiral de experimentos antiéticos no porão.

O problema é que os mortos trazidos de volta à vida pelo reagente não retornam como eram; eles voltam em um estado de fúria primitiva, violenta e incontrolável. A situação sai completamente do controle quando o Dr. Carl Hill, um professor rival com suas próprias intenções sinistras, tenta roubar a invenção de West.

Opinião Pessoal e Crítica: A Ética, a Carne e o Vazio Existencial

Na minha análise, Re-Animator transpõe a mera barreira do gore festivo para se consolidar como um ensaio filosófico brutal sobre a hybris – a desmedida, o orgulho extremo que, na tragédia grega, inevitavelmente arrasta o mortal para a própria ruína.

Como jogador e filósofo, quando olho para a figura pálida e obstinada de Herbert West, eu não vejo apenas um clichê do “cientista louco”. Eu enxergo o eco sombrio de um existencialismo distorcido e de um niilismo científico aterrador. West não quer curar doenças, aliviar o sofrimento humano ou elevar a nossa espécie; ele quer derrotar a Morte pura e simplesmente para provar que o seu intelecto é ontologicamente superior a ela.

Ele quer usurpar o trono do Criador, não pela benevolência prometeica de trazer o fogo aos homens, mas pelo fetiche absoluto do controle.

Isso me remete profundamente à dualidade moral que encontramos na construção de antagonistas na cultura pop que tanto consumo. Se pegarmos o Senhor Frio (Mr. Freeze) no universo do Batman, vemos um homem cuja ciência rompe barreiras naturais, mas que é inteiramente motivada pela tragédia e pelo afeto (a obsessão desesperada em salvar sua amada Nora).

West, por outro lado, não tem uma Nora. A amoralidade dele o aproxima muito mais de figuras como o Professor Hojo, de Final Fantasy VII. Assim como Hojo manipula as células de Jenova e destrói vidas em nome da pura curiosidade empírica, a motivação de West é o triunfo mecanicista sobre o existencial e o fisiológico.

No RPG

Trazendo essa reflexão para as nossas mesas de RPG, West é a personificação do pesadelo tecnocrático em Mago: A Ascensão. Ele atua como um membro da convenção dos Progenitores que, cego pelo próprio Paradigma, entrou em Queda e se tornou um Nefando confinado em um porão sujo, corrompendo a vida em vez de cultivá-la.

É uma audácia tão profana que ofenderia até mesmo a frieza dos necromantes Hecata ou as bizarrices dos modeladores de carne Tzimisce em Vampiro: A Máscara, pois a abominação de West carece de qualquer misticismo; é a carne reduzida a mero hardware defeituoso.

Enquanto terapeuta, eu trabalho diariamente com a concepção, muito alinhada ao monismo de Spinoza e à fenomenologia de Merleau-Ponty, de que o corpo não é apenas um “veículo”, mas sim algo que guarda a nossa história, nossos traumas e a nossa essência. Nós somos o nosso corpo. O verdadeiro horror de Re-Animator reside justamente na profanação absoluta dessa essência.

O reagente verde-fluorescente de West conserta a “máquina” e a força a funcionar, rompendo com o clássico dualismo cartesiano. Ele traz o corpo biológico de volta, mas a “alma” — ou a razão, o afeto, a senciência empática — se perdeu no abismo. O que retorna ao mundo dos vivos é apenas a fúria irracional, o instinto primitivo e a dor crua.

Flerte com a bioética

Confira mais no Podcast Fábrica de Horrores

É um flerte maravilhoso, sádico e grotesco com os limites da bioética. No fim das contas, enquanto rolam os créditos e limpamos o sangue da tela, o filme nos confronta com uma das perguntas mais assustadoras que a ficção científica pode nos fazer: até que ponto a mera continuidade da vida biológica tem algum valor, se for completamente esvaziada de sua humanidade?

Recentemente estive no Podcast Fábrica de Horrores, onde junto com o Davi Cardoso analisamos e debatemos muitos pontos sobre essa obra! Que tal passar por lá e acompanhar essa conversa? Confira mais AQUI.

Quimera de Aventuras

Nesta sessão a obra entra na Quimera e colocamos algumas ideias de uso para aventuras de RPG. Entretanto fique ciente que para isto, teremos que dar alguns spoilers da obra. Leia por sua conta e risco.

