Auspícios – Disciplinas de Vampiro: A Máscara

O poder de conhecer, saber e descobrir. Provavelmente a mais significativa disciplina mental do jogo e uma das minhas favoritas. Uma disciplina que une clãs tão distintos quanto Toreador, Malkavian e Tremere. Vamos falar um pouco de Auspícios.

Background

Na verdade, Salubri, Hecata e até Tzimisce (pré V5) também tinham acesso a essa disciplina. “Não há conhecimento que não é poder”, já dizia Ralph Waldo Emerson (mas eu sei que vocês só lembram dessa frase por causa do Mortal Kombat).

A palavra Auspício (ou, no original, Auspex) vem da antiga Roma, onde os sacerdotes conhecidos como Áugures observavam o movimento dos pássaros na tentativa de interpretar os desígnios dos deuses. Muito do conhecimento sobre os ciclos da natureza que permitiram o florescimento da civilização estava misturado com as religiões e crenças da antiguidade.

Dessa forma, vampiros que se aprofundam nessa disciplina são o tipo que pensa antes de agir, que tenta acumular conhecimento e tomar decisões embasadas em informações. Mesmo os Malkavianos, que levam a fama de serem loucos e imprevisíveis, normalmente são muito mais metódicos e racionais do que se fazem parecer.

Um poço de racionalidade.

Poderes (V5)

Em termos de regras, vamos falar sobre a edição mais recente. Muita coisa mudou na forma como o sistema aborda as disciplinas. Praticamente todas têm opções diferentes de poderes nos vários níveis. Várias disciplinas foram combinadas, alguns poderes exclusivos de clã foram incorporados em outras disciplinas e por aí vai. Vamos ver então como ficou Auspícios.

Como o jogo ainda não foi lançado oficialmente em português, os nomes dos poderes estão em inglês.

Nível 1

Uma diferença fundamental das edições antigas aparece já de cara: Vampiros com Auspícios não são mais naturalmente capazes de ver vampiros ofuscados. Para fazer isso, é necessário optar pelo poder Sense the Unseen (que também dá a possibilidade de enxergar fantasmas e outros seres sobrenaturais). Alternativamente, o poder padrão das edições anteriores, de amplificar os próprios sentidos, está disponível com o nome de Heightened Senses.

Nível 2

O nível 2 traz dois poderes que foram incorporados de outras disciplinas, uma tendência do V5: Premonition traz o antigo poder de Demência nível 3, Olhos do Caos, que permite receber algum insight do Narrador em forma de visões. Um dos meus poderes favoritos como mestre e como jogador.

Outro poder disponível no Companion é Obeah, antes uma disciplina inteira exclusiva do clã Salubri, agora permite curar dano de Willpower em outros vampiros.

“Mas e o poder de ver auras?!”, você deve estar se perguntando. “Era o poder mais clássico de Auspícios na minha época!” Ele foi empurrado para o próximo nível.

Nível 3

Scry the Soul está aqui, com uma descrição um pouco mais clara, mas sem aquela clássica tabela com as cores das auras correspondentes. Uma opção curiosa e muito interessante nesse nível é Share the Senses, que permite projetar a consciência para dentro de outra pessoa e ver/ouvir/sentir/cheirar o mundo através dos sentidos dela, podendo inclusive ser usado à distância (se o alvo tiver um pouco do sangue do vampiro no organismo dela).

“Eu uso Enxergar a Alma. O que eu vejo?”
“Peraí, vou só consultar uma tabelinha aqui bem rápido.”

Nível 4

Spirit’s Touch, outro poder clássico dos Auspícios das antigas, mudou de nível (Parece que alguém estava achando a disciplina muito quebrada. Conhecimento é mesmo poder, então). Este poder permite “ler” um objeto para saber quem o manipulou por último, impressões emocionais e uma variedade de outras informações.

Nível 5

Auspícios tem nada menos que QUATRO opções nesse nível até o momento. Clairvoyance permite ao vampiro estender seus sentidos por uma região inteira, uma alternativa mais rápida e menos versátil para coletar informação do que a antiga Projeção Astral. Possession traz o antigo poder de Dominação de invadir o corpo de um mortal e agir como se fosse ele. Telepathy é, basicamente, o antigo poder de nível 4 de ler pensamentos e se comunicar através da mente. O suplemento Companion também traz para os Salubri o poder Unburdening the Bestial Soul, que permite remover ou prevenir Stains em um alvo, diminuindo brutalmente as chances de degeneração, podendo até restaurar a Humanidade em um sucesso crítico (e, em termos de roleplay, seria muuuuuito legal ver um Messy Critical nesse teste).

“O lance é que com Auspícios eu posso olhar dentro da sua alma, man.”

Por fim

As disciplinas em Vampiro dependem muito da criatividade do usuário para serem realmente eficientes. Citamos aqui alguns dos usos mais comuns, mas fique à vontade para comentar abaixo os usos criativos que você já tenha feito ou presenciado. E veja também nossa campanha de Kult no YouTube.

Bom jogo a todos!

Égide da Tempestade – Parte 1 – Contos de Thull Zandull

Parte da saga dos Orcs em Sangue e Glória foi encerrada.  E agora damos início, e ao mesmo tempo continuidade a batalha contra aos déspotas de Fé Diáfana,  que em nome do poder e ganância ceifam a vida de centenas de inocentes, espalhando sua ignorância. Apresentamos Dargon, “O redimido”, um minotauro tentando manter a paz e ordem no seu batalhão da Fé Diáfana. Fique agora com Égide da Tempestade – Parte 1.

Égide da Tempestade – Parte 1

Legião Argêntea

Os odores vindos do mar e a efervescência da fortaleza de Rochedo Alto eram típicas do cotidiano encontrado pela décima quarta legião argêntea localizada no continente de Dalmacia. Setenta anos antes, os bardos cantavam a bravura das tropas que haviam finalmente conquistado a parte sul do continente, na decisiva batalha que teria seu ápice na conquista daquele forte estrategicamente construído no cume do monte rochoso que terminava abruptamente em um majestoso penhasco. 

A façanha garantiu que o Conselho regente desta terra se rendesse à Fé Argêntea. Tornando aquelas ricas terras em mais um dos reinos vassalos do Império. Dias gloriosos em que os questionamentos ao poder ferrenho do Pontífice eram punidos sumariamente. Infelizmente não havia mais canções em homenagem aos legionários da Fé. Havia apenas ele, Dargon, “O redimido”, um simples centurião tentando manter a paz e ordem naquele último bastião das glórias de outrora. 

Dalmacia, assim como outros reinos, havia aderido à revolta contra o Império. Batalhas eclodiram em todos os locais sob a bandeira da Fé Diáfana. Os fortes, as guarnições e todos os nobres que apoiavam a Autarquia, foram executados, assassinados ou simplesmente extirpados de suas posições de poder. 

A raiva contra os dominadores e sua ideologia são impossíveis de serem contidas e agora o grande continente, lar da grande instituição de Fé e influência fora invadida. Reforços mobilizados dos confins do Império eram alocados para evitar a perda da capital. Porém as guarnições sobreviventes em terras distantes restavam apenas esperar. Esperar pela convocação que os levaria a luta em casa ou esperar que fossem destituídos violentamente de suas condições onde estivessem.

O centurião de fé inabalável

Dargon refletia sobre os dias glorioso. Ele, olhando pela janela do topo da principal torre daquela fortaleza. Olhava para as forças que tinha à disposição, exatamente setenta legionários cansados, feridos e com a moral reduzida. Após a última tentativa de tomada da fortaleza, antes comandada pelo tribuno Baltair Alais. O combate que ocorreu há duas semanas ceifou a vida de duzentos soldados, tudo graças a errônea ordem do jovem comandante. 

Dargon havia avisado que as muralhas seriam a principal vantagem em uma guerra de atrito. Tinham acesso ao mar, um acesso protegido que garantiria parcos suprimentos, essenciais e suficientes se usados com parcimônia. Mas infelizmente o centurião percebeu há alguns anos que a eficiência e habilidade eram sempre substituídos pela fé na ideologia Diáfana.

Jovens cegamente devotos, sem experiência de campo, mas provenientes de nobres famílias eram destacados para posições de prestígio, o que culminava no massacre de forças, contra oponentes bem organizados e focados na estratégia e no fervor libertário. 

Baltair havia caído em uma provocação que quase destruiu a todos. Foi nessa batalha que Dargon tornou-se mais proeminente. Todos na décima quarta, respeitavam aquela figura de dois metros de altura, um imponente Minotauro de pelugem marrom, redimido por seus atos bárbaros, filho legítimo das longínquas terras de Zargônes. Um de seus chifres havia sido serrado em seu rito de passagem e seu batismo na Fé Diáfana. Tornou-se um instrumento dos desígnios divinos, mas agora, estava ali, em posição de liderança devido ao vácuo surgido nas fileiras da legião. 

Sua coragem, paciência e inteligência sempre foram usados por seus superiores. Ele sempre mantinha a posição de conselheiro de guerra, mas naquela fatídica batalha, Baltair o havia ignorado, o havia humilhado e colocado na retaguarda. Sem saber, Dargon agradeceu para seu Deus aquela decisão. Pôde com ajuda divina organizar a retirada e posterior resistência dentro da fortaleza. Após, sua intervenção heroica, os demais legionários aceitaram de bom grado sua liderança oficial.

Dargon sabia que a situação era complexa. Não havia respostas a pedidos de suprimentos e reforços. Não haveria condições de manter a posição por mais de dois meses, mesmo com os peixes e frutos do mar obtidos. Um cerco estava sendo preparado e em breve navios impediriam qualquer esperança de sobrevivência para aqueles que ali estavam.

A chegada de Soren Larsen

Tudo mudaria naquela manhã, pois uma grande embarcação fora avistada no horizonte, portava a bandeira da Santa Fé. Em seu interior, o Exarca Soren Larsen trazia uma carta com selo imperial, que continha o seguinte conteúdo: 

“Ao oficial responsável pela fortaleza de Rochedo Alto, é ordenado que recue suas forças para o Norte de nossa sagrada morada, abandonando aos infiéis suas posses conspurcadas. Maldições acompanharão aquilo que for abandonado pela Santa Fé. Os invasores que questionam as verdades divinas devem ser erradicados e portanto, suas forças devem se apressar no apoio às cidades do Norte. Sua meta é juntar-se às forças do Exarca Soren Larsen rumo à cidade de Basil, nosso bastião de resistência e farol luminescente em dias tão escuros”.

O Exarca estranhou a posição ocupada por Dargon, mas o minotauro já havia pagado suas dívidas e estava limpo aos olhos de seu Deus. Dargon agiu de maneira respeitosa e honrou o comando, dando ordens a seus suboficiais para organizarem tudo que era possível para abandonarem a posição, porém antes questionou o Exarca se a grande embarcação fora a única destacada, já que pelos números anteriores, um barco apenas não seria suficiente para recuo de todas as forças. Soren olhou para o Minotauro e disse:

-Fica claro que sua percepção e análise da situação são coerentes. Lembro-me agora de seu nome e sou sincero em dizer a você meu caro centurião que na verdade eu nem esperava encontrar tantos de vocês aqui. Minha meta primária é levar a Basil os recursos e homens para reforçar as linhas, eu mesmo venho de região distante, várias cartas genéricas como essas foram feitas por meu superior, para caso, encontrasse pontos sob nosso controle, resgatasse o que e quem fosse possível. Estamos na mesma situação levemente complicada. Vamos manter a fé, pois creio que seja a única coisa que nos resta.

Dargon observou a maneira sincera como aquele homem explicou toda a situação. Um Exarca como ele, sendo tão honesto para com um centurião significava apenas uma coisa, a Santa Fé realmente estava em um momento crítico. Homens naquela posição tendiam a arrogância e desprezo. Soren Larsen, possuía a experiência de muitos invernos, muitos combates, eram claros os sinais em seus cabelos grisalhos e em suas cicatrizes faciais. Talvez, o sofrimento e distância da terra sagrada tivessem tornado aquele um homem verdadeiramente sábio. Dargon estava apaziguado por retornar sob a liderança daquele símbolo de outrora. Sabia que poderia ser sua última viagem e faria de tudo para honrar seu Deus, sempre vigilante e zeloso.

Continua…


Égide da Tempestade – Parte 1 – Contos de Thull Zandull

Autor: Thull Zandull
Revisão de: Isabel Comarella
Artista de Capa: Bianca Bezerra

Seja um Padrinho do Movimento RPG, e nos ajude a apresentá-lo a outras pessoas. Movimente essa ideia!

Arquétipos e Poderes – Brasil de Heróis #6

Anteriormente em Aretaion – Treine seus poderes – #05, nós vimos exercícios simples de aretaion para treinar a canalização de fisioplasma. São exercícios de concentração que terranqueos (e até mesmo terráqueos) podem fazer para treinar a mente. Claro, no caso dos terranqueos, isso também desenvolve a eficiência de sua arete. Mas você desenvolve seus poderes desse modo. Hoje iremos conversar sobre os poderes, e como aprendê-los a partir dos macro arquétipos.

Aprendendo poderes

Em Terram, todos os terranqueos possuem arete e, por conta disso, o aprendizado de poderes é algo comum desde a infância. Logo as bases do aretaion são ensinadas no jardim da infância. E as crianças já começam a desenvolver seus primeiros poderes às vezes antes mesmo de aprenderem a falar.

Isso ocorre porque poderes – ou, seguindo seu nome técnico, krati (kratos no singular, que significa ‘poder’ em grego) – são usos controlados e personalizados do fisioplasma de modo a se alcançar algum objetivo concreto. Depois de treinar o uso de sua arete com o aretaion, você tenta manifestar fisicamente sua arete com o fisioplasma. E por vezes para se conseguir isso, existem também vários exercícios que podem ser feitos seguindo os macro arquétipos.

Os Macro Arquétipos

Em Terram, existem milhares de cursos, escolas e técnicas para se estudar e desenvolver poderes. Todavia um conjunto de técnicas que permite desenvolver diversos poderes semelhantes costuma ser chamado de Arquétipo. Como, por exemplo, o Arquétipo da Controlador de Fogo. Porém, todos esses arquétipos menores podem ser aproximados com outros mais gerais, chamados de Macro Arquétipos.

Agora imagine que os macro arquétipos funcionam, mais ou menos, como famílias de instrumentos musicais. Existem instrumentos de sopro, de corda, de percussão. Sendo assim em cada uma destas famílias tem técnicas semelhantes, mesmo sendo instrumentos diferentes. Você pode aplicar as técnicas de um instrumento em outro da mesma família, mas dificilmente conseguirá aplicá-las nos de outra. Assim, os instrumentos funcionam como arquétipos, e as famílias de instrumentos são os macro arquétipos.

Através do estudo dos macro arquétipos, uma pessoa aprende a de fato aplicar sua arete no mundo para manipular ou transformar as coisas ao redor. 

Existem 6 macro arquétipos principais:

Atletista 

O grupo de poderes e arquétipos ligados ao melhoramento das capacidades físicas. Não é apenas o melhoramento muscular do indivíduo, mas literalmente a injeção de fisioplasma dentro do corpo ao ponto de aumentar sobrenaturalmente as capacidades.

Mentalista 

O grupo de poderes ligados ao melhoramento, manipulação e transformação da mente, incluindo pensamentos, sentimentos e memórias.

Biomorfista 

Os poderes e arquétipos ligados à manipulação e transformação de matéria orgânica e biológica. Entram neste grupo poderes que controlam formas biológicas (como vegetais), amplificam reações biológicas (melhorando fator de cura de ferimentos e doenças) ou transformação de corpos (emulando, por exemplo, formas animais).

Fenomentista 

Poderes e arquétipos ligados à manipulação e transformação de matéria inorgânica e fenômenos naturais. Entram aqui não só os diversos poderes de manipulação elemental (fogo, ar, água, terra, metal, eletricidade), como também de propriedades naturais (atrito, pressão do ar, magnetismo, gravidade etc.).

Invocatista 

Os poderes ligados à criação de criaturas autônomas feitas de fisioplasma materializado. Todos os poderes ligados à conjuração de aliados e seres, inclusive a criação de bonecos ou clones de usuários, podem ser considerados invocatistas.