Agora, vamos ao que interessa aos nossos dados e fichas! Como transformar o reagente verde e a arrogância de Herbert West em combustível para as nossas mesas de RPG? Eis a minha visão de como aplicar essa obra em diferentes temáticas:

1. Mundo das Trevas (Horror Pessoal)

Esse é, indiscutivelmente, o território natural do filme. Como jogador e filósofo, sempre defendo que no Mundo das Trevas o horror nunca é apenas um banho de sangue; ele é profundamente existencial e ontológico.

Mago: A Ascensão

Se você narra Mago: A Ascensão, Herbert West não é um mero vilão da semana. Ele é o arquétipo perfeito de um Tecnocrata da convenção dos Progenitores que foi consumido pela própria hybris. Imagine um cientista que, embriagado pela arrogância do seu Paradigma, entrou em Queda e se tornou um Nefando distorcido, ou um Desperto completamente insano operando à margem do Consenso em um laboratório clandestino e fétido.

Para esse Mago, o corpo humano é apenas uma equação orgânica imperfeita, e a morte, um “bug” no sistema biológico que precisa ser extirpado. É a biopolítica levada ao extremo do horror: a vida reduzida a um mero mecanismo. O que ele cria com seu reagente se assemelha aos Heartless que enfrentamos incansavelmente na franquia Kingdom Hearts — cascas corrompidas e desprovidas de qualquer centelha de “coração” ou alma humana —, mas recriados de forma crua, dissecados sob a luz fria e fluorescente de um necrotério. Uma biologia movida puramente pela entropia e pelo instinto destrutivo.

Vampiro: A Máscara

Já em Vampiro: A Máscara, as implicações narrativas de Re-Animator são de gelar o sangue de qualquer imortal. Pense na genialidade macabra de um Antigo do clã Tzimisce, que através da Disciplina de Vicissitude encara a carne e o osso não como limites sagrados, mas como argila profana a ser moldada em busca de uma “evolução” alienígena. Ou ainda, aplique a obsessão metodológica dos Hecata (ou dos eruditos Capadócios) em dissecar o exato limiar que separa o suspiro da morte do rigor mortis.

Para estruturar a sua crônica, a premissa é ouro puro: os jogadores da sua coterie são incumbidos pelo Príncipe de investigar uma série de desaparecimentos incômodos em hospitais universitários locais. O que eles descobrem no porão da faculdade de medicina é muito pior do que uma simples quebra das Tradições arquitetada por um bando Sabbat descuidado.

Eles encontram um mortal comum — ou quem sabe um carniçal obcecado que perdeu o vínculo com seu domitor — brincando de Deus. O verdadeiro terror para um Cainita nessa trama é o espelho distorcido que West representa: a criatura que ele faz levantar da mesa de cirurgia não é um zumbi clássico amarrado pelos ritos da Necromancia, nem um infeliz que recebeu o Abraço. É uma abominação que zomba do próprio conceito de não-vida. É a prova aterradora de que a humanidade, em seu desespero e genialidade doentia, é capaz de conjurar monstros que fazem até mesmo o predador alfa da noite recuar nas sombras.

2. Fantasia Medieval

Vamos despir Herbert West de seu jaleco branco manchado da Universidade de Miskatonic e vesti-lo com as túnicas encardidas de uma Academia Arcana, ou talvez com o avental de couro de um boticário clandestino.

Quando transportamos a premissa de Re-Animator para a fantasia medieval clássica, esbarramos em um debate metafísico fascinante que, como filósofo, eu adoro explorar em mesa: a diferença abismal entre o milagre e a anomalia.

Dungeons & Dragons

Em cenários de Alta Fantasia, como Dungeons & Dragons, a ressurreição é um fato conhecido. Clérigos canalizam a vontade divina para trazer uma alma de volta ao seu receptáculo de carne. Mas o que acontece quando a ciência arcana tenta “hackear” esse monopólio dos deuses? O nosso West medieval não é um necromante tradicional – aqueles vilões de capa preta que conjuram esqueletos descerebrados a serviço de um mestre.