Universista 

O grupo dos poderes ligados à criação, manipulação, transformação ou anulação de outros poderes. Considerado o macro arquétipo mais complexo, costuma necessitar de muito treino e estudo para ser efetivo. Os poderes desenvolvidos costumam ter a capacidade de emular outros poderes: super invenção, adaptação, anulação etc.

Hibridismo 

Não é um macro arquétipo, mas sim um ponto importante de se explicar. A maioria dos arquétipos e poderes acabam juntando elementos de mais de um macro arquétipo.

Próximo encontro…

Adentraremos mais no desenvolvimento de poderes e aprenderemos como se dá a especialização dos heróis no Brasil de Heróis.


Links do Brasil de Heróis:

– Discord do Projeto
– Canal no Youtube
– Grupo do Whatsapp
– TikTok
– Instagram
– Twitter
– Canal do Facebook


Aretaion – Treine seus poderes – Brasil de Heróis

Gostariamos que conhecesse nosso Patronato, fazendo parte você participará de jogos e terá acesso a informações antes de todos. Aproveite e se inscreva em nosso canal na Twitch. Movimente essa ideia!

Autor: Victor Gaigaia
Revisão de: Isabel Comarella
Arte da Capa: Douglas Quadros

Matilha – Conceitos de Lobisomem: o Apocalipse

Matilha (do original Pack, que seria mais Alcateia na verdade…) é a junção ou grupo de Garous, abençoados por um Totem em comum, e que se unem em prol de um objetivo maior.
Muito diferente dos clássicos grupos de RPG medieval, as Matilhas são ao mesmo tempo uma ferramenta narrativa e uma forma de socialização da Sociedade Garou.

 

A MATILHA

Enquanto Tribo, Raça e Augúrio são determinações do nascimento, a Matilha é uma determinação da vivência.
Uma Matilha é uma união forte, poderosa, e acima de tudo, opcional.
Mesmo que eventos intrínsecos levem Garous a se unirem, essas “uniões momentâneas” não são de fato consideradas a criação de uma Matilha, e sim apenas um grupo.
Uma Matilha é para a Sociedade Garou como a família que acolheu e aceitou Garous como irmãos/irmãs e extensões de si.
Uma Matilha é coesa, harmônica, confiável, funcional.
Formar uma Matilha não é simplesmente juntar os personagens e pronto, está formada.
É uma ótima oportunidade para fortalecer laços, criar vínculos, explorar pontos fracos e fortes e focar na narrativa individual de cada pessoa jogando.

A Matilha Tornado, por filhotedeleao no DeviantArt

TOTEM DA MATILHA

Em termos de regras, quem de fato faz a junção da Matilha é o Totem.
O Totem é um poderoso Espírito, seja ele animal, elemental ou força primordial que guia, aconselha e protege a Matilha.
O Antecedente Totem pode ser usado tanto para personagens de forma individual, quanto para toda a Matilha.
Para pontuar o Totem da Matilha os pontos de todos os personagens no Antecedente são somados e utilizados para determinar o nível de poder do Totem da Matilha.
Vale lembrar que, assim como dogmas que precisam ser cumpridos referentes ao Totem da Tribo, os dogmas referentes ao Totem da Matilha também devem ser seguidos por todos os personagens que fazem parte dela.
Um Totem será tão poderoso quanto o investimento em pontos que a Matilha fizer nele (e abordaremos os Espíritos um pouco mais à frente por aqui).

Uma Matilha à caça

MAIS DO QUE MIL, SOMOS UM

Entre as vantagens de ser uma Matilha, podemos colocar o fato de como as personagens se encontram no mundo.
O cenário de Lobisomem: o Apocalipse apresenta muitas formas de quebrar e fragilizar ao extremo as personagens de jogadores em geral.
Subitamente as personagens veem seus mundos mudar por completo, perdem a ligação com o “mundo humano”, se encontram com seu lado espiritual, e são jogados em uma batalha que até então desconheciam.
E como se isso tudo não bastasse, ainda se veem enfrentando preconceitos de Tribos, Augúrios, Raças e até mesmo particularidades de sua prévia vida humana/lupina.
Dessa forma, a Matilha se torna a “família” de fato.
Esse nível de aceitação, cumplicidade e parceria supera os “vínculos afetivos” do mundo humano ou que previamente poderiam ter sido estabelecidos.

 

DIFERENTES, MAS NEM TANTO

Embora muitas pessoas pensem que o que forma uma matilha funcional sejam as diferenças, a prática é muito diferente disso.
O que muitas vezes forma uma Matilha funcional e assertiva, são a capacidade de aceitar as diferenças, a humildade de reconhecer os pontos fortes e a confiança de que o restante da Matilha estará lá para cumprir seu papel.
Muitas vezes as matilhas são formadas por Garous de diferentes Augúrios, de forma que suas funções e seus papéis sejam bem definidos e delimitados.
Mas nada impede que uma Matilha de um único Augúrio exista e se fortaleça.
Ao fim, o que pode ser notado é que muitas vezes uma Matilha é formada mais por personagens que se assemelham e se completam, que por personagens que “tapam buracos com suas diferenças”.

Uma Matilha no game Werewolf The Apocalypse – Earthblood

Espero que esse texto tenha te ajudado a entender a ideia das Matilhas, e já que você está por aqui, que tal acompanhar a primeira parte da nossa jogatina de Kult: Divindade Perdida? Ou então dar uma conferida no artigo do Diemis Kist sobre Shadowrun que tá muito bacana!

 

Feitiços das Sombras – Shadowrun 5ª Edição

Neste post vamos falar de mais um suplemento para Shadowrun 5ª Edição, o Feitiços das Sombras.

Em primeiro lugar o livro possui o total de 25 páginas, todas contendo informações relevantes para incrementar sua campanha.

Feitiços das sombras

Suplemento – Feitiços das Sombras – Shadowrun 5ª Edição

Primeiramente o livro traz informações sobre novas tradições arcanas, em complemento àquelas apresentadas no livro.

As tradições

Tradições são as várias formas como o mago interage com a magia. O livro básico apresenta duas tradições, a hermética e a xamânica.

Agora, este suplemento apresenta mais quatro tradições, cada uma com a sua forma única de ver o mundo mágico, bem como sua forma de interagir com ele.

Aborígene

A tradição aborígene é bem localizada na região do Outback Australiano. De antemão é uma tradição imersa no conceito onde os sonhos são considerados como memórias do tempo.

Bem como uma entrada temporária estado atemporal que existiu antes do mundo ser, e continuará a existir muito depois do desaparecimento dessa existência.

Egípcia

A tradição egípcia se baseia na religião ancestral do Egito, seus praticantes seguem a trilha dos sacerdotes no uso da magia.

Contudo sua maior influência é na Europa e no Sul da África, pois no seu país de origem a muito foi proibida.

Uma marca desta tradição são suas estritas regras quanto ao uso dos feitiços, bem como a forma que a magia pode influenciar a essência espiritual.

Nórdica

A antiga religião nórdica reviveu com o início desta tradição. Trouxe a tona as lendas nórdicas tão conhecidas do povo da Escandinávia.

Além disso formou um exclusivo alfabeto rúnico, fórmulas de feitiço únicas, e métodos de comunhão com espíritos.

Psiônica

Psiônicos acreditam que o poder flui da mente, e não de uma manifestação mágica, com mana cercando o mundo e além.

Ainda mais, a maioria dos adeptos dessa tradição consideram as outras escolas equivocadas e supersticiosas demais.

Os psiônicos não tem espíritos mentores na maioria das vezes, já que não acreditam em uma força externa para poder dar algum poder ou orientação útil para suas habilidades.

Sociedades Mágicas

O livro traz cinco novas sociedades mágicas, descritas abaixo.

Os Incríveis Arrebentadores I O Código 525 I Partido do Novo Movimento Trabalhista I A Grande Estância de Oxford I Os Caça-tesouros LTDA.

Cada uma delas possui uma descrição contendo detalhes sobre o número atual de membros, as dívidas que a sociedade possui, áreas de especialização, patronos e, claro, seus costumes e uma descrição da sociedade.

AMEAÇAS

Com grandes poderes vem grandes ameaças para acabar com a sua festa.

E com isso Feitiço das Sombras traz algumas novas ameaças ao seu uso da magia.

Em primeiro lugar as fendas e os Guardiões da Ordem. Ou seja, use magia perto de uma fenda e você poderá encontrar os Guardiões da Ordem e isso não é uma coisa boa.

Creedus Maximus, o que se sabe deles? Só que gostam de eliminar despertos, seus métodos se mantem, porém não se sabe nada sobre as suas intenções.

Projeto Wampum, é um projeto da Lone Star, porém é só a ponta de um iceberg. Ele é desenvolvido pelo Departamento de Pesquisa Mágica da Lone Star e oferece uma forma de transformar antigos focos de perda em fluxos de renda, além de envolver, de alguma forma, cobaias.

GRIMÓRIO SUPLEMENTAR

Aqui você encontra a descrição de mais de sessenta feitiços, rituais e poderes de adeptos, além disso, eles estão separados por tipo, com os detalhes necessários para uso, por exemplo, alcance, tipo de dano e duração.

Por fim

Se você tem um mago, um feiticeiro, um adepto ou mesmo um gosto pelo lado arcano, este é um ótimo complemento para sua coleção.

Além disso, é um item muito interessante para o narrador que deseja incrementar seus corres com o lado mágico de ser.

Você adquire este suplemento, e muitos outros, em PDF diretamente no site da New Order Editora clicando aqui!

E lembre-se, gostou do que leu? Gosta de Shadowrun ou dos diversos assuntos que tratamos no site?

Dessa forma, se você gosta do que apresentamos no MRPG não esqueça de apoiar pelo Padrim ou pelo PicPay!

Ou seja um patrono do Movimento RPG e tenha benefícios exclusivos.

Compre seus livros utilizando nosso cupom de desconto de 10% na editora New Order!

 

Sangue e Glória – Parte 11 – Contos de Thull Zandull

Anteriormente em Sangue e Glória – Parte 10, Harm o Veneficus já liberto, trabalha para restaurar a saúde de seus libertadores.  Ao mesmo tempo, foi revelado que Mira e Gorac darão continuidade a linhagem de grandes guerreiros Orcs. Além de ter a presença do antigo líder Goblin confirmada para a batalha que virá.

Agora…

Sangue e Glória – Parte 11

Um visitante de um passado distante.

O salão comunal estava cheio naquela noite, afinal, era uma ocasião especial. Reencontros e fatos importantes seriam compartilhados entre aqueles que em breve estariam firmando um pacto. Um pacto pela libertação e ao mesmo tempo pela reconstrução de uma região que já fora assolada por muito tempo por uma fé opressora e enganadora. 

Harm Van Driel posicionou uma cadeira adequada a seu tamanho, aos pés do ídolo Kobold, solicitou apoio para que todos pudessem repousar em volta da fogueira, protegidos do frio e também a vontade para repor suas forças para o enfrentamento dos desafios vindouros. 

Anáxalas e Orog posicionaram-se próximo a Xalax, que ainda permanecia desacordado, mas pelo menos estável. Mira e Gorac estavam próximos, abraçados olhando o fogo crepitar e provavelmente pensando nos próximos passos rumo a grande cidade de Basil. Kagror era o que estava mais próximo ao fogo, demonstrando seu grande interesse pelos aromas exalados pelas grandes fatias de carne que ali assavam. 

Isolado em meio aos grandes Orcs, uma pequena criatura adentrou o salão. Resgatou uma cadeira adequada a sua altura e solenemente se preparou para sentar-se naquele ambiente para uma longa conversa. Trazia consigo uma armadura de couro rígida ricamente adornada, com proteções táticas espalhadas pelo corpo. Havia inscrições em um material brilhante espalhadas na proteção usada por aquele goblin, ele tinha uma aparência resoluta e solene, carregava duas adagas de lâminas levemente curvas e esguias, eram feitas de um mineral perfeitamente polido de cor vermelha com inscrições rúnicas brilhantes. Aquele goblin tinha um tom de pele verde bem escura. Ao sentar-se fez um leve gesto com a cabeça para o Veneficus que ali aguardava.

Harm foi o primeiro a falar:

“Seja bem-vindo Garlak. Sinceramente duvidava que um dia pudéssemos nos reencontrar novamente. Foram longos séculos e para minha surpresa você pelo visto teve algumas bençãos ou maldições que permitiram cortar o tempo e retornar de sua demanda.”

O goblin respondeu:

“Com certeza estava mais para uma maldição, meu senhor. Infelizmente, a demanda que cita não foi totalmente perdida. Eu encontrei um dos locais de confluência arcana que citou e você estava certo, nem todo geodo é instável. Alguns deles apresentam características diferentes e mesmo não manipuladores ou despertos poderiam obter algum tipo de poder dessas pedras. Por sorte você preparou defesas, pois existem fragmentos agressivos em torno destes pontos estáveis. Eu compararia ao centro de uma tempestade. Para meu azar, criaturas bizarras também ficavam a volta desta fonte de poder. Derrotei tudo que podia e finalmente quando pensei em trazer algo de volta, as defesas que construiu não resistiram aos efeitos mágicos. Pelo visto, alguns de meus leais seguidores que trouxeram de volta, imaginando que pudesse fazer algo por mim. Percebi que me esconderam em uma gruta sagrada, esperançosos pela cura que buscariam contigo, mas tudo que encontraram foi uma tragédia.”

Harm Van Driel prosseguiu:

“A sensação da prisão é algo que entendo bem, mas o que desejo saber é se ainda tem o fragmento que citou.”

Tesouro e conhecimentos misteriosos.

O goblin concordou com a cabeça e buscou dentro de seus pertences um pequeno pacote. Um embrulho de panos, cuidadosamente enrolados com tiras de couro que emanavam um brilho amarelado. Garlak, levantou-se, sendo seguido pelas cabeças e atenções de todos os presentes e se dirigiu a Harm, entregando a ele o pacote.

Eis que o Veneficus ficou intrigado ao abrir o embrulho e perceber que os fragmentos eram similares a lascas de vidro de tamanho variados.

O goblin explicou:

“Deveria ter visto. Tudo parecia um espelho fluente, se movendo de um lado para outro. Nada parecido com os geodos que adquirem características do local onde caem. Isso ai, parece algo primordial, mas antes, preciso saber uma coisa importante, o comprometimento de todos com o meu povo. Houve uma época que as montanhas eram nossas, hoje, apenas uma pequena porção sobrevive e imagino o que deve ter ocorrido aos outros povos que moravam nas redondezas. Então antes de mais nada eu desejo saber, vamos prosseguir com isso? Vamos retomar o que é nosso? Você bruxo, pode fazer algo para nos ajudar? Eu te servi, eu concluí essa busca e já perdi mais do que poderia descrever!”

Gorac assumiu a fala:

“Com certeza estamos todos comprometidos pequeno guerreiro. Olhe como nossos corpos falam por si mesmos. Nos entregamos nessa busca, nessa demanda, nessa jornada de sangue que culminará em glória para nossos nomes e a de nossos antepassados. Queremos vingança, queremos o que é nosso, mas não podemos atacar sem o apoio dos Virag. Esperaremos reforços e até lá minhas forças poderão apenas garantir que Harlam e as redondezas fiquem seguras. Provavelmente não sabem de tudo que ocorreu nos últimos dias, mas em breve forças serão enviadas para descobrir e quando não voltarem, aí teremos problemas. Precisaremos recrutar e treinar quem pudermos e garantir que Harlam fique aberta para que os protetorados descontentes tenham um porto para despejarem suas forças. Um guerreiro experiente sabe o momento de esperar, sabe que precisa ser paciente até que uma oportunidade surja.”

Garlak fez um gesto com a cabeça, em silêncio, pois sabia que o Orc estava certo, ele mesmo não tinha muitos goblins para ceder aquela causa, precisaria correr pelas montanhas buscando comunidades isoladas ou outras raças que poderiam de alguma maneira querer se juntar a luta contra os Humanos. Eis que em meio ao breve silêncio, Harm novamente assume a fala:

Podem ficar calmos meus caros companheiros. Poderemos rechaçar as forças que forem enviadas até nós. Garlak trouxe uma peça para encontrarmos a resposta, de posse deste item primordial minha magia poderá ganhar novo significado e vocês esquecem que agora desperto minha alma está ligada a esta floresta. As criaturas que aqui habitam em breve ouvirão meu chamado e então teremos símbolos a serem respeitados e um refúgio seguro para organizarmos nosso ataque. Deixe Harlam para os Virag, faça o acordo com eles mestre Orc, chefe de guerra. Peça o domínio desta mata e vamos organizar aqui nossa fortaleza, abraçaremos as montanhas Dol-Agurad e todos os povos que antes viviam nesta região poderão voltar. Quando Basil cair, haverá mais espaço a ser conquistado e não teremos motivos para brigar por terras, haverá o suficiente para todos. Até lá, movam suas forças para cá, ainda estamos em desvantagem e precisaremos de tempo para que tudo corra de maneira organizada. Eles devem pensar que nos encurralaram, deixem que pensem que saqueamos e corremos, deixem que sonhem com sua fé insana. Atacaremos no momento certo.”

O nascimento de um Conselho de Guerra.

Mira assumiu a palavra:

“Da maneira como fala precisaremos de meses. Eu sinceramente acho viável a manutenção deste tempo. Se fizermos emboscadas e mantivermos campanhas de saque em aldeias próximas a Basil, poderemos constantemente drenar recursos úteis para nós. As invasões no Sul e Sudoeste do Império fazem com que o grosso das forças seja mantido constantemente em locais próximos dos pontos mais importantes para Autarquia, mas se demonstrarmos ser um incomodo terrível com certeza vão tentar nos esmagar. Teremos que assumir uma tática de demonstração de fraqueza, atacando e correndo e sinceramente eu acho que seria mais interessante manter Harlam temporariamente. Poderemos construir uma cabeça de ponte escondida na área mais ao Norte da floresta. Simulamos um recuo completo quando as forças de Basil tentarem retomar a aldeia, mas na verdade teremos o manto da Mata Velha nos encobrindo pelo tempo necessário. Depois disso, eles deixarão as montanhas e essa floresta. Não vão fazer incursões dispendiosas e aí entra nossa sagacidade. Grupos de emboscada em locais estratégicos. Você goblin e seu povo serão nossos olhos, nossos sentidos, até que estejamos prontos para um ataque maciço em alguns meses.” 

Todos ali ouviram a ideia de Mira e Harm entendeu por que Gorac se apaixonou por ela. Uma guerreira digna, corajosa, leal e com mente perspicaz. Sua orientação estratégica era correta e para ser executada necessitaria do apoio e um nível de organização invejáveis, porém essa seria a ocupação dele, um Veneficus desperto com experiência suficiente para orquestrar toda a ação que culminaria com a derrocada das forças imperiais do Norte. 

Com as discussões abertas, todos começaram a levantar possibilidades e estudar com calma os próximos passo que deveriam ser dados, enfim, naquele salão nascia o Conselho de Guerra, mas apenas uma coisa preocupava a todos, quem seriam os opositores, os fiéis defensores da Fé Diáfana que tentariam impedi-los? Haveria alguém a altura desta missão naquele Império em ruínas? Haveria líderes entre as fileiras devotas?

Não poderiam ignorar o poder desta Fé, haveria precaução e ações estudadas meticulosamente. No momento certo, toda ira, toda fúria cairiam contra os inimigos e não haveria esperança ou fé suficiente para salva-los do destino que semearam.

Continua…


Sangue e Glória – Parte 11 – Contos de Thull Zandull

Autor: Thull Zandull 
Revisão de: Isabel Comarella 
Artista de Capa: Douglas Quadros 

Acesse nosso Patronato, e descubra uma maneira incrível de apoiar o RPG nacional. Movimente essa ideia.

 

Sangue e Glória – Parte 10 – Contos de Thul Zandull

Anteriormente em Sangue e Glória – Parte 9, acompanhamos a batalha mortal que os guerreiros orcs enfrentaram. As habilidades e coragem de todos foram testadas em seu ápice. Porém Gorac foi além, e recebeu de seus ancestrais a bênção que virou o jogo. Mas será que todos eles irão sobreviver aos ferimentos…

Agora…

Sangue e Glória – Parte 10

Mira despertou imaginando que iria se deparar com a verdade. Pois para ela era certa a morte. Um momento de glória ao lado de seu amado, lutando e honrando os antepassados com o bom combate e a coragem. Porém para sua surpresa, ao abrir os olhos a primeira sensação que teve foi a dor, algo que se espalhava por seu corpo de maneira completa. Todos os seus músculos doíam e acima dela um telhado de madeira e a sua volta estrutura bem cuidada. 

Ouvia o crepitar da fogueira somado a um bom aroma de carne e pão assando. Estava em um salão grande, com certeza a construção comunal que não tiveram tempo que explorar. Mas algo estava estranho, sua lembrança era que aquele local tinha um buraco gigante no teto, mas agora tudo estava consertado. 

Antes que pudesse mover mais sua cabeça buscando mais informações, sentiu uma ardência em seu braço esquerdo, mas ao analisar o local do fisgar, notou que não havia nada onde tivera a sensação, apenas um coto, uma lembrança permanente de sua luta mais difícil até o momento. O que mais a incomodava era que envolta do local do ferimento havia algo cristalino que emanava um brilho verde intenso. Era uma película que cobria todo o coto, enquanto se perdia em pensamentos com aquilo, notou que a dor diminuía a medida que o cristal emanava maior luminescência. 

Tentou então se erguer para analisar melhor o salão e então notou que a sua frente, do outro lado do salão havia mais uma cama onde repousava Xalax. Percebeu rapidamente que a camada cristalina recobria uma parte do rosto dele e também se espalhava pelo tórax. Curiosa, procurou em seu corpo por mais sinais daquilo, e viu que em todos os pontos de ferimento havia aqueles luminescentes minerais esverdeados. 

No centro do salão havia a fonte de calor, uma fogueira comunal. Estava estruturada em um círculo em nível mais baixo que o chão e envolto em pedra, onde madeira e carvão mantinha a chama forte e também esquentavam chapas de metal que assavam a carne e o pão sobre elas. Sentado a frente cuidando do alimento estava Orog, o bom rastreador, que usava um socador, provavelmente para esmagar raízes e folhas para algum remédio. Mira apenas teve essa dedução ao ver os materiais medicinais espalhados ao lado dele. 

Era espantoso como aquele salão estava limpo e organizado, questionou-se se aquilo era alguém tipo de reino divino ou espiritual de seu povo. Mas a presença de seu companheiro e as dores em seu corpo refutavam qualquer tipo de pensamento nesse sentido. Do seu lado direito via as portas duplas do salão, entreabertas e do lado esquerdo um espaço em destaque onde um ídolo Kobold protegia um pequeno trono a sua frente, com certeza algo próprio a estatura daquele povo. Havia duas escadas ao lado do trono que levavam para um andar inferior, mas antes que pudesse explorar mais o local com seus doloridos olhos, notou que Orog, vinha em sua direção.

Mira se antecipou em questionar o que ocorria e também em entender onde estava Gorac. Pois, queria retirar a ansiedade de não ver seu companheiro ali deitado em recuperação. Mas logo Orog apaziguou-a, dizendo que o líder já havia despertado dias atrás e que voltava seus esforços em manter a estrutura onde estavam, apoiando nos reparos, limpeza e caça. Disse que o velho Harm Van Driel manteve os corpos de ambos nutridos valendo-se de magia que espalhou pelo corpo dos feridos em forma da película cristalina. Disse que estavam deitados a mais de três semanas, tamanha era a gravidade dos ferimentos deixados pela criatura.

Orog não conseguia esconder sua tristeza ao ver o coto e Mira entendia os motivos. Afinal um guerreiro sem um braço perdia enormemente sua capacidade de luta, mas aquilo era apenas um pensamento, entre tantos outros, afinal mais importante do que o braço, era sua vida. O Orc, logo ofereceu o remédio que preparava, mas Mira apontou primeiro a comida. Não compreendia como a magia alimentou seu corpo, mas tudo que ela queria naquele momento era mastigar algo.

Uma nova vida para Mira

Momentos depois de se alimentar e enfim tomar o amargo chá oferecido por Orog, ela se sentiu confiante para levantar-se. Mas outro fisgar forte proveniente de sua coxa a fez vacilar. Porém seu amigo a ajudou e aos poucos o cristal mágico fez efeito, amenizando as dores sentidas segundos atrás. 

Ela queria ver o ambiente com seus olhos, andar um pouco e seu parceiro de batalhas a ajudou. Porém antes que pudessem sair, Mira ouviu atrás de si uma voz diferente. Ao se virar viu um humano de idade avançada com barbas brancas longas, mas bem aparadas e vestes dignas de alguém nobre. Logo foi questionada se estava com dores fortes em alguma parte do corpo e se precisava de ajuda. O velho fez um sinal para Orog deixá-la se sentar próxima ao fogo para poderem conversar. Mira concordou e Orog saiu do salão. Ela achou estranho, mas estava curiosa com a presença do Veneficus, termo antigo usado para bruxos que se dedicavam a entender os Geodos Arcanos. 

Harm Van Driel começou a conversar agradecendo por sua libertação. Sabia dos perigos de seu resgate da tumba. Mas não imaginava que houvesse tanta dedicação em mantê-lo esquecido, explicou que precisaria de tempo para recobrar totalmente os seus poderes. Mas que tinha o suficiente para manter as artes de cura e para reparar estruturas necessárias, explicou ainda que a medida que os dias passassem, ele estaria apto a fazer algo por ela, afinal ele tinha que quitar o débito por sua vida. 

Continuou, dizendo que a demanda iniciada por eles, os Orcs invasores do Império, teria sua ajuda e que todos que ali estavam eram fortes e determinados, uma união fortuita depois de tantas desventuras e sofrimentos passadas por ele. Mira o interrompeu, perguntando por Gorac e também ficou curiosa em entender como ele poderia fazer algo por ela, já que seu braço fora perdido para sempre. Mas Harm a interrompeu dizendo que o braço arrancado não estava perdido mas sim sendo preparado para retornar a seu braço no momento certo, pediu para que ela o acompanhasse a parte inferior do salão comunal e ao fazer isso, notou que todo andar inferior continha os objetos estranhos que repousavam no subterrâneo. Porém haviam brilhos, sinais luminosos, sons estranhos e ranger de várias coisas se movendo. 

Harm apontou logo para uma mesa na qual percebeu que seu braço flutuava envolto por esferas de cores variadas que continham dentro de si runas antigas. Havia metal fluído em torno do braço e era nítido para ela que a carne estava sendo substituída pelo material que ali flutuava. Era assustador e inebriante. O Veneficus, logo explicou que a melhoria corporal fora algo mortalmente proibido em sua época. Mas agora, não havia mais grilhões que pudessem detê-lo. Disse incisivamente que cuidaria dos seus e que sua meta era se vingar daqueles que ceifaram sua liberdade e a de tantos outros como ele.

Enquanto ouvia o dominador de magia, Mira vacilou novamente, sentindo-se zonza. Mas logo o Veneficus a apoiou, fato que fez com que a Orc percebesse que o velho era mais ágil e forte do que aparentava. 

Harm disse que ela deveria manter repouso total, pois o efeito de seus encantos de cura também dependia da resistência dela, mas na condição atual, manter duas vidas era algo complexo para ele. Mira ao ouvir aquilo se espantou e pediu mais explicações, enquanto Van Driel esclareceu que ela carregava consigo uma nova vida. Mira ouvia aquilo e não conteve sua emoção, ao passo que o velho disse que o filho dela com certeza seria alguém extraordinário, digno da linhagem do qual era proveniente, disse ainda que a magia usada também era drenada pelo feto, algo fantástico que deveria estudar a fundo. Mas de qualquer modo, ela e o futuro bebê estavam vivos e bem.

No momento daquela fantástica conversa, ambos ouviram passadas apressadas e logo perceberam quem adentrava o local, o líder guerreiro Gorac. A emoção foi forte e o velho se afastou para que o casal se abraçasse, ambos estavam firmes e felizes pela recuperação um do outro. Gorac a beijou e em seguida se abaixou diante dela acariciando a barriga que carregava seu herdeiro ou herdeira, quem governaria aquela terra que em breve seria conquistada. Mira via seu companheiro com orgulho e acariciou sua cabeça, ela via a grande cicatriz, a marca deixada pela luta de dias atras. Olhou seu amado líder e viu que as mãos dele também estavam em processo de recuperação, porém não disse mais nada, não pensou em mais nada. Só queria naquele momento aproveitar a sensação de proximidade e o sentimento forte, o vínculo que trouxera ambos até ali, mas algo mais ocorreu, pois ouviram a voz grossa de Kagror chamando pelo velho.

Harm Van Driel logo disse a eles que se acalmassem, pois ele havia enviado um chamado para um velho amigo que ele acreditava estar perdido, convidou ambos para subirem e conhecerem Garlak, Três Cortes

Continua…


Sangue e Glória Parte 10 – Contos de Thull Zandull

Autor: Thull Zandull 
Revisão de: Isabel Comarella 
Artista da capa: Douglas Quadros 

Acesse nosso Patronato, e descubra uma maneira incrível de apoiar o RPG nacional. Movimente essa ideia.

 

 

Aretaion – Treine Seus Poderes – Brasil de Heróis #05

Anteriormente conversamos sobre As 5 protoformas da arete. Sobretudo elas indicam as maneiras como uma pessoa pode canalizar seu fisioplasma para desenvolver superpoderes dentro do Brasil de Heróis. Agora vamos discutir na prática como isso funciona. Bem como você pode também seguir o Aretaion, os exercícios de arete, e aprender a canalizar seu fisioplasma!

Protoformas e eficiência de fisioplasma

Como dito, o Aretaion ou seja a virtude da energia vital são exercícios para desenvolvimento das protoformas da arete. Porém estes exercícios não são para desenvolver superpoderes nem aumentar o potencial do indivíduo. Portanto o aretaion existe para melhorar a eficiência de canalização do fisioplasma do usuário.

Agora vamos supor que uma pessoa tente aprender um poder simples – super força. Para isso, primeiramente a pessoa terá que usar a protoforma de Amplificação. Em seguida se ela tiver apenas 10% de desenvolvimento dessa protoforma, mesmo se ela usar, por exemplo, 100 unidades de fisioplasma para super força, apenas 10 serão efetivamente canalizadas (equivalente a um décimo do valor).

Desse modo, a maior parte dos heróis profissionais possui pelo menos 80% de desenvolvimento nas suas protoformas usadas no trabalho. Logo é muito difícil uma pessoa ter valores percentuais altos em todas as protoformas, na maioria das vezes focando em duas como principais.

Vamos agora explicar exercícios simples de aretaion para você desenvolver sua arete!

Exercícios de Aretaion

Amplificação

Foco na percepção das energias internas e concentração. Sente-se em postura confortável e preste atenção na sua respiração ou nas batidas do seu coração. Apenas tente controlar o ritmo, seja acelerando ou desacelerando. Perceba seu fisioplasma sendo gerado para compensar cada uma dessas mudanças. Com o tempo, busque direcionar esse fisioplasma para ativamente controlar esse ritmo. Assim ampliando ou retraindo sua respiração ou batimentos cardíacos.

Manipulação

Imagine uma substância envolvendo você, como um cobertor sem peso. Então concentre-se nessa substância, nesse manto fisioplasmático. Movimentando seus braços e pernas, imagine esse manto esticando e retraindo. Com o tempo, imagine esse manto expandindo e envolvendo outros objetos e, com prática, movimente esses objetos quando também movimentar seu corpo.

Transformação

Imagine o manto de fisioplasma envolvendo seu corpo. Lentamente, vá imaginando diferentes sensações ao contato de sua pele. Logo depois imagine que o peso aumenta, que a temperatura fica maior ou menor. Imagine que o manto começa a ter gosto e cores diferentes. Com o tempo, você será capaz de transmutar a forma de seu fisioplasma.

Automação

Imagine uma pequena esfera de energia saindo de você e flutuando à sua frente. Agora tente fazer com que essa esfera pulse com as batidas do seu coração ou com o ritmo da sua respiração. Após isso, imagine essa esfera crescendo e retraindo e permita que ela se mova em volta de você. Depois, com mais experiência, você pode ordenar que ela se mova em padrões fixos até, eventualmente, ela poder se mover em resposta a estímulos que não vêm de você.

Customização

Lembre-se de coisas legais ou que sejam importantes para você, de preferência sensações ou conhecimentos. Por exemplo, imagine qual o sabor de uma música, ou a cor da biologia. Ou seja, dê novos nomes a esses conhecimentos mas não esqueça as sensações que eles trazem. Por exemplo, Dança da Vida para Biologia. Com o tempo, você será capaz de fazer com que sua arete responda a essas sensações. Frequentemente, com mais treino, tente criar uma série de significados diferentes: Dança da Vida, Sons do Início, Tortas de Grama, tudo isso remetendo a biologia. Nesse ponto, você terá customizado sua arete para funcionar em diversas programações.

Próximos episódios…

O Aretaion, como explicado, não permite desenvolver poderes, apenas tornar mais eficiente o uso do fisioplasma pelo usuário. Na próxima vez iremos discutir como de fato se desenvolve poderes a partir do estudo de Arquétipos.


Links do Brasil de Heróis:

– Discord do Projeto
– Canal no Youtube
– Grupo do Whatsapp
– TikTok
– Instagram
– Twitter
– Canal do Facebook


Aretaion – Treine seus poderes – Brasil de Heróis

Gostariamos que conhecesse nosso Patronato, fazendo parte você participará de jogos e terá acesso a informações antes de todos. Aproveite e se inscreva em nosso canal na Twitch. Movimente essa ideia!

Autor: Victor Gaigaia
Revisão de: Isabel Comarella
Arte da Capa: Douglas Quadros

Dons – Conceitos de Lobisomem: O Apocalipse

Dons são os poderes sobrenaturais que os Garous são capazes de usar.
Enquanto Vampiros podem fazer uso das Disciplinas e os Magos possuem suas Esferas para usar seus talentos sobrenaturais, os Garous aprendem seus talentos diretamente dos Espíritos e os chamam de Dons.
Os Dons variam de acordo com a categoria e tipo de Espírito que os ensina, mas podem rivalizar facilmente com outras habilidades do Mundo das Trevas.

DONS – PRESENTES DE GAIA

Como Garous são seres híbridos entre o Físico e o Espiritual, nada mais coerente que seus talentos e habilidades viessem diretamente de sua herança espiritual.
Sua harmonização com os Espíritos os permitem aprender o que chamam de Dons, habilidades que ultrapassam as capacidades comuns do mundo físico.
Ensinados pelos mais diversos Espíritos, os Dons variam nas mais diversas formas.
A critério de regras, os Dons são divididos em 3 categorias: Raça, Augúrio e Tribo.
Essa divisão é mais para ajudar a direcionar a narrativa e foco de conhecimento e afinidade espiritual, para “categorizar” quais habilidades e ensinamentos mais se assemelham aos ideais.
Isso é uma regra mais comum para a criação de personagem, e pode ser facilmente alterada durante as narrativas, já que dos Dons são ensinados, e não herdados.
Outra divisão dos Dons se dão quanto a seu nível de poder. Variando de 1 a 5, os Dons são limitados pelo Posto do Garou.
Um Garou iniciante (Posto 1) está limitado a aprender Dons de Nível 1, mesmo que possa aprender Dons que não sejam de sua Raça, Augúrio ou Tribo durante a narrativa.

O APRENDIZADO DOS DONS

Os Dons são habilidades e poderes que são, literalmente, ensinados pelos Espíritos.
É possível sediar toda uma história em torno de aprender um novo Dom específico, que pode ser essencial para alguma missão ou feito heroico.
Cada tipo de Dom está condicionado ao tipo de Espírito que o ensina, e por isso mesmo podem ser tão variados.
Enquanto Espíritos ligados à Weaver ensinam Dons que podem afetar a tecnologia e equipamentos humanos, Espíritos ligados à Wyld por exemplo podem conceder habilidades de manipular elementos da natureza ou até outros Espíritos.
Uma forma interessante de lidar com isso é fazer uso da jornada de aprendizado.
Para aprender o Dom, primeiro é necessário descobrir o tipo de Espírito capaz de ensiná-lo (o que por si só já pode ser um grande desafio).
Espírito encontrado, é necessário convencê-lo a ensinar essa habilidade. Espíritos tem vontade própria e visões de mundo que diferem dos Garous, e nem sempre estão dispostos ou aptos à ajudar.
E uma vez convencido a ensinar a habilidade, é necessário que o Garou aprenda. E se tem uma coisa que nem sempre é fácil, é dominar um novo poder ou uma nova habilidade.
Todo Dom pode requer tempo, estudo e prática para ser aprendido. Algumas vezes isso pode mudar, mas é sempre interessante explorar a jornada d aprendizado, principalmente para Dons de níves mais elevados.

USANDO OS DONS

Cada Dom é uma habilidade, técnica ou poder diferente.
Alguns Dons podem ser ativados através da Fúria, outros são abastecidos com Gnose, e outros necessitam do empenho da Força de Vontade.
Alguns Dons necessitam de um preparo ou de um tempo de ativação, como o Dom Garras Afiadas, que requer 1 turno para afiar as garras e aumentar o dano, e pode ser usado na forma Crinos.
O Dom que um Garou usa dita muito sobre quem e como ele é, dado a afinidade necessária com cada tipo diferente de Espírito para o aprendizado.
Diferentemente dos Fetiches, que são abastecidos com o poder dos Espíritos, os Dons são abastecidos com os atributos do Garou que o utiliza, e estão limitados à quanto esse Garou pode investir para serem usados.

 

DONS X OUTRAS HABILIDADES

Invariavelmente, esse questionamento apareceria: qual é mais forte? Dons de Garous ou alguma outra habilidade do Mundo das Trevas?
Minha humilde opinião? Não existe um mais forte.
Todos os poderes do Mundo das Trevas são, de certa forma, equilibrados.
Tudo vai depender muito da habilidade e inteligência de quem usa cada poder.
Vamos pegar por exemplo o personagem Noturno, dos X-Men.
Enquanto nos quadrinhos seu poder é mais explorado na sua versatilidade para furtividade e invasão, nos games vemos ela mais sendo usada para o combate.
Nas animações vemos pouco uso da habilidade de teleporte do mutante em combate, mas no filme X-Men 2, temos uma variação totalmente diferente do uso do seu poder.
E é o mesmíssimo poder, variando apenas a forma como ele está sendo utilizado.
Levando isso em consideração, o mesmo Dom pode ser fútil nas mãos de um Garou, e uma arma mortal nas mãos de outro, de acordo com a forma como é usado.

Os Dons são uma ferramenta narrativa excelente para aprofundar backgrounds, conduzir narrativas, gerar conhecimento sobre o cenário e familiarizar jogadores iniciantes no sistema!
Faça um bom uso dos Dons e dos Espíritos, e uma narrativa simples pode se tornar uma campanha épica!
Se quiser ver mais sobre as Disciplinas e os Vampiros que eu comentei, dá uma olhada no artigo do Raul Galli  sobre Criação de Personagens. E se quiser variar um pouco a jogatina e conhecer outro cenário, que tal conhecer o Castelo Falkenstein? Por acaso eu fiz uma resenha do livro que você pode conferir aqui!

Castelo Falkenstein – Resenha do Livro

No topo de uma montanha da Bavária, existe de fato um castelo, construído por um rei louco.

Um rei que imaginava histórias, com personagens reais e lendários que viviam grandes aventuras, travavam ferozes batalhas, criavam máquinas fabulosas.

Essa é a história de um mundo fantástico, onde você pode viajar no Nautilus com o Capitão Nemo, ajudar Sherlock Holmes a desvendar um mistério ou perseguir o Conde Drácula pelos becos sombrios de Londres.”

Castelo Falkenstein

Quando li essa descrição, devo confessar que minha empolgação subiu a níveis astronômicos!
Que cenário poderia ser mais divertido que um steampunk na Era Vitoriana, lado a lado com grandes nomes da literatura mundial?

Meu “Eu” criança que viveu altas aventuras ao lado desses personagens fictícios, que passou por vários sustos, se sentiu como um “pinto no lixo”, como diz o ditado.

E foi assim que resolvi me aventurar no mundo de Castelo Falkenstein para fazer essa resenha. E me perdoem fazê-la dessa forma, mas peço que acompanhem, pois em breve tudo será explicado.

Capa do livro Castelo Falkenstein

CASTELO FALKENSTEIN

Falando sobre a parte técnica, Castelo Falkenstein foi originalmente lançado no mercado em 1994.

Escrito por Mike Pondsmith, mesmo responsável por Cyberpunk 2020, o jogo ganhou um Origins Award, além de ter sido um grande sucesso em seu lançamento!

Com um sistema de regras inovador (que logo logo já comento sobre), um cenário cativante e marcante, e ideias originais e inspiradoras, Castelo Falkenstein veio na contramão do que era explorado até então no mercado RPGista.

Dentre seus méritos, posso incluir sua originalidade. Ter um diferencial em um mercado tão vasto, além de oferecer uma nova forma de jogar RPG, sem dúvidas fez do jogo uma das melhores e mais inusitadas obras de todos os tempos.

Sim, isso mesmo: inusitada! Assim como essa resenha, o jogo é muito inusitado em sua proposta como um todo.

Desde a escolha da paleta de cores do livro à linguagem usada na escrita, passando pelo trabalho artístico e desenvolvimento de cenário, tudo no jogo é, no mínimo, inusitado, mas muito longe de ser ruim!

Castelo Falkenstein pode ser facilmente considerado um item obrigatório nas estantes de quaisquer RPGista que queira uma experiência diferenciada e divertida, com uma proposta de jogo única e original.

Trabalho artístico e gráfico primoroso

O CENÁRIO

O cenário de Castelo Falkenstein é a Nova Europa, um lugar que, em todos os seus detalhes, é um retrato real e oficial da nossa Europa no período conhecido como Era Vitoriana.

No nosso mundo real, a Era Vitoriana foi o período em que o Reino Unido foi governado pela Rainha Vitória.
Esse reinado, que durou entre os anos de 1837 e 1901, foi também conhecido como o período da Pax Britannica, época na qual uma grande paz tomou conta do reino, proporcionando assim a ascensão de inúmeros cientistas, pensadores e artistas.

O jogo, que se baseia exatamente nesse período histórico, toma a liberdade de imaginar como poderia ser o desenvolvimento desse mundo se a história corresse de uma forma levemente diferente.

A tecnologia steampunk tomou conta do mundo. Enormes e engenhosas máquinas à vapor fornecem todo tipo de funcionalidade, desde transportes às mais elaboradas engenhocas.

Como se isso não fosse o suficiente, figuras históricas reais, como Arthur Conan Doyle e Mary Shelley podem ser encontrados normalmente vivendo nesse mundo. Mais incrível ainda, é ver suas criações (como Sherlock Holmes e o Monstro de Frankenstein, respectivamente) ao lado deles!

E não apenas escritores e seus personagens podem ser encontrados! Grandes nomes da política (como Karl Marx), ciência (Charles Darwin) e medicina (Sigmund Freud), por exemplo, também estão lá presentes.
Isso já foi o suficiente pra eu me apaixonar por esse cenário e por essa ideia de jogo. Mas qual foi minha surpresa ao descobrir que até mesmo as figuras mitológicas mais famosas dos mundos de RPG também estariam presentes?

Além de todas as figuras históricas reais (e suas criações fictícias), é comum encontrar dragões, elfos, anões e muito mais por toda a Nova Europa.

Ruinas do verdadeiro Castelo Falkenstein

REGRAS

Eis aqui o divisor de águas do jogo.

Claro que a proposta do cenário apresentada até então já é altamente convidativa e divertida. Porém, cenário sem regras é algo incompleto. E no quesito regras, assim como no cenário, o jogo quis fazer algo inovador e diferente do apresentado na época até então.

Serei obrigado a pedir desculpas a você que está lendo… vai parecer que meu testemunho de tudo que presenciei na minha jornada ficou incompleto, mas posso garantir que não!

Diferente de tudo que até então já havia sido proposto nos games de RPG, Castelo Falkenstein dispensa dados e fichas de personagens.

Sim, isso mesmo! Sem dados! Sem fichas!

No lugar disso, o jogo usa um sistema de cartas, que casa muito com o clima inventivo e explorador da Nova Europa.

Quanto as fichas, o jogo substitui por um sistema de diários, de forma que nós, jogadores, devemos ir roteirizando as histórias dos personagens (tal qual me arrisco fazendo agora). Esse recurso é tão importante no jogo, que até mesmo o livro é escrito dessa forma, já mostrando como tudo funciona diferente na Nova Europa!

Particularmente é um sistema um tanto difícil de descrever e explicar sem dar spoilers ou informações que possam estragar ou induzir à interpretações errôneas da proposta do autor. Entretanto, me cativou e chamou a atenção de imediato. Tanto que resenhar o livro é uma forma de me sentir jogando e vivendo aventuras na Nova Europa, junto de personagens que fazem parte da minha vida desde a infância. Portanto, vou me ater a apenas deixar vocês curiosos quanto a essa nova mecânica do jogo!

MAGIA, TECNOLOGIA, PRINCESAS

Apesar da tecnologia steampunk ser uma das principais características do cenário, lá também está presente a magia.

É muito interessante ver essa fusão de “história antiga” com “tecnologia moderna” e “mitologia” lado a lado e coexistindo. Essa visão de mundo e perspectiva de cenário faz toda a diferença.

Ao mesmo tempo que temos uma cidade idêntica à Londres do Século XIX, temos também uma cidade inteiramente habitada e regida por fadas e criaturas fantásticas.

Existem também inúmeras escolas de magia espalhadas por toda Nova Europa, que possuem diferentes níveis de importância, poder e influência (e de onde provavelmente muitas ideias de Harry Potter vieram).
Criaturas mágicas espalhadas por todo o reino influenciam em como as coisas se desenvolveram, inclusive para o lado maligno.

Assim como grandes engenhocas de metal e vapor existem para ajudar e desenvolver toda a Nova Europa, existem também verdadeiras Máquinas Infernais criadas por mentes insanas com propósitos dos mais nefastos.

Em meio a tudo isso, as mais clássicas histórias vitorianas ganham novas roupagens, e novas definições.
Ainda que tudo seja bem medieval e se baseie nas antigas formas de poder, com monarquias e títulos de nobreza, tudo ganha uma roupagem mais épica e heroica.

Me aventurar pelas páginas de Castelo Falkenstein me fez reviver inúmeras aventuras de livros, games, quadrinhos, filmes e muito mais. Seja como um herói de capa e espada rumando ao resgate de sua donzela, ou como um brilhante detetive investigando uma série se assassinatos bizarros, a aventura está lá. Seja lutando contra um poderoso dragão cuspidor de fogo, ou frustrando as maquinações de um insano cientista, o desafio está presente em cada página!

LÁ E DE VOLTA OUTRA VEZ

E essa foi minha jornada pelo Castelo Falkenstein!

Poder me aventurar por uma obra tão diferenciada, com uma proposta tão diferente do comum, me fez querer sair da minha bolha e da minha caixinha. Ao mesmo tempo que o sistema e o cenários são familiares e até, de certa forma, conhecidos, muita novidade e originalidade foi misturada ali, trazendo um verdadeiro novo mundo cheio de possibilidades. Se você ainda não conhece o Castelo Falkenstein, então sugiro fortemente que você vá agora mesmo no site da RetroPunk pra pegar o seu.

Criatividade, originalidade, excelente trabalho gráfico e artístico, regras inovadoras e divertidas e ambientação cativante e emocionante!

Encerro aqui os relatos de minha viagem, já me preparando para retornar à Nova Europa em busca de novas emoções e novas aventuras. Enquanto isso, que tal acompanhar o que anda rolando aqui no Movimento RPG? Recomendo dessa vez um artigo meu para a Liga das Trevas sobre a Tribo Portadores da Luz Interior!

Mas pra não ficar puxando sardinha só pra mim, que tal conferir a resenha do suplemento Queda Londrina para Shadowrun 5° Edição feita pelo Diemis Kist?

Sair da versão mobile