Ele é um Artífice ou um Mago Transmutador genial, um iluminista distorcido que enxerga o corpo biológico como uma engrenagem que pode ser religada à força, sem pedir permissão a Kelemvor ou à Rainha dos Corvos. Ele ignora o consentimento da alma. O resultado é o equivalente medieval do Poço de Lázaro, do universo do Batman: a carne retorna, mas a mente volta fraturada, consumida por uma fúria instintiva e bestial, lembrando muito o trágico retorno de Jason Todd, porém desprovido de qualquer resquício de humanidade.

Tormenta20

Se formos para a fantasia nacional de Tormenta20, podemos situar esse horror em Valkaria. West seria um Alquimista devoto (ou um herege excomungado) de Wynna ou Tenebra, que sintetizou uma poção alquímica necrótica de coloração verde-musgo. A aventura pode começar com o grupo investigando algo trivial, como profanadores de túmulos no cemitério local, apenas para descobrir o laboratório desse acadêmico arrogante. Na cabeça dele, ele não está cometendo um crime profano; ele acredita piamente estar liderando “a revolução médica do século”, democratizando a vitória sobre a morte para aqueles que não têm o favor (ou o ouro) dos sumo-sacerdotes.

OSR

Contudo, se a sua mesa pende para o OSR, jogando sistemas mais letais, sujos e low fantasy como Old Dragon ou explorando os rincões obscuros do Ducado Veroda, o horror ganha contornos muito mais viscerais. Nesses cenários, a magia é escassa, perigosa e cobra um preço terrível.

O reanimador não está em uma torre de marfim, mas no porão lamacento de um vilarejo assolado por uma praga, misturando fluidos espinhais e ervas apodrecidas à luz de velas parcas. A criatura que ele desperta na mesa de cirurgia não é apenas um “monstro para dar XP”, mas um pesadelo tátil de carne retalhada que urra em agonia existencial.

E aqui entra a verdadeira quimera filosófica para os jogadores: o dilema moral. O grupo derrota o acadêmico louco, mas a poção verde brilha intacta no frasco. E se essa alquimia herege for a única chance fisiológica de curar ou trazer de volta um NPC vital para a campanha, ou até mesmo um Patrono amado pelos personagens?

A moralidade dos heróis é posta à prova: até que ponto eles estão dispostos a arriscar a ordem natural das coisas, sabendo que podem estar condenando a essência daquele que amam a uma prisão de instinto e dor apenas para não terem que lidar com o luto? É quando a fantasia deixa de ser apenas rolar dados e matar orcs, e passa a exigir que olhemos para o abismo da nossa própria hybris.

3. Sci-Fi / Cyberpunk

Quando mudamos a lente para a ficção científica e o cyberpunk, o horror de Re-Animator ganha contornos de transumanismo, biopolítica e de um debate existencial profundo. O reagente verde luminescente deixa de ser uma alquimia bizarra e se torna nanotecnologia de ponta militarizada.

Kuro

Em sistemas como Kuro, onde o peso inexorável do horror japonês colide com o avanço tecnológico opressor, ou nos becos de neon sujo de Cyberpunk RED, eu gosto de imaginar o nosso “Reanimador” como um ex-pesquisador corporativo de alto escalão — alguém nos moldes do que vemos na literatura de Neuromancer, de William Gibson, que sacrificou qualquer resquício de bússola moral no altar do progresso corporativo.

Nesse cenário mecanicista, o reagente é um fluido sintético de neuromodulação agressiva. Ele força a reativação das sinapses mortas e do hardware cibernético acoplado ao corpo, mas ao custo irreparável de fritar o córtex pré-frontal (justamente a área do nosso cérebro que regula os freios morais, o controle de impulsos e a nossa sociabilidade).

O resultado? Uma carne mecânica operante, mas desprovida do que poderíamos chamar de “Fantasma” ou “Alma”. Os jogadores entram como mercenários descartáveis, contratados por uma Megacorporação (como a Arasaka) para recuperar a propriedade intelectual roubada. Contudo, ao invadirem o laboratório clandestino nas entranhas fétidas de Neo-Tokyo ou Night City, o que seria uma missão de extração corporativa vira survival horror puro contra cobaias humanas ciberneticamente mutiladas e presas em um frenesi primitivo.

Shadowrun

Mas a reflexão filosófica fica ainda mais densa, sombria e fascinante se transportarmos esse laboratório para o Sexto Mundo de Shadowrun.

Eu acho a premissa de Shadowrun brilhante porque ela obriga a magia a coexistir com o cromo, e o conceito de “Essência” (a medida literal da integridade da alma humana frente às suas modificações mecânicas) é o pilar dessa realidade. Em Shadowrun, o nosso Herbert West poderia ser um Mago Hermético insano, financiado por recursos obscuros da Renraku ou da Aztechnology, trabalhando na intersecção letal entre nanotecnologia experimental e necromancia corporativa.

O horror metafísico atinge seu ápice aqui: ele não está apenas reanimando matéria inerte. Ele está forçando um espírito fraturado a habitar um corpo cuja Essência já despencou a zero.

Ele está criando, nos esgotos de Seattle, uma versão profana, barata e incontrolável dos temidos Cyber-Zumbis. Quando a equipe de runners invade o complexo, eles não enfrentam apenas uma falha genética ou um drogado em cyberpsicose. Eles encaram uma abominação existencial: um amálgama grotesco de magia corrompida, carne putrefata e aço, berrando em agonia porque o seu espírito foi arrancado à força do plano astral e acorrentado a um cadáver. É a arrogância humana e corporativa profanando não apenas o corpo físico, mas a própria metafísica do universo.

4. Super-Heróis

Seja em um cenário sombrio e opressivo focado na DC ou Marvel, ou nas cores vibrantes de um mundo com estética de anime, a premissa de Re-Animator é o laboratório perfeito para testar não apenas a força, mas a ética dos personagens.

Mutantes & Malfeitores

Em Mutantes & Malfeitores, essa narrativa serve como uma luva para um arco focado no nível “heróis de rua”, resgatando aquela atmosfera pesada e niilista que amamos nas HQs clássicas do Demolidor de Frank Miller ou do Batman. O que mais me atrai nessa abordagem é o dilema moral iminente: a maioria dos vigilantes urbanos possui um código estrito contra tirar vidas. Mas como o imperativo categórico kantiano de um herói se sustenta quando o oponente já está clinicamente morto?

O vilão aqui não tem superpoderes inerentes, raios cósmicos ou armaduras bilionárias; sua arma é o intelecto genial desprovido de qualquer amarra empática — pense em uma mistura do Professor Hugo Strange com a obsessão genética do Chacal (aquele que infernizou o Homem-Aranha na Saga do Clone).

Os heróis começam a enfrentar capangas do submundo que simplesmente não caem. Eles têm os ossos estilhaçados, ignoram a dor e, mesmo mutilados, continuam atacando com uma força animalesca aterradora. O clímax exige uma invasão claustrofóbica a um necrotério da cidade — talvez nas entranhas de uma instituição análoga ao Asilo Arkham —, onde os heróis precisam impedir o cientista de injetar o reagente em si mesmo ou, para o horror completo, nos heróis caídos e cidadãos inocentes da enfermaria.

3DeT Victory

Por outro lado, se a sua mesa roda o 3DeT Victory, abraçando a ação frenética e os tropos clássicos dos mangás e animes, o nosso Herbert West ganha a aura daqueles cientistas sociopatas maravilhosamente detestáveis. Ele assume o papel de um arquiteto do caos biológico, lembrando muito as atrocidades do Professor Hojo em Final Fantasy VII ou a genialidade doentia do Doutor Garaki de Boku no Hero Academia. Em termos de regras e mecânicas, o reagente verde se torna um buff assustador: capangas genéricos (“bucha de canhão”) recebem repentinamente vantagens como Imortal ou Morto-Vivo.

Eles passam a ignorar dano e testes de morte convencionais, forçando os heróis a pensarem estrategicamente. Não basta usar aquele super golpe especial que destrói quarteirões; é preciso incapacitar, desmembrar ou criar uma cura para neutralizar a toxina. O conflito obriga o grupo a repensar a própria violência.

Como um esquadrão de heróis coloridos lida com uma horda de carne ensandecida que não sente medo, não recua perante o poder da amizade e desafia as leis fundamentais da vida? É a ciência sádica testando o limite do heroísmo.


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Texto e capa: Eduardo Filhote.
Revisão: Raquel Naiane.

